"Tudo isso é propriedade do Comensal da Morte!" – Diz Pinochio, enquanto seu nariz cresce absurdamente. – "E ele está ganhando uma nota preta só por causa dessa fic idiota!" – Seu nariz cresce ainda mais.

Isso é uma slash (Harry/Draco) (na verdade, a minha primeira.) (além de ser a primeira fic) não tão recomendável à crianças, por conterem cenas... Bem... impróprias e palavras chulas. Se não gosta não leia! O problema é todo seu, que não sabe o que está perdendo. E é bom não vir com reviews mal educados por aqui, ou estará comprando uma grande briga com direito a processo e CPI.

Outra coisa a lembrar é que esta fic pode ser bem grande e demorada, com tendências a uma história triste (ô dó...), mas com muita slash.

Capítulo III – Nascem Duas Amizades

Harry estava assentado em uma confortável cadeira em uma sala de primeiros socorros esperando que Draco voltasse com a tal gordura de dragão que ele dizia ser boa para ferimentos profundos. Enquanto isso, ele e Foxter observavam o sangue cair no piso branco. Já tinha uma pequena poça de sangue que, a cada cota que caía, aumentava um pouco e havia também um pequeno caminho de gotas de sangue, pelo qual Harry passou ao ser puxado por Draco, que correra para evitar que Harry pegasse alguma doença. Foxter observava aquele sangue cair como se algo precioso estivesse sendo desperdiçado. O barulho da porta assustou aos dois, que olharam para Draco. O loiro trazia consigo uma toalha e um pequeno frasco verde. Draco enrolou a toalha no braço de Harry e olhou para o sangue no chão.

"Incrível, não é?" – Disse Foxter.

"Realmente muito bom. O melhor que eu já vi."

"O que é?" – Harry perguntou.

"Seu sangue. Ele é meio mestiço. Tem muita coragem e força, mas também tem a leve sombra da maldade. E ainda é parte da fonte do sangue de Voldie. Uma combinação perfeita. Se algum vampiro bebesse deste sangue estaria saciado para sempre, talvez."

Harry puxou o braço violentamente e olhou nervoso para Draco.

"Você não vai beber o meu sangue! Nem que todo ele coagule! Eu não deixo você beber o meu sangue!"

Foxter soltou um suspiro sonhador.

"Eu não vou beber nada de você! Sinceramente, Potter, isso é repulsivo! Um Malfoy bebendo o sangue de um Potter!"

"É..." – disse Foxter, decepcionado.

"Agora, vê se me dá aqui este braço antes que infeccione ou algo assim."

Draco puxou com força o braço de Harry, que gemeu de leve. Draco tirou a toalha e jogou um pouco do líquido do frasco verde em cada corte. Harry mordeu o lábio inferior. O sangue começou a ferver e evaporou, deixando uma forte dor no braço de Harry e três grandes marcas da presa de Puppy em carne viva. Draco foi até um pequeno armário e pegou ataduras, indo até Harry e enrolando-as em seu braço. Voltando ao armário ele pegou um suporte de algodão para que Harry apoiasse seu braço(1).

"Tome. Se deixar este braço baixo vai doer mais, além de não ser nada bom pra você."

Harry passou o suporte pelo pescoço e escorou seu braço nele. Realmente, aquilo fazia doer bem menos.

"Quanto tempo eu vou ter que ficar com isso aqui, doutor?" – zombou Harry.

"Sei lá! Um mês... dois. Vai depender de você."

"E vai deixar cicatriz?"

"Provavelmente, mas não serão tão grandes quanto estão agora, e sim três grossos riscos."

"Isso me conforta. Eu sabia que para um Malfoy, ter um gato de estimação seria anormal demais."

"Não reclame! Foi você quem quis conhecer o Puppy. Parece que ele também estava ansioso por te conhecer." – riu Foxter.

"É, mas parece que ele te abraçou um pouquinho forte demais e quis levar um pedaço seu com ele. Parabéns, Potter! Acho que ganhou um namorado novo." – adicionou Draco.

"Isso não tem graça!" – Harry se levantou, nervoso. – "Eu quero ir para a casa dos Weasley! Quero ir embora para um lugar que eu goste! Onde não tenha trasgos nem tigres, apenas gnomos!"

"Isso não foi nada gentil e muito menos gratificante. Se quiser ir e morrer, vá. Pelo menos morrerá longe da gente e nós não teremos nada a ver com isso. Mas vale a pena lembrar que só um vampiro sabe como tirar veneno de vampiro e não vai adiantar nada os feitiços de Dumbledore, porque ele é um velho babão metido a sabido que não entende nada. Você escolhe."

"Então me dê as poções certas que eu sumo daqui! Tenho certeza que está gostando que eu fique aqui tanto quanto eu!"

"Se fosse tão simples assim, eu te juro que já o teria feito."

"E por quanto tempo eu terei de ficar preso aqui?"

"Não sei. Depende da capacidade do seu organismo de expulsar o veneno. No mínimo mais uma semana."

"Uma semana? Acontece que daqui a uma semana tem o baile de formatura e eu não pretendo trocá-lo pela sua incrível casa normal."

"Isso não será uma grande perda. Duvido que você tenha um par."

"Isso não é da sua conta!" – Harry tentava manter a calma. – "Faça logo o que tem que fazer para que isso possa ser rápido!"

"Potter, para de drama! Está parecendo uma velha resmungona!" – Riu Foxter.

"Ele tem razão." – sorriu Draco – "Mas vamos. Eu concordo com você. Afinal, eu não quero ficar com você durante muito tempo! Venha, vamos subir. Tenho que pegar um livro e fazer alguns feitiços em você."

Draco e Foxter saíram da sala, deixando um espumante Harry resmungando maldições e azarações.

"Você vem ou não?" – Foxter colocou a cabeça para dentro da sala, fazendo com que Harry finalmente se levantasse.

U.U.U.U.U.U

Draco estava sentado em uma poltrona na sala de visitas. Não conseguia dormir. Estava ansioso pelo dia em que se juntaria a Voldemort. Este sempre fora seu sonho e agora ele estava muito perto de consegui-lo. Draco nunca tinha visto nenhum ritual que fizesse alguém se tornar um Comensal da Morte. Ele ficava todo o tempo imaginando como seria. Imaginava um casebre grande e escuro. Uma grande parede ao fundo tinha a Marca da Morte como pintura. No meio, um grande poço de lava onde o lorde aqueceria o ferro com a Marca Negra para marcar em seus novos servos. Os velhos Comensais fariam uma grande roda ao redor dos novos Comensais e do Lorde, enquanto sussurravam palavras como "Sempre seja fiel" ou "Que a raça desta marca lhe torne justo e responsável ao Lorde". Depois de terem os braços marcados, nuvens apareciam no teto do salão e começava a relampejar. Grandes raios e o barulho imenso dos trovões enquanto os Comensais todos se ajoelhavam diante de Voldemort.

"Draco!"

Draco olhou assustado para Foxter, que parecia que iria chorar a qualquer momento. Ele estava de pé em frente à porta segurando um feio trasgo de pelúcia que tinha uma cara de quem estava com muito sono. O trasgo piscou várias vezes e rugiu nervoso. Foxter trajava um pijama de seda verde e segurava um feio trasgo de pelúcia.

"Fox? O que aconteceu?" – Ele estendeu os braços para o garoto, fazendo-o se assentar em seu colo. – "Porque está chorando?"

"Tive um pesadelo! Gnomos vinham me fazer cócegas enquanto me pegavam e me carregavam para a casa deles."

"Oh, e o que você fez?"

"Eu comecei a rir. Mas eu tinha medo de pra onde eles me levariam. Aí eu acordei."

"Talvez se dormir denovo não terá mais pesadelos."

"Eu não vou dormir! O rei deles disse que não adiantaria se eu corresse! Vou ficar com você e com o Grotesco." – ele disse, olhando para o trasgo.

"Tem certeza? Vai ficar com olheiras amanhã."

"Não me importo! Pelo menos não terão gnomos. Eu tenho medo de gnomos."

"Eu sei. Tudo bem, você pode ficar um pouco mais acordado, mas não deixe a mamãe saber, ok?"

"Tá. Onde está o papai? Eu não o vi o dia inteiro."

"Deve estar numa reunião do ministério. Papai disse que estão resolvendo coisas importantes lá. Ele mandou a mamãe substituí-lo na reunião com o Lorde."

"Ah..."

Foxter olhou para Grotesco e começou a lhe acariciar a cabeça. O trasgo rugiu ameaçadoramente e tentou morder o dedo do menino que riu e coeçou a dizer frases como: "Quem é o bebê da mamãe?", "Olha só, que lindo!" ou "Gugu-dadá.". Draco permaneceu em silêncio, absorto em seus pensamentos, até que a voz de Foxter o assustou, e ele voltou à sala de visitas.

"Draco, porque o Potter não gosta do Lorde? Eu acho ele um cara divertido."

"O Potter é um idiota, não é?"

"Eu sei, mas isso não explica. Goyle é um retardado e gosta do Lorde!"

"Sim, Goyle é um retardado e não, isso não explica o fato do Potter não gostar de Voldie. Bem, talvez seja porque o Lorde matou os pais dele. Sinceramente, eu nunca parei para pensar nisso."

"O Potter é engraçado. Eu gosto do jeito dele. Acho que ele tem medo de trasgos."

"Sim, é provável. E trasgos são tão inofensivos... Mas, porque está se preocupando com isso?"

"Por nada."

Foxter voltou a conversar com Grotesco, que estava com uma cara de poucos amigos que piorava cada vez que Foxter o chamava de bebê. Sem perceber, Draco começou a pensar em Harry. Foxter chamara sua atenção para um assunto até interessante. Por um segundo, Draco sentiu pena de Harry. Não saberia o que teria feito se Voldemort tivesse matado os seus pais. E ainda teve o padrinho, o que abalou muito a Harry, com certeza. E por último, Dumbledore. O melhor amigo de Harry, talvez. Realmente, Draco ficou abismado que Harry não fosse um cara totalmente irritante e revoltado.

"O Lorde vai matá-lo logo, logo, não é?" – Novamente, Foxter assustou Draco, que olhou para o irmão, parecendo ter acabado de acordar.

"Matar quem?"

"Potter! Voldie vai matá-lo, não é?"

"Acho que sim. Por isso, é melhor que não se aproxime muito, porque quando ele morrer você vai ficar triste."

"Eu nunca me aproximaria do Potter!" – Foxter falou ofendido, antes de saltar do colo de Draco. - "Estou com sono. Boa noite."

U.U.U.U.U.U

A casa estava completamente vazia. Todos dormiam, menos Foxter. Estava sem fome e não queria tomar café naquela hora, então pensou em ir nadar. Saindo pelo hall de entrada ele vê Harry escorado na mesma árvore do dia anterior. Ele estava sentado e olhando para o mar maioria do tempo, mas a cada minuto, o garoto olhava de um lado para o outro. Foxter sorriu e andou até o garoto.

"Não se preocupe." – Ele disse, assustando Harry. – "Ele acorda mais tarde."

"Oh." – Harry suspirou. – "Isso me alegra. Pelo menos por enquanto não corro o risco de ser devorado por um felino gigante."

"Puppy não come humanos. Só se estiverem em forma de bife."

"É? Engraçado, por algum motivo isso não me pareceu tão evidente ontem."

Foxter sorriu e tirou a boina que usava, segurando-a com as duas mãos. Harry olhou para as roupas do garoto. Ele estava de pé, em frente a Harry. Realmente, passar uma vida inteira usando verde devia ser realmente nauseante, pensou Harry.

"Porque está sozinho?"

"Bem, acho que para um garoto normal estar acompanhado de um vampiro não é muito consolador."

"Então está com medo de mim?"

"Pelo o que eu entendi você ainda não se alimenta de sangue."

"Certo. Mas eu ainda posso te matar."

"Acho que não vai querer morrer tão jovem. Não é isso que Voldemort fará com você?"

"É, até que você é inteligente. Já tomou o café da manhã?"

Harry acenou negativamente com a cabeça. Estava com fome, mas não se sentiria confortável em começar a comer em uma casa estranha e ser abordado por alguém. Foxter andou até o castelo, sem dizer nada. Harry sorriu. Talvez todos os Malfoy fossem temperamentais. Ficou observando as ondas. O mar estava um pouco agitado naquele dia. Talvez fosse o vento. O mesmo vento que fazia os fios de cabelo de Harry esvoaçarem para todos os lados. Foi então que percebeu alguém se aproximando e olhou para o lado. Foxter colocou à sua frente um monte de cestas cheias das mais diversas coisas e também algumas jarras de suco.

"Eu também não tomei. Talvez ver você comer me dê ânimo."

"Um Malfoy me trazendo o café da manhã? Puxa, achei que não iria viver o suficiente para ver isso."

Vendo que faltavam os copos, Harry conjurou dois copos de vidro, servindo a Foxter e a si mesmo. Foxter o observava, quieto. Pegou seu copo de suco de abóbora e uma torrada já com geléia e começou a comer, sem parar de olhar para Harry.

"Potter, posso te fazer uma pergunta?"

"Pode, mas fique avisado que talvez eu não responda." – respondeu enquanto escolhia entre bacon ou biscoitos com pingos de chocolate para começar.

"Porque você não gosta de nós?"

Harry, que já levara sua mão aos biscoitos e pegara um, parou de se movimentar na mesma hora. Sua vontade foi de rir, mas aquela pergunta soara tão inocente que ele não teve coragem.

"Quem te disse isso?"

"É o que eu acho. Afinal, foi você que recusou a amizade de Draco."

"Bem, na verdade foi, mas foi porque ele estava sendo deselegante com o Rony."

"Rony?"

"Ronald Weasley." – Harry abaixou a cabeça, triste.

"Ah... um Weasley."

"Talvez possa responder porque vocês não gostam de mim."

"Draco disse que você era mal, mas na verdade..." – Foxter olhou de um lado para o outro. – "Eu acho que ele gosta de você." – cochichou.

Harry quase se engasgou com o suco que tomava. Olhou para Foxter, enojado.

"Como assim, gosta de mim?"

"Sei lá. Às vezes ele compara Crabbe ou Goyle a você. Ele diz: 'Vocês são mais burros que o Potter' ou 'Se fossem o Potter fariam diferente'."

Harry soltou uma forte gargalhada. Foxter o observou, sem entender nada.

"Ele diz isso, é?"

"Quase sempre. Porque não deixa ele ser seu amigo? Talvez se divertisse um pouco."

"Bem, eu posso tentar."

Eles conversaram alguns minutos mais, sem reparar que Draco os observava da porta da mansão. Ele tinha um sorriso no rosto. Gostava de olhar aquilo. Foxter fazia Harry rir e Harry fazia Foxter rir. Não se lembrava de ter visto Harry rir daquele jeito, e também se espantou quando Foxter começou a rir até rolar no chão. Ouviu um estrondo vindo de dentro e inclinou a cabeça para olhar pelo hall. Seu pai acabara de aparatar.

"Pai! Como o senhor demorou! O que houve?"

Lucius suspirou enquanto colocava sua capa e seu chapéu no cabide, suspirando.

"O louco do Fudge deu 'alguns' trabalhinhos extras para nós e só agora eu terminei o meu."

"Deve estar cansado. Espere, vou chamar o Fox."

"Hey, Fox!" – ele gritou com a cabeça para fora da porta. Foxter e Harry olharam para ele. – "O papai está aqui!"

Harry se levantou olhando assustado para Draco, que fez um movimento com a cabeça para que ele se escondesse ao lado da mansão.

Draco e Foxter entraram, fechando a porta. Harry escondeu-se. Imaginava o que poderia acontecer se Lucius Malfoy o visse ali. Um dos maiores Comensais da Morte que sem dúvida iria entregá-lo a seu mestre. Ele ficou ali, de pé um longo tempo. Depois, cansado, ele se assentou. Não imaginava o que eles poderiam estar fazendo que demorasse tanto. À medida que o tempo passava sua curiosidade aumentava. Foi então que, sem conseguir se conter, ele se levantou. Devagar, ele andou até a porta do hall e olhou por uma janela ao lado da porta. Lucius e Foxter brincavam como duas crianças. O garoto ria,

ria muito. Harry se assustou ao ver esta imagem, mas sorriu. Então ele percebeu, com certeza a impressão que tinha dos Malfoy era totalmente errada.

U.U.U.U.U.U

Draco descia rapidamente as escadas. Queria encontrar logo seu pai para que este lhe dissesse o que sua mãe dissera sobre sua aliança a Voldemort. O garoto andou até a sala de visitas onde encontrou seu pai com uma expressão muito brava no rosto e Foxter assentado encolhido ao seu lado, suas mãos estavam entre as pernas e ele olhava para o chão, envergonhado.

"Draco, sente-se aqui. Precisamos conversar."

Draco andou até a poltrona em frente ao seu pai. Pelo tom de sua voz ele percebeu que seu pai não estava com raiva. Estava furioso. Draco se assentou e olhou nos olhos de seu pai. A impressão que teve era que estava sendo fuzilado. Esperou que seu pai começasse a falar. Melhor não falar nada do que ter seu pai gritando pela casa só por causa de uma palavra que dissera.

"Muito bem, agora... talvez possa me explicar que história é essa de ter o Potter hospedado aqui."

Draco se assustou. Realmente aquilo era mais do que ele poderia imaginar. Olhou furioso para Foxter, que se encolheu mais ainda. Inúmeras frases passaram pela cabeça de Draco, mas ele abria a boca e nenhuma delas tinha coragem de sair.

"Estou esperando!" – disse Lucius, impaciente.

"É que... eu só... eu... era... ah... sabe, eu..."

"O que eu não entendo..." – Lucius o interrompeu. – "É o fato de você trazer um dos maiores inimigos de nossa família para morar conosco! Por acaso perdeu a consciência?" – Lucius não gritava. Draco se surpreendeu com isso. Sua voz era trovejante e despedaçava Draco a cada palavra. Ele não gostava de ser repreendido.

"Ele não está morando aqui, pai. Eu só... eu só achei que Voldie iria ficar nervoso se eu o deixasse morrer."

"Morrer? E porque ele morreria?"

Draco olhou para Foxter, que se encolhia cada vez mais. Os olhos do garoto estavam inundados em lágrimas.

"Porque eu o mordi." – disse Draco.

"O que?"

"Ele me provocou e eu o mordi. Fiquei com raiva dele ter me chamado de Comensal idiota e mordi ele. Mas aí eu pensei nas conseqüências disso. Eu sabia que se o Lorde soubesse do que fiz eu estaria morto, então eu o trouxe para cá."

"Ah! Por Merlin!" – Lucius colocou o rosto entre as mãos. – "Draco, porque você não me contou! Se Voldie souber você não só deixará de ser um futuro Comensal como deixará de existir! Está certo que Potter é uma praga ambulante para todos nós, mas você poderia ter usado sua varinha!"

"Me desculpe, pai, eu..."

"Vamos manter isso só entre nós três, está bem? Não contem a sua mãe e nem à ninguém, fui claro? E assim que ele expulsar todo o veneno iremos entregá-lo a Voldemort. Entenderam?"

Draco e Foxter acenaram afirmativamente com a cabeça. Lucius se levantou e olhou de um para o outro.

"É assim que eu gosto. Eu tenho uma conferência com os juizes do Ministério sobre o caso de um bruxo que fazia os pertences dos trouxas piscarem em suas presenças. Imagina a cara daqueles bocós ao ver as coisas desaparecerem e reaparecerem várias vezes! Bem, deixem-me ir. Se eu me atrasar terei de pagar uma grande multa, já que ao saber do caso comecei a rir."

Lucius sorriu para os garotos antes de desparatar na frente deles. Draco olhou furioso para Foxter, que estava prestes a chorar.

"M-me desculpe!"

"Você quase nos matou! E se fosse a mamãe!"

"Eu nunca contaria para a mamãe! Ela não gosta de mim! Eu também não gosto dela!"

"Então você contou por livre e espontânea vontade?"

"NÃO!" – As lágrimas rolavam pelo rosto de Foxter. – "Eu só disse que você estava demorando a chegar com o Potter para almoço, mas foi sem querer!"

Draco sorriu, nervoso. Não podia acreditar na ingenuidade de Foxter e muito menos que ela quase o tivesse matado.

"Está bem, só tente não deixar que isso se repita, está bem?"

Foxter balançou afirmativamente a cabeça, enquanto Draco se levantava e saia da sala de visitas.

U.U.U.U.U.U

Harry estava escorado na cabeceira da cama com um livro em seu colo. Ele nunca gostara de ter muitos deveres a fazer durante as férias, mas agora que não tinha nenhum sentia falta de todos eles. A porta se abriu e Harry levantou os olhos, vendo Draco se aproximar.

"Harry Potter lendo um livro por diversão? Uau, o que a companhia com a Granger não faz a uma pessoa. Cuidado para não ficar doente por livros como ela."

"Eu agradeceria se não falasse mal dos meus amigos na minha frente."

"Não falei mal. Falei a verdade. Estou realmente preocupado." – disse Draco, ficando de pé ao lado de Harry. - "Além do mais, que amigos são esses que nem respondem sua coruja?"

"Edwiges deve ter se perdido." – Harry voltou a olhar para o livro, não tendo muita certeza do que estava dizendo. Depois de alguns segundos voltou a olhar para Draco, que o observava fixamente.

"Sente-se, sinta-se em casa."

"Quanta gentileza, Potter." – Draco escorou suas costas na cabeceira da cama e esticou as pernas.

Harry tentou voltar a ler, mas o silêncio de Draco chegava a assustá-lo. Olhou para o loiro. Este olhava para a água com uma expressão preocupada.

"Me desculpe, mas eu não gosto de ficar em silêncio. Na casa dos meus tios tinha o barulho da televisão, na Toca e na Or... ah, em um outro lugar aí o barulho de conversas não cessava nunca."

"Acontece que eu não quero falar nada! Não tenho nada para falar com você!"

"Parece preocupado. Quer conversar sobre isso?"

"Já disse, não é nada!"

"Você nunca se abriu com ninguém, não é? Não se preocupe, eu não conto para ninguém."

"Quer parar de se intrometer?"

"Tudo bem, senhor super aberto! Mas tome cuidado para não se explodir e machucar quem está em volta.

Draco olhou para Harry, mas logo abaixou o olhar.

"Só alguns problemas. Você não se interessaria por isso."

"Draco Malfoy com problemas? Não, isso não me interessa. Isso me diverte." – Harry colocou o livro de lado e virou toda a sua atenção para Draco. – "Pode começar."

Draco ficou nervoso. Era verdade que nunca tinha revelado seus sentimentos a ninguém. Ninguém nunca se interessara por sua vida, tampouco. Abrir-se com alguém agora deixava-o com uma sensação que não iria conseguir e isso o irritava e o espantava, mas não tanto quanto o fato de Harry se interessar por sua vida, mesmo que fosse por diversão.

"Meu pai sabe sobre você." – ele disse de uma só vez.

De algum modo isso abalou Harry. Ele seria entregue, disso tinha certeza. Mas Voldemort não o amedrontava nem um pouco. Pelo contrário, ele era tão ridículo que divertia Harry. Talvez o que o abalasse fosse o fato de Draco e Foxter poderem ser envolvidos nisso. Ele não queria que fizessem alguma coisa de mal com os irmãos Malfoy. Não agora que ele tinha descoberto o que havia atrás de todas aquelas máscaras.

"Isso quer dizer que você vai morrer?"

"Não. Meu pai não vai dizer nada a ninguém."

Harry respirou aliviado.

"Então não há porque se preocupar. Você e seu irmão estão a salvo."

Draco voltou a olhar para a água. O olhar de Harry voltado somente para si o incomodava.

"Agora está me preocupando, Malfoy."

"Potter, eu sei que o que eu vou dizer parece ridículo, afinal, ainda somos inimigos, certo? Somos como água e óleo, mas eu não posso deixar de me preocupar."

"Se preocupar com o que?"

Draco respirou fundo e procurou com os olhos um ponto fixo, onde ele poderia abaixar o nível de sua vergonha.

"Me preocupar com você."

"O que, hein?"

"É que eu mudei minha opinião sobre você neste tempo que a gente passou junto. Descobri que você não é o herói da Grifinória e que não é invencível."

"Uau, é legal ouvir isso, mas ainda não entendo porque está preocupado."

Draco respirou fundo e levantou o olhar. O pior ele já tinha dito e precisava dizer o resto.

"Meu pai disse que quando você ficar melhor nós iremos entregar você a Voldemort."

Harry observou a expressão de Draco. Deveria acreditar no que estava vendo? Draco Malfoy preocupado com ele? Talvez o veneno tenha mexido com sua personalidade e Draco tenha gostado desta nova versão. Ele sorriu. Era raro de se ver Draco Malfoy nervoso, e agora ele estava vendo. Mais ainda, era por sua causa.

"Não se preocupe. Eu já enfrentei Voldemort cinco vezes. Vai dar tudo certo."

"Não é a mesma coisa. Ela fez um novo ritual, Potter. Agora ele é aparentemente normal. Não será como das outras vezes."

É, isso amedrontava um pouco a Harry. Olhou para a janela e viu um pássaro passar. Lembrou-se de Edwiges, que tinha sido mandada há dois dias para Hermione. Sentiu falta de Hermione e se entristeceu ao pensar que nunca mais veria Rony. Ele abaixou os olhos e respirou fundo.

"Será que... vocês poderiam esperar o Baile de Formatura?"

"O que?"

"Eu não quero morrer sem antes rever os meus amigos... e me despedir."

"Tudo bem." – Draco notou um certo tremor na voz de Harry. Olhou para o garoto, que virou o rosto para que este não percebesse que estava prestes a chorar. Rapidamente ele secou os olhos e respirou fundo, tentando se acalmar. Draco pensava em alguma coisa para dizer para que Harry não chorasse. Por mais insensível que fosse com quem não era de sua família, ele não gostava de ver ninguém chorando. Sem saber o que fazer, ele se levantou e andou em direção a porta.

"Aonde você vai?"

"Vou deixar você sozinho. Talvez queira pensar."

"Não. Eu não quero pensar. Eu não quero ficar sozinho."

"Então venha. Talvez um pouco de ar fresco acalme você."

Harry se levantou e andou até Draco, que abriu a porta para que ele passasse. Durante o caminho do quarto até o jardim nenhum dos dois falou nada. Harry parou e ficou olhando para o mar, pensativo. Draco olhou para onde ele olhava. As ondas estavam um pouco nervosas naquela tarde.

"Com quem você vai?" – perguntou Draco, quebrando o silêncio.

"O que?"

"Com quem você vai ao baile?"

"Com ninguém."

"Como assim com ninguém? Não arrumou um par?"

"É que eu não quero ir com ninguém. Rony e Hermione também decidiram isso. Assim podemos ficar juntos. E você? Convidou alguém?"

"Não. Mas no meu caso é diferente."

"E o que pode diferenciar?"

"Susana Bones." – Draco falou num sorriso sonhador.

"E o que tem ela?"

"Tudo. Ela é linda, meiga..."

"E porque você não a convidou?"

"Porque ela já foi convidada. Eu vi quando o seu amiguinho Finningan a convidou. Mas não tem problema. Lá eu tiro ela para dançar."

"Se tinha uma coisa que eu nunca imaginava ver era você apaixonado."

"Não estou apaixonado, Potter! Um Malfoy não se apaixona. Estou apenas adimirado com tanta beleza."

"Entendi. Então você vai conquistá-la, fazer com que ela durma com você e depois vai simplesmente terminar o relacionamento, não é?"

"Basicamente é isso sim."

"Vou avisá-la."

"O que? Você não pode fazer isso! Vai estragar tudo."

"Não vou deixar que brinque assim com uma amiga minha!"

"Eu não vou brincar! Só vou dar a ela a melhor noite de sua vida."

"Como pode ter tanta certeza de que será a melhor?"

"Ora, Potter. É só olhar para mim."

Harry olhou Draco de cima a baixo, voltando a encarar o mar.

"Não me convenceu."

"Ótimo, então pergunte a ela no dia seguinte. Vamos ver o que ela diz."

"Se é assim que preferes..."

"Hey, Potter! Acabo de ter uma idéia! Já que você não tem par e eu também não, porque não vamos juntos?"

Harry olhou assustado para Draco.

"Vai se danar!"

Draco começou a rir e voltou a olhar para o mar.

"Sabe, Potter. Você é legal. É uma pena o que terei de fazer com você. Enquanto isso não acontece, que tal se darmos uma trégua?"

"Trégua?"

"Sim. Parar com tanta briga. Pelo menos enquanto estamos aqui."

"Por mim tudo bem."

"Ótimo... er... amigos?" – Draco estendeu a mão a Harry, que olhou para ele e sorriu ao apertar sua mão.

"Amigos."

U.U.U.U.U.U

N/A: Olá! UaU! Quantos reviews! Eu adorei receber a tantos reviews em minha primeira fic. Isso realmente nos anima. Muito obrigado a todos! Este capítulo eu fiz para que vejam como as mudanças ocorrem e entenderem elas mais para a frente. Ele foi bem difícil de fazer e eu gostaria que vocês me dissessem o que acharam dele. Então, já sabem o que fazer. Beijos de um Comensal.

Eu não sei o nome daquele negócio azul que a gente coloca no braço quando quebra. Se alguém souber e puder me dizer eu ficarei muito feliz.

Agradeço muito pelos reviews de:

Sofiah Black,Mandy Moony Black, maripottermalfoy, milinha-potter, Becky Cama-Dupla, Alex Malfoy, a todos vocês que deixaram review no primeiro capítulo, obrigado e aos que leram e não deixaram, obrigado também, mas façam um esforço da próxima vez.

Maripottermalfoy (cara, eu quase morri de rir com o seu review), Annianka (se quiser ser minha beta, eu aceito. Relamente não sou muito boa em palavras confusas.)Ashley Potter Malfoy, Baby Potter, Markus Malfoy-Bloom, milinha-potter e milanesado segundo capítulo. Vocês são a minha inspiração. Obrigado.