Capítulo Um – A Primeira Volta para Casa

Ronny Longbottom, Leon Creevey e Martin Whitby estavam sentados à mesa da Grifinória no Salão Principal esperando a seleção terminar para que finalmente pudessem comer, já que a viagem os deixara bastante exaustos. Não somente foram envolvidos em uma briga com os Sonserinos até que o professor Malfoy interviesse e tirasse 20 pontos da Grifinória antes mesmo do ano letivo começar, mas Pirraça, o Poltergaist, tivera a genial idéia de perseguí-los pela cabine jogando bombas d´água só para irritá-los – os três não eram exatamente amigáveis com Pirraça.

Alvo Dumbledore, de longe o homem mais velho do mundo, era extremamente adequado para o cargo que exercia como Diretor de Hogwarts – ninguém realmente sabia como ele conseguia isso – levantou-se para fazer seu usual-discurso-de-início-de-ano.

– Bem-vindos ao seu primeiro ano em Hogwarts, caros calouros, eu sinceramente espero que aproveitem bem o tempo que passarem aqui. Para todos os outros estudantes: bem-vindos de volta! Eu senti saudades e espero que aproveitem esse ano como normalmente o fazem ou, se vocês nunca o fizeram, espero que aproveitem agora.

"Antes de comerem eu rapidamente farei os anúncios habituais, assim como informarei sobre algumas mudanças deste ano".

"Primeiramente: a Floresta é, como todo ano, Proibida a todos e vocês devem concordar com essa regra; é razoável, a bem, porque lá vivem diversas criaturas que certamente vocês não gostariam de ter o prazer de encontrar".

A maioria dos calouros pareceu assustar-se, embora Ronny não visse porquê. Ele nunca alcançara o coração da floresta, mas estava certo que não poderia ser tão horrível assim. De fora, a Floresta parecia inofensiva, ele pensou.

"E se nós esquecermos, acidentalmente, esquecermos que não deveríamos ir lá?" Um sonserino conhecido perguntou em voz alta. Quase todos os sonserinos esconderam o riso.

– Uau! Isso foi engraçado! – Leon riu.

– Eu concordo – . Disse o amigo.

– Não espere muito de um sonserino asqueroso, não podemos julgar esses pobres rapazes, não é? Você não pode escolher o cérebro que tem, afinal... – era a opinião de Martin.

Alvo Dumbledore olhou para descobrir de quem viera o comentário.

– Nesse caso, Sr. Zambini – ele disse. – Você deve esperar receber, hum, uma detenção e ter alguns pontos retirados da sua casa... veremos, se tal situação acontecer. Porém, não há necessidade de preocupação, é difícil esquecer a proibição, já que você vai lembrar-se dessa regra cada vez que lembrar do nome da floresta – ele disse calmamente.

– Mais algum mal-entendido?

Ninguém disse uma palavra.

"Certo. Então, onde eu parei?" Dumbledore olhou para os lados. "Ah, claro! Agora, em segundo lugar: houve uma mudança no quadro de funcionários. Sob as circunstâncias especiais em que estamos, achei necessária a contratação de um novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas. Não que eu não esteja completamente satisfeito com o trabalho desenvolvido pelo professor Lockhart, mas...".

– Ele estava satisfeito com Lockhart? Leon murmurou silenciosamente. "Isso não pode ser verdade; Dumbledore não é bobo. Isso foi uma grande mentira".

– Estou tentando fazer o melhor, Sr. Creevey, e acho que muito de vocês ainda não perceberam isso, ou perceberam? – disse o diretor, com os olhos brilhando maliciosamente.

– N...não, senhor. – Leon corou.

Droga, como aquele Dumbledore ouviu isso? Eles estavam sentados no meio da mesa e Dumbledore estava a mais de dez metros de distância. E ele murmurara!

Seus amigos estavam tão surpresos quanto ele.

– Provavelmente ele tem ouvidos encantados ou algo assim. – disse Ronny. Nenhum deles estava prestando atenção em Dumbledore naquele momento e por isso não o viram maliciar.

– Então, vamos ao ponto: deixem-me apresentar seu novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas...

Os estudantes observaram com expectativa o homem que recém-levantara-se, perguntando-se quem ele era. Claro – Lockhart era um babaca – mas Dumbledore nunca demitira um professor sem ter uma boa razão para fazê-lo. Mais de um babaca já dera aula em Hogwarts e Lockhart durara por três anos sem reclamação alguma de Dumbledore. Além disso, todos sabiam que a escola tinha um certo problema para conseguir professores de Defesa Contra Artes das Trevas.

– Eu conheço esse rosto. – Martin disse. – Não tenho idéia onde vi esse cara, mas eu o conheço.

– ...o professor Henry Evans.

O Salão Principal aplaudiu. Nenhum dos estudantes conhecia esse professor ou alguma vez ouvira o nome dele, mas qualquer um – assim pensavam – seria um professor melhor que Lockhart. Somente algumas garotas, que ainda acreditavam nas histórias fantásticas de Lockhart, pareciam infelizes, o que, entretanto, mudou quando um homem muito bonito com um cabelo loiro desajeitado e um pouco de barba se aproximou de Dumbledore, onde todos podiam vê-lo com clareza.

Perguntaram-se durante toda a noite quão boa seriam as lições dadas por esse novo sujeito e nem suspeitavam que o que ele faria seria algo que eles não consideravam ensinar.


Harry Potter desarrumou sua mala e tentou fazer com que seu quarto ficasse o mais confortável possível, o que não era difícil, já que os elfos-domésticos mantinham as coisas na mais perfeita ordem e não havia um lugar em Hogwarts que não estivesse perfeitamente bem arrumado.

"Bem, talvez não seja exatamente assim..." Ele pensou, sorrindo e relembrando alguns lugares que descobrira durante a época que era estudante. Junto com Hermione e Rony. Rony...

Havia momentos que isso ainda o abalava. Agora ele estava novamente em casa, pela primeira vez depois de ter terminado o colégio. Como um professor. Era estranho estar ali como um adulto, aos 36 anos, ensinando crianças. Ele ensinaria as crianças cujos pais ele provavelmente conhecia de algum lugar; eram da mesma geração que ele. Ele já vira até alguns ruivos no Salão Principal, certamente eram Weasleys.

Harry já encontrara Hermione, que era também um membro do corpo de funcionários, ensinando Runas; eles conversaram bastante sobre o passado. Hermione era uma das pessoas que acreditara nele sem restrições. Ela também o visitara naquela terrível prisão regularmente e ele era muito agradecido por isso. Era uma verdadeira amiga, justamente como Rony fora... Droga! Aí estava ele, pensando novamente sobre Rony... Ele não teria a oportunidade de contar ao amigo como era estar novamente em Hogwarts, com uma nova identidade, como "Henry Evans"...

Harry agradeceu quando esses pensamentos angustiantes foram interrompidos por uma batida à porta.

– Entre.

Alvo Dumbledore entrou no pequeno hall do quarto privativo de Harry.

– Olá, Henry. Como vai?

– Bem. Aqui é bastante confortável, embora eu já esperasse isso, afinal, isso é Hogwarts. Só essa história de "Henry" ainda é um pouco confusa. – Henry disse. Henry. Era estranho ouvir as pessoas se dirigirem a ele por esse novo nome.

– Bem, temos muito o quê discutir, você sabe, Henry. Então, você tem tempo agora ou eu deverei voltar mais tarde?

– Não, eu não me importo. Entre.

Eles entraram na sala, que Harry ainda estava tentando decorar apropriadamente.

– Hum? – disse Dumbledore, surpreso. – Henry, o que é isso?

– Eu não gosto muito desse Lockhart, então achei melhor redecorar as coisas por aqui. Ficou melhor, não? Ainda não está perfeito, mas ainda estou ajeitando.

Os montes de pôsteres de Lockhart, que sorriam o tempo todo nas paredes, agora estavam entulhados na lixeira; o sofá marrom agora era verde brilhante e seu formato fora modificado. O terrível cheiro do laquê de Lockhart desaparecera e onde havia um espelho enorme agora se encontrava uma grande gaiola. O carpete era de um azul reluzente.

– Isso parece... – Dumbledore não sabia o que dizer. "Infantil" parecia ser a palavra certa para isso, mas soava um pouco rude. Então escolheu outra palavra para terminar seu pequeno comentário. –

– Estou tentando compensar cinco longos e terríveis anos em uma cela escura e cinzenta, Alvo. Isso tem que ser colorido. – Henry olhou para o chão.

Dumbledore não soube o que dizer. O que ele poderia dizer para algo assim? "Hei, Henry, anime-se, você era inocente!" Dumbledore sabia que ainda machucava, a dor que aqueles dementadores causaram a Henry, ou a dor por algo que ele não fizera ainda o atingia.

– Você acha que eu sou infantil, não?

Dumbledore levantou os olhos para Harry, depois, novamente, olhou para outro lado.

– Sabe de uma coisa, Alvo? Eu sei muito bem que isso é infantil, mas eu não me importo. Agora preciso de um pouco de cor na minha vida. Provavelmente, esse é o único momento da minha vida em que poderei agir como se estivesse a um passo da insanidade sem me envergonhar por isso.

Dumbledore ficou feliz por ver que Harry sorria quando ele olhou novamente.

– Então, Alvo, sobre o que você quer conversar? – Henry disse, sentando no sofá verde.

– Ah, muitas coisas. Primeiro, Henry, aconteceram coisas muito misteriosas ontem à noite, em Gringotes, das quais você deve tomar conhecimento.

– Mesmo? – Henry parecia descrente. – Você está gozando de mim, Alvo. Novamente... mas eu deveria me acostumar com o seu senso de humor, não?

– Não Harry, realmente. Uma grande quantidade de Galeões, Sicles e Nuques apareceram no cofre de um certo Henry Evans ontem à noite. Ninguém consegue explicar o mistério. Será que você poderia ajudar?

– Hum, isso é difícil. Veja minha teoria: um bom amigo de um certo Harry Tiago Potter foi extremamente gentil e guardou esse dinheiro para ele enquanto esse indivíduo estava na prisão, impedindo que fosse confiscado por uma instituição estúpida chamada de "Ministério da Magia". Então, esse indivíduo finalmente escapou e mudou de identidade, foi quando o amigo criou um cofre com a nova identidade e o preencheu com o dinheiro dessa certa pessoa.

– Bem, admito que é uma boa teoria.

Henry fechou os olhos e passou a mão pelo cabelo bagunçado. Depois de um tempo, olhou novamente, direto nos olhos do amigo. Manteve o contato visual por um tempo.

– Obrigado Alvo. – ele disse sinceramente.

Henry sabia que fora um grande risco para Alvo, a verdade poderia ser descoberta e ele ser levado a julgamento. Isso era algo que Harry respeitava muito no amigo – ele se atinha às regras; se nelas acreditasse.

Dumbledore acenou lentamente e continuou.

– E o que você diria se esse amigo invadisse o lar dessa certa pessoa durante a noite e o preenchesse com muitas coisas úteis? Digamos algo como milhares de livros, materiais de Artes das Trevas e anti-Artes das Trevas?

– Bem, certamente a manhã seguinte seria um grande choque para a certa pessoa.

– De fato, Henry. Então não seria uma boa idéia se a certa pessoa ajudasse seu amigo a levar essas coisas? Seria mais fácil para o amigo e pouparia essa certa pessoa do choque.

– Boa idéia, mas será que os dois não poderiam esperar até que a certa pessoa terminasse de decorar o lugar e arrumasse espaço para as coisas?

– Obviamente. Então, amanhã? Você terá todo o fim-de-semana para preparar as aulas, não acho que haverá problemas com o tempo.

– Ok. De que cor você acha que deveriam ser as paredes, Alvo? Rosa? – Henry sorriu.

– Rosa? Realmente, Henry, isso é demais.

– Certo, então laranja. – Harry ergueu sua mão direita, fez um círculo no ar e fingiu atirar. As paredes ficaram laranjas.

– Para quê você fez isso?

– O quê, não gosta de laranja?

Dumbledore deu um meio-sorriso.

– Eu não desgosto do laranja tanto quanto desgostava do rosa, para responder sua pergunta, mas me referia a esse gesto sem sentido que você fez com a mão.

– Ah, isso. Bem, eu gosto do show... Como você faz? – Harry perguntou sorrindo.

– Eu só atiro. – ele atirou uma vez e as paredes ficaram novamente brancas.

– Por que você ao menos não levanta a mão antes de atirar?

– Por que eu o faria? – Alvo perguntou, confuso.

– Para que as pessoas que vissem o adorassem.

Dumbledore sorriu.

– Entendo. Quando comecei a fazer mágica sem varinha eu normalmente fechava meus olhos bem apertados e mexia um pouco com meus braços. Todos no lugar silenciavam completamente, pensando que eu precisava me concentrar. Devo admitir que era divertido.

Os dois sentaram em silêncio, sem dizer nada além de seus sorrisos. Alguém bateu à porta.

– Entre! – Harry gritou. Hermione entrou e sentou no sofá próximo a Harry.

– Olá para vocês dois! Vejo que estiveram ocupados decorando o lugar. Ficou... divertido.

– Colorido. – Henry disse com uma curta risada.

Ele fez nada além de pensar sobre as cores do momento. Repentinamente, as paredes se tornaram novamente laranjas e Hermione recuou sem dizer nada. Alvo somente sorriu.

–Bem, Henry, para dizer a verdade, eu pedi para que Hermione viesse. Temos algumas coisas para discutir que você pode não gostar. Voldemort tem poderes maiores do que os já vistos antes, você sabe disso.

– É por isso que estou aqui, então sim, eu sei disso. Vamos ao ponto. – Henry disse.

– Bem... – Dumbledore suspirou. – Você precisa preparar seus estudantes, Henry. Preparar mesmo, para o pior.

– O quê? Isso é tudo? – Harry disse, nervoso. – Sou o professor de Defesa Contra Artes das Trevas, naturalmente os ensinarei a se defenderem. O que você achou que eu faria?

– Não o comum, Henry. Um estudante formado na educação básica de Defesa Contra Artes das Trevas dificilmente sobreviverá a um ataque de Voldemort e de seus Comensais da Morte. Você precisa exigir mais deles, muito mais. Precisa ensiná-los matérias que nem você aprendeu na escola.

– Eu trouxe alguns materiais do primeiro ano, dê uma olhada. – Hermione disse, entregando alguns papéis a Henry.

Henry observou Hermione. Não notara que ela mudara tanto. Ao invés de evitar até mesmo o nome de Voldemort, ela acabara de aconselhá-lo a ser mais exigente com os estudantes, mas como poderia ela ainda ser a mesma pessoa depois de tudo que aconteceu?


5 anos antes...

– Eu não os matei! – Harry chorou enquanto três dementadores o arrastaram para fora do tribunal. – Eu não os matei! Foram os Comensais! COMENSAIS!! Acreditem em mim... por favor... eu não fiz isso... sou inocente... inocente...

Foram às últimas coisas que ele disse antes de desmaiar, dessa vez sem ouvir seus pais, mas sim ouvindo seu melhor amigo sendo morto. E pensavam que ele o matara... Rony, seu melhor amigo... por que ele mataria Rony? O Sr. e Sra. Weasley também foram mortos durante ataque e só porque Fudge era um inseto nojento e Harry fora o último a vê-los, ele seria obrigado a viver em Azkaban por quinze malditos anos; se ele sobrevivesse até o final.

Mas ele sabia que era inocente e isso o fazia obrigar a si mesmo a viver. Fudge é claro, estava rejubilante por finalmente tê-lo tirado do caminho. Não haveria mais Harry Potter para tentar convencê-lo do retorno de Voldemort. Ninguém o faria duvidar que, em seu perfeito mundinho, tudo estava em ordem.

Sim, a vida de Fudge estava absolutamente perfeita agora, mas Harry tinha certeza que Fudge se arrependeria disso mais tarde.


– Henry! Você não quer ver isso? – Hermione perguntou.

– Ahn? – Henry interrompeu os pensamentos. – Ah, claro... deixe-me ver.

Harry deu uma olhada nos papéis.

– Isso é para os calouros? Nós aprendemos no terceiro ano... tem certeza que são os papéis certos?

– Absoluta certeza, Henry. Sei que não será fácil ensinar isso.

– Não será fácil? Acho que não é possível. Como alguém do primeiro ano poderia aprender isso? Como espera que eu os faça aprender isso? Pense sobre os nascidos trouxas, Mione. Eles acabaram de conhecer o mundo mágico e eu vou forçá-los a lidar com lobisomens e bichos-papões? Eles vão me odiar antes mesmo de eu tentar!

– Veja por outro lado, Henry. – disse Dumbledore casualmente. – Não queremos nos sentir culpados quando nossos estudantes morrerem porque não os ensinamos a se defenderem apropriadamente. Tenho certeza de que Voldemort tem poder suficiente para que nem eu possa matá-lo. Ele não hesitará em atacar pessoas só por fazê-lo, você sabe disso tão bem quanto eu. Ninguém está seguro agora e devemos fazer o melhor para salvarmos quantas pessoas pudermos. Não podemos hesitar somente porque os estudantes odiarão a educação que estão recebem, você entende?

Harry entendia.

– Eu entendo, mas isso não facilita a situação. Mas se tem que ser...

Dumbledore concordou.

– O trabalho é todo meu. Então, certo. – Harry suspirou. – Acreditem amigos, serei o professor mais malvado da história.


N.T.: Como o fanfiction vai ficar "travado" essa semana, decidi postar hoje, com uma betagem só no capítulo um... um dia ainda beto o prólogo... quem sabe... espero q estejam gostando...