Desculpem a demora em postar esse capitulo, mas a minha semana foi bastante complicada e por motivos de saúde fui obrigada a deixar um pouco de lado as fics. Mas agora, estou aqui com mais um capitulo para vocês. Agora falta pouco para a historia voltar ao curso normal. Sinceramente espero que gostem do capitulo e no mais, agradeço a todos que acompanham essa fic e as demais. Um obrigada especial a todos que comentaram no capitulo passado.
Até a próxima... e vamos ao que interessa.
Boa leitura!
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aimê, Eurin, Emilia e Henry são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Capitulo 10: Eu viajei contra vontade.
I – Conselhos Maternos.
Aproximou-se calmamente da casa dos padrinhos, fazia tanto tempo que não voltava para a casa, estava quase se esquecendo de como ela era; Filipe pensou, enquanto caminhava pelas ruas do centro de Visby até a casa dos padrinhos. Quem sabe, após ver Emilia poderia ir até em casa dar uma olhada em como as coisas estavam por lá; ele pensou.
-Filipe; parou ouvindo alguém chamar atrás de si saindo de uma floricultura, não muito longe de onde estava, virou-se na direção de quem lhe chamara.
Um homem alto, de cabelos castanhos e orbes claros aproximou-se sorrindo. Filipe sorriu, indo abraçá-lo, como sentia saudades do padrinho.
-Como cresceu garoto, quase não te reconheci; Henry falou, abraçando-o fortemente.
-Há quanto tempo, padrinho? –ele perguntou.
-Alguns anos, mas vamos conversar lá dentro, aqui fora está um pouco frio; o Sr falou, passando o braço sobre os ombros do garoto, puxando-o para dentro da casa. –Por um momento pensei que não fosse poder vir, porque bem... Com o treinamento e o inverno chegando; ele comentou.
-Eurin me deixou vir, mas só posso ficar dois dias; Filipe respondeu, enquanto atravessavam o corredor principal, em direção a sala.
-Emilia vai ficar muito feliz em te ver; Henry falou. –Ela queria que fossemos a Gotland lhe visitar, mas você sabe, essas coisas não são permitidas para os aspirantes e tive que convencê-la de que não podíamos; ele explicou, com um olhar triste.
Infelizmente as coisas eram assim, quando um garoto tornava-se oficialmente aspirante a cavaleiro, teria que deixar de lado todos os laços com sua antiga vida, isso incluía também, receber visitas de parentes próximos ou amigos.
-Como esta à madrinha? –Filipe perguntou, sentando-se na poltrona que ele lhe indicara.
-Esta bem, na medida do possível; Henry respondeu. –Você sabe que Emilia fica um pouco frágil nessa época do ano, ela pegou uma gripe que lhe deixou de cama, acho que só voltou a andar um pouco pela casa nos últimos dois dias;
-Entendo; ele balbuciou.
-Mas vai lá, ela vai ficar feliz em te ver; Henry o incentivou.
-Mas ela pode estar dormindo, não quero acordá-la; o jovem adiantou-se.
-Não se preocupe, você já sabe o caminho, pode ir; o Sr falou, sorrindo.
-...; Filipe assentiu.
Levantou-se da poltrona, caminhando de volta ao corredor. Deparou-se com uma escada que levava ao segundo andar. Subiu-a procurando não deixar que os degraus rangessem. Virando a esquerda, deparou-se com uma porta de mogno entreaberta. Não precisava pensar muito para saber que aquele era o quarto.
Pela frestinha da posta tentou ver se a madrinha estava dormindo ou acordada.
-Pode entrar; ele ouviu sua madrinha falando.
Arqueou a sobrancelha, como ela sabia que estava ali? –ele se perguntou. Abriu a porta calmamente, deparando-se com a Sra sentada na cama, com um olhar sereno para si. Ela estava um pouco pálida, mas talvez isso fosse devido à gripe que pegara; ele pensou.
-Madrinha; Filipe falou, aproximando-se.
-Céus, que bom que veio; ela falou, abrindo os braços, num convite silencioso para que se aproximasse.
Sentiu-a envolver-lhe com os braços, num abraço carinhoso, como sentia saudade de sua madrinha; Filipe pensou.
-Senti saudades, madrinha; o jovem falou, fitando-lhe com os orbes marejados.
-Eu também minha criança; Emilia falou, apertando-lhe ainda mais entre os braços. –Que bom que veio, agora sente-se aqui e me conte como esta; ela falou, dando-lhe espaço na beira da cama.
-Estou bem, treinando todos os dias, mas estou bem; ele completou sorrindo, segurando as mãos da senhora entre as suas.
-Você esta diferente; Emilia falou, olhando-lhe com atenção. Tocou-lhe a face carinhosamente, fitando-lhe os orbes intensamente.
-Como? –Filipe perguntou, com um olhar confuso.
-Parece mais maduro, sério; Emilia comentou. –E esse brilho em seu olhar, me diz outras coisas também; ela completou, com um sorriso maroto.
-Uhn? –o cavaleiro murmurou, confuso.
-Vamos, me diga, quem é ela? –Emilia perguntou, pegando-o de surpresa.
-Ela quem? –Filipe perguntou, engolindo em seco.
-Filipe, você sabe que nunca consegue me esconder essas coisas; a Sra falou, como se o repreendesse por tentar.
-Sinceramente, não sei a que se refere madrinha; ele falou, desviando o olhar, com a face levemente aquecida.
-Sabe sim; Emilia insistiu. –Desde que nasceu eu cuido de você, acha que não notaria uma mudança assim? Então, me diga logo, quem é ela; a Sra repetiu.
-Madrinha, deve ser impressão a sua; Filipe tentou argumentar.
-Filipe; ela falou, em tom de aviso, serrando os orbes de maneira perigosa.
-Aimê; ele falou num sussurro, dando-se por vencido.
-Como? –a Sra perguntou, piscando confusa.
-Posso fazer uma pergunta madrinha? –ele perguntou, levantando-se e caminhando até a janela.
-Claro; Emilia falou, prontamente.
-O que levou a Sra e o padrinho a passarem todos esses anos juntos, sem se separarem ou deixarem que algo interferisse entre vocês? –ele perguntou, curioso.
-O amor que sentimos um pelo outro; ela respondeu, com um olhar sereno, começando a compreender a confusão do jovem e aonde ele queria chegar.
-Não entendo; Filipe murmurou.
-O amor é o que nos da coragem e força para continuar, para viver e para lutar; Emilia respondeu.
-Como assim lutar? –Filipe perguntou, voltando-se para ela.
-A vida é um caminho incerto, que temos de lutar para atravessá-lo da melhor maneira possível, lutar por nossos sonhos, pelas pessoas que amamos. Quando Henry e eu nos casamos, tivemos que enfrentar muitas coisas para ficarmos juntos, nossas famílias passavam por uma fase conturbada e mesmo assim insistimos em continuar. Nos amávamos e mesmo que as coisas estivessem complicadas não iríamos desistir e vamos continuar juntos enquanto nos for permitido ficar juntos;
-"Um motivo pelo que lutar"; o jovem pensou, lembrando-se das palavras da amazona. –Agora eu entendo; ele murmurou, balançando a cabeça com um meio sorriso. Como pudera levar tanto tempo para encontrar a resposta que procurava? Ele se perguntou, porém parou. Lembrando-se de um velho ditado, antes tarde do que nunca.
-Bem, agora sente-se aqui e me conta tudo sobre Aimê; Emilia mandou, dando um tapinha na beira da cama, mandando-o se aproximar.
II – Comportamento Suspeito.
-"O que esta acontecendo com ela?"; Eurin pensou, vendo de longe a irmã na beira do rio treinando insistentemente.
Nos últimos quatro anos que a treinava nunca a vira treinar com tanto empenho como agora. Não era do feitio de Aimê agir assim, tinha alguma coisa errada com ela.
-Aimê; Eurin chamou, aproximando-se.
-O que foi? –a jovem perguntou, afastando-se de uma árvore que treinava golpes físicos. Pegou uma toalha, retirando a mascara e passando-a pela testa, para retirar o suor.
-O que esta acontecendo com você? –Eurin perguntou a queima roupa.
-Uhn? –Aimê murmurou, voltando-se para ela.
-Você nunca foi de treinar assim, o que esta acontecendo? –a amazona insistiu.
-Não é nada; Aimê falou, recolocando a mascara e se afastando de volta pra casa. Dando aquela bateria de exercícios como encerrada.
-Aimê; Eurin falou, seguindo-a. –Me responda, o que esta me escondendo?
-Não é nada; Aimê rebateu, voltando-se pra ela irritada. –Me da um tempo;
Eurin estancou surpresa, Aimê poderia ser explosiva e lhe irritar as vezes, mas nunca respondera dessa forma.
-Quando não treino, você fica em cima de mim que nem um abutre sem me dar sossego. Agora que estou treinando, você continua em cima de mim. Decida o que quer de uma vez; a jovem falou, visivelmente irritada.
Virou-se caminhando de volta pra casa, sem ao menos virar-se, deixando Eurin completamente petrificada para trás.
Subiu rapidamente as escadas, entrando em seu quarto. Encostou-se na porta, deixando-se escorrer até o chão. Jogou a mascara em um canto qualquer do quarto, ignorando-a completamente.
-"Droga"; ela pensou, apoiando os braços sobre o joelho e descansando a cabeça entre os braços.
Poderia apostar que Eurin ficaria bem mais surpresa ao saber o porque de estar assim, do que a reação que tivera a pouco. Porque estava tão irritada? Era obvio, a possibilidade do cavaleiro ter ido embora para sempre lhe aterrorizava.
Sabia que Afrodite não iria fugir, não depois de todos aqueles anos treinando, mas sentia-se aflita apenas com essa possibilidade dele não voltar, a idéia de não tê-lo mais por perto. Balançou a cabeça nervosamente, desde quando pensava nele dessa forma? Talvez há muito tempo, porém admitir tal fato estava fora de cogitação no momento; ela concluiu.
Respirou fundo, tentando se acalmar. Precisava parar de pensar e o treino incessante dos últimos dias era a única coisa que lhe distraia, mas era melhor procurar outra coisa para se distrair, já que Eurin parecia incomodada com isso também; ela pensou, suspirando cansada.
III – Criando um Vale.
O dia nascera um pouco nublado, andava chovendo bastante na região nos últimos dias; Henry lhe dissera. Tomavam café calmamente na cozinha, o tempo passara correndo e a noite já teria de voltar a Gotland; ele pensou, dando um suspiro.
Não podia negar que sentia vontade de voltar logo, mas também desejava respirar outros ares um pouco.
-Que suspiro é esse criança? –Emilia perguntou, vendo-o olhar vagamente para a xícara de café que tinha em mãos.
Henry trocou um olhar compreensivo com a esposa, dando uma desculpa qualquer, saiu da cozinha deixando-os a sós para conversarem.
-Só estava pensando; Filipe respondeu, voltando-se para a senhora.
-Esta com saudades dela, eu suponho; a Sra falou, com um sorriso cúmplice.
-Ahn! Bem... Eu; ele falou, embaralhando-se com as palavras.
-Não se preocupe criança, é normal ficar assim; Emilia falou. –Mas como é seu ultimo dia aqui, porque não vai visitar a casa de seus pais; ela sugeriu, tentando distraí-lo.
-Eu estive pensando em dar uma passada lá, mas não sei; Filipe completou a ultima parte quase num murmúrio.
-Pesa a Henry para te levar lá, creio que pode lhe fazer bem; ela falou, já imaginando o porque dele hesitar tanto ao retornar a casa dos pais.
Infelizmente não podia fazer nada, embora não tivesse sido a favor do ultimo desejo dos pais do garoto, entendia que tudo era por um propósito maior e esse tempo de treinamento só mostrava o quanto ele amadurecera e mudara.
-É, acho que vou lá sim; ele falou, levantando-se com um sorriso nos lábios. –Obrigado madrinha;
-Sabe que pode contar comigo, criança; Emilia falou, abraçando-o ternamente. –Mas não se esqueça do que lhe disse; ela falou.
-Uhn? –ele murmurou confuso.
-A próxima vez que voltar aqui, quero que traga Aimê junto; ela avisou.
-Porque? –Filipe perguntou assustado.
-Oras Filipe; Emilia falou, batendo o pé no chão. –Para que eu conheça minha futura nora; ela falou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo, divertindo-se com o fato do jovem estar tão ou mais vermelho que um tomate.
-Ahn! Bem... É melhor eu ver se o padrinho me da uma carona; ele falou, apontando pra saída e acenando, afastou-se, antes que Emilia fizesse mais alguma pergunta.
-o-o-o-o-
Ouviu o carro do padrinho afastar-se atrás de si. Respirou fundo, caminhando atá a entrada. Segurou firmemente o molho de chaves entre os dedos, temendo que os derrubasse. Henry lhe explicara que andara cuidado de tudo por lá desde que partira e não negava que tudo estava em perfeito estado.
Olhou atentamente a mansão em que viveu boa parte de sua vida com os pais. Era estranho voltar ali depois de tanto tempo, parou em frente a porta olhando atentamente para sua mão, tentando identificar qual das chaves abriria a porta de mogno. Por fim encontrou uma que pareceu encaixar-se de imediato na fechadura.
Virou-se para trás, notado estar completamente sozinho. Empurrou a porta, abrindo-a completamente. Deparou-se com o corredor de entrada que levariam ao hall e a escada que levava ao segundo andar e também os cômodos de baixo como cozinha, salas e biblioteca.
Fechou a porta atrás de si e com passos lentos caminhou pela casa toda. Lembrando-se de todos os momentos que vivera ali. Caminhou até a cozinha, como ultima parada. Olhou pela janela da mesma deparando-se com uma pequena estradinha de seixos atrás da casa que levava a uma clareira com lago mais à frente.
Saiu para o quintal com um olhar intrigado. Caminhou pela estradinha deparando-se com um lago de águas cristalinas, lembrando-se que quando era pequeno, uma das coisas que mais gostava era acordar pela manhã e mergulhar naquelas águas, habito que não perdera, mesmo depois de se mudar para Gotland.
Notou que ao longe conseguia ver um agrupamento de montanhas, elas ficavam lindas cobertas de neve quando o inverno chegava. Parou por um momento, olhando a sua volta.
Em volta do lago não havia muita vegetação, mas porque não tentar; ele pensou com um olhar intrigado.
Aproximou-se da beira do lago, erguendo parcialmente as barras da calça para que não tocassem a terra. Fitou atentamente o espelho da água como se estivesse hipnotizado. Seu cosmo começou a elevar-se, fazendo surgir em volta de si uma aura dourada que aumentava a cada bater de seu coração.
Fechou os olhos concentrando-se, uma explosão de luz aconteceu envolvendo todo o local. Minutos depois tomava o caminho para fora da casa, já encontrando seu padrinho a lhe esperar.
-Algum problema padrinho? –Filipe perguntou, ao ver o olhar curioso do Sr sobre si.
-Não, problema algum; Henry respondeu, balançando a cabeça levemente com um meio sorriso. –Vamos, Emilia esta nos esperando para o café, ela disse que não lhe deixa ir embora sem experimentar um dos pãezinhos que ela fez;
-Ta certo; ele falou sorrindo.
IV – Rosas mortais.
1 ano depois...
-CONCENTRE-SE; Eurin gritou, estavam a mais de uma semana treinando aquela técnica de criação de rosas e até agora nenhum progresso.
-Estou tentando; Afrodite respondeu, serrando os orbes.
Elevou seu cosmo como se fosse acendê-lo completamente, mas deixou-o apagar-se rapidamente. Estava nisso a pelo menos três dias, depois da viagem que fizera a Visby muita coisa mudara e essa era uma delas, mas precisava que fosse assim, por enquanto; ele pensou.
-Não consigo; ele murmurou, com ar cansado.
Fechou os olhos, sentindo a lateral da face arder. Não soube quando ela se aproximara, mas sentiu o peso da mão da mestra chocar-se contra sua face com força.
-Não seja idiota; Eurin rebateu ferina.
-Estou cansado disso; Filipe falou, levantando-se e passando a mão pelo canto dos lábios, onde um fino filete vermelho escorria, marcando a face de pele alva.
-O que disse? –Eurin perguntou de forma ameaçadora. Vendo-o dar-lhe as costas.
-VÁ PARA O INFERNO; Filipe berrou irritado. –Estou pouco me lixando para o ultimo desejo dos meus pais, eles não passaram por metade desse inferno para que tenham alguma moral de me mandar pra cá e se você quer realmente saber, essa sua disputa patética com Alister já deu o que tinha que dar. Eu não vou ficar no meio desse fogo cruzado, porque VOCÊ não é capaz de admitir que seus sentimentos por ele são mais fortes do que esse patético conceito de obrigação que tenta pregar; ele falou, voltando-se para ela com um olhar envenenado.
Intimamente sentiu-se aliviado, a muito vinha reprimindo tudo aquilo. Estava cansado. Queria simplesmente sumir do mapa, ou melhor, ir para algum lugar onde as palavras: cavaleiro e amazona fossem proibidas.
Eurin arregalou os olhos surpresa, nunca ele rebelara-se contra si, nem quando Aimê fazia alguma provocação que nem mesmo ela era capaz de se controlar, mas agora era diferente, por mais acidas que aquelas palavras tenham soado, sabia que ele estava certo, porém não iria admitir com facilidade.
Escondida atrás de uma arvore, Aimê observou espantada aquilo. Não era um bom sinal, não queria vê-los brigar, mas sabia que a irmã não iria deixar barato o fato de um aprendiz lhe jogar na cara tudo aquilo que nem mesmo ela era capaz de fazer em meio a suas provocações, só para tirá-la do sério.
-Então, acha que é capaz de me desafiar, fedelho; Eurin falou, adquirindo uma postura impertinente.
-...; Filipe arqueou a sobrancelha, já era de se esperar.
-É bom que esteja preparado para morrer; ela continuou.
-Se você acha que é capaz de me matar, tente; ele rebateu, abrindo os braços, em sinal de desafio.
Eurin conjurou uma rosa negra. Mas frustrada, viu-o não mover um músculo ou mostrar-se intimidado. Avançou sobre o aprendiz, preparando-se para lançar a rosa.
Filipe simplesmente fechou os olhos, antes que Eurin pudesse lhe atingir, uma infinidade de galhos de rosas ergueram-se do chão, envolvendo o corpo da amazona.
Conhecia aquele tipo de galho, eram galhos de rosas mortais; ela pensou desesperada, tentando livrar-se daquilo, mas era impossível, elas pareciam estreitar-se a cada movimento brusco.
-Se ficar se mexendo, só vai espalhar o veneno mais rápido; ele falou friamente. Serrando um dos punhos, que por sinal, ela não foi capaz de ver um pequeno corte feito sobre a palma da mão momentos antes dos galhos envolver-lhe o corpo.
-O que? –ela perguntou.
-Creio que já percebeu que são galhos de rosas mortais, elas são venenosas e seus espinhos muito perigosos; Filipe continuou, embora estivesse omitindo o fato de que no processo inverso da criação da rosa, os galhos nasceriam muito parecidos, porém sem veneno quando já criados com sangue. –E matam em questão de minutos; ele completou.
-O que pretende com isso? –Eurin perguntou, sentiu o cosmo dele intensificar-se de forma devastadora, nunca pensou que ele estivesse com o cosmo tão elevado assim. Recriminou-se mentalmente por não ter percebido que ele vinha reprimindo seu cosmo. Mas quanto tempo ele estivera fazendo isso, talvez nunca viesse, a saber. Sentiu sua visão ficar turva, viu a imagem de Aimê surgir a sua frente e tudo ficou escuro.
-PARE; Aimê gritou, ficando na frente da irmã, deparando-se com o olhar gélido do cavaleiro.
Filipe abrandou o olhar, não queria que ela sofresse, mas estava na hora do pupilo ensinar algumas coisas a mestra. Elevou seu cosmo e rapidamente os galhos sumiram, fazendo Eurin ir de encontro ao chão.
-Mana; Aimê chamou desesperada, vendo-a inconsciente. –OLHA O QUE VOCÊ FEZ? –ela berrou.
-Ela só esta inconsciente; Filipe falou calmamente, aproximando-se. Viu Aimê colocar-se em seu caminho para detê-lo, mas desviou da jovem, caminhando até a mestra.
Passou os braços por baixo das pernas e das costas da mestra, suspendendo-a do chão. Aimê fitou-o confusa, vendo-o seguir em silencio para dentro de casa. Seguiu-o com passos apressados. Questionando-se intimamente porque ele fizera aquilo.
Filipe entrou com ela em seus braços. Levando-a até a sala. Colocou-a sobre o sofá. Pode notar os cortes feitos pelos galhos, balançou a cabeça com um olhar cansado. Ela iria acordar, surtar de novo e não iria entender o que estava fazendo.
Eurin poderia ser uma boa mestra, mas de uns tempos para cá vinha agindo de forma mais impaciente e explosiva. Até Aimê deixara de provocá-la, pois a jovem voltava-se para ela com agressividade e hostilidade. Não duvidava que isso tivesse algo a ver com a suposta viagem que Eurin tivera de fazer as pressas para o santuário. Fora apenas dois dias, mas o suficiente para fazê-la voltar intratável.
-Porque fez isso? –Aimê perguntou, encostando-se no batente da porta, vendo-o colocar sobre a irmã uma manta que estava sobre uma poltrona.
Viu-o fechar os olhos e aquecer seu cosmo, fazendo com que todos os cortes se fechassem.
-O que? –ele perguntou, voltando-se para ela.
-Escondeu de mim que estava com o cosmo nesse nível; ela completou, magoada.
-Não me achei digno para isso; Filipe respondeu, caminhando até a jovem, mas ao contrario do que ela esperava, ele desviou indo para a cozinha.
-O que quer dizer com isso? –Aimê insistiu.
-Não sei se o motivo que tenho para lutar é realmente valido, por isso deixei as coisas seguirem seu próprio curso. Pretendia lhe contar quando descobrisse se o motivo que tenho é realmente valido; o jovem respondeu, puxando uma cadeira para se sentar.
-Porque não tenta; ela sugeriu, sentando-se à frente dele.
Viu-o colocar a mão em cima da mesa, piscou confusa, ao vê-lo num rápido movimento agitar a mão, num milésimo de segundo três rosas surgiram entre seus dedos. Uma branca, outra vermelha e a terceira negra.
Arregalou os olhos surpresa, nunca pensou que ele estivesse criando as rosas daquela maneira, mas não conseguia sentir o cosmo dele. Filipe estava ocultando o cosmo em uma milésima fração de tempo quando criava as rosas, era um nível tão alto que nem treinando as escondidas conseguia fazer aquilo sem perder um pouco o equilíbrio. Aquele era o nível que só um cavaleiro de ouro atingia, quando chega ao sétimo sentido.
-É melhor você ir dormir, amanhã Eurin vai querer retomar o treinamento e vai estar mais estressada do que nunca; Filipe desconversou, levantando-se.
Arregalou os olhos, ao sentir as costas chocarem-se contra a parede de azulejos e a jovem literalmente em cima de si. A cadeira que ela estava sentada foi ao chão num baque seco.
-Comece a falar; Aimê mandou, segurando-o pela gola da camisa, mantendo-o praticamente prensado entre ela e a parede.
Voltou-se para ela surpreso, Aimê não estava brincando; ele pensou, não vendo por onde esquivar-se, para evitar por enquanto aquela conversa.
Continua...
