Capítulo 5 – Professor

Minerva a recebeu na sala dos professores, e alguns poucos já tinham chegado. Eles estavam conversando no fundo da sala.

– Venha, Mia, deixe-me apresentá-la. Você deve lembrar-se do Prof. Binns, claro.

– Claro. Como vai, professor?

O fantasma sorriu polidamente para ela, flutuando de modo distraído. Mia foi levada a uma mulher magérrima, de óculos imensos e xales vaporosos.

– Sibila, deixe-me apresentá-la a nova enfermeira, Mia Byington. Mia, Sibila leciona Adivinhação.

– Prazer em conhecê-la.

A mulher enroscou-se nos xales, penalizada:

– Pobrezinha... Você sofreu uma dor há muito tempo, não foi? Uma dor que está com você até hoje e que você acha que nunca vai parar.

Mia teve um choque, mas sabendo que o pior ainda estava por vir, apenas sorriu tristemente:

– Sim, eu sou viúva há muito tempo. Você deve ser boa no que faz.

Minerva soltou um som esquisito, e a mulher estranha assumiu um ar ainda mais etéreo.

– O Olho tudo vê, querida.

Foi então que um rosto conhecido apresentou-se diante dela, e Minerva sorriu:

– Acho que este professor dispensa apresentações.

– Olá, Mia.

– Remus!

Eles se abraçaram fortemente. Mia notou que o rosto de Remus estava coberto de cicatrizes, o cabelo bem grisalho. Mas os olhos ainda eram doces como ela sempre se lembrava, e o sorriso amigo.

– Você não mudou nada!

– E seus olhos continuam generosos depois de todo esse tempo. Deixe-me apresentar você à minha mulher, Nymphadora.

Mia sorriu para a moça (bem mais jovem que Remus), de um cabelo cor de rosa muito vívido, e apertou-lhe a mão:

– Muito prazer. Soube que você é prima de Sirius.

– Sim, pertenço ao lado renegado da família. Pode me chamar de Tonks.

– Pode me chamar de Mia. Fico feliz que os dois possam estar juntos em Hogwarts.

– Mia, é tão bom vê-la aqui!

– Também fico feliz de vê-lo novamente, Remus. Faz tanto tempo...

– Depois da reunião, precisamos nos encontrar e pôr a conversa em dia – convidou Remus. – Isso vai ser muito bom.

– Sim, vou adorar relembrar os velhos tempos.

Minerva chamou a atenção de Mia:

– E também tenho certeza de que você se lembra de Severus Snape, nosso Mestre de Poções.

Mia virou-se para a direção que Minerva gesticulava e então viu Severus. Não estava muito diferente do que ela se lembrava. Todo vestido de preto, cabelo revolto, olhos penetrantes.

E cheios de ódio.

Mia fez menção de aproximar-se de Severus, mas teve a nítida sensação de que ele se afastaria dela ainda mais. Ele fez um gesto mínimo com a cabeça e apenas registrou sua presença com um lacônico:

– Madame.

Polidamente, Mia também respondeu, sabendo que mentia flagrantemente:

– Você está com ótima aparência, Severus.

Ele ergueu uma sobrancelha:

– Bem, agora que as amenidades já foram ultrapassadas, que tal começar essa reunião?

O mal-estar instalou-se no local e perdurou durante toda a reunião. Sem surpresas, Mia viu Severus escolher o lugar oposto ao dela, na mesa de reuniões.

Minerva conduziu o encontro, tratando de assuntos estritamente acadêmicos. Mesmo assim, o tom de pós-guerra permeava o ambiente, e a lembrança dos ausentes era uma dor pairando no ar.

Mia, porém, tinha sua dor particular cada vez mais presente. Ela mal podia acreditar. Vinte e cinco anos tinham se passado, mas ela tinha a sensação de que tudo acontecera na véspera. Severus parecia se comportar como se tudo tivesse acontecido na véspera. Mia sabia que Severus não era do tipo que perdoava nem esquecia, mas secretamente ela tinha cultivado a esperança de que um quarto de século poderia fazer a diferença.

Que diferença, que nada.

Ao final da reunião, os professores (seus colegas) começaram a recolher suas coisas para sair e Mia (mesmo do outro lado da sala) convidou:

– Severus, Remus e eu planejamos nos encontrar para relembrar os velhos tempos. Gostaria de juntar-se a nós?

O olhar foi gélido:

– Isso é alguma brincadeira, Madame? A senhora me pediu que nunca mais chegasse perto de sua pessoa.

– Severus, não nos vemos já faz 25 anos. Certamente isso tudo ficou no passado.

– Madame, ações têm conseqüências. Conseqüências que não se apagam com a passagem de umas poucas décadas.

E virou-se, as vestes voando dramaticamente ao deixar a sala. Todos observaram a cena, notando a tensão explodir. Minerva sorriu para ela:

– Esse é Severus, se você se lembra. Não mudou muito.

Mia tentou sorrir, mas no fundo estava devastada. Obviamente ele ainda a culpava por alguma coisa. E ela nem se lembrava do quê!

Minerva desviou sua atenção:

– Você já pode se mudar imediatamente para a ala hospitalar. É praxe que todo o staff faça um check-up mágico-médico antes do início do ano letivo. Como temos duas semanas antes do início das aulas, acho que haverá tempo para tal. Por favor, elabore um calendário e mande-o para mim. Eu mesma enviarei corujas para todos.

– Está bem. Eu vou precisar estudar as fichas médicas de todos.

– Bom trabalho – desejou Minerva.

Remus e Tonks chegaram perto dela. O lobisomem indagou:

– Quer ajuda para a mudança?

– Sem problemas, Remus. Tenho tudo encolhido no meu quarto lá na estalagem.

– É para lá que está indo? – indagou Tonks. – Podíamos almoçar juntos em Hogsmeade. Estou louca para ouvir vocês falarem sobre os velhos tempos.

Mia sorriu, recolhendo seus papéis:

– Sim, eu vou adorar isso também.