Nome: Resgate para a Vida
Autora: Sabrina Potter
Contato: drica underline radcliffe arroba yahoo ponto com ponto br
Nota
da Autora: Quanto mais escrevo essa fic, mas eu gosto dela. Eu só
estou chateada pela quantidade de comentários. Que coisa feia!
Sete? Depois do trabalho que dá pra escreve-la e planejar? Se
continuar assim, eu paro com ela...Ou a mudo para a parte
Hr/R...sorriso diabólico e tenham certeza de que eu faria
isso.
Um aviso IMPORTANTE: Esse capítulo contém
cenas de violência. Não vou especificar qual tipo, mas
tem. Eu poderia colocar uma daquelas observações no
meio do capítulo, mas acho isso ridículo. Quando você
está lendo um livro, você não sai vendo notas do
autor até porque acaba com o suspense. Então, vocês
podem ler calmamente se resolverem pular essa parte, até por
que vocês vão entender o que aconteceu antes de entrar
Na Cena – eu particularmente não achei tão forte,
mas... E, quando A Cena chegar, o INÍCIO E FIM dela
estarão sublinhado e no itálicoEntão,
crianças XD se só estiver no itálico o
que vocês fazem? Vocês lêem:P
Capítulo IV – Madness - Loucura
Por que torturar e matar uma pessoa, se há como prolongar o sentimento, matar aquilo o que mais prezam, seus sonhos, esperanças...sua alma?
Então, deixo-te aqui, criança. Para ver cada um deles morrer, serem levados para onde não poderá alcançá-lo. Onde o Sol nunca nasce ou a noite chega. Escuridão. É tudo o que precisa ver e saber. E aviso agora para não tentar resistir. Quando tudo a noite chegar, virei com ela. Esperarei até que feche seus olhos para o mundo e iremos nos encontrar, onde tudo começou, voltarei todas as noites, em seus mais doces sonhos, lembrar-te de que nunca estará sozinha novamente.
Aquela realmente não era uma cena que se via todo o dia. Hermione Granger andando apressada pelas ruas de Londres, com passos cada vez mais rápidos e determinados, indo em direção a onde poderia chegar ao Beco Diagonal. Obviamente, os trouxas ao seu redor não tinham nem ao menos uma vaga noção de para onde aquela bela e misteriosa mulher ia. Alguns pensariam que ela estava indo ou voltando de um funeral por sua roupa preta enquanto ela nem ao menos parara para notar o que estava vestindo. Correra para seu quarto depois do choque inicial, batendo a porta com força atrás de si e retirando suas roupas a cada passo que dava em direção a seu closet, automaticamente, pegando a primeira coisa que vira em seu caminho. A longa saia preta, a blusa de lã e gola alta junto das botas de Inverno e seu sobretudo que sempre usava combinando perfeitamente com seu humor e o tempo que caira sobre a cidade.
Prendera seu cabelo em um coque desajeitado, sua varinha escondida no bolso de sua capa e a bolsa debaixo do braço antes de voltar para a sala e chamar Júlia, pedindo-a para que a acompanhasse. Para sua grande felicidade, Júlia parecia ter ouvido seus pensamentos pois se encontrava arrumada na sala a espera de Hermione.
Depois de um pouco de insistir, Júlia convencera Hermione que preocupada da maneira que estava de nada adiantaria aparatar e esquecer metade de seu corpo no apartamento e nem ir de Flu. Já que corria o risco de não se expressar direito e ir parar em lugares diferentes por causa da voz tremula, quase chorosa de Hermione.
Apesar de tudo, esse fora um dos melhores conselhos dados por Júlia. No caminho enquanto dirigia para o centro de Londres (- Eu vou dirigir! Você vai demorar um ano! – brigou Hermione entrando dentro do carro e dando partida ), conseguiu se acalmar. Os Weasleys, e principalmente Molly e Ginny não precisariam encontrá-la preocupada. Não agora.
- Eu vou achar um orelhão para ligar pra casa e avisar ao meu marido que não vou passar lá hoje. – Disse Júlia a amiga, incerta se esta escutara, antes de diminuir o passo e entrar em uma esquina deixando Hermione sozinha em sua corrida contra o tempo.
Só se dera conta das palavras de Júlia quando virou-se para falar com a amiga e então, a realidade a atingiu. Entraria no Beco Diagonal sozinha.
Se não estivesse enganada, naquele instantes os repórteres já estariam parados na frente do hospital com suas maquinas fotográficas, penas e pergaminhos, esperando pelo grande Harry Potter, O Escolhido...se ele já não estivesse lá.
Hermione soltou a respiração que nem percebeu prender desde que pensara em sua entrada no Beco. Há quanto tempo não se encontrava com Harry e Ron? E em que situação tinham que se encontrar, pelo amor de Deus!
Continuou a andar. Seus passos nem tão rápidos ou determinados, enquanto fazia as contas mentalmente. Sua mãe havia falecido em 12 de Junho de 2000, uma segunda-feira. Eles ficaram com ela mais ou menos por um mês antes de brigarem. Voltara a ver Ron em seu aniversário e encontrou os dois juntos no final daquele mesmo ano na Toca, no Natal e Ano Novo. E de resto...só o vira nos jornais algumas vezes, raramente. O mesmo se encaixava a Ron.
Ainda assim, quando algo daquela gravidade acontecia – e Graças a Merlin, não era freqüente e, tinha esperado que nunca mais voltasse a acontecer depois do incidente com seus pais- , ela se via na obrigação de prestar seus pêsames. Não, pêsames não. Ginny não iria morrer, faria tudo ao seu alcance pra que isso não acontecesse. Queria dar apóio como a haviam oferecido quando precisara, mesmo que eles não pudessem desfazer o que estava feito.
Sua necessidade de chegar ao St. Mungus aumentou. Ginny precisava dela e eles também. Não sabia como estava a situação, se eles ao menos já tinham acesso ao quarto de Ginny. E, se conhecesse bem os Aurores, eles não o tinham. Mas ela podia providenciar.
Hermione abriu um pequeno sorriso, um pouco feliz por seu histórico no mundo mágico e seu grande e inacabável desejo de aprender que a rendera conhecimento em várias áreas. Até o desastre que acabara com sua vida, atuara em campos como jornalismo, medicina e na Ordem da Fênix. Não era exatamente uma Auror, mas era tão trabalhoso e perigoso quanto e seus anos de treinamento junto a Lupin, Snape, Moody a faziam sentir como se fosse uma. No entanto, ficou poucos anos nestes. Ajudara Dumbledore dentro e fora do Ministério antes de se afastar por causa dos 'lamentáveis incidentes' a sua família. Três anos em investigações, se infiltrando entre os Comensais, descobrindo códigos e estratégias, perseguindo-os.
No entanto, assim que se mudou para junto de Júlia, trabalhou em um jornal trouxa no centro de Londres que lhe dava tempo o suficiente enquanto começava a investigar o caso de sua mãe. Quando o seu hobby - como preferiu defini-lo-, se tornou cansativo, dedicou-se novamente aos estudos levando consigo suas premiações como melhor jornalista e deixando seus colegas e contatos de trabalho para trás, mesmo sabendo que algum dia eles lhe seriam úteis novamente. Começa então, mais uma aventura de Hermione Granger.
No turno da manhã e parte da tarde, trabalhava em uma pequena livraria perto de sua casa para poder se sustentar já que a idéia de gastar suas economia e de seus pais não a agradava e, a noite, ia pra faculdade de medicina. E como mais uma vez, Hermione foi bem sucedida como melhor aluna e, consequentemente, ótima pediatra.
Era engraçado – e irônico – como tinha há sete anos atrás se apavorado com medicina... como a idéia de ter que salvar a vida de pessoas a assustava. Ou melhor, a idéia de não conseguir salvar a vida de seus pacientes. E lá estava ela, exercendo medicina, ou melhor, pediatria. E, graças a Deus, eram bem mais fáceis de se lidar com adultos, provavelmente por causa da inocência, alegria contagiante e sua maneira sincera de expressar seus sentimentos das crianças.
Hermione abaixou a cabeça, pensando. O sorriso de Kathleen, uma de suas pacientes, fazendo-a sorrir. Esse era o caso mais difícil que já tinha pego. Câncer. Sabia que não conseguiria lutar contra a morte dela. Mais cedo ou mais tarde, chegaria o dia que a pequena e pálida menina não estaria em sua cama, esperando-a para contar mais um de seus sonhos, mas estava disposta a fazer os seus dias mais alegres a qualquer custo, diminuir a dor e retardar a doença...por ela, por Kathleen, por seus pais. Cuidar daquelas crianças e, quando resolviam passar para ela, alguns idosos, era quase como tentar se redimir aos olhos de Deus, se é que Este existia e, ao mesmo tempo, era uma forma de desafiar a dor física e mental, principalmente, a morte.
Dentro de si, porém, sabia que esta era uma batalha impossível.
- Senhorita Granger. Há tempo não a vejo por aqui. – A voz de Tom a trouxe de volta a realidade. Hermione levantou a cabeça rapidamente, seus olhos procurando pelo o homem até recaíssem sobre a figura estranha e desagradável de um homem corcunda, com olhos assustados.
- Olá, Tom. Como vai? – Perguntou, educadamente, parando a frente dele.
- Bem, bem, bem. Maus tempos esses. Sem muito movimento. Vai querer um quarto?
- Er...Não, obrigada. Só vim para... – Hermione se calou. Não sabendo se era uma boa idéia.
- A senhorita Weasley? Tragédia essa para os Weasley, não? Esses jornalistas insensíveis...nem ao menos param para tomar algo tanta sua sede por informações. – Resmungou sem respirar antes de dar as costas e desaparecer na direção das escadas.
- É, até mais, Tom.
Pelo menos, ele falou o que eu queria saber. Pensou, antes de colocar o capuz de sua capa sobre seu rosto e começar a descer as ruas do Beco Diagonal.
Noite do dia 16 de Agosto de 2004
- De nada. – Respondeu. Abrindo um dos famosos sorrisos Weasleys.
Juntou
toda a força que ainda tinha para, em uma fração
de segundos, jogar-se em cima do Comensal a sua frente. Pego
desprevenido, este perdeu um pouco de seu equilíbrio, mas
sendo mais forte do que a jovem ruiva, devolveu violentamente a mesma
estratégia.
Ginny fechou os olhos quando sua cabeça bateu na porta de madeira assim como todo o resto do seu corpo, sua mão indo automaticamente para o lugar onde doía. As lágrimas de dor correndo por seu rosto.
- Pensou que poderia fugir, senhorita Weasley? – Perguntou, suas mãos no pescoço fino e delicado. – Que mania horrível de não responder as pessoas. – Continuou, apertando-o com mais intensidade. Um sorriso brincando em seus lábios enquanto o rosto de Ginny ficava mais vermelho, suas mãos tentando empurrá-lo para longe dela e ao mesmo, tempo, tentando puxar o ar com dificuldade.
- Tire – tentou se esforçar.
- Já um pedido de desculpa? Implorar quando não começamos nem nos divertir? – Disse o Comensal maliciosamente, sua outra mão afastando uma mexa de cabelo do rosto da ruiva antes de começar a deslizar para pelos longos braços.
Sentiu uma vontade enorme de vomitar com aquele homem ali, passando sua mão por seu corpo como se fosse uma prostituta, um brinquedo de diversão, sem poder gritar, lutar.
'Me mate', pediu em pensamento. Sem poder dar som a suas palavras. Não podia arriscar a cair inconsciente ali pela falta de ar. Ele não a deixaria morrer, nem cair desacordada. Ele a queria viva, queria ouvir seu pranto, sentir sua relutância.
- Eu não vou te matar agora. Eu nunca perderia alguém como você. – Sussurrou ao pé do ouvido de Ginny, passando sua mão calmamente pela perna dela.
- Seu... – Tossiu. Ar. Precisava de ar.
- E como fazemos pra te calar? – Murmurou mais para si do que para ela como uma criança que acaba de ganhar um novo brinquedo e procura suas utilidades, até então largá-la somente para pressionar o seu corpo sobre o dela, tendo certeza de que nenhum milímetro os separaria e, por conveniência, as mãos de Ginny sobre sua cabeça, presas.
Ele
sorriu. Preocupada em recuperar o ar,sua vitima não resistiu a
seu movimento ou pareceu notar seu repentino prazer, seu
sorriso.
Podia sentir as respirações pesadas dela. O
movimento rápido fazia com que o peito dela roçasse no
seu rapidamente, excitantemente. Ele aproximou-se de Ginny, como um
leão que rodeia a presa, sempre atento. Em seu mórbido
prazer, observou as marcas vermelhas no pescoço dela. Encostou
sua cabeça na curvatura entre o pescoço e ombro da
moça, sentindo seu cheiro. Embriagando-se.
Seu trabalho nunca fora tão divertido ou prazeroso.
Hermione parou petrificada em seu caminho, observando o grupo (grande) de jornalistas a porta do St. Mungus.
'Eu não mereço isso.' Pensou. Bem, Harry já estava lá.
Passou uma mão por seu cabelo, jogando-o pra trás. Não ia conseguir aparatar dentro do Hospital já que feitiços de segurança tinham sido postos lá desde seu sexto ano, e com todos aqueles jornalistas, passar despercebida seria impossível. Era como se eles andassem com detectores de mentira, lembrou as palavras de Julia e o pior de tudo, sua amiga estava certa.
Tirou um óculos da bolsa e os colocou. Arrumou suas roupas, tentando se concentrar para corrida que estaria por começar. Ela respirou fundo, antes de encher seu peito com coragem, Ginny merecia isso dela.
- Olhem!Hermione Granger! – Um dos jornalistas que conversava com o fotografo gritou, interrompendo sua conversa e correndo para perto dela.
A mão de Hermione correu imediatamente para sua varinha. Infeliz! E nem ao mesmo tivera tempo de se preparar como queria.
E como tudo naquele fantástico e ainda assim assustador mundo, todos os jornalistas apareceram como em um passe de mágica ao lado dela, bombardeando-a com perguntas.
- Também a procura de uma visita de Ginny Weasley? – Perguntou uma repórter alta, com olhos claros.
'E que outro motivo me traria aqui.' Mas essas palavras nunca saíram de sua boca, sabendo o escândalo que poderia causar.
-
É verdade que ela foi brutalmente...?
- E Harry Potter? O
que ele vai fazer sobre isso?
- O que você vai fazer
sobre isso?
- Senhorita Granger, alguma informação...
-
Poderia providenciar...
- ... que gostaria de dividir conosco?
-
... Uma coletiva por exemplo ...
- Harry Potter...
- Ronald
Weasley e
- Hermione Granger
- Como está a situação
de vocês?
- Juntos contra Você-Sabe-Quem?
- O que
seus amigos têm a dizer sobre isso?
- Vocês continuam
amigos?
Hermione continuou a andar, pedindo licença algumas vezes e outras, nem se importando até chegar a porta do hospital até que, o que era considerado a última gota d'agua para si, fora perguntado. Viu-se prendendo sua varinha com mais urgência em seu bolso, mas não ousou retirá-la dali e dar inicio a mais uma serie de perguntas como aquela. No entanto, virou-se, com raiva.
Os jornalistas se calaram. Sérios.
- Por mais que eu entenda a profissão de todos vocês, peço respeito a todos aqueles que são amigos de Ginny Weasley, a família e todos os outros presentes aqui para homenageá-la. E, isso inclui, fazer perguntas como essas, simplesmente desnecessárias, quando lá dentro a uma moça jovem precisando de ajuda. Quando há coisas muito mais importantes do que...do que...
- Amizade. – Uma voz rouca e aparentemente cansada falou detrás dela.
Hermione voltou-se rapidamente para o dono da voz, sem nem ao mesmo focá-lo direito, balançando a cabeça em aprovação e gratidão pelo apóio, antes de dirigir-se novamente aos jornalistas.
- Exatamente. Estamos tratando de uma vida e por mais que seja uma boa matéria de jornal e que sejam pagos para fazer isso, lembre-se como seria "ótimo" caso fosse sua irmã ou filha aqui. – Terminou, entrando no hospital e fazendo um sinal para os seguranças para que as portas fossem fechadas. Esses a atenderam prontamente, fechando as portas e colocando feitiços silenciadores na mesma.
A salvo. Respirou aliviada, já podendo agradecer ao estranho que a ajudara mais cedo.
Talvez, nem tão estranho assim.
- Hum..er... – Engoliu em seco - Ron. O-obrigada. – Disse olhando nervosa para os lados. – E como ela está? – Perguntou, não querendo estender a conversa mais do que o necessário.
- Nós só sabemos o que está no Jornal. – Disse. Hermione notando pela primeira vez o rosto e voz triste do homem com cabelos vermelhos fogo a sua frente. – Eles não nos deixaram entrar ainda e nenhum dos médicos chegaram pra falar conosco aqui.
- Eu...Eu sinto muito. – Disse Hermione, dando alguns passos a frente e passando seus braços pela cintura de Ron. Tentando consolá-lo como ele tentara uma vez com ela, e como tinha acontecido a ela, não surgindo muito efeito. Não há consolo o suficiente ou lágrimas quando se sofre.
Os dois deram um passo para longe do outro assim que o abraço se tornou familiarmente estranho.
- Er. O que você estava fazendo aqui? Porque não está...
- Café. Vim tomar um e levar para os outros. – Respondeu indicando com a cabeça a bandeja cheio de copos com diferentes tipos de café sobre um banco onde a havia deixado quando ouviu a voz de Hermione.
- Oh sim. Em que andar vocês estão? – Perguntou, percebendo que ainda estava com óculos escuros e tirando-os.
- Quinto andar.
- Eu vou encontrá-los lá em um momento, okay? – Avisou antes de pegar o elevador e entrar nele, de costas para Ron, um dos seus antigos melhores amigos.
Ginny fechou os olhos com força, lágrimas caindo de seus olhos e lavando seu rosto das marcas de sangue, seu próprio sangue. Sentia-se traída, abandonada, derrotada. Onde estava Deus? Onde estava a salvação? Haveria, tão rapidamente, sua coragem se esvaído de seu corpo ao primeiro sinal de dor? Era tão fraca assim? Por que tinha sido abandona por todos? O que teria feito para ser castigada de uma forma tão cruel?
Aprende-se com a profissão e com a vida que não é preciso matar alguém para fazê-lo sofrer. Há formas mais eficiente e eficácias do que isso. Formas mais divertidas.
Cerrou os dentes quando o pé do homem voltou a colidir com seu estomago, fazendo a tossir sangue. Desgraçado.
Encolheu-se, com dor, abraçando a região atingida e tossindo incontrolavelmente durante a primeira brecha da seção de espancamento dele. Agora ela sabia o verdadeiro significado da palavra ódio. Abriu os olhos, procurando seu agressor, o assassino de sua inocência, e lá estava ele, sorrindo para ela – ela podia sentir -, seu rosto ainda coberto pela escuridão, esperando-a que o desafiasse. E era o que mais queria. Queria fazê-lo sentir dor. Não conseguiria, no entanto, fazer sentir a mesma dor que estava vivendo por motivos óbvios, mas queria machucá-lo de qualquer forma, por menor que fosse o ferimento causado. Precisava disso para morrer feliz, quando um pouco de sanidade lhe era reservada.
- Já tão cansada? – Perguntou joelhando ao lado dela, sabendo que não tinha mais força restante e esperaria até que ela recuperasse o mínimo que fosse pro Grand Finale. – Estamos novamente de volta ao mórbido silêncio? – Ele passou sua mão pelo cabelo vermelho fogo dela, sorrindo quase que docemente ao sentir os tremores da jovem antes de fechar sua mão em volta do mesmo e puxá-lo para que ela olhasse em sua direção. – Bem melhor. – Admirou-a, acariciando o rosto dela pela segunda vez aquela noite. – Tão bela, tão indomável. E mais bela ainda quando em sofrimento – Sussurrou, puxando-a para perto e roçando seus lábios pelos ensangüentados dela.
Ela gritou raivosa, mordendo-o e mexendo seus braços e pernas para todos os lados, afastando-o dela, batendo-o. Como um gato, fechou um pouco a mão, usando de suas unhas garras, pronta para ferir. Envolta de escuridão e agachada, tentou controlar sua respiração e assim ouvir os passos e a respiração dele, detectá-lo. Não demorou muito e ouviu, a respiração forte e surpresa, a sua direita. Ela estava pronta, pela primeira vez naquela noite, para ele.
- Alguém perdeu as aulas de boa maneira.
- Alguém vai sentir dor. – Avisou, na mesma voz doentia e séria, levantou as duas mãos dessa vez, em modo de ataque, brincando perigosamente no escuro, até que encontrassem com o rosto do homem a sua frente, suas unhas enterrando-se no rosto dele dolorosamente, marcando-o, desde os olhos até a boca.
O Comensal soltou um grito de dor enquanto Ginny sentia o sangue molhando suas mãos, satisfazendo-a. Não querendo que sua nova e incomum diversão fosse por água abaixo logo no inicio, tentou mais alguns arranhões e socos, antes de chutá-lo com força para longe dela, onde ela sabia que doeria o suficiente.
Dois podem jogar esse jogo, pensou.
Sobre suas pernas tremulas e machucadas, virou na direção de sua sala, correndo para ela e fechando e trancando, e em seguida, encostando suas costas nela, ouvindo atrás de si o gemido de dor e raiva do Comensal.
Respirou. Ela daria trabalho. Precisava. Por todos, por ela. Por seus últimos minutos de paz até que ele encontrasse a varinha ou arrombasse a porta. Seus últimos minutos para tentar se salvar. Por seus últimos minutos até que a loucura tomasse conta.
- A senhorita não é médica aqui então, trate de manter seu tom de voz baixo e se pôr em seu lugar como um visitor e não um membro da equipe. – Gritou Charlie Bank.
Hermione abriu um sorriso, satisfeita. Sentou-se na ponta de sua cadeira, cruzando as pernas. Debruçou-se sobre a mesa fazendo com que seu rosto ficasse milímetros de distancia do coordenador geral da Ala onde Ginny se encontrava.
- O único a gritar aqui, é o senhor. – Falou, docemente e com um pingo de malicia escondido em seu tom, respirando fundo como se falasse com uma criança, continuou. – O que o senhor acharia se eu fosse lá, onde estão todos aqueles jornalistas de todos os jornais do mundo e deixar escapar, acidentalmente, é claro, que a família não sabe de nada sobre sua caçula, de que o senhor negou uma visita a Harry Potter. Ou melhor, que o senhor, se julgou melhor do que todos, inclusive do poder do garoto-que-sobreviveu. Ah, por favor, me deixe corrigir, não estamos falando de nenhuma criança aqui. O Homem-Que-Sobreviveu, eu queria dizer. – Hermione sorriu assim que as feições do homem mudaram de raiva para surpresa e então, terror.
Ajeitou-se em sua cadeira e pegou sua bolsa que estava sobre seu colo. Abriu-a e tirou dela um batom e espelho. Retocou seu batom, olhando algumas vezes rapidamente para o homem, estupefato, a sua frente, antes de fechar o espelho e guardá-lo junto a sua caixinha de batom na bolsa.
Ela abafou um bocejo, olhou mais uma vez para Charlie e sorriu.
- Bem, por mais que seja adorável ficar aqui conversando com você, eu tenho que ir. Uma coletiva está a minha espera. – Disse casualmente indo para a porta e seu sorriso, agora fora do alcance de Charlie, aumentando.
Hermione Granger nunca falhava.
Como se alguém o acordasse de seu transe, Charlie pegou o telefone,fitando as costas de uma das mais conhecidas bruxas de sua época.
- Valéria? Por favor, avise a equipe que está cuidando da senhorita Weasley que quem está no comando agora é a senhorita Hermione Jane Granger. É para deixarem-na ter acesso a toda as informações do caso até agora e, ela está com minha autorização pra fazer qualquer mudança, inclusive, de membros. – Ordenou antes de perder um pouco da formalidade de sua voz e pedir, ainda nervoso – Mande também um Uísque pra minha sala.
- Em um minuto, senhor Banks.
Sem se virar, Hermione disse:
- Uma ótima manhã, chefe.
As batidas na porta se tornavam mais intensas a cada secundo.O tempo estava correndo rápido, contra ela. Talvez fosse o seu estado emocional e físico, mas ali, encostada na porta que parecia a qualquer momento, despencar sobre sua cabeça, e de frente para o relógio de parede que poderia não ver, mas sabia que estava ali, sentia como se a cada vez que seu pendulo balançava, contando menos um minuto para um novo dia, um dia que talvez ela já não pertenceria mais, seu coração batia mais forte em seu peito, desesperado.
Seu antes tão procurado sono não voltava para ela. Não podia parar de pensar que, talvez, se fechasse os olhos e conseguisse dormir, tudo aconteceria como nas noites que passara quando criança, assustada pelo monstro que sairia de seu armário ou debaixo da cama e antes que percebesse, acabava pegando no sono e no dia seguinte, abriria os olhos para se dar de cara com raios de sol e passarinhos cantando do lado de fora de sua janela sem nada para amedrontá-la. Talvez, se dormisse agora, acordasse no outro dia pra constatar que fora somente um pesadelo, ou quem sabe, nunca mais acordaria e ele a deixaria em paz?
Todos aqueles pensamentos não faziam nada, além de lembrá-la que eram somente desejos de uma pessoa assustada e sozinha. Seus mais profundos e sinceros desejo e que, por mais que os quisesse para se tornar realidade, eles não iriam.
A esperança havia sido perdida ali como tudo mais que estava prestes a também se perder.
Levantou-se, tremendo por causa de seu silencioso no entanto forte choro e foi caminhando até sua mesa. Sentou-se em sua cadeira de couro, passando a mão por seus braços e então, pela mesa. Sorrindo a lembrança de como ficara saltitante no dia que os tinha visto entrar naquela sala e um homem falara "Entrega para o consultório de Ginevra Weasley". Tudo estava tão distante. Parecia que haviam se passados anos, décadas, desde aquele dia.
Olhou para o telefone sobre sua mesa. Tentara fazer com que funcionasse várias vezes e nada.
Levantou-se, agora indo para a prateleiras cheio de livros, sua mão deslizando de livro por livro, acariciando-os. Livros que guardavam ali fatos, histórias, teses. Livros que relera mais de um milhão de vezes e notava agora, poderiam estar contando sua história.
Fechou os olhos, cansada de chorar e ainda assim, a única coisa que lhe parecia haver para fazer e um pouco ressentida de sua profissão. Aqueles livros também relatavam como era difícil uma pessoa se recuperar de um grande trauma e o que acontecia aquelas que não o conseguia, falavam o que poderia levar uma pessoa ao suicídio ou a ser um marginal. Não, marginal não. Ele era mais do que isso. O demônio em pessoa.
O que Hermione faria naquela situação? Provavelmente, sua amiga nunca cometeria um erro tão estúpido e talvez, já estivesse longe dali e não encurralada como ela.
- Querida, não pode ficar presa aí para sempre. Você sabe que eu vou te pegar. Esse jogo, você não vai ganhar.
Seu corpo se estremeceu ouvindo aquela voz, aquela risada. O que não daria para matá-lo, para ouvi-lo suplicando, para ouvi-lo gritar.
Começou a tatear as paredes, procurando a janela. Ele não seria tão burro de...? Não, ele não seria.
Puxou as cortinas, sentindo o vidro e vendo as luzes dos postes e o prédio em frente ao dela onde uma empregada limpava o cômodo, mas o vidro não abriria, nem seria seu grito a alcançaria. E ela amaldiçoou. Desde o inicio da bruxaria a família daquele comensal.
Não havia salvação.
Olhou mais uma vez para a tentadora janela e então, para o chão. Se não conseguisse gritar, mas ao menos, abri-la, se libertar. Abriu um sorriso melancólico. Se libertar e voar, por breves secundo. E a sua primeira idéia mais desesperada passou por sua cabeça. Suicídio.
- Eu vou te pegar. – Ouviu o comensal cantarolar.
Era agora ou nunca. Qualquer objeto, qualquer forte o suficiente para cortá-la.
- Você está sentindo minha falta?
Silenciosamente, voltou para sua mesa,
pegando uma tesoura. Se estava forte o suficiente para se matar,
talvez, estivesse para matá-lo também.
- Eu prometo que essa ser a melhor noite da sua vida.Nem ao menos Potter lhe deu tanto prazer. – Riu, parado a porta – Não é isso que garotas selvagens gostam?
- Mãe, porque o
cachorrinho que o papel me deu não está se mexendo?
-
Ele caiu do quinto andar, o que você queria?- Perguntou Ron
atrás de Molly.
- Isso é chamado suicídio. –
Comentou Fred ao lado de George que riu.
- O que é
suicídio? Qualquer um pode fazer isso? – Perguntou puxando a
manga da blusa de sua mãe antes de se esconder atrás
dela, seus olhos enchendo-se de lagrimas pelo amigo perdido.
-
Suicídio não é o caso aqui, querida. É
quando...hum...uma pessoa se mata.
- Pulando?
- Hum. Também.
Há outras formas, mas você não pode fazer isso, é
pecado.
- Porque as pessoas fazem?
- Por que elas não
tem uma mãe pra protegê-las.
- E você vai estar
comigo?
Molly abaixou-se para encarar o rosto da filha, sorrindo
docemente.
- Sempre.
- Querida, coloque suas roupas. Eu estou entrando.
Ginny deixou sua tesoura cair e se jogou no chão, comprimindo seus joelhos contra seu peito, chorando descontroladamente.
O primeiro passo para a loucura já tinha sido dado.
Não viu quando a porta foi escancarada ou tentou ver o rosto do homem que tanto odiava ser iluminado por sua varinha. Só se deu conta do que tinha acontecido quando ele parou a sua frente, levantando-a brutalmente somente por sua mão envolta de seu pescoço e seus lábios frios encostaram nos dela. A varinha sendo jogada longe, partindo-se e acabando com a luz antes radiada pela mesma como seu único fio de esperança. Parou ali, imóvel, chorando silenciosamente tentando bloquear sua mente do agora e lembrar-se do passado, dos sorrisos, dos momentos felizes enquanto ele a usava. Percorria seu corpo como um animal, rasgando sua roupa e sentindo seu corpo. Matando-a pouco a pouco, fazendo-a de seu objeto de prazer.
Fechou os olhos com força, sentindo quando os lábios dele tocaram seus seios e suas mãos percorreram seu órgão e exploravam.
Nojo. Era a única coisa que podia sentir.
Sua cabeça bateu no chão duro fazendo que mais lágrimas viessem a seus olhos. Sentiu as duas mãos grosas e rudes se posicionarem sobre seus joelhos antes de afastarem-nos para que dessem passagem a ele.
Recebeu socos e tapas enquanto ele a mandava gemer, simulasse um prazer inexistente, mas continuou, como se em outro mundo, mas ainda ciente do que se passava ali. Não, esse prazer,ele não teria.
No lugar que tinha feito de segunda casa, onde passara os melhores momentos de sua vida profissional e onde seus sonhos tinham sido realizados, que via cada um deles desmoronando, um por um, fitando o teto onde as imagens de um corpo sem vida e de um animal eram projetados. Morria ali a cada vez que ele a adentrava impiedoso a procura de seu prazer doentio e insaciável, a cada vez que ele gemia em seu ouvido e elogiava seu corpo, enquanto ela se perdia dentro da sua própria mente, dentro de um novo mundo que criava onde nada e ninguém mais existia, somente escuridão.
Ele parou, ainda em cima dela, dentro dela. Feliz por violá-la.
- Eu nunca me diverti tanto. Espero que tenha se divertido tanto quanto eu. – Disse, levantando-se e colocando sua calça preta novamente.
Andou até a
sala e pegou a tesoura que vira que ela tinha deixado cair, e a
colocou sobre a mão de Ginny.
- Agora, você pode ter a sua diversão. – Ele voltou se deitar sobre o corpo nu, passando sua língua dentre o vale dos seios dela, pelo pescoço e então, contornando os lábios vermelhos. Levantou-se e deu mais um chute próximo as costelas.
- Bons sonhos. – Desejou antes de fechar a porta e sair.
Ginny fechou sua mão sobre a tesoura, ainda fitando o teto, aos poucos, se encolhendo e abraçando seu corpo sujo e machucado.
Em sua mente desolada e também, violentada, podia ainda ver, como um filme que nunca acaba, as sombras de seu corpo e do homem que lhe destruira. Podia vê-lo novamente, ainda podia senti-lo, sentir o cheiro a mistura de seu suor e seu perfume desagradável, sentir o roçar de seu corpo no dela.
Estava revivendo cada minuto a cada respiração. A cada lágrima.
Apertou a tesoura contra seu pulso a tempo de ver seu sangue lembrando-a de que ainda estava viva, mas parou antes que maiores danos fossem causados, já sentindo-se fraca o suficiente para dormir. Um sorriso fraco e insano apareceu em seu rosto ao pensamento. Dormir. Com sorte, para sempre, onde ele nunca mais a encontraria, onde ninguém mais a tocaria.
Ouvindo ao longe clicks da luzes dos corredores e salas sendo religadas, abraçou-se com mais força enquanto a chuva caia violentamente. Os Deuses tinham visto-a agora e choravam. Choravam pela inocência, pelos sonhos perdidos.
Uma lágrima vermelha escorreu pelo seu rosto marcado antes que fechasse os olhos pela última vez para o mundo sano que conhecia, o sono não cheio de lembranças daquela noite ou qualquer outra chegando lhe apresentava dois novos amigos dentro de seu novo mundo: loucura e escuridão.
Talvez, se não
tivesse se rendido tão prontamente aos braços de
Morfeu, tivesse visto a luz de sua sala ligar e o telefone tocar. Mas
onde estava, talvez's não existiam mais e não veria
mais do que precisava ver e agora se encontrava onde tinha sido
deixada no momento que aquela mesma luz fora desligada.
Na
escuridão.
Am I hiding in
the shadows?
(Será que estou Escondido nas sombras?)
Are
we hiding in the shadows?
(Será que todos estamos
escondidos nas sombras?)
N/A: Ok, eu fiquei bastante satisfeita com esse capitulo já que eu nem consigo escrever uma NC17 é certamente um grande passo. Então...COMENTEM! Eu escrevo, amo escrever, mas se eu já to publicando, ler uns comentários não fazem mal a ninguém, certo?
Antes que eu me esqueça, as músicas são 'One last breath' e 'Don't stop dancing' do Creed, respectivamente.
beijos - Dri
