Domo pessoal
Cá estou com o primeiro capitulo de mais uma fic dessa "Saga de Uma Nova Vida". Nem sempre ser alguém normal é fácil e isso, bem... Os cavaleiros já estão descobrindo.
Algumas pessoas dizem que quem vive de passado é museu. Então, bem, posso me considerar um então. Pois adoro falar do passado e com essa fic não seria diferente. Vale das Flores foi criada para contar o passado de um dos cavaleiros de ouro que mais chamou a atenção por seu gênio extravagante e narcisista. Sim, estou falando de Afrodite de Peixes.
No final de Tempestade de Verão um personagem bem peculiar apareceu. Sim, se vocês pensaram na Aaliah estão certos. A filha do Afrodite. Parece surreal demais, mas nessa saga o Afrodite é Hetero e a presença da Aaliah só vem pra provar isso.
Essa fic não será somente em volta do passado do Afrodite, mas também o presente onde um novo romance floresce em meio a flores e vales. Então lhes apresento Vale das Flores, sinceramente espero que gostem.
Boa Leitura!
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Aimê são criações minhas para esta saga.
Musica Tema: A Viagem - Roupa Nova.
Vale das Flores
Capitulo 1: Na Escuridão do deu olhar me iluminava.
I – Tudo tem um começo.
O inverno logo chegaria, mas como a Grécia era sempre quente não se preocupava com isso. Durante anos viveu num país onde o gelo imperava, agora ficar exposto tanto tempo ao sol, não era mais um martírio como no começo.
Caminhou pelo jardim com um olhar perdido, eram poucas as flores diferentes que haviam ali, a maioria eram as belas e preciosas rosas. Príncipes negros, príncipes perfeitos, rosas, azuis e brancas. Sorriu docemente ao chegar em certa parte do jardim, um canto mais afastado do templo, onde havia uma fonte.
A jovem de orbes amendoados estava sorrindo alegremente, enquanto permanecia sentada ali conversando com o cavaleiro de Virgem.
-"Parece premunição"; Afrodite pensou. –"Acho que ele ainda não sabe que ela é de Escorpião"; ele pensou com um sorriso maroto, vendo a filha e Shaka conversarem. –"Mal consigo imaginar como ele vai descobrir isso, se bem conheço os nativos desse signo, nem o homem mais próximo dos Deuses vai ser perdoado"; Afrodite concluiu.
Balançou a cabeça com um sorriso divertido, eram sempre assim. Quando Aaliah não estava no jardim conversando com Shaka, estava com o mesmo em Twin Sall meditando. Desde que chegara desenvolvera uma grande afinidade pelo cavaleiro, que não duvidava que depois de um tempo fosse descoberto como algo mais, mas preferia que eles descobrissem isso sozinhos, em vez de estragar a surpresa;
Afrodite virou-se indo para dentro de seu templo. Não queria interromper. A única coisa que desejava era que a filha fosse feliz, tão feliz como a si mesmo fora em seus dias de juventude, embora tivesse vivido tudo aquilo numa época de incertezas.
Juventude... Soava tão longínquo em seus ouvidos. Uma época que não era metade do narcisista que era agora. Ou não pensava ser capaz de fazer metade das coisas que já havia feito.
Foram duas às vezes que morrera e nascera numa mesma Era. Batalhas e mais batalhas. Pessoas inocentes que pereceram, crueldade brotando em meio ao coração puro das pessoas que apenas queriam um lugar nesse mundo.
Apesar dos pesares agradecia aos céus por Aaliah não ter conhecido sua face mais perversa. Um demônio disfarçado de anjo, como os amigos o chamavam. Tão bonito quanto perverso.
Entrou no templo indo diretamente para o seu quarto, mesmo convivendo mais com os amigos, não eram raras às vezes que se sentia perdido. Solitário.
Sentou-se na cama, suspirando pesadamente. Perguntando-se porque simplesmente as coisas não poderiam ser mais fáceis. Mas parou recriminando-se por pensamento tão medíocre.
-"Desde quando me tornei tão patético?"; Afrodite se perguntou, lançando um olhar para o criado-mudo. Onde um delicado porta-retrato fora colocado. Puxou-o para perto de si, analisando a foto contida ali.
Eram duas jovens extremamente parecidas. Sorriu. Se não soubesse quem eram elas, diria que eram irmãs gêmeas, apesar da altura ser um pouco distinta. Aimê e Aaliah, a única diferença entre elas eram a cor dos cabelos. Aaliah herdara os cabelos azuis e volumosos de Afrodite, porem de Aimê herdara o gênio indomável e os orbes amendoados.
-Aimê; Afrodite deixou o nome da jovem escapar de seus lábios de maneira suave, recordando-se com carinho do passado. –Aaliah sente muito sua falta; ele falou, sentindo uma lagrima solitária cair de seus olhos sobre o vidro do porta-retrato. –E eu também;
Recolocou o porta-retratos sobre o criado, deixando-se cair na cama. Colocou a mão sobre os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem insistentes, nublando sua visão.
Até agora agradecia Harmonia, por ter lhe trazido de volta, se não, talvez nunca saberia que Aaliah existia, ou que ela sempre lhe esperara.
-Lembrança-
Remexeu-se na cama incomodado, há poucos minutos cairá em um sono profundo, mas agora despertara assustado. Lembrara-se dela, o sonho fora tão real que lhe perturbara.
-Aimêele sussurrou, levantando-se da cama e caminhando até a janela.
As estrelas no céu pareciam brilhar mais intensas; ele pensou. Passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-o-o-o-o-
Já havia amanhecido e não conseguira pregar os olhos, pensara nela a noite toda. Vez ou outra se lembrava dela, sentada na beira de um lago. Os longos cabelos verde-água esvoaçavam com o vento, porém com aquela mascara de prata ocultando-lhe a face.
Precisava resolver isso de uma vez por todas; Afrodite pensou, enquanto abria em um estrondo as portas do guarda-roupa e começava a jogar algumas peças sobre a cama.
-AFRODITE; alguém chamou, batendo nas portas do templo.
-ENTRE; ele respondeu, sem se importar com o visitante, começou a colocar as peças dentro de uma mala.
-Ahn! Vai viajar? – Milo perguntou parando atrás dele.
-Vou; Afrodite respondeu vagamente.
-Uhn! Você esta bem? –ele perguntou com cautela. Nunca vira o cavaleiro agir daquela forma, parecia perturbado com algo.
Um longo suspiro escapou dos lábios do cavaleiro, sentando-se na cama.
-Milo, me desculpa, mas to com um pouco de pressa, o que quer? –ele perguntou.
-Vim te avisar que o pessoal ta se reunindo no ultimo templo pra tomarem café juntos, estávamos esperando você; Milo respondeu.
-Droga, era hoje? –Afrodite perguntou, dando um tapa na testa. Havia se esquecido, com a chegada de Litus ao santuário, Saori havia resolvido reunir todos os cavaleiros para um café no ultimo templo, mas depois da noite conturbada que tivera, nem notara esse detalhe.
-Ahn! Parece que você esqueceu; Milo comentou.
-"É melhor eu ir lá primeiro, assim falo com a Saori de uma vez"; ele pensou. –Bom, vamos então; ele falou sorrindo.
-Você tem certeza que esta bem mesmo? –Milo perguntou preocupado.
-Estou ótimo, porque? –Afrodite perguntou casualmente.
-Não sei, poderia jurar que você estava triste com algo; ele respondeu, seguindo para fora do templo com o outro cavaleiro.
Afrodite parou por um momento, balançou a cabeça. Ele não saberia; Afrodite pensou.
-Fim da Lembrança-
-Pai; Aaliah chamou, abrindo uma frestinha na porta.
-Oi, entre; Afrodite falou se levantando, enxugando rapidamente a face.
-Aconteceu alguma coisa? –ela perguntou timidamente se aproximando.
Afrodite a olhou com curiosidade, ela estava hesitando por alguma razão. O pouco que convivera com Alaliah na Suécia lhe rendera uma ótima experiência. E agora sabia muito bem porque Milo às vezes tinha seus acessos de rebeldia, era mal do signo.
-Não, esta tudo bem; Afrodite respondeu com um olhar calmo. –Mas você parece que quer me dizer algo? Ou estou enganado? –ele perguntou casualmente.
-Bem...; Ela começou com um sorriso sem graça, mas com um olhar de criança que quer alguma coisa. –Posso ir pra Índia?
-ÍNDIA? –Afrodite gritou, esperava qualquer pedido, menos ir para um lugar relativamente tão longe de suas vistas.
-Se não deixar, não tem problema; ela respondeu, conformada.
-Não é isso; Afrodite falou passando a mão nervosamente pelos cabelos, como ia explicar pra ela. –Ahn! Mas porque justamente a Índia?
-Eu estava conversando com o Shaka...;
-Ah! O Shaka; Afrodite falou com um sorriso maroto.
-Não é nada do que esta pensando; ela se apressou em responder, sentindo a face se incendiar.
-E eu estaria pensando o que? –o cavaleiro perguntou. Seria uma boa hora pra conversar com ela sobre isso.
-...; Aaliah estreitou os orbes amendoados de forma perigosa, ouvindo o pai rir.
-Me desculpe, não pude resistir; Afrodite brincou. Não tinha como não vê-la nos olhos da filha. Os mesmos olhos amendoados que lhe fascinara em meio a tanto gelo, quando faiscavam de fúria ou diante de um desafio. –Mas me conte, o que tem o Shaka a ver com isso?
-Ele estava me contando sobre alguns lugares legais perto de onde ele treinava e disse que se eu quisesse conhecer, ele me levaria lá; ela respondeu. –Por isso, queria saber se você deixa; Aaliah falou com um olhar pidão;
-Com essa carinha, como não deixar; ele falou carinhoso.
-Obrigada; ela agradeceu, jogando-se nos braços do pai e o abraçando.
-Ai; Afrodite sentiu as costas estalarem. –Agora sim acho que estou ficando velho;
-Você ta reclamando de boca cheia; Aaliah brincou, vendo-o estreitar os orbes. –É verdade, acha que não ouvi os comentários que umas e outras não fazem de você; ela comentou com um olhar cúmplice.
-O que quer dizer com isso? –ele perguntou, engolindo em seco.
-Oras, que você é conhecido como o cavaleiro mais bonito desse santuário e que modéstias à parte eu tenho a quem puxar; Aaliah respondeu com um sorriso maroto.
-A Srta anda muito convencida, não acha? –ele perguntou divertido. Vendo a filha olhar pra cima com ar inocente, enquanto assoviava.
-Mas que eu tenho, eu tenho; a jovem de melenas azuis afirmou. –E muito me admira o Sr; ela falou voltando-se com ar acusador pra ele.
-Uhn! Do que se refere? –Afrodite perguntou, estranhando o ar sério dela;
-Muito me admira que ainda esteja solteiro; ela comentou.
-Aaliah; Afrodite falou um tanto quanto incomodado com o rumo da conversa.
-Sei que você sente falta da mamãe; Aaliah falou, abaixando a cabeça com o olhar triste. –Mas aposto que ela não iria querer que você parasse de viver por causa dela; ela completou com a voz chorosa.
-Vem aqui; Afrodite falou deixando-se cair na cama e puxando-a junto, fazendo com que ela repousasse a cabeça em seu peito. –O que eu e sua mãe vivemos foi algo único;
-Como assim? –ela perguntou, deixando os dedos brincarem distraidamente com uma das mexas do cabelo dele.
-Algo que não poderíamos comparar com o que outras pessoas já viveram; Afrodite falou, afagando-lhe as melenas. –Aimê era uma garota incrível, alegre, carismática e um tanto quanto rebelde; ele falou, lembrando-se com carinho da jovem.
-Rebelde? –Aaliah perguntou meio descrente.
-Ela adorava irritar a Eurin; Afrodite falou. –Era incrível que apesar de muito parecidas, com relação ao gênio era muito distintas;
-Tia Eurin sempre foi muito séria; Aaliah falou torcendo o nariz.
-Não a julgue assim; ele a repreendeu.
-Mas...;
-Eurin tem os motivos dela para ser da forma que é; ele falou, lembrando-se da mestra. –Ela nasceu em uma família que infelizmente as tradições eram muito rigorosas, onde a primogênita deveria se tornar amazona, Eurin passou por coisas das quais ninguém desejaria, ela não se tornou mestre por mero acaso do destino;
-Entendo; Aaliah murmurou. –Mas se só o primogênito se tornava amazona, porque minha mãe também escolheu esse caminho? –ela perguntou confusa.
-Aimê não admitia que a família houvesse imposto isso para Eurin e decidiu que quando atingisse idade suficiente para treinar, começaria a fazer o treinamento; Afrodite respondeu. –Tanto que começamos juntos;
-Ah é, você e a mamãe foram discípulos da tia Eurin; ela comentou.
-Sim; ele falou. –Mas a questão é que eu e sua mãe, apesar de tudo tínhamos uma ligação muito forte, não sei se conseguiria ficar com alguém sem me lembrar dela;
-Se não tentar, não vai saber; Aaliah falou, embora visse o pai sempre animado, conversando com os amigos, via que ele só fazia isso pra não pensar.
-Quem sabe um dia; Afrodite falou de forma enigmática. –Mas não agora;
-Se você diz;
-Mas então, vocês vão quando? –ele perguntou, querendo mudar de assunto.
-Vim perguntar primeiro, ainda não falei pro Shaka que você deixou; ela respondeu.
-Então vai lá e depois me conta quando vai ser; Afrodite falou se levantando.
-Ta certo, já volto; Aaliah falou saindo do quarto.
-Não se apresse; Afrodite provocou.
-Lembrança-
-Srta Saori, posso lhe falar? –ele perguntou, assim que acabara o café e a jovem deusa estava indo para a biblioteca.
-Claro Afrodite, mas já não te pedi pra me chamar só de Saori; ela o repreendeu com um sorriso.
-Me desculpe, velhos hábitos; Afrodite falou sorrindo.
Os dois entraram na biblioteca e o cavaleiro fechou a porta atrás de si. Impedindo que qualquer curioso aparecesse ali.
-E então, o que deseja? –ela perguntou sentando-se trás da escrivaninha.
-Gostaria de pedir permissão para voltar a Suécia; ele falou.
-Algum problema? –Saori perguntou preocupada.
-Não, só algumas coisas que deixei pendente; ele respondeu vagamente.
-Sabe que não precisa me pedir permissão Afrodite; ela falou, mas antes que ele pudesse abrir a boca, ela completou. –Eu sei, velhos hábitos.
-...; Ele sorriu sem graça.
-Vá tranqüilo e que os Deuses estejam com você; ela completou.
Numa breve reverencia ele se despediu, saindo da biblioteca em seguida. Seria uma longa viajem, mal sabia ele o que iria encontrar lá.
-Fim da Lembrança-
II – Cumplicidade.
Já fazia alguns minutos que havia chegado em seu templo. Passara boa parte do dia conversando com Aaliah em Peixes.
Sentou-se melhor no chão gramado, deixando que as costas ficassem eretas, cruzando as pernas em posição de lótus. As mãos pousaram delicadamente sobre o colo.
Fazia pelo menos dois meses que a jovem estava ali. Ironia ou não, esses dois meses ela passara junto consigo. Ainda lembrava-se da reação que tivera quando fora com Afrodite ao aeroporto para buscá-la.
Literalmente o chão abriu-se a seus pés, quando aquela bela jovem de cabelos azulados e orbes amendoados apareceu correndo de dentro do portão de embarque lançando-se nos braços do amigo gritando 'Pai'.
Um meio sorriso brotou em seus lábios, cada coisa que acontecesse. E poderia jurar que já tinha visto de tudo nessa vida, mas não negava que aquilo fora bem interessante.
A filha do Afrodite. Quem diria? –ele pensou. Lembrando-se que o amigo lhe dera boas pistas sobre isso e ele não quisera ouvir, ou melhor, achara que ele havia batido com a cabeça ou coisa parecida.
-Adivinha quem é? –uma voz divertida perguntou atrás dele, tapando-lhe os olhos com as mãos.
Não era necessário estar com os olhos abertos para saber quem era a jovem atrás de si, que tinha as mãos tão delicadas como a mais fina porcelana; ele pensou, balançando a cabeça, era melhor mudar os pensamentos. Aquilo não era o tipo de coisas para se pensar agora.
Colocou as mãos sobre as dela, sentindo uma breve corrente de estática passar por seu corpo. Engoliu em seco.
-Uhn! Deixe-me pensar; ele falou entrando no jogo dela.
-Você só tem uma chance; Aaliah falou divertida. Embora o achasse uma pessoa muito seria quando o viu pela primeira vez, adorava a companhia do cavaleiro, um dos motivos que contribuía para estarem sempre juntos.
-Seria Aaliah? –ele perguntou, fazendo um tom de voz como se tivesse em duvida.
-Chato; ela falou emburrada, retirando as mãos e sentando-se do lado dele.
-O que foi? –Shaka perguntou com um olhar curioso.
A jovem arrumou a barra do vestido, para que não corresse o risco de levantar e rapidamente deixou as costas eretas e as mãos pousarem sobre o colo. Fechou os olhos tecnicamente ignorando-o.
-Assim não tem graça; ela respondeu emburrada.
-Você fez uma pergunta e eu respondi, não era isso que queria? –ele perguntou, tocando-lhe a face carinhosamente, fazendo-a abrir os olhos deparando-se com aquele par de orbes tão azuis quanto um dia de tempestade a lhe fitar.
-...; Ela assentiu timidamente.
-Então? –ele perguntou com um olhar enigmático, soltando-lhe e voltando a posição inicial de meditação.
-Papai deixou; ela respondeu, fechando os olhos novamente como se estivesse meditando.
-Tem certeza de que é isso que quer? –Shaka perguntou assumindo a mesma postura, mantendo a face impassível.
-...; Ela assentiu.
-Está certo, vamos amanhã; ele completou, obliterando qualquer pensamento de sua mente e começando a meditar.
Continua...
