Ato IV: É Tudo Sobre Nós
Eles dizem
Não acredite
Você, eu.
Nós, nós.
Então nós cairemos
Apenas você, eu.
E é tudo sobre
É tudo sobre
É tudo sobre nós
Tudo sobre nós
É tudo sobre nós
Tudo sobre nós
Tudo sobre nós
Há um tema que eles não podem tocar
Porque você (nos) conhece
É tudo sobre nós, tudo sobre nós
Fugiremos, se precisarmos.
Porque você (nos) conhece
É tudo sobre nós(é tudo sobre nós)
E ninguém pode tocar (é tudo sobre nós)
É tudo sobre nós
Se eles magoarem você
Eles me magoarão também
Mas nós nos levantaremos
Não vamos parar
E é tudo sobre nós
É tudo sobre nós
Eles não sabem
Eles não podem ver
Quem nós somos
Medo é o inimigo
Agüente firme
Agarre-se a mim
Porque esta noite...
É tudo sobre nós
(All About Us – T.A.T.U.)
Lílian estava deitada, sem conseguir dormir direito, quando Leah entrou no quarto. O sol começava a dar indícios de que iria nascer, e estava muito, muito frio. Lílian percebeu que Leah entrava quase se arrastando, mas não ia cair na gracinha dela. A bruxa caminhou até a poltrona e se jogou de costas, as pernas abertas, gemendo dolorosamente.
- Aaaaaaaaaaaaaahhhh, caaaaara... – murmurou, passando as mãos nas pernas – Que... HOMEM!
Lílian fechou os olhos com força, tentando ao máximo não perder a calma. Ia tentar evitar escutar qualquer comentário indecente, para não perder o controle e surrar a bruxa até ela virar do avesso. Mas Leah parecia bem interessada em contar como sua noite foi, incluindo os detalhes mais sórdidos.
- ...Eu preciso de um banho. Urgente – gemeu, sem coragem de se levantar – Ah... mas, porra... minhas pernas... não tenho força... aquele cara... uau, Deus, que CAVALO!
Lílian sentiu a nuca formigar, e sabia que, se aquele formigamento lhe atingisse o limite, Leah iria parar em alto-mar. Leah, por sua vez, continuou contando com sua natural delicadeza todos os detalhes de sua noite sexualmente ativa com o fortão da taverna, incluindo onde fizeram sexo, as posições, a intensidade, as formas, o tempo de duração, tudo isso incluindo termos muito delicados e românticos, como "caralhão", "chupar tudo", "meter forte", "arreganhar", "agarrar os cabelos e meter fundo" e por aí ia o nível a coisa.
Lílian estava prestes a explodir de raiva quando alguém bateu na porta. Ela, com um salto, se sentou na cama.
- Pode entrar.
Por ela entrou o conhecido Reverendo Joaquim, o padre gordo e careca que as ajudou contra os piratas, da última vez.
- Bom dia, meninas. – sorriu o padre.
- Bom dia, reverendo. – cumprimentou Lílian.
- Acabei as acordando... esperarei vocês se trocarem... desculpem-me.
- Não, senhor, tudo bem. – disse Lílian, se erguendo e colocando um roupão – Já estamos acordadas, podemos conversar.
O padre olhou Leah, largada na poltrona, visivelmente amarrotada.
- ...Senhorita Leah... Parece cansada.
- ...Trabalhei a noite inteira, padre! – sorriu, contente – Hoje tem mais!
- ...Trabalhou? Com quê?
- Fazendo sexo, padre! – exclamou, feliz. O padre deu um passo pra trás – Sexo! Caralho, como não fazia há anos! Puta nego gostoso, fodido! – ela de repente se esqueceu das dores nas pernas e se levantou, gesticulando – padre, um cara alto, forte, e um pirocão DESTE TAMANHO! Coisa de louco! Me arregaçou todos os buracos possíveis e imaginários! Eu tinha que segurar com as DUAS MÃOS! Vi até estrela na hora que ele me agarrou com força nos cabelos e daí...
Leah não terminou de conta ro que tinha acontecido, porque ela foi jogada longe, de costas, indo parar na porta do banheiro, ao fundo do quarto.
- ...Não tinha que se limpar, santa? – murmurou Lílian, já de pé – Então VÁ. DEPOIS, quando voltar a parecer alguém decente, pode ir nos encontrar. Temos assuntos urgentes.
Leah, dos destroços de sua pessoa, lá de longe, gritou, erguendo o dedo médio:
- Você só tá nesse mau humor porque ninguém te come! Vou te apresentar ao Augusto!
O reverendo piscou:
- ...Augusto? Ela está se envolvendo com Augusto? O mercenário?
- Mercenário? – perguntou Lílian.
- Ah, deixe, depois conversamos, meu anjo, tens que se trocar, ó pá, e tomar café antes de tudo.
Lílian conversava com o reverendo Joaquim na parte detrás da capela, mais uma vez. Dessa vez, acompanhado do coroinha, Otávio, um menino órfão franzino, que foi adotado pela comunidade inteira, e morava na igreja.
- ...Muito bem... – começou o padre – Achávamos que vocês tinham dado conta de desfazer a maldição dos zumbis... mas, infelizmente... devo dizer que, de certa forma, vocês duas forma usadas... para algo maior.
- Algo maior? – estranhou Lílian.
- Como posso explicar...? – pensou o padre – Na verdade, senhorita Lílian... todos nós fomos usados. A maldição lançada sobre Iolaus e seus piratas era algo fruto de uma maldição muito, muito maior... ao destruir essa maldição deles... foi como se vocês duas tivessem... tirado a pedra que tampava o caminho da Grande Maldição.
- ...E o que seria a Grande Maldição?
- ...SEUS PUTOS! – xingou Leah, entrando, devidamente limpa e vestida – Nem pra me esperarem.
- ...Agradeceria do fundo do coração se vossa senhoria respeitasse a casa de Deus. – pediu o padre, dolorido.
- Casa de Deus o caralho. Se ele não quer que eu fale palavrão, que venha calar minha boca pessoalmente.
Lílian olhou pra trás, simpática:
- Deus mandou dizer que está ocupado, mas que passou a responsabilidade de calar sua boca pra mim. Portanto, colabore, sente-se, e em silêncio. Refrescando sua memória, viemos resolver o problema da ilha, não tirar seu atraso sexual.
Leah puxou uma cadeira e se sentou, não sem antes olhar Lílian:
- ...Se você tivesse dado pra ele, não estaria nesse mau humor.
- ...Voltando... o que diz a Grande Maldição? – perguntou Lílian, ignorando Leah.
O padre se levantou, foi até a estante de livros e buscou uma imagem de santo que estava entre eles. Sentou-se, e abriu a imagem, que era oca, tirando de dentro vários pergaminhos muito antigos.
- Durante a época dos piratas, esta cidade, como vocês sabem, foi porto seguro de hordas deles. Piratas bruxos, em especial. – dizia o padre – Uma das esquadras mais importantes e perigosas que veio para cá, foi a esquadra do bando de Njord, vindo do norte. Era um poderoso bando de bruxos nórdicos. Diziam-se tão poderosos quanto os deuses nórdicos.
Lílian se recostou, começando a prestar mais atenção. Leah continuava parada, na mesma posição.
- Eles carregavam consigo muitas magias, rituais, muitas historia da sua terra... e uma delas está descrita neste pergaminho. Na mitologia nórdica, há o mundo chamado Niflheim, o submundo. Niflheim seria algo como o mundo inferior liderado por Hades, na mitologia grega, e, de certa forma, poderia ser comparado ao inferno cristão, governado pelo demônio. Pois bem, esta maldição que eles descrevem seria algo como trazer para terra uma das criaturas mais poderosas e temidas de Niflheim.
O padre virou o pergaminho para Lílian e leah, que esticaram os olhos para ver as ilustrações dos pergaminhos: vários rascunhos de símbolos, altares, e ao fim uma criatura que parecia ser curvada, cheia de espinhos, indecifrável.
- ...Ela não é descrita em nenhuma lenda nórdica original, mas diz ser fruto de um ritual das trevas, que usa como poder principal a energia negra de Niflheim. – explicou o padre - Desse pacto demoníaco, surgirá um dos mais poderosos e mortais demônios que a terra já viu...
- ...Zz'gashi. – disse Leah.
Lílian e o padre a olharam, espantados. De repente Leah parecia ter perdido toda a alegria sacana que vinha demonstrando desde então. Voltava a ter o semblante sombrio. Parecia pálida, nervosa, por ver aquilo.
- ...Zz'gashi? – estranhou o padre.
- É o nome da criatura. – disse Leah, parecendo de repente ansiosa demais, olhando ao redor, passando a mão na boca, que havia secado de repente. – Zz'gashi, ou Slothien, ou ainda Lurker. São todos os nomes usados para definir essa criatura maldita.
- ...Você conhece a lenda dessa Grande Maldição? – perguntou Lílian.
Leah agora tinha colocado as mãos obre o queixo, apoiada nos joelhos. O padre continuou:
- Não sei como, ou porquê, mas essa Grande Maldição estava por trás da maldição inicialmente jogada nos piratas de Iolaus. Agora que eles se foram, o caminho para a Maldição Original foi aberto. Não sabemos como evitar, ou como ela pode acontecer... mas as coisas estranhas continuam acontecendo.
- Massacres como antes? – perguntou Lílian.
- Não. Não tanto. Apenas algumas pessoas... mas... têm acontecido coisas estranhas. Pessoas parecendo possuídas, sinais estranhos aparecendo nas casas...
- A maldição vai pulando de pessoa em pessoa. – disse Leah, olhando o chão – Até despertar o verdadeiro Zz'gashi. Temos que descobrir quem lança a maldição. Alguém está fazendo uso dos poderes destes piratas de Njor.
- E qual a utilidade de despertar um demônio destes? – perguntou Lílian.
- Talvez a pessoa ache que, ao espertar o demônio, terá ele como seu servo. Mas este demônio não pode ser controlado. Ele acorda e destrói tudo que pode estar em sua frente. – avisou Leah.
- E qual a ligação deles com os zumbis, afinal? – estranhou Lílian – Ontem recebi a visita de um zumbi samurai procurando por um duelo com Leah.
- Heim? Comigo? E porque não me avisou?
Lílian olhou Leah significantemente, e ela ficou quieta.
- Alguns zumbis despertam, outros aparecem, vindos com esta maldição. É como se essa Grande Maldição estreitasse novamente os laços entre os mundos, e faça com que essas criaturas malignas acabem reaparecendo.
- Diferente dos zumbis de Iolaus, estes andam sem rumo. Ou, como a senhorita disse, com objetivos próprios.
Lílian olhou o chão alguns instantes, antes de se levantar:
- Muito bem, escutamos o suficiente por hoje. Reverendo Joaquim... precisamos começar a busca pelo responsável e pelas pistas o quanto antes.
- Sim, sim, claro. Vou reunir tudo que sei, e lhes entregarei tudo pronto até amanhã.
E, assim, as duas saíram.
Já era noite quando Leah resolveu sair.
- Vai voltar cedo ou só amanhã, de gatinho? – perguntou Lílian, na mesa do quarto, lendo alguns dos manuscritos que havia pegado com o padre de tarde.
Leah parou na porta, e revirou os olhos:
- Francamente, se eu tivesse uma noitada daquela hoje, eu ficava esticada no meio da rua, largada, como um saco de estopa melado. Vou só até aquele pequeno bar na beira da praia, comer alguma coisa. Não quer ir?
Lílian a olhou longamente, com a mão no queixo. Leah gesticulou, sem paciência, e disse "nem vou trazer uma quentinha, sua CDF".
Quase duas horas depois, Lílian andava pelas vielas desertas da comunidade, descendo na direção da praia. Leah estava demorando, e ela resolveu ir ao mesmo bar. Não atrás de Leah, mas para comer também, já que a fama do bar era boa. Andava já por detrás de um dos galpões da orla, entre redes e caixotes, na direção da praia e da pequena avenida de pedras, onde via-se o bar, iluminado e animado, algumas centenas de metros á frente.
Mas Lílian parou no meio do caminho, de repente, escutando alguma coisa ao seu lado. De início achou até que pudesse ser Leah se divertindo com o tal Augusto de novo, mas, se fosse, provavelmente continuaria escutando o mesmo barulho.
- ...Por que não deu meu recado? – perguntou o samurai encapuzado, surgindo da sombra da parede.
- ...Olha... – murmurou Lílian, de repente sentindo a espinha gelar, pois estava sem varinha e se espada – Senhor... senhor samurai...
- Sou Denjichiro Yoshioka, senhorita. – cumprimentou o samurai, curvando-se ligeiramente – Um samurai peregrino que procura se tornar o mais forte.
- Ah, sim... senhor Yoshioka. Estivemos ocupadas com outros problemas.
- A Grande Maldição. – disse, óbvio – É por ela que quero duelar com battousais.
- ...Battousais? – perguntou Lílian.
- Sua companheira é uma famosa battousai, se não sabe. É detentora de uma das técnicas mais perfeitas. Por isso merece o titulo de battousai. É uma retalhadora nata.
- ...Retalhadora. – repetiu Lílian. Lembrou que, de fato, Leah levava ás vezes o adjetivo "retalhadora". – Bom, ela deixou seu legado há tempos. Não creio que ela vá aceitar seu desafio.
- ...Devo confessar que meu gosto é ligeiramente melhor que o seu.
Lílian olhou pra trás e viu Leah, com as mãos no bolso, olhando para o samurai. Parecia séria.
- O que você quer, zumbi? – murmurou Leah, parecendo mal humorada.
O samurai fez uma reverencia, como todo japonês faz, e disse:
- Sou Denjishiro Yoshioka, senhorita, e ando pelo mundo como samurai errante em busca dos mais fortes.
- ...Se nem a Dona Morte te fez parar, criatura, não deveria ter vindo atrás de mim. – sorriu, sacana – Porque eu posso fazer você voltar pra casa dela rapidinho.
O samurai não parecia se importar. Lílian percebeu que, de fato, os dois topariam um desafio.
- Não viemos desafiar ninguém, Leah. – avisou Lílian, entre os dentes.
- Ora, Lílian... – sorriu Leah – Passar o tempo não custa nada.
Leah empurrou Lílian para o canto do beco, e se pôs na frente do samurai.
- Senhor Yoshioka, poderia me emprestar um de seus instrumentos de trabalho?
O samurai retirou a espada mais curta que carregava e a jogou para Leah, que se espantou ao ver que ela estava intacta.
- Bela arma. – e se aprontou para o duelo – Para sua segurança, Liloca, chegue para a borda do beco. Mas te prometo que não vou demorar.
Lílian recuou, e ao sair do beco bateu de costas em alguém. Ela olhou e viu Augusto, parecendo apreensivo.
- Achei-o, ó pá. – murmurou, sério.
- ...Hum... – murmurou Lílian - ...Você deve ser Augusto.
O homem olhou Lílian do alto de seus quase um metro e noventa e cinco de altura, afirmando com a cabeça.
- Vim para este vilarejo caçar estes zumbis. – disse – Este é um dos mais difíceis e perigosos. Precisamos ajudar sua amiga.
- Não acho que ela vá precisar de ajuda. – murmurou Lílian, segura, cruzando os braços. Mas Augusto preparava seu revólver e algumas adagas, além de sua espada.
- Donzela, eu conheço este defunto...
- ...Você não conhece a "minha amiga". – voltou a desdenhar, olhando-o de cima embaixo – Não do jeito que deveria, neste caso.
Mas Augusto pareceu não escutar. Lílian também resolver olhar os dois duelistas.
- Pode vir! – gritou Leah.
Mas o samurai não foi. Então, Leah deu o bote. Sacou a espada, passando ela na horizontal. Mas o samurai também sacou a sua, batendo de encontro ao metal da lamina, soltando fagulhas e deslizando Leah para o outro lado.
- Você manda bem. – murmurou Leah.
- Essa não. – gemeu Augusto, baixo – Ela foi pega.
- ...Como? – estranhou Lílian.
Na mesma hora um esguicho vermelho de sangue espirrava da perna direita de Leah, que dava dois passos para trás, fazendo uma careta de dor. Lílian sentiu a espinha gelar. O samurai girava o corpo, contra atacando.
- Ah, seu morfético! – xingou Leah, se apoiando na perna ferida e erguendo a espada para se defender.
Mas não teve tempo.
Com um ataque que se resumiu a quatro feixes de luz, o samurai perfurou os ombros e o peito de Leah, jogando-a para fora do beco, deixando um rastro vermelho borrifado pelo chão.
- Cristo... – sussurrou Augusto, enquanto Lílian permanecia completamente em estado de choque.
Com extrema leveza e velocidade, Yoshioka saltava novamente no ar, descendo veloz na vertical, a espada como uma lança, para, definitivamente, cair sobre Leah, lhe enterrando a espada no estômago com um silvo de metal que ecoou pelo beco, seguido do som da carne e dos ossos de Leah sendo partidos, assim como a rígida pedra do calçamento.
N.A 1: Recorde, um capítulo por dia, heheheheh. Bom, Medo do Escuro não é Espada dos Deuses, e seus capítulos têm 6 páginas, e não 24! E, assim como a EdD, não é betada, então erpdoem pérolas do tipo "nós entra" ou "muitos problema", porque eu NÃO REVISO, e sempre digito muito RAPIDO. X-D
N.A 2: Sinto que estou demorando pra pegar o ritmo da MdE. Espero que isso se resolva no proximo capitulo.
N.A 3: A proposito, a Leah se fudeu.
N.A 4: E a frase "e um pirocão DESTE TAMANHO" é uma cena do hilário vídeo O Destino de Miguel. Quem pduer baixar, é risada garantida. Até o proximo.
