Nome: Resgate para a Vida
Autora: dri sabrina potter
Disclaimer: Os personagens pertencem a J. Rowling.
Hope
Conversar com os Weasleys seria uma das coisas mais difíceis que Hermione teria que fazer só não superando o enterro de sua mãe e a internação de seu pai e, também, acrescentou após um minuto de pensamento, quando tinha cortado laços ... ou melhor, se afastado de Harry e Ron.
Agora voltando a descer o corredor que apesar do pouco tempo pelo qual passava por ele já lhe dava arrepios e náusea, com a senhora Weasley sabia que estava pegando uma estrada sem volta. Depois do que a mais velha dos Weasley visse, pediria satisfações e qualquer breve esperança que tinha de afastar aquela conversa estaria fora de questão.
- Molly, - Hermione disse, adotando um tom completamente diferente do qual tinha usado poucos minutos atrás, mais parecido com a Hermione que Molly Weasley tinha conhecido anos atrás na plataforma de Hogwarts após o primeiro ano de seu filho na escola – Não há nenhum risco de vida. Ela já foi tratada, qualquer corte e fratura que poderiam ter foram tratados. Há, é claro, algumas marcas e você verá que ela está visivelmente abatida, mas essa parte – disse pegando o rosto de Molly em suas mãos – já está superada. Ela provou-se uma verdadeira Weasley. – disse com um pequeno sorriso.
Sentindo seus olhos se encherem de lágrimas, Molly não disse nada, mas abraçou Hermione com força. Ao afastar-se, Hermione podia ver que em seus olhos tinha uma promessa de que não choraria, não choraria na frente de sua caçula se Ginny, como tinha certeza, não tinha chorado quando tratavam dela.
Estendendo a mão para Molly, abriu a porta, mantendo o seu tom sempre baixo e doce.
- Ginny, há alguém aqui que quer te ver. – Anunciou, deixando Molly entrar depois de fechar a porta. Feito isso, se encaminhou até Ginny e passando uma mão por seu rosto, num ato de irmãs, disse – essa é Molly, você se lembra, Ginny? Se sim, por favor, diga ou faça qualquer coisa...mexer sua mão, talvez?
Tendo que ser apresentada a sua própria filha, Molly sentiu suas lágrimas ameaçarem a cair, mas mesmo assim, continuou, parada, cinco passos da maior de suas conquistas. Após seis filhos homens, ninguém acreditava que ela algum dia teria uma filha, ainda assim, foi provado que ela poderia e iria quebrar as regras, independentemente do que os outros achavam, assim que começou acordar cedo, sentindo-se mal e depois os desejos incomuns que não tivera em nenhuma de suas gravidez.
Lembra-se que, contra a quebra da tradição, deixou até a hora do parto para saber o sexo, no entanto, durante toda sua gravidez ela sabia, sabia que dessa vez, seria uma menina e quando um pequeno embrulho – quase um presente de Natal – foi levado até ela pela medi-bruxa enrolada numa toalha rosa, sabia que seu pressentimento tinha estado certo do começo ao fim. E, só por ver ali, a montueira de cabelos vermelhos, o rosto fino e delicado, nariz, olhos, boca femininos, sentia-se pronta para fechar os olhos e morrer, sabendo que já seria a pessoa mais feliz do mundo. Mas arrependeu-se de pensar tal coisa, lembrando-se que agora havia algo mais importante ainda, proteger sua filha e seus outros filhos com toda a força que possuía.
No entanto, parada ali, sentia-se fracassada, derrotada. Seu bebê, seu embrulho de Natal, como gostava de falar algumas vezes, estava tão debilitado, vulnerável e onde estivera ela para protegê-la.
Cruzando o quarto rapidamente, sentou-se ao lado da filha, sua mão passando por seu rosto e então, por seu cabelo enquanto a outra segurava sua mão com força.
- Sou eu, querida. Eu nunca vou deixar você de novo. – Murmurou, sua voz fraca, mas sem perder a força de suas palavras.
- Molly, eu vou te deixar com ela aqui. Eu não acredito que você vá ter uma resposta dela hoje, mas só o fato dela ter aceitado sua presença aqui é...
- Um grande passo. Eu sei. – Disse beijando a testa de sua filha, olhando-a com adoração.
Hermione se encaminhou até a porta, assistindo de longe Ginny e Molly. Ginny, deitada na cama, rosto pálido, sem vida alguma. Se não fosse pelo descer e subir de seus peito, não a julgariam viva. Cabelo vermelho fogo agora parecia ter perdido seu brilho como sua portadora, estava embaraçado e espalhado sobre o travesseiro, ressaltando sua palidez. Ainda assim, deitada com seu olhar fitando o teto, continua dona de uma beleza extraordinária.
- O que fizeram com você, minha pequena? – Perguntou Molly com a garganta seca e num tom desesperado.
Tivesse Hermione saído da sala, não teria visto a cabeça de Ginny virar, num gesto quase que envergonhado, optando por olhar a parede oposta ao que sua mãe se encontrava e uma lágrima solitária escorrer pelo canto de seu rosto. Com uma batida mais forte que depois Hermione notou ter sido de seu próprio coração, resolveu colocar aquela cena numa penseira, marcando o dia como dia 18 de Agosto, como mais um dia para acreditar que ainda havia esperança.
- Você vai nos contar alguma coisa? – Perguntou Ron com sua voz distante e cansada.
Hermione que tinha acabado de entrar sem se dar conta na sala de reuniões deixou um grito abafado por uma de suas mãos escapar por seus lábios e sua mão parar sobre seu peito, mostrando sua surpresa.
Do outro lado da sala, próximo a janela, Harry deixava seu olhos percorrem por seu corpo, lendo seus gestos, quase fascinado pelas únicas vezes em que ela deixava sua guarda baixar.
- Eu, eu tinha esquecido que vocês ainda estavam aqui. - Falou, procurando um lugar para sentar-se, notando que Julia e Brian tinham deixado.
- Ela disse alguma coisa? – Foi a vez de Charlie perguntar.
- Hum...Não. Mas acho que vai demorar um pouco – 'ou muito', pensou – até que ela diga alguma coisa. Bem, - disse fazendo uma pause – em outras circunstancias, eu esperaria a Sra. Weasley, mas soube que o estado de saúde dela tem estado debilitado até mesmo antes ... – 'antes de que?', questionou-se procurando uma palavras 'atrocidade? Incidente? Tragédia?' – antes disso...
- Mas vai nos dizer o que aconteceu, não? – Implorou Fred já se pondo de pé, parecendo estar pronto para segurar hermione por seus ombros e implorá-la.
- Sim, eu vou. Mas...mas eu quero que não tomem nenhuma medida drástica sobre isso. Há pessoas, Aurores, no caso. Também vou deixar em suas mãos até que ponto contar para a mãe de vocês. – Falou a morena, sentindo-se covarde em não ter coragem de contar a Molly. – Por favor, sentem-se.
Hermione levantou-se e foi até a porta, chamando Julia e pedindo que ocupasse a Sra. Weasley por uma boa hora, permitindo-a que ficasse mais com a filha. Ao voltar para a sala, trouxe também uma bandeja com água que Julia tinha conjurado com 8 copos, todos com calmantes, uma versão bruxa de água com açúcar e posicionando-os na frente de cada um dos integrantes.
Sentou-se na cadeira ao lado do Sr. Weasley, com uma boa visão de todos na sala. Pousando uma mão sobre a dele e a acariciando, soltou uma respiração pesada e começou a falar, sempre baseando-se na verdade, mas omitindo o que, ela sabia, só causaria mais dor para os homens ruivos e, como poderia esquecer, o moreno de cabelos rebeldes e olhos verdes por trás das lentes arredondadas.
- Bem, poderia ter sido pior, huh? – Julia deixou seu infeliz comentário escapar sobre a conversa com os Weasleys.
Sempre tentando amenizar, pensou Hermione, pela terceira vez no banheiro jogando água no rosto.
- Acho que de certo modo, sim. Poderia ter sido pior. – Concordou azedamente. – Algum deles poderia ido pro Hospital. Boa coisa que já estamos em um, huh? –Disse saindo com raiva do banheiro e batendo a porta do banheiro, não prestando atenção para onde seus pés a levavam, mas dando espaço para que a família encontrasse conforto nos braços um do outro.
Há exatamente vinte sete minutos atrás, quando ela tinha começado a contar o que acontecera com Ginny, tinha presenciado oito homens atingirem uma palidez que jamais tinha sido ser possível de uma pessoa viva chegar.
Depois, uns dois minutos após ter começado a falar, Charlie levantar e ir para a janela, curvando-se e com as mãos no joelho, tentando respirar.
A mão de Hermione que antes acariciava a do Sr. Weasley começava a ficar dormente pela força que o senhor ora com aparência vulnerável usava para conseguir continuar a ouvir o relato do que acontecera com sua pequena e única filha.
E então, a voz quase indecifrável de Ron fazer pergunta que todos os homens ali presentes se perguntavam e ainda assim, tinha medo de perguntar;
- Você está querendo dizer ... que ela...Ginny, minha irmãzinha foi...
- Violentada? Sim. – Confirmou, sentindo alguma coisa dentro de si que não achava nem mais possuir, quebrar-se.
O copo na mão de Jorge quebrou, a cadeira de Harry foi jogada para longe dentro da sala, derrubando algumas pastas e quebrando alguns frascos. A mão de Arthur largando a de Hermione, sem vida. Gui levantando-se abruptamente e batendo a porta.
Quando Hermione voltou a olhar o cômodo e viu, desta vez, só quatro – tendo Gui saído da sala - de oito homens caírem num abraço e pranto desesperado e, jogando-se na cadeira, isto é, só Harry pois Ron continuava sentado, dois olharem-na.
Mordendo os lábios, seus olhos correndo pela expressão de Harry e Ron e então, para o copo de água intocado a sua frente, manejou um sorriso fraco, opaco, triste. Uma tentativa de ''tudo ficará bem no final'', uma mistura de ''é bom ver você de novo apesar de tudo'' e um ''eu sinto muito'' com pedido de ''temos que ser forte por todos eles'' dançando nos seus olhos lagrimejantes.
Infelizmente para todos eles, ninguém acreditava em nada daquilo.
Em passos largos e fortes, encontraram-se, num abraço, num triângulo.
Embora eles não acreditassem que conseguissem se manter fortes ou que tudo ficaria bem, havia no ar um ponto de interrogação, nos seus lábios, em seus corações a esperança que talvez, algo não tinha sido perdido. Mas eles ainda não daria voz a isso. Ainda.
- Hermione?
Acordando de seu devaneio, levantou os olhos, vendo Molly ainda parada ao lado e Ginny.
Seus pés a haviam trago para o quarto de Ginny, notou, pasma.
Notou também, a escova de cabelo na mão de Molly e como ela penteava o cabelo da filha, como uma criança com sua boneca nova, com todo o carinho do mundo. O cabelo vermelho antes apagado parecia recuperar um pouco de seu brilho enquanto era escovado, mesmo ainda sob o travesseiro. Como Molly tinha conseguido, Hermione não tinha idéia.
Via-se também que havia um tom mais alegre no rosto de Molly só pelo simples fato de ter visto a filha e Ginny pela primeira vez parecia dormir em paz, sem medicação alguma.
- Sim? – Respondeu Hermione, indicando que tinha ouvido a senhora.
- Está na hora de ir já?
- Não. – Respondeu Hermione com o mesmo sorriso triste que parecia não sair mais de seu rosto.
- Hermione?
- Sim, Molly.
- Você se importaria de me abraçar?
E no segundo abraço do dia, Hermione encontrou mais um motivo para acreditar que havia esperança. Ela esperava que a ruiva dormindo não muito distante dali conseguia também sentir e acreditar no mesmo.
Do lado de fora da sala, do outro lado do visor da porta, oito homens olhando-as rezavam pela primeira vez em busca do mesmo.
