Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aishi, Donatelo e Isadora são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Capitulo 18: Ah minha adorada.
I – Plano A.
Viu-a com ar pensativo sentada em frente ao templo, franziu o cenho, depois do que acontecera no templo de Athena durante a noite passada, ainda sentia as costas doerem; ele pensou, lembrando-se que as garotas não foram nem um pouco gentis ao pegá-los numa situação um tanto quanto constrangedora, quando tentavam ouvir a conversa delas que ocorria no terraço junto com o Escorpião.
-Marin; Aiolia chamou cauteloso.
-Uhn? –ela murmurou, voltando-se para ele.
-Algum problema? –ele perguntou, aproximando-se pronto para abraçá-la, porém a amazona esquivou-se.
-Não, problema algum; Marin respondeu, desviando o olhar momentaneamente. –Mas então, podemos ir? –ela perguntou, tentando parecer o mais casual possível.
-...; Aiolia assentiu ainda confuso com a esquiva da jovem. –Vamos sim; ele falou, pretendendo estender o braço a ela, porém a amazona já estava descendo as escadas. –"O que esta acontecendo com ela?";
-o-o-o-o-
Colocou a gaiola no chão momentaneamente, enquanto revirava a bolsa em busca da chave. Suspirou cansada, passara boa parte da noite virando que nem bife a milanesa na cama e só conseguira dormir quando estava amanhecendo, tudo isso porque um certo 'dourado' não saiu de seus pensamentos. Resultado, estava com um péssimo humor.
-Isa; o lourinho chamou, pedindo atenção.
-Espera Donatelo, já vamos entrar; Isadora falou, quase jogando o conteúdo da bolsa no chão, para procurar a chave. –Eu sei que estava aqui; ela murmurou, não encontrando.
-Procurando por isso? –alguém perguntou atrás de si. Engoliu em seco, sentindo uma respiração quente e ritmada chocar-se contra seu pescoço, enquanto seu molho de chaves era balançado na frente de seus olhos. Deveria ter derrubado no caminho; ela pensou.
-Uhn? –a jovem virou-se lentamente para trás, deparando-se com um par de orbes azuis, lhe fitando com certo divertimento.
-Bom dia; o causador de sua insônia falou, com um doce sorriso.
-B-bom d-dia; ela falou, com a voz tremula.
-Isa; Donatelo chamou de novo, virando o pescoço parcialmente para o lado, tentando ver quem estava com a jovem, já que ela estava em frente à gaiola.
-Então esse é o Donatelo; Afrodite falou, voltando o olhar para o papagaio.
-...; Isadora apenas assentiu, sem saber o que fazer. Viu o cavaleiro passar por si, erguendo parcialmente a barra da calça, para abaixar-se até a altura da gaiola.
-Ahn, Afrodite. Minhas chaves; ela falou, cutucando-lhe levemente o ombro direito.
-Ah sim, me desculpe; ele falou, com um sorriso charmoso. Intimamente aliviado por confirmar que o tal Donatelo era realmente um papagaio, não que houvesse duvidado da palavra da jovem, apenas seu ego não permitia que ignorasse aquilo. –Aqui esta; o cavaleiro falou, entregando a ela as chaves.
-Obrigada; Isadora agradeceu, com a face levemente enrubescida. Ainda se perguntando de onde ele saira e como encontrara suas chaves?
Deu-lhe as costas, começando a procurar a chave certa, mas com ele ali, tão perto de si, que sua linha de pensamentos estava um completo caos não era nada fácil.
-Parece nervosa, algum problema? –ele perguntou, com falsa inocência.
-Problema, não. Não tenho problema algum; ela falou, com um sorriso nervoso.
-Eu não diria isso; o cavaleiro falou, pouco convencido.
Num ato inesperado, pousou sua mão sobre a da jovem. Ela estava fria e sentiu-a estremecer com isso.
-Esta fria; ele sussurrou, fitando-lhe intensamente.
Aproximou-se cauteloso, sem encontrar resistência. Entrelaçou os dedos nos dela, sentindo a delicada mão da jovem tremer. Donatelo moveu-se inquieto na gaiola querendo ver o que estava acontecendo, mas agora era o cavaleiro que estava a sua frente.
Sentiu a respiração dele chocando-se levemente contra sua face, pretendia recuar, porém simplesmente não conseguia se mexer, fitando quase hipnotizada os orbes azuis, conseguia esquecer tudo a sua volta, deixando de procurar respostas para perguntas que agora não eram nem um pouco importantes.
-ISA;
Afastaram-se rapidamente ao ouvirem alguém chamar pela jovem. Virou-se com um olhar envenenado para o distinto inconveniente, seu cosmo elevou-se de maneira perigosa ao ver o Escorpião aproximar-se ofegando, como se houvesse corrido muito até chegar ali, mas isso não era nem um pouco significativo para si agora e que pudesse aplacar aquela louca vontade de fazer artrópode no espeto.
-Bom dia Milo; Isadora falou, suspirando aliviada com a chegada dele.
-Bom dia; Milo respondeu, aproximando-se. –Donatelo, finalmente resolveu trazê-lo pra cá, é; ele brincou, voltando-se para a jovem.
-Você sabe porque não o trouxe antes; a jovem falou, ficando emburrada, abrindo a porta e entrando.
Milo apenas riu, enquanto pegava a gaiola. Sabia que a jovem não trouxera Donatelo para a floricultura nos últimos dias, devido às encomendas que haviam chegado e precisavam de atenção redobrada enquanto estivesse organizando o estoque.
Voltou-se com um olhar curioso para o cavaleiro que ficara para fora, com um olhar capaz de fatiá-lo.
-Oi Afrodite; ele falou, com um sorriso de menino arteiro.
-Oi; Afrodite respondeu seco.
-VÃO FICAR AI ATÉ QUANDO? –Isadora falou, já dentro da floricultura.
Os dois deram de ombros, entrando na floricultura.
-Milo; Donatelo chamou, batendo as asas.
O cavaleiro voltou-se para ele, enquanto caminhava até um canto da floricultura onde havia um poleiro grande e dourado, onde pendurou a gaiola.
-Depois de tanto tempo ele aprendeu a falar seu nome; Isadora comentou, enquanto pegava um vidro de álcool e um pano passando nos vidros.
-Porque será? –Afrodite resmungou.
-Ahn! Afrodite, por curiosidade ta fazendo o que aqui? –Milo perguntou, voltando-se para ele.
-É mesmo, eu ia perguntar a mesma coisa; Isadora murmurou, pensativa.
-Bem, eu...; Ele começou, engolindo em seco, ao ver o olhar curioso dos dois sobre si.
-Você? –Milo perguntou, com um sorriso nada decente nos lábios.
-Estou tentando salvar a pele do Aioros; ele deu a primeira desculpa que lhe veio a mente.
-Aioros? –o Escorpião perguntou incrédulo, tentando não rir da mentira deslavada, mas a julgar pelas ultimas ações do sagitariano, ele realmente precisava de ajuda... Ajuda profissional; ele completou em pensamentos.
-...; Afrodite assentiu, pedindo a todas as divindades do mundo que a desculpa colasse.
-Aconteceu alguma coisa com o Aioros? –Isadora perguntou, passando pelos dois cavaleiros em direção ao balcão de vidro.
-Ele, bem...;
-Precisa de ajuda urgente Isa; Milo o cortou, resolvendo dar corda.
-Sério? –ela perguntou, voltando-se para ele surpresa.
-Você sabe, Aioros sabe lutar contra titãs, mas quando o assunto é outro tipo de divindade ele é o caos em pessoa; o artrópode comentou casualmente.
-Isso mesmo; Afrodite falou, concordando veemente.
-Mas como você pretende ajudá-lo, Afrodite? –Isadora perguntou, curiosa.
-Com flores é claro; Milo prosseguiu calmamente. –Como você, o Afrodite é especialista em flores, não é? –ele perguntou, voltando-se para o cavaleiro.
-Não sou especialista em flores Milo, apenas gosto delas; Isadora falou, contrariada.
-Detalhe; ele respondeu displicente.
-Mas então, que tipo de flor você quer? –ela perguntou, voltando-se para o cavaleiro que dirigia um olhar incrédulo para o Escorpião.
-Então Afrodite? –Milo insistiu, tentando incentivá-lo a abrir a boca. –Acácia Amarela para um amor secreto, um Cravo Branco para os amores ardentes com um 'Q' de ingenuidade; o cavaleiro continuou, com um olhar insinuante para os dois. –Quem sabe um Lírio Branco pra arrastar para o altar de vez, ou talvez, uma Orquídea, pra ver se coloca mais fogo nessa relação; ele completou.
Isadora e Afrodite ficaram literalmente de boca aberta, ao acompanhar com o olhar o cavaleiro que a cada palavra apontava para as flores que estavam nas prateleiras.
-Ahn! Desde quando sabe tanto sobre flores Escorpião? –Afrodite perguntou, balançando a cabeça levemente para os lados, por essa definitivamente ele não esperava.
-Oras, lendo; Milo respondeu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Lendo? –o cavaleiro perguntou, arqueando a sobrancelha, descrente;
-Você acha que eu faço o que no meu tempo livre? –o Escorpião perguntou, mas viu o cavaleiro abrir um sorriso nada descente, elevou seu cosmo fazendo com que a unha vermelha se alongasse. –É melhor não responder se tem amor à vida;
-Parem com isso; Isadora falou, chamando-lhes a atenção, ainda mais ao notar que o pisciano pretendia continuar a provocá-lo.
-Puff; os dois resmungaram, dando as costas um para o outro.
Isadora arqueou a sobrancelha. Que atitude infantil; ela pensou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-Pelo menos não fico arrancando erva daninha o dia inteiro; Milo falou num resmungo.
-Ao contrario de você pervertido, minhas rosas merecem tratamento especial; Afrodite rebateu. –Com isso já da pra imaginar o tipo de leitura que você anda tendo;
-Se esta tão interessando assim no que ando lendo, pergunte a Isadora; Milo falou.
Isadora arregalou os olhos surpresa. Agora até mesmo ela estava sendo jogada no meio daquele fogo cruzado. Afinal, qual era o problema daqueles dois?
-Então? –Afrodite perguntou impaciente, esperando-a responder.
-Então o que? –ela perguntou, diante do olhar envenenado que os dois trocavam.
-Pode falar Isa, se ele espalhar pra alguém, vai virar suchi; Milo falou numa calma assustadora.
-Ahn! Milo, vocês não acham que estão levando isso à sério demais? –Isadora perguntou.
-Não mesmo; os dois responderam.
-"Céus, o que deu nesses dois para me alugarem hoje?"; a jovem se perguntou, vendo que não tinha por onde escapar, mas foi ele mesmo que pediu por isso. –Mulhermitosedeusas; ela falou tão rápido que os dois mal puderam ouvir.
-O que? –Afrodite perguntou, aproximando-se mais da jovem.
-Ahn! Bem... "Ele vai mesmo me fazer repetir isso"; Isadora pensou, com uma gotinha escorrendo na testa. –Mulheres, mitos e deusas;
-O QUE? –o pisciano berrou, definitivamente, preferia ver um elefante dançando kan-kan com saia de fru-fru na sua frente do que isso.
-Hei, não grite com a Isadora; Milo reclamou.
-Me desculpe, mas...; Ele balbuciou, voltando-se para a jovem extremamente vermelha. –Você disse mesmo o que eu acho que disse? –o cavaleiro perguntou, gesticulando nervosamente.
-...; Isadora assentiu, voltando-se com um olhar aflito para o cavaleiro.
-Milo, você bateu com a cabeça por acaso? –Afrodite perguntou.
-Hei, sou um cara sensível, ta legal; ele falou, emburrado.
-Você? –o pisciano perguntou arqueando a sobrancelha, com certa ironia.
-Qual o problema? Sou eclético, gosto de experimentar coisas novas; Milo falou, aproximando-se da gaiola de Donatelo.
-Doido; o papagaio falou, batendo as asas para chamar a atenção.
-Certamente; Afrodite falou rindo, ao ver o Escorpião ficar emburrado.
-Donatelo; Isadora falou, em tom de repreensão.
-Escorpião... Doido; ele repetiu.
-Pelo visto ele foi bem treinado; o pisciano brincou. –Mas Milo, por essa eu não esperava; ele confessou.
-Oras; o cavaleiro resmungou. –Não vejo problema algum querer entender o universo feminino e a influência das mulheres no decorrer da história; ele completou, lembrando-se de todas as personalidades místicas e históricas que encontrara no livro.
-Você andou fazendo terapia de choque, por acaso? –Afrodite perguntou. Não, aquele definitivamente não era o Escorpião que conhecia, mas será que Isadora estava certa? –ele se perguntou.
-Ahn! Podemos voltar ao assunto inicial? –Isadora perguntou, antes que eles começassem a discutir.
-Que assunto inicial? –o pisciano perguntou, um tanto quando confuso.
-Aioros; ela respondeu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Ah sim; ele falou, com um sorriso sem graça. –Acho que uma orquídea é a mais indicada; o cavaleiro completou, dando o assunto do sagitariano por encerrado.
II – Entre Amigos.
-Que cara é essa Leo? –Aldebaran perguntou, sentando-se ao seu lado, em um dos bancos da arquibancada.
-Não é nada; ele respondeu, dando um suspiro cansado. Ao longe, do outro lado da arena pode ver a namorada entretida treinando alguns aprendizes.
-Não é o que parece; o taurino comentou, acompanhando o olhar dele. –O que esta acontecendo? Sabe que pode contar comigo, não é?
-...; Aiolia apenas assentiu. –O problema Aldebaran é que eu não sei o que esta acontecendo; ele respondeu dando um suspiro frustrado.
Desde que saíram de Leão, a amazona se esquivava ou lhe ignorava descaradamente e ele nem ao menos sabia o porque. Passou a mão nervosamente pelos cabelos arrepiados, inutilmente tentando alinhá-los.
-Andou se desentendendo com a Marin; o cavaleiro falou, mais sugerindo a idéia. –Isso é normal entre um casal;
-...; Aiolia negou com um aceno.
-Não foi isso; ele murmurou, surpreso. –Mas então, bem... Deve ser outra coisa;
-Se eu soubesse eu até lhe contaria; o leonino falou desanimado.
-Bom dia pessoal; Kamus falou, aproximando-se com Saga e Shura.
-Nossa que cara é essa Shura? –Aldebaran perguntou debochado.
-Vai rindo da desgraça alheia, vai; o espanhol falou ficando emburrado.
Passara o dia anterior inteiro colocando em ordem as bagunças no templo de Touro, tudo porque cairá na besteira de apostar com Aldebaran.
-Ainda pagando a aposta? –Aiolia perguntou, balançando a cabeça levemente para os lados. –Assim você aprende;
-Até você? –ele falou indignado.
-Aiolia tem razão, mas deixemos isso de lado por enquanto; Kamus falou, estranhando o olhar apagado do cavaleiro. –Algum problema Aiolia?
-Isso mesmo, tava reparando, você não me parece bem; Shura comentou.
-Não é nada; ele respondeu vagamente, levantando-se. –É melhor treinarmos, quem vêm?
-Eu vou; Saga respondeu, seguindo-o para a arena, trocando um olhar significativo com os outros três.
-O que será que aconteceu? –Shura perguntou, voltando-se para Aldebaran.
-Não sei, mas algo me diz que tem a ver com o pequeno passeio dele pelo centro de Atenas há alguns dias atrás; o taurino respondeu.
-Como? –os dois perguntaram curiosos.
-Longa historia; ele falou, deixando claro que não falaria mais nada.
-o-o-o-o-
-São todos iguais; Shina bufou irritada.
-Shina, você não esta ajudando; Yuuri falou em tom de repreensão.
Estavam ali reunidas tentando saber o que estava acontecendo com a amazona de Águia e Shina logo concluira que isso era culpa de Aiolia, começando a classificar os homens como 'seres pouco pensantes, que tem o péssimo habito de se defenderem' entre outros argumentos que é melhor não citar, para o bem geral da população masculina alheia a esses conflitos.
-Meninas, não é nada; Marin falou, suspirando cansada. Há quem estava querendo enganar? –ela perguntou.
-Ahn! Vocês não tinham que treinar não? –Aishi perguntou, lançando-lhes um olhar entrecortado.
-Ah sim, estamos indo; Yuuri respondeu, com um sorriso nervoso, puxando Shina rapidamente dali, antes que fossem congeladas.
-Obrigada; Marin murmurou, vendo-as se distanciarem.
-Disponha; a amazona respondeu, voltando-se para ela com um olhar pacifico. –Sei que você não quer falar sobre isso agora, mas sabe que pode me procurar quando quiser conversar não é?
-...; Marin assentiu.
-Então vamos treinar; Aishi falou, se levantando e puxando-a consigo.
Deixaria que ela esperasse o momento certo para falar, pressioná-la agora não ajudaria em nada, embora já tivesse algumas idéias sobre o que estava acontecendo.
Continua...
