Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Eurin e Aimê são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Boa leitura!
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Capitulo 9: Pode crer...
I – Surpresas.
Sentiu um cheiro gosto de café chegar a suas narinas, mesmo tendo antes que passar pela mascara de prata. Abriu os olhos lentamente, o quarto ainda estava escuro. Será que já havia amanhecido? –Aimê se perguntou, virando-se em direção a janela.
Espreguiçou-se manhosamente na cama, sentindo a colcha que a cobria cair ao chão. Sentou-se na mesma, notando sobre o criado mudo ao lado da cama, estava uma bandeja com uma xícara de café fumegante e algumas frutas e pães para acompanhar.
-"Estranho"; Aimê pensou, quem teria trazido aquilo? Afrodite; ela concluiu no mesmo momento.
Tentou levantar-se da cama, mas sentiu uma fisgada sobre o tornozelo, emitiu um baixo gemido de dor, sentando-se novamente.
-Droga; ela resmungou, respirando pesadamente.
Esperou a dor aliviar, antes de tentar levantar-se novamente. Sem colocar muito peso sobre o pé, aproximou-se da janela. Abriu uma frestinha na cortina, pode vislumbrar a superfície do lago.
Mesmo com muitas arvores em volta do terreno, por seu quarto ficar no segundo andar tinha esse privilegio. A vista dali era muito bonita; ela pensou. Tendo as atenções rapidamente desviadas para outra visão na beira do lago.
Sentiu a face incendiar-se ao vê-lo sair da a água. Os volumosos cabelos azuis colados ao corpo pela água, a franja arrepiada e o corpo bem talhado completamente à mostra, vestindo apenas uma larga bermuda, mas ainda sim, era muita pele a mostra; ela pensou, engolindo em seco.
-"Céus, como alguém pode ser tão bonito"; não foi capaz de reprimir tal pensamento.
A cálida luz da manhã iluminava as gotas de água que escorriam pelo corpo do cavaleiro, cuja pele arrepiou-se levemente pela brisa matutina que o envolveu. Uma visão dos deuses, certamente.
Afastou-se rapidamente da janela, ao notar que mesmo daquela distancia, o cavaleiro parecia ter voltado o olhar em direção a sua janela. Poderia ser paranóia, mas melhor prevenir do que remedir, caindo em uma situação constrangedora, que nunca conseguira explicar; ela concluiu.
Voltou a sentar-se na cama, era melhor tomar o café logo, antes que esfriasse. Depois daria um jeito de sair daquele quarto. Ignorando completamente as recomendações do cavaleiro sobre ficar deitada e não se mexer.
-o-o-o-o-
Deveria ser apenas impressão; Filipe pensou, balançando a cabeça de maneira imperceptível. Pegou uma toalha que deixara na beira do lago, usando-a para retirar parcialmente a umidade dos cabelos, antes de entrar em casa.
O café estava pronto e seus afazeres matinais também. Agora era só tomar um bom banho e descansar. Afinal, também merecia uma folguinha, embora admitir isso a Aimê seria outra historia; ele pensou, com um meio sorriso nos lábios.
Entrou em casa, passando pela cozinha, indo até as escadas da sala, que o levariam para o segundo andar.
-Como é teimosa; Filipe exasperou, ao ver Aimê no topo da escada com a bandeja que deixara em seu quarto, pouco antes de ir nadar.
Com o susto, a jovem perdeu o equilíbrio deixando a bandeja cair no chão e agarrou-se fortemente ao corrimão para não cair.
Subiu os lances de escada aos saltos, impedindo-a de cair no chão sobre os cacos da xícara. Deu graças por pelo menos seus outros sentidos estarem evoluindo mais rápido que o cosmo, do contrario, já poderia imaginá-la caída sobre aqueles cacos.
-Não disse pra não se levantar; ele a repreendeu.
-Não vou ficar trancada lá o dia todo; Aimê ralhou, erguendo a face e deparando-se com o olhar intenso do cavaleiro sobre si.
Engoliu em seco, sentindo-o estreitar mais os braços em sua cintura, ficando completamente colada a aquele corpo escultural ainda úmido; ela pensou, sentindo a face incendiar-se, dando graças aos céus por estar com a mascara.
-...; Filipe balançou a cabeça, vencido. Suspendeu-a do chão, aninhando-a entre seus braços.
-Hei, o que pensa que esta fazendo? –ela perguntou, agarrando-se ao pescoço do cavaleiro. Vendo-o descer as escadas.
-Te fazer voltar pro quarto é o mesmo que mandar você pular corda com o pé machucado, então é melhor te colocar em outro lugar que você não vá se machucar; o jovem falou, nem um pouco incomodado com a tensão que a envolvia.
-Hei, não fale como se eu fosse um objeto que pode largar em qualquer lugar; Aimê ralhou, tentando empurrá-lo e voltar ao chão.
-E você não fale como se fosse tão superior ao outros, que em algum momento também não precisa de ajuda; ele rebateu ferino, fitando-lhe intensamente, que mesmo usando a mascara, ela abaixou a cabeça sentindo-se acuada.
-Desculpe; ela balbuciou.
Filipe não respondeu, continuou andando em direção a sala. Colocou-a delicadamente sobre o sofá de três lugares. Afastou-se indo até o outro, que ficava do outro lado da mesinha de centro, pegando duas almofadas.
Aimê fitou-o confusa, vendo-o voltar-se para si. Sentindo o corpo todo ficar tenso.
-O que estava fazendo? –ela perguntou, com a voz tremula.
-Evitando que você fique com dor nas costas e resolva sair andando por ai, para compensar; o jovem respondeu, pegando-a de surpresa, ao colocar uma das almofadas sobre a mesinha de centro, puxando-a para mais perto do sofá e suspendendo seus pés do chão, para colocá-los sobre a almofada.
-...; Entreabriu os lábios para retrucar, quando sentiu-o empurrar-lhe parcialmente para a frente pelos ombros, colocando a outra almofada atrás de suas costas.
-Não ouse se levantar daí; ele avisou, dando a volta no sofá, para abrir as janelas da sala que ainda estavam fechadas.
-E se eu não obedecer? –Aimê perguntou em tom de desafio. Sem conseguir ver onde ele estava agora.
-Não me obrigue a amarrá-la ai; ele sussurrou-lhe ao pé do ouvido, surgindo atrás dela.
A jovem engoliu em seco, como não o sentira se aproximar?
-E não duvide que eu possa fazer isso se perder a paciência; ele completou, afastando-se e indo em direção a cozinha. Era melhor pegar uma pá e uma vassoura para juntar aqueles cacos antes que algum dos dois pudesse correr o risco de escorrer e cair dali de novo.
Aimê observou-o, intrigada. Porque ele estava agindo daquela forma? Tão atencioso e porque não dizer carinhoso. Alguma coisa nos atos do cavaleiro lhe confundia.
Sua presença era atordoante? Não sabia explicar o que era, mas sempre ficava na defensiva quando ele se aproximava assim, de uma forma enigmática e indecifrável. Como se quisesse afastá-lo, ao mesmo tempo em que desejava sentir sua presença por perto.
Encostou a cabeça sobre o encosto do sofá, suspirando frustrada. Não ira achar as respostas com tanta facilidade como desejava.
-o-o-o-o-
Sentia o olhar dela sobre si, mas continuou a juntar os cacos. Mais um dia e Eurin estaria de volta; Filipe pensou, dando um suspiro cansado, ainda precisava terminar aquilo e subir tomar banho, só agora lembrara-se que ainda estava vestindo apenas a bermuda que colocara para entrar no lago.
Terminou de juntar os cacos indo para a cozinha. Deparou-se com o relógio na parede, ainda eram oito horas. Realmente o tempo não passa, quando não se tem nada pra fazer; ele pensou.
Voltou para a sala, vendo que Aimê estava lendo um livro. Estranho; ele pensou, com um meio sorriso. Será que ela estava tão irritada consigo a ponto de fingir ler um livro, pouco tipico de sua rotina, apenas pra fazer-se de desentendida. Não; ele concluiu. Subindo as escadas.
-"Ufa"; ela suspirou, jogando o livro de lado e deitando-se no sofá displicentemente. Seria um longo dia; Aimê pensou.
II - Sentimentos...
Acordar assim estava se tornando freqüente nas ultimas horas; Aimê pensou, ao despertar aos poucos sentindo um cheiro gosto de comida feita na hora vindo da cozinha. Já era hora do almoço e provavelmente dormira a manhã toda; ela pensou, remexendo-se no sofá, ficando de frente para a mesa de centro.
Deparou-se com uma toalha posta sobre a mesma, com um prato e algumas travessas com o almoço. Olhou para todos os lados sem encontrar o cavaleiro. Onde ele estaria? –ela se perguntou.
Concentrou-se de forma que seu cosmo não ficasse muito evidente, mas que pudesse sentir a presença dele. Pela vibração de seu cosmo, pode constatar que ele estava na frente de casa provavelmente sentado na varanda.
-"Uhn! Ta com uma cara boa"; Aimê pensou, olhando tudo que ele deixara. Parou confusa, antes de retirar a mascara. Respirou fundo, era melhor não começar a pensar no porque dele estar agindo assim, ou iria surtar de novo e machucar de novo o pé não estava em seus planos.
Terminou de almoçar rapidamente, olhou para os lados, nem sinal do cavaleiro. Não faria mal arriscar-se um pouco, andando até a varanda; ela pensou. Sentindo seu pé não doer enquanto tocava o chão.
-"Já é um progresso"; Aimê pensou, com um sorriso satisfeito.
Caminhou para fora da casa, abrindo a porta silenciosamente. Olhou para todos os lados, mas parou com um olhar confuso. Do outro lado da varanda reparando que uma rede fora estendida entre os pilares de madeira. Aproximou-se intrigada ao ver algo remexer-se dentro dela.
Um anjo; foi o que pensou ao vê-lo ali, dormindo de forma tão tranqüila, que nem mesmo uma leve brisa poderia destruir aquela harmonia.
Os braços estavam atrás da cabeça, servindo como apoio. Os cabelos estavam espalhados pelos ombros e os pés relaxadamente cruzados. O peito subia e descia com a respiração suave.
Abaixou-se até os joelhos tocarem o chão, apoiando-se na rede, de forma que não o acordasse. Poderia simplesmente ir embora dali, mas sentia-se impelida em ficar e observá-lo. Há muito tempo conviviam juntos, mas só agora o via assim, tão tranqüilo.
Lembrou-se da forma que ele agira consigo pela manhã. Tão atencioso. O que estava mudando? –ela pensou. Inconscientemente, levou uma das mãos a face do cavaleiro, tocando-a suavemente, afastando alguns fios azuis de seus olhos. Ouviu-o suspirar e afastou a mão, sentindo o coração bater desenfreado. Teria o acordado? Viu-o remexer-se, continuando a dormir.
-"Céus, onde estou com a cabeça?"; ela pensou, balançando a cabeça nervosamente.
-Aimê; Filipe falou sonolento abrindo os olhos e deparando-se com a amazona, com a face a milímetros da sua, podia ouvir até mesmo o coração dela bater agitado, tanto quanto o seu ao acordar e vê-la ali.
-Ahn! –ela balbuciou, afastando-se bruscamente.
-Espera, cuid-...; Ele mal falou, ouviu um baixo gemido sair dos lábios da jovem ao pisar novamente de mau jeito. Rapidamente virou-se na rede, segurando-a por um braço, porem soltou-a da mesma forma, ao ver a rede virar, jogando-o com tudo no chão.
-Ai; ele gemeu de dor, tentando se levantar, mas sentiu um peso a mais sobre si. Tentou virar-se, mas não conseguiu, vendo uma cascata de fios verdes cobrindo-lhe os olhos. Que situação estavam? –ele pensou, engolindo em seco.
-Você esta bem? –ele perguntou, virando-se de lado, ao vê-la sentar-se no chão.
-...; Aimê assentiu, silenciosamente. Massageando o tornozelo dolorido.
Filipe respirou fundo, passando a mão pela testa, tentando tirar alguns fios dos olhos.
-Vem, é melhor entrarmos; ele falou, levantando-se e lhe estendendo a mão para ajudá-la.
-Não é necessário; Aimê respondeu, preparando-se para levantar, mas parou sentindo o tornozelo doer ao tocar o chão. –Pensando bem, acho que vou ficar um pouco mais aqui sabe, é cansativo ficar lá dentro o dia todo; ela desconversou.
-Previsível; Filipe falou com um meio sorriso.
-O que? –ela perguntou, mas engoliu em seco, ao vê-lo abaixar-se. –Hei, eu já disse q-...;
-Eu sei, que quer ficar aqui; ele a cortou, antes que ela pudesse reclamar, suspendeu-a do chão, colocando-a sentada na rede. –Mas ficar sentada no chão não deve ser muito confortável;
-Uhn? –ela murmurou confusa, sentindo-o enlaçar-lhe pela cintura, sentando-se atrás de si.
-E como sei que você vai arrumar qualquer motivo para levantar, vou ficar por aqui, quando quiser entrar eu te levo; ele avisou.
-Mas...; Ela murmurou, querendo afastar-se.
Sentiu o corpo ficar tenso e a face em brasas, quando o mesmo deitou-se novamente sobre a rede, puxando-a consigo.
-Não seja teimosa; ele falou com uma voz calma. –Não reclamou que queria uma folga, então, aproveite e descanse, porque amanhã nenhum de nós dois vai ter pausa para descanso quando a Eurin chegar; ele completou.
-Porque esta fazendo isso? –ela perguntou num sussurro.
-Como?
-Porque esta me tratando assim? –ela continuou.
-Qual o problema com isso? –Filipe perguntou, afagando-lhe as melenas, ouvindo-a suspirar.
-Você me confunde; ela confessou num sussurro, fechando os olhos ao senti-lo abraçar-lhe ternamente.
-Algumas coisas a gente simplesmente não explica; ele sussurrou-lhe ao pé do ouvido, sentindo-a aconchegar-se entre seus braços.
Fechou os olhos, aspirando o suave perfume de rosas que chegava a suas narinas. Não se importariam se o tempo parasse agora; ambos pensaram.
III – Volta ao Lar.
1 ano depois...
-CONCENTRE-SE; Eurin gritou, para ambos os pupilos que enfrentavam-se numa luta ferrenha em meio aos treinamentos.
-Com licença; um garoto falou aproximando-se cauteloso. Chegara na frente da casa, chamando, mas ninguém atendeu, até ouvir as vozes vindas dali e dar a volta na casa.
-O que deseja? –Eurin perguntou voltando-se para o menino.
-Ahn! Telegrama pra o Sr Lancaster; ele falou timidamente.
-Pode me dar, eu entrego a ele; a amazona falou.
-Mas...;
-...; Eurin estreitou os orbes por baixo da mascara fazendo o garoto engolir em seco, poderia não ver o rosto da jovem, mas pode muito bem sentir o olhar retalhador dela sobre si.
-Aqui esta Sra; ele falou entregando a ela, numa respeitosa reverencia afastou-se indo embora.
Eurin observou a carta, era dos tutores do garoto. Henry e Emilia que ainda viviam em Visby; ela pensou.
-Afrodite; ela chamou, fazendo os dois pararem o treino.
O cavaleiro aproximou-se, vendo Eurin com um envelope na mão, viu-a abrir a carta e retirar o papel de dentro entregando-lhe, enquanto rasgava o envelope. Já imaginava o porque, obviamente estava com o seu nome nela, ainda não entendia algumas excentricidades da mesma, mas fazer o que?
-Leia, depois volte ao treinamento. Aimê venha comigo; ela mandou, chamando a irmã enquanto iam pra o lago.
A jovem fitou-o a distancia, curiosa para saber o que tinha na carta, mas não pode perguntar devido ao chamado de Eurin.
-o-o-o-o-
-Mestra; Filipe chamou, haviam acabado de almoçar e aproveitou que Aimê subira para seu quarto, para poder conversar com Eurin.
-Sim;
-Gostaria de lhe pedir autorização para ir a Virby; ele falou.
-Aconteceu alguma coisa? –a jovem perguntou.
-...; Ele assentiu. –Minha madrinha esta muito doente e pediu que eu fosse lhe ver, eu gostaria de saber se pode me deixar ir, vão ser apenas dois dias; ele explicou.
Eurin parou por um momento, desde que começaram a treinar havia deixado claro que ele deveria deixar de lado todos os laços com a antiga vida, mas sabia que não era justo impedi-lo de ver um familiar nesse estado, alem do mais eram só dois dias.
-Pode ir, mas esteja de volta logo, não irei tolerar alguma falta sua; Eurin avisou.
-Obrigado mestra; ele agradeceu levantando-se. –Vou hoje a noite e no máximo em dois dias já estou de volta;
-Boa viajem; ela falou.
Filipe afastou-se indo para seu quarto, era melhor arrumar o que levaria e partir logo, não sabia quando teria novamente a oportunidade de voltar pra casa daquele jeito.
Continua...
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Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim. Sinceramente espero que tenham gostado e podem ter certeza, as coisas estão apenas começando. Bom, antes de ir, gostaria de agradecer a todos que acompanham essa fic e perdem um pouquinho de seu tempo comentando. Valeu mesmo pessoal
Até mais
Kisus
Já ne...
