Totalmente (des)necessário
Por: J.Hillstone
A Desgraça
-Marlene, precisamos conversar – disse Travors num sussurro rouco, quase como se estivesse desejando abrir um buraco no chão, entrar nele e nunca mais sair.
-Hum, claro, Travors – respondi, meio que presentindo que algo ruim estava por vir, enquanto íamos até uma sala vazia – Eh, anh...Algum problema, querido?
-Bem, na verdade, quero te dizer uma coisa. Olha, não pense que eu não gosto de você, porque gosto, e muito. Mas desse jeito não dá pra continuar, Marlene. Podemos ser amigos, mas nosso namoro nunca iria dar certo. Adeus. E tudo de bom. – disse ele, olhando pra baixo, não tendo nem a coragem de me encarar.
-Mas... – foi a única coisa que consegui dizer, porém, elejá havia saído.
Fiquei alguns instantes paralisada, sem saber realmente o que fazer. Após esse tempo de reflexão, no qual me perguntei inúmeras coisas, e todas permaneceram sem resposta, saí andando, calmamente, até o Salão Principal, e me sentei ao lado de Lily sem dizer palavra.
-Lene? Lene?LENE! – chamou ela ao meu ouvido.
-Anh... falou comigo? – Às veses, fingir-se de surda é melhor.
-Falei. O que aconteceu? – indagou. Impressionante, a Lily não deixa escapar nada.
-Ah...o...o..Travors terminou comigo. – disse simples e pausadamente, como quem explica algo à uma criança de cinco anos de idade.
-Ele fez... O QUE? – berrou Lily, derramando suco de abóbora no seu exemplar do Profeta Diário.
-Quer um conotete?
-Um o quê?Ah... – e a compreensão espalhou-se por seu rosto – Cotonete, você quer dizer. Não, obrigada. Eu ouvi o que você disse, mas não entendi.
-Ah...Não entendi o que você quer dizer com isso. Mas o fato é que o Travors terminou comigo. Assim, sem mais nem menos. Do nada. Num piscar de olhos...
-Tá bem, Lene. Já entendi. Mas... – interrompeu-se ela, repentinamente olhando para a porta do Salão Principal.
-Que foi? – perguntei, já que um grupo de lufa-lufas passava na minha frente, tapando minha visão. Me deu uma vontade de gritar: "Ôs filhas de vicradeiro!", sabe, aquela frase dos trouxas.
-Nada.Só...Anh...Você viu o novo corte de cabelo da Chang?Ficou horrível. – comentou ela.Ha!Tá bom, como se ela ligasse pro corte de cabelo dos outros.
Mas antes que eu pudesse responder, Os Marotos, grupo mais popular de Hogwarts, entrou no Salão. Como Lily tem aversão à eles, exeto Remus, o mais comportado de todos, ela me puxou pelo braço e não sei como me levou pra longe dali sem que eles nos vissem.
Não havia necessidade de explicações. Lily não queria encontrar James Potter, que por acaso é meu amigo, e que vive pedindo pra sair com ela. Advinha a resposta? Se você disse não, a resposta está...E...EXATAMENTE CORRETA! Ela mesma já cansou de dizer que prefere sair com a Lula Gigante a sair com o James...Pobrezinho...Ele tá muito apaixonado por ela, e só ela que não vê isso.
Depois de me tirar à força do Salão, me levou para a aula de Feitiços.
O pior de tudo veio depois do almoço.
Eu e Lily andávamos calmamente pelos corredores, em direção à sala de Transfiguração. De repente, Lily tentou me distrair, me virar a todo custo pra outro lado. Mas a Marlenezinha aqui foi mais esperta e não deixou ela fazer isso.E sabe o que eu vi?
Travors estava beijando (de um jeito muito caliente, diga-se de passagem) uma loirinha (oxigenada, diga-se de passagem) da Corvinal. No início, não acreditei no que eu via. Mas depois percebi que lágrimas de raiva e ódio escorriam pela minha face.
Saí correndo, o mais rápido que pude, sentindo que Lily me seguia. Finalmente, parei em frente a porta da sala da Transfiguração, que ainda não havia sido aberta. Larguei minha mochila no chão e me sentei. Lily, porém, continuou em pé, provavelmente sem saber o que dizer.
Quando as outras pessoas começaram a chegar, enxugei meu rosto com a manga da veste, e me levantei, pegando minha mochila e fingindo que nada havia acontecido.E então a prof.ª Minerva abriu a porta, e eu entrei, sentando-me na primeira carteira.
Ela começou a aula falando de transformação parcial, ou seja, mudar nossa cor de cabelo, pele, sombrancelha, etc.
Meu pensamento vagava. Eu não me sentia bem. Já devia estar quase no fim da aula quando a professora me acordou de meus devaneios:
-Srta. McKinnon? A srta. está bem? – indagou, parecendo preocupada. – Está pálida.
-Eu...Estou bem. – menti.Realmente, não me sentia nada bem. Como pude ser trocada por uma loira oxigenada? Como ele pôde me trocar por ela? Ele não sabia que isso poderia causar danos na minha auto-estima, que nunca foi muito alta?
-Hm, Lene. Eu concordo com a professora. Talvez você devesse ir à Ala Hospitalar, quem sabe Madame Pomfrey não te dá uma poção?Você está realmente pálida.
-Oh, ok.É, acho que não estou me sentindo muito bem. Vou fazer isso, licença, professora Minerva.- eu disse, agradecendo à professora e mandando um olhar significativo à Lily.
Fui à Ala Hospitalar, e Madame Pomfrey me deu uma poção supimpa! Melhorei na hora. Não da raiva, do mal-estar. Ela disse que eu estava realmente pálida, e olha que eu sou muito branca.
Passei o resto do dia meio deprê. Afinal, não é todo dia que se é trocada por uma loira oxigênada. O que ela tem que eu não tenho?
À noite, a única coisa que consegui comer foi torta de frango, e só porque a Lily quase me obrigou.
Fui dormir muito tarde, depois de fazer todos os deveres do dia (com a ajuda da Lily, é claro. Quem manda ela ser inteligente?) e tentar jogar xadrez de bruxo com a Emme, já que a Lice tava se agarrando com o Frank, e perdendo feio.
E, quando finalmente, já estava deitada, não consegui dormir. Virava de um lado para o outro, mas não conseguia de jeito nenhum. A imagem de Travors e da oxigenada estava fixa em minha mente. Sabe, acho que nunca me senti pior na vida. Ser trocada por ela? Ah, não.Eu não mereço isso. Ou será que mereço?
