Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Isadora e Aaliah são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Capitulo 15: No nosso instante mais bonito.

.I.

Terminou de fechar a mala. Bem, estava levando tudo que precisava; Aaliah pensou, enquanto saia do quarto.

Shaka e o pai estavam na sala conversando. Suspirou cansada, do quarto pudera ouvir a quantidade de recomendações que o cavaleiro ouvira. Sobre como deveria proceder se ela ficasse resfriada, se cortasse o dedo, ou se erguesse um pouco mais de peso. Ah! Sem esquecer a recomendação que garantia ao pai o prêmio de 'Pai Super Protetor do Ano' tirando o primeiro lugar do Grande Mestre. Ele que ousasse magoá-la e estava morto, com pelo menos uma infinidade de rosas cravadas em lutares até então desconhecidos.

Era melhor intervir antes que mais alguma coisa absurda fosse dita.

-Já estou pronta, podemos ir; Aaliah falou, entrando na sala.

-Já? –Filipe perguntou, intimamente frustrado por ter sido interrompido em mais uma de suas regras que passava ao cavaleiro.

-Então, já vamos; Shaka falou, levantando-se rapidamente, aliviado com a chegada da jovem.

-Boa viagem; Filipe desejou, indo abraçar a filha.

-Obrigada pai; Aaliah falou. Aconchegou-se entre os braços dele, desde que chegara passaram tanto tempo juntos, que até mesmo uma viagem de pouco tempo como aquela, ainda hesitava em ir, mas era preciso; ela concluiu em pensamentos.

-Juízo e não esqueçam de me avisar quando chegarem; ele falou, acompanhando-os até a porta.

-Não se preocupe Afrodite; Shaka falou, compreensivo.

-Eu não me preocupo, é você quem tem de se preocupar, se acontecer alguma coisa com Aaliah; ele respondeu numa calma assustadora, embora seu tom de voz fosse uma promessa de morte lenta e dolorosa.

Shaka engoliu em seco, não dava mesmo pra saber quem era pior. Ele ou o Grande Mestre.

-Pai; Aaliah o repreendeu.

-Brincadeirinha querida, sei que o Shaka vai cuidar bem de você, não é Shaka? –ele perguntou, dando um tapa nada delicado nas costas do cavaleiro, que literalmente o jogou para fora do templo.

-Claro; ele respondeu, tentando respirar normalmente.

-Então, até a volta; Filipe falou.

Acenando os dois colocaram-se a cruzar os templos, iriam ao aeroporto e de lá, só o destino sabia para onde iriam agora.

Filipe entrou novamente em seu templo, olhou para todos os lados com ar entediado, ia fazer o que agora? –ele se perguntou, porém antes que obtivesse uma resposta, ouviu o telefone tocar.

-Quem será? –ele se perguntou. –Alô;

-Por favor a Aaliah; uma voz melodiosa soou do outro lado.

-Ela acabou de sair de viagem; Filipe falou, tentando identificar quem era a dona da voz.

-Droga, sabia que estava me esquecendo de alguma coisa; Isadora murmurou do outro lado da linha, havia esquecido de avisar Aaliah no dia anterior que o pedido que ela fizera já havia chegado na floricultura.

-Disse algo? –o cavaleiro perguntou, curioso.

-Ah sim, o Sr poderia me informar quando ela volta? –ela perguntou, hesitante.

-Isadora? –Filipe perguntou, imaginando que deveria ser ela.

-Eu; a jovem respondeu, corando furiosamente do outro lado da linha.

-Me desculpe, não reconheci sua voz; ele falou, suspirando aliviado por não ter errado. Afinal, não era nada agradável confundir o nome de alguém principalmente por telefone.

-Imagina; ela balbuciou.

-Olha a Aaliah saiu em viagem com o Shaka e só voltarão no final do mês; o pisciano falou.

-Droga, sabia que devia ter falado com ela sobre isso ontem; Isadora comentou.

-Algum problema? –Filipe perguntou, estranhamente interessado.

-A Aaliah encomendou algumas mudas e sementes novas. Só que elas chegaram ontem, eu esqueci de avisá-la; a jovem explicou, dando um suspiro cansado. Ela só voltava praticamente dali a um mês.

-Posso ir buscar se quiser? -ele sugeriu.

-Como? –ela perguntou surpresa.

-Olha, não estou fazendo nada aqui mesmo, se não se importar posso ir ai buscar? –o cavaleiro insistiu.

-Não sei; Isadora balbuciou. –Não quero lhe incomodar;

-De maneira alguma, vou tomar um banho, daqui a pouco eu vou. Pode ser? –Filipe perguntou.

-Claro; a jovem respondeu.

-Está certo, até depois; o pisciano falou.

-Até; a jovem respondeu, desligando o telefone.

-"Uhn! Bom, agora já tenho o que fazer"; ele pensou, enquanto dirigia-se para o seu quarto.

.II.

Subiu as escadarias dos templos rapidamente, parando em Peixes. Respirou fundo, precisa de ajuda para resolver aquilo; Aioros pensou.

Desde o que acontecera há pouco tempo atrás entre ele e Saori no templo de Escorpião, muitas coisas ficaram em aberto e sabia que se não tomasse uma atitude definitiva logo, aquela situação tomaria proporções irreversíveis;

-Afrodite; Aioros chamou, batendo nas portas do templo de Peixes.

-Aioros? –o cavaleiro falou surpreso, dificilmente via o sagitariano subir os templos, detendo-se no seu.

-Ahn! Está ocupado? –o sagitariano perguntou, vendo-o fechar as portas do templo, como se fosse sair.

-Estava de saída, mas aconteceu alguma coisa?

-Bem, precisava falar com você, mas quando voltar a gente conversa; ele falou, passando a mão nervosamente pelos cabelos.

-Mas...;

-Até depois; Aioros falou, acenando e subindo as escadas rapidamente.

-"Estranho, o Aioros não é de agir assim, o que esta acontecendo?"; o cavaleiro se perguntou, balançou a cabeça levemente para os lados, depois veria isso, era melhor ir buscar as coisas na floricultura de uma vez.

-o-o-o-o-

-Já disse Milo, não precisa se incomodar; Isadora falou, enquanto o via carregar uma infinidade de sacos de terra para dentro da loja.

-Imagina, eu estava a toa mesmo, não faz mal ajudar; ele respondeu, com um sorriso encantador, vendo algumas garotas passarem por eles suspirando ao ver o cavaleiro com todo seu esplendor suado e sem camisa.

Isadora balançou a cabeça levemente para os lados, não adiantava discutir.

-Está bem, só não vá se sujar todo com essa terra; ela falou, entrando novamente na floricultura, para organizar as coisas que ele já trouxera.

-Você manda; ele falou, passando as costas da mão sobre a testa. Não se importou muito com o que ela disse afinal, já havia tirado a camisa para não se sujar muito, e de quebra fazendo a alegria de suas fâs.

Entrou na floricultura ficando espantando com a quantidade de coisas que haviam chegado das encomendas que Isadora fizera. Eram vasos, plantas, sacos com sementes entre outras ferramentas para jardim.

-Não sei como vocês conseguem perder tanto tempo com plantas; Milo comentou, colocando o ultimo saco de terra no estoque.

Bateu a mão sobre as roupas, tirando os resquícios de pó, enquanto encaminhava-se para uma bancada com pia, próxima ao caixa, para lavar as mãos.

-Como? –Isadora perguntou, voltando-se para ele, enquanto conferia as notas e os produtos.

-Você, Afrodite, Aaliah. Nunca vi gente pra gostar tanto de planta; ele comentou, rindo. –Vocês até formariam um casal legal;

Parou ouvindo o som de algo raspando o chão e um baque seco de algo, ou melhor, alguém caindo.

-Ai;

Virou-se rapidamente, vendo que Isadora havia escorregado em um pratinho de plástico que estava no chão. Provavelmente ela fora andar, não o viu e pisou em cima.

-Se machucou? –Milo perguntou preocupado, enxugando as mãos rapidamente em uma toalha e indo ajudá-la a se levantar.

-Não, acho que não; ela murmurou, porém com a face em brasas.

-Já disse pra você tomar cuidado, fica distraída e não vê aonde pisa; ele comentou, já imaginando o porque da jovem ter escorregado.

Devido aos longos anos que se conheciam, a jovem tornara-se completamente transparente pra ele e já a algum tempo vinha notando algumas coisas diferentes no comportamento dela, mas era melhor não falar nada no momento, iria averiguar.

-Eu só escorreguei Milo; Isadora falou, ficando emburrada.

-Sei. E posso saber em que estava pensando, quando escorregou? –ele perguntou, com um sorriso maroto, enquanto estendia a mão para que ela pudesse se levantar.

-Puff; ela resmungou.

-Com licença; Filipe falou, entrando na floricultura.

Uma pequena sinetinha tocou na entrada anunciando a sua chegada. O cavaleiro parou, com um olhar curioso ao ver a cena a sua frente. Milo e Isadora próximos, muito próximos, ou melhor, mais próximos do que estava acostumado a ver; ele pensou, estranhamente incomodado.

-Ahn! Interrompo algo? –ele perguntou, com falsa inocência.

-Não, de maneira alguma; Milo respondeu, numa calma assustadora, divertindo-se internamente com o olhar desesperado de Isadora sobre si. –Bom Isa, já levei tudo lá pra dentro. Vou aproveitar e resolver algumas coisas lá no centro, mais tarde eu passo ai; ele falou, dando-lhe um rápido beijo no rosto e se afastando, pegou a camisa que estava pendurada ali por perto.

-Mas...; Não era possível que ele ia deixá-la sozinha ali e com ele; ela pensou.

-Até mais; Milo falou, acenando e passando pelo cavaleiro.

-Até; os dois responderam.

-"Nota mental, encomendar inseticida pra matar Escorpião"; Isadora pensou, engolindo em seco. –Bom dia; ela falou, voltando-se para o cavaleiro, com um sorriso nervoso.

-Uhn? –Filipe murmurou, piscando confuso, ao voltar-se para a jovem. –Ah sim, bom dia; ele respondeu sorrindo.

-Desculpe a bagunça, mas ainda não deu tempo de arrumar tudo; ela falou, enquanto recolhia as coisas que derrubara com a repentina queda.

-Imagina, não tem problema; ele falou, olhando a sua volta. De fora parecia uma floricultura pequena, mas ao entrar o lugar era amplo, claro, cheio das mais variadas flores.

-Se importa de esperar só um pouquinho, estava terminando de conferir algumas coisas? –ela perguntou.

-Não; Filipe respondeu, vendo-a dirigir-se para uma bancada em um canto da floricultura, abarrotada de coisas.

Olhou novamente ao seu redor. Era um lugar grande, as prateleiras eram de vidro, presas ao teto por finos cabos de aço, o piso branco com pequenos ladrilhos de cerâmica intercalado a cada dois pisos, formando belos desenhos sobre o chão.

O que mais lhe surpreendeu foi que no centro do salão notou um belo mosaico, parecido com aquele que havia no observatório do santuário, com o céu e as constelações zodiacais. Deveria ser coincidência, mas poderia jurar que eram iguais; ele pensou, franzindo o cenho, intrigado.

Deixou os olhos correrem com mais atenção pelo local. Onde Isadora estava agora, havia uma bancada grande metálica, encostada a uma parede, que possuía uma pia, provavelmente para retirar a água para as plantas; ele pensou.

Tudo estava em perfeita harmonia. Rosas em prateleiras especiais somente para elas. Orquídeas, brincos de princesa, lírios, violetas, entre outras.

Começou a conferir tudo calmamente, mas ao sentir o olhar dele sobre si foi o suficiente para lhe tirar a concentração. Respirou fundo, enquanto deixava as notas sobre a bancada, para pegar um vaso de lírios e levar até a prateleira.

-Isadora cuid-...; Filipe não teve tempo de terminar, apenas correu até ela, no exato momento que a jovem pisava novamente no mesmo pratinho, uma das coisas que esquecera completamente de tirar do chão, mesmo depois de cair a primeira vez.

Fechou os olhos, esperando pela queda, porém um par de braços fortes lhe enlaçou pela cintura, interrompendo a queda.

Abriu um olho de cada vez, como que para garantir que estava tudo bem, mas engoliu em seco, ao deparar-se com um par de orbes azuis lhe fitando com intensidade.

-Ahn! Obrigada; ela falou, com a face em chamas.

Ele apenas assentiu, afastando-se de forma que ela pudesse ficar novamente em pé. Encararam-se silenciosamente, sem saber ao menos como deveriam começar algum dialogo.

-Bom, deixa eu colocar isso aqui lá; Isadora murmurou, voltando para a bancada. -Quero dizer pra lá; ela concertou, voltando pra o caminho inicial completamente atrapalhada.

Viu-a passar por si e instintivamente acompanhou-a com o olhar. Não podia negar que a jovem mesmo vestindo-se de forma simples chamava a atenção. Os cabelos eram de um verde claro, com finas mechas de um tom mais escuro, os orbes rosados eram intensos e mesmo diante da aparente timidez sentia uma energia muito forte e segura emanada dela; ele pensou, praticamente hipnotizado, observando com atenção o andar calmo e a forma com que arrumava cautelosa, as plantas na prateleira.

O vestido claro de verão moldava-lhe o corpo, destacando as curvas esguias e a pele clara, cuja barra levantava vez ou outra, com um movimento rápido ao virar-se.

-Pronto;

Piscou, fazendo os olhos voltarem ao foco, vendo a jovem sorrir e passar por ele, ao terminar de arrumar as flores na prateleira. Balançou a cabeça levemente para os lados, tentando afastar os recentes pensamentos.

-Uhn, aonde foi que ele colocou? –ela se perguntou, abrindo as portas de alguns armários a procura de algo.

-Como? –Filipe perguntou.

-Eu pedi pro Milo guardar a caixa com as coisas da Aaliah em algum lugar, mas não lembro aonde foi que ele me disse que guardou; ela comentou, com ar pensativo, mordendo levemente o canto dos lábios.

-Você e o Milo são muito amigos não? –ele comentou, como quem não quer nada.

-Somos; Isadora respondeu, meio sem pensar, ou analisar a ambigüidade da pergunta e da resposta. –Achei; ela falou, animada, encontrando a caixa.

Virou-se para o cavaleiro, mas estranhou ao deparar-se com ele com um olhar frio, diferente do ar pacifico que estava a pouco.

-Algum problema? –Isadora perguntou.

-Não, problema algum; Filipe respondeu, seco.

-Aqui esta, desculpe tomar o seu tempo; ela falou, entregando-lhe a caixa.

-Obrigado. Tenha um bom dia; ele respondeu, dando um breve aceno e saindo da floricultura.

-"O que deu nele?"; Isadora se perguntou, notando que o cavaleiro parecia de alguma forma irritado com algo.

Respirou fundo, era melhor começar a colocar tudo em ordem e tomar cuidado pra não cair em mais nenhum prato; ela pensou.

-Isa, voltei; Milo falou, entrando na floricultura, porém parou vendo a jovem com um ar sério, atípico dela. –Isadora;

-Uhn! –ela murmurou, virando-se para ele.

-Aconteceu alguma coisa? –Milo perguntou, preocupado.

-...; Isadora negou com um aceno.

-Vamos, me fala, o que aconteceu, acabei de ver o Afrodite saindo daqui com cara de quem chupou limão, o que foi? Ele te disse alguma coisa? –ele insistiu.

-Nada; ela respondeu.

-Isadora, você não sabe mentir; o cavaleiro falou, aproximando-se dela. –Ele disse algo que lhe incomodou, não foi?

-Não é nada Milo, ele não disse nada; ela respondeu, vendo-o arquear a sobrancelha. –Ele apenas perguntou se éramos amigos, só isso;

-Só isso? –Milo perguntou, arqueando ainda mais a sobrancelha. –"Será que é o que estou pensando?"; ele se perguntou, um sorriso imperceptível surgiu em seus lábios. –"Vou averiguar isso depois". Se você diz, mas sabe que pode me falar se algum engraçadinho te importunar, não é?

-Sei, não se preocupe; Isadora respondeu, com um sorriso mais calmo.

-Bem, como sei que você ia arrumar alguma desculpa pra não ir almoçar, trouxe alguma coisa pra comermos aqui; ele falou, erguendo algumas sacolas que tinha em mãos.

-Milo, não precisava; ela falou.

-Que isso, espero que não se importe, é yacksouba; ele falou, colocando as sacolas sobre a bancada, entregando um pacotinho com hachis pra ela.

-Imagina, eu adoro; ela respondeu.

Continua...


Domo pessoal

Mais um capitulo chega ao fim, desculpem a demora pra postá-lo, mas tive alguns probleminhas com excesso de idéias e um pequeno congestionamento criativo, que demorei um pouco mais pra editar esse capitulo. Agora mantendo a outra em paralelo vai ser um pouco corrido, mas logo sai capitulo novo.

Bom, sinceramente espero que tenham gostado. Vocês não sabem o quanto fico feliz com todos os comentários e grande apoio que recebo ao escrever, valeu mesmo pessoal.

Antes de ir, deixo um obrigada especial a todos que acompanham essa fic e as demais e ainda perdem um pouco te tempo comentando.

Até a próxima

Kisus

Já ne...