"Tudo isso é propriedade do Comensal da Morte!" – Diz Pinochio, enquanto seu nariz cresce absurdamente. – "E ele está ganhando uma nota preta só por causa dessa fic idiota!" – Seu nariz cresce ainda mais.
Isso é uma slash (Harry/Draco) (na verdade, a minha primeira.) (além de ser a primeira fic) não tão recomendável à crianças, por conterem cenas... Bem... impróprias e palavras chulas. Se não gosta não leia! O problema é todo seu, que não sabe o que está perdendo. E é bom não vir com reviews mal educados por aqui, ou estará comprando uma grande briga com direito a processo e CPI.
Outra coisa a lembrar é que esta fic pode ser bem grande e demorada, com tendências a uma história triste (ô dó...), mas com muita slash.
Eu gostaria de explicar alguns fatos, que com certeza ficaram em dúvida. Bem, nos encontramos nas primeiras férias depois do sétimo ano. Tudo o que está no livro "Enigma do Príncipe" aconteceu, menos o fato de Draco ter se tornado um Comensal, o que acontecerá em breve. Hogwarts não fechou e todos os alunos do ano de Harry conseguiram se formar. Bem, à partir de agora está tudo aí, é só vocês lerem.
Capítulo VII – O Baile de DespedidaHarry se remexeu na cama. Havia passado algum tempo desde que ele acordara, mas a cama estava tão quente e confortável que não o animava a se levantar. Aconchegou-se dentro do edredon e suspirou. Por mais confortável que estivesse, não era educado dormir até onde o sono permitisse na casa de estranhos. Por um momento, ele juntou toda a coragem que tinha para se levantar, e conseguiu. Sentou-se na cama e esfregou os olhos. Depois, andou até o banheiro (ou armário, ele não sabia dizer) e, muito sonolento, abriu a porta.
"AH!" – gritou, ao se deparar com uma cena que realmente não esperava.
Draco Malfoy estava de pé no banheiro, a toalha envolvia seu pescoço e, como se já não bastasse, as roupas do garoto jaziam em cima de um cabide, para onde ele estava virado. Harry tapou os olhos ao descobrir aquela imagem de Draco Malfoy só de cueca olhando assustado para trás, onde se encontrava Harry..
"Desculpe... eu não sabia que estava aqui."
"Eu é que me desculpo. Deveria ter te avisado que viria. E também não queria acordar você." – Disse enquanto vestia suas pernas na impecável calça preta de linho.
"Não acordou. Mas, o que está fazendo aqui?"
"Não sabe? Eu moro aqui. E este é o meu quarto."
"Desculpe. Eu não queria dizer isso. É que... você não costuma usar este banheiro."
"Ah, é que hoje é dia de limpeza e só aqui posso encontrar os produtos certos."
"Limpeza? Desde quando você faz limpeza?"
Draco sorriu sarcásticamente.
"Bem, eu nunca deixaria ninguém tocar em minhas preciosidades." – Disse ele, agora abotoando a camisa.
"É... isso é bem típico seu. Sem contar que tem duplo sentido. Mas eu sei que no segundo quase todas as garotas de Hogwarts já tocaram."
Draco riu e vestiu um colete, jogando uma capa sobre os ombros logo depois.
"Era assim que você se trocava no vestiário depois do quadribol? De olhos fechados para não ver ninguém se trocando?"
"Não, mas isso não significa que eu seja obrigado a ver você se trocar."
"Deixe de ser estúpido! Pelo tempo que estamos aqui daria para eu já ter vestido a mim, a você e ao Foxter!"
"Sei... como se eu fosse deixar você me vestir!"
"Potter, deixe de ser tão besta, destape os olhos e vista-se! Eu quero te esperar para tomar café e depois iremos conversar sobre algumas coisas."
Harry tirou a mão dos olhos e encontrou Draco vestindo um elegante terno preto com uma gravata verde bem escuro.
"Conversar? Aconteceu algo errado?"
"Não. Só acordei com vontade de conversar hoje."
"Ah, claro. Se me der licença, eu me visto, tomaremos café e depois conversamos."
"Tudo bem. Estarei lhe esperando aqui no quarto."
Harry acenou afirmativamente a cabeça e começou a se despir quando Draco fechou a porta. Ele não sabia porque, mas a imagem de Draco apenas de cueca o impressionara e envergonhara. Isso era estranho, pois ele já vira todos os garotos que passaram pelo time de quadribol da Grifinória em sete anos, sabia como eram suas cuecas e coisas muito mais indecentes e nem por isso ficara com aquela imagem na cabeça. Pelo contrário. Ele nem se importava. Mas agora, vendo aquela imagem branca, com os cabelos platinados caindo aos olhos, ele não sabia explicar nada que passava por sua cabeça, só sabia que aquilo não saía dela por nada.
"POTTER!" – gritou Draco, vendo que o garoto não escutara nenhuma de suas palavras.
'AH! O que é?" – perguntou ele assustado.
"Em que planeta você está? Eu perguntei duas vezes se você quer dar uma volta comigo!"
"Oh, sim. Quero dizer... o que?"
"Você está estranho. Não abriu a boca durante o café e anda evitando olhar pra mim. O que você tem?"
Harry se colocou na frente de Draco e sorriu.
"Sério? Eu estou assim? Me desculpe. É que eu estou meio estressado."
"Ótimo! Nosso primeiro assunto. Venha."
Draco saiu pela porta do hall. Aquele dia estava perfeito. O sol brilhava por trás de algumas poucas nuvens e o vento sacudia as folhas da árvore em frente à casa dos Malfoy. Do lado da casa, Harry viu apenas o rabo de um tigre balançando calmamente. Uma calmaria que ele gostaria de ter. Desceu os degraus devagar enquanto Draco fechava a porta e ficou a observar o mar, que naquele dia estava com uma correnteza não tão forte e não tão mansa. Suas ondas estavam prefeitas para que ele pudesse se divertir.
"Venha, Harry." – disse Draco.
Harry se virou e começou a andar em direção ao tigre.
"Muito bem. Agora me diga, porque está tão estressado?"
"Bem, a idéia de ver meus amigos uma única e última vez me deixa assim."
"Você não deveria ficar assim por isso. Sabe, você vai vê-los. Tem que aproveitar isso!"
"Eu sei, mas estou triste por saber que não vou mais jogar xadrez de bruxo com eles, ou pegar o dever de Hermione para copiar..."
"E é só pra isso que seus amigos servem?"
"Não. Mas essas eram as coisas mais normais que a gente fazia. O resto era conversar sobre os planos de Snape ou sobre Voldemort."
"Talvez você esteja triste por tudo aquilo que não fizeram, então. Vocês se preocuparam demais com o mundo e se esqueceram de vocês."
Harry olhou para Draco. Eles passaram ao lado de Puppy e Draco o acariciou. Era a primeira vez que alguém realmente se interessava pela vida de Harry como ela era. O fato dessa pessoa ser aquele que ele mais odiou durante sete anos o assustava um pouco. Na verdade, Harry estava gostando daquilo. Draco era um bom ouvinte e Harry não queria desperdiçar a chance de colocar seus problemas para fora.
"Talvez seja realmente isso. Eu não aproveitei como deveria a amizade deles."
"Você?"
"Sim. A culpa foi toda minha."
"Bem, se vocês se divertiam assim a culpa não pode ser totalmente sua. Eles deviam gostar disso."
"Mas maioria das vezes era eu quem empurrava meus problemas para eles. Era eu quem começava a gritar como um louco. Era eu quem..."
"Vamos mudar de assunto?"
Harry agradeceu pela última frase de Draco. O seu tom de voz denunciava que ele estava prestes a chorar de saudade e Draco queria evitar aquilo. Harry ficou algum tempo em silêncio e em todos os segundos agradeceu por Draco respitar isso. Quando toda a sua vontade de chorar tinha se esvaído, ele resolveu quebrar o silêncio.
"Como foram os seus N.I.E.M.'s?"
"Razoavelmente bem. Tirei E em Defesa contra as Artes das Trevas, Poções e Herbologia. O em Feitiços, Transfiguração, História da Magia e Trato das Criaturas Mágicas."
"Não sabia que tinha colocado Trato das Criaturas Mágicas nos seus N.ºM.'s." – disse Harry.
"Tem muita coisa sobre mim que você ainda não sabe." – disse Draco num sorriso maroto.
U.U.U.U.U.U
Harry estava arrumando sua gravata diante do grande espelho na porta do armário de Draco. Finalmente, depois de uma semana, ele veria seus amigos. Estava muito ansioso e feliz. Usava um traje a rigor verde escuro muito parecido com a que usara no Baile de Inverno em seu quarto ano. Segundo a senhora Weasley aquela cor combinava com seus olhos. A porta se abriu e Harry olhou para ela sem se virar, através do espelho.
"Já está pronto, Potter?" – Perguntou Foxter.
"Basicamente sim. O que acha? Estou me esquecendo de alguma coisa?"
Foxter olhou para Harry pensativo.
"Aparentemente está bom. Mas você já passou seus cremes?"
"Cremes?"
"Sim. Draco não sai de casa sem passar o creme facial, a loção corporal, o creme corporal, o creme para os pés, o talco para os pés, a loção para os pés e é claro, a loção para cabelo em spray."
"Por Merlin! Draco Malfoy é um metrosexual maníaco. Ele está fazendo tudo isso agora?"
"Acho que sim. Venha, vamos ver."
Harry seguiu Foxter até uma porta dupla no meio do corredor. Entrando pelo quarto ele viu Draco diante a uma grande penteadeira dourada se arrumando.
"Oh, céus, então é verdade!" – Falou Harry.
"O que foi, Potter? Admite agora que sou a melhor coisa que você já viu?"
"Argh!" – Foxter fez cara de nojo, sorrindo. – "Draco, não fale assim! É nojento!"
"Você realmente passa creme de tudo quanto é espécie antes de sair?"
"Não específicamente. Tenho um para cada utilidade."
"Santo Deus!" – Disse Harry ao se aproximar da penteadeira repleta de cremes. – "Você é doente."
"Não sou doente só porque gosto de me arrumar. Olhe só para o seu cabelo! Fique parado, vou tentar arrumar essa coisa aí."
Harry se assustou ao ver Draco borrifar o spray em seu cabelo. Depois ele começou a penteá-lo com força, fazendo Harry sentir uma leve dor sempre em que ele puxava o pente. Depois de alguns minutos penteando, ele deu mais algumas borrifadas com o spray.
"Puxa, Draco! Você faz milagres!" – Falou Foxter, sorrindo.
Harry se olhou no espelho. Surpreendeu-se ao ver seu cabelo molhado. Ficara penteado nas raízes e suas pontas faziam pequenas curvas para fora.
"Bem melhor, não acha?" – perguntou Draco, largando o pente sobre a penteadeira e voltando a cuidar de seu próprio cabelo.
"É, você é bom. Mas ande depressa. Não quero me atrasar."
"Estamos vinte minutos adiantados. Acho que isso é tempo de sobra, não é?"
"Acontece que eu não quero esperar vinte minutos!"
"Você está ansioso para ver seus amigos, Potter?" – Perguntou Foxter.
"Digamos que sim."
"Então vá. Eu vou ficar aqui mais cinco minutos. Me esqueci de escolher a cor do cadarço do meu sapato."
Harry olhou para Draco espantado e enojado.
"Está bem. Vejo você mais tarde, Malfoy." – Disse olhando para Foxter, que levantou a mão se despedindo.
Depois disso, Harry desaparatou. A sensação de estar sendo sugado por um cano de borracha que puxava cada parte de seu corpo e o fazia querer desistir da sua carteira de aparatação o invadiu. Ele sentiu o chão se formar de uma forma nada sutil sobre seus pés e respirou aliviado. Olhou ao redor. Estava diante de um grande salão que tinha a aparência de um castelo medieval. Um som alto vinha lá de dentro. A luz que saía pela porta do salão piscava e reluzia. Todo o redor do castelo era iluminado, inclusive as muralhas que o cercavam. Bem atrás de Harry tinha um grande portão, por onde passavam vários casais que tiveram sido convidados para o baile. O caminho que levava do portão até a porta do salão era feito de pedra, com alguns largos degraus. Harry começou a andar em direção ao salão, sentindo seu coração palpitar cada vez mais rápido e forte. Ao entrar pelo salão viu muitas mesas grandes e redondas dentro dele, deixando um grande círculo vazio no meio. Harry olhou para os lados. Vários alunos conversavam com seus amigos e familiares nas mesas, mas nada de Rony e Hermione, até que Harry ouviu passos apressados vindo em sua direção e se virou bem a tempo de ser fortemente atingido por Hermione, que vinha correndo para abraçá-lo.
"Ah, Harry! Que bom ver você! Nós estávamos tão preocupados! Recebemos Edwiges, mas ficamos com medo de mandar para evitar que ela fosse interceptada pelos Comensais. Como você está?"
"Estou... sem ar."
"Oh..." – Hermione soltou Harry, distanciando-se. – "Me desculpe."
"Harry!" – Rony chegava correndo para abraçar o garoto. – "Onde esteve? Todos estavam tão preocupados!"
"Eu estava pensando." – Disse Harry ao se afastar um pouco de Rony.
"Não podia fazer isso perto da gente?" – perguntou Hermione.
"Não. Mas agora eu estou aqui, não é? Não precisam mais se preocupar!"
"Claro. Venha. Papai e mamãe vão gostar de ver você."
Harry seguiu Rony até a mesa dos Weasley, onde foi abraçado e interrogado durante longo tempo. Depois Hermione o levou para ver seus pais, que lhe foram muito simpáticos. Os alunos tinham que ficar em mesas separadas da família, mais perto do círculo de dança. Harry Rony e Hermione se assentaram em uma mesa com uma boa visão de quem se levantava para dançar.
"Então, Harry. Como estão sendo suas férias?"
"Bem, elas não estão sendo muito boas, porém estão sendo divertidas."
"Ah. Que bom que está se divertindo. Percebemos que você precisava de um pouco de diversão quando estava conosco." – Rony cruzou os braços e olhou para os poucos casais que dançavam.
"Está insinuando que estou gostando de estar longe de vocês?"
"Foi você quem disse."
A fúria de Harry subiu em menos de um segundo. Não acreditava que ao tentar ver seus amigos uma última vez começaria a discutir desde o início de sua despedida.
"Escuta aqui, Rony! Se você prefere como estava antes eu posso lhe informar que rapidamente você terá o seu desejo atendido!"
"Do que está falando?" – perguntou Hermione. – "Você vai viajar?"
"É... vou."
"Legal. Vou com você!"
"O que? Não vai não!"
"As minhas férias estão sendo horrívelmente monótonas. Se você vai viajar eu vou com você!"
"Já falei! Você não pode ir!"
"E porque não?"
"Porque... porque..."
"Ele não quer passar vergonha diante dos guias turísticos."
Harry se virou para trás e viu Draco rindo atrás dele. Rapidamente ele se levantou, assim como Rony e Hermione.
"Repete!" – falou Rony.
"Abaixe este tom, Weasley! Não admito que seres inferiores tentem mandar em mim!"
Harry deu uma bela olhada em Draco. Estava ainda mais bonito. O spray que passara deixara seu cabelo dividido em finas mechas molhadas que lhe caíam sobre os olhos. O sobretudo cinza escuro combinava muito bem com seus olhos. Foi então que Harry sentiu seu perfume. Draco realmente sabia como impressionar. Draco olhou para Harry, erguendo as sobrancelhas.
"Que foi, Potter? Gostou?"
"O que? Ah! Eu?"
"É, eu sei que sou realmente bonito, mas não precisa repetir. Pensando bem, até que você não está tão mal. O que você fez? Tomou poção Embelezadora?"
"Do que está falando? Foi você que..."
"Não, obrigado. Eu não preciso beber dessas coisas para me arrumar. É realmente ruim quando sua beleza te denuncia."
"Vem cá." – Harry pegou Draco pelo braço e puxou-o para onde Rony e Hermione não pudessem mais ouvi-lo.
"Me larga, Potter!" – disse Draco, livrando-se das mãos de Harry. – "Não quero amassar meu smoking. Deixe que Suzana faça isso, está bem? Aliás, onde está ela? Se ela não vier eu ficarei realmente deprimido. Acho que estou apaixonado. O que acha?"
"Porque está se fazendo de idiota? O que aconteceu com a trégua?"
"O único idiota aqui é você!" – Disse Draco, ofendido. – "Não entende que não devem saber do que está realmente acontecendo nestas férias? Assim você estará envolvendo-os e eu tenho certeza que você não quer isso."
"É... eu... eu acho que não quero mesmo."
"Então volte logo para junto daqueles dois e não se aproxime mais de mim. Principalmente me puxando desse jeito!"
"É melhor dar uma trégua para a trégua, não é?"
"Claro. Anda, me empurra."
"O que?"
"Me empurra!"
"Eu não..."
De repente Harry se viu cambaleando. Draco o tinha empurrado com força sem que ele tivesse tempo de se preparar.
"Não se esqueça: Não se aproxime mais de mim." – disse Draco enquanto se distanciava.
Harry andou de volta para Hermione e Rony, sentando-se e fingindo estar nervoso.
"Aquele idiota!" – mentiu.
"O que você queria falar para ele que a gente não podia saber?" – Rony perguntou enquanto olhava Draco conversando com Emília Bullstrood.
"Eu descobri um segredo. Um grande segredo sobre os Malfoy e estava ameaçando ele. Mas foi em vão."
"Pode nos contar, não pode?" – perguntou Hermione.
"Contar? Bem... é... claro que não!"
"O que? Porque não?" – Hermione perguntou, abismada.
"Ora... porque... é um segredo, oras!"
"E porque ele prefere a amizade do Maldoy do que a nossa!" – Rony balbuiou.
"O que disse?" – Harry ficava impaciente.
"A verdade! Você está tão estranho, Harry! Alguma coisa te mudou. Ou melhor, alguém te mudou."
"Do que é que você sabe?"
"Que você foge da gente na estação e quando voltamos a vê-lo você nos afasta!"
"Está errado! São vocês que estão me afastando. E se for continuar assim eu vou, com certeza, preferir a amizade do Malfoy!"
Harry se levantou e andou até o balcão no fundo do salão. Foi aí que percebeu que tinha falado uma coisa totalmente verdadeira. Hermione lançou um olhar reprovador à Rony e correu atrás de Harry. O moreno pegou uma cerveja amanteigada e se recostou no balcão, olhando para os poucos pares que dançavam uma lenta valsa. Hermione recostou-se ao seu lado e olhou para ele com pena.
"Eu não sei o que está acontecendo, mas sei que não é só um formigamento na cicatriz."
"Deixa pra lá."
"Não vou deixar pra lá. Você é meu amigo e eu percebo que está com problemas. Eu vou entender se não quiser dizer, mas saiba que eu estarei sempre aqui."
"Obrigado, Mione. Eu só queria que o cabeça dura do Rony entendesse! Sabe, eu não posso contar!"
"Eu sei. Tenha paciência, ele vai entender."
"Só espero que ainda não seja tarde demais."
Harry terminou de tomar a cerveja num só gole, sentindo a gostosa sensação de queimação na garganta.
"Onde está o Vitor? Pensei que tinha dito que iria convidá-lo." – ele disse enquanto colocava a caneca sobre o balcão.
"Não pôde vir. A família inteira o levou em uma viajem. Para comemorar sua entrada para Não-Sei-O-Quê Dravis. Uma universidade muito boa que fica escondida na Bulgária. Só aceitam os melhores."
"E porque não te admitiram?"
"Não sou Búlgara."
"Puxa, que pena. Aposto que adoraria estudar junto com ele."
"Realmente, mas mesmo que eu goste muito dele ainda prefiro ficar com os meus amigos." – Harry e Hermione se entreolharam e sorriram.
"Bem... talvez... talvez queira dançar?" – Harry estendeu sua mão a Hermione, que a aceitou.
"Seria ótimo."
Harry segurou a mão de Hermione até que chegassem ao círculo de dança. Lembrou-se da conversa com Draco e procurou na memória uma única vez que tivesse dançado com Hermione. Não encontrara nenhuma. Mas também não queria encontrar. Queria aproveitar aquele momento que, ele tinha certeza, passaria muito rápido. Enquanto Harry pousava sua mão sobre a cintura de Hermione, Draco observava de longe. Era espantoso que Harry tenha conseguido alguém para dançar com ele, mesmo que fosse a Granger. Depois da demonstração de dança que Harry dera no quarto ano Draco imaginava que ninguém em séculos se atreveria a dançar com ele. Observava o garoto a sorrir enquanto conversava com Hermione. O mesmo sorriso verdadeiro que ele sorria ao brincar com Foxter. Por alguma razão, Draco ficou nervoso. Sentiu algo que não podia explicar. Harry sorria assim para Foxter e Granger, mas Draco nunca vira o verdadeiro brilho daquele sorriso. Isso o magoava profundamente.
'Ciúmes?' – pensou.
Seriam mesmo ciúmes? Mas porque ele sentiria ciúmes do seu maior rival com quem brigara e a quem cutucava durante sete anos?
"Não..." – Balançou a cabeça, fazendo uma careta e sorrindo.
"Não o que?" – Draco se virou assustado e viu Blaise assentado a seu lado.
"Quando foi que você chegou?"
"Agora. Me demorei no banho. Só vim aqui, porque achei que gostaria de saber: Bones chegou, e o par dela não veio."
"Não? É sério?" – disse Draco, rastreando o salão com o olhar.
"Sério. Você vai mesmo fazer o que eu acho que vai fazer?"
"Claro! Sabe que não sou de perder oportunidades. Com licença, mas eu tenho uma noite para salvar." – disse Draco, se levantando e andando até o balcão.
U.U.U.U.U.U
Harry estava sentado em sua cadeira entre o triângulo que se formava entre ele, Rony e Hermione, que tinha deitado o rosto sobre os braços cruzados e adormecido. Rony se espantava que, mesmo depois de toda a diversão que Harry tivera dançando e rindo com ele e Hermione, o garoto ainda estivesse triste. E pior, agora ele estava mais triste do que ele nunca esteve. A noite já estava acabando. O céu estava mais claro. O salão estava quase vazio e a cerveja amanteigada de Harry já esfriara há muito tempo. Rony estava tão atento ao semblante triste de Harry, que encarava os últimos casais a dançar, que nem reparou na chegada de Gina, que se inclinou de trás da cadeira de Rony.
"Rony, papai e mamãe estão te chamando para ir. E disseram que Harry também pode vir..." – Gina reparou na tristeza de Harry. – "Se desejar."
Rony olhou para Harry novamente, que lhe devolveu o olhar. Rony podia ler em seus olhos que alguma coisa não o deixaria ir.
"Vou chamar os Granger." – disse Gina, deixando Rony e Harry novamente a sós.
"Os Granger vão passar uns dois dias lá em casa. Papai quer saber algumas coisas sobre os trouxas, e eles querem saber alguma coisa sobre os bruxos."
Harry balançou a cabeça afirmativamente em sinal que entendera. Olhou para Hermione, que dormia serenamente.
"Venha." – disse, levantando-se. – "Vamos dar uma volta."
Rony se levantou e seguiu Harry para fora do salão. Os dois andavam devagar sobre o grande gramado.
"Eu ainda não entendo porque não pode vir conosco." –disse Rony.
"Quer saber? Eu também não."
Rony olhou para Harry, que olhava para o chão úmido. O sereno da noite deixara a grama macia e levantara seu perfume.
"Então é irremediável, não é?"
Harry balançou a cabeça, afirmativamente. Rony voltou a olhar para o chão.
"Então... quando vamos voltar a nos ver?"
Harry respirou fundo, tentando não deixar que as lágrimas invadissem seu rosto.
"Eu acho que... breve."
Rony parou de andar ao ouvir o tremor na voz de Harry. O garoto se virou para ficar de frente a Harry, que virou o rosto para que este não percebesse suas lágrimas, em vão. Rony abaixou os olhos, pensando no que fazer para consolar o amigo.
"Eu..." – disse Harry tentando controlar a voz. – "Só quero que saiba que... eu sentirei muito a sua falta."
Rony sorriu falsamente, antes de se aproximar de Harry e abraçá-lo fortemente, fazendo as lágrimas de Harry rolarem ainda mais rápida e silenciosamente.
"Me desculpe por ter sido tão idiota esta noite."
"Tudo bem. Me desculpe por ter sido tão idiota... a minha vida inteira."
Os dois permaneceram ali, abraçados durante algum tempo. Até ouvirem a voz de Hermione e se separarem lentamente.
"Harry, Rony...o que..." – disse ela ao se aproximar, mas se calou ao perceber o que acontecia. – "Parece que você não vem mesmo, não é Harry?"
Harry balançou a cabeça negativamente, antes de se chocar fortemente com Hermione, abraçando-a repentinamente, assim como ela fez. Harry podia sentir a respiração rápida de Hermione, que chorava.
"Harry... por favor... não se entregue!" – pediu Hermione.
Harry se surpreendeu por Hermione ter sacado tudo o que estava para acontecer.
"Não há outra escolha, Hermione. É assim que tem que ser."
"Espere aí, do que vocês estão falando?"
Hermione se separou de Harry, enxugando os olhos.
"Harry... nunca se esqueça que... que eu te amo muito."
"Eu também te amo, Hermione. Os dois. Eu nunca vou esquecê-los."
Então, os três se abraçaram. E depois de pouco mais de um minuto, Harry falou:
"Eu... tenho que ir."
Hermione e Rony o soltaram, tristes.
"Eu bebi um pouco demais. Acho melhor ir pela rede de Flú."
Rony e Hermione assentiam com a cabeça. Hermione abraçou Rony, procurando consolo e olhando para Harry como se implorasse que este não fosse, mas o garoto se virou.
"É melhor não adiar mais isso. Eu nunca vou me esquecer de vocês."
E Harry andou em direção ao salão. Lá havia uma grande lareira que ele usaria para voltar à mansão dos Malfoy. Olhou para os Weasley sem que eles o percebessem, a não ser Gina, que acenou com a mão para ele, se despedindo. Harry respondeu com um sorriso, continuando seu caminho.
Ele entrou em uma lareira ao lado do balcão, pegou um pouco do pó que se encontrava suspenso em uma vasilia ao lado da lareira e gritou:
"Mansão Malfoy!" – aúltima coisa que viu, foi a imagem de Rony aparecer correndo em frente à lareira.
N/A: Obrigado a todos que, pacientemente com raiva leram e esperaram o 4º cap. que por milagre saiu. Obrigado por não desistirem de esperar. Vocês são guerreiros e eu sou preguiçoso.
Agradecimentos especiais aos que deixaram review:
Annianka, Drika (bicha, teu email foi tuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo! Amei... e obrigada pela dica, fófi...), Bruno Malfoy, Sra. Kinomoto, Markus Malfoy-Bloom, xmaripottermalfoyx (eu sei que este cap. não teve muita graça. Espero poder compensar no próximo.), milinha-potter.
Eu adorei o email de todos. Muito obrigada e continuem assim.
