Capítulo 5: Sobre coisas proibidas...
Harry Potter não comeu muito no café da manhã àquele dia. Ainda pensava sobre o incidente, que não deveria ter passado de uma brincadeira dos estudantes. Como ele deveria lidar com isso? Por um lado, ele não queria que os grifinórios soubessem que haviam tido sucesso… algo que realmente acontecera, Harry precisava admitir. Não o trataram tão mal quanto ameaçaram no bilhete, ainda que aqueles fogos de artifício o tivessem machucado de verdade. Deveria ele simplesmente ignorá-los? Por outro lado, não fora simplesmente uma brincadeira, mas algo muito perigoso, e eles precisavam saber disso. Talvez eles testassem as grandes habilidades com "brincadeiras" em outra pessoa se não fossem advertidos sobre quão sérias elas se tornaram.
– Não vamos comer hoje, Evans? Tem medo de enjoar ao ver seus pequenos grifos apanhando de nós hoje?
Harry olhou para o Professor Draco Malfoy, que estava rindo da própria piada, algo que, Harry pensou, não fora nem um pouco original. Não vira nenhum dos times jogando e não tinha idéia de quem era bom e quem não era, mas, no presente momento, ele tinha problemas mais sérios do que Quadribol. Novamente se perguntou por que Alvo o fizera sentar perto de Malfoy durante as refeições. Dumbledore sabia como ele sentia-se quanto ao antigo colega, e Harry estava certo de que ele sabia o que fazia, já que Alvo Dumbledore sempre soubera, apesar de ele não ver como partilhar a mesa com um Malfoy pudesse fazer algum bem.
Por sorte, Draco não conhecia sua verdadeira identidade – caso contrário, ele poderia "acidentalmente" deixar escapar, Harry tinha certeza – mas isso não o impedira de detestar Henry Evans desde o primeiro dia de aulas. Harry não sabia se isso começara porque Alvo contara a todos os funcionários que ele era um ex-grifinório. Harry ficara surpreso quando nenhum dos funcionários dissera coisa alguma sobre não conhecê-lo em sua época de estudantes. Todos confiavam cegamente em Dumbledore? Apenas Minerva, Hermione e Alvo conheciam a verdade, afinal; pelo menos até onde ele sabia.
– Não estamos falando hoje também?
– O… o quê? – Harry gaguejou. – Ah, desculpe, eu me perdi em pensamentos. Você mencionou algo sobre Quadribol, acredito?
Harry não permitiria mais que Malfoy o constrangesse com um simples insulto… agora, se fosse em outra época…
– É, Evans. Eu disse que a minha Casa pode derrubar a sua esta tarde – Malfoy zombou.
– Ah, sim, eu pensei que fosse algo do tipo. Bem, eu ainda não vi nenhum deles jogando, mas não acho que me importaria de verdade se os grifinórios perdessem um jogo. Cabe ao melhor time ganhar – Harry respondeu friamente.
– E se você não fosse novo por aqui, já estaria bem claro qual é o melhor, Evans.
– Quando Alvo criou uma regra permitindo que os professores jogassem nos times das Casas, Malfoy? Eu sei que ela não existia na época em que eu estudava aqui.
– Se você tivesse cérebro, meu "caro professor", perceberia que o Quadribol só existe para que os estudantes descansem do trabalho. Naturalmente, professores não têm autorização para jogar nos times – ele desprezou a óbvia falta de conhecimento do colega. O canalha era mesmo um grande ignorante.
– Ah. Então, por que você não se exibe com alguma coisa que você tenha feito, ao invés dos outros? E agora, se me der licença, por favor, eu tenho de me preparar para as aulas.
Com isso, Harry Potter saiu do Salão Principal, deixando para trás um Draco que parecia estar muito incomodado.
Martin Whitby, Leon Creevey e Ronny Longbottom, juntamente com vários outros grifinórios, estavam sentados na sala de Defesa Contra Artes das Trevas, esperando com curiosidade que o professor chegasse, perguntando-se como ele agiria. Finalmente, cinco minutos depois, o "canalha" entrou na sala.
– Bom dia, turma – Harry falou casualmente.
– Dia… - alguns murmuraram hesitantemente, mas boa parte da classe só o observou, sem verem motivos para serem educados com um "canalha". Ele não poderia puni-los por agirem assim, poderia?
– Agora, antes de começarmos nossa aula, eu quero testar o conhecimento de vocês em algumas coisas.
A turma engoliu em seco. Evans daria um teste? Agora? Estavam acostumados a testes – até teste difíceis – de McGonagall e do babaca-Malfoy, mas sabiam que um teste de Evans não seria fácil; seria o inferno.
Então, Evans sorriu para eles. Não era o tipo de sorriso que Malfoy usava quando estava prestes a tirar horrores de pontos da Grifinória, mas eles não estavam suficientemente familiarizados com o novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas para terem certeza disso.
'Maldição. Agora vem a vingança pela noite passada, como eu temia, e com certeza nos fará perder a Taça das Casas', Leon pensou.
Harry viu sua expressão e riu alto.
– Não, alunos, não esse tipo de teste. Ouçam isso: eu vou fazer uma pergunta e, se alguém souber a resposta, levante a mão. Entre os que levantarem, escolherei uma pessoa para responder. Se estiver certo, darei, digamos… dois pontos para a Casa. Se a resposta estiver errada, tirarei dois pontos. Se ninguém tiver levantado a mão depois de meio minuto, escolherei alguém. E não quero só "certo" ou "errado", quero a opinião de vocês também. Concordam?
Silêncio.
– Há outra opção além de concordar? – Ronny perguntou.
– Bem, eu não tinha pensado nisso… hum… digamos… se vocês se recusarem a jogar um pouco comigo, vou encontrar um jeito de garantir que vocês passem a noite na Floresta Proibida com Filch. Não é uma experiência agradável. Eu que o diga. Agora, o que vocês acham?
Novamente silêncio. Eles deveriam responder a algo assim?
"Então, 'tá. Minha primeira pergunta é… quantos poções e feitiços proibidos se têm conhecimento?"
Ninguém fez o mínimo esforço para demonstrar o mínimo conhecimento.
"Ninguém? São os pontos de vocês, sabem…"
Ainda assim, somente o encararam com raiva. O canalha tiraria pontos, eles sabiam!
"Vamos lá, só mais dez segundos!", Harry demandou.
– E por que, Professor, nós faríamos o favor de, como você diz, 'jogar' com você? – Ronny perguntou descaradamente.
Os outros concordaram silenciosamente, mas não consideraram uma boa idéia implicar com o professor.
– Bem, Sr. Longbottom… eu pensei que a detenção com o Sr. Filch e os pontos retirados seriam o suficiente para fazê-los responder. Eu estava errado?
Ronny não respondeu, mas desviou o olhar do de Evans. Depois de um tempo, ele teve certeza, seria melhor responder a esse canalha do que lidar com a punição, ainda que fosse exatamente essa a intenção de Evans.
"Certo, turma, já foram quarenta e cinco segundos, é a minha vez. Eu escolho… hum… Srta. Wood. Por favor, responda a minha pergunta."
– Eu… er…
– Eu recomendaria chutar se não souber o número.
– Er… existem três Maldições Imperdoáveis… mas não pode ser tudo. Então… acho que cerca de cinqüenta.
Martin sabia que isso não poderia ser tudo. Deveria haver ao menos uns duzentos feitiços proibidos, e ele não sabia sobre as poções, mas deveria ser um número alto também.
– É… acreditem, eu sinto muito em dizer isso, mas a resposta não está nem próxima da verdade. O número atual é 597 feitiços e 364 poções. Dois pontos da Grifinória – Harry disse com um grande sorriso.
'Ele quer mesmo nos incomodar', Leon pensou com raiva, 'canalha que ele é'.
"Sinto muito, alunos, mas seria melhor se vocês me ajudassem, não percebem? Agora, minha próxima pergunta: Por que o Ministério proíbe que a comunidade mágica faça uso dessas poções e feitiços?"
Leon levantou as mãos, ainda observando friamente. Esperava que sua resposta não tirasse pontos da Grifinória, mas não via como poderia errar a tal ponto.
"Sim, Sr. Creevey?"
– Imagino que proíbem porque os feitiços e poções, ou seja lá o que eles proibiram, são perigosos e podem causar algum dano.
– Encararei isso como uma resposta correta, Sr. Creevey. Dois pontos para a Grifinória. Então, o Ministério proíbe um feitiço, uma poção ou qualquer objeto, porque é considerado particularmente perigoso e danoso. Então, há exceções em que as pessoas recebem permissão para usar esses feitiços – ou seja lá o que – proibidos?
Várias pessoas levantaram as mãos ao mesmo tempo e Harry escolheu a garota sentada mais atrás.
"Sim, Srta. Baker?"
– Não há circunstâncias, professor, em que alguém obtenha permissão para usar essas coisas proibidas. Não há exceções.
Harry levantou uma sobrancelha. Eles não sabiam? Aqueles aurores horríveis usavam nele as piores maldições que se poderia imaginar quando queriam, e o público em geral nem sequer tinha conhecimento de que eles possuíam permissão para tal? Inacreditável.
Porém, se a comunidade desconhecia as… atividades… dos aurores, não seria ele que mudaria isso, ou então, em breve, as pessoas estariam se perguntando como ele sabia… de onde tirara as informações… e isso seria perigoso. 'Espere!' Harry pensou ao ver várias pessoas levantando as mãos em um… protesto?
– Sim, Sr. Longbottom?
O garoto era filho de um "famoso auror", como as pessoas diziam, então, se alguém soubesse, deveria ser ele.
– Laura está errada, professor. Aurores têm permissão para usar essas coisas proibidas, mas só em emergências, é claro. Só que, às vezes, não há outra forma de se defenderem que não as usando, senhor. Não é um trabalho fácil e o Ministério precisa saber que pode contar com os aurores.
O garoto realmente idolatrava o pai e o trabalho dele, pelo que Harry podia perceber. O que essas crianças pensavam que os aurores faziam? Os grandes aurores, diariamente livrando o mundo do mal – mal vindo de pessoas como ele – por ordem do grande Ministério? Harry odiava os dois e a insinuação de que essas pessoas estavam se "divertindo" enquanto trabalhavam.
– Está certo, Sr. Longbottom. Os grandes e heróicos aurores têm permissão para usar essas poções e feitiços, naturalmente, apenas sob circunstâncias especiais – Harry resmungou.
Martin perguntou-se porque aquele sujeito parecia odiar tanto os aurores, que freqüentemente arriscavam suas vidas pelo bem do povo. Afinal, normalmente as pessoas reconheciam isso.
"Dois pontos da Grifinória, Srta. Baker", Harry disse, usando seu tom normal de voz. "Agora, eu vou dizer o nome de uma maldição ou poção e vocês me dirão por que acham que ela é proibida."
O tempo estava se esgotando, ele precisava ir direto ao ponto.
"Primeiro, algo óbvio. A Maldição Imperius. Se me lembro corretamente, o Sr. Whitby a mencionou outro dia e explicou seus efeitos."
Algumas pessoas se candidataram.
"Segunda chance, Srta. Wood."
– Uma pessoa pode controlar outra com essa maldição e forçá-la a fazer… qualquer coisa.
– Está correta. Dois pontos para a Grifinória. Agora… Poção Polissuco!
Todos os estudantes - exceto Martin Whitby, que levantara a mão – pareceram confusos. Que diabos era poção Polissuco?
"Sr. Whitby!"
– Bem, foi proibida há cinco anos, porque as pessoas a usavam para roubar informações do Ministério. Pessoas das trevas. Passavam-se por funcionários usando a poção e nos enganaram por um tempo – informou Martin.
– Exatamente. Dois pontos para você. Agora, deixem-me ver… Poção Cruciatus.
Ninguém parecia ter a mínima idéia do que ele estava falando.
"Vocês não conhecem a poção Cruciatus?", Harry perguntou.
– Não, senhor. Eu não conheço, então imagino que o resto da turma também não – Martin Whitby declarou depois de um tempo.
– Você é um sabe-tudo, não, Whitby? – Harry sorriu.
– Hum? – Martin não entendeu. Seu professor tinha perguntado… se ele… era um sabe-tudo? Alguns sonserinos gostavam de falar assim insultando-o, mas um professor? Hum?
– É, vejo que você é. Não que seja algo ruim… uma grande amiga minha também é assim, sabem… ela tem muita consciência desse fato e, apesar disso, ela é uma boa amiga.
Agora eles estavam confusos. Primeiro: esse canalha tinha amigos? Segundo: Sabe-tudos poderiam ser legais? Até agora, eles só haviam usado essa palavra como um insulto.
– Talvez a Granger? – Leon sussurrou para os amigos.
– Sim, ela – Harry disse.
Como ele o tinha ouvido?
"Agora, como eu estava para dizer antes que meus pensamentos tomassem vida própria, a Poção Cruciatus é uma poção com exatamente o mesmo efeito da Maldição Cruciatus, e por essa razão ela é – e espero que sempre seja – proibida. Na minha opinião, é uma das piores coisas que se pode fazer com uma pessoa. Uma Maldição se pode desviar, ou até mesmo bloquear, se você for mais poderoso que aquele que a conjurou, mas você não notará a poção que está na sua comida até que ela já tenha descido pela sua garganta. Essa poção, entretanto, não é punida com prisão perpétua em Azkaban. Entretanto, não adianta me perguntarem por que, eu também não entendo a mente de algumas pessoas."
Laura Baker levantou o braço.
"Sim, Srta. Baker?"
– Qual o efeito da Maldição Cruciatus, Professor?
Harry Potter surpreendeu-se.
– Você… você não sabe? – ele perguntou calmamente, mas toda a sala ouviu. Harry era uma das poucas pessoas que se fazia ouvir em silêncio e sem interrupções, sem nem precisar tentar. Havia algo nele que fazia as pessoas respeitarem-no.
"Whitby, você sabe? Longbottom?", ele perguntou aos dois garotos.
– Meu… meu pai contou a mim, e eu falei a Leon e Martin, professor – Ronny respondeu. – Então, Martin já havia lido sobre ela em um livro, é claro, mas meu pai nos explicou direito o que era.
– Há alguém mais que sabe? – Harry perguntou e ninguém disse uma palavra. – Então está bem. Creevey, Longbottom, Whitby, guardem para si mesmos, por favor.
Os três garotos assentiram.
"Certo então, classe. Voltaremos a essa maldição mais tarde, prometo. Agora, algo proibido e com que vocês estão familiarizados... água-de-guelricho."
Toda a turma congelou. Água-de-guelricho era proibida pelo Ministério? Eles não sabiam disso. Água-de-guelricho, tão perigosa? Água-de-guelricho? Aquele negócio que colocaram no chuveiro de Evans? Maldição!
"Hey, está acabando o tempo. Eu preciso de uma resposta", Harry disse casualmente. "Três… dois… um… é isso. Agora eu escolho… Creevey!"
Ah, não!
– Eu… nós… nós não sabíamos que água-de-guelricho era… proibida… pelo Ministério, Professor. Eu… nós…
– Se você fosse o Ministro da Magia, Creevey, você proibiria água-de-guelricho?
'Pense! Ele quer pegar você… o Ministério proibiu, afinal…', Leon pensou.
– Sim, professor, eu proibiria.
– Proibiria? Que surpresa! E por que seria isso?
– Er… – Leon pensou novamente, entretanto, 'O Ministério proibiu e suponho que deve ter boas razões para fazê-lo' não seria sua primeira alternativa de resposta.
– Pense, Creevey – Harry interrompeu seus pensamentos. – O que acontece com uma pessoa que toca a água-de-guelricho?
– A… a pessoa desenvolve algumas características de peixes, senhor.
E lá estava o "senhor" novamente. O garoto provavelmente estava assustado.
– Tem alguma chance de você saber que características são essas, Creevey?
Leon não o fez, mas Martin ergueu a mão no ar.
– Sim, Whitby?
– A pessoa adquire guelras e os membros se transformam em nadadeiras, para que a pessoa possa respirar e nadar submersa, como um peixe.
– Precisamente, Whitby, como um peixe. Entretanto, um peixe não pode viver fora da água, ele não pode respirar fora dela – Harry disse, ainda casualmente.
– Mas a pessoa poderia conjurar água com um simples feitiço, professor – declarou Ronny.
– E se a pessoa não pudesse? Se a pessoa fosse um trouxa, ou um aborto? Ou não tivesse experiência suficiente para saber um feitiço - um calouro, por exemplo, ou até mesmo um secundarista? Ou se a pessoa, por algum motivo, não tivesse a varinha à mão, porque estava fazendo algo que normalmente não requer uma varinha como, digamos, por exemplo, tomando um banho? Então o que, Longbottom? – Harry respondeu, conseguindo manter sua voz em tom normal, mas seus olhos o traíam, demonstrando raiva.
– Eu… eu não… sabia, senhor – Ronny disse, pálido. O que eles tinham feito? Não era mais apenas uma travessura, e ele tinha consciência disso. Ao olhar para os amigos, viu que eles também sabiam.
O sinal tocou de repente e os estudantes rapidamente arrumaram as mochilas, aliviados com a oportunidade para escaparem, meio que esperando que Evans os parasse, ou os expulsasse, ou tirasse centenas de pontos e desse uma semana de detenções. Porém, o professor nada fez e, quando eles saíram correndo da sala, ele só ficou parado em frente à mesa, encarando-os com um sorriso.
– Boa sorte essa tarde – Harry Potter murmurou quando todos já haviam saído da sala, mas não havia mais chance que alguém o ouvisse.
N/A: Querem ver Harry se vingar pela brincadeira dos alunos? Então me ouçam: vocês não perdem por esperar, esperar até os capítulos 8 e 9 e vocês verão. Sinto muito pela pouca ação existente nesse capítulo, haverá mais no próximo.
N/T: Pessoas, desculpem mesmo pela demora. Eu já mencionei que meu super-dicionário de inglês estava em outra cidade até agora há pouco? Foi por isso que eu tive de parar, não tinha como continuar a tradução sem um dicionário, desculpem mesmo. Espero que tenham gostado do capítulo, ainda tem coisas melhores por vir. e eu ainda vou ficar puta com esse que não quer mais aceitar nem travessão! Daqui a pouco não vai aceitar nem letras digitadas -.-
