Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas Aimê e Eurin são criações únicas e exclusivas minhas.
Boa leitura!
Capitulo 6: Há tanto tempo que eu deixei você.
I – Começo de um Inferno.
Um mês depois...
A noite fora péssima, aliás, suas ultimas noites vinham sendo assim. Viu o sol nascer da janela do quarto, mais um dia de treinamentos; Filipe pensou com pesar.
-Flor; alguém chamou batendo na porta.
Bufou irritado, ao reconhecer a voz de Aimê a lhe chamar, com os apelidos infames da mesma.
-"Garota insuportável"; ele pensou serrando os punhos.
-Florzinha, hora de levantar; ela continuou, com um sorriso maroto.
-"Athena, daí me paciência para não matá-la até o final do dia"; ele pensou, com os punhos serrados.
Levantou-se da cama irritado, como todas as amanhãs. Abriu a porta num rompante, lançando um olhar entrecortado a jovem.
-Eu-já-vou; Filipe falou pausadamente.
-Bom dia; Aimê falou e ele sabia que ela sorria por baixo da mascara.
-O que quer? –ele perguntou, seco.
-Ahn, sua vez de fazer o café; ela falou casualmente.
Filipe serrou os punhos de forma nervosa, contando até dez para não perder a paciência.
-Eu já vou; ele repetiu, entrando novamente no quarto, batendo a porta em seguida.
Aimê observou a porta fechar-se com a sobrancelha arqueada. Estava começando a detestar aquele cara. Ele não perdia a paciência tão fácil quanto sua irmã e isso não era legal; ela pensou.
Afastou-se, indo para a cozinha, arquitetando mais um de seus planos para fazer a irmã e o aprendiz de cavaleiro surtarem até o final do dia.
-o-o-o-o-
Respirou pesadamente, passando a toalha sobre a face para retirar a umidade. Fora um dia cansativo. Eurin não lhe dera um minuto de descanso, fazendo-o treinar golpes físicos de defesa e ataque, embora a mestra houvesse lhe dito que suas técnicas eram somente voltadas para a criação das rosas. Aprender a lutar era um padrão básico de treinamento e defesa pessoal.
Entrou em casa indo diretamente para o banheiro. Precisava de um banho, com urgência; ele pensou irritado, por sentir o corpo todo impregnado de poeira.
Atrás da casa em que os três viviam, havia um lago à esquerda e a direita, existia uma espécie de campo em miniatura, onde eles treinavam. Ainda se perguntava se no final, não ficaria alérgico por causa de tanta poeira.
II – Pequeno Deslize.
Abriu a porta do quarto, olhando para os dois lados do corredor. Ninguém a vista; Aimê pensou. Jogou a toalha felpuda sobre o ombro e saindo do quarto. Encostou a porta silenciosamente para não acordar ninguém.
Desceu as escadas, observando o relógio no centro da sala. Eram quase duas da manhã, ela observou. Deveria ser louca mesmo, como Eurin vivia repetindo, sair para nadar aquelas horas; Aimê deu de ombros sem se importar com isso, já tornara aquilo parte da rotina.
Saiu pela porta da cozinha, indo em direção ao lago. Observou encantada os vaga-lumes sobrevoarem a água iluminando todo o local. Aproximou-se da beira, deixando os pés descalços tocarem a superfície da água.
-Gelado; ela murmurou, sentindo os pelos do braço se eriçarem.
Dobrou a toalha colocando-a no chão, aonde não fosse molhar. Olhou para todos os lados, certificando-se de que não havia mesmo mais ninguém ali. Retirou a mascara, deixando sobre a toalha. Agora, vestia-se apenas com o maiô comum de treinamentos.
Respirou fundo, lançando-se de encontro às águas. Precisava realmente relaxar. Afinal, irritar Eurin e Afrodite não era um trabalho fácil e ainda no meio tempo, ter de treinar. Extremamente cansativo; ela pensou, com um meio sorriso divertido, enquanto mergulhava.
-o-o-o-o-
Suspirou cansado, estava sem sono. Andando pelo meio do mato, àquelas horas da madrugada; Filipe pensou. Enquanto retornava para a casa, se Eurin ficasse sabendo que durante as noites que não tinha sono, saia de casa para dar uma volta pela região, ela ficaria uma fera.
Estava já no quintal da casa, dirigindo-se até a beira do lago. Parou, com um olhar desconfiado. Viu quase na margem do lago uma toalha e uma mascara, perguntou-se intimamente quem seria que estava ali. Era obvio que era uma amazona, mas quem. Aimê ou Eurin?
Queria resistir a vontade de saber quem estava ali e se aproximar, lutou bravamente por isso, mas a curiosidade foi maior; ele concluiu, dando de ombros, vencido.
Aproximou-se sorrateiramente. Viu no meio do lago, de costas para si, uma bela meliade de cabelos esverdeados que caiam pelas costas. A pele alva do ombro estava levemente iluminado pela luz da lua, que banhava boa parte da lagoa.
Ainda não estava com o cosmo suficientemente desenvolvido para distinguir as duas, mas resolveu arriscar, o mínimo que levaria era uma bronca seguida de uma bela surra se fosse Eurin, mas se fosse Aimê, poderia ser interessante.
-Aimê; ele chamou, um tanto quanto incerto.
A jovem engoliu em seco, imediatamente sentindo todos os músculos do corpo se enrijecerem. Não era possível que mais alguém estivesse ali, tinha se certificado disso, mas o que ele estava fazendo ali? –ela pensou desesperada, por ser pega sem mascara.
-Afrodite? –ela perguntou, intimamente desejando que fosse só sua imaginação e que ainda estava sozinha.
-O que esta fazendo aqui? –Filipe perguntou, curioso.
-"Por Zeus é ele"; Aimê pensou, lançou um olhar de esguelha para trás, vendo a sombra do cavaleiro projetar-se sobre a toalha e a mascara.
-É melhor não se virar; Filipe falou prontamente, dando-se conta de que era realmente ela. Olhou para a mascara e a toalha. – Vou me virar e você coloca a mascara, tudo bem? –ele perguntou incerto.
-...; Aimê assentiu.
O cavaleiro virou-se de costas, lutando contra aquele mesmo impulso de curiosidade, para vira-se e vê-la colocar a mascara, mas sabia que não era certo. Eram regras que as amazonas tinham de cumprir e sabia perfeitamente o que acontecia se visse uma sem mascaras.
-Pronto; ouviu a jovem murmurar atrás de si, mas ainda manteve-se de costas.
-O que estava fazendo aqui? –ele tornou a perguntar.
-Nadando, o que mais eu estaria fazendo aqui? –ela rebateu, enquanto saia da água, passando a toalha sobre os cabelos molhados.
-Há essas horas? –Filipe perguntou, arqueando a sobrancelha, incrédulo.
-Desde quando se preocupa tanto comigo, Dite? –ela perguntou de forma provocante, num sussurro atrevido, ao pé do ouvido.
Mal notara quando ela se aproximara, também pudera, ainda não conseguia sentir os cosmos, mas mesmo assim; ele recriminou-se intimamente por não estar prestando atenção nas coisas a sua volta.
Engoliu em seco, ao virar-se para trás e dar de cara com Aimê. Fitou-lhe com um olhar intenso, dos pés a cabeça. Viu a jovem aproximar-se mais, enquanto recuou alguns passos, encontrando uma árvore como resistência.
-E por falar nisso, você não deveria estar aqui; Aimê continuou, ficando frente a frente com ele, que seus rostos quase se tocavam, se não fosse pela mascara de prata.
-Você também não; ele rebateu, tentando não demonstrar que aquela proximidade lhe perturbava. Literalmente estava entre a cruz e a espada. A detestava desde que a conhecera, mas agora sua presença era embriagante, que lhe fazia perder o raciocínio lógico.
-Sei me cuidar sozinha; ela respondeu, com ar de superioridade.
-Ah sabe? –Filipe perguntou com ar quase indignado, instintivamente tocou-lhe a lateral da face, desprovida de prata. –Diz isso só por estar de mascara; ele completou, dando um passo a frente, vendo que agora era ela a recuar.
-Besteira; Aimê rebateu, querendo se afastar, porém arregalou os olhos surpresa, ao senti-lo enlaçar-lhe pela cintura, aproximando-se ainda mais.
-Não diria exatamente isso; Filipe falou, com um olhar entretido para a mascara. Era como se pudesse ver alem dela. Deixou os dedos correrem pela lateral da face da jovem, encontrando facilmente a junta da mascara.
Sabia perfeitamente que daria a ela todos os motivos para matá-lo, mas não podia mais ignorar aquela curiosidade. Não agora que ela estava ali tão perto.
A detestava, sim... Não negava, mas existia algo mais que ainda desconhecia e o impulsionava a continuar.
-Não ouse; ela falou com a voz tremula. Retendo-lhe a mão. Queria se afastar, sair dali o mais rápido possível, para que aquilo não acontecesse, mas simplesmente não conseguia se mover.
-Fico imaginando se você só é petulante assim porque usa essa mascara; ele continuou, deixando os dedos descerem até a curva do pescoço, sentindo-a estremecer, um meio sorriso formou-se em seus lábios. –E que se ela cair, poderemos descobrir um outro lado seu, que talvez nem Eurin conheça; Filipe falou com um olhar enigmático.
-Afrodite; ela falou num sussurro tremulo. Fechou os olhos, dando-se por vencida, o detestava, sim... Mas sentia-se rendida entre os braços do aprendiz de forma que nunca pensou sentir-se assim antes. Suspirou resignada, apenas esperando que a mascara caísse, mas não foi isso que aconteceu.
Abriu os olhos surpresa, ao senti-lo se afastar. Fitou-o confusa.
-Mas o que? –ela balbuciou.
-Respeito o dogma das amazonas Aimê, apesar de suas provocações irritantes, eu nunca desceria tão baixo a ponto de tirar-lhe a mascara sem o seu consentimento, mesmo porque, não tenho motivos pra isso; ele respondeu, longe o suficiente para não ouvir a resposta.
-Mas e se eu deixasse; ela falou num sussurro, abraçando-se pelos ombros, voltando seu olhar para o lago, pensando no que acabara de acontecer.
Balançou a cabeça, exasperada. Onde estava com a cabeça pra pensar aquele tipo de coisa? Terminou de tirar o excesso de umidade dos cabelos e voltou para a casa, não demoraria a amanhecer e logo começaria uma nova bateria de treinos, embora ela soubesse que não cairia no sono facilmente.
II – Complicações e Passado.
1 ano depois...
Suspirou cansado, encostando-se sobre o tronco de uma árvore. Deixou-se escorrer até o chão. Fora um dia realmente difícil. Alias, todos os seus dias estavam sendo difíceis, mas estava conseguindo superar isso aos poucos e esforçando-se para fazer o melhor.
Seus momentos de paz eram limitados a quando Eurin não lhe fazia treinar horas a fio, ou Aimê com suas provocações.
Eurin estava lhe pressionando cada vez mais, até agora as únicas coisas que havia dado algum retorno eram os treinamentos físicos. Já desenvolvera a velocidade e agilidade que se equiparavam aos da própria Eurin.
Mas as rosas, ah essas rosas, nenhuma até agora. Seu cosmo já estava se desenvolvendo e com isso a pressão para criar as tão famosas rosas de Afrodite aumentavam cada vez mais.
Eurin fora ao centro da cidade resolver algumas coisas e lhe dera alguns minutos de folga. Minutos, detalhe que não poderia ignorar. Fechou os olhos tentando relaxar sobre a sombra fresca daquela árvore em que se sentara na frente da casa.
-Uhn, sabe, estive pensando uma coisa; alguém comentou, aproximando-se e sentando-se a seu lado.
Ignorando o comentário, tentou cochilar, sabia que vinha mais alguma coisa infame que só o irritaria.
-Se um dia você tiver um filho ou filha, por acaso vai dar o nome de Eros ou Harmonia? –Aimê perguntou com um sorriso divertido nos lábios, por baixo da mascara.
Filipe abriu os olhos, irritado. Preparando-se para levantar.
-Hei, espera; Aimê falou. –Foi só uma pergunta; ela completou com um sorriso inocente.
-Quer saber, se quer provocar a Eurin provoque só a ela, minha vida já é um inferno bem grande sem você para me atormentar; ele berrou, afastando-se. Um ano, exatamente há um ano esse martírio começara.
Aimê arregalou os olhos por baixo da mascara, nunca o vira responder assim a suas provocações, muito menos em meio aos treinamentos. Estranhamente sentiu-se incomodada com isso. Abaixou a cabeça com um olhar triste. Viu-o se afastar para a parte de trás da casa, em direção a lagoa. Levantou-se rapidamente o seguindo.
-o-o-o-o-
-"Droga"; Filipe recriminou-se por ter tido uma reação tão explosiva daquelas, estava tão acostumado a ignorar as provocações de Aimê, que agora estava com a cabeça tão cheia que reagira daquela forma.
Intimamente estava se questionando porque seus pais haviam decidido que ele seria um cavaleiro, isso mesmo, porque? Eles nunca lhe falaram sobre isso e pior, do nada Henry lhe chamava para uma conversa, ao qual lhe explicava sobre os últimos desejos de seu pai.
O que mais queria era uma vida normal. Depois do colégio, fazer uma faculdade qualquer que lhe agradasse. Encontrar uma garota legal e quem sabe e se o destino assim o quisesse, casar-se com ela e ter uma vida normal, mas as Deusas do Destino pareciam ter outros planos para si.
Santo Guerreiro ou como muitas falavam, Santo Cavaleiro. Não via nada de santo em lutar, lutar e lutar. Passar a vida toda esperando por desastres, desgraças e destruições que viriam quando alguma divindade lunática despertasse e simplesmente dissesse 'hora de acabar com o mundo'; ele não pode reprimir o pensamento sarcástico.
Aproximou-se da beira do lago, as águas eram calmas. Suspirou pesadamente ao ver outro reflexo surgir na superfície cristalina, vindo de trás de si.
-Me desculpe; Aimê falou num sussurro, aproximando-se com cautela.
Limitou-se apenas a arquear a sobrancelha. Descrente quanto ao fato dela realmente sentir por aquilo.
-Não queria te irritar daquele jeito; ela continuou, ainda hesitante. Aproximou-se do cavaleiro, mas ao contrario do que ele poderia pensar, ela limitou-se apenas a sentar-se na beira do lago.
-Podem passar anos, mas não vou conseguir lhe entender; Filipe falou com ar cansado, sentando-se ao lado dela.
-Não é difícil se você realmente quiser; Aimê comentou casualmente. Abraçando as pernas e apoiando o queixo sobre os joelhos.
Filipe voltou-se para ela confuso. A única imagem que vira da jovem até agora, era da garota impertinente que apenas lhe irritava e tornara aquele ultimo ano um caos para si e para sua mestra, mas agora ela parecia tão frágil, que intimamente sentia vontade de envolvê-la entre seus braços e fazê-la simplesmente parar de pensar nas coisas tristes que possivelmente estaria pensando. Seu cosmo dizia isso e ele podia sentir.
-Sei que nos detestamos, mas... Ahn, quer falar sobre isso? –Filipe perguntou, hesitante.
-Nunca disse que te detestava; ela confessou, num baixo sussurro. Filipe engoliu em seco, surpreso pela declaração.
-Não é o que demonstrou nos últimos meses; ele comentou, apoiando um dos braços sobre o joelho. Fitando a superfície da água, com olhar perdido.
-O fato de te irritar não quer dizer que eu te deteste; Aimê falou, e ele pode notar um tom de indignação na voz da jovem. –Gosto de irritar a Eurin, ela é séria de mais; ela completou, torcendo o nariz por baixo da mascara.
O cavaleiro riu, conseguia imaginar perfeitamente a expressão da jovem.
-Então me explique Srta, porque gosta tanto de irritar a Eurin? –ele perguntou, provocando. Sabia o quanto ela ficava irritada quando ele se referia a ela assim.
Aimê voltou-se para ele com os orbes serrados, viu o sorriso jocoso nos lábios do pisciano alargar-se ao ver que atingira o ponto certo.
-Estamos empatados, então; Aimê falou, segurando-se para não voar para cima dele e esganar-lhe.
Detestava quando ele usava aquele Srta no pejorativo. Lembrava-se perfeitamente de seus pais lhe tratando como uma bonequinha de porcelana intocada, enquanto sua irmã passava por tudo aquilo; Aimê virou-se novamente, fitando a superfície da água.
-A mana é muito seria; ela repetiu. –Não gosto quando ela age assim, desde que Eurin começou a treinar para ser amazona se tornou uma pessoa muito fria. Na verdade, desde pequena, quando nossos pais avisaram que ela por ser a primogênita seria enviada a Grécia para treinar, ela ficou assim;
-Como? –Filipe perguntou, intrigado.
-Eurin é seis anos mais velha do que eu, embora ainda jovem ela já é mestra; Aimê esclareceu. –Meus pais sempre foram muito conservadores, seguindo aquelas patéticas tradições de que toda mulher ou homem que nascesse primeiro na família seria cavaleiro ou amazona. O que não nos da muitas opções de perspectiva de vida, ou volta com o titulo ou não volta;
-Que absurdo; ele exasperou.
-...; A jovem negou com um aceno. –Sempre foi assim, não vai mudar agora;
-Mas...;
-Quando Eurin voltou para a Suécia, ela saiu da casa dos nossos pais e veio para cá. Sempre que dava, ela passava mais tempo em Atenas do que aqui, já que meu pai direto vinha atrás dela, querendo saber sobre o santuário, quando Athena vai reencarnar, essas coisas; ela falou, gesticulando displicente. – Ele até tentava parecer um pai presente, coisa que nunca foi. Sempre esteve preocupado em cuidar dos negócios da família e viver ostentando a imagem da família perfeita, enquanto dentro dos portões de casa as coisas desmoronavam.
-O que aconteceu depois? –ele perguntou, interessado.
-Quando eu tinha seis anos, avisei que iria começar a treinar. Queria ser amazona. Confesso que não era por causa da imagem de missão gloriosa em defender uma Deusa que salvaria a terra de seus irmãos lunáticos; ela explicou, com um 'Q' meio irônico, ao referir-se à deusa. –Eu queria ficar com a mana, nunca achei justo o que meus pais fizeram a ela, enquanto Eurin passava por todo aquele treinamento horrível eu era tratada como a boneca de porcelana, isso é irritante; Aimê exasperou, serrando os punhos.
-...; Filipe fitou-a com um olhar curioso. Acabara de ter uma curiosidade satisfeita. O porque dela detestar tanto de chamá-la de senhorita. –Bem, já entendi o recado; ele comentou.
-Uhn! Que recado? –Aimê perguntou, voltando-se para ele, confusa.
-O porque de você detestar o Srta; ele respondeu, com um meio sorriso nos lábios.
-Puff; ela resmungou algo que ele não foi capaz de entender.
-Então não somos tão diferentes assim; Filipe comentou, com um olhar perdido. Lançando uma pedrinha no meio da água, fazendo os reflexos ficarem disformes.
-Como? –Aimê perguntou curiosa.
-Só estou aqui por causa do ultimo desejo dos meus pais; ele respondeu.
-Sabe, ainda me perguntou porque as Deusas do Destino foram jogar a gente em meio a famílias tão complicadas; ela comentou divertida.
Filipe não conseguiu evitar o riso. Era sempre assim, era começarem a falar sobre algo sério, ela vinha com alguma coisa do gênero.
-O que foi? É sério; Aimê insistiu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Não disse nada: Filipe defendeu-se, com um sorriso divertido. –Mas me diz uma coisa; ele começou, ficando rapidamente sério.
-O que?
-Seus pais aceitaram bem a sua decisão. Digo, quando você contou que ia treinar para ser amazona com Eurin?
-...; Ela negou com um aceno. –Meu pai disse que isso não era vida para mim, queria que quando eu crescesse fosse modelo, ou qualquer outra coisa inútil que ele considerava padrão de perfeição. Coisas que por sinal eu sempre detestei, ele disse que eu não seria mais da família se fosse bancar a rebelde sem causa. Minha mãe tentou intervir e me convencer a mudar de idéia, mas ai, num certo dia, eles acordaram e eu não estava mais lá. Não me arrependo da decisão que tomei. Depois vim pra cá, treinar com a mana. Já havia pedido a ela que me treinasse e ela aceitou;
Filipe fitou-a com um olhar intrigado, sentia o cosmo dela com uma vibração mais triste do que a anterior, quando ela chegara. Sentia-se completamente impotente, como se aquela sensação não machucasse só a ela, mas a si também, por não poder aplacar aquela dor que ela sentia. Eurin sempre falava que os cavaleiros de ouro eram capazes de cometer milagres, mas não existia nada falando sobre mudar o destino ou o passado triste das pessoas; ele concluiu.
-Me desculpe, não queria lhe incomodar com isso; ele desculpou-se, levantando-se.
-Tudo bem; Aimê respondeu, seguindo-o. –Não me importo mais com isso, gosto de viver aqui;
O silencio caiu sobre eles, mas não de forma constrangedora, como se fossem dois desconhecidos sem assunto. Intimamente, cada um analisava tudo aquilo que falaram.
-Teve um dia que fui com a mana até o santuário; Aimê começou, chamando-lhe a atenção novamente. –Nesse dia, encontramos com Alister, ele parecia ser um cara legal e a mana gosta muito dele, embora não admita;
-Aliste de Peixes? –Filipe perguntou, vendo-a assentir.
-Eurin leva a sério de mais a vida de amazona. Sobre aquilo de matar e amar. Regrinhas infames que eu mesmo mataria o infeliz que as inventou, se soubesse quem foi o idiota; ela falou, serrando os punhos, como se pudesse visualizar o distinto levando uma surra de si.
-Bem... Você está a alguns séculos atrasada; ele brincou.
-É; Aimê respondeu, dando um suspiro cansado. –Mas às vezes é bom pensar um pouco que as coisas poderiam ser diferentes. Vejo isso pela Eurin, imagino que ela tenha sempre sonhado com uma vida normal, mas de repente, isso rui com a noticia de que ela deveria se tornar uma amazona. Por isso vivo provocando-a. Na maioria das vezes ela é séria de mais, muito fechada e fria. Não gosto quando ela faz isso, tais sentimentos só fazem as pessoas parecerem menos humanas, como não posso mudar o que já foi decidido, tento ao menos fazer ela sair da rotina;
Filipe assentiu, entendendo o ponto que ela abordara. Realmente, a mesma só mostrava algum sentimento quando estava com Aimê, que ela se permitia ser um pouco mais emotiva e porque não dizer, mais explosiva.
-Sei que a mana nunca vai admitir que gosta do Alister, é uma pena. Mas seria legal vê-los juntos;
-Quem sabe um dia isso aconteça. Quando o mundo não estiver mais nessa Era de guerras; ele comentou, com um olhar perdido.
-Acredita mesmo que esse dia pode chegar? –Aimê perguntou, interessada.
-Não; Filipe respondeu com simplicidade. –Mas é a única esperança que resta para eu me apegar. Agora não tenho nada a perder, ou me torno cavaleiro ou morro tentando, então. Se um dia as coisas se acalmarem, digamos que será um bônus extra para todos que 'escolheram' o mesmo caminho que o nosso; ele completou, com um 'Q'zinho de ironia.
A jovem fitou-o com um olhar intrigado. Desde que ele chegara, adotara uma opinião completamente oposta da que tinha agora sobre o aspirante.
Sentia o ar de veneração da irmã sobre ele. Embora Eurin não admitisse, sabia perfeitamente que ela o treinaria para ser a sua bonequinha de porcelana, mais um cavaleiro petulante para a ordem. Sem contar que seria narcisista e egocêntrico, características que detestava em alguém.
Embora ele tivesse a face angelical, sabia que até o final do treinamento ele se tornaria o mais perverso dos demônios. Criar rosas piranhas, sangrentas e mortais não seria fácil. Requeria muitos fatores que implicavam no grau de dificuldade para o treinamento. As intenções de Eurin eram claras, surpreender a todos com um cavaleiro arrogante que cria rosas e mata com elas.
Lançou um olhar triste ao cavaleiro. Filipe voltou-se para ela incomodado, como se fosse capaz de sentir aquele olhar.
-O que foi? –ele perguntou.
-Nada; ela falou, balançando a cabeça.
-Não é o que parece; Filipe insistiu, virou-se para ela, deparando-se com a face inexpressiva de prata. Sentiu uma veinha soltar-lhe discretamente na testa. Não sabia ao certo o porque, mas não conseguir enxergar as expressões da jovem e seus olhos por causa daquele empecilho, lhe irritava mais do que as provocações dela.
-Não é nada, já disse; ela rebateu, impaciente.
Filipe abriu a boca para contestar, quando ambos voltaram-se para trás. Sentindo a presença de alguém se aproximar.
-Afrodite; Eurin chamou, fazendo o cavaleiro serrar os punhos e Aimê rir. –Aimê, venham comigo; ela mandou.
Mais uma bateria de treinamentos iria começar. Os dois concluíram, suspirando cansados por antecipação.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim, sinceramente espero que estejam curtindo essa fic. Filipe e Aimê ainda vão ter muita história pela frente, preparem-se para conhecer um lado desse cavaleiro que vocês nunca viram antes.
Antes de ir, deixo meus mais sinceros agradecimentos a todos que acompanham essa fic e um obrigada especial a Saory-san, Margarida e Flor de Gelo, pelos comentários super carinhosos no capitulo passado.
Até mais pessoal
Kisus
Já ne...
