AMOR PROIBIDO – Parte V

Autora: Shiryuforever94

Gênero: Yaoi/angst/romance/lemon

Casais: HyogaxShunxPersonagem Original, IkkixShiryu, MiloxCamus, AioliaxSeiya, AldebaranxRodrigo (Personagem Original)

Fanfic feita especialmente para Anna Chan por causa do seu amor pelo casal Hyoga e Shun. Todo mundo sabe que eu adoro Ikki e Shiryu e assim os coloquei aqui de passagem. O personagem Rodrigo, namorado do Deba, Matheus, e o apelido Shunnie Sun são criações minhas ok? Fanfiction apresentada no desafio do dia dos namorados do fórum Saint Seiya Dreams.

Disclaimer: Saint Seiya não é meu, lógico, porque se fosse... Eu tornaria o anime completamente inadequado para menores e incluiria lemons em todos os capítulos XD.

Bem, todos os cavaleiros estão vivos e felizes, ou nem tanto. Ah, gente, não se preocupem com as idades... Assim como o Kurumada, eu ponho o que me dá na telha e dane-se a coerência... XD.

CISNE – O AMOR E O SEXO

Todos foram para seus quartos. Eram todos no mesmo andar, em portas seguidas. Encontraram-se perto do elevador, menos Hyoga, que avisara que iria mais tarde pois seu primeiro compromisso não era tão cedo quanto o dos outros. Shiryu prestou atenção e reparou que alguém ouvia música alta num dos quartos. Parecia ser Hyoga...

Love Don't Live Here Anymore - O Amor Não Vive Mais Aqui

Madonna

You abandoned me

Love don't live here anymore

Just a vacancy

Love don't live here anymore

Você me abandonou

O amor não vive mais aqui

Apenas um espaço em branco

O amor não vive mais aqui

When you lived inside of me

There was nothing I could conceive

That you wouldn't do for me

Trouble seemed so far away

You changed that right away, baby

Quando você vivia dentro de mim

Não havia nada que eu pudesse conceber

Que você não faria por mim

Os problemas pareciam tão distantes

Você mudou isso rapidamente, baby

Love don't live here anymore

Just emptiness and memories

Of what we had before

You went away

Found another place to stay, another home

O amor não vive mais aqui

Apenas o vazio e as memórias

Do que nós tínhamos antes

Você foi embora

Achou outro lugar para ficar, outro lar

In the windmills of my eyes

Everyone can see the loneliness inside me

Why'd ya have to go away

Don't you know I miss you so and need your love

Bem fundo nos meus olhos

Todo mundo pode ver a solidão dentro de mim

Por que você teve que ir embora?

Não sabia que eu sinto tanta a sua falta

E que preciso do seu amor

- "Ikki..."

- "Hum?"

- "Acho que o Hyoga não esqueceu... Nem seu irmão... Mas então, por quê?"

- "Não sei... Sinceramente..."

- "E, o que você acha? Vamos falar com ele. Temos que fazer alguma coisa."

Estavam atrasados, Camus e Milo, Aldebaran, Aiolia e Seiya, Shun e June pegaram o elevador. Ikki resolveu que tinham que ao menos tentar falar com o russo. Bateu na porta uma, duas vezes. Sem resposta, simplesmente abriu a porta com seu poder e o que viu deixou-o perplexo.

O Cisne estava sentado perto da janela, com um copo de uísque nas mãos e o olhar perdido. Ao ouvir a porta bater levantou-se de um ímpeto e ia gritar alguma coisa quando perdeu sua postura arrogante e desabou de joelhos. Sem se importar com a presença de Ikki e Shiryu... Com a humilhação... Queria sumir... Queria matar June... Queria pedir a Camus que o encerrasse num esquife de gelo...

- "Hyoga!" Ikki falou alto e foi com Shiryu levantar o Cisne que tremia... Ao ver o rosto dele ficou impressionado... Olhos vermelhos olhavam para o chão... Lágrimas corriam e ele finalmente cerrou os olhos e as mãos, sua boca se contorcendo numa dor pungente...

- "Hyoga? O que foi? O que houve?" – Shiryu levou o rapaz para o sofá e recostou-o no seu peito. Fazia idéia do que estava havendo. Percebera há muito todos os olhares e gestos do aquariano mas não tinha certeza. Até agora. Ele e Ikki não sabiam de Matheus.

- "Não quero falar... disso... Não vai adiantar... Ele já escolheu... Eu não posso... atrapalhar..." Gemeu ainda mais alto enterrando o rosto no peito forte do Dragão.

Ikki olhava seu namorado e o amigo com uma interrogação na face. Já tinha desconfiado que, apesar de toda a pose de indiferença, os sentimentos do russo não houvessem mudado mas não sabia como resolver aquilo. Shun era seu irmão mas realmente havia magoado demais o aquariano. Agora que sabia que o caçula não rejeitaria o amor de outro homem pensava se devia juntar logo os dois. Hyoga parecia sofrer tanto...

Quantas mudanças. Ele mesmo, se lhe tivessem dito que amaria outro homem teria matado a pessoa imediatamente. E agora, estava tão enamorado de Shiryu que nem imaginava outra pessoa consigo.

- "Cisne... Quero te ajudar... Você ama o Shun não é?" Shiryu foi direto.

O choro aumentou.

- "Não tenho escolha... Eu tentei, juro que tentei... esquecer. Mas ele... ele... é... tudo... tudo pra mim."

Hyoga deixou-se embalar e chorou encostado ao peito forte de Shiryu. Não suportava mais aquilo. Lembrava-se de tudo, os treinos em conjunto, as conversas todos os dias... Todo santo dia encarando os olhos verdes tão puros... Amava-o tanto... Os cabelos verdes e longos, o sorriso límpido, a voz que cantava em seus ouvidos...

Parecia que tudo iria dar certo mas não esperava que June surgisse do nada para estragar todos os seus sonhos. Ficara enlouquecido de ciúmes... Jamais poderia competir com a Amazona de Camaleão... Ela era amiga de Shun, passara muito tempo com ele na Ilha de Andrômeda... Talvez o conhecesse melhor que ele... Estava perdido...

Não sabia desde quando se apaixonara pelo amigo... Talvez nas batalhas das doze casas quando vira Andrômeda se sacrificar para salvá-lo e o gesto enterneceu seu coração... Ou talvez muito antes disso... Ao vê-lo tão lindo e meigo no Torneio Galáctico...

Não conseguia sequer imaginar desde quando ele notara a existência do lindo rapaz... Simplesmente pensava em Shun o tempo inteiro... Às vezes sonhava com ele à noite e o efeito era uma insônia e uma agonia que o dominavam...

Até aquele horroroso jantar, quando June o levara dele, procurara refrear seus sentimentos pois sentia os olhares carinhosos do outro sobre si mas julgava que alguém tão inocente como o amigo não teria idéia dos verdadeiros sentimentos que afligiam tão seriamente o cavaleiro de gelo...

- "Você é um idiota mesmo né Pato?" Ikki ia continuar e contar logo toda a história que presenciara no Santuário mas foi interrompido por batidas ansiosas na porta.

- "Quem é?' O Cisne perguntou.

- "Hyoga, sou eu, Matheus, há algumas coisas que precisamos resolver ainda. Abre por favor amor."

- "Amor? Como é que é Cisne? Tu já arrumaste outro homem? Seu safado filho da puta! Assim que ama o Shun? Nem esperou ele... ah, deixa pra lá, vambora Shiryu..."

- "IKKI!" Shiryu não queria desistir, ia falar com o amigo loiro mas Fênix já o empurrava para fora passando pelo rapaz bronzeado e bonito e olhando-o de cima até embaixo. Estava com uma raiva louca, iria dizer a Shun que esquecesse logo tudo aquilo. Ele poderia namorar outras pessoas, talvez Mime, ou Hagen, Shido, Bado, qualquer dos guerreiros deuses, quem sabe Sorento de Sirene que era tão bonito... Ah, mas não ia mais permitir que o irmãozinho querido dele sofresse por aquele Frango de Freezer de Padaria...

- "Espera Ikki... Shiryu... Não é nada disso e..." Hyoga não pôde nem terminar a frase pois o casal já descia no elevador.

- "Desculpe... Tive que voltar porque esqueci de combinar o horário e as roupas e... Que houve Hyoga, pelo amor de Deus o que tá acontecendo com você?" Matheus ficou horrorizado ao ver o rapaz loiro num estado tão deplorável... Os olhos fechados que derramavam lágrimas, o corpo que tremia, o rosto transtornado.

Aproximou-se e enlaçou o outro com carinho. Levantou-lhe o rosto para mirar aqueles orbes tão maravilhosamente azuis e deixou seu profissionalismo de lado, beijou os lábios molhados de lágrimas com carinho, oferecendo conforto no corpo quente e bem cuidado que tinha, apertando o rapaz estrangeiro com afeto e, não conseguiu evitar, uma ponta de desejo e luxúria.

Hyoga não resistiu. Sentia-se absurdamente dolorido. As palavras de Ikki o tinham magoado. Jamais esqueceria Shun, mas ninguém compreendia, ele não era safado, não era um qualquer... Mas se queriam que assim parecesse...

Sentiu o calor envolvente de Matheus e sem nem saber o motivo, aprofundou o beijo, entregando-se aos movimentos circulares da língua do rapaz moreno, os braços fortes bronzeados acalmando-o com carinhos cuidadosos nas costas e nos quadris. Sentiu-se querido, mesmo que o rapaz bonito fosse um garoto de programa, mesmo que fosse alguém contratado para fingir.

Separou-se com custo daquele contato tão bom. Não estava apaixonado ou coisa parecida, seu corpo precisara de consolo e encontrara. Ficou grato.

- "Desculpe pelo beijo... Sei que apenas em público temos que estar assim tão em contato mas..."

- "Nem se preocupe, você beija muito bem russo... Foi um prazer..." Os olhos do brasileiro luziam de emoção. Hyoga era lindo...

- "Mas, me conte, o que houve?" Matheus estava interessado em saber como poderia ajudar o rapaz, não acreditava que alguém tão perfeito pudesse sofrer assim.

- "É uma longa história."

Matheus sentou-se puxando o outro para perto de si e sorriu.

- "Tenho todo o tempo do mundo..."

E Hyoga contou-lhe a história toda... Desde o início dos treinamentos até a volta da Sibéria para encontrar Shun e June. Não sabia porque mas confiava no rapaz e lhe dissera até sobre os poderes dos cavaleiros. Matheus ficou impressionado, na realidade, chocado.

- "Minha Nossa Senhora das Graças! Você é tão forte do jeito que está dizendo?"

Em resposta, o Cisne simplesmente ficou em pé e elevou seu cosmo, transformando a sala agradável da suíte que ocupava em um espaço com temperatura abaixo de zero. O brasileiro ficou boquiaberto. Levantou-se e abraçou o russo.

- "Você é mesmo incrível..." Mirou os olhos azuis tão belos e não resistiu perguntar.

- "Ahn... Será que você quer, não sou o Shun mas, se quiser..." Estava maravilhado com o homem que o contratara. Sabia que já havia perdido a cabeça há muito. Estava apaixonado.

- "Obrigado Matheus. Mas eu não conseguiria. Nesta minha cabeça tonta só há espaço para um homem... Pena que ele não me ama." O olhar do russo era triste e desamparado. Estava tão desiludido.

- "Me deixa tentar... Vem..." Olhou-o nos olhos e tomou-lhe a boca com desejo. Acariciou-o com experiência e sabendo bem onde tocá-lo e apertá-lo. Sentiu o outro arfar e soube que ainda tinha jeito para aquilo. Difícil era um homem ou mulher que resistisse a ele. O Cisne tentou se negar mas no fundo não queria.

O homem bronzeado começou a lamber o pescoço de Hyoga com perícia. Passeou suas mãos por dentro da camisa aberta, acariciou as coxas fortes e torneadas, sentia sua excitação aumentar, era muito difícil não se sentir arrebatadoramente atraído por aquele estrangeiro tão maravilhoso. Invejava Shun ao mesmo tempo que concluía que o rapaz de cabelos verdes era um completo idiota.

O Cisne não sabia bem o que gostaria de fazer. Já tivera uma ou outra experiência sexual desde que fora para a Sibéria. Quase sempre terminava infeliz e mais sozinho que antes pois faltava ao ato sexual algo que julgava primordial: amor. Quisera guardar-se para Shun se bem que... Durval... Afastou o pensamento. Quando partira do Japão há mais de dois anos tinha a firme convicção de que jamais teria Andrômeda e a solidão das planícies geladas fizera com que tentasse ao menos ter algum relacionamento. Fora um insucesso atrás de outro. Ele não conseguia gostar de mais ninguém, não na profundidade necessária para fazer amor e não sexo.

Mas, não podia negar que as provocações do outro o estavam afetando. Talvez porque dessa vez não precisasse fingir que amava, nem que era apaixonado. Seria um escape físico, apenas sexo casual sem compromisso mas, ao mesmo tempo, percebia no brilho dos olhos castanhos semi-cerrados que talvez o "contrato" estivesse ficando para trás. Não podia deixar Matheus gostar dele, ele não estava disponível, seria desleal, injusto e cruel.

- "Matheus... Por favor, pare um instante que preciso falar a sério com você."

- "Hum?" Ele não queria parar, estava bastante excitado já.

Hyoga o segurou e olhando firme em seus olhos decidiu que seria honesto ao extremo.

- "Escute, se vamos prosseguir preciso que entenda que não conseguirei te amar compreende? Não posso, meu coração e alma são dele, são de Shun. Se conseguir fazer isso, se você não se importar, eu concordo mas, não se iluda, por favor, não quero te machucar. Sou um homem já bastante torturado por amar sem esperança e não desejo ver ninguém compartilhar toda a dor, toda a dor..." Parou com um soluço entrecortado.

- "Hyoga..." Matheus ficou emocionado com a sinceridade e decência do outro. Estava tão acostumado a ser iludido, usado. Estava tão acostumado a ter seu corpo tomado sem nem mesmo um abraço, sem beijos e carinhos... E agora aquele monumento masculino vinha lhe dizer que não o queria magoar? Era perfeito demais. Ele, Matheus, iria fazer o possível para ajudar aquele por quem nutria agora, no mínimo, admiração irrestrita.

- "Não se preocupe. Eu entendo amigo, eu sei, não se preocupe, por mais que eu pudesse me apaixonar por você e, serei sincero, não seria nenhum esforço ficar louco por você, se é que já não estou, compreendo o que sente. Apenas, então, me deixe aproveitar um pouco de sua companhia."

O surfista retirou sua roupa com jeito sensual deixando o outro apreciar sua beleza morena. Sabia que era bonito e atraente e logo desabotoava a camisa do seu parceiro e expunha o tórax claro e forte. Retirou a roupa inteira do loirão e apreciou toda aquela beleza tão extasiante. Nem queria saber do dia seguinte, estava ali com um homem absolutamente irresistível e ia demonstrar o quanto se sentia atraído.

Beijou todo o corpo de pelos dourados com sofreguidão. Ambos se levantaram e foram para a enorme cama do quarto. Não demorou muito e estavam ambos arfando e suspirando. Hyoga deixando-se ser acarinhado, lambido e apertado. Não queria pensar. Apenas sentia as carícias das mãos e boca experientes do outro e deixava-se levar pela luxúria, pelo tesão e pelo prazer que conseguia obter. Correspondeu aos carinhos e percebeu que o outro já não se continha mais.

- "Hyoga, venha, estou pronto para você." Matheus deitou-se de bruços, completamente excitado, abrindo as pernas ligeiramente num convite explícito. Não tinha idéia se o loiro gostaria de ser passivo ou ativo mas resolvera se deixar tomar pois acreditava que para o outro seria o mais "normal", além do que, se não falhasse seu instinto, Hyoga era o dominante sempre... Foi surpreendido com as mãos fortes que o puxaram.

- "Não Matheus, não vou fazer como acho que todos os seus clientes fazem. Você não merece. Venha cá." O olhar de Hyoga era sério mas comovente ao mesmo tempo. Sentado na cama, puxou o jovem para seu colo e o beijou na boca longamente, arrancando gemidos que não seriam possíveis serem fingidos. Explorou o pescoço e o peito moreno enquanto preparava o seu companheiro em movimentos lentos para dentro e para fora, acariciou o sexo intumescido e por fim deitou o rapaz novamente, de frente para ele. Baixou a cabeça e sugou o membro latejante até deixar Matheus próximo à loucura. O brasileiro parecia não agüentar mais...

- "Hy... Hyoga... eu... não posso mais... Eu..." Estava tonto e alucinado. Nunca tinha sido tratado assim antes. Era sempre possuído de maneira violenta, sem carinho e sem respeito. Raras as vezes que alguém lembrava de prepará-lo. Quando lhe pediam para ser o dominante também não havia como ele gostar. Era tão mecânico, sentia-se executando um trabalho braçal...

Pela primeira vez amaldiçoou seu trabalho. Gemia alto e reconheceu que não precisava fingir. Tudo o que estava sentindo era legítimo. Estava louco para ser possuído pelo homem sobre si. Mesmo que fosse uma única vez. Precisava sentir que era alguém, que merecia ser tratado com cuidado. Ao menos uma vez...

- "Apenas vou colocar uma camisinha ok?" O Cisne era prevenido e sabia bem que não podia ficar fazendo sexo por aí sem nenhuma proteção. Por si e pelos parceiros, sempre usara preservativos. Aprendera a tornar o ato de se proteger um acessório do relacionamento. Pegou o envelope na gaveta e deu ao rapaz abaixo de si para que a colocasse, sem deixar de mirar os olhos esverdeados e repletos de desejo.

- "Até isso você consegue tornar sensual... Você é mesmo especial..." Matheus sorriu satisfeito, o aquariano era mesmo incrível, desejável, responsável, perfeito. Sentiu vontade de dizer umas verdades para Shun a qualquer hora. Talvez estapeá-lo até que retomasse o juízo e agarrasse o loiro...

Interrompeu os pensamentos ao sentir-se sendo preenchido devagar e firmemente. Os movimentos eram suaves, espaçados, torturantes. Sentiu-se ser acariciado, beijado, sentiu-se tão amado... Beijos... Eram tão raros no seu ramo... Beijos, tão difícil não se deixar levar pela língua quente e macia em sua boca.

Não, não podia perder a cabeça, o russo o havia alertado... Aproveitaria sim mas não podia confundir as coisas. Seria injusto com Hyoga que tanto se esforçara em deixar tudo às claras.

Logo se movimentavam com rapidez e fúria. Hyoga puxara o rapaz para seu colo e o fazia subir e descer com eficiência ao tempo que também se movimentava, aumentando a profundidade das estocadas e arranhando e apertando o corpo que tomava. Não sorria. Matheus percebeu que o russo praticava o ato com luxúria mas sem entrega emocional. Não se importou. De qualquer modo, estava sendo maravilhoso. O loiro encaixava-se deliciosamente dentro dele e o estava deixando à beira do abismo.

Com mais alguns movimentos, o brasileiro não se segurou mais e deixou-se ser invadido por ondas de prazer ajudado pelos movimentos das mãos do parceiro em seu membro. Viu Hyoga finalmente sorrir, satisfeito, e percebeu que era deitado na cama, com suas pernas sendo levantadas até os ombros do outro. O Cisne agora podia se dar ao luxo de se preocupar apenas com ele mesmo... Era incrível... Então o loiro se esforçara para primeiro satisfazer a ele Matheus? Era demais para ser verdade...

- "Agora seja bonzinho e me deixe terminar também..." A voz era baixa e quente e logo Matheus sentiu-se ser profundamente invadido, com mais fúria, mais força e mais rapidez. Mesmo assim, não sentia dor, seu corpo estava totalmente relaxado pelo prazer que sentira e viu-se acariciando com mais furor o outro, queria vê-lo se acabar, percebeu os olhos fechados dele, estava num mundo particular, talvez sonhando com Shun... Sentiu ciúmes... Sabia que não podia...

Deixou tais pensamentos para lá e começou a contrair seu corpo para aumentar o prazer do rapaz sobre ele. Quando sentiu que o homem que o tomava ia se derramar dentro dele agarrou o corpo sobre si com fúria e invadiu a boca rosada com sua língua, sugando loucamente, envolvendo todo o corpo torneado, de maneira a aumentar as sensações e logo sentiu os espasmos do gozo do aquariano.

Lentamente o Cisne recuperou sua pulsação e abriu os olhos. Matheus era um amante experiente, envolvente e eficiente e ele gostara muito do sexo que praticaram. Poderia vir a gostar de alguém como ele se não fosse sua sina: amar Shun.

- "Quer tomar banho comigo? Tenho compromissos de trabalho." O rapaz de tez tão clara estava um tanto aliviado de não ter que fazer cenas de uma paixão que não sentia, nem de ter que ficar fingindo que tinham um vínculo emocional forte. Ficou gratificado quando o brasileiro sorriu e foi indo para o banheiro chamando-o.

- "Ok e... bom... queria dizer que..."

- "Não diga nada Matheus, só queria que soubesse que você é uma boa pessoa e se eu puder ajudá-lo de alguma forma, eu o farei."

- "Você foi o primeiro que me fez sentir um ser humano Hyoga... Não um objeto sexual. Obrigado." O moreno estava sendo sincero. Fora levado à prostituição por um grupo de pessoas que o haviam seduzido, seviciado e vendido... Agora já não se importava tanto, seu coração com cicatrizes dos seis anos de "trabalho" que começara tão cedo, tinha apenas 14 anos e se envolvera com grandes chefes da prostituição infantil.

Com o tempo, não conseguira mais sair daquele mundo. Havia dívidas que nunca se pagavam, havia chantagens e, claro, havia o dinheiro que muitos chamavam de fácil... Se soubessem...

Mas, fora bom experimentar algo além das inúmeras horas de sexo apenas movido pelo dinheiro... Sim, ele se sentira respeitado pelo seu "cliente" e, se dependesse dele, faria com que Shun enxergasse a imensidão do amor que o russo sentia. Iria ajudar, não importava como fosse.

O rapaz mais novo apenas se aproximou do outro e lhe deu um selinho. Não sabia o que levara o surfista àquela vida mas talvez pudesse mesmo ajudar... Lembrou-se de um certo cavaleiro solitário que apreciaria imensamente uma alma como aquela... Sorriu.

- "Que foi?"

- "Nada, estou com idéias... Você fala outras línguas além do inglês?"

- "Sim, um pouco de francês e alemão... Dever de ofício não?" O que será que passava pela cabeça do Hyoga?

- "Vem, vamos ao banho que ainda tenho milhões de coisas para fazer e - suspirou conformado - tenho que encarar uma festa com o "casal 20"".

- "Vamos combinar as roupas, os assuntos, o que você quiser eu faço ou digo ok?"

- "Certo."

Hyoga apenas pensava em como evitaria ficar louco de ódio ao ver Shun e June, bem, não importava mais...