Aquilo não parecia muito com um treino, era mais uma diversão para todos. Cada um olhava para cara do outro e riam porque o outro estava cansado, tentando se achar superior, mas logo depois caiam.

Marisol era durona, e não aceitava desculpas. Não dava parada de descanço, era exigente, e aumentava mais e mais os pesos deles de tempos em tempos.

Depois de todos darem sua corrida noturna pela fazenda, que era bem grande, param na pousada. A pousada era vazia, os únicos hospedes era apenas os shamans ali presentes. Entraram mais adentro da grande pousada, reconheceram a recepção que viram na noite passada, atravessaram-na. Passaram também, por uma portinha, que para abrir, Marisol tirou uma chave prateada do bolso e abriu a porta, entraram e passaram por um longo corredor, com grandes quadros pincelados com simbolos japonesas com seus significados embaixo, que em ordem, os quadros estavam: coração (o maior quadro), espírito, nobreza, coragem, amor, amizade, sabedoria.

Atravessaram o tal corredor e chegaram a um portal, bastante grande, vermelho sangue com ornamentos de madeira. Com a mesma chave de antes abriu aquele grande portal. O que se revelou foi um pátio, que apresentava a luz noturna e uma Lua bastante cheia. A estrutura do prédio parecia não deixar que ninguém visse o pátio, parecia que queriam esconder. O pátio era extenso e feito de pedra antiga, já até deformado da força que provavelmente aplicaram no passado. Tinha ao lado armas de todos os tipos, lanças, espadas, adagas e muito mais.

- Pois bem... aqui vocês vão poder brincar bastante já que o lugar é bastante grande. – começou Marisol-Vocês vão treinar aqui sua agilidade e aptidão física. Todos escolham uma arma!

Assim feito, todos foram lá, pegaram suas armas.

- Ren! Você não! Você já entende bem de aptidão física, por isso vai me ajudar. Ou melhor, vai se doar ao próximo, e é melhor fazer isso direitinho. – a loira o olhou com um olhar assassino, fazendo-o estremecer.

- Por que eu vou ter que ensinar esse inúteis? Se já sou tão bom por que me chamou aqui?

- Porque, como eu disse anteriormente, vai ter que se doar mais aos outros, ser mais humano!

-Vou me tornar um boiolinha de coração mole!

- Se precisar se tornar um boiolinha, então você vai ser um boiolinha certo? E ser generoso não quer dizer ser boiola.

O garoto ficou quieto, se sentou num canto e lá ficou. Estava indignado por ter que perder tempo com os outros.

...::::::::::::::::::::::::::::UMA HORA DEPOIS::::::::::::::::::::::::::::::::...

Marisol deixou-o de lado, foi simplesmente ensinar os outros. Não queria saber de um garoto mimado que simplesmente não a deixaria fazer o seu trabalho. Observava todos com as armas na mão, treinando movimentos básicos com seus espíritos guardiões.

Anna também treinava com fervor. Desejava ser a melhor. Sempre a melhor. Mas quando caía, Yoh a ajudava, o que atría o olhar de todos e deixava a Anna nervosa, mandando-o catar laranjas (L/L: se não entenderam a piada depois eu explico, não foi engraçada, mas encarem como uma tentativa ok? -.-').

Hao não se preocupava muito. Sempre calmo, nunca fazia muiita coisa. Mas impressionava Marisol com seu poder.

Sollomon e Cristinni estavam treinando com afinco para melhorarem. Sollomon parecia estar um pouco sem fôlego. Já Cristinni, mais jovem, se movia com agilidade, aprendia rápido. O kimono que usava já estava um pouco aberto e alguns fios dos longos cabelos já estavam começando a se soltar e grudar no pescoço por causa do suor.

Yoh e Anna eram o casal que mais chamavam a atenção por serem tão ligados um ao outro. Mesmo Anna não querendo ser ajudada, corava a cada ajuda que ele lhe dava, e ele ficava feliz em vê-la sem jeito, não de um jeito idiota como muitos fazem, mas de um jeito inocente sempre com um sorriso calmo no rosto. Os olhares eram profundos, penetrantes como lança. Era impossível não notar como os dois estavam felizes em estarem pertos, mesmo com o gelo que davam um ao outro no começo da noite, mas todos sabiam, a noite nem haviam começado ainda e as estrelas ainda nem tinham começado a fazer seu feitiço para que a Lua lançasse.

O pior de tudo, e que todos realmente notavam era o ódio que Hao tinha nos olhos ao ver seu irmão gêmeo, o garoto que tinha seu mesmo rosto mas, ao contrário dele, não tinha nada a oferecer, tivesse feito a garota que ele gostava se virar contra ele.

A palavra "gostar". Palavra que Anna ouvia todas as noites e todas as vezes que olhava para o noivo. Mas não faza mensção da palavra gostar, e sim da palavra "amar". A palavra "amar" e "gostar" era muito diferentes, apesar de os ignorantes fazerem essa palavra terem sentidos tão vagos como se fossem a mesma coisa. Amar é nutrir um sentimento grande demais, inabalável, enfrenta todas as barreiras. Já gostar era diferente, era apenas sentir um carinho profundo e nada mais que isso, não é o tipo de sentimento que vai fazer alguém fazer uma loucura pela outra.

Já fazia mais ou menos uma hora e meia que todos estavam treinando. O garoto encostado num pilar vermelho, sentado no chão frio de pedra, sentindo o cheiro de orvalho, o vento gélido no rosto, e ar frio entrar pelas narinas. Ainda estava lá. Não se daria por vencido. Não queria fazer as coisas serem assim. Iria mostrar para aquela loirinha idiota quem era Tão Ren. Para ele, ela não era ninguém digna o suficiente para dar opiniões e conselhos na vida dele. Avistou a maldita. Lá estava ela, ajudando Horukei com os movimentos, o de cabelo azul parecia aprender rápido, apesar de estar vermelho pelo fato de estar tão perto de Marisol. Para Ren? Mais um trouxa, mas ainda assim um trouxa que era e é o seu melhor amigo. Brigavam, não concordavam em nada, mas sempre contavam um com o outro para tudo, o que era raro num mundo tão impiedoso.

"Pensando em Horukei... A irmã dele? Nossa, faz muito tempo que não a vejo, deve estar desesperada atrás do irmão e não consegue achá-lo. Mas também, melhor que fique longe, é uma pentelha que não tem o que fazer."

Para Ren, a mensão do nome "Pirika" sempre foi um motivo para ficar nervoso. O motivo?? Simples! Milagrosamente o acaso encontrava uma maneira de fazê-los passar vergonha na frente de todos.

...::::::::::::::::::::::FLASH BACK 1:::::::::::::::::::::::::::::...

Estavam todos na pousada dos Assakura naquela tarde de verão. Horukei tomava uma caneca de cerveja que transbordava de tanto conteúdo que havia Yoh... Bem, o Yoh está sempre aéreo, e a Anna obrigando o Manta, grande amigo, a limpar a casa, do qual ele fazia obediente e com muito medo da loira. Já a menina de olhos azuis estava observando a corrente da água do pequeno laguinho artificial que ali tinha. Vagamente nos pensamentos, parecia angelical (QUANDO ESTAVA ASSIM!!) ,nem parecia a pessoa cheia de energia que se via todos os dias, forçando se irmão correr trinta quilômetros por dia.

Já Ren, estava sentado numa pedra. Ninguém parecia estar olhando para o local. Este, também estava mergulhado nos pensamentos, sem muito a declarar.

Os olhares dos dois se encontraram. Pareciam que se entendiam! Entendiam que o outro estava com tédio. Ela suspira:

- Ren, quer ir comprar chá de hortelã comigo? Não tem companhia, e o meu irmão vai começar a comprar coisas demais porque ele é compul...

- Vou. – odiava o lenga-lenga dela. Parecia não se explicar direito, parecia ficar nervosa sem motivo.

Ele se levantou e foi até ela. Ela se levantou e foi ao encontro dele. O que aquela avoada não viu foi que havia um pedregulho muito, muito, muito pequeno.

Mas ela foi amortecer a queda a onde??? No Ren!! Que ficou por baixo e ela por cima dele! Bem pertinho, ambos estavam dois pimentões. O pior?? Ninguém estava olhando para os dois na hora que estavam inocentes pensando na vida. Mas todos olharam na hora em que caíram um por cima do outro! E todos os olhavam muito surpresos.

- EU SABIA SEU... – esbravejou Horukei.

- Eu sabia que o Ren tava a fim da Pirika, mas nunca pensei que chegaria a esse ponto. – falou Yoh, falando como se estivesse sozinho.

- VOCÊ SABIA E NÃO ME FALOU YOH?? - decepciona-se o de cabelo azul.

- ...

Enquanto todos olhavam o casal. Ren estava vermelho e Pirika ria das caras dos amigos. Que parou quando se tocou que estavam muito perto...

...:::::::::::::::::FLASH BACK 2:::::::::::::::::::::::::::...

Todos estavam sentados embaixo de uma árvore. Estavam na província de Aomori, visitavam Yoh. Fazia muito tempo que não se viam. Era inverno, estava nevando e se hospedaram na pousada da avó de Yoh. Todos tomavam um chá, no meio da madrugada, rindo e falando besteiras. Ou melhor, Riu, Horo-Horo, Chocolove e Yoh falavam besteiras. O resto ria ou ficavam quietos, que era o caso de Ren (Até Anna estava rindo. Botaram um pouco de saquê no chá dela, só foi notar a diferença quando já estava alegre.).

Pirika ria, mas não contava, porque estava sdempre rindo.

- Gente, seria muito legal se fizéssemos um teste de coragem. O que acha patrão? – perguntou Riu, indiferente.

- Acho uma ótima idéia. Vamos nos divertir muito. Tem umas cavernas muito cavernosas por aqui. – fala Yoh, abobalhado como sempre.

- Você quis dizer assustadoras. – completou Anna, fria. Já não estava tão alegrinha. Retomou consciência rápido demais.

-...

Todos concordaram. Ren se opôs. Mas o resto dos garotos o arrastou até lá. O que era uma ousadia, afinal, quem eram eles para o arrastarem como se fossem apenas mais um?! Mas foi, discutir com eles era dormir com gente batendo na sua porta a noite inteira e cantando músicas de foça, o que era deprimente e patético.

Chegando lá, foram dividir suas duplas.Parewcia que o destino pregou mais uma peça. O destino deu um jeito para que Ren e Pirika caíssem juntos. Feito como o destino quis.

O desafio era atravessar a caverna muito escura, densa e fria e deixar lá no fim da caverna, que acabava sem saída, uma peça de roupa com um papelzinho com os nomes das duplas. Os pares iam adentrando na caverna, o próximo esperava o par que foi voltar e então ir completar a missão. Todos foram indo e voltando. Ren e Pirika ficaram por último, para a felicidade, contentamento e sorte de Ren.

Adentraram os dois naquela caverna fria e densa. Ren segurando a vela e Pirika agarrada nela com medo frio.

- Ren, não se afasta d-d-d-de mim, sim? AH!!! QUE FOI AQUELA COISA?? – grita a garota desesperada.

- Você quis dizer o morcego?

- Unpf!

Sempre assim. Cada coisa estranha Pirika gritava de medo.

- Ren, eu estou com frio!! – tremendo.

- Não é só você, eu também estou. E você não devia ter vindo com uma saia tão curta. – fala baixo, perto dela. Ela agarrada no braço dele.

A garota não deu a mínima atenção. Tremia de frio, parecia até estar com hiportemia.

- Pega o meu casaco, assim passa o frio. – bota a vela no chão, tira o casaco e veste nela, que logo passou a tremedeira.

Continuaram a caminhada "felizes" até que chegaram ao fim.

Chagando lá, botaram a peça de roupa necessária. Mas algo que não estava no roteiro aconteceu. Pirika desmaiou.

" Com certeza é de frio. Essa garota veio com muita pouca roupa párea uma temperatura assim. Como ela é a irmã do meu melhor amigo, vou ter que cuidar dela. Hunpf!"

- Vai sobrar pra mim... – resmunga ele.

Ele tirou os dois casacos que estavam sobre ela, tirou suas inúmeras blusas e cachecóis até que ficou apenas com uma blusa muito colada e fina no corpo. Toda aquela roupa, ele entrouxou no corpo magro e frágil da garota. E como era magra! Não se admirou de ela estar assim, parecia que sofria de anorexia. O seu maior casaco usou como cobertor, que era um, sobretudo preto.

Naquele momento, realmente ele ficou na pior, para se sentir mais confortável se agarrou ao corpo da menina e colocou a vela ao seu lado para poder se aquecerem.

Ali passaram a noite. Calmos, confortáveis. Quentes e muito aquecidos, por dentro e por fora. Parecia que o mundo parecia melhor e o frio havia sumido.

Ao acordarem, Pirika viu a cara furiosa de seu irmão gritando com Ren e este tentando se defender.

- Irmãosinho, ele cuidou de mim. Sério. Eu desmaiei de frio, ele me deu suas roupas para que eu pedesse dormir melhor e decidiu, creio, que saíssemos das caverna no dia seguinte.

Todos estavam de boca aberta. Ninguém acreditou no que ouviu. Nunca viram o Ren fazer algo por alguém, quem dera para alguém tão frágil e de tanto encomodo para alguém.

- Eu sabia que isso poderia acontecer. – disse Chocolove, com cara de quem sabe das coisas.- Eu sabia que os sentimentos de Ren despertariam se ele visse alguém que ama em perigo mortal. Com certeza Pirika teve hiportemia. É um milagre estar viva agora.

Todos o olhavam atônico. Não sabiam que Chocolove sabia alguma coisa útil. Logo após as risadas deram largadas e os gritos de Horukei também, afinal, não era todo dia que coisas assim aconteciam com sua irmãzinha e ela não esta sob suas vistas.

...:::::::::::FIM DOS FLASH BACKS::::::::::::::::::::::::::...

Notas:

Gente, acho que precisamos esclarecer algumas coisas. Na história eles já se conheciam (fora Cristinni, Sollomon e Marisol, todos já se conheciam.). É apenas isso. Afinal é importante.

AH! Que acharam desse cap?? Eu quis apostar nas lembranças sabe?? Teremos algumas surpresas que acho que vocês já podem deduzir, no próximo capítulo, e por hora, é só.

Agradecimentos: Nii Souma

Smart Angel

My Princess Anna

Essas pessoas deram uma incentivada a escrever a fic (e a Nii Souma porque lhe devo as honras NÃO É?? São bem merecidas.).

Com toda a atenção

LiL Lion.