Domo pessoal

Antes de começar o capitulo, tenho apenas um recadinho para dar. Esse é um capitulo essencial para serem entendidas algumas coisas que vão aparecer em Ariel a partir do capitulo 22.

Para aqueles que estão acompanhando aquela fic, sabem que o antigo cavaleiro de Peixes esta de volta, com isso muitas coisas do passado vão ser reveladas.

Para um melhor entendido sobre a relação dele com a mestra de Afrodite, esses pequenos trechos que serão lembrados em Ariel, as cenas entre Eurin e Alister apareceram em Vale das Flores com uma descrição maior, já que em Ariel, elas poderão aparecer muito rápido, ou em flash back, isso ainda não esta definido.

Bom, qualquer duvida só perguntarem, mas como disse antes, agora a historia de Afrodite esta sendo melhor definida, tudo referente a seu passo, possivelmente só tenha mais três capítulos referentes a isso e a fic volta ao tempo normal, em que ele e Kamus estão conversando.

Agora, vamos ao que interessa...

Sinceramente espero que gostem do capitulo.

Boa Leitura!

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Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aimê, Eurin e Alister são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

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Vale das Flores.

Capitulo 7: Fui Chorando de Saudade.

I – Uma Estranha Viagem.

2 anos depois...

Suspirou impaciente, passando a mão de maneira nervosa pelos cabelos, Eurin falava cada vez mais coisas sobre como proceder naqueles três dias que ela se ausentaria.

Não sabia ao certo o que a irmã iria fazer no santuário, embora intimamente desconfiasse que ela iria para qualquer lugar, menos para a Grécia, mas enfim, Eurin lhes falava sobre a rotina de treinamentos que deveriam seguir e o que deveriam fazer se tivessem algum problema.

-Já entendi, agora você pode ir logo; Aimê falou, revirando os olhos por baixo da mascara.

Filipe apenas engoliu o riso, já esperando pela explosão da mestra.

-E você, não arranje confusão, eu saberei se o fizer; Eurin falou, tentando manter-se calma.

-Que seja; Aimê deu de ombros.

-...; Eurin respirou fundo. –Afrodite, quero que faça algo pra mim, nesse meio tempo; ela começou.

-O que deseja, mestra? –o aspirante perguntou.

-Não deixe que Aimê mate os treinamentos.

-O QUE? –a garota gritou.

-Isso mesmo. Te conheço muito bem e sei que vou virar as costas e você vai matar o treino, por isso Afrodite, cuide disso pra mim e quando voltar me avise se aconteceu algo; ela completou, voltando-se para ele, que assentiu.

Filipe manteve-se sério, porém intimamente sorria, sabia que Aimê estava a ponto de pular sobre a amazona. E com razão, estavam literalmente tirando férias no inferno, mas não podia culpar ninguém, se Eurin só queria se garantir.

-Bem, agora tenho que ir; a amazona falou, pegando uma mochila de viagens que estava sobre o sofá, enquanto encaminhava-se para fora da casa, sendo seguida pelos dois.

-Boa viagem e demore muito; Aimê falou, ainda contrariada, sabia que o pisciano não lhe daria sossego agora.

-Boa viagem mestra; ele falou, notando que Aimê já dava sinais de indignação pela ordem de Eurin, que não podia ser contestada, como a maioria, das que ela dava.

-Obrigada; Eurin falou, tomando o caminho da rodoviária, iria para Estolcomo de ônibus onde pegaria um avião no aeroporto internacional.

Aimê e Filipe permaneceram em silêncio, um sorriso maroto formou-se nos lábios do cavaleiro, ao aproximar-se da jovem que ainda observava a irmã sumir de suas vistas, da entrada da casa.

-Três dias, não é? –ele perguntou, num sussurro atrevido ao pé do ouvido.

Aimê engoliu em seco, ao voltar-se para ele, notando o olhar indecifrável do cavaleiro. Era impossível saber o que ele pensava, alias, embora estivessem relativamente se dando bem, ainda existiam algumas coisas que não entendia sobre ele.

E a curiosidade por saber o nome dele, parecia maior a cada dia, mas esperaria a hora certa de perguntar; ela pensou.

-Vamos treinar, temos três dias pela frente; Filipe falou, ficando sério e dando a volta por fora da casa.

Três dias; essas palavras ecoavam em sua mente de forma perigosa; ela concluiu, balançando a cabeça freneticamente, para espantar alguns pensamentos.

Não era a primeira vez que Eurin viajava e eles tinham de ficar treinando, mas isso estava se tornando um pouco freqüente nos últimos dois anos. A cada quatro a cinco meses Eurin viajava para Atenas, pelo menos era o que ela dizia.

-Aimê; a jovem piscou, ao ouvir o cavaleiro lhe chamar. Era melhor ir treinar, já que não tinha mesmo como escapar. Ela pensou.

-o-o-o-o-

Dinamarca / Copenhague...

Acabara de desembarcar e dirigia-se para o centro. As ruas pareciam calmas, enquanto mantinha-se impassível dentro do táxi. O motorista vez ou outra olhava pelo retrovisor em sua direção.

Possivelmente achando estranho o fato da jovem andar com uma mascara de prata sobre a face, não era normal ver aquilo, pelo contrario, surpreendeu-se quando foi abordado pela mesma no aeroporto, pedindo que o levasse a um dos hotéis mais cotados de Copenhague por ainda conter aspectos clássicos que faziam parte do cartão postal da capital, mas era seu trabalho transportar os clientes para onde desejassem, então não questionou.

Eurin suspirou pesadamente, ainda se perguntava porque estava ali, embora soubesse perfeitamente o que a levava a pelo menos duas vezes se não mais, durante o ano a pegar o avião e desembarcar em Copenhague para encontrá-lo.

Sim, isso era óbvio, mesmo que nunca fosse admitir. Não conseguia aceitar a idéia de manter-se tão longe dele, principalmente quando tinham tão pouco tempo para poderem compartilhar da presença um do outro, esquecendo-se de todas as obrigações e regras que tinham de seguir.

Fechou os olhos, lembrando-se de quando tudo isso começara. A exatos três anos atrás, quando voltara para a Suécia treinar Afrodite e ele fora para a Áustria, com o pupilo.

-Lembrança-

Olhou atentamente para a carta que acabara de chegar, o mais curioso era o fato de ser uma carta pessoal, selada a cera, com o símbolo do signo de peixes como selo. Só havia seu nome e o endereço da casa em Gotland, não havia o remetente.

Lançou um olhar a Aimê e Afrodite que treinavam na beira do lago. Mais Afrodite, porque de longe conseguia ver que Aimê só estava disfarçando, porque treinar mesmo, nada; ela pensou, com um suspiro cansado, teria de falar com a irmã depois.

Abriu o envelope com cuidado para não danificar o selo, leu o conteúdo com estrema atenção.

-" (...)Por Zeus, Eurin, precisamos conversar, não agüento mais isso e você não pode mais fingir que não esta acontecendo nada. Sei que temos regras, inúteis e estúpidas a meu ver, mas você se importa com elas, quanto a isso não posso fazer nada. Enfim, daqui a dois dias estarei em Copenhague, lhe espero lá. Se você não for, já posso ter uma idéia de seus passos daqui pra frente e não vou mais insistir, prometo. Mas se for o contrario, vamos tomar a melhor decisão que for possível, sem mais fugir. Até lá... Alister. (...)";

-"Dois dias"; a amazona pensou, guardando a carta, ao ver Aimê aproximar-se com ar curioso.

-Algum problema, mana?

-Não, nenhum; Eurin respondeu, balançando a cabeça de forma imperceptível.

-Recebeu uma carta, alguma novidade do santuário? –a garota perguntou, pegando-a de surpresa com o comentário.

-...; Eurin respirou fundo, apenas assentindo. –Daqui a dois dias irei para lá, tenho algumas coisas para resolver; ela mentiu, não queria fazer isso, mas simplesmente não ira contar a irmã que estava indo para Copenhague e não para Atenas.

-Ta certo; Aimê falou, dando a conversa por encerrada e voltando a 'treinar', Eurin estava estranha e irritando-a não iria conseguira tirar nada dela, então, era melhor esperar.

-Fim da Lembrança-

-Srta, chegamos; o taxista falou, chamando-lhe a atenção.

Eurin olhou pela janela o lugar que se encontrava. Finalmente chegara, intimamente sentia todos os músculos do corpo tensos diante daquilo. Por um momento hesitou, ponderando se descia ou não do táxi, mas já estava ali, não iria voltar ou fugir.

Entregou o dinheiro da corrida para o motorista e desceu do carro. Enrolou-se mais no casaco que usava, a temperatura mudara desde que sairá da Suécia, o inverno ali parecia estar chegando mais cedo; ela pensou, segurando fortemente a alça da mochila e entrando no hotel.

Um sorridente concierte recebeu-lhe com um largo sorriso ao entrar no hotel.

-Em que posso ajudá-la, Srta? –ele perguntou, era sempre assim. Desde que começara a trabalhar naquele hotel, pelo menos duas vezes ao ano, via aquela mesma jovem entrar com ar imponente pelo hall.

Seus passos já eram previsíveis, seguia consigo silenciosamente ao balcão, onde ele daria a volta, procurando pelas chaves do quarto de numero 327 no sexto andar, que lhe dava uma bela visão a noite, da cidade iluminada. Ela apenas assentia, caminhando até o elevador, enquanto ele ocupava-se com a mala solitária, pois ela nunca trazia mais do que uma mala de mão, possivelmente com poucas roupas, para passar apenas dois dias ali, no máximo três, quando as estações mudavam.

-Suas chaves Srta; o concierte falou, parado atrás do balcão, era previsível; ele pensou, ao vê-la assentir.

Eurin ignorou os olhares sobre si, sabia perfeitamente que a curiosidade humana às vezes era algo insuportável, ouviu sussurros e murmúrios sobre qual seria a face oculta pela mascara de prata e porque o uso de tal acessório. Não se importava, pelo contrario, já se acostumara com tais indagações e agora apenas ignorava isso.

Entrou no elevador, vendo um senhor de idade fechar as portas em forma de grades douradas. Era um hotel luxuoso, que ainda conservava o ar clássico do lugar. Sentiu um leve estremecimento devido ao tranco do elevador, que começou a subir.

Olhou impaciente o ponteiro do antigo elevador passar pelos andares.

1. 2... Seu coração batia cada vez mais rápido, conseguia até mesmo ouvir o tic-tac do relógio de pulso do Sr de idade a seu lado.

4. 5... Estava impaciente, intimamente tinha vontade de descer ali e subir pelas escadas, talvez fosse mais rápido.

6... Estremeceu novamente ao sentir o tranco do elevador parando.

Respirou fundo, apertando ainda mais o casaco em torno de si, a mala viria depois, isso não era importante agora; ela pensou. Com um passo tremulo e incerto saiu do elevador. Dando um rápido obrigado ao Sr e afastando-se. Ouviu as grades douradas estalarem ao travarem sobre o trinco no batente da porta e o elevador começar a descer novamente.

Deparou-se com um corredor luxuoso, um imenso tapete vermelho fora estendido pelas duas extremidades do corredor. Viu castiçais por toda à parte, dando um ar mais clássico e romântico ao local.

Bem propicio; ela pensou, com um meio sorriso, por baixo da mascara. Caminhou um pouco, parando em frente à porta de numero 327. Colocou a chave, virando-a em seguida.

A porta abriu-se lentamente. Deparando-se com um belo quarto. Uma grande sala com um sofá em forma de L, as janelas tinham as cortinas afastadas, revelando a incrível visão da cidade iluminada, já estava para anoitecer; ela concluiu.

Entrou calmamente, fechando a porta atrás de si. Nunca se cansava daquela visão.

Aproximou-se das janelas, apoiando-se no vidro, para olhar melhor. As luzes da cidade acendiam-se gradativamente, o movimento começava a reduzir e alguns comércios a fecharem, porém isso não era importante agora; ela pensou, sentindo um par de braços calorosos a enlaçarem pela cintura e a respiração quente e ritmada de Alister chocar-se contra a lateral de sua face.

-Senti sua falta; ele sussurrou.

Viu-a suspirar, aconchegando-se mais entre seus braços. Agora simplesmente todos os problemas e duvidas, ficaram da porta para fora. Deixando-os limitados apenas a presença um do outro.

-Eu também; ela murmurou como resposta.

Virou-se para ele, sentindo-o de forma suave, deixar os dedos correrem pela lateral de sua face, soltando o feixe da mascara, que caiu displicente no chão. Fitaram-se intensamente, sem mais o pequeno e aterrorizante empecilho para impedi-los. Agora teriam dois dias apenas, ou três... Porém viveriam o máximo que podiam.

II – Não pensar.

Suécia / Gotland...

Deu um sorriso maroto por baixo da mascara, aproximou-se cautelosa da beira do lago, vendo-o treinar. Eurin partira há poucas horas e após o almoço, resolvera escapar dos treinos ignorando o possível surto de Afrodite, que desistindo de insistir consigo, fora treinar no lago.

Desde aquele dia, há dois anos atrás quando conversaram, as coisas haviam mudado um pouco entre eles. Filipe deixara de se referir a ela como Srta e ela aliviou um pouco as provocações com relação ao fato da irmã ainda insistir em chamá-lo de Afrodite, intimamente sentia-se curiosa, até agora não conseguira a oportunidade certa de perguntar a ele qual o nome verdadeiro, mas para isso precisava que Eurin não estivesse perto, porque se não, a irmã certamente iria se irritar e dobrar-lhe a bateria de exercícios. Enfim, essa hora chegara; ela pensou.

Viu-o ajoelhando na beira do lago, mais uma vez elevando seu cosmo, tentando criar uma rosa. Aproximou-se silenciosamente, olhando-o por cima do ombro. Filipe apertou os olhos, tentando não perder a concentração.

Um pequeno broto começou a surgir, mais um pouco e conseguiria depois de tanto tempo a rosa vermelha.

-Nossa; alguém murmurou atrás de si.

No momento seguinte, às singelas pétalas que começavam a surgir, secaram e o pequeno broto desapareceu em meio às folhagens do chão.

-Droga; ele resmungou, deixando-se cair sentado no chão, com ar desanimado.

-Ahn, desculpa; Aimê falou, sem graça por ter quebrado a concentração dele.

-Tudo bem; Filipe respondeu, passando a mão pelos longos cabelos azuis, tentando alinhá-los. Levantou-se indo até a beira da água, com a intenção de lavar as mãos.

-Me desculpa mesmo, não queria te atrapalhar; ela insistiu, por um milésimo de segundo, seus olhos se cruzaram e viu o quanto ele ficara decepcionado por não conseguir de novo.

A cada dia mais, Eurin vinha pegando mais no pé dos dois, com relação ao treinamento, mas ela podia perfeitamente ver que o cavaleiro estava com dificuldade em algo, pois até ela já conseguia criar algumas rosas discretas, embora fizesse pirraça com Eurin de que ainda não conseguia, mas no caso de Filipe, tinha algo errado.

Viu-o abaixar-se para lavar as mãos e um pensamento maroto passou-lhe pela mente.

-Afrodite; ela chamou, parando atrás do cavaleiro.

-O que foi? –ele respondeu, levantando-se e voltando-se para ela.

Mal o fez, viu-a empurrar-lhe para o meio da água. Antes que perdesse o equilíbrio, segurou-se na jovem. Coisa que Aimê não esperava. Tentou se afastar-se, mas por fim. Ambos foram lançados para o meio das águas.

-Que idéia foi essa? –Filipe perguntou, tentando inutilmente tirar a franja da frente dos olhos.

Ouviu a jovem rir alto e aproximar-se dele. Afastando-lhe a franja com a ponta dos dedos.

-Você está estressado de mais; Aimê comentou casualmente.

-O que? –ele perguntou, serrando os orbes de forma perigosa.

-Pare de pensar; ela completou, apoiando as duas mãos, uma sobre cada ombro dele.

Entreabriu os lábios para perguntar sobre o que ela se referia, quando sentiu a mesma, jogar todo o peso sobre si, fazendo-o afundar. Debateu-se tentando subir e com a visão meio turva, viu-a mergulhar novamente.

Subiu a superfície, respirando com dificuldade. Olhou para todos os lados e não a encontrou. Mergulhou novamente, abriu os olhos em baixo da água, mas não a viu, o que começou a lhe preocupar.

Sentiu um par de braços delicados, envolver-lhe pelo pescoço e virou-se, deparando-se com a jovem. Ambos subiram em busca de oxigênio.

-Você anda pensando de mais; Aimê começou, ainda mantendo os braços em volta do pescoço do cavaleiro.

-Pensando? –Filipe perguntou, arqueando a sobrancelha, sentindo a face levemente aquecer-se devido aquela proximidade entre ambos.

-Claro, se você ficar pensando em todas aquelas besteiras que Eurin fica jogando na sua cabeça, não vai conseguir mesmo criar as rosas; ela comentou.

-Duvido muito que seja capaz; ele falou, abaixando a cabeça, afastando-se, porém Aimê tomou-lhe a face, com ambas as mãos, detendo-lhe.

Filipe engoliu em seco, poderia estar fitando uma mascara inexpressiva de prata, mas sentiu que o olhar da jovem não era dos melhores.

-Nunca mais repita isso, ouviu? –ela falou ferina. –Minha irmã não treina fracassados. Se ela assumiu o seu treinamento é porque confia em você e sabe que é capaz. Na vida de um cavaleiro, não há espaço para pensamentos deprimentes como esse, então é melhor parar de pensar essas besteiras;

-...; Filipe assentiu, surpreso com a atitude séria da jovem. Aimê era sempre carismática e poderia dizer que um pouco rebelde também, mas dificilmente tomava aquela postura autoritária.

-Vem, vamos sair, antes que fiquemos gripados; ela falou, afastando-se e puxando-o pela mão.

Estancou surpreso, mas deixou-se guiar até a margem...

III – Rosa Sangrenta.

Olhou o galho de madeira estalar, ao ser jogado no meio da fogueira. Lançou um olhar de esguelha a jovem a seu lado, que parecia encolher-se cada vez mais pelo frio, embora tivesse uma toalha felpuda nas costas.

Ficou a imaginar se depois disso realmente não ficariam gripados. Fora loucura, caírem no meio do lago, mas também se sentia muito melhor agora; ele pensou, dando um suspiro relaxado.

Aimê passou as mãos, insistentemente pelos cabelos, tentando tirar o excesso de água. Não queria entrar em casa e molhar todo o lugar que passasse, tendo trabalho dobrado depois para arrumar tudo, por isso optaram por ficarem ali fora até se secarem.

A noite já caia, logo as estações mudariam, dando lugar ao inverno. Tudo tornaria-se branco; ela pensou, com um olhar triste. Gostava tanto das rosas que haviam num modesto jardim na frente da casa, mas com a mudança das estações elas não sobreviveriam.

Sentiu um par de braços calorosos envolver-lhe o corpo. Puxando-a para mais perto de si, Filipe tencionava ajudá-la a aquecer-se, mas sentiu-a ficar tensa, quando a aninhava em seu colo.

-Vai pegar uma gripe assim; ele comentou, abraçando-a ternamente.

A jovem ergueu a cabeça cautelosa, deparando-se com o olhar intenso dele sobre si. Sentiu a face incendiar-se, dando graças aos deuses por estar com a mascara.

-Não precisa; ela falou, tentando afastar-se, mas sentiu-o estreitar mais os braços.

-Não seja teimosa, pode ficar doente com isso; Filipe avisou. Pegou a toalha que tinha nas costas, cobrindo a jovem em seguida.

-Mas e você? –ela o questionou.

-Não fico gripado com facilidade; ele comentou, com um meio sorriso, que fê-la prender a respiração.

Engoliu em seco, sentindo o coração disparar. Fechou os olhos, sentindo-o deixar a mão correr entre os fios verdes com delicadeza e suavidade, um tímido suspiro saiu de seus lábios, se deixou aconchegar-se mais entre os braços dele, repousando a cabeça sobre seu peito.

Fitou com um olhar vago as chamas da fogueira improvisada que fizeram. Tinham mais três anos pela frente e mal sabiam como seriam as coisas depois.

-Afrodite; ela chamou hesitante.

-Uhn; ele murmurou como resposta.

-Posso te fazer uma pergunta? –Aimê perguntou de forma tímida.

-Você já fez; Filipe falou, com um meio sorriso nos lábios. Viu a jovem erguer a cabeça, certamente que estaria com os orbes serrados agora; ele pensou. –Mas diga, o que quer saber?

-Como você se chama? –Aimê perguntou, lembrando-se que era exatamente essa pergunta que pretendia fazer a ele, antes de acabar com o pequeno broto que ele estava criando.

-Afrodite; ele respondeu, com um sorriso maroto nos lábios, vendo-a voltar-se indignada para si.

-Oras, não sei porque ainda pergunto; Aimê resmungou, pretendendo levantar-se, porém ele não deixou.

-Estava só brincando; Filipe adiantou-se. Estranhamente, não queria afastar-se da jovem e a mesma parecia intimamente compartilhar do mesmo pensamento, deixando-se ficar entre o calor dos braços dele por mais um tempo. –Mas respondo-lhe com uma condição;

-Condição? –ela perguntou, voltando-se desconfiada, vendo-o assentir. –Que condição?

-Só falo meu nome verdadeiro para você, no dia que me deixar te ver sem mascara; ele completou, ficando sério.

Aimê entreabriu os lábios para contestar, mas simplesmente não tinha argumentos.

-Detestável; ela resmungou, voltando a encostar a cabeça sobre o peito dele.

-Não, apenas considero isso uma troca justa; Filipe brincou. Sabia que ela nunca faria isso, então, por enquanto estavam empatados.

-Puff; Aimê murmurou.

Tomou uma das mãos do cavaleiro, chamando-lhe a atenção para isso, depois de longos minutos de silencio. Filipe viu-a entrelaçar ambos os dedos, deixou-se levar por aquele toque sutil e singelo.

-Em que esta pensando? -Filipe perguntou, notando que os pensamentos da jovem estavam longe, o que a levava a estar tão silenciosa.

-Olhe; ela falou, erguendo a mão dele junto da sua, na altura dos olhos.

-O que? –ele perguntou confuso. –Ai; Filipe gemeu de dor, quando sentiu a jovem espetar a ponta de seu dedo com a própria unha. Um fino pontinho vermelho formou-se.

-Concentre-se; Aimê mandou.

Sem outra alternativa, ele fez o que ela mandou. Uma tênue aura dourada envolveu a ambos, não era muito forte, mas aos poucos se intensificava, enquanto ambos os cosmos reagiam entre si.

Aimê apertou mais a mão sobre a dele. Em questão de poucos minutos um delicado botão vermelho-sangue surgiu entre as mãos de ambos.

-Como voc-...; Ele não completou, vendo-a erguer os orbes em sua direção.

-Ela se chama rosa sangrenta; Aimê explicou. –Normalmente ela é branca, quando você atinge alguém com ela, a tendência dela é absorver o sangue da pessoa até a ultima gota, mas quando se faz o processo inverso, de criá-la já com sangue, ela se torna uma rosa normal, sem veneno;

-Não sabia; Filipe murmurou espantado.

-É uma técnica que criei, quando descobri pelo que lutar; ela comentou.

-Uhn; ele murmurou confuso.

-Quando você descobrir, também vai ser capaz de criar as suas; Aimê falou, com ar sereno, levantando-se. –É melhor entrarmos, já esta esfriando de mais; ela completou, vendo que até mesmo a fogueira improvisada estava apagando-se com o vento.

Sem emitir som alguém, Filipe levantou-se, seguindo-a. Estava intrigado quanto ao que ela lhe dissera, para falar a verdade, desde que começara a treinar, não se perguntara pelo que estava lutando, apenas estava deixando as águas rolarem e ver o que acontecia depois. Balançou a cabeça levemente, deixaria para pensar nisso depois.

Continua...

Bom pessoal, mas um capitulo chega ao fim. Espero que tenham gostado, antes de ir, deixo meus mais sinceros agradecimentos a todos que tem acompanhado essa fic e as demais que escrevo, valeu mesmo pessoal, por todo apoio.

Até a próxima

Kisus

Já ne...