Ato XIII: Eternamente Seu
Experimentei você bem, pequeno coração partido
Olhos abatidos, uma vida inteira de solidão
Qualquer um que caminhar pelo meu coração
Irá caminhar sozinho
Uma constante busca pela alma perfeita
Um cenário não limpo que se foi para sempre
Qualquer um que caminhar pelo meu coração
Irá caminhar sozinho
Não foi deixado amor para mim
Sem olhos para ver o paraíso que existe do meu lado
A minha hora já está para chegar
Então eu serei eternamente seu.
(Forever Yours – Nightwish)
Leah colocou com cuidado um pequeno buquê de flores silvestres e orquídeas na frente de uma rocha em forma de jazigo, enterrada na ponta da baía da vila, de frente para a bela visão do horizonte do mar aberto. Em seguida ela se agachou, suspirando profundamente:
- ...Eu me perguntei porque o reverendo Joaquim tinha decidido trazer seu corpo pra cá e lhe enterrar aqui. Achei que ele fosse lhe deixar no cemitério, como tantos outros moradores e bruxos. Ou que seu corpo fosse levado pra alto mar. Mas agora eu entendo. Ter essa vista por toda a eternidade faz todo o sentido.
Ela olhou para o pedaço de pedra uns instantes, em silêncio, sentindo apenas o vento da baía.
- Você era um pirata. Seria justo jogar seu corpo no mar. Mas você também amava essa vila, e volta e meia aparecia aqui. Seria justo deixá-lo aqui por perto.. – Ela soltou mais um longo suspiro, sentindo-se extremamente abatida – Espero que você me perdoe, Augusto. Tudo o que você fez foi querer me ajudar. E eu... – Leah engoliu alguma coisa bem dolorida de descer, e sussurrou, com os olhos cheios de água – E eu matei você. Você gostou de mim, e em troca disso... eu tirei sua vida. Não, pensando bem, eu não quero que você me perdoe. Porque eu não posso evitar que essas coisas aconteçam. É minha real maldição. Quero apenas que você cumpra sua missão, e me odeie. Como todas outras pessoas fizeram.
Dito isso, Leah esperou alguns instantes, fez o sinal da cruz, passou as mãos no rosto e se levantou, voltando para a vila. Ao subir as escadas da taverna, viu Dumbledore, se aprontando para voltar para Londres.
- ...Não vai esperar a gente? – perguntou, encostando-se na parede.
- Ah, não, não. – respondeu – Eu... vim só... matar o tempo. Digamos assim. Vocês têm mais um bom tempo aqui. Descansem. Tudo terminou bem.
- Bem? – sorriu, dolorida.
- ...Mal? – perguntou, sorrindo para a jovem.
- Certo. – suspirou - Não tão bem quanto eu gostaria.
- Eu diria não tão mal quanto você esperava. – retrucou –Fiquem bem. E voltem.
- Quando será meu julgamento, professor?
- Já disse para descansar. Que menina teimosa, você. – resmungou – Ainda estão em missão. Quando voltarem, decidiremos. Agora vá.
Dumbledore continuou descendo as escadarias, até Leah dizer:
- Professor. Obrigada por tudo.
- Não tem que agradecer. Apenas tente não ter tanta pena de si mesma, de uma vez por todas. – e olhou para ela uma última vez – As únicas características realmente atraentes e divertidas de Zz'Gashi eram sua extrema autoconfiança e seu irritante egocentrismo. Mas, sinceramente, estes dois adjetivos não são originais dele. Você deveria saber disso. E passar bem. – murmurou, sumindo pelo fim da escadaria.
Leah ainda olhou o corredor algum tempo, antes de voltar a subir as escadas e caminhar pelo outro corredor, do segundo andar, para chegar até o velho conhecido quarto da estalagem. Ao entrar, sem fazer barulho, viu o reverendo Joaquim ao lado da cama, arrumando o soro.
- Precisa de ajuda? – ofereceu, ao seu lado.
- Ah, não, obrigado. – disse, se virando – Foi até lá? – Leah respondeu que sim com a cabeça – Ora, pare de se sentir assim, senhorita...
- ...Tem como não se sentir?
- A senhorita está bem. E ela também vai ficar. – disse, olhando Leah com convicção.
Leah, como se fosse rotina, suspirou de novo. Suspirar parecia tirar dela aquela sensação ruim, por alguns segundos. Olhou Lílian, na cama, sendo tratada. Fazia uma semana desde que tudo havia terminado. Dumbledore havia dito, na praia, que só poderia salvar uma delas. Será que ele blefou, ou fez de sacanagem? Nenhuma das duas tinha morrido, mas era óbvio que Lílian passou por perto. Aliás, ainda estava perto da morte. O veneno da cascavel ainda estava no seu corpo, e no menor deslize ele poderia sair do controle e matá-la. Mantinha-se inconsciente na cama, sendo alimentada apenas por soro. Dois tipos diferentes que se misturavam no caninho, e caíam na veia do braço esquerdo, já que sua mão direita e seu braço já estava muito feridos dos remédios e dos soros do começo da semana. E também tinha um outro remédio, sendo pingado gotinha por gotinha por um caninho em seu nariz. Sua respiração pela boa entreaberta era quase inaudível e imperceptível. Também estava sem cor, com os olhos escuros, a boca seca e rachada. Mas estava viva. Lá dentro, bem fundo. Adormecida, enfraquecida, sua vida parecia muito com uma chama de vela que está apagando, que volta e meia estremece, ameaçando sumir.
O padre acompanhou Leah com o olhar que foi até a penteadeira e pegou uma garrafa com água filtrada, virou num pequeno copo, e pegou algodão no vidro. Olhou-se no espelho: todo o seu rosto e seu corpo estava cheio de marcas, vestígios da carapaça e dos espinhos de Zz'Gashi; além, claro, dos ferimentos. Quando se tira a casca de um machucado, fica-se com o sinal da nova pele, rosa, até ela se igualar, e era assim que estava Leah, cheia dessas marcas rosadas por todos o corpo. E seus olhos não estava mais violetas: estavam azuis. Tão azuis quanto o azul do céu. Estupidamente azuis. Isso era sinal de que a sua maldição havia se apagado. Mas não para sempre. Em questão de semanas seus olhos voltaria a ter a cor de antes. E quando voltasse a ter a cor violeta...
- Não é tão ruim assim estar sem os poderes mágicos. – sorriu o reverendo Joaquim – Eu mesmo fico dias sem sequer usar os meus. Na verdade, não acho que eles tenham uma grande utilidade. Aproveite esse tempo, e experimente como é ser trouxa.
- Sei. – murmurou. Assim como Zz'Gashi, seus poderes mágicos haviam sumido. Assim como Lílian ao se exceder, Leah perdeu os poderes. Mas eles voltariam. Devagar, mas voltariam - Ainda não entendi o que Dumbledore fez para fazer Lílian fazer seus poderes voltarem sem sequer ter descansado, se levantar e ir atrás de mim.
- Na verdade não foi Dumbledore... – disse o padre – Lílian estava aqui, sem poderes, sem vontade de se levantar. Nenhum de nós a fazia se erguer. Até que chegou Otavio. Ele pediu que ela fosse salvar você. E ela foi.
Leah riu pelo nariz, balançando a cabeça. O reverendo disse:
- Lílian é constantemente comparada a um anjo por sua benevolência, caridade e pureza. Isso claro, não quer dizer que ela seja perfeita. Nós sabemos disso da maneira mais difícil. - riu, nervoso – Mas essa chama que arde dentro dela é um dos grandes motivos dela viver. Redenção, salvação. Enquanto ela puder ajudar, ela ajudará. Vingança, dor, ódio, nada disso move Lílian. Se alguém chamar por ela com qualquer um desses sentimentos, ela não fará nada. Mas, se ela escutar um sussurro, um pedido de ajuda, por menor que seja, um pedido verdadeiro, sofrido, ela irá se reerguer, não importa como, ou de onde. Ela irá se reerguer e irá mais uma vez lutar, e fazer tudo o que for preciso. Foi por isso que ela se levantou, e despertou seus poderes.
- ...Dumbledore sabia que ela não se levantaria se pedissem pra ela ir lá bater nos outros, por mais malvados que fossem. Porque ela não tinha nenhum lado pelo qual lutar. Dumbledore sabia que, cedo ou tarde, alguém iria implorar a ajuda dela, sem interesse algum. E isso aconteceu, e ela se levantou. Ele sabia de tudo. Ele sempre soube de tudo.
- Dumbledore é um bruxo magnífico. – concordou reverendo Joaquim – mas vocês duas se conhecem extremamente bem, também. Não tem porque ficar com tanto remorso.
- Lílian não deveria ter salvo Zz'Gashi.
- Ela não salvou Zz'Gashi; ela esperou tempo suficiente para deixá-lo ir, e salvar só você. Se quer ficar se remoendo, eu tenho mais um motivo para você se remoer de pena de si mesma: ela sabia desde o começo que você a estaria esperando, debaixo da carapaça do demônio. E se não estivesse, se você tivesse sucumbido, ela estaria no chão, na mesma posição até agora, e nada mais poderia fazê-la se levantar.
Leah saiu da penteadeira e se sentou ao lado da cama de casal, que agora estava quase na altura da cama de um hospital, para facilitar cuidar de Lílian. Molhou o algodão na água e pacientemente passou pela boca de Lílian, molhando com cuidado. O reverendo murchou, e murmurou:
- Leah... não precisa fazer isso... Lílian recebe soro diretamente na veia. É uma impressão ruim, parece que ela está desidratada... mas é que ela ainda não conseguiu se restabelecer. O liquido que ela recebe vai quase todo ser eliminado para retirar o veneno.
- Quando eu acordei naquele esgoto – disse, sem parar de molhar a boca da bruxa – Eu me desidratei. Eu não conseguia comer, vomitava muito, e senti que me desidratei. De tal maneira que minha boca secou, e meu corpo perdeu a força. Eu quase delirava. É uma das piores sensações, ter sede, a boca seca e não poder beber água. É por isso que tento aliviar a sede dela, mesmo que ela não perceba. – Leah voltou a espremer o algodão na água e completou, desanimada – É a única coisa que eu posso fazer por ela agora.
Joaquim suspirou profundamente, sentindo piedade de Leah. Claro que ver que ela tinha pena de si mesma era revoltante, mas por outro lado, talvez ela tivesse razão de estar se sentindo tão mal. E querer fazer aquilo parecia pequeno, besta. Mas ele não a proibiria de fazer. Lembrou-se da fábula do beija flor, que diante do incêndio na floresta onde vivia, ia e voltava do rio, com água no bico para jogar no fogo. Quando um dos bichos pára e diz que ele não irá nunca apagar o fogo da floresta, ele responde apenas que "estava fazendo sua parte".
- Bem... eu vou voltar para a capela. – disse, juntando suas coisas – Amanhã pela manhã estarei aqui. Boa noite. E tente dormir.
Leah apenas respondeu que sim com a cabeça. Dormir? De jeito nenhum. Dormir era algo que ela não se permitia fazer. Ao menos, não como deveria. Depois de algum tempo, resolveu se levantar e ir até a varanda. Fechou a varanda, antes de olhar para a noite nublada e sem estrelas. Deitou-se na cama, virando de lado. Como sempre, dormia e acordava. Parecia ter medo de dormir. Leah, como qualquer pessoa treinada como espadachim, como ela fora, tinha no sono um grande aliado e um grande ponto fraco: poderia despertar ao menor movimento, pronto para agir, mas também poderia dormir profundamente, como uma rocha, se tivesse certeza de que estava em segurança. Claro que isso também se assemelhava muito com a forma de agir de um animal selvagem.
Nessa noite ela simplesmente capotou. No começo da manhã seguinte, uma fina chuva caía, e o reverendo Joaquim havia entrado no quarto para trocar o soro de Lílian, e reparou que ela tinha uma sensível melhora no fim da semana. Leah, na cama, sequer se moveu. Enquanto Joaquim trocava o soro de Lílian, ela acordou. Piscou, mole, e olhou o padre, que sussurrou, sorrindo:
- ...Já está boa para acordar. Tirei a poção que fazia você dormir ontem. Ainda sente dor? – ela fez que sim com um mínimo de aceno – Vai melhorar, meu anjo. Continue aí, quietinha. Todos estamos bem. – Lílian fechou os olhos e engoliu alguma coisa, fazendo um baixo murmúrio, como se tivesse feito um grande esforço, mas sem conseguir mover nem um músculo – Não tente se levantar, ainda está um pouco adormecia. Leah está bem, dormindo como uma pedra, no outro lado do quarto.
Lílian suspirou, e parou de tentar se mover. O padre terminou de lhe arrumar, e disse, se aproximando:
- Continue dormindo. Quando acordar, vai conseguir falar e se mexer melhor. Amanhã vamos tirar esse remédio chato do seu nariz. Dumbledore já se foi, e disse que quer vê-las bem, e logo. Agora é hora de descansar o tempo que for necessário.
Ela pareceu concordar, porque fechou os olhos e dormiu de novo, sem muito esforço.
Já era quase meio dia quando Leah acordou. Abriu os olhos, e sentiu o corpo inteiro dolorido, parecia que tinha levado uma surra. Viu que as portas da varanda estavam abertas, e ainda chovia. Se levantou e foi até Lílian, com a cara amassada, toda amarrotada. Olhou pra ela, e achou que ela tinha mesmo melhorado um pouco. Acabou fechando os olhos, cochilando de pé. Nessa hora Lílian abriu os olhos. Olhou Leah, e cerrou as sobrancelhas, achando super bizarra a cena da amiga extremamente descabelada, remelenta, de pé, balançando ao seu lado, cochilando. Ficou um bom tempo a olhando, levemente espantada. Quando Leah abriu os olhos...
- AH! – gritou, saltando para trás. Lílian entortou a boca, sorrindo, provavelmente se segurando pra não rir – Céus! Mulher! Você acordou! Espere!
Leah correu para o banheiro, deixando Lílian esperando. Voltou, devidamente "acordada". Ainda respirando um pouco ofegante pela adrenalina, ela olhou Lílian, que tombou a cabeça, a olhando com ternura. Engoliu alguma coisa, e respirou profundamente, para tentar falar. Com esforço e dificuldade, conseguiu falar, com a voz fraca a rouca:
- ...E aí?
Leah ficou em silêncio. Lílian respirava praticamente a cada frase curta, tomando fôlego:
- ...Que cara é essa?
- Pf. – murmurou, balançando a cabeça – E você ainda pergunta.
- Ora, Leah, pare de bobagens. – sussurrou, com dor - Tudo acabou bem... não acabou?
- Depende.
Elas ainda se olharam em silêncio durante um bom tempo. Quando Lílian desviou o olhar, Leah sussurrou, sentando-se à beira da cama, colocando os braços no colchão, apoiando a rosto nas mãos fechadas:
- ...Eu matei Augusto. Não adianta falarem que as outras pessoas foi Zz'Gashi quem matou. Quem matou Augusto foi eu.
Lílian mexeu a boca, tentando molhar os lábios, mas sua boca ainda estava ressecada, melada, com falta de líquido. Leah apoiou o queixo nos polegares, escondendo a boca e o nariz na mão fechada. Olhava para frente, visivelmente desiludida:
- A única coisa que ele fez foi começar a gostar de mim, Lílian. E em troca, eu tirei a vida dele de forma brutal.
- ...Ele sabia. Não sabia? – sussurrou Lílian.
- ...Eu contei pra ele. – murmurou, olhando pra baixo – Contei sobre Zz'Gashi. Achei que devesse contar, não? Ele estava caçando zumbis. Uma hora teria de me caçar.
- ...Ele não caçou. – sussurrou Lílian, parecendo decepcionada.
- Ele morreu tentando me proteger. – murmurou, sentindo a garganta apertar – Ele tentou evitar que eu me tornasse Zz'Gashi, e foi morto por mim.
Instantes depois, Lílian gemeu, não se contendo:
- ...Por que não contou pra mim?
Leah a olhou com o canto do olho. Engoliu de novo, e disse:
- Porque você faria o mesmo que ele.
Lílian suspirou, ficando em silêncio.
- Na verdade... você até fez. – murmurou, pondo as mãos entre as pernas, abaixando a cabeça, sentindo os olhos encherem de água – E veja o que deu.
Ela pensou, e engoliu, para responder:
- ...Eu não morri, Leah.
Leah imediatamente disse, entre os dentes, sorrindo, nervosa:
- Por favor, não se atreva a dizer uma coisa dessas. – antes que Lílian dissesse alguma outra coisa, ela continuou, ainda sem olhá-la, falando entre os dentes – Nem hoje. Nem nunca.
- Não seja ranzinza. – murmurou Lílian – Você faria o mesmo por mim.
Leah respirou fundo, passando a mão no rosto, parecendo se acalmar. Voltou a pôr a mão no queixo, olhando Lílian longamente. Sem dizer nada, Leah parecia apenas ler cada centímetro da companheira, que continuava na cama, na mesma posição, debilitada. Até que Lílian olhou para os lados, sorrindo. Mas ao ver que Leah ainda a olhava com a mesma expressão, completou, torcendo o nariz, sorrindo torto:
– Você não vai querer me beijar logo agora... vai?
- É... eu vou te beijar, sim. Agora. – disse Leah, sorrindo. Se ergueu e deu em Lílian um demorado e delicado beijo na testa.
- Hum. – gemeu Lílian, com dor, fazendo careta, depois que Leah voltou a se sentar – Eu tenho uma sonda na uretra. – Lílian murmurou, ao ver que Leah riu – Não ria. Dói.
- Eu sei. – suspirou, parando de rir, a olhando – Mas o que você queria?... Você estava definhando. Muitos dos seus órgãos estavam parando de responder. Tínhamos de fazer isso, para você começar a filtrar o sangue. – e limpou a garganta, pigarreando – Eu sei que dói. Mas o veneno agiu de tal maneira que durante bons dias você acabava soltando sangue junto da urina. Creio que agora que está acordada a gente já vá te arrumar direitinho.
- É? Bom. Também quero tirar... isso... do nariz. – disse, contorcendo o rosto, sentindo-se incomodada, pondo a mão na garganta, com dificuldade.
- Vamos deixar o papo pra depois. Você não pode ficar se esforçando.
Lílian a olhou, levemente ofendida.
- É sério. – disse Leah, desanimada – Fique em absoluto repouso. Ainda não está bem o bastante.
- ...Um...
- ...Que foi? – perguntou, antes de sair do quarto, vendo que Lílian de repente se esforçava – Algum problema?
- ...TE ODEIO! I... IDIOTA! – e começou a tossir, gemendo de dor.
- ...Ora essa. – murmurou, ficando brava – Vá se foder, cuzilda. - e saiu do quarto, indo caçar alguma coisa para comer.
Da cama, Lílian riu, pensando "Isso aí, essa é a Leah que conheço".
Reverendo Joaquim finalmente livrou Lílian da maior parte das tranqueiras que ela tinha que usar, deixando-a apenas com um grande soro, que ainda iria hidratá-la por mais dois dias, até ela poder sair da cama. De tarde, ela finalmente pôde comer alguma coisa: um pouco de leite com biscoito salgado e meio mamão papaia.
- É bom vê-la bem de novo. – sorriu o padre.
- Imagina... – sussurrou, ainda com a voz um pouco rouca – Só dei trabalho pra vocês...
Leah entrou no quarto, erguendo as sobrancelhas, ao ver Lílian já sentada na cama (reclinada):
- Olha só. Já tá comendo, tia?
- Saco vazio não pára em pé. – suspirou, terminando de comer a fruta.
- Muito bem, agora deite de novo. – disse o padre, que voltou a inclinar a cama, mas dessa vez não deixando ela totalmente deitada – Não vou deitar você de novo para não fazer mal.
- Obrigada.
Em seguida ele virou-se para Leah:
- E você, trate de não espezinhá-la, agora que acordou.
- Ora essa, o respeito. – murmurou Leah – Eu fiquei tanto tempo cuidando dela, ajudando você, seu gordo tosco!
- Eu estava brincando. – riu o padre – Olha só, até você que estava pálida parece que está mais corada.
- Sai fora, seu careca.
O padre saiu do quarto, piscando um olho para Lílian. Leah murmurou mais alguma coisa, jogou a jaqueta na cadeira e olhou Lílian:
- E aí? – Lílian respondeu dando de ombros – Se precisar de alguma coisa, é só chamar.
Lílian suspirou profundamente, arrumando os lençóis. Parecia levemente emburrada. Leah percebeu:
- Ei, que cara é essa, ow? – murmurou.
- Nada. – disse, ainda se esforçando para falar.
- Pode falar, que é?
- Estou feliz por ver você meio louquinha... de novo. – murmurou, tossindo.
- Meio louquinha?
Lílian respirou fundo, tentando umedecer a garganta, e disse:
- Ver você daquele jeito me deixava nervosa. – ela olhou Leah com receio, e disse, cabisbaixa – Sentindo pena de si mesma, tão pessimista e deprimida.
- Bom... – murmurou Leah, sorrindo torto – Pra que virou um demônio, matou pessoas e começou as tripas de crianças, eu acho que você está querendo exigir um pouco demais, não?
- ...Não é isso. – sussurrou Lílian – Eu quis dizer que... ah, deixa pra lá.
Leah deu as costas, indo para o banheiro. Lílian sussurrou:
- Só queria que soubesse que você não foi a única que sofreu durante todo esse tempo.
Antes de fechar a porta do banheiro, Leah a olhou pro cima do ombro, e disse:
- ...Me desculpe. Por ser assim.
- ...Você não faz nada para mudar.
- Todas as vezes em que tento mudar, alguém que amo morre. Você é a pessoa que me inspira a mudar, Lílian. Mas, se eu tentar mudar novamente... sei que será sua vez de morrer. Então... é por isso que escolhi continuar a ser o que sou. O susto foi grande demais para que eu cometa a burrada de tentar de novo. Ser um demônio o resto da vida parece algo pequeno demais, se eu tiver a segurança de ter você andando em algum lugar desse planeta.
Lílian piscou algumas vezes, e baixou a cabeça, pensando. Enquanto Leah foi tomar banho, ela se recostou, pensativa. Fechou os olhos e acabou vencida pelos resquícios de analgésicos que tomou, e adormeceu. Acordou de noite, quando tudo estava escuro, iluminado apelas pelas luzes da cidade, e quando Leah dormia. Estava com vontade de ir ao banheiro, e não tinha mais a sonda. Acabou tendo que chamar:
- ...Leah. – sussurrou, baixinho, respirando fundo – Leah...
Leah despertou imediatamente, olhando para ela:
- Que foi?
- Calma. – riu, sem jeito. Era incrível como Leah parecia dormir profundamente e, ao mesmo tempo, despertava imediatamente a cada ruído – Só quero ir ao banheiro.
- Ah.
Leah se levantou, ajudou Lílian com o soro, e a levou até o banheiro, lhe apoiando pelos ombros. Voltou e a deitou de novo na cama, colocando seu soro no lugar. Em seguida sentou-se ao seu lado, ligando o abajur:
- E aí, tudo bem mesmo?
- Tudo bem. – murmurou Lílian, deitando-se e se cobrindo – Só queria fazer xixi, Santo Deus...
- Bom, precisando, é só chamar.
Lílian olhou o rosto de Leah alguns instantes, e seu braço. Finalmente percebeu direito as marcas rosadas de onde haviam os espinhos de Zz'Gashi.
- ...Você fica bem tigradinha. – sorriu.
- Ah. – murmurou, passando a mão nos braços – Pois é...
- Vem cá. – chamou, esticando as pontas dos dedos – Deixa eu ver mais de perto...
Ela esticou a mão, enfaixada, e passou os dedos na testa de Leah, em cada marca deixada por Zz'Gashi. Ela, parecendo um gatinho domesticado, deitou o rosto, fechando os olhos.
- ...Eu preciso... te confessar uma coisa. – sussurrou Lílian, passando a mão no rosto de Leah, lhe acariciando.
- Hum?... – estranhou, tirando a mão de Lílian do seu rosto e a repousando sobre a cama de novo.
- ...Você até que não ficou ruim, como Zz'Gashi.
- ...Ora, deixe disso. – murmurou, brava, olhando Lílian.
- É verdade. Eu sei que ele era terrível... ele era um demônio poderoso e perigoso. Mas... ele tinha lá seu charme.
- ...Estou começando a achar que Manuel tinha razão quando dizia que "o anjo se apaixonou pelo demônio". – riu Leah, num riso meio nervoso.
- Isso não parece tão mal assim. – sorriu Lílian. De repente ela parou, olhando leah. Desmanchou o sorriso, e ficou a olhando, espantando-se ligeiramente.
- ...Que foi? – perguntou Leah, estranhando ela parar de repente.
- Seus olhos. – sussurrou – O que houve...?
- Ah. Os olhos. – lembrou-se, como se não fosse nada – Estou sem poderes mágicos. Você sabe, meus olhos violetas são como uma "marca". Eles mostram que estou com o poder mágico e maligno em 100 por cento, por assim dizer. Quando me livrei de Zz'Gashi, fui até o osso. Estou sem poderes. Trouxa. De fato.
Lílian piscou, virando a cabeça, a focalizando melhor.
- Achei que era natural seus olhos serem violetas. – disse.
- É. Não eram. – murmurou leah, achando meio entediante.
- Eles são...
- Azuis. – completou.
- Azuis. É. Azuis. – disse, brandamente, estreitando o olhar.
- Ora essa, Santa, não há nada de bizarro nisso.
- Não, mas é estranho ver você assim...
- Não é estranho. – gemeu – Deveria ser natural.
- Ora, Leah, deixa eu vê-los. – reclamou, já que Leah insistia em olhar pro outro lado.
- Você está chata, heim? – reclamou também, a olhando, disparando a reclamar sem parar – Então me avise quando cansar. Não quero ficar tendo que te olhar a noite toda. Parece até que você é a única com olho claro na terra. Você tem olhos verdes, qual o problema de eu ter azul? Ora essa.
Lílian a olhou longamente, sorrindo.
- Que foi agora? – murmurou Leah – Sou vesga, também?
- Não. É que seus olhos são lindos.
- Eu sei que são! – disse óbvia, parecendo ofendida.
- Ora essa, não seja metida, estou te elogiando!
- Ah, desculpe. – riu Leah, pondo a mão na testa, rindo.
- ...Eu gosto de olhos azuis. – disse, também tombando o rosto no travesseiro.
- Certo. – suspirou Leah, fechando os olhos – Agora vá dormir, moça. É madrugada.
Assim, ela deu as costas, indo pra sua cama no canto do quarto. Mas, para seu azar, Lílian ainda a acordou outras 3 vezes, pedindo para ir ao banheiro, e Leah jurou que se a chamasse de novo, ela mesma socaria outra sonda na menina.
Alguém bateu na porta do quarto quando Lílian, três dias depois, prendia o cabelo, já fora da cama, mas sem se arriscar a sair da casa. Ao abri-la, deu de cara com o senhor Manuel Bandeira.
Os dois pararam, um olhando para o outro. Lílian parecia extremamente chocada de vê-lo, e provavelmente voaria no pescoço dele. Ele também demonstrava um sentimento parecido. Mas a cordialidade de ambos prevaleceria. Lílian foi hospedada na casa dele novamente, teve do bom e do melhor. Manuel Bandeira... bem, ele teve a vida e a vila salva.
Ele esticou na cabeça, olhando pela volta do quarto, como se procurasse alguém. Lílian baixou a cabeça, suspirando, e se afastou da porta, abrindo-a:
- ...Pode entrar, senhor Bandeira.
O português a olhou um pouco admirada, para depois entrar, a passos suaves, cuidadosos, como se de repente os espinhos de Zz'gashi fossem brotar do chão.
- Bem... – começou Lílian, passando as mãos pelas costas – Tanto tempo aqui... só agora tenho tempo de agradecer ao senhor por tudo.
- Por tudo o quê? – perguntou, virando-se de repente, como se esperasse um ataque.
- Ora. Por ter... nos aceitado em sua casa de volta. Por ter... bem, fornecido tudo que eu precisava.
- Não fiz nada além de minha obrigação. – murmurou, convencendo-se de que, de fato, o cômodo não iria lhe atacar. Pigarreou, sem jeito – A senhorita não deveria ter feito o que fez.
- Eu não fiz nada. – murmurou, simplória – Seus homens é que tinham uma mira péssima.
- Jamais iria ferir a senhorita, senhorita Lílian! – disse, enérgico – Nós tínhamos um único alvo.
Ele silenciou. Passou a mão na cabeça, e se estremeceu:
- Senhorita Lílian... sabes o quanto é cara para mim... jamais seria capaz de lhe ferir... és um anjo, uma deusa, uma rainha, uma...
Lílian cruzou os braços, o olhando com raiva. Ele, sem medo, se aproximou, e disse:
- ...Eu daria o mundo para ter seu amor.
- ...Era tudo uma maldição de amor. – lembrou Lílian, sorrindo torto – O senhor mesmo não disse? Um amor maldito.
- Imagine! Todo amor é sagrado! Inclusive... os insanos! Os descontrolados!
- Escute aqui, senhor Bandeira... – murmurou, sem paciência – Eu não quero ser indelicada, mas... o que trouxe o senhor aqui, exatamente?
Manuel Bandeira parou. Pensou por um instante e retirou da blusa um envelope timbrado do governo mágico inglês. Lílian abriu.
- É a ordem dada do ministério para a senhorita Málaga. – disse, sorrindo torto – Em uma semana será o julgamento dela.
Lílian fez um "oh" e dobrou a carta novamente, deixando-a na penteadeira. Manuel a acompanhou com o olhar:
- Não vai dizer nada?
- Dizer o quê? – perguntou, simplória – Era óbvio que ela seria julgada quando voltássemos.
- E está assim, tranqüila? – estranhou.
- ...Não deveria estar? – também estranhou. Mas Manuel Bandeira não disse nada, a olhou, em silêncio. Soltou um risinho debochado, e deu as costas. Lílian piscou algumas vezes, descruzando os braços.
- Engraçado... – disse Manuel, da porta, rindo – Zz'Gashi acabou por mexer com todos os nossos sentimentos. Ele se foi. De fato. E os levou com ele.
- ...O que quer dizer? – perguntou Lílian, adiantando-se até Manuel.
- Era tudo uma ilusão de amor. – repetiu Manuel Bandeira – O anjo nunca amou o demônio. Passe bem. Donzela.
Manuel saiu, mas Lílian não foi atrás dele. Voltou e se sentou na cama – já rebaixada. Pensou e pensou durante muito tempo. Não era o combinado? Leah sairia de Azkaban, ajudaria, voltaria, e seria julgada novamente. Ou havia alguma coisa que ela não estava sabendo? Não, Ela saberia de tudo.
Leah entrou no quarto no fim da tarde, procurou Lílian, mas não achou. Esticou o corpo para o lado da varanda e percebeu que ela estava lá, sentada na grade, no cantinho, quase imperceptível.
- Ei, tia, ta escondidinha aí porque? – perguntou, se aproximando e encostando as costas na grade. Ela estava com as costas na parede, abraçada a uma das pernas, dobrada sobre a base de madeira da grade da varanda. Parecia aborrecida, olhando para frente. – Achei que estivesse animada, temos que fazer as malas! Amanhã de tarde pegaremos o trem de volta pra Londres. Que cara é essa?
- Nada. – murmurou.
- Você não emburra à toa. Eu emburro. Que é? Pode falar.
- Nada, já disse. – suspirou – Foi só... o chato do Manuel que veio aqui.
- ...Ele te fez alguma coisa?
- não, não fez. Só me entregou a carta do seu julgamento.
- Ah. É, ele anda feliz com isso. – murmurou – Se no fim das contas eu não tivesse que agradecer a caridade daquele imbecil, eu já teria chutado o saco dele. Não que ter gratidão me impede de chutar o saco dele, mas você sabe, se eu o fizer, você fica puta comigo.
- ...Ele parecia feliz demais ao ver você ir a julgamento de novo.
- Claro, né? Volto pra Azkaban.
- Mas sua pena vai diminuir. – disse, achando estranho – Você cumpriu o trato!
Leah mostrou uma visível expressão de dor ao escutar isso. Lílian percebeu:
- O que foi?
- ...Nada. – suspirou, repetindo o gesto de Lílian.
- ...Eu estou com um mau pressentimento. – disse, levemente se aborrecendo com Leah.
- Ora, deixe disso.
- Que cara foi essa? Que cara era aquele do senhor Bandeira?
- Sei lá. A cara é dele. Feia daquele jeito, que culpa tenho eu?
Lílian franziu as sobrancelhas:
- ...Não está escondendo nada de mim, está?
Leah piscou. Suspirou, e se apoiou no joelho dobrado de Lílian, pondo o rosto na mão, de lado:
- Tô não, tia. Te juro.
- Você escondeu Zz'Gashi de mim. Porque não esconderia outra coisa?
- Ora essa! Seria tão legal chegar pra você e dizer "Ó, Liloca, na verdade eu sou um capeta feio rap diabo, cheio de enormes e venenosos espinhos saindo da minhas costas, presas de dragão, ando que nem um dinossauro bêbado, um bafo de derreter bujão de gás e uma queda especial por comer vísceras humanas!" Não veja me condenar por isso.
- Achei que confiava em mim, só isso. – murmurou, olhando para o chão.
- Não é uma questão de confiança. É questão de proteção.
- Tudo bem. – disse Lílian – Não vou ficar te condenando por causa disso.
- ...Bem... quanto ao meu julgamento... – disse, sem muita segurança – Eu não acho que eu vá me... dar muito bem. Eles vão dar um jeito de me ferrar. Mas não se preocupe. Você terá feito sua parte. E eu... bem, eu tenho tudo em mente.
- Tudo em mente o quê?
- Ahm. – de repente Leah parou, como se tivesse falado o que não deveria – Ora, em mente. Planos para se eu me ferrar. Se eu me ferrar, posso matar o ministro, só de raiva. E o Manuel bandeira. Se é pra me foder, que me foda com prazer.
Lílian soltou um gemido, e riu do comentário. Leah olhou para o horizonte da baía ao longe, e comentou:
- Ei. Hoje é o ápice da próxima lua cheia.
- Nossa, já faz um mês? – comentou Lílian, em tom baixo de voz.
- É. Hoje meus poderes voltam. – disse, sorridente.
- Hum. Legal. – sorriu Lílian, olhando a companheira. Em seguida ela perguntou, um pouco decepcionada – Ah, não... seus poderes voltam?
- Ta reclamando do quê?
Lílian baixou a cabeça, rindo.
- Que é?
- ..Seus olhos vão voltar a ser violetas. – sorriu, tombando o rosto.
- AH NÃO! Sua TARADA MANIACA por olhos! Vá furar o olho de outro caboclo!
- Oh, leah, não seja tão rude... só estou dizendo que vou sentir falta de ver você assim.
- certo. Também gosto dos meus olhos, mas sei lá, sem olhos violetas me sinto... vazia. É estranho.
- Seus olhos violetas são estranhos. Não são feios. São diferentes. Mas seus olhos azuis...
- ...Quer parar?
- Porque você nunca aceita um elogio meu? – perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Leah recuou, parecendo chocada:
- Como assim não aceito? Claro que aceito. Adoro elogios!
- Não aceita não! Só porque eu disse que achei seus olhos bonitos, sempre me xinga, murmura ou reclama.
- certo. Gosto de elogios. Mas não dos seus. É estranho. Por motivos inúmeros e óbvios, começando pelo mais leve de "eu tentei e sempre tento matar você quando tenho tempo / chance".
- Hum, ok. Então não digo mais nada. – riu, dando de ombros.
- Oh, não faça isso! Continue, eu adoro elogios. Só que com os seus sempre fico mais sem graça. – disse, dando um sorrisão claramente exagerado.
- Palhaça. – balançou a cabeça – Só a gente pra ficar aqui falando esse monte de abobrinha.
- Não são abobrinhas. Você vai sentir saudades dos meus belos olhos azuis. Isso é grave.
- Se você diz... seus olhos são do tipo que dão inveja. Juro pra você, é um azul que nunca vi em ninguém... em nenhum outro lugar.
- Ah, mas eu sou única e fodona. – dizia, se gabando.
- ...Eu não sei se é um azul da cor do mar... se é um azul da cor do céu. Pra você, que sempre foi chamada de demônio... eu diria que talvez sejam azuis da cor do manto de Deus.
- Ah, que profundidade... Ei. Perái. Azul é a cor do manto da Virgem Maria, não de deus. Sua MULA!
- Ow. Ora, que seja! Você entendeu. Não sacrifique. São profundamente... e estupidamente... azuis. Sem mancha alguma.
- É... pra quem também tem atraentes olhos de esmeralda, você até que está bem confortável elogiando os outros.
- Esmeralda foi cafona.
- Ah, certo.
Lílian desviou o olhar, para o fim da ladeira. Leah, ainda pendurada em seus joelhos, olhou para baixo. Era Manuel bandeira, na esquina, as olhando friamente, enquanto recebia uma carga de produtos para a taverna.
- Tsc. – murmurou Leah entre os dentes – Que portuga mala.
- ...O ódio que ele olha pra gente é mais do que escandaloso. – murmurou Lílian, também sem quase mover a boca.
- Também, tu queria o que? – disse, parando de olhar Manuel e olhando Lílian, que também a olhou – O velho era mó tarado em você. Ele é feio, velho, chato e idiota. Mas, querendo ou não, é rico. O melhor partido desse lugar. O cara deve pegar a mulherada em troca de favor. Não se conforma de não "ter tido" você. Pra ele isso não é nem um pé, são dois pés no saco.
- ele é meio delirante. – murmurou, olhando leah.
- Bem... ele queria porque queria você... e ao invés de ficar com ele... você correu atrás de mim. Ele tentou fazer de mim um demônio descontrolado, pra você concordar em acabar comigo e ficar do lado dele, mas, no fim, você nem pensou nessa possibilidade.
Manuel ainda as olhava, de tempos em tempos, como se as vigiasse, e ao mesmo tempo, conferia a mercadoria que recebia. Leah suspirou, e disse, meio sem graça:
- Ele mostrou pra você quem eu era, na verdade. E mesmo sendo um monstro horrível, você não quis me abandonar. Deve ter doído.
Lílian abriu um largo sorriso, de repente se sentindo bastante orgulhosa com alguma cosia. Esticou os braços, e puxou Leah pelo pescoço, lhe abraçando com força. De fato, tudo tinha acabado bem. Só faltava ter, de vez, seu final feliz. Ao procurar Manuel Bandeira de novo, nenhuma das duas viu sinal dele.
N.A1: Eu tardu mais num fáiu! xD Penúltimo capítulo da Medo do Escuro.
N.A 2: Nada a acrescentar. Ah, só aviso q nem adianta perguntar da espada dos deuses. nem sei quando continuo. Por que? ora, porque a EdD é bem mais dificil/complicada de se fazer. tomo MUITO cuidado com ela, escrevo primeiro no CADERNO, depois passo pro computador, para mandar pra cada beta reader corrigir, cada uma das 3, e só depois de receber o arquivo eu posto. Já a MdE é toda avacalhada mesmo, hehehehe
N.A 3: Fãs de Leah e Lílian. Cuidado. X-D
