Capitulo 3
Destino
Suspirou novamente andando pelas ruas de Hogsmeade. Era tarde e ela já devia de estar em casa. Mas ela não queria ir para casa. Afinal ir para casa significava um apartamento vazio, passar a noite sozinha.
Fechou os olhos por segundos parando de andar, permitindo-se recordar a sensação que fora dormir com ele ao seu lado durante uma noite. A sensação de se sentir protegida, amada.
Tinha sido tão boa, e ela queria sentir aquilo para sempre, ao lado dele, ao lado de Draco Malfoy.
Abriu os olhos e abanou a cabeça. Não devia de pensar naquilo. Afinal ela própria assinara os papéis da anulação do casamento, há dois meses atrás.
Suspirou mais uma vez antes de aparatar no seu apartamento. Não havia mais motivo para se manter ali no meio na rua a vaguear.
Sentou-se no sofá e ligou a televisão. Adorava aquele aparelho Muggle, afinal fazia que ela deixasse de pensar nele, pelo menos durante alguns minutos, até perder o total interesse pelo filme e voltar a pensar na única coisa interessante que lhe acontecera na vida. O indesejado e curto casamento com Draco Malfoy.
Foi afastada dos seus pensamentos pelo barulho irritante que uma coruja fazia contra a janela da sala. Levantou-se e abriu a janela reparando em seguida que a coruja pequenina era a de Ron.
Pegou na carta e abriu-a, lendo-a rapidamente.
"-Almoço de família amanhã. Era só o que me faltava!" – resmungou pousando a carta em cima da mesa e voltando para o sofá. – "Ver todos os meus irmãos felizes por causa dos casamentos. Raios!"
Mas apesar de não lhe apetecer ir ela não podia deixar de ir. Almoço de família na Toca era quase sagrado, nada de não ir. A não ser que tivesse uma boa desculpa. E ela não tinha. Afinal não tinha filhos, nem marido. Não mais.
…..
Era incrível como não conseguia esquecer a maldita ruiva. Incrível como durante aqueles dois últimos meses ele pensara várias vezes ir procurá-la e pedir-lhe para voltar.
Incrível como não tivera coragem de a impedir de ir. Incrível como não conseguia parar de se massacrar.
"-Hei Draco! Estás ai?" – perguntou a voz de Blaise ao seu ouvido, enquanto o moreno o abanava.
Draco focou o amigo e reparou que mais uma vez estava a sonhar acordado. Estava encostado à parede da sala, com um copo de Whisky na mão a olhar para o nada. Apenas a pensar nela. Em Ginevra Weasley.
"-Estavas a pensar no quê?"
"-Em nada. Porquê?"
"-Nada. Será que esse nada usa saias, tem sardas, é ruiva e cheia de curvas?" – perguntou o moreno sorrindo.
"-Não fales dela desse género." – Murmurou Draco olhando irritado para o amigo.
"-Eu sabia. Estás apaixonado por ela, não estás?"
"-Claro que não Blaise. Eu nem sei do que raio, estás tu a falar."
"-Ginevra Molly Weasley Malfoy diz-te algo?"
"-Não tem Malfoy no fim." – Disse Draco secamente caminhando até ao meio da sala.
"-Não?"
"-Claro que não. Há…há dois meses eu mandei os papéis da anulação. Tu sabes, eu pedi-tos."
"-Pois foi, pediste. E depois disseste-me que os ias tu próprio mandar para o ministério. Não foi?"
"-Foi. E eu fiz isso!" – respondeu Draco pousando o copo em cima da pequena mesa que estava em frente do sofá.
Viu quando o moreno sorriu e o olhou divertido.
"-O que é Zabini?" – indagou ele quase irritado.
"-Eu sei que não mandaste os papéis. Fui informar-me. Achei, estranho tu quereres tratar de tudo sozinho, mas enfim. Então ontem eu passei por lá e perguntei se tinham recebido essa anulação, e eles disseram que não."
"-Pois não, não receberam. E então? O que me vais fazer?" – perguntou ele exaltado.
"-Nada Draco. Mas quero saber porquê! É que tive muito trabalho para arranjar a anulação."
"-Eu gosto dela." – Murmurou ele fazendo com que o sorriso de Blaise aumentasse.
"-Gostas dela como? Muito? Um pouco? Imenso?"
"-Não sei. Não sei, ok? Eu gosto dela. Sinto falta dela, só penso nela, quero vê-la. Não quero que este casamento acabe. É isso. É isso que eu sinto."
"-Bem, gostas mesmo dela. Muito." – Comentou Blaise.
Draco suspirou e em seguida sentou-se no sofá, fechando os olhos.
"-Tens que lhe dizer!"
"-O quê? Estás louco? Ela não deve de querer saber nada de mim." – Disse ele abrindo os olhos e levantando-se do sofá na mesma altura.
"-Mas, ela precisa de saber que está casada."
"-Não! Eu, eu dou os papéis, e…"
"-Não podes."
"-Como?"
"-Passaram dois meses desde o casamento. Eu consegui os papéis mas eles tinham que ser logo entregues, pois um dia depois do casamento já não dava para o anular."
"-Quer dizer que eu e ela vamos ficar casados? Para sempre?" – indagou em pânico.
"-Sim."
Voltou a sentar-se no sofá.
Não era um pensamento assustador, esse de estar casado com ela. O único pensamento assustador no meio daquilo tudo era ter que contar a uma mulher que se julgava solteira, o facto de estar casada.
Suspirou antes de pousar a face nas mãos.
"-Bem, o Weasley também é advogado certo? E ele comentou com alguém que amanhã havia almoço na Toca. Podes sempre ir ao almoço de família."
Draco fuzilou o amigo com o olhar. Blaise apenas riu e em seguida aparatou para longe da fúria do loiro.
Assim que ficou sozinho ele olhou para a aliança. A aliança que durante aqueles dois meses o impediu de dormir com outra mulher. A aliança que o mantinha ligado a ela.
Tinha que lhe dizer. Tinha que o fazer.
E seria no almoço na Toca. Teria que ser.
…..
Estava sentada no sofá da sala da Toca olhando para os seus seis sobrinhos. Um filho de Ron, dois filhos do Bill, uma filha do Charlie, e as duas gémeas filhas de Fred.
Suspirou. Seu irmão Percy iria ter um filho nos próximos meses, pois a mulher estava grávida, George também, e a Hermione esperava o segundo filho.
Até a Chang estava grávida de dois meses.
Só ela não tinha filhos. E logo ela que sempre quisera ter três ou quatro filhos.
Suspirou novamente. Tinha que esquecer Draco Malfoy, afinal se não o esquecesse é que nunca teria filhos.
"-Ginny!" – chamou Hermione sentando-se ao lado dela.
"-Sim?"
"-Pareces distante. O que se passa? Não me digas que é por causa da gravidez da Cho."
"-Como? Da gravidez da Chang-Potter? Claro que não, porque deveria de ser?"
"-Bem, o Harry…"
"-Hermione, eu não sinto nada, mas mesmo nada pelo Harry."
"-Tens a certeza?"
"-Sim." – Respondeu exasperada abanando as mãos sem intenção.
O olhar perspicaz de Hermione fixou a aliança que ela tinha no dedo, e Ginny nem se apercebeu. Só deixou de respirar quando a cunhada lhe pegou no pulso e olhou para a aliança.
Tinha feito asneira. Não devia de ter trazido a aliança no dedo.
"-O que é isto?"
"-Uma aliança."
"-Mas, como?"
"-Não quero falar sobre isso!" – resmungou ela puxando a mão para longe da amiga.
"-Ginevra Weasley, tu estás casada?" – perguntou a morena chocada.
"-Não! Não mais. O casamento foi anulado."
"-Como?"
"-Nós bebemos demais, foi tudo sem pensar. No dia seguinte anulamos o casamento."
"-Quem era ele?"
"-Não tens nada a ver com isso Hermione." – Respondeu ela azeda.
"-Pensava que éramos amigas Ginny!"
"-E somos, mas…."
"-Diz-me! Eu não conto a ninguém. Prometo. Nem ao Ron. Vá lá Ginny diz-me!"
"-Foi o…"
"-Malfoy? O que fazes aqui?" – perguntou a voz de Ron bem alto.
Ginevra levantou-se e caminhou até à cozinha encontrando Draco parado em frente de seu irmão. Ela não saberia dizer qual dos dois estava mais furioso.
Aproximou-se do loiro e assim que o olhar dele caiu sobre ela, ele sorriu levemente.
"-Olá." – Disse sem graça.
"-Olá Draco. O que fazes aqui?"
Draco tinha a perfeita noção de que todos os irmãos protectores dela o observavam. De que os pais dela estava pasmos. E de que ela própria não estava a entender nada daquilo. Mas ele também não. Ele não sabia como tinha tido coragem para entrar naquela, naquela….Toca!
"-Eu vim….eu…." – não era capaz de dizer nada, seu senso de perigo estava ligado no máximo.
O melhor era não dizer nada relacionado com o casamento deles, podia bem sofrer graves consequências nas mãos de todos aqueles Weasleys com cara de maníacos.
"-Eu vim dar-te estes papéis!" – disse entregando a pasta que a ruiva tão bem conhecia.
Ginny pegou na pasta e sentiu o coração bater forte no peito.
O que significava aquilo?
Olhou para o loiro à sua frente, mas a expressão dele era neutra, não sabia o que ele estava a sentir, nem a pensar. Maldito Malfoy!
Em seguida olhou para a mão dele e viu a aliança igual à sua.
Olhou novamente para os olhos dele e viu que ele também olhava para a sua mão, e sorria levemente.
Será que aquilo era o que ela estava mesmo a pensar?
"-O que são estes papéis?"
"-Algo que eu não fui capaz de mandar para onde devia, quando devia. Desculpa, mas não pode ser anulado, só hoje é que soube que tinha prazo."
A ruiva riu levemente e em seguida aproximou-se dele.
"-E isso quer dizer que…?"
"-Continuamos casados!" – respondeu o loiro sentindo-se mais aliviado, afinal ela usava a aliança, isso era realmente um bom sinal.
"-Casados? Espera, ele disse casados? Vocês estão casados?" – perguntou Ron perplexo.
"-Parece que sim." – Respondeu a ruiva simplesmente antes de sorrir.
"-E é mau?"
"-Não Draco, não é nada mau."
Ele sorriu antes de se aperceber que todos os Weasleys o olhavam com um certo ódio, e com certa incredulidade.
"-Hum…." – Começou ele, olhando em seguida para a ruiva que entendeu a mensagem desesperada que o olhar dele tinha.
"-Eu e Draco casamos há dois meses. Uma noite, muito bêbados, e numa dessas capelas de casamentos instantâneos. É isso."
"-É isso? Como "é isso", filha? Tu estás casada!"
"-Sim estou."
"-Ele é um Malfoy." – Disse Fred.
"-Eu sei. E eu….eu….amo-o." – respondeu.
Dizer que o amava em voz alta, era muito bom, sentiu como se um peso tivesse saído dos seus ombros. Era aliviador.
"-Amas-me?" – perguntou baixo o loiro.
Ginny apenas se virou para ele e respondeu:
"-Sim. Estranho não é?"
"-Não. Pois, eu também….te amo."
A ruiva sorriu antes de passar os braços por trás do pescoço dele e o beijar.
A pasta com os papéis caiu no chão, os braços de Draco enrolaram-se na sua cintura, e se ela olhasse para a sua família viria todos com cara de choque.
Mas ela não se importou com nada. Apenas aparatou bem junto a ele, no apartamento do loiro.
Riu imenso antes de se deixar cair para cima da cama dele. Draco ergueu a sobrancelha. Não via piada nenhuma daquilo, afinal acabara de fugir de um antro de Weasley que certamente o queriam ver pendurado pelo pescoço no cimo de uma torre alta.
"-Draco!" – chamou a ruiva sentando-se na cama.
"-O que foi?"
"-Ainda não me disseste porque é que não me disseste antes que o casamento não tinha sido anulado?"
"-Não tive coragem. Pensei que para ti, eu não significasse nada."
Ela sorriu elevando-se, passando com os braços por trás do pescoço dele, beijando-o em seguida.
"-És um tonto. E eu amo-te. Estranho, eu sei? Mas, amo-te desde o momento, em que te vi acordado ao meu lado."
"-Eu também te amo ruiva. Passei dois meses sem ti, e foram sem dúvida alguma os piores dois meses da minha vida."
Ela riu, antes de voltar a beijá-lo. E se havia na vida algo melhor do que ser beijada por Draco Malfoy ela não sabia, e não queria saber de mais nada, apenas queria continuar ali, a beijá-lo, e a ser totalmente correspondida pelo beijo dele.
Quando deu por si encontrava-se deitada no meio da cama dele, completamente despojada de roupa.
Draco fixou o olhar no dela e em seguida pediu num murmúrio tão baixo, que se os lábios dele não estivessem quase colados aos dela não teria ouvido uma única palavra.
"-Não voltes a sair daqui, da minha cama, da minha vida!"
"-Nunca mais Draco, nunca mais." – Garantiu ela antes de sentir os lábios dele nos seus.
…..
Acordou sentindo uns lábios lambuzados no lado esquerdo da sua face. Abriu o olho esquerdo vendo o olhar cinza claro da menina loira que estava deitada ao seu lado.
"-Bom dia papá!" – disse a menina antes de gargalhar ao sentir o braço do pai puxa-la para si.
"-Bom dia princesa. Onde está a mamã?"
"-Não xei!" – respondeu a menina sorrindo e sentando-se em cima do peito do pai.
Draco olhou para a menina de três anos que estava em cima de si. Sorriu. Havia sido uma surpresa de todo o tamanho quando Ginevra lhe disse que estava grávida. Eles estavam juntos apenas há três semanas quando ela lhe disse isso, mas ele depois do choque, sorriu. Afinal a noite de núpcias deles fora muito mais do que bom sexo.
"-Não sabes onde está a mamã? Ela não está na cozinha?"
"-Nha! Eu vi, ela não tá."
"-Estranho não é?"
"-Xim."
Sentou-se na cama e em seguida vestiu o roupão negro por cima das calças do pijama, pegou na filha ao colo e saiu do quarto procurando a mulher por todas as divisões da Mansão, mas ela não estava em lado nenhum.
"-Mas onde ela estará princesa? Onde?" – perguntou ele à filha que apenas lhe deu o sorriso doce igual ao de Ginevra.
"-Fome!"
"-Tens fome princesa?"
"-Xim."
"-Céus. Mas eu….eu não sei onde a mamã está…."
"-Blaxa!" – disse ela rindo não se importando com o pânico do pai.
"-Certo…bolachas há na cozinha."
Draco caminhou até à cozinha e pegou o frasco cheio de bolachas de chocolates. Em seguida sentou a filha no chão e abriu o frasco, o que fez a menina sorrir e começar a tirar bolachas lá de dentro para comer rapidamente.
O loiro olhou para a filha e passou a mão nos cabelos loiros, em pânico. Onde ela estaria.
"-Papá! Blaxa." – Disse ela entregando uma bolacha ao pai.
Draco abaixou-se ao pé da filha e pegou na bolacha que ela lhe oferecia.
"-Obrigada princesa."
"-Pelos vistos tenho que me levantar cedo mais vezes para puder assistir a algo tão fofo." – Disse a voz da ruiva.
Draco virou-se vendo a ruiva encostada ao batente da porta com algumas rosas nas mãos. Claro, o jardim, ele não vira no jardim, e ele sabia que ela adorava apanhar flores na Primavera durante a manhã.
"-Mamã!" – disse a pequenina sorridente, levantando-se e correndo meia desengonçada até ao colo da mãe.
"-Bom dia Catherine."
"-Papá deu blaxa."
"-Claro que deu, teu papá não sabe cozinhar mesmo." – Disse Ginevra rindo em seguida e pousando a filha no chão.
Draco caminhou até ela e retirou-lhe as rosas da mão, pousando-as em cima da mesa. Em seguida passou com as mãos na face da ruiva e beijou-a.
"-Jinho…..jinho!" – disse Catherine antes de pegar em duas bolachas e sair da cozinha rindo.
"-Malfoy, sabes bem. Sabes a bolacha de chocolate." – Constatou a ruiva assim que o marido afastou os lábios dos dela.
"-Um motivo para me voltares a beijar."
"-Mas…Catherine ela…."
"-Ela foi para sala, ver aqueles desenhos animados que tanto gosta naquele objecto Muggle que tu me obrigaste a comprar por causa dos teus filmes. Ela está ocupada, e nós….também."
Ela riu sendo puxada pelo marido, antes de o beijar.
Era feliz, bastante, e tudo graças a um dia de azar e alguma bebida à mistura. Mas quem disse que o azar é mau? Não é! É sempre bom, pois depois do azar vem sempre a sorte, a felicidade, só temos que arriscar, cometer loucuras, viver a vida. Eles fizeram isso, e o casamento que deveria ter sido indesejado, tornou-se na felicidade de ambos.
Fim
N/A: Acabou! Actualizei um tempinho entre faculdade, trabalhos de faculdade, recensões criticas, escrever para challenger, consegui um tempo para actualizar….mas infelizmente não vou conseguir responder aos comentários um por um….mas AGRADEÇO do fundo do coração todos os comentários desta fic, em especial os do capitulo anterior…..e espero que tenhas gostado….e viram, muitas acertaram, ele não assinou o divorcio….enfim, Malfoy!
Espero que tenham gostado…..e virão mais duas fics a caminho….uma meia fluffy e outra NC, ambas DG…mas não sei quando….
JINHOS!!!!
E podem ter a certeza k voltarei em breve……
COMENTEM!!!!!
