AMOR PROIBIDO
Parte II
Autora: Shiryuforever94
Gênero: Yaoi/angst/romance/lemon
Casais: HyogaxShun (triângulo amoroso com personagem original), IkkixShiryu, MiloxCamus, AioliaxSeiya, AldebaranxPersonagem Original (Rodrigo)
Fanfic feita especialmente para Anna Chan por causa do seu amor pelo casal Hyoga e Shun e apresentada no desafio do dia dos namorados do Saint Seiya Dreams. Todo mundo sabe que eu adoro Ikki e Shiryu e assim os coloquei aqui também. O personagem Rodrigo, namorado do Deba, Matheus, e o apelido Shunnie Sun são criações minhas ok?
Disclaimer: Saint Seiya não é meu, lógico, porque se fosse... Eu tornaria o anime completamente inadequado para menores e incluiria lemons em todos os capítulos XD. Bem, todos os cavaleiros estão vivos e felizes, ou nem tanto. Ah, gente, não se preocupem com as idades... Assim como o Kurumada, eu ponho o que me dá na telha e dane-se a coerência... XD.
A VOLTA
DIAS ATUAIS
Shiryu entrou calmamente na Mansão Kido e viu apenas Seiya e Ikki assistindo televisão. Jabu, Geki e Nachi não estavam lá mas logo chegariam.
- "Boa noite pessoal." Viu Seiya abrir um largo sorriso. Sabia que o sagitariano gostava dele mas desde que chegara desiludido de Rozan - fazia dois meses, após descobrir que Shunrei resolvera ficar com Ohko que podia oferecer a ela uma vida calma sem as eternas lutas de um Cavaleiro - que Shiryu havia desistido de pensar em romance e desestimulava toda e qualquer aproximação de Pégasus.
- "O jantar está no forno Dragon Blood." Ikki avisou sem nem mesmo se virar.
- "Vocês todos já jantaram?"
- "Menos o Ikki que disse que não tava com fome, também, você precisa ver o grude que o Tatsumi aprontou hoje... Sopa de peixe... Irc!" Seiya falou aquilo e registrou que fazia um bom par de semanas que Ikki não jantava com o grupo mas esperava Shiryu chegar de seus treinamentos ou compromissos e então ia lhe fazer companhia. "Oras bolas, porque será que Ikki faz isso, nunca vi ele ser amigável assim... Bom, deixa pra lá..."
- "Quer jantar comigo Fênix?" Shiryu perguntou com um meio sorriso. Ultimamente percebera que ele e Ikki tinham até bastante assunto para conversar, gostavam dos mesmos filmes, eram mais maduros que Seiya, Jabu, Nachi e Geki e ele adorava ouvir as teorias engraçadíssimas de Ikki sobre como Shun deveria estar passando seu tempo com June na Ilha de Andrômeda.
Não raro os dois ficavam até tarde discutindo sobre as batalhas, as perdas, Ikki falando de Shun, de suas dores, às vezes de suas mal sucedidas relações amorosas, revivendo pequenas histórias do orfanato. Shiryu por sua vez relembrava histórias interessantes que aprendera com seu mestre, ou contava sobre como ficara surpreso com a decisão de Shunrei de abandoná-lo. Conversavam por horas, riam e se divertiam.
No começo o Dragão ficara muito triste com seu amor abandonado e não era difícil que chorasse na frente de Ikki que apenas batia nas suas costas e dizia que ele não se preocupasse, que ia passar, que podia acreditar porque estava falando com um expert em insucessos amorosos. Com o tempo a dor foi diminuindo e ele já nem pensava tanto em Shunrei. Para compensar, passara a pensar um tanto em outra pessoa.
O Dragão ficara surpreso ao descobrir que Fênix era extremamente solitário pois não conseguia se entregar a ninguém. Namorava sim, várias mocinhas, mas não encontrava nelas o que procurava, faltava sempre alguma coisa e não raro ele apenas conseguia alguns encontros sexuais que acabavam por deixá-lo ainda mais frustrado.
Também não era difícil que apenas curtissem longos silêncios, não raro Shiryu preparava um de seus chás chineses de que tanto tinha ciúme e estendia a xícara para Ikki sem nem mesmo perguntar se o outro queria. Havia se tornado um ritual interessante. Agora costumavam jantar juntos. Shiryu estava gostando daquilo.
- "Sim, claro. Sabia que estreou um filme novo?" Ikki se levantou e foram em direção à cozinha onde sentaram frente a frente em mais uma das conversas sobre qualquer coisa que haviam se acostumado a ter.
Foram interrompidos por um grito alegre de Seiya que chegou abanando uma enorme carta com o timbre do Santuário.
- "Nós vamos para o Brasil! Aldebaran vai sair em missão e Saori designou nós seis para irmos com ele, vamos fazer alguns trabalhos para a Fundação, além de Milo e Camus e..." enrubesceu um pouco... "Aiolia."
Ikki riu. Aiolia estava mesmo dando em cima do sagitariano? Seiya fugia como podia mas estava ficando difícil... Desde a Batalha das Doze Casas que ficara um clima interessante mas Seiya era apaixonado por Shiryu que amava Shunrei, ou pelo menos era a versão oficial, até há algum tempo. Pegou-se olhando fixamente para o rosto do libriano que olhava interrogativamente para Seiya.
- "Nós seis quem Seiya?" O Dragão perguntou encontrando o olhar perscrutador de Ikki sobre si e intimamente pensando que os dois pareciam andar se encarando muito ultimamente...
Seiya soltou uma risadinha e olhou para Ikki:
- "Acho que você vai gostar disso e, ao mesmo tempo, não vai gostar nada Ikki..."
- "Fala logo de uma vez moleque!"
- "SHUN! Ele chega amanhã cedo, com June ao que parece!"
- "Meu irmão! Ele vem para cá? Que ótimo mas... por que eu não gostaria disso?"
Seiya ficou sério, ainda se lembrava... Achava que todos lembravam...
- "O Hyoga... Ele chega amanhã de manhã também e, bom, acho que não preciso explicar..."
Os três se entreolharam... Não ia ser muito fácil... Será que Hyoga já esquecera?
- "Não sei não Seiya, talvez não seja boa idéia reunir nós todos assim, podíamos falar com Saori e..."
- "Vou pensar que não apreciam minha companhia Shiryu..." A voz de Hyoga soou fria e firme e viram com assombro um homem que aos dezoito anos estava muito mais alto, mais forte e sim, lindíssimo, entrar pela porta da cozinha com algumas malas.
Shiryu se apressou em levantar e abraçar o amigo que há tanto tempo não via. Não pôde deixar de notar que ele estava esplêndido, a pele muito branca sedosa, os revoltos cabelos loiros mais longos, os lábios rosados e aquele olhar... Não, o olhar de Hyoga estava diferente... Sem sentimento? Sem calor? Era tão estranho...
- "Você não viria apenas amanhã?" Perguntou seco Ikki de Fênix que não sabia por que mas não gostara nada do abraço do Dragão no loiro.
- "Boa noite para você também Fênix. E, sim, mas resolvi vir logo de uma vez. Onde é meu quarto?"
A voz de Hyoga era absolutamente sem inflexão. Parecia tanto com Camus agora...
- "No mesmo lugar de sempre, Cisne, ao lado do quarto de Shun e..." Seiya tampou a boca ao perceber o que dissera... "Desculpe, eu não queria, quer dizer... Bem... Kuso!"
- "Está tudo bem Seiya. O tempo passa sabe? Boa noite a todos." E sem dizer palavra acenou para os colegas e se recolheu, subindo as escadas com suas malas, ajudado por Tatsumi.
Entrou no quarto. Estava como lembrava. Podia ainda ouvir a risada de Andrômeda, podia quase vê-lo ali... Sua máscara de frieza sumiu. Dois anos, dois longos anos e nada mudara em seu coração... Esparramou-se na cama e pensou que o chamado de Saori não o alegrara. Estivera bem na solidão branca, acordando, treinando, pescando, conversando com o pessoal da vila, fazia suas refeições, organizava as coisas que fossem necessárias, vigiava o território, fazia sua ronda e pronto. Dormia. Não era tão ruim... Se você fosse um autômato...
Não podia ficar remoendo aquilo. Ainda doía... Muito... Achava que jamais esqueceria, nem que quisesse.
- "Shun..." Não conseguia esquecer o virginiano, já aprendera a conviver com toda a mágoa que sentia. Imaginava que ele estava bem, com June – sentiu o sangue ferver, ainda não suportava a idéia da amazona beijando seu Shun, abraçando-o, fazendo amor com ele... – "INFERNO" - Se bem que não tinha certeza... Deduzia...
E agora aquela missão maluca... Representar a fundação Kido em eventos para pessoas influentes no Brasil... Diacho, porque ele tinha que ir... Pelo menos poderia conversar um pouco com Shiryu. E Shun não estava lá para perturbar sua mente. "Deve estar na Ilha ainda e tomara fique por lá" – Pensou, um tanto chateado... Tentou dormir e não sonhar com Shun... Tarefa difícil.
No dia seguinte Hyoga acordou cedo e desceu para tomar café da manhã. Foi recebido com alegria por Geki, Nachi, Jabu, Seiya e Shiryu. Ikki não estava lá. Aproveitou para conversar com o Dragão.
- "E aí Shiryu? Alguma novidade? Você não devia estar com a Shunrei?"
Shiryu ficou sem graça mas contou toda a história e viu Hyoga arregalar os olhos de espanto...
- "Não acredito! A Shunrei? O Ohko? Eu hein... E agora? Tá namorando alguém?"
- "Que tu tens com isso Pato? Tá interessado por quê? Resolveu ficar a fim do dragão agora é? Ele não faz teu tipo..." Ikki chegara sem ser percebido e olhava para Hyoga com cara de poucos amigos.
- "Que foi Fênix? Se eu não te conhecesse ia achar que está morrendo de ciúme..." Hyoga disse a frase com ar irônico que logo passou a descrédito puro ao ver o rosto do irmão de seu amor proibido ficar um tanto vermelho... Ikki e Shiryu? Impossível...
- "Que é isso Ikki... A gente só estava conversando..." Shiryu respondeu imediatamente.
Os demais cavaleiros ficaram olhando de um para o outro... Pareciam até... um casal? Jabu riu e cutucou Geki, que cutucou Nachi que cutucou Seiya que ficou aborrecido e perguntou a queima-roupa:
- "Ô Shiryu... Tu tá de caso com o Ikki? Por que, sei lá viu... Podia ao menos ter me contado..." O sagitariano imaginou que agora não tinha mais jeito. Não ia mesmo conseguir ficar com o Dragão. Tinha notado os olhares e as conversas mas agora, depois daquilo... Só mesmo os dois não percebiam.
Ikki e Shiryu se entreolharam de olhos arregalados... Seria possível? Será que eles... Shiryu ficou muito vermelho, apesar de seus 18 anos ainda não era assim tão despachado para ignorar o sentido das palavras de Seiya e, além disso, percebeu que Ikki o olhava de uma maneira diferente...
O assunto ficou pendente porque nesse momento adentrou a sala um sorridente Shun de Andrômeda, a quem Ikki fora buscar no aeroporto.
- "Oi pessoal, é tão bom estar de volta e... HYOGA?" O susto em sua voz foi prontamente rebatido por um cisne muito impassível que nem mesmo disse bom dia. Apenas fitou o Cavaleiro que chegava e foi para a cozinha pegar mais um prato. Lá chegando sentiu que o mundo se abria aos seus pés. Shun estava maravilhoso...
O tempo pareceu retroceder até aquele dia... O dia da partida. Não podia deixar que soubessem. Nunca poderiam saber que ele, o Cavaleiro de Gelo, não conseguira esquecer. Que amava cada vez mais e mais descontroladamente e ver o objeto de seu amor de repente só o fizera sentir-se mais desesperado. Tinha que sair dali...
Shun pareceu perdido... Ver de repente aquele loiro absurdamente lindo e sensual apenas o fizera lembrar-se de como sentira a falta dele.
- "Por... Por que não me contou Nii-san? Que ele estaria, quer dizer, que nós todos iríamos..."
Ikki despertou de seus olhares confusos para o libriano, que havia ficado um tanto incomodado com o "exame" de Fênix e apenas disse:
- "Por que? Algum problema?"
- "Er... Não... Não tem por que..." Mentiu... Shun mentiu deslavadamente... Seu coração estava aos pulos, rever o Cisne fora... perturbador... Não deixara de reparar como ele estava muito mais alto e forte e, ZEUS! Perfeito!
Shun também crescera bastante. Com dezessete anos estava mais encorpado, os cabelos esverdeados descendo pelas costas até abaixo dos ombros, a musculatura absolutamente perfeita no corpo esguio e longilíneo, o tórax não muito largo, os braços fortes e moldados, a cintura fina, as pernas flexíveis e os profundos olhos esmeralda. Um homem absolutamente apaixonante. Os traços do rosto belos como sempre.
- "Tem lugar aí pra mim?" A voz melodiosa de June acordou os Cavaleiros do transe a que pareciam estar submetidos e Shun a ajudou a sentar-se à mesa para comerem alguma coisa. O rapaz estava justamente empurrando a cadeira para a Amazona quando Hyoga voltava da cozinha e, repentinamente, se dirigira para a porta murmurando um "Até logo, vou tomar meu café por aí..." Não queria que ninguém o visse chorar...
- "Espera Hyoga, por favor... fique aqui..." Andrômeda pediu com a voz trêmula... "Senti sua falta... Você não foi nem me visitar..."
O Cisne deu meia volta, não estava preparado para aquilo, para a voz doce, para o olhar suplicante... "OH, por Atena, que os deuses me ajudem..." – pensou antes de incorporar o olhar mais assassino que conseguiu:
- "Ora Shun, vamos parar com essa palhaçada, sabe muito bem que não temos nada para conversar." E saiu matutando: não tinham nada para conversar? Zeus, como ele queria poder encostar o outro na parede e perguntar o porquê de ter ido embora, o porquê de tê-lo deixado, mas, de que adiantaria? June não estava lá? Era óbvio demais. Lembrou que todos iam viajar de tarde para a Grécia e depois para o Brasil e sentiu-se tremendamente cansado. Quanto tempo? Quanto tempo teria que agüentar até poder ir de volta para sua solidão gelada?
Shun ficara sem ação... Não esperava ser tratado tão indiferentemente. Será que Hyoga não sentia mais nada por ele? Será que algum dia sentira mesmo alguma coisa? Nem sequer um tanto de carinho por tudo que haviam passado? Sentou-se muito calado ao lado da Amazona que apenas encostou sua mão no rosto dele.
- "Ei! Anime-se..." June sabia de tudo, era a maior confidente de Shun. Desde que haviam voltado para a Ilha que vira todos os dias o rapaz falar e pensar em Hyoga. Não compreendia muito bem porque não se entendiam de uma vez.
Shun tentou sorrir e olhou para seu irmão, implorando apoio. Ikki não estava prestando muita atenção, perdido em seus pensamentos, tentava entender o furacão que estava batendo no seu peito. Um vulcão prestes a explodir o avisava que a frase de Seiya não era totalmente mentira... Estava de caso com o Dragão? Gostaria de estar de caso com o Dragão? Mas... Eles eram homens... Ikki jamais namorara pessoas do mesmo sexo, nunca sequer sentira-se atraído por homens e ao que soubesse, Shiryu nunca pensara no assunto...
Shiryu parecia muito atrapalhado de repente. Evitava olhar para Fênix de qualquer jeito. Também estava confuso. Nunca havia se sentido atraído por um homem. Mas Ikki... O leonino o fazia ter idéias, sonhos, sentimentos que não lhe eram comuns. Levantou o olhar e viu que o objeto de suas dúvidas o fitava intensamente. Saiu rapidamente e foi para seu quarto arrumar suas malas, um redemoinho girando em sua cabeça...
