Nome:
Resgate para a Vida
Autora:
Sabrina Potter (Dri)
Disclaimer: Personagens e universo pertencem a J.K Rowling.
CHAPTER 6 – Fix You
(Ainda 17 de Agosto de 2005)
- Esse é o motivo pelo qual não deixamos pessoas de fora ou que estão emocionalmente envolvidas com os pacientes entrarem para as equipes – Disse Bryan vendo o rosto pálido de Hermione enquanto a mesma se levantava e ia em direção a porta.
Talvez, se fosse outra situação, Julia teria rido por aquilo ter sido tão ambíguo,mas agora a única coisa que se importava era ver se Hermione estava bem e assim o fez.
- Mione?
- Só um minuto. – Disse abrindo a porta e saindo.
Olhou para o final do corredor onde uma família esperava ansiosamente por notícias da filha, lembrou-se então de como as duas já tinham sido tão próximas e, antes que pudesse notar, flashes do que tinha acontecido com a sua mãe também passaram por sua cabeça. Rápidos, porem de efeitos inigualáveis.
Pensativa, olhou para o outro final do corredor. Este lado, sem passagem alguma e certamente, onde o quarto de Ginny estaria. Apesar de uma grande parte sua pedir para ir vê-la, para abraçá-la e dizer que tudo estava bem pois agora ela estava ali para ajudá-la, outra parte mais racional, seu cérebro, dizia que era incapaz de vê-la. Pelo menos, não agora. Havia esse outro seu terço que ameaçava vir a qualquer momento. O lado em que ela colocaria a mão na frente da boca, tapando-a e correria para o banheiro. Choque e nojo tomando conta.
No entanto, não optou por nenhum dos dois. Abaixou-se com as mãos no joelho e a cabeça baixa, respirando com dificuldade, tentando se recompor. Ela não queria voltar na sala, apesar de ser preciso. Ela queria ir até os Weasleys, abraçar Molly e chorar desesperadamente, chorar incansavelmente como Ginny deve ter feito durante tal...tal...ela não encontrava palavras para descrever tal ato.
Levantou-se, erguendo-se como nada tivesse acontecido. Outros também não detectariam a tristeza ou raiva que corria por todo seu corpo, passeando como suas veias, invadindo seu sistema. Notariam, entretanto, caso chegassem perto o suficiente e olhassem dentro dos olhos dela e vissem que agora, olhos castanhos, quase caramelos, tinha um tom incomum de preto.
Como da primeira vez que entrara no andar, o seu salto colidia com o mármore e toda vez, causando barulho e, automaticamente, fazendo que as pessoas voltassem sua atenção para ela. Quando chegara, o som do salto encontrando o chão tinha um tom misterioso, ansioso. Agora, para ela, um pouco mórbido, quase como uma canção fúnebre.
Como de costume, sua distração tinha tomado conta e quando já estava na frente dos membros da família Weasley e um confuso Harry Potter quase deu um pulo para trás, mas se contendo, só soltou uma respiração pesada, novamente direcionando-se aos pais da paciente.
- Molly e Arthur. – Disse, pausando. Os nomes de ambos saindo com um tom mais leve, quase doce. – Eu gostaria que vocês confiassem em mim e fizessem o que eu vou te pedir, ok?Eu acredito que isso seja de vital importância na melhora de Ginny e ... E eu não os pediria caso não achasse tal. Entendido?
- Sim. – Disseram os dois junto dos outros integrantes do cômodo, emocionados de finalmente poderem ajudar sua pequena em algo.
- Vão para casa. – Pediu Hermione já erguendo uma mão para interromper os protestos que tomaram conta do aposento. – Ouçam-me. Depois falem.
- Eu vou avisá-los de tudo o que aconteceu. Eu sei que vocês têm influência nos Aurores e, eventualmente, descobririam. – Disse referindo-se mais ao que o nome Harry Potter poderia fazer do que qualquer outra coisa - Então, eu vou contá-los. Mas tem uma condição. Antes eu quero que todos se direcionem aos seus lares, tomem café, lanchem...Não importa. Alimentem-se.
- Eu não estou com vontade de comer. – Murmurou Ron. Hermione o ignorou.
- Troquem de roupa e tragam no mínimo 2 mudas de roupas para cada um. E roupas para Ginny também. Bem mais para ela. Eu não vou permitir que nenhum de vocês, ouviu, fique aqui por mais de 2 dias seguidos. Agora a situação ainda é critica e eu entendo, mas depois disso, nada mais. Ginny vai precisar de vocês e na sua melhor forma. – Ela disse com um pequeno sorriso.
- Hermione, você não tem direito de me dizer... – Começou Molly levantando-se. Atrás de Hermione, Júlia e Brian saiam da sala e se posicionavam atrás dela.
- É isso ou eu vou deixá-los na escuridão como os outros médicos fizeram, Sra. Weasley. – Alertou,seu tom de voz aumentando para dar ênfase a gravidade do que estava dizendo - Não pense que eu estou brincando. Eu peço isso por me importar com vocês e mais ainda com Ginny. Acredito piamente que o estado de espírito das pessoas ao nosso redor influência muito no nosso bem-estar quando estamos debilitados.
E toché. Isso foi o suficiente para todos – inclusive Hermione – acreditarem no que estava dizendo e se sentarem, resignados, e fazer como pedido.
- É meio dia. Quero que todos saiam agora. Eu vou ver o que consigo fazer para ter um quarto aqui para vocês, pelo menos dois membros, ficarem aqui e instalarem suas coisas também. Não vai ser tão confortável como na casa de vocês, mas é melhor do que essa sala de espera. Voltem amanhã.
Novamente, protestos foram ouvidos.
- Voltem amanhã. Cabelos escovados, bem alimentados, roupas trocadas, uma boa noite de sono ou pelo menos, algumas horas de sono.
- Vamos poder vê-la? – Perguntou Fred.
- Um ou duas pessoas. Nada mais. – Brain disse detrás de Hermione.
- Que horas? – Foi a vez de Harry perguntar enquanto olhava atentamente para o copo de café a sua frente.
- Às 10 horas. É quando o horário de visita começa. – Dito isso, Hermione bateu os calcanhares e voltou para o mesmo corredor de onde tinha vindo sem ver o olhar esperançoso e lagrimejante de Molly e Arthur ou de qualquer outro ruivo da sala. Precisava de um momento para si mesma pois não havia mais nada para ser dito.
Cada um dos membros da família, isto é, com Harry já que o mesmo já ocupara posto de filho desde de seu segundo ano passado na residência dos Weasley, A Toca, foi saindo do cômodo, cabeças baixas, derrotados, cansados e preocupados.
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Harry se despediu da família assim que chegou a porta do hospital. Enquanto eles iam para a lareira mais próxima, Harry seguiu pelo Hall, passando pela secretária e seguranças e saindo pela entrada principal.
Um assustador número de penas e pergaminhos nas mãos dos jornalistas já escrevendo, preocupadas em descrever da saída do Homem-Que-Sobreviveu como também as suas respostas.
Harry, no entanto, não notou nenhum deles uma ou duas vezes. Não ouviu perguntas sobre a jovem Weasley ou sobre si mesmo, só continuou fazendo seu caminho dentre os repórteres que abriam-se para ele, dando passagem.
Sua mente já costumada com aquele tipo de situação, sabia o que fazer. Mais do que tudo, seus pés conheciam o lugar para onde desejava ir. E, antes que o jornalista do que, depois ele viria a saber ser da Mundo dos Bruxos Semanal, pudesse terminar sua pergunta, entrou no Caldeirão Furado e atravessou a fronteira entre o mundo bruxo e trouxa.
Aqueles jornalistas apesar de tudo não eram tão idiotas para entrar do nada numa das ruas mais movimentada do centro de Londres com penas e pergaminhos em mãos e fazendo suas perguntas que costumavam ser altas, para todos ao redor ouvir. Seus trajes, então, como atrairiam atenção. Harry duvidava que eles conseguissem andar, fazer perguntas e escrever ao mesmo tempo já que suas penas não poderiam ficar 'flutuando' perto dos olhos curiosos dos londrinos trouxas.
Para sua sorte, usava hoje nada mais do que uma calça jeans preta, uma blusa mais social e por cima um robe bruxo, mas que poderia passar também como um sobretudo. Ainda assim, retirou-o e colocou sobre o braço, tirou os óculos também e continuou andando, sem olhar para trás, para os lados ou qualquer direção que não fosse a sua frente. Entre tantas pessoas, alguém que saísse agora da outra porta do Caldeirão Furado acharia dificuldade para achá-lo. Não importava que os rostos das pessoas não fossem mais do que um borrão a sua frente ou que não pudesse ler alguma placa por mais perto que estivesse dele. Como antes, seus pés ainda podiam guiá-lo.
Sentindo o ar úmido de Londres bater no seu rosto, sentiu-se um pouco mais consciente do que fazia e virou a esquerda logo em seguida para deparar-se com uma pequena rua. Seguiu em frente e entrou mais uma vez à esquerda. Chegara ao estacionamento.
Recolocou os uma nota de 20 euros sob a mesa do que deveria ser o assistente mas que agora saboreava um cochilo, provavelmente, depois de já ter almoçado. Harry não o culpava.
Direcionou-se ao seu carro e entrou, fechando a porta e já ligando-o.
Queria simplesmente escapar. Respirar. Esquecer. Algum lugar por onde encontrasse árvores, onde o tempo estivesse um pouco mais frio, fazendo-o desfrutar de momentos como aquele em que o vento batia no seu rosto e passava uma leve tranqüilidade e independentemente de se encontrar atrás de um volante, se sentia mais confortável, mais livre. Uma música calma, velocidade, ninguém. Ele e ninguém mais.
Com esse pensamento, ligou o rádio. Uma voz calma, depressiva e ainda assim hipnotizadora com letra agora tão adequada enchendo o carro, seus lábios começaram a mexer,cantando, no inicio quase inaudível e então, cantando mais alto e mais alto. Talvez, se não fosse por isso, ele teria ouvido o locutor acabar de anunciar Fix You,Coldplay. Talvez, se tivesse olhado o retrovisor, teria percebido as lágrimas caindo.
When you try your best but you don't succeed
(quando você tenta algo e não sucede)
When you get what you want but not what you need
(quando você consegue o que você quer, mas não o que você precisa)
When
you feel so tired but you can't sleep
(quand você sente tão
cansado,mas não consegue dormer)
Stuck in reverse
(preso ao contrário)
And the tears come streaming down your face
(e as lágrimas caem pelo seu rosto)
When you lose something you can't replace
(quando você perde algo que você não pode substituir)
When you love someone but it goes to waste
(quando você ama alguém,mas não dá certo)
could it be worse?
(poderia ser pior?)
Lights will guide you home
(luzes vão te guiar para casa)
And ignite your bones
(e incendiar seus ossos)
And I will try to fix you
(e eu vou tentar consertar você)
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- Você está bem? Indagou Júlia parada na porta de uma das cabines do banheiro.
"Uh-hum", veio a resposta quase inaudível de dentro. A porta foi aberta e de dentro saiu uma ainda vestida em suas roupas pretas devastada Hermione Granger. Ela foi andando para o perto da pia e do espelho, molhando o rosto e bochechando com água para se livrar do gosto azedo da sua boca.
- Eu estou bem. – Disse olhando para duas bolsas que não lembrava de ter trago consigo.
- São os uniformes, - esclareceu Júlia ao olhar a amiga.
Hermione respondeu com nada mais do que um balançar de cabeça antes de sentar-se no banco que havia no centro.
- Você vai tomar um banho? – Perguntou Júlia olhando ao redor do vestuário. Dois boxes mais a frente.
- Não. Vou ver a parte dos papeis de novo e então eu venho tomo um banho e troco de roupa, eu ainda não sei o estado dela ...Estado físico, isto é. Ela está vulnerável até aos menores dos resfriados, provavelmente. – Explicou.
- Vou tomar meu banho então. Tentarei ter algum tipo de contato com ela, vê se tem resposta, algo do tipo. Vamos ver se um pouco de psicologia vai ajudá-la.
- Que ironia, huh? – Murmurou Hermione pensando na carreira que Ginny escolhera e agora em como seria usada para ajudá-la. Sem mais nada a dizer, voltou a sala de reunião, acomodou-se e pôs-se a reler o relatório da paciente uma caneta e pergaminho ao seu lado fazendo anotações do que colocaria em pratica e até onde deveria comunicar a família.
A verdade, a completa verdade, poderia esperar alguns dias.
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18 de Agosto de 2005
- Eu não sei se eu fiz bem ao não ter contado a eles ontem. – pensou Hermione parada ao pé da janela, olhando para baixo e vendo um grupo de pessoas, todas cabelos vermelhos a não ser por um único ponto preto perdido entre eles.
Olhou o relógio e constatou. 9:55AM. Quando fora que ela tinha visto os Weasleys chegarem mais cedo em um lugar?
- O efeito seria o mesmo. Eles provavelmente não teriam dormindo e tudo seria em vão.
- Como se eles fossem dormir hoje.
- Mas eles ao menos vão vê-la. E eu acho que isso, independentemente do que você contar, vai acalmá-los.
Hermione soltou uma risada sarcástica, sua sobrancelha erguida.
- Você realmente acredita no que está falando?
Júlia parou por um momento, refletindo.
- É, foi o que eu pensei. – Disse Hermione abrindo a porta, já pronta para se deparar com 8 Weasleys e um cansado Harry.
Júlia, franziu a testa. Como Hermione sabia que eles já estavam ali? Mal tinha passado 2 minutos desde que os vira lá embaixo.
- Entre e sentem-se, por favor, - se ouviu dizer, esquecendo qualquer pensamento sobre Hermione e seus poderes quase psíquicos.
- Bem, pelo visto, vocês cumpriram com suas palavras. Antes de tudo, quem irá visitá-la hoje?
- Nós dois. – Disse Arthur segurando a mão da mulher mais fortemente em sua mão.
- Sim, também acho correto. Agora, outra pergunta que eu devo fazer é, vocês querem ir lá agora? Ouçam-me. As noticias que eu tenho não são boas; Não sei qual vai ser ao certo a reação de vocês,mas acredite, não vai ser boa. – Disse dando uma pausa para respirar fundo.
'A minha com certeza não foi', pensou Hermione
- Então, agora que estão mais bem dispostos, eu acho que é a hora certa de vê-la. Levando em consideração tudo que aconteceu, vocês dois vão entrar no quarto. Primeiro, irá você, Molly. Depois, você, Arthur e Molly, você continuará no quarto com ele. Melhor não deixarmos sozinhos.
- Mas por quê? Você não me confia com minha própria filha? Eu cuidei dela todos esses anos! – Disse o Sr.Weasley se levantando e aumentando o tom de voz.
- Senhor Weasley, o que aconteceu com a Ginny foi realmente muito, muito ... – Hermione não achou a palavra. – Ela está vulnerável e ela não me reconheceu. Eu posso adiantar que, o que aconteceu, estava ligado a um ou mais homens. Não sabemos se havia mulheres no lugar. As chances de ela reagir de uma forma ... hum...mais agressiva, defensiva com você, é mais provável do que com a mãe. Não conte também com a possibilidade dela reconhecê-los.
Hermione não se importou de mentir. Pelo menos, por enquanto, era preciso. Não haviam mais mulheres no quarto. Até agora, o vestígio era só de um homem, mas os Aurores estavam procurando por mais marcas digitais. E, pior de tudo, ela sabia muito bem que o que tinha acontecido ali, era o suficiente para fazer Ginny estar traumatizada para o resto da vida com o que diz respeito ao sexo oposto.
- Que tal, fazermos um outro esquema?Senhora Weasley, - chamou Júlia pedindo atenção da mãe – a senhora entra no quarto, dá aos recados a sua filha dos irmãos e amigos dela. E, quando ela for medicada, o senhor Weasley entra.
- Mas...ela não vai conversar comigo? – Ele perguntou, desconsolado.
- Há uma possibilidade que ela não converse com ninguém por um bom tempo.
- E os remédios? Que medicação é essa? – Perguntou Gui, não gostando nada do tom usado pelas duas médicas.
- Ah sim. São calmantes. Como é em uma grande dose, ela tende a dormir por horas a fio sem acordar. – Hermione explicou também não se sentindo bem com o assunto. Logo logo eles iriam saber de tudo se continuassem sentados discutindo ao invés de começar a visita.
- Se isso te ajuda, senhor Weasley – começou Júlia colocando a sua mão sobre a mão enrugada da idade de Arhtur Weasley - muitas vezes, só pela presença de alguém que nos ama e com os quais nos importamos é o suficiente para sabermos que há esperança.
N/A: Apesar de demorar, acredito que o capitulo valeu a pena. Quero avisar que estou sem computador e só tive chance de digitar isso por que além de trazer meu caderno, minha prima disponibilizou o computador. Espero que gostem e comentem. É minha fic que mais tem capítulo e ainda assim, não atingiu o número de comentários da Memories ou Mais Que Uma Conquista. Desculpa por não comentar as reviews dessa vez, mas o farei da próxima. E, há uma prévia do próximo capítulo. Só clicar em avançar (que na verdade, é uma setinha. XD)
