Fantasmas e pesadelos

Capítulo anterior:

Kai sente ciúmes de Anina e os restantes rapazes do grupo também desconfiam um pouco de Darien, embora as raparigas pareçam adorá-lo. Voltaire manda Kai ficar de olho em Darien e diz que precisa falar com ele. Anina e Kai discutem e Anina acaba por ficar apreensiva.

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Escuridão. Era só isso que conseguia ver à sua volta. Estava tudo envolto naquela penumbra e não conseguia ver nenhum sinal de luz. Caminhar seria uma boa ideia? Começou a mover-se lentamente enquanto tacteava à sua volta procurando algo a que se segurar, mas não encontrava nada. Continuou a andar. Que frio…só agora notara que estava a tremer. Abraçou-se a si própria enquanto tentava acalmar o seu coração da sensação de pânico que a começava a invadir. Onde estava toda a gente?

" Mamã? Papá? Está alguém aí?" – o barulho do vento aumentou. Engraçado…nem tinha notado o vento. O barulho era cada vez mais intenso. Começou a correr mas parecia que as trevas não tinham fim e o barulho ensurdecedor do vento parecia persegui-la. Apressou a corrida. Estava apavorada. Começou a gritar cada vez mais alto. Chamava por todos que se lembrava: desde a mãe à ama. Finalmente começou a distinguir alguns contornos na escuridão: os cabelos prateados de Serenety eram inconfundíveis. Estendeu a mão para lhe pedir ajuda, mas algo a impediu. No entanto, o rosto de Serenety encarou-a.

" Porquê? Porque tenho medo dos olhos dela? Não faz sentido…nada faz sentido!" Tinha medo de Serenety…medo de que ela descobrisse o seu segredo. Ela não podia descobrir ou iria contar tudo á mamã. Mas…não era só medo. Olhou mais profundamente para aqueles olhos…raiva. Tinha raiva de Serenety. Raiva, inveja. Ódio.

Mas mesmo assim, queria chamá-la. Queria que ela a tirasse da escuridão, mas ela parecia não ouvi-la. Limitava-se a sorrir e a falar.

"Amanhã vamos dar um passei com o Kai Anina, podíamos ir ver aqueles vestidos que querias não achas?"

"Vestidos? Mas de que estás a falar? Serenety, ajuda-me! Tenho de sair daqui!" Anina abriu os olhos horrorizada. Tinha ouvido alguém a falar…e parecia que era com essa pessoa que Serenety estava a falar. " O que se passa aqui? SERENETY! Ajuda-me, por favor Serenety, tens de me ouvir! Isto é tudo muito estranho…porque é que não me ouves? E porque é que eu não consigo deixar de ter raiva de ti?"

" A Serena não pode ir mas não há problema. Vamos divertir-nos nós os três não achas? O papá volta amanhã à noite. Ficas feliz não ficas?"

" Serenety!" Lágrimas começaram a correr. Era inútil. Ela não ouvia os pedidos de socorro. O que se estava a passar? E porque e que a voz que respondia a Serenety era tão parecida com a sua?

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ANINA: Não! Pára! Pára! – Anina continuava a contorcer-se na enorme cama, gritando e tapando os ouvidos há já meia hora pelo menos. Serenety tinha dado o alarme, mas mesmo que não o tivesse feito, os gritos de desespero de Anina acabariam por acordar toda a mansão. Por coincidência, uma terrível tempestade levantara-se. Podia ouvir-se a chuva a ir contra as janelas e os trovões eram seguidos. O tempo parecia não ajudar a esquecer o estado em que a dona da casa se encontrava.

Hilary desviava os olhos chocada, assim como os demais. Kai estava descontrolado. Tinha ameaçado matar quem quer que se aproximasse da cama, e com os nervos já tinha esmurrado Kyou que não se tinha controlado e que tentara acordar Anina. Embora sofresse ainda mais que os outros ao ver Anina naquele estado, mas sabia que era perigoso acordar alguém quando essa pessoa estava a meio de um pesadelo como aquele. Por isso, mesmo vendo as lágrimas da amada, falava-lhe baixinho, tentando acalmá-la. Mas não estava a dar resultado.

E para piorar a situação havia Darien. Quase o esganara quando o viu aproximar-se de Anina, mas felizmente para os dois, Alexandra tinha-o impedido de se aproximar, já que desatara a chorar, mais agarrada ao "inimigo" do que uma lapa.

KAI: "Por favor Anina, sê forte. Eu estou contigo…"

TALA: Kai, não será melhor chamar um médico?

KAINA irritada: Para quê? O Kyou não está assim tão mal…daqui a uns dias já deve estar consciente. Ele deve sobreviver…

RAY: ⌐⌐'' Acho que ele estava a falar de um médico para a Anina.

KAINA: Ah, isso! Não sei se é muito boa ideia…

MAX: Porquê?

KAINA fingindo estar ao telefone: Está , senhor doutor? Podia vir aqui a casa? É que a Anina está a ter um pesadelo e nós não conseguimos dormir…será que a pode acordar? Não? Então atiramos-lhe com um balde de água fria a ver se acorda?

ALEXANDRA: Pare com isso menina Molotov! Sabe muito bem que não a podemos acordar, e se está tão incomodada por não poder dormir vá para o estábulo! Você e esses japoneses todos! Pode ser que durmam descansados! Vá, vão embora! Desapareçam!

KAINA: Esteja calada sua velha idiota! Eu não vou a lugar nenhum enquanto a Anina não melhorar!

TYSON: E qual é o seu problema com japoneses?

KAI: CALEM-SE! – Silêncio…Imediatamente todos ficaram calados, limitando-se a lançar olhares venenosos uns aos outros. Depois de verificar que o seu grito não tinha acordado Anina, continuou em voz mais baixa- Se não se importam., vão matar-se para o outro lado. A Anina precisa de tudo menos de berros dentro do quarto, por isso CALEM-SE.

VOLTAIRE: "É mesmo meu neto…Herdou a minha capacidade de persuasão"

KENNY: Desculpa Kai…mas estamos todos nervosos– encolhendo-se quando mais um trovão se faz sentir - E este maldito tempo que não ajuda em nada!

ALEXANDRA: Pobre lady Bazhedief! –queixou-se a mulher, simulando um desmaio, que quase fez Darien ir ao chão com o peso da governanta. – Eu peço perdão pelo meu comportamento.

DARIEN: Nós percebemos, mas Alexandra, "querida", podia fazer o favor de sair de cima de mim? Está quase a esmagar-me.

ALEXANDRA: O QUÊ? ESTÁ A DIZER QUE EU SOU GOR…

TODOS: Shiiu

ALEXANDRA: o/o Desculpem-me.

HILARY: Que se passa Tyson? Ficaste tão calado de repente…

TYSON em voz baixa: Não é nada de importante…é só que…lembrei-me de uma coisa…- começando a dirigir-se até à janela do quarto de Anina. Lentamente abriu os enormes cortinados e olhou a chuva. Serenety, que se tinha mantido em silêncio, olhou-o curiosa.

MAX: O que é que é estranho Tyson? – Um clarão iluminou por breves segundos o quarto, e todos viram a cara séria de Tyson.

TYSON: Vocês já repararam que sempre que a Anina está mal o tempo fica estranho de um momento para o outro? De manhã o tempo estava óptimo, até batalhas de neve fizemos. E agora, parece que estamos dentro de um filme de terror. – Hilary arrepiou-se e aproximou-se mais de Tyson. Sabia que o namorado não deixava de ter razão. – Começo a achar que aquela bruxa tinha razão quando mandou a Anina ter cuidado.

HILARY: "A Esmeralda disse que ela ia sofrer…será que ela não era uma impostora?"

SERENETY falando sozinha: "É como se o tempo soubesse da luta que ela está a ter contra os seus próprios fantasmas… Será possível…que seja ela que o está a influenciar?"

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Anina debatia-se contra as árvores que a arranhavam e contra as figuras que a pareciam perseguir. Já tinha visto vários amigos de infância, mas todos eles pareciam não a ouvir. Só sorriam, enquanto ela gritava desesperada.

ANINA: "Quando é que isto vai acabar? Tenho medo…Porque estão todos tão diferentes? Porque é que ninguém me ouve?" – Anina continuou a correr. Tinha de fugir. Tinha de conseguir sair daquele pesadelo.

VOZ: Não corras mais. É escusado.

Anina parou imediatamente. Não por vontade, mas porque o seu corpo gelara. Conhecia aquele voz. Era a mesma que respondia na sua vez… e era acima de tudo a sua voz. A sua respiração tornou-se ainda mais ofegante. Parecia que o seu coração ia sair do peito de tanto bater. Não tinha coragem para se voltar para trás.

VOZ: Não tenhas medo…eu não te posso fazer mal. Porque eu…sou tu. – Com toda a certeza algumas batidas falharam.

ANINA: Tu…és eu? Não pode ser…eu estou louca! Eu tenho de acordar!

VOZ: Sim. Tens de acordar, mas não consegues pois não? Não tentes negar. Eu sou o teu reflexo mais exactamente. Sou o reflexo das tuas memórias, do teu verdadeiro eu. - Não foi preciso voltar-se pois uma réplica sua apareceu mesmo diante dos seus olhos. A medo, tocou-lhe. O seu duplo fez a mesma coisa, e ambas atravessaram o corpo da outra. – Não temos matéria. - explicou

ANINA: Então isto é mesmo um pesadelo? - Perguntou receosa. Agora estavam apenas as duas, e a única luz vinha dos seus corpos.

Reflexo: Não exactamente. Estamos dentro do teu coração. Tu estás com medo e com dúvidas, e de algum modo, vieste aqui parar.Tal como disseste, isto é um pesadelo. Mas também é o teu coração. Tu vieste à procura de respostas. Eu não existo realmente, porque eu sou tu. Só estou aqui porque me chamaste. Mas o ódio, o medo e todos os sentimentos negativos juntaram-se. Ficou tudo numa desordem, os teus sentimentos baralharam-se, as tuas memórias foram esquecidas….e apareceu um novo eu.

ANINA confusa: Um novo eu? Estás a falar…

Reflexo: Sim. Das energias que absorveste de outros seres. Ficaram aqui trancados. E tu negaste parte da energia. Transformaste-a em ódio e dor, por isso é que não te consegues livrar do medo que sentes e também não consegues controlar a tua própria força.

ANINA de repente: Há uns meses, eu atirei-me da janela. Mas não era eu…era como se não conseguisse controlar o meu corpo, como se não estivesse em mim!

Reflexo: Já compreendeste? Foi essa força que te fez tentar acabar com tudo. Tens de te livrar dela. Usa-a como arma contra os teus inimigos.

ANINA: Eu não posso! Não faz sentido…eu quero sair daqui! Deixa-me sair!

Reflexo: Foste tu quem quis vir. Querias lembrar-te e lembraste-te. Viste todas aquelas pessoas? Aquelas sombras? Ouviste as conversas? O que sentiste agora foi o mesmo que sentiste à anos atrás. Medo…revolta…ódio…e um sentimento profundo de traição.

ANINA: É MENTIRA! EU GOSTO DE TODOS ELES!

Reflexo: Não adianta negares a ti mesma. Tu odiavas essas pessoas. O teu melhor amigo; o teu pai; a Serenety; a tua ama; a tua mãe…tu odiavas todos!

ANINA: É MENTIRAAAAAAAA!

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Estava ofegante. Via tudo andar à roda e havia pontos brilhantes por todo o lado. Para piorar a situação estava enjoada. Ainda estava a recuperar a sua visão quando foi quase esmagada por Serenety, que logo de seguida desapareceu para dentro do seu beyblade.

HILARY: Acordaste! – gritou aliviada

ANINA: "Acordei? Claro…quilo foi só um pesadelo…nada do que sonhei faz sentido…eu só estava preocupada e isso deve ter-me influenciado" Claro que acordei Hilary.- disse tentando parecer normal – E o que é que estão a fazer todos aqui?

KAI: Tiveste um pesadelo.

ANINA: Desculpem ter-vos incomodado a todos, mas eu prometo que não torna a aconte…

DARIEN abraçando-a com força (tinha atirado a Alexandra pelos ares mal Anina se levantara) : Nunca mais digas isso, querida. Não tens culpa de ter pesadelos…- falou carinhosamente, deixando Kai com um ataque de ciúmes - e se alguém aqui ficar incomodado, é bom que desapareça da minha vista.- acrescentou em tom ameaçador

ANINA corada: D-Darien…

DARIEN dando-lhe um beijo na testa : Agora vê se dormes bem, estamos combinados? Princesa… Vamos indo. – Todos começaram a sair e a desejar boas noites, excepto Kai.

KAI: Eu não vou a lado nenhum.

DARIEN: Kai, não sejas imaturo. Tu sabes muito bem que a Anina precisa de descansar, e por mais preocupado que estejas, é melhor deixá-la sozinha.

KAI: Hnp.- começando a andar – Se precisares de alguma coisa Anina, sabes onde é o meu quarto. – Disse frisando bem a última parte. Disfarçou o sorriso de vitoria, quando viu Darien olhá-lo com um pouco de raiva, com uma pergunta óbvia nos olhos. Pensasse o que quisesse. Não tinha dito mentira nenhuma. Ela sabia perfeitamente qual era o quarto pois para descer as escadas tinha de passar por ele. " Ainda tenho de falar com o avô…mas hoje com esta confusão toda não deu…Mesmo assim…acho que me estou a esquecer de algo…, não deve ser nada de importante para eu não me lembrar "

ANINA: Ah, está ali o Kyou deitado! Será que adormeceu? – perguntou inocentemente, já que, na sua posição, não conseguia ver o inchaço de um dos lados da cara de Kyou.

KAI corado: Hum…mais ou menos isso…

DARIEN: O Kai deu-lhe uma ajuda Anina. Foi por isso que ele "adormeceu". – lançando um olhar de triunfo sobre Kai. Mas Darien não contava com a ingenuidade de Anina

ANINA: A sério Kai? É tão bom ver que mesmo preocupado comigo ajudaste o Kyou!

Kai apenas levantou Kyou e correu porta fora para tentar conter a vontade de desatar a rir perante a cara de desgosto e raiva de Darien.

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No segundo andar…

MAX: Ray, não ouviste umas gargalhadas?

RAY: Ouvi…parecia mesmo a voz do Kai!

Todos olhando-se: Na…impossível…

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Oi!

Aqui está mais um cap de Seguindo o Destino!

Muito obrigada a todos os que têm acompanhado a fic. Os vossos reviews são muito importantes para mim!

Como já me foi pedido, estou a tentar diminuir o tamanho dos caps, espero que esteja bem n.n''.

Muito muito obrigada a Marronita (oi! Obrigada pelo apoio! Bjx); FireKai (Obrigada pelos títulos! Pois, o Darien é muito misterioso…eu já o tinha imaginado desde o primeiro cap, e sabia que iam haver contradições! Vamos lá ver o que acontece! Bjx!); Aki Hiwatari (Oi! Aiai, outra vez o Darien XD. Acho que toda a gente fica com o pé atrás em relação a ele! Agora, será que têm razão? Ou não? Bjx); Xia Matsuyama (oi nee-chan! Vamos lá ver o que acontece.Bjx); Maylene Angel (Mamy! Eheh, de amar não sei…mas de sentir ciúmes, tenho a certeza XD Bjx); AngieGirl (Oi! Em primeiro lugar muito obrigada pela tua review! Incentivou-me imenso sabias? Principalmente fizeste-me lembrar quando eu própria lia todos os caps de uma fic num só dia de tanta curiosidade! Espero que continues a deixar reviews e se precisares de alguma ajuda no site diz, ok? Bjx)

Até ao próximo!