Capítulo 2: Uma aula de DCAT

Leon, Ronny e Martin chocaram-se ao ler a primeira página do Profeta Diário:

Harry Potter visto na Austrália

Harry Potter, o tríplice assassino que há dois meses escapou de Azkaban, foi visto ontem em Sidney, Austrália, por um respeitado membro do alto escalão do Ministério da Magia; entretanto, não foi possível prendê-lo.

O grande mistério de como Potter conseguiu escapar do presídio de alta segurança ainda não foi revelado. Harry Potter e Sirius Black foram as únicas pessoas que alcançaram tal feito.

Potter estuporou o homem que o viu e novamente fugiu. O Ministério ordenou que um grande grupo de aurores o procurasse por toda a cidade e até que estendesse a busca, se necessário. Potter será sentenciado a prisão perpétua em Azkaban, se capturado.

Um comentário do homem que o viu: "Eu não tive oportunidade de pegá-lo, aquele assassino, porque ele me estuporou imediatamente. Não tenho idéia de como ele fez isso; não vi varinha alguma em sua mão."

O Ministério concorda que Potter provavelmente tem grandes poderes, que certamente o ajudaram a escapar de Azkaban.

Cornélio Fudge, Ministro da Magia: "Com esse assassino Potter à solta, devemos todos nos precaver, porque sabemos do que ele é capaz; e agora, ele até nos mostrou que tem poder suficiente para fazer o que quer."

– Bah! – disse Leon. – Eles deveriam usar medidas extremas para garantir que um assassino como esse não escapasse tão fácil de Azkaban, colocando todos nós em perigo!

– Eu concordo, cara! – Ronny reclamou. – Se o departamento do meu pai fosse responsável por Azkaban, isso não teria acontecido.

– O que eles poderiam ter feito, com o poder que Potter tem? – disse Martin.

– Deveriam tê-lo matado de uma vez, ou ter dado o beijo do dementador. Pessoas como ele merecem a morte!

Henry Evans – na verdade, Harry Potter – estava encarando os estudantes. Felizmente, eram quintanistas, então poderia praticar suas maldades antes de enfrentar os mais novos. Harry conseguiu esconder muito bem seu nervosismo e tinha certeza de que se acostumaria com essa situação em alguns dias, sem contar que os calouros pareciam tão nervosos quanto ele, se não estivessem mais.

Os calouros silenciaram imediatamente no momento em que Harry os mirou com raiva. Então isso funcionara... definitivamente um bom começo.

– Olá, classe. Meu nome é Henry Evans e sou seu novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas. Quero que saibam que essa não é uma aula divertida, mas sim um assunto sério. Espero que prestem atenção, anotem e me respeitem completamente. Farão o que eu disser ou eu os farei se arrependerem. Entendido?

Os calouros encaram-no, chocados; obviamente tiveram uma impressão muito errada dele quando o viram na Seleção. Até o Professor Malfoy, o mestre de poções, os recebera mais convidativamente.

"Vocês são grifinórios e sonserinos; conhecidos por não se darem muito bem. Eu, entretanto, não tolerarei quaisquer sinais dessa rivalidade e vocês se arrependerão por mau comportamento quando eu estiver por perto, isso eu os prometo."

No final da aula, Professor Evans havia tirado 25 pontos da Grifinória e 14 da Sonserina; aos rumores de que ele favorecia os sonserinos, seguiram outros sobre ele ser o pior nojento da face da Terra.

– A seguir… espere um segundo… aqui… ah, não, Defesa Contra Artes das Trevas! – Ronny gemeu.

– Disseram que ele é um nojento que favorece os Sonserinos. Como se um desses não fosse o suficiente…

– É! Sonserinos grudentos sempre estão juntos… hei! O que está acontecendo ali?

No canto, estava sentada uma caloura da Lufa-Lufa com a cabeça entre os joelhos, soluçando incontrolavelmente. Os três garotos se aproximaram cuidadosamente da garotinha e Leon colocou a mão no ombro dela. Ela estremeceu e levantou o rosto para olhá-los.

– Me… me deixem sozinha! – ela soluçou.

– Não vamos fazer nada com você – Leon tentou acalmá-la. – O que aconteceu?

– P… p… professor Evans! – ela choramingou alto. – Eu… eu me atrasei para a aula por… porque… eu não encontrei a sala e… e… ele disse… que escreveria aos meus pais… porque eu… não achava a aula importante… isso não é verdade… eu só não achei… a sala… mamãe e papai ficarão tão desapontados comigo – ela lamentou.

– Esse Evans deve ser mesmo um asno – disse Martin.

– Provavelmente. Descobriremos logo – Leon suspirou.

– Mas precisamente – Ronny interrompeu – deveríamos ter descoberto há cerca de cinco minutos atrás…

– Ah, merda... – Leon resmungou

Os três amigos apressaram-se em direção à sala de aula de Evans e chegaram exatamente sete minutos atrasados. Para a surpresa deles, não viram o professor em lugar algum.

– É, onde está o Evans? Não tem achado mais graça em aterrorizar pequenos estudantes? – Ronny disse furiosamente. – Maldição, ouçam o que eu digo, este cara é mesmo cruel. Perguntem aos calouros da Lufa-Lufa. Bah! Ele provavelmente é um estúpido meio-aborto se aproveitando do seu poder como um professor.

"Maldição, ouçam o que eu digo, este cara é mesmo cruel. Perguntem aos calouros da Lufa-Lufa. Bah! Ele provavelmente é um estúpido meio-aborto se aproveitando do seu poder como um professor." Harry não sabia se ficava triste, ofendido, ou se ria. Ele fora realmente duro com a menina da Lufa-Lufa; sabia disso, mas ele deu a ordem e sabia que os estudantes não aprenderiam o que ele queria se não o respeitassem, ou melhor, se não temessem o que ele ensinava e até ele próprio. Ele não gostara nem um pouco de maltratar os seus estudantes, mas ele concordara com Dumbledore e queria que os estudantes estivessem preparados para Voldemort, não importando o quão difícil esse objetivo fosse.

Se olhasse por outro lado, este comentário fora bastante engraçado. Harry não queria soar – nem pensar – de forma convencida, mas se existia tal coisa como meio-aborto – ele nunca ouvira essa palavra antes – ele certamente não era um; ao contrário, ele era um tanto poderoso. Talvez Alvo fosse mais. Ou Voldemort, provavelmente. Alvo dissera que seu poder era enorme agora e Henry não achava que ele exagerara.

Henry decidiu verificar as habilidades daqueles quintanistas antes para decidir se teria que retomar algum conteúdo; ele não podia imaginar que algum estudante pudesse realmente ter aprendido algo de verdade com Lockhart. Então, ele deu a volta na sala de aula calmamente, bem escondido embaixo de sua capa de invisibilidade e atingiu um menino aparentemente forte com a Azaração das Pernas Bambas para ver como todos reagiam.

A classe inteira fitou Thomas Bulstrode quando o menino começou a dançar com um passo acelerado.

– O sonserino nojento finalmente enlouqueceu? – perguntou Leon em voz alta.

– Certamente, parece isso – o seu amigo Ronny concordou.

– Besteira – Martin disse. – Isto é uma azaração. Tarantallegra é o que é chamada, li sobre ela.

– Não vi ninguém azarar ele.

– Nem eu. Teríamos visto a luz sair da varinha ou algo assim, não é?

– Acho que sim, mas vamos ajudar o coitado do Thomas antes de discutir sobre isso.

– Ah sim, é claro que primeiro vamos ajudar o sonserino nojento! Mas como é que você está planejando fazer isto, Martin?

Martin olhou para ele.

– Realmente, você dois deveriam ler mais, às vezes é útil, sabem… Finite Incan-

Antes que Martin pudesse terminar as palavras, uma maldição o atingiu. Agora ele rolava no chão de tanto rir e todos o observavam. Martin parecia simplesmente incapaz de se acalmar.

– Isto não é engraçado, Grifo! – uma garota sonserina, que sempre pareceria ter uma queda por Thomas, gritou.

Esta menina foi a próxima. Ela voou no ar, gritando em pânico, e parou dois centímetros abaixo do teto.

Em um minuto, a classe inteira foi azarada; incapaz de fazer nada. Martin ainda ria loucamente, ele simplesmente não conseguia vencer aquela maldição. Leon foi atingido com a Azaração do Corpo Preso e Ronny foi acorrentado à escrivaninha do professor.

Aproximadamente um minuto depois, a porta abriu-se e Professor Evans entrou em sua sala de aula.

Harry Potter fez o possível para não sorrir e parecer surpreendido.

– O que é que está acontecendo aqui? – ele gritou. Todos calaram-se abruptamente, exceto uma menina que soluçava silenciosamente caída no chão; Martin, que ainda ria, e algumas pegadas que eram ouvidas executando um passo acelerado sobre chão.

– Você aí! – Henry enfureceu-se. – O que é tão engraçado? Quero que você se cale e me diga o que aconteceu!

O impulso de rir repentinamente desaparecera tão rápido quanto viera. Martin estava chocado – como ele deveria explicar isto? Explicar isto a alguém que provavelmente tiraria pontos se ele dissesse uma palavra incorreta?

– N… N… Não sei… Eu não sei, senhor – foi o que ele conseguiu dizer. – Mas eu… acho… azarou… alguém azarou a turma, senhor.

– Ah, você acha? Devo dizer que estou surpreso. Não me pareceu que mais alguém estivesse pensando assim. Hummm… – ele fez uma pausa. Harry Potter olhou em torno da classe. – Você tem qualquer suspeita de quem poderia ser aquele que o azarou?

Uma longa pausa.

– Aquele assassino, Harry Potter, tentando assumir Hogwarts! – um menino sonserino declarou. Várias garotas gritaram.

– Meninas estúpidas – Leon murmurou e revirou seus olhos; os amigos riram disfarçadamente em acordo.

– Silêncio! – Harry ordenou. Ele não gostava do jeito que aquelas crianças pensavam dele. Tinham as pessoas criado seus filhos contando estórias sobre Harry Potter assassinando gente ao invés de Harry Potter destruindo Você-Sabe-Quem? Não que ele sentisse falta da fama, mas também não gostava disso.

Então, devagar e com cuidado, Ronny levantou a mão.

– Longbottom!

– Acho que o senhor pode ser aquele que nos azarou.

E novamente… Harry não soube por que, mas não gostou disso. Tinha que fazer algo antes que eles se acostumassem. Por que não agora?

– Não me chame de "senhor", Longbottom, eu não gosto. Chame "professor", certo?

O garoto assentiu.

"Certo, então… por que eu, sendo seu professor, os atingiria com uma azaração?"

Novamente silêncio.

– Porque você odeia todos nós e gosta disso, seu canalha – a menina que estava chorando, disparou.

A classe inteira ficou chocada. Uma menina próxima àquela que chorava caiu da cadeira e todos os estudantes recuaram perante Harry, temendo a sua reação. Ele era conhecido para ser um canalha afinal e algo assim certamente o faria explodir.

Harry não estava realmente zangado – eles não foram ensinados a ter aulas "normais" de Defesa Contra Artes das Trevas, com aquele babaca do Lockhart os ensinando – mas ele estava triste. Triste mesmo. Eles realmente o odiavam tanto? Sabia que não seria muito popular com os seus métodos de ensino, mas não era o mesmo que ouvir isso vindo de um estudante. Quando ele imaginara ensinar ali, Harry pensara que se daria bem com os estudantes, não muito diferente do que Remo fizera.

– Não lhes mostre que você se preocupa! – seu cérebro ordenou. – Você deve ser um besta, portanto não os deixe saber que se preocupa!

Henry casualmente andou até a garota e se abaixou. Sua face estava agora ao mesmo nível que a dela, a cerca de dez centímetros de distância. Ele olhou diretamente nos olhos dela.

– Qual seu nome, garota? – ele replicou.

– S… Susan Wood, senhor – disse a menina, obviamente um pouco assustada agora.

– Então me escute, senhorita Wood. Poderia, por favor, me dizer como você define o verbo "odiar"?

Susan Wood pareceu confusa.

– Como eu defino "odiar"? Por que… por que o senhor quer saber isso?

– Porque eu tenho certeza de que não estamos falando sobre a mesma coisa, senhorita Wood. Tente definir agora do jeito que você entende, por favor, ou seria uma responsabilidade muito grande?

– N-não, Senhor. Bem, "odiar" é… bem… não gostar nem um pouco de uma pessoa.

– Você realmente não vê uma diferença entre "odiar" e "não gostar", senhorita Wood? Alguém pode explicar a diferença para a senhorita Wood?

Leon pensava. Ele sabia o que Evans queria dizer. ""dio" era, bem, mais forte que o simples "não gostar". Mas deveria ele se arriscar e levantar a mão voluntariamente? Bem, Ronny fizera isso e fora bem.

A mão de Leon estava a alguns centímetros da mesa quando ele recordou da menina da Lufa-Lufa que soluçava no corredor. Como os seus pais reagiriam se recebessem uma carta dizendo que ele fora "indisciplinado" ou algum outro termo que os professores normalmente usavam? Decidiu que era melhor não descobrir e rapidamente recuou a mão. Infelizmente, Evans já tinha visto.

– Sr. Whitby?

– Er… nada, senhor.

– Tarde demais, Whitby, quero a sua opinião agora. Então…?

– Bem, senhor, acho… acho que "ódio" é… é… mais forte, senhor.

– Sim, Whitby, eu concordo. E espero não ter que dizer muitas vezes para que vocês finalmente aprendam: guardem este maldito "senhor" para pessoas mais inteligentes do que eu, Alvo talvez, certo?

O professor fez uma pausa e a classe ficou um pouco assustada. Eles deveriam responder?

Agora aquele canalha do Evans estava virado para Susan e começara a falar novamente.

– O "ódio", senhorita Wood, é muito mais forte do que o "não gostar". Quando eu não gosto de alguém, eu não me importaria de arrebentar a cara dessa pessoa a menos que a falta cometida seja muito grave. Mas quando odeio alguém… eu quero dizer odiar mesmo… – os olhos de Evans brilhavam e ele parecia realmente perigoso agora. A classe permaneceu em absoluto silêncio. – …então preciso de muita força de vontade para resistir e não matar essa pessoa no momento em que ela se aproximar, não importando a falta que ela cometeu.

Ele fez uma pausa e andou até a frente de sua escrivaninha e virou-se para a turma.

"No fim…" ele disse, "estou feliz porque tive força de vontade para não arruinar a minha própria vida junto com a de meu inimigo, ou para não estar deprimido por ter perdido o controle a ponto de ser mandado para Azkaban por isso."

Com isto, Evans terminou e voltou a sua atenção para Susan Wood.

"Você ainda acha que odeio todos vocês, senhorita Wood?"

– N-não, senhor.

– Assim está bem, senhorita Wood. Acreditem, não odeio nenhum de vocês e vocês devem me dar razões realmente próprias para fazê-lo, do contrário, não se incomodem; de nenhum outro modo eu entraria aqui e os mataria. Certo?

Susan Wood assentiu.

– Está certo disso, senhor? – Martin Whitby murmurou. Como se somente então percebesse o que fazia, ele rapidamente baixou a cabeça.

– Eu não gosto que falem comigo com esse atrevimento, Whitby. Cinco pontos da Grifinória

O menino não reclamou, por isso Harry desconfiou que ele realmente fosse da Grifinória.

"A propósito, o que acha, Whitby?"

– Ah, nada, senhor. Sinto muito, senhor."

– Sei que sente. A propósito, outros cinco pontos da Grifinória por aquele "senhor". Agora me diga sobre que falava ou terá de enfrentar as conseqüências.

– A… a Maldição Imperius, senhor – Martin gaguejou.

Seu pai lhe contara um pouco sobre isso. A Maldição Imperius era uma das três "Maldições Imperdoáveis". Essas Maldições eram proibidas pelo Ministério da Magia. O uso delas era punido com alguns longos anos em Azkaban, às vezes até com pena de morte.

Pelo que ele sabia, você poderia controlar uma pessoa através da Imperius – a pessoa seria forçada a fazer tudo o que você quisesse. Esta maldição era muitas vezes usada por Comensais da Morte para controlarem a sua vítima. Eles também usavam a Maldição para fazerem as pessoas ajudá-los com… bem… com o que eles faziam… assassinato, tortura… esse tipo de coisa. E só os mais poderosos bruxos poderiam neutralizar essa maldição e, de fato, muitos poucos o conseguiam fazer.

– Muito bem. Alguém além de Whitby sabe sobre a Maldição Imperius?

Ronny e Leon cuidadosamente levantaram as mãos.

– Sim, Creevey? Então pode me dizer o que ela faz?

– Você pode obter controle total de uma pessoa com aquela Maldição, sen… professor, e é muito difícil vencê-la.

– Ahá! E você acha que esta maldição pode fazer com que eu entre aqui e o assassine, Whitby?

– Bem, sei que você deve ser um bruxo muito poderoso para quebrar a maldição. Meu pai não pode, por exemplo. Nem mesmo o senhor Longbottom, e ele é um dos melhores aurores britânicos, afinal de contas. Portanto acho que o senhor dificilmente seria capaz de a neutralizar.

Ronny sorriu largamente. Ele não o admitia – nem para si mesmo – que amava a fama do pai. Ele muitas vezes esteve no Profeta Diário ao prender algumas pessoas que estavam seriamente envolvidas com artes das trevas; era uma espécie de pequeno herói.

Evans pareceu realmente surpreendido.

– Mesmo? Você 'tá brincando comigo!

O que era isso? Leon não entendeu o que Evans queria agora.

– Hum? – foi a sua reação final.

– Você realmente quis dizer isto, Whitby? – Evans disse, rindo em voz alta. – Neville Longbottom, um auror famoso? Certamente não! Não há possibilidade de Neville Longbottom ter a coragem–

Harry percebeu ter escolhido as palavras erradas ao ser interrompido.

– Claro que ele tem, seu canalha! Meu pai é o melhor auror que o Ministério já teve em anos! Ele é o melhor, você me ouviu? Ele pode acabar com você a qualquer hora, seu… seu… estúpido…

Ronny estava de pé agora, a sua face vermelha de raiva. Como este babaca ousava insultar seu pai? Todos o adoravam… se seu pai estivesse aqui agora…

"Seu estúpido, besta…"

– E meio-aborto? – Evans terminou a frase por ele.

De repente, Ronny percebeu o que fazia e sentou novamente, envergonhado e assustado. Evans certamente puniria duramente a sua "discreta" interrupção. E ele receberia uma detenção, é claro, mas isso era a menor das coisas que poderiam lhe acontecer agora. "Tente escapar dessa," ele pensou.

– Eu… Sinto muito mesmo, senhor, eu… não tive a intenção… não quis dizer isso, senhor, eu só… s

− Só quis defender seu pai, não, Longbottom? – Evans perguntou energeticamente. – Isso não é razão para comportar-se de tal maneira, Longbottom, deveria saber disto. Eu certamente não desejo que as pessoas falem comigo assim, garoto. Você não tem o direito de fazê-lo. Trinta pontos da Grifinória e detenção hoje, às 7 horas. Entendido? E direi ao seu grande pai sobre a maneira como você se comporta diante de pessoas que deveria respeitar. Se algo assim acontecer novamente, as conseqüências serão piores. Algo mais?

Ronny somente sentou-se lá, não levantando os olhos, não dizendo nada. Ele somente fitou a sua escrivaninha.

Não entendia o motivo, mas sentia-se péssimo. Primeiro aquele cara ousara insultar seu pai e depois, além de não aceitar sua desculpa, ainda o punira tão duramente… nenhum outro professor o punira assim antes e ele já fizera coisas piores… como pôr alguns lindos insetos na cama de Malfoy. Bem, Malfoy o surpreendera no ato, mas ele não escrevera aos pais do aluno… foda-se, Evans! Você é o pior de todos!

Ronny apressadamente jogou as coisas na mochila e levantou-se para ir embora. Evans poderia fazer o que quissesse agora, ele não se importava. Só não agüentava mais encarar o rosto dele nesse momento, principalmente até o final da aula.

"Longbottom!" Evans exclamou. "Se você deixar esta sala agora, serão mais dez pontos da Grifinória!"

Ronny estava furioso demais para se preocupar. Ele olhou diretamente nos olhos de Evans pela última vez.

– O vejo às sete, professor! – ele cuspiu as palavras e deixou a sala, sem olhar para trás e ver os sussurros que o seguiram.

Leon e Martin levantaram ao mesmo tempo e para seguir o seu amigo. Sentiram que ele poderia precisar de um amigo e que deveriam estar ao lado dele.

– Hei, você dois! – a voz de Evans veio de trás. – Estão cientes do fato de que, se seguirem o bom exemplo de Longbottom, agora serão dez pontos da Grifinória por cada um e uma detenção esta noite juntamente com Longbottom?

– Estamos, professor, não precisa nos relembrar disso. – Martin disse calmamente. – Então, até mais tarde!

– Espero que apareçam. 'Té depois, Whitby e Creevey. Alguém mais quer segui-los? – ele perguntou à classe chocada.

Os estudantes não ousaram respirar; Harry entendeu como "Parecemos loucos, Professor?".

– "timo!

Harry caminhou em volta de sua escrivaninha e deu uma olhada em algum tipo do pergaminho, observando-o com cuidado por aproximadamente meio minuto.

– Malfeito feito – ele sussurrou, antes de deixar a classe sem uma palavra explicando onde iria ou quando voltaria.

Em um curto espaço de tempo, Harry Potter alcançara Leon e Martin, que estavam a caminho da Torre da Grifinória, onde eles suspeitavam que Ronny poderia estar.

– Ele está no campo de Quadribol – Harry os informou antes mesmo que eles se virassem.

Os meninos pareceram confusos.

– Estão procurando Longbottom, certo?

– É… claro que estamos.

– Certo, o encontrarão no campo de Quadribol.

Sem mais nenhuma explicação, Harry virou-se e voltou à aula.

– Provavelmente ele está tentando nos enganar para que não o encontremos – Leon disse.

– E se ele realmente estiver lá?

– E por que ele estaria lá?

Ambos os meninos fizeram uma pausa.

– Para que não pudéssemos o encontrar se o seguíssemos. Ele parecia furioso quando partiu.

– Hmmm… e como Evans sabia, afinal?

Finalmente, os meninos decidiram procurar Ronny no campo de Quadribol, onde eles encontraram o amigo sentado na arquibancada, pensando sobre o que o canalha acabara de falar sobre seu pai "não ter a coragem…" e sobre como ele respondera. Que maldita forma de começar o dia…

O professor "Henry Evans" entrou na sala e encontrou seus estudantes conversando sobre a aula. Precisou gritar "silêncio!" algumas vezes e alto o suficiente para obter a atenção deles, mas não tinha mais vontade de tirar pontos das casas.

– Então… onde paramos? Ah, claro, senhorita Wood. Então usarei este momento para lembrá-la de que quero ser chamado de "professor", "professor Evans" ou algo do gênero; nem "senhor" ou "canalha" serão aceitos. Certo?

A classe assentiu.

"Então está bem. Agora, deixem que eu tente ensiná-los da melhor forma que consigo… há muitas coisas que teremos que repetir – ou melhor, aprender –, tenho certeza que aquele babaca do Lockhart não deu nenhuma informação de seus heróicos livros que poderia ser útil em alguma coisa. Ele também "me ensinou" uma vez, sabem… horrível ano. Bem… começarei revisando os conteúdos importantes do primeiro ano na próxima aula, porque é algo muito interessante e quero que todos estejam presentes. A propósito… algum grifinório seria gentil o suficiente para levar os materiais do Sr.Whitby e do Sr.Creevey ao sair?"

Um menino ruivo hesitantemente levantou a mão.

Harry não o olhou direito, mas respondeu "Obrigado, Sr. Weasley." Maldição – por que havia tantos Weasley por aqui? Realmente doía olhar para eles. Ele nem mesmo sabia quem o pai deste garoto – Thomas Weasley – era. Não importando quem era o pai, ele era muito parecido com Rony quando tinha esta idade… e ele estava novamente pensando em Rony. Por que não podia parar com isto nem por ao menos um dia?

Mas ele sabia por quê. Vira o amigo morrer. Não uma vez, mas a cada vez que os dementadores passaram por ele – o que acontecia aproximadamente dez vezes por dia. Agora Rony estava somente em seus sonhos, e isso era o suficiente para ele. Não que quisesse esquecer Rony, é claro que não, mas o fato é que ele preferia as lembranças em que Rony estava sentado no lago conversando com ele, Rony nas aulas, ou jogando xadrez… qualquer outra coisa às memórias de Rony deitado sem vida sobre o chão.

O sino tocou; a aula terminara.

"Ahhh, antes que vocês saiam: sim, fui eu que os enfeiticei e o fiz para ver como se defenderiam, algo que vocês nem começaram a fazer, para começo de conversa. Foi a primeira vez que o fiz, portanto estão perdoados agora. Mas certamente o farei novamente e se não forem melhores do que foram hoje, tirarei pontos das duas casas: Grifinória e Sonserina." Harry informou a classe, que novamente o encarava.

Então ele foi lentamente em direção ao Salão Principal, pensando sobre o que faria com os três alunos em detenção naquela noite. Queria fazer algo útil, mas não muito difícil… por algum motivo, ele gostava daquelas crianças.

"Bem, não importa o que você pensa deles, eles não gostarão de você depois que você fizer tudo que precisa com eles." Harry pensou.


N.T.: BUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!! Coitado do "a propósito", não tem crase, sempre achei que tinha... tadinhu.... perdeu o grampinho da vovó!!!

N.T. 2: Bem, gente, como não atualizei Cogitari esse fim-de-semana, estou postando esse capítulo novo da tradução de "Under Suspicion". Como agora estou estudando pro concurso e Cogitari está quase no final (só mais um capítulo), vou atualizar US em fins-de-semana alternados, é tudo que posso garantir, ok? Espero que tenham gostado do capítulo e o melhor ainda está por vir!

N.T.3: Xianya: sinceramente? sei lá como vai arrumar os documentos, fala sério, os bruxos não tem RG, CPF... etc, como nós, não é? Bem, o Fudge é mesquinho, mas quem me surpreendeu nessa fic foi o Sirius, sabe? -calando a boca- Lilibeth: também amei muito essa fic.... uma das melhores pós-hoggy, acho... Kaka!!! mandei seu comment pra autora P (e o dos outros tb, mas isso é detalhe...) que bom que vc está gostando... pelo menos alguém ama Under Suspicion tanto quanto eu ;) Jéssy: valeu pela review, é bom saber que as pessoas estão lendo! serim: vc vem me pergutnar justo o q eu fiquei em dúvida? então 'tá... mais pra frente vcs verão q o Harry já está com uns 34 anos (se não me engano, é isso). Do meu ponto de vista, essa fic não tem shipper, não é romance, oras! Já coloquei como personagem principal só o Harry exatamente por isso... qm procurar por Harry vai encontrar. Drika: isso lembra o Sirius? pois é... o Sirius... daqui a pouco ele aparece.... O Lupin tb aparece logo... a fic foi escrita antes de OdF, portanto é AU, já que o Sirius está vivo e tal...