Capítulo 3: Detenção, um plano e o resultado

Faltavam dois minutos para as sete horas quando Ronny, Leon e Martin chegaram à sala de Defesa Contra Artes das Trevas. Temiam o fato de que deveriam bater à porta; as aulas com aquele canalha eram um inferno e não estavam nem um pouco ansiosos para descobrir como seria a detenção.

Às sete horas em ponto, eles bateram à porta com cuidado. Certamente, não seria agradável, mas suspeitavam que estariam em uma situação ainda pior se se atrasassem.

– Entrem!

Os três amigos abriram lentamente a porta e viram Harry Potter – como Henry Evans – sentado à sua mesa. Ele não usava as habituais vestes de professor, mas sim vestes da cor dos olhos dele, com a gola vermelha.

Havia três pequenas – a aparentemente confortáveis – cadeiras amarelo-berrante em frente à mesa.

"Sentem-se" Harry ofereceu e eles o fizeram. "Então, isso é uma detenção… primeiro, eu quero uma palavra com vocês três".

Harry parecia, de alguma forma… amigável. Mais amigável do que antes, mas essa impressão poderia muito bem estar errada.

"Sr. Longbottom" ele dirigiu-se ao garoto. Harry encarou Ronny diretamente nos olhos – e isso assustou um pouco o garoto. Afinal, ele era o motivo principal para que a detenção tivesse sido imposta, e Evans certamente não deixaria de ignorar esse fato, embora Ronny não se arrependesse do que fizera.

O garoto não respondeu.

"Acho que você me entendeu errado esta manhã, Sr. Longbottom." Harry disse. "É claro que eu não tinha a intenção de insultar o seu pai, garoto. Eu só estava um pouco… surpreso. Você sabe, eu não tinha notícias dele por um tempo considerável e nunca esperava que ele tivesse se tornado um Auror do Ministério. A maior habilidade dele sempre foi Herbologia, você sabe?"

Harry não sabia como explicar. 'Seu pai normalmente agia como um covarde na escola' era a melhor maneira de dizer o que pensava, mas ele queria acalmar o garoto um pouco, e isso não funcionaria. Então… 'habilidoso em Herbologia' deveria ser suficiente.

"Embora eu realmente entenda sua reação" ele disse, relembrando como se sentia quando Snape maldizia Tiago Potter, "você não pode sair da aula daquele jeito. O mesmo para vocês, Sr. Creevey e Sr. Whitby."

Os três resmungaram algo como "Sinto muito, senhor".

– Vocês foram punidos, então isso está resolvido. Agora, vocês se importariam de ajudar-me a preparar a próxima aula?

Ele esperou enquanto os três garotos se olharam.

– Temos que fazer isso, não? – Martin perguntou.

– Claro que têm. Então, o que Lockhart os ensinou em três anos? – Harry perguntou.

Em cerca de trinta segundos, Martin conseguiu mencionar tudo que aprenderam, e Harry achava que nenhuma parte de "a cor favorita de Lockhart é lilás" seria útil quando precisassem lutar contra as trevas. Eles estavam, de fato, muito atrasados.

"Ouch, isso é difícil..." ele murmurou.

– Como, senhor? – Leon perguntou.

– Ah… é… nada – Harry disse. – Eu só percebi que Lockhart ensinou-os exatamente o que eu temia que ele ensinasse. Bem, eu terei de repetir a matéria importante antes de começar com a parte que tinha planejado. Entretanto, não perderei mais de duas semanas com isso, por isso, estejam preparados!"

Harry riu quando os três garotos resmungaram ruidosamente.

"Desculpem-me, garotos. Agora, o que eu estava planejando – e que vocês certamente não acharão agradável, mas que é necessário… eu quero saber o que vocês pensam sobre isso."

Os garotos o olharam.

– O que você está planejando? – Leon perguntou.

– Hmm… primeiro, é claro, estava vendo algumas coisas do primeiro ano. Eu não aprendi muito em Defesa Contra Artes das Trevas durante essa época, com aquele gaguinho do Quirrell, e sobrevivi bem sem conhecer essas coisas; entretanto, Dumbledore pediu que eu lhes ensinasse algumas coisas. Estudaremos em aula as partes mais importantes e darei cópias para que vocês leiam sozinhos, eu acho…

"Desculpe?" Ronny pensou. "Ele nós dará matéria de um ano inteiro? Isso é loucura!" Mas Ronny permaneceu calado.

– No segundo ano… – Harry continuou –…nós tivemos esse babaca do Lockhart e não aprendemos absolutamente nada… exceto, talvez, como mexer com alguns gnomos… – e terminou em um murmúrio: – Ele era mesmo um idiota.

– Eu concordo – Martin e Leon disseram uníssono. Percebendo então que haviam falado mal de um professor, eles empalideceram; Evans, porém, não disse nada. Deveria ser por causa do nojo que aquele canalha tinha por Lockhart, eles supunham.

– Faremos o que planejado para o primeiro ano… então, terceiro ano… ahh, esse foi maravilhoso. Eu sinto saudades do Remo… embora temo que ele não sinta tanta falta de mim… – Harry suspirou.

Remo? Quem, por diabos, era Remo? Do que ele estava falando? Os garotos olharam-no, confusos.

"Hum? Ah, desculpem, me perdi em pensamentos." Harry disse. "Estudaremos mais do terceiro ano, eu acho. Aliás, quero que vocês aprendam a conjurar um Patronus. Sim, isso é legal. E então… ah, aí que começamos".

Com isso, Harry encarou os estudantes e encontrou o olhar de cada um deles.

"Eu os farei lidar com as Maldições Imperdoáveis, garotos." Ele disse com a voz baixa.

Os três assustaram-se.

– V-você não pode! Isso é completamente proibido, eles o jogarão em Azkaban! São feitiços negros e perigosos! Isso é… isso é LOUCURA! – Ronny exclamou. Seu pai o contara sobre as Maldições; eram os mais negros, perigosos e malévolos feitiços existentes. E seu pai era um dos homens respeitados que tentava impedir que as pessoas os usassem.

– E é aí que se engana, Sr. Longbottom – Harry falou novamente. – Não é que eu não posso… é que eu devo, e certamente o farei.

– E como você planeja fazer isso? – Martin Whitby disparou. – Você realmente acredita que o Ministério não vai saber? E você não acha que pode enganar Alvo Dumbledore, o bruxo mais poderoso do mundo, bem embaixo do nariz dele, acha?

– Eu não planejo enganá-lo – Harry disse calmamente. – Essa é uma ordem de Dumbledore e ele conseguiu – eu, pessoalmente, não sei como – permissão do Ministério.

– Dumbledore nunca faria isso. Nunca, me ouviu?

– Sim, ele faria. Como você disse, ele é um grande bruxo. Ele quer que vocês também o sejam, então vocês precisam praticar. Entendem onde eu quero chegar?

Os estudantes estavam chocados. Não era assim que funcionava. Eles eram crianças, não deveriam nem estar sabendo direito o que eram essas Maldições Imperdoáveis.

"Bem, agora vocês sabem e eu os deixarei pensar descansados, mas, por favor, pensem também por que eu estou fazendo isso. Acreditem, eu também não gosto dessas Maldições."

"Então está bem, podem ir…" ele disse diante da ausência de respostas.

Demorou aproximadamente dez segundos para realmente entenderem o que o professor acabara de dizer, mas, quando o fizeram, eles saíram voando da sala.

Não demorou muito tempo para que toda a escola soubesse dos rumores sobre o professor Evans estar planejando ensinar as Maldições Imperdoáveis e para que uma calorosa discussão sobre "aquele canalha" começasse no Salão Comunal naquela mesma noite.

– Ele não pode fazer isso conosco! Eu vou escrever aos meus pais para que me tirem dessa escola se ele realmente ousar! – declarou uma sextanista.

– Sim, isso é muita maldade! – algum secundarista disse, ainda que poucas pessoas ouvissem.

– Vamos nos vingar daquele canalha! – Ronny gritou para que pudessem ouvir.

Houve um momento de silêncio.

– É, ele está certo! Vamos mostrar que Evans não pode fazer o que quiser com os grifinórios! Vamos dar o troco! – um aluno do quarto ano falou em voz alta.

Todo o Salão Comunal se encheu de risadas. Os estudantes conversavam entusiasmadamente sobre quais seriam os melhores e mais maldosos feitiços para usar contra o Professor. Então, um sétimanista interrompeu.

– E, se é que posso perguntar, como exatamente vocês estão planejando se vingar? O que vocês querem fazer? Se eles os pegarem, como certamente o farão, provavelmente não será como a última vez, em que tiraram apenas cem pontos da Grifinória… – ele olhou para Ronny, Leon e Martin, que ficaram vermelhos, lembrando do terrível incidente com Malfoy, que os custara a Taça das Casas. Fora realmente terrível. –…mas vocês vão acabar sendo expulsos, como eu posso imaginar que Evans o fará, e eu acho que estou certo nisso.

Os grifinórios consideraram o que o Monitor acabara de falar.

– Mas teremos mais cuidado dessa vez! – Martin anunciou. – Você acha que não aprendemos nossa lição com isso?

Todos os Grifinórios os encararam.

– E! E… não somos três, mas setenta pessoas! Não acha que conseguiremos um plano perfeito se trabalharmos juntos? Não acha que setenta pessoas, ou melhor, setenta grifinórios, não conseguem orquestrar uma vingança contra um único professor idiota? Claro que conseguiremos, e Evans terá o que merece! Nós somos grifinórios, não podemos deixar que ele nos trate desse jeito!

O Salão Comunal encheu-se novamente com os risos, e havia muitos estudantes – principalmente os mais jovens – impressionados com o discurso de Martin. Ele era um cara inteligente.

– Por mim, tudo bem. Façam como quiserem! – o garoto novamente disparou. – Mas eu não me envolverei nisso. Não contem com a minha ajuda!

Alguns estudantes também se recusaram a ajudar; na sua maioria, os sexto e sétimanistas, mas cerca de cinqüenta e cinco estudantes aderiram à idéia. Era um começo e não demorou muito para que pensassem em um plano. Eles não queriam realmente machucar o professor, mas ao menos dar um susto que servisse de lição. Mais de um, na verdade.

Simplesmente preparar "a noite" lhes custou algum tempo. Eles também gastaram bastante dinheiro na Zonko's, mas esse não era um grande problema, porque todos os envolvidos deram ao menos um pouco de dinheiro para que pudessem pagar.

Três dias depois, Mandy Ackerley, uma bonita garota loira do segundo ano, bateu à porta dos aposentos de Evans. Faltavam quinze minutos para as oito da noite e, se tudo corresse conforme o planejado, ela precisaria distraí-lo por não mais do que meia-hora; sem contar que eles haviam feito um bom trabalho, então não deveria haver realmente algum problema.

"Essa será uma noite cheia de acontecimentos para Evans", ela pensou maldosamente.

– Entre! – Harry Potter gritou quando ouviu umas batidas apressadas na porta.

Ele estivera lendo um livro chamando "Mais difíceis e perigosas azarações", de Quentin Trimble. As azarações eram perigosas, ele sabia, mas não se importava, pelo menos não enquanto o livro estivesse em suas – e somente em suas – mãos. Ele faria o melhor para impedir que os estudantes não pudessem nem olhar o livro de perto. Quentin Trimble escrevera alguns livros muito úteis de Defesa que ele gostava de usar em aula, mas este em particular era cheio de feitiços e maldições que poderiam ser mal usados por mãos erradas. Sem contar, é claro, a dificuldade em aprendê-las; poderia haver acidentes se uma pessoa… sem tantos poderes mágicos… as praticasse.

A garota loira entrou no living de Henry. Ela parecia… molhada? Muito molhada, com água escorrendo de seus cabelos. Era como se ela tivesse nadado em um lago ou algo assim, mas é claro que ela não deveria ter feito isso.

"Estranho", Harry pensou.

Ele esperava que fosse Alvo, Hermione, Minerva ou outro funcionário, mas certamente não… é… qual era mesmo o nome dela? E por que a garota viera a ele em vez de a outro professor? Ela não aparentava precisar de ajuda com as tarefas de Defesa Contra Artes das Trevas e, mesmo se precisasse, qualquer estudante sentiria-se aterrorizado demais para pedir ajuda a Harry.

Sabia que ela era da Grifinória… é, do segundo ano da Grifinória…

Harry percorreu sua lembrança, tentando encaixar o rosto a algum nome das garotas secundaristas da Grifinória.

Então ele encontrou… essa era a Srta. Ackerley, Mandy Ackerley.

– Se você precisa de uma toalha, Srta. Ackerley, por favor, peça aos seus colegas… – Harry Potter zombou.

– Não, senhor, por favor, isso é uma emergência! – a garota disse pressurosamente. – Por favor, venha logo, há um vazamento nos canos do banheiro feminino! Há água por todo lado, venha logo, senhor!

Harry Potter calmamente acompanhou a garota ao Salão Comunal da Grifinória, perguntando-se por que diabos os "tão bravos grifinórios" não conseguiam consertar sozinhos um simples vazamento. Pelo menos, ele esperava que fosse um simples vazamento…

– Diga-me, Srta. Ackerley, ainda não tentaram consertar sozinhos o vazamento?

Mandy Ackerley sorriu timidamente.

– Oh, é claro que sim, senhor! Mas nem os mais velhos conseguiram. Parece ser impossível de consertar!

Harry apertou o passo em direção ao Salão Comunal da Grifinória. Um simples feitiço de Reparo era o suficiente para consertar muita coisa, então esse caso poderia acabar sendo mais sério do que ele pensava.

A primeira coisa que Harry percebeu ao entrar foi os inúmeros gritos. Gritinhos de garotas, várias oitavas acima do tom normal ou piores. E, realmente, havia água em todo o lugar. Mandy Ackerley não exagerara. No momento em que Harry passou pelo buraco do retrato, encontrou-se com água até os joelhos.

– Mas que diabos aconteceu aqui? – ele murmurou.

Os estudantes, pelo que parecia, estavam ocupados impedindo que seus materiais molhassem.

Harry subiu as escadas, de onde a água estava vindo. Era o quarto das secundaristas. Agora, molhado dos pés a cabeça, ele viu uma dupla de alunas do sexto e sétimo anos tentando consertar, sem sucesso, o vazamento.

– O que vocês tentaram fazer para terminar com essa bagunça? – ele gritou, esperando que sua voz fosse ouvida apesar do barulho da água que jorrava.

– Um feitiço de Reparo, mas não funcionou, nem quando todos nós tentamos ao mesmo tempo, senhor! – Kevin Smith, um dos alunos que concordara em ajudar com o plano, gritou de volta.

– É claro que não funcionou, garoto! O feitiço de Reparo não tem o efeito multiplicado mesmo se mais de uma pessoa o usar. Vocês deveriam saber disso! – Evans respondeu, rindo ao imaginar dez estudantes quase-adultos apontando as próprias varinhas para um vazamento e gritando juntos, idiotamente, "Reparo", várias vezes, e perguntando-se por que não funcionava.

"Eu sei, seu grande canalha, mas você é quem deve cuidar disso. E estou ansioso para saber quanto tempo você vai demorar", o garoto pensou.

Kevin vira os preparatórios de Martin Whitby e presenciara o momento em que todas as azarações e feitiços foram lançados contra o cano. Martin fizera um bom trabalho e seria horrivelmente difícil para qualquer um encontrar uma solução para esse grande problema em menos de horas.

A imagem de todos os professores em pânico, esgotando-se na biblioteca e sentando sobre centenas de livros sobre feitiços, tentando salvar o castelo da inundação, de alguma forma o divertia.

– Hmmm, deixe-me ver… – Evans murmurou e apontou para o vazamento.

"Rá!" Kevin pensou maldosamente. "Agora, professor, pode tentar seu melhor para terminar com isso, mas tenha certeza de que irá falhar…"

Harry pensou. Um simples Reparo não funcionaria, então não era um simples vazamento. Alguém enfeitiçara o cano, isso era uma certeza. Ele não poderia consertar apropriadamente… se não soubesse qual era o problema. Então ele descobriria. Como aquele feitiço funcionava? Ah… sim!

Carmina investigo! – ele gritou e, de repente, descobriu.

Não tinha certeza como, mas ele sabia… não era só uma suspeita…

"Uau!"

Os feitiços sobre o cano não possuíam uma execução complexa; poderia ter sido um estudante que os fizera. Harry suspirou aliviado ao notar que não havia nada de magia negra envolvido. Agora isso seria mais fácil do que ele temera.

Com um aceno de sua mão, ele desfez a azaração posta para impedi-lo de enfeitiçar o cano. Era uma azaração poderosa, então Harry suspeitou que mais de uma pessoa a executara. Era provavelmente isso, porque era da ciência de todos que o poder aumentava de acordo com a capacidade do – ou dos – executor. Se a pessoa – no caso ele – que tentasse desfazer a azaração tivesse menos poder do que todos os executores juntos – e ele não sabia quem, ou quantos eram –, então não teria sucesso.

Kevin Smith admirou-se. Ele – junto com Martin Whitby, Ronny Longbottom e Leon Creevey – executaram a azaração. E foram quatro pessoas! Quatro! Eles supuseram que ninguém – com a exceção de Alvo Dumbledore – seria capaz de vencer a azaração. Esse cara, esse Henry Evans babaca, era mais poderoso que os quatro juntos? Impossível, não?

Harry notou a expressão do garoto. Esse era quem estava por trás disso, ou pelo menos um deles? Mas por que inundar o próprio Salão Comunal? Não fazia sentido.

– Algo errado, Sr. Smith? – Harry perguntou.

– É… n-não, senhor. Obrigado pela ajuda… – o garoto gaguejou e saiu correndo, deixando para trás um confuso professor.

Realmente não fazia sentido.

Com outro aceno de sua mão, Harry Potter fez a água desaparecer e, logo em seguida, saiu da torre da Grifinória. Ele colocou em si mesmo um muito útil feitiço de invisibilidade e correu, rapidamente encontrando Kevin Smith. Estava certo que o garoto pretendia aprontar alguma coisa e ele estava curioso para saber o que era, já que provavelmente lhe envolvia. E, se isso era verdade, ele descobriria então.

Harry Potter sabia que era uma pessoa realmente curiosa, mas isso não era sempre algo ruim, então ele não se importava muito. Essa noite, a curiosidade lhe foi útil.

Kevin Smith atravessou correndo os corredores e escadas do castelo de Hogwarts até chegar aos aposentos de Evans. Ele olhou cuidadosamente para os lados, mas não viu ninguém no corredor vazio, então entrou silenciosamente pela porta.

O lugar era mesmo estranho, a decoração muito diferente do que se espera que um adulto faça. As paredes do living eram de um verde brilhante. Havia um telefone trouxa em uma mesinha de canto. Uma grande foto emoldurada estava pendurada na parede à direita; a imagem mostrando uma garota e um garoto que ele não conhecia. O garoto parecia com Thomas Weasley, ele percebeu, ainda que tivesse o nariz um pouco maior. Entretanto… ele conhecia aquela garota – ela era realmente bonita – de algum lugar… hmmm…

– Granger? – ele murmurou, surpreso.

Ele percebera que Granger e Evans se davam muito bem – como se fossem amigos, colocando em outras palavras. Então, por que não? Mas ainda parecia estranho ver professores guardando fotos dos outros em seus quartos. Além disso, Granger era uma ótima professora. Ela era boa, justa… tudo que você espera que um professor seja. Evans, contudo… 'canalha' era a descrição mais adequada que eles encontraram para aquela… pessoa… até agora.

Kevin estava com raiva de si mesmo por deixar-se perder em pensamentos em vez de fazer o que ele viera – ou melhor, correra – para fazer. Era importante.

– Hei! Onde estão vocês três? Temos problemas! – ele chamou.

E realmente havia problemas.

Eles esperavam que aquele canalha permanecesse ocupado com o "acidente" no Salão Comunal por algum tempo considerável – e não solucioná-lo em cinco minutos. O encantamento fora forte, eles o executaram com quatro pessoas, então um professor qualquer – um professor particularmente estúpido – não deveria conseguir lidar com ele sozinho. Eles esperavam que Evans fosse correndo buscar ajuda ou algo assim… qualquer coisa que gastasse tempo. Se Evans voltasse para lá agora, enquanto eles estavam "trabalhando"… não seria muito divertido… não seria mesmo.

Três pessoas observaram quando Kevin Smith ficou parado no living. Por que diabos esse canalha não se manteve no plano? Ele estragaria tudo! Se eles fossem pegados... maldição!

– Kevin, o que você está fazendo aqui, idiota? – Ronny vociferou.

– Ronny, Evans arrumou o cano! – Kevin defendeu-se.

– O quê? – os três garotos pronunciaram ao mesmo tempo.

– Foi o que eu disse… sozinho, em um minuto. Achei que ele viria para cá, então eu corri para alertá-los. Temos de ir embora! – Kevin disse às pressas.

– Isso é… isso é impossível! Nós éramos quatro!

– Como uma única pessoa pôde desfazer a azaração?

– Evans o viu vindo pra cá, Kevin? Alguém lhe seguiu? Você pode fazer sermos expulsos, seu idiota!

– Não, rapazes, está tudo certo. Mas temos de ir agora, ele virá logo. Vocês terminaram? E conseguiram deixar aquela… coisa? – ele perguntou, rindo muito.

– Por sorte, estamos quase… e sim, funcionou. Só uma nota… – Ronny disse e correu para a colorida cozinha de Evans, deixando um pequeno pedaço de pergaminho sobre a mesa.

– É isso aí! – ele proclamou ao voltar. – Isso assegurará que ele nos tratará apropriadamente no futuro, acreditem em mim!

Ronny, Leon e Martin riram.

– O que exatamente você escreveu no pergaminho? – Kevin perguntou

– Ah, nada importante… mesmo – Leon respondeu.

Os quatro grifinórios deixaram os aposentos de Evans e correram de volta ao Salão Comunal. Tudo estava pronto e a diminuição do tempo não arruinara os planos como eles temiam, porque ninguém os vira armando as ciladas – ou pelo menos assim eles pensavam.


N/T: Pessoas, sorry pelo atraso... meu PC realmente deu tilti e só agora estamos voltando à nossa programação normal (leia-se: consegui reinstalar tudo e fazer funcionar...espero). Pra compensar, posto aqui os dois capítulos que estão prontos à séculos e esperando eu conferir a betagem... espero que vocês gostem deles quanto eu gosto, mas já aviso, o capítulo 5 "Sobre as coisas proibidas" vai ser um dos melhores, vale a pena esperar mais uma ou duas semanas (depende das atualizações das minhas outras fics e da minha propensão para superar meus instintos suicidas...). É isso, beijo. Ainsley