Domo pessoal
Sei que só apareço no final para comentar alguma coisa. Mas hoje tenho um recadinho para dar. A partir de agora, os capítulos que vão seguir de Vale das Flores são completamente voltados para o passado de Afrodite e a mãe da Aaliah. Essa ainda é parte da conversa que Afrodite esta tendo com Kamus, no templo de Peixes. Então, quando acabarem as lembranças, Shaka e Aaliah vão voltar aparecer para aprontarem muito ainda.
Agora vamos ao que interessa...
Boa Leitura!
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas Aaliah, Eurin e Aimê são uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Capitulo 4: São Alegres Quando Lembram
I – Uma Conversa Interessante.
Deixou os olhos correrem pela jovem, não conseguia acreditar que tudo estava acontecendo; Afrodite pensou, viu-a entreabrir os lábios como se fosse dizer algo, parecia assustada por ter sido encontrada ali, mas não se importava com isso, sentia o coração transbordar de alegria ao vê-la.
Ultrapassou o espaço que se punha entre eles e puxou-a pra si, abraçando-lhe ternamente. Um abraço cheio de saudade, carinho, amor, tristeza por ter partido e felicidade pelo reencontro.
-Aimê, como senti sua falta; ele sussurrou em seu ouvido, afagando-lhe as melenas.
Hesitante a jovem tentou afastar-se. Afrodite franziu o cenho, virando-se para ela.
-Me desculpe, mas acho que esta me confundindo com alguém; ela falou, com a face rosada.
-Impossível; Afrodite falou com um terno sorriso, deixando a ponta dos dedos correrem pela face da jovem que adquiriram um rubor mais intenso. –Minha Aimê; ele completou num sussurro.
-AALIAH; alguém chamou, na entrada do bosque.
-Aaliah? –Afrodite arqueou a sobrancelha, voltando-se para a jovem.
Sentiu o chão abrir-se a seus pés, como não notara antes; ele pensou desesperado. Afastou-se da jovem incrivelmente decepcionado, com ela por não ser quem procurava e mais ainda consigo por tê-la confundido com Aimê.
-Me desculpe Srta, tem razão, pensei que fosse outra pessoa; ele desculpou-se rapidamente.
-Finalmente te achei, quantas vezes preciso pedir que não venha para cá sem me avisar; uma jovem de longos cabelos verde-água e orbes amendoados falou, aproximando-se, mas estancou surpresa ao ver quem estava ao lado de Aaliah. –Filipe; ela falou num sussurro.
-Mestra; Afrodite falou, sentindo sua cabeça dar voltas. Quem era Aaliah? E pelos deuses, o que Eurin estava fazendo ali?
-Ahn! Vocês se conhecem? –Aaliah perguntou hesitante, notando o olhar trocado entre os dois.
-Pensamos que estivesse morto; Eurin falou, aproximando-se com cautela, apenas para ter certeza de que era realmente ele.
-Eu estava; Afrodite respondeu. –Mas Harmonia me trouxe de volta; ele respondeu com simplicidade.
-A filha de Afrodite? –Eurin perguntou arqueando a sobrancelha incrédula, mas assustou-se ao vê-lo assentir. –E o que quer aqui? –ela perguntou seca, um brilho frio passou por seus orbes.
-Como se você não soubesse; ele rebateu, mas viu-a abrir a boca para contestar, mas ergue a mão, pedindo que ela se calasse. –Mas antes que você pergunte onde estão meus bons modos, eu lhe respondo. Desejo ver Aimê;
-Não será possível; Eurin respondeu, desviando o olhar para Aaliah.
Embora fosse uma garota geniosa que gostasse de desafios, por vezes madura de mais para sua idade, via no olhar dela o quanto estava assustada. Ainda mais ao notar a semelhança dela com o cavaleiro que a abordara.
-Eurin, respeito-lhe como a ótima mestra que me foi, mas não tente me impedir de ver Aimê; Afrodite falou, serrando os orbes azuis de forma perigosa.
-Tia Eurin, quem é ele e o que quer com a mamãe? –Aaliah perguntou aflita.
-Mãe? –Afrodite perguntou surpreso, voltando-se para a jovem.
-Sim Filipe, Aaliah é a filha de Aimê; Eurin respondeu da forma mais gelada possível.
Sentiu um forte nó formar-se em sua garganta e o chão sumir a seus pés. Respirou fundo fechando os olhos e tentando acalmar-se. Era obvio que ela continuaria a viver, não seria egoísta a ponto de pedir-lhe isso, tanto que quando partira, a única coisa que pedira fora que quando as guerras acabassem que se encontrassem ali, não que deixariam de viver nesse meio tempo.
-Entendo, mande lembranças a ela por mim, espero que ela esteja feliz; Afrodite falou de tal forma que as palavras pareceram entalar em sua garganta, obrigando-o a fazer um esforço sobre-humano para pronunciá-las. –Srta Aaliah, me desculpe por assustá-la, com licença; ele falou, tomando o caminho que fizera para chegar ali.
-Tia; Aaliah chamou, com os orbes amendoados marejados. –Ele-...; Ela não terminou, vendo apenas Eurin assentir.
-Vá pra casa, conversamos depois; Eurin mandou, enquanto tomava o caminho que o cavaleiro fizera.
-Mas...;
-Faça o que mandei, conversamos depois; ela falou já sumindo das vistas da jovem.
Aaliah respirou fundo, virou-se para tomar o caminho da segunda saída do Vale das Flores, mas voltou-se para o que Eurin fizera, a tia não estava mais em suas vistas. Não poderia perder a oportunidade de saber quem era realmente aquele homem que lhe abordara e qual a relação dele com sua mãe, embora intimamente, já soubesse qual era.
-o-o-o-o-
-Filipe; Eurin chamou, tentando detê-lo, porém o cavaleiro acabara de destravar o alarme do carro e as portas.
-É Afrodite, Eurin, somente Aimê me chamava de Filipe; ele falou com a voz tão cortante quanto os espinhos de suas tão preciosas rosas.
-Afrodite; Eurin repetiu, ofegante pela corrida. –Precisamos conversar;
-Creio que não será possível, estou indo embora; ele falou, praguejando mentalmente a queda da temperatura, que o fez ter de abrir o porta-malas para pegar uma blusa antes de seguir seu caminho.
-Mas é preciso; ela insistiu. Vendo-o bater a porta com irritação e voltar-se para ela.
-Pra quê? –Afrodite perguntou ferino. –Pra você ressaltar mais uma vez que a melhor escolha que sua irmã poderia ter feito é seguido sua vida e casado-se com alguém que lhe desse estabilidade, do que com um cavaleiro que possivelmente não sobreviveria muito tempo em campo de batalha?
-Aimê morreu Afrodite; ela falou tentando aparentar uma calma que não tinha.
Afrodite encostou-se no carro para não cair. Era como se o tempo houvesse parado e seu coração quebrado-se em infinitos fragmentos. Foi com muita dor que se deu conta do porque estar sentindo-se tão inquieto nos últimos dias e o pior, o porque de ter aquela necessidade de voltar que não lhe dava paz.
Encostou-se no carro, deixando-se escorrer até o chão, sentando-se em seguida. Intimamente preferia ter ouvido de Eurin que ela casara-se e era feliz ao lado do marido e da filha, não que ela não estivesse mais caminhando entre eles.
Fechou os olhos clamando aos céus que aquilo não fosse verdade, que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto, mas sabia que Eurin nunca brincava, nem em tempos de paz e alegria ela brincava e com algo tão sério ela não faria o mesmo.
Sentiu um rastro quente de lagrimas correr por sua face, viu a sombra de alguém sentar-se a seu lado, ergueu parcialmente a cabeça notando que era Eurin, a amazona tinha um olhar perdido.
-Diz pra mim que é mentira; ele pediu, suplicante.
-...; Eurin negou com um assentimento.
Surpreso, viu os olhos da mestra marejarem, vertendo lagrimas amargas e cristalinas numa mistura de dor e saudade. Não era necessário dizer mais nada, não era mentira, por mais difícil que fosse de aceitar, não era mentira.
Afrodite encostou a cabeça sobre a lataria fria do carro, a jovem a seu lado esperava paciente e em silencio que ele se acalmasse. Sentia o quão seu cosmo esta perturbado, tão ou mais do que o seu, embora tivesse sido a muito tempo, lembrava-se de como foi difícil amparar Aaliah diante de toda aquela situação, não duvidava de que tudo que sentira na época com a perda da irmã, o cavaleiro sentia-a agora com um impacto redobrado.
-Quando? –Afrodite perguntou num sussurro, mantendo os olhos fechados.
-Quinze anos depois que partiu; Eurin respondeu.
Afrodite abriu os olhos surpresos, se não estava enganado, essa data coincidia com a invasão ao santuário pelos cavaleiros de bronze e sua morte, lutando contra o cavaleiro de Andrômeda.
-...; Entreabriu os lábios como se fosse perguntar algo, mas as palavras simplesmente não sabiam.
-Foi depois de saber que você havia morrido; ela respondeu, sabendo o que ele iria perguntar.
Respirou fundo, era melhor mesmo conversarem; ele concluiu. Levantou-se do chão, estendendo-lhe a mão. Eurin o olhou confusa, mas aceitou.
-É melhor conversarmos lá dentro; ele falou, apontando para a casa.
Eurin assentiu, lembrava-se de quando a irmã levara varias vezes Aaliah ainda bebe para visitar o Vale. Henri e Estela sempre as deixavam entrar no casarão, onde Aimê mostrava a Aaliah a face bem moldada do pai, cujo retrato ao lado da família ainda deveria estar na sala principal.
Afrodite abriu a porta do carro, retirando do porta-luvas a chave da casa, que Henri e Emilia lhe deixaram. Sempre que podiam trocavam as fechaduras por medidas de segurança e enviavam ao santuário uma copia em seu nome, mesmo que soubessem que ele possivelmente não receberia, mandavam mesmo assim, até que se surpreenderam ao receberem a pouco menos de dois meses uma resposta do cavaleiro, agradecendo-os por terem feito isso todos os anos e que em breve os veria de novo.
Travou o carro, indo em direção a casa. A entrada era tão bela quanto o interior. O telhado estava bem cuidado, impedindo goteiras. Na frente existia um dec de madeira, agora sem as belas cadeiras de vime que o enfeitavam e serviam de descanso a visitantes e moradores daquela casa de sonhos. Dos seus sonhos; ele pensou.
-Ahn! Aquela menina...; Afrodite começou, virando-se para Eurin antes de abrir a porta.
-Aaliah; Eurin falou.
-...; O cavaleiro assentiu, tremulo. –Não é melhor ela entrar, pode ser perigoso ficar ai fora, parece que vai chover; ele comentou apontando para o céu.
-Não se preocupe, Aaliah já foi pra casa e ela também sabe se cuidar; Eurin respondeu de forma enigmática.
Afrodite assentiu silenciosamente. Observou o molho de chaves que tinha em mãos, não precisou pensar muito para saber qual delas abriria a porta principal notou que entre todas prateadas só existia uma dourada. Pegou-a colocando na fechadura. A mesma estralou um pouco devido à pressão empregada por ele para abrir o fecho, mas logo cedeu.
Empurrou a porta devagar, abrindo caminho. A casa estava completamente escura. Passou a mão na parede a seu lado, encontrando o interruptor principal. Acendeu-o. Todas as luzes dos corredores e salas acenderam-se de uma vez. A casa ficou completamente iluminada naquele pavimento.
Afrodite entrou, sendo seguido por uma Eurin completamente fascinada. Embora já houvesse acompanhado Aimê até lá, nunca entrara até aquele dia, não achara certo interromper aqueles momentos da jovem com Aaliah e quando foi até lá, não importou-se em reparar em nada; ela pensou, lembrando-se que a única coisa que aquela casa lhe lembrava era da irmã, era onde Aimê passava horas contando sobre ela e o cavaleiro, a historia que viveram e os planos que fizeram.
Fechou os olhos momentaneamente, deixando uma lagrima cair. Lembrou-se do olhar de Aaliah ao dar-se conta de que todos os planos que Aimê lhe contara, sobre o conto de fadas que ela e o pupilo viveram nunca se concretizaria.
-Ainda sinto a presença aqui; Afrodite falou, tirando-lhe de suas lembranças.
O cavaleiro deixou seus olhos correrem pelo hall de entrada. Quadros, tapeçarias, lustres e luminárias, tudo estava como se lembrava. A sua direita a entrada para a sala principal, à esquerda das escadarias que levariam aos quartos e o corredor para os fundos e a cozinha.
Optou por ir pela direita, o assoalho de madeira estalou com seus passos, mas continuavam intactos e bem cuidados. Passou por uma porta já aberta, descendo três pequenos degraus. A sala também estava escura, procurou pelo interruptor na parede, mas ao encontrá-lo notou que as lâmpadas não acendiam.
-Deve ter queimado; ele ouviu Eurin comentar atrás de si e assentiu.
-Vou abrir as janelas; ele avisou.
Encaminhou-se até as mesmas tomando o cuidado para não acertar a perna em lugar nenhum e acabar por se machucar. Encontrou-as por fim, tateando as paredes às cegas.
Eram pesadas e grosas as cortinas de veludo, sempre se perguntou porque veludo. Lembrou-se que desde pequeno quando seus pais ainda viviam, sua mãe nunca permitira que alguém trocasse suas tão preciosas cortinas de veludo vermelho, sempre afirmando que para uma sala como aquela, tão tradicional e rústica, não merecia nada mais fino e de pouca resistência que destruísse a harmonia do ambiente, impedindo assim qualquer um de se aproximar daquelas cortinas para mudá-las de cômodo ou tirá-las dali definitivamente.
Eram pesadas, mas nada que não pudesse mover; ele pensou, movendo-as para os lados. Deixando a mostra as grandes janelas que chegavam quase ao teto. Os vidros estavam impecavelmente limpos e de onde estava pode vislumbrar os montes gelados ao longe. Sempre gostara daquela vista, era algo indescritível.
Virou-se para Eurin notando o olhar dela sobre o aparador da lareira. Ergue os olhos vendo o quadro onde estavam retratados a si e seus pais. Mas o que mais lhe chamou a atenção não foi isso e sim o que havia sobre o aparador.
-Rosas; ele comentou aproximando-se intrigado.
-São de Aimê pra você; Eurin respondeu com o olhar perdido.
-O que? –o cavaleiro perguntou surpreso.
Estavam perfeitamente alinhadas em um vaso de porcelana. Eram rosas vermelhas incrivelmente belas e vivas, seu aroma era extasiaste; ele pensou, pegando uma de dentro do vaso.
-São rosas eternas; Eurin respondeu, sentando-se em uma das poltronas que estavam no meio da sala entre os três sofás que formavam um 'U' no centro.
-Rosas eternas? –ele perguntou olhando atentamente para a rosa, sentando-se no sofá ao lado dela.
-Pouco antes de receber a noticia de que você tinha morrido ela começou a desenvolver um novo tipo de rosa, diferente das rosas piranhas, rosas sangres e mortais que vocês já haviam desenvolvido no decorrer do treinamento. Essas eram especiais, ela queria uma rosa eterna. Uma que pudesse deixar aqui e que sobrevivesse até você voltar; Eurin explicou.
-Mas...;
-E ela conseguiu como pode ver, essas rosas estão ai a mais de quatro anos; ela completou.
Afrodite assentiu concordando, sentia um cosmo cálido vindo da rosa, não era preciso muito para reconhecer aquela ultima centelha que o fizera voltar. Ela não partira completamente até que tivesse certeza de que ele voltaria. E ele voltou, um pouco tarde... Mas voltou e era isso que importava.
Respirou fundo, havia uma coisa que precisa perguntar, apenas não sabia como colocar em palavras; ele pensou, desviando suas atenções da rosa para a amazona a seu lado.
-Ahn! Eurin, Aaliah, ela bem... Ela é-...;
-É; a amazona o cortou. –O equilíbrio perfeito entre você e Aimê; ela respondeu calmamente, ele poderia jurar que vira um meio sorriso nos lábios da amazona, mas da mesma forma que surgiu, desapareceu... Rapidamente.
-Mas ela nunca-...; Ele não completou, sentindo-se completamente perdido.
-O que quer saber é porque ela nunca lhe procurou para dizer que estava esperando um filho seu? –Eurin perguntou, notando que ele não conseguira completar suas frases muito cedo.
-...; Afrodite assentiu.
-Desde o começo ela tinha consciência da missão que tanto ela como você aceitaram. Tornar-se cavaleiro e amazona não era algo fácil, você bem o sabe, mas existem coisas que não podemos impedir, da mesma forma que ela não lutou contra os sentimentos que sentia por você, mesmo sabendo que não deveria senti-los;
Afrodite ficou em silencio, esperando-a continuar.
-Ela te amava, e não duvido que não importa onde ela esteja ainda o continue amando, mas Aimê sabia que logo as guerras iriam começar, prova disso era a imensa concentração de cosmos que começava a reunir-se no santuário. O ambiente era tenso e pesado, todos já esperavam que com os sagrados cavaleiros de ouro reunindo-se, logo Athena reencarnaria e as guerras começariam. Aimê não queria envolver Aaliah nesse ambiente, ela queria lhe contar mais do que qualquer coisa, mas não queria que você deixasse de lado suas obrigações para com Athena para voltar e tentar ter uma vida normal ao lado dela, enquanto o resto do mundo tornava-se um inferno;
-Mas...; Ele foi contestar, porém ela o cortou.
-Aimê descobriu que estava grávida dois meses depois que você partiu, ela só me contou quando voltei do santuário; Eurin continuou. –Eu pedi que ela se mudasse para Visby e se desligasse completamente da vida de amazona, ela sempre desejou ser uma amazona, mas tinha consciência de que colocaria tanto a vida de Aaliah como a dela em risco por se exceder; Eurin explicou.
A amazona respirou fundo, recostando-se melhor na poltrona, antes de continuar.
-Como você mesmo notou, ainda da pra sentir a presença dela aqui, ela vivia no centro quando Aaliah nasceu, mas quando Aaliah completou um ano, Henry e Estela pediram que ela viesse morar aqui, onde poderiam ajudá-la. Você sabe, Aimê nunca quis usar do dinheiro da família para se sustentar, nem depois que nosso pais morreram. Então, como tinha de trabalhar, acabou por vir para cá, de manhã Estela cuidava de Aaliah e o resto da noite e tempos livres elas ficavam juntas;
-Eles nunca... Nunca me contaram; Afrodite falou, lembrava-se que nos primeiros anos no santuário sempre ligava querendo saber das coisas. Mas Estela e Henry apenas diziam que tudo estava bem e que ele não deveria se preocupar, nunca lhe contaram.
-Aimê pediu isso a eles; Eurin respondeu. –Depois de alguns anos você deixou de ligar e ela deixou de ter noticias suas, até que um dia Henry e Estela receberam um comunicado de Athena, digo, Saori Kido, contando sobre as coisas que ocorreram no santuário, deixando seu pesar pelos acontecimentos e avisando de sua morte;
-E o que aconteceu depois? –ele perguntou hesitante.
-Aimê já estava doente, naquele inverno havia pegado um resfriado muito intenso e que acabou evoluindo para algo pior. Não havia muito o que fazer. Depois chegou a carta do santuário. Henry e Estela não tiveram como esconder, mesmo porque, quem recebera a carta fora Aaliah, que correu e entregou a ela. Não sei, mas ela parecia já saber de algo, pois uma semana antes havia melhorado um pouco e justamente naquela semana que recebeu a noticia piorou muito, ficando abatida, sem se alimentar direito e não conseguindo nem levantar da cama;
-...; Afrodite respirou fundo, e acenou pedindo que ela continuasse.
-Ela ficou muito mal, no dia seguinte ao recebimento da carta, ela parecia estar fazendo um grande esforço pra parecer bem perto da Aaliah, até levantou-se e levou Aaliah até o vale, passaram o dia todo lá, conversando. Henry e Estela disseram que ela parecia estar se despedindo; Eurin falou, enxugando nervosamente uma lagrima que cairá de seus olhos. –Naquela noite ela faleceu, eu estava em Gothland quando senti o cosmo dela se apagar, vim correndo, mas não deu tempo, já era tarde;
-E Aaliah? –Afrodite perguntou, respirando fundo. Sentindo os olhos começarem a arder novamente.
-Ficou muito triste, ela e Aimê sempre estiveram juntas em tudo, dificilmente ficavam muito tempo separadas, ela sentiu de mais a perda de Aimê, mas já tinha os conceitos sobre cosmos e missões, sabia que o cosmo dela sempre estaria presente e que nunca a abandonaria. Mas foi difícil, Aaliah começou a procurar coisas para ocupar a cabeça e simplesmente não pensar, ou era estudando ou cuidando das rosas no vale. O que levou-a a começar a fazer faculdade de botânica; Eurin falou.
-Botânica; Afrodite comentou com um meio sorriso. –Aimê vivia me falando que se um dia tivesse oportunidade faria botânica, ela dizia que não havia graça em criar rosas sem saber o porque delas existirem;
-...; Eurin sorriu, bem típico da irmã; ela pensou. –Vai ficar muito tempo? –a amazona perguntou, querendo mudar um pouco de assunto.
-Não sei, preciso colocar a cabeça em ordem; ele falou, suspirando cansado, passando as mãos pelos cabelos.
-Está certo, se quiser conversar, estou vivendo no centro, acho que você ainda se lembra aonde é a casa do governador; ela comentou, vendo-o assentir. –É na mesma rua, não é difícil de achar, mas o endereço e o telefone estão na cozinha, Estela sempre deixa um caderninho de endereços lá;
-...; Afrodite assentiu, levantou-se seguindo-a até a porta. –Acho que vou ficar mais um tempo por aqui; ele comentou.
-Só não se esqueça que não se pode mudar o passado e lembranças só são boas quando não nos tentam puxar para o fundo do poço; ela comentou de forma enigmática.
Afrodite ficou em silencio, seguiu com ela para fora da casa, só agora notando a presença de outro carro ali, virou-se para Eurin que apenas acenou se afastando. Balançou a cabeça, se não houvesse reconhecido seu cosmo nunca diria que aquela amazona geniosa e tão fria quanto um ice barg era a mesma que estava conversando consigo. Tão parecida com Aimê e tão deferente ao mesmo tempo.
Lançou um olhar demorado a casa. Agora não conseguiria mesmo se afastar de lá. Suspirou resignado, lembrando-se que ouvira muitas vezes uma frase interessante de Henry quando ele planejava fazer algo e não saia exatamente como queria.
-"O que o homem propõe, Deus dispõe"; ele pensou, balançando a cabeça conformado. –"Nesse caso, Deuses, ou as Deusa do Destino"; Afrodite concluiu, abrindo o porta-malas para pegar suas coisas, precisava ainda ver se a linha de telefone de lá de dentro ainda estava funcionando para cancelar a reserva no hotel.
Entrou de novo em casa, lá fora grossos pingos de água começavam a lavar o chão. Fechou a porta, começando a subir as escadas em direção aos quartos. Estancou no ultimo degrau, poderia ser sua imaginação, mas conseguia ouvir o som abafado de choro, olhou para os dois lados do corredor dos quartos e nada. Deixou as malas no chão, seguindo apenas seus instintos.
Parou em frente a uma porta, ela estava fechada, mas o som vinha de dentro dela. Girou a maçaneta abrindo-a. Observou surpreso quem estava sentada sobre o beiral da janela, com um porta-retratos preso entre os braços, tentando abafar o choro.
-Aaliah; ele chamou com cautela.
A jovem pareceu se assustar, virando-se rapidamente para ele. Sabia que ela deveria estar se sentindo tão ou mais perdida do que ele por saber de uma hora para outra que o pai estava vivo, da mesma forma que ele estava tentando se acostumar com a idéia de que agora tinha uma filha adolescente.
A jovem deixou o porta-retratos sobre o beiral, correndo até ele. Afrodite fechou os olhos, sentindo-a abraçá-lo, retribuiu o gesto, sentindo-a aconchegar-se entre seus braços e chorar.
Pelo menos agora teriam todo o tempo para conversarem; ele pensou, afagando-lhe as melenas, esperando-a se acalmar.
Continua...
Bom pessoal, acho que esqueci de mencionar uma coisa no capitulo passado, mas falo aqui, é rapidinho. Visby é realmente conhecida como a cidade das rosas, isso não é uma informação fictícia para justificar a existência do Vale das Flores, mas confesso que foi uma feliz coincidência. Pois o Vale das Flores já existia antes de eu escolher o local de treinamento do Afrodite e a cidade que ele possivelmente teria vivido com os pais antes de se tornar cavaleiro.
No mais, por enquanto é só isso. Ah! Se vocês acharam interessantes a cena entre Shaka e Aaliah no capitulo passado, preparem-se, ainda vai rolar muita coisa entre esses dois. E vocês vão ver que o Karamada foi modesto ao descrever a personalidade do 'Homem mais próximo de Deus', mas não vou estragar a surpresa, é claro.
Mais uma vez obrigada a todos que tem acompanhado minhas fics, e que perdem um pouquinho do seu tempo comentando. Valeu mesmo pessoal, fico super feliz e é muito importante pra mim saber a opinião de vocês sobre o que escrevo.
Agora tenho que ir, mas logo estamos ai de novo com mais um capitulo.
Kisus
Já ne...
