Totalmente (des)necessário

Por: J.Hillstone

Presentes de Natal

-E então, o que vão fazer nesse Natal? –Perguntou Lily, animada, enquanto jogava xadrez de bruxo com a Lice, e ganhava.

-Eu vou para a França, ficar com meus avós. – disse Alice, co a testa franzida, se concentrando no jogo.

-E eu vou para a Itália, minha família quase toda é de lá.E vocês?- perguntou Emmeline.

-Nós duas vamos lá pra casa, - explicou Lily – meus pais convidaram a Lene também.

E o resto da viagem se passou assim, lenta e monotonamente, ao menos para mim, já que as meninas ficaram o tempo todo conversando.Quase não falei.Estava ocupada pensando em outras coisas.Em uma pessoa, especificamente.

Já era de noitinha quando o trem chegou na Estação de King Cross.O Senhor e a Sra. Evans já nos esperavam, com enormes sorrisos estampados nos rostos.

-Lily! Marlene! Vocês estão bem? Como foi a viagem? – pergunturam, nos abraçando fortemente. Sabe, os dois são muito legais comigo.E com a Lily também, pelo que ela diz.

-Entramos no carro dos pais de Lily, um dos mais chiques da época. Claro, eles eram advogados, e muito respeitados em Londres. O caminho até a casa de Lily foi rápido, pois o trânsito era pequeno e a casa deles era há apenas uns quarteirões.

Estacionamos o carro na garagem e descemos. Quando fiz menção de pegar meu malão, mas o senhor Neil Evans disse que cuidaria disso. Lily, que apesar de passar a maior parte do ano em Hogwarts, ainda tinha a chave, sabe-se lá o por quê, abriu a porta e entrou, e eu a segui.

A casa dos Evans era enorme. E põe enorme nisso. Acho que devo ter feito uma cara extremamente boba, mesmo já conhecendo a casa, porque Lily passou a mão na frente do meu rosto, estalando os dedos, e me puxando escada acima. Iríamos ficar no mesmo quarto, apesar de haver quartos suficientes para nós duas e ainda sobravam, muitos. Mas como somos bests friends ever, não poderíamos ficar separadas, até porque queríamos fazer farra. Pois é, aquele foi uma época memorável: Lily querendo fazer farra. Acho que foi influenciada por certo moreno, coitada...

Nosso quarto era grande. Na verdade, muito grande. As paredes possuíam uma cor rosada. A decoração era simplesmente linda. Os armários eram mais antigos, porém bonitos. A porta ficava a direita, abaixo. Um pouco acima, ainda colado à parede, uma estante repleta de livros e uma mesa de estudos. Na parede ao lado, uma janela e uma sacada. Na parede oposta à porta, duas camas, uma pra Lily e outra para mim. E na outra parede, pois o quarto era quadrado, dois armários.Fiu-fiu!

Coloquei meu malão em cima de um enorme báu ao pé de minha cama. Deitei-me na minha cama, exausta. Lily fez o mesmo. E desatou a rir. Ficou vermelha de tanto rir. E eu comecei a rir junto. Às vezes dá a louca na Lil, e ela começa a rir, descontroladamente, sem nenhum motivo, do nada, e eu a acompanho. Sabe, a Lily é a única que consegue me fazer rir descontraladamente, mesmo nos meus momentos confusion, que é como apelidamos esses momentos, tipo, hm, agora.

Porque, afinal, o que eu fiz pra ele?Hein?Me diga?Nada!Mas ele continua a me perseguir.Quero dizer, ok, não é totalmente culpa dele eu estar apaixonada por ele.Na verdade, é sim.Quem manda ele ser tão...tão...Sirius?E que depois desse tempo ainda não consegui esquecer ele?Afinal, o lance com o Travors foi apenas por eu me sentir inferior àquela loira oxigenada.

E então a Lily disse que ia tomar um banho, e perguntou se eu me importava.Eu disse que não, que ia ficar bem, sozinha, largada, no escuro e na solidão desse mundo em decadência.

-Marlene, você é quase tão dramática quanto o Black.-Foi a única coisa que aquela mente brilhante me respondeu.

-E o que ele tem que eu não tenho, pra ele ser tão dramático? –Respondi, desafiadora.

-A cara de cachorro abandonado.-Ha!Não é que a mente brilhante é brilhante mesmo? –Ok, já que você vai ficar muito bem sozinha e largada nesse mundo em decadência, eu vou tomar meu banho, e depois você pode tomar o seu.

Cara, eu nunca vi ninguém enrolar mais do que a Lily pra tomar dos pais dela, a conta deve ser muito alta nas férias, quando a Lily volta pra casa.Ela demora pra caramba.Sabe, às vezes eu fico me perguntando se o James também demora, porque, hm, eu acho que ele e a Lily vão ter que ter bastante dinheiro quando eles casarem...

E como eu posso ter certeza de que eles vão se casar?Porque eles se amam (mesmo sem perceber isso).Porque eles são tão cutes forever juntos.Porque faz parte do destino, eles se merecem.Porque uma voz do além me diz que eles vão ficar juntos.Porque essa mesma voz me diz que eles são almas gêmeas, tipo carne e unha, as duas metades da laranja e etc.E também porque eles vão ficar juntos, oras.Isso é óbvio.

É, Marlene, esse negócio de levar um pé na bunda, pra ser trocada por uma loira oxigenada, e depois descobrir que está apaixonada (ou nunca deixou de ser) pelo garoto mais galinha da escola está te deixando muito sentimental.

Não que eu nunca tenha sido.Tenho a aparecência de alguém inatingível (só perco pra muralha humana-ambulante da Lily), mas, na verdade, sou que nem uma torneira.Quando aberta (ou seja, quanto tenho motivos), eu despejo água.E, muitas vezes, sem motivo aparente.Na TPM, então!Sai de baixo!

Bom, depois de esperar no mínimo meia hora pela Lily (quando ela vai ser ecologicamente correta, hein?Quantos mil litros ela deve ter gasto?), eu finalmente pude tomar meu tão desejado banho.

Água quente, pra contrastar com o frio.Toalha vermelha (Grifnória na veia!) e felpuada.Moletom.E jantar.E que jantar (spaguetti, diga-se de passagem).A sra. Evans cozinha muito, muito, muito, muito bem.

E depois, eu e Lily fomos pro quarto, onde conversamos e depois, apagamos.Se bem que antes mesmo de nos deitarmos, eu já tava pra lá de Bagdá.

Não que dormir fosse me ajudar.Dormir pra mim era apenas um modo do tempo passar mais rápido.Porque minhas noites eram conturbadas.Cheias de sonhos, muitas vezes dos quais nem me lembrava.

Finalmente (pois os dias passaram-se muito vagarosamente), o Natal chegou.Não que eu estivesse ansiosa nem nada assim.Eu nem gosto taaaaanto assim de ganhar presentes.Mas a minha querida amiga do meu coração, Lily Anne Evans fez o favor de me acordar.

-Mas Lene, venha ver seus presentes.

-Ok, ok, senhorita-acordadora-de-garotas-com-sono, já vou.-E eu me levantei, e vi um bolinho particularmente grande de presentes a minha espera.Afinal, todos me amam.

O primeiro era um livro, da Lily, óbvio: Quadribol através dos séculos.Eu estava mesmo querendo ele, já que é praticamente impossível pegar na Biblioteca de Hogwarts.Remus me deu uma coleção de tinteiros das mais diferentes cores.James me deu uma nova luva pro Quadribol.Alice mandou um souvenir da França, e Emmeline um da Itália.Sirius mandou um cartãozinho que movia.Oh, que coisa mais meiga!Assim eu até fico comovida.Meus pais me mandaram algumas tortas caseiras.Por fim abri um presente bem pequeno, embrulhado num papel vermelho.

E sabe o que era?Uma caixinha comprida.E quando eu abri, tamanha foi minha surpresa que gritei.Um gritinho esbaforido saiu de meus lábios.Aqueles gritinhos de patty, sabe?

-Oh, por Merlin, Marlene!O que foi isso?Uma aranha?-Todo mundo sabe que eu só grito assim por causa de aranhas assassinas e comedoras de garotinhas inofensivas.

E eu não respondi nada!Fiquei paralisada, olhando pro treco dentro da caixa.Lily aproximou-se, vagarosamente, temendo que fosse um artefato das trevas, mas sua feição de curiosidade mudou pra uma feição de não-to-entendendo-nada-alguém-me-explique.

E então eu peguei a rosa que estava dentro da caixa.Uma rosa vermelha.Eu já a tinha visto.Mas não me lembrava onde.E junto dela, estava um bilhete:

Marlene,

Só quero que saiba que você é especial.E é por isso que eu te amo.

"Rapaz-Desconhecido".

E aí eu desatei a rir.E pensei que a Lily fosse berrar alguma coisa tipo: Ei, eu que sou a louca que começa a rir do nada!Mas ela só disse: que cute...

Eu mereço?Às vezes a Lily consegue ser tão infantil quanto o James.Sinceramente.

-E você?O que você ganhou?–Perguntei, tentando, desesperadamente, mudar de assunto.Foi então que a Lily me mostrou tudo que ela tinha ganhado.

Um livro meu, de Defesa Contra as Artes das Trevas (ela quer ser auror (como se eu não quisesse também)).Dinheiro dos pais dela.Um cartão do Sirius.Uma coleção de tinteiros igual à minha do Remus.Um souvenir da França e da Itália, da Lice e da Emme, respectivamente.E, oh Merlin, um ursinho de pelúcio do James.Mas não era um ursinho nem nada assim.Era um cervinho.

-Como?Como ele pode saber que eu amo cervos?–Lily indagou, incrédula.

-Não faço a mínima idéia, mas quando você casar com ele pode perguntar isso, não?-Tentei, ao máximo, me manter séria, mas é praticamente impossível quando a Lily faz aquela cara você-não-sabe-com-quem-está-se-metendo-e-eu-vou-te-matar.Caí na gargalhada.Ela só me fuzilou com os olhos e não respondeu nada.

Na véspera de voltarmos à Hogwarts, eu tentei sondar Lily quanto à seus sentimentos.E também tentei convencê-la de que James realmente gosta dela, mas que disse que ela me ouviu?A única coisa que descobri foi o motivo de tantos não's que ele recebeu.Já é um bom começo, eu acho.

-Lil...Eu acho que você deveria dar uma chance pro James, sabe?Ele é realmente muito legal.E ele realmente gosta de você.-Comecei, de mansinho, mas como minha paciência é menor que zero, fui falando logo na lata.

-Não, Lene, ele não gosta de mim.

-É lógico que ele não gosta de você!-Eu gritei, e pensei que fosse ver uma daquelas caras de eu-sempre-soube-que-estava-certa da Lily, mas o que eu vi foi um quê de desapontamento nos olhos dela. –Ele não gosta de você.Ele te ama.

-Não, Lene, ele não me ama.-Ela falava como se explicasse algo pra uma criançinha de três anos de idade.-Ele não tem tal capacidade.Ele nunca amou nenhuma garota.Ele só me quer como um troféu, como mais uma na sua listinha.E eu não quero ser mais uma garota.Eu quero ser A garota.-Lágrimas ameaçavam cair dos olhos de Lily.Ela me abraçou, e então eu tive certeza de que ela o amava, mas que tinha medo.Medo e insegurança.Mas, afinal, quem não tem quando se trata deles?Dos marotos?

-Lil!...Por que você não me falou?Oh, Lily!Sou sua melhor amiga, caso você não se lembre!E sou amiga dele também...Lily Anne Evans!Pare de chorar, AGORA.Seus problemas são ínfimos comparados aos meus: você e o James se amam, vão namorar, casar, ter vários Jamesinhos e Lilyzinhas espalhados pela casa, seus filhos vão casar, vocês vão ter netos, e vão morrer casados e se amando, como num conto de fadas.Já eu...estou fadada a solteirice eterna.

-Ah, Lene, não brinque com isso.Ele pode até gostar de mim, mas como eu vou chegar do nada pra ele e falar "Eu te amo.Sempre amei.Desde aquele dia que você me livrou do Malfoy.E todas as brigas foram só pra disfarçar tudo o que eu sinto por você".Não tem como.Mas...quais são seus problemas?É o Black, não é?

E aí eu comece a chorar.Não disse que sou uma torneira-ambulante?E a Lily me abraçou.O que seria de mim sem a Lily?Quem teria que agüentar minhas crises existenciais?

-Não tem como esconder nada de você, não é mesmo?-Perguntei, entre risos.

-Definitivamente, não.Mas desde quando?Hein, Marlene McKinnon?

-No terceiro ano...E ano passado, quando comecei a namorar o Travors, eu ainda gostava dele.Mas eu não sabia; pensei que já havia passado.E agora eu estou confusa.

-Mas por que confusa?

-Por causa do Rapaz-Desconhecido!Ele mexeu comigo...De um jeito diferente.Os beijos dele eram diferentes dos do Sir... –Ela tinha que me interromper na melhor parte?

-Pera aí!Você e o Sirius já se beijaram?-A cor fugiu totalmente do rosto da Lily.

-Ah, uhum.Mas não se preocupe, é apenas um detalhe sem importância.

-Detalhe sem importância?Detalhe sem importância??DETALHE SEM IMPORTÂNCIA???

-Ok, ok…Teve um pouquinho de importância...Foi bem assim:

"Eu estava andando pelo corredor do sétimo andar, perto da tapeçaria do Barnabás, o Amalucado, quando Sirius saiu sabe-se lá de onde.

Quando ele me viu, veio andando em minha direção, com aquele olhar pervertido dele.Eu, que estava segurando alguns livros, fui chegando pra trás.Mas acabei batendo na parede.E ele estava muito, muito perto.Ele tirou os livros das minhas mãos,e jogou-os no chão.E aproximou-se.E então, colocando uma mão no meu rosto e outra na minha cintura, ele me beijou, aquele tarado.Eu, esperta, dei um chute você-sabe-onde.Ele gritou de dor e caiu no chão, ajoelhado.Eu peguei meus livros e saí correndo, mas não sem antes dar um tapão bonito na cara dele ".

-E depois disso ele ficou um bom tempo sem falar comigo, só me mandando olhares de como quem diz você me paga.E eu já paguei.Bem caro.

E a Lily começou a rir.E eu também.E nós rimos tanto,tanto, tanto e por tanto tempo, que teve uma hora que eu pedia pra parar de rir, mas era inevitável.Aquele riso da Lily consegue fazer qualquer um perder a pose séria e cair na gargalhada.Não que ela fosse esquisita nem nada, pelo contrário, era bonita.Mas seu jeito de menina e sua cara de riso, eram fogo...Assim como seus cabelos.

Finalmente, no dia seguinte, voltamos para Hogwarts.

N/A:Oi gente!Talvez vocês não tenham reparado, mas eu já havia postado esse capítulo.Mas sem as respostas das reviews nem minhas notas.Por que?Porque realmente não deu tempo de colocar o capítulo no sábado.Eu teria que esperar até poder postar ele direitinho.Muitas, muitas, muitas desculpas!Mesmo!Mas, aí vão as respostas do capítulo 5:

Kmillosk – Bem, se ele sabe, eu não posso dizer...huahaua...E o único jeito da Lene descobrir isso é perguntando pra ele.Será que ela vai perguntar?cara e mistério...Só lendo o capítulo 7!Bom, então, aqui está o capítulo!Bjos

Monique – Oi Monique!Tudo jóia, e com vc?Sou rápida?Nussa, thanks!Ah, Ozzy é muito fofo mesmo!Eu vi em algum filme...Pode sim, lógico!Eu ficaria até feliz!O Sirius ainda não apareceu muito bem na história, mas a partir do capítulo 7 ele aparece mais.E ele e a Lene vão brigar muito.Muito mesmo.Demorei com esse capítulo?Postei ele sábado, mas só agora pude responder às reviews.Bjos.PS: adorei!