Título: REBIRTH
Autor: Angell Kinney
Casal principal: Shun X Hyouga ( Saint Seiya) / Joseph ( Joey)
Fatone- personagem original
Classificação: +18
Gênero: Yaoi, Drama, Romance, Agst, Comedy
Spoilers: A fiction se passa após a SAGA
DE HADES. Como não se sabe que fim se deu com os Santos de Athena após o
Prólogo do Céu ( Tenkai –hen movie ) esse é o ponto inicial de nossa fanfic.
NOTA: Começo a contar a idade dos cavaleiros a partir de sua data de exibição no Brasil, ou seja, 1994. Na fic Shun tem 19 anos, o que seria então o ano de 2000, pois em 94 Shun tem apenas 13 anos okay?
NOTA2: Dúvidas e críticas CONSTRUTIVAS são bem vindas. Me dou o direito de excluir ou ignorar qualquer comentário ofensivo. Se não gosta do estilo de escrita que possuo... Peço que se retire clicando no X (vermelho ou azul) no canto superior da página. Agora, se por acaso minha forma de escrever lhe agrada, sinta-se a vontade para prosseguir e adoraria receber um comentário seu sobre o desenvolvimento da fic.
Angell Kinney
Dedicado somente a Leandro
Meu, Leandro.
Com todo o amor que houver
No mundo da matéria e no espiritual.
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REBIRTH
Capitulo 5 – A Corte dos Justos.
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Estavam dentro do táxi, estavam longe de Marin e Sheena, estavam livres.
Era realmente estupendo. Não havia como fingir que aquela cidade não o afetava, não trazia lágrimas aos olhos. Se não soubesse que era obra de mãos humanas que interferiram na natureza e apinharam a cidade de beleza, Shun provavelmente concederia o crédito do monumento aos Deuses do Olimpo, e isso é um enorme elogio sendo que ele já tinha colocado os pés nos campos Elíseos quando batalhara em Hades.
Sorriu de si para si. Estava grato. Grato por deixar todo o sofrimento para trás. As guerras, as batalhas sangrentas. Por deixar na mão dos deuses e só dos deuses, o destino da humanidade e da Terra. Estava grato por estar de mãos limpas, sem ter machucado ninguém, sem entrar em batalhas desnecessárias. E mais do que nunca, estava grato por estar esquecendo Hyouga de Shevchenko, príncipe de Asgard. Algoz do seu coração.
Mas agora, sabia que não sentia nada. Nada além de paz e beleza. A beleza da cidade que o cercava.
E lentamente Shun estava adotando Paris como sua.
Nada dos Canais de Veneza que engoliam a cidade. Nada de gôndolas agora. Somente uma cidade que mesclava o berço de Afrodite, a Deusa, e a face cosmopolita do seu Japão.
Estava em Paris. Ao vislumbrar a silhueta mais famosa da cidade, vista da beira do Sena, ao lado da Pont d'léna. Shun realmente agradeceu a vida mundana que levava agora. A simples excitação de estar ali, na cidade dos amantes, cenário de todos os romances, berço cultural da Europa, e justificativas de todos os poetas que ele adorava ler e citar, afinal de contas, após trabalhar com as crianças da Fundação Kido que vinham de toda a parte do mundo, Shun teve que se formar em várias línguas, e uma das que ele mais apreciava realmente era o francês.
Andrômeda se emocionou. Quantas vezes sonhara em ir a Paris? Em ter uma vida longe do campo de batalha. E não que desejasse abandonar seu dever como cavaleiro por falta de amor a Athena ou a humanidade, mas por querer o seu direito ao livre arbítrio sem que achassem que ele era um covarde.
Apenas detestava ferir qualquer ser vivente. Amava e contemplava a beleza, as diversidades impostas pela humanidade, por tudo que o grande Deus criou.
Oh, Paris era bela, muito bela. E condizia perfeitamente com o que ele lera e estudara. Não haveria decepção. Não mais.
Lágrimas vieram aos seus olhos com uma rapidez medonha, o que fez com que Afrodite que estava sentado ao seu lado no Táxi, acarinhasse as mãos dele com as suas.
Shun não precisou utilizar palavras pra exprimir o que estava sentindo. O cavaleiro de cabelos azulados o entendia perfeitamente. Talvez porque um dia tenha pensado o mesmo.
O táxi parou e eles desceram. Aldebaran foi o primeiro a saltar, seguido por Shun, Afrodite e Carlo, que agia de forma tão displicente como se Paris fosse sua casa e não uma viagem de férias. Afinal ele era tão Europeu quanto os franceses. E se orgulhava muito de sua Itália ao qual tinha acabado de abandonar.
Shun olhou bem para os seus companheiros de viagem, sempre tão preocupados com ele, educados, carinhosos e prestativos. E agora onde estava Seiya, Shiryu, ou até mesmo seu irmão querido Ikki?
Porque seu celular não tocou nem uma vez, ninguém respondera seus e-mails ou telefonemas carinhosos, que contrastavam cruelmente com a secretária eletrônica de todos eles?
Inútil se incomodar com isso. Inútil pensar que se importariam. Mas isso não o feria mais. Estava livre. As correntes quebradas. De Hyouga ou do tempo. Não importava mais.
- Acho que devemos subir logo. A fila está enorme, não é? – Aldebaran perguntou a Afrodite que olhava o prospecto que trouxe da agência de turismo, antes que Sheena jogasse todos pelos ares.
- Sim, temos que entrar naquela fila ali – apontou para uma aglomeração. Carlo bufou audivelmente, irritado começou a caminhar rumo a fila. Os outros o seguiram.
Demorou quase uma hora e meia para que conseguissem usar o elevador da Torre e pararem no Lê Jules Verne. Um dos restaurantes mais famosos de Paris, por se situar dentro da própria Torre e ser um dos mais bem conceituados restaurantes de Paris. Shun se assustou com a suntuosidade do local, quando sentou-se a mesa.
Mesas com toalhas de brocado com detalhes dourados, paredes de cor bege, tão delicadamente pintadas que se assemelhavam em esmero a um por do sol esmaecendo. Os detalhes da prataria reluziam tanto que chegavam a machucar os olhos. Ficaria amedrontado se não soubesse que seria Afrodite que pagaria a conta.
Todos comeram e beberam do melhor que a casa tinha. Shun adorando exercitar o seu francês ao pedir os pratos, e sobremesas. Adorando aquela sensação de independência de qualquer um que fosse, a não ser a carteira de Afrodite.
- Comi tanto que acho que vou estourar. – Carlo falou segurando as mãos de Afrodite que acabara de retocar o batom que tinha saído com o guardanapo.
- Mas valeu a pena. Podemos andar o resto da tarde pela cidade sem nos preocuparmos, querido. – Afrodite comentou.
- Sim, estou animado para conhecer o resto de Paris. Temos quantos dias?
- Não sei Shun, realmente não sei. - Uma voz desconhecida do grupo interrompeu a conversa, óbvio em japonês, mas com um leve sotaque francês.
- Kamus? – Aldebaran que estava de costas para os que chegaram virou-se de supetão. Encontrou não somente Kamus, mas sim Sheena, Marin, Shura, Aiolia, e Milo. E percebeu que os outros, não estavam nem um pouco alterados como pela manhã, mas sim soturnos, com a expressão séria. Marin e Sheena usavam as máscaras de Amazonas, e os cavaleiros de Ouro usavam a indumentária completa.
- O que significa isso? Outro ataque? – Shun perguntou exasperado. - Atacaram o Santuário?
- Não seja tolo Shun, se tivessem atacado o Santuário, óbvio que não estaríamos mais aqui, e você receberia a mensagem que viemos lhe dar agora, por uma mensagem mental da própria Deusa. – Sheena explicou impaciente. As pessoas do restaurante os encaravam assustados.
- Pois bem... – Kamus tomou a palavra, a voz gélida cortando o ar rapidamente e em francês. – O que ocorre é que recebemos uma carta de Asgard. Do punho da própria Hilda. E os fatos são alarmantes.
- Invadiram Asgard? – Carlo perguntou assustado se levantando da mesa, quase derrubando um prato no chão.
- Pelo amor de Deus Kamus, vamos sair do restaurante. Aqui não é local. E não, Carlo, não invadiram Asgard. Agora Afrodite, faça o favor de pagar a conta e sairemos todos daqui.
- Mas e Asgard? – Aldebaran sussurrou.
- Asgard está acabada. – Sheena respondeu, calmamente. - Hyouga a colocou no chão.
- Hy...Hyouga? – Shun cambaleou enquanto as mãos de Afrodite o ampararam, mas com olhos virulentos para amazona de cobra.
A neve castigava o rosto de Fleyr enquanto ela tentava com muito custo acompanhar os passos de Mime e Hyouga, carregando os dois filhos nos braços magros e pálidos.
- Por favor, por favor... esperem. Não consigo acompanhar...
- Não me importa. – Mime respondeu olhando para trás. E lá vinha ela. Com as crianças nos braços, amarrada como uma animal, pelo pescoço, com cordas de harpa, enquanto a carruagem imperial, na qual ele e Hyouga estavam dentro, deslizava pelos estepes gelados.
- Piedade, Senhor de Benetnasch. – Ela pediu. – Pelo menos com as crianças. Está muito frio aqui fora Senhor Shevchenko! – a loira implorou com lágrimas no olhar.
- Se for pelas crianças tudo bem. – Mime falou parando a carruagem, para em seguida descer e pegar os dois gêmeos dos braços fracos da mulher. Stan e Stu estavam enrolados em pele de urso, bem aquecidos mesmo no frio, mas ele preferia que viessem dentro da carruagem do que nos braços de Fleyr.
Assim que tirou os gêmeos dos braços da ex-princesa de Odin, a loira caiu de joelhos, exausta de cansaço. Estava caminhando em meio a nevasca, carregando seus filhos sem descanso, por mais de sete horas e Hyouga ainda não tinha saído de Asgard.
Estava fazendo o caminho todo com ela acorrentada, como uma ladra, uma meliante da pior espécie, atrás de sua carruagem imperial, mostrando a todos sua humilhação e fracasso.
Moradores de todas as regiões de Asgard vieram para a beira das estradas para ver a princesa Fleyr de Polaris ser arrastada e humilhada pelo ex-marido. Destituída do seu trono, destruída pela morte de Hagen. Escrava de seu odiado marido.
Fleyr quis chorar, mas sabia que se o fizesse, a lágrima congelaria antes mesmo de tocar seus lábios.
Abaixou a cabeça quando sentiu a carruagem recomeçar a andar. E amaldiçoando todos os deuses que conhecia, por seu abandono, seguiu seu destino sem saber que no mesmo momento, sua irmã Hilda era traída por Sigfried.
- Por Hera de Zeus! – Afrodite berrou com as mãos em apelo, quando Kamus terminou de contar a horrenda sentença de Hagen, e Sheena mostrar a ele fotos tiradas do calvário de Fleyr.
- Ele é um monstro! – Marin falou exasperada. – Ela é uma mulher, e nem mesmo é uma amazona, ela não vai suportar. Não tem porque suportar! Hyouga planeja matar a mulher? – A guerreira da constelação de Águia gritou batendo na mesa redonda de pedra, de maneira rude. Os cabelos ruivos tombaram para frente conforme ela gesticulava, e todos sabiam que Marin chorava de ódio por baixo de sua máscara de prata.
Estavam todos ali, ou quase todos.
Os únicos a ficarem na Grécia que faziam parte do Zodíaco Dourado foram Kanon, Dohko e Saga. Outros estavam a caminho.
Os presentes estavam sentados em uma grande mesa redonda de mármore polido e branco, fixada em sua base no centro de um salão gigantesco que fazia parte do palácio da Deusa Deméter. Situado na região interiorana de Paris, ao sul de Montmatre.
Deméter tinha posto a disposição dos cavaleiros da irmã, seu palácio e seus cavaleiros, e agora Kamus, como Chanceler, e mestre substituto, pois Saori ainda estava a caminho da propriedade, segundo seu último contato mental, comunicava o hediondo episódio em Asgard, coberto de vergonha de seu pupilo.
- Não sei Marin, não vou ser ridículo pedindo que se acalme porque não faço a mínima idéia do que se passa na cabeça de Hyouga agora. Só de saber a forma que ele executou a sentença e a forma que ele usa os sentimentos dessa mulher para vingar-se, me pergunto se ele é digno de usar o nome de cavaleiro de Athena depois disso tudo...
- A própria Athena se pergunta isso... se querem saber, ou se Hyouga estava se obliterando de suas faculdades mentais quando decretou esse disparate. – Shaka falou adentrando o salão junto com Athena, Seiya, Shiryu, Ikki, Mu de Áries e Deméter, a deusa encarnada.
Os cavaleiros e Amazonas presentes levantaram-se em respeito às Deusas. Saori usava um vestido branco, com fios de ouro, uma pequena tiara de cristal e ametistas e na mão direita a Deusa trazia com ela Niebe, seu cetro da justiça. Os cabelos púrpura escorregando em melenas fartas e pesadas até o chão em um corte reto.
Deméter ao seu lado. A dona do palácio, a Deusa encarnada mulher a acompanhava. Nas mãos um báculo bem maior do que o de Athena, que finalizava em um gérmen de trigal. Os cabelos igualmente compridos como os da irmã desciam em cascatas até o chão, com leves cachos na ponta. Os cosmos das duas cintilavam, sobrepujavam e empurravam o dos cavaleiros e amazonas, mostrando sua superioridade, seu magnetismo e força, mas comungavam com os deles, cavaleiros e amazonas, os enchendo de conforto, à medida que a luz fantasmagórica dos cosmos inundava o local.
- Olá, meus queridos cavaleiros! – Saori falou a se ver cercada pelos seus. Todos ergueram a cabeça para encarar a Deusa encarnada.
- Bem vindo ao meu palácio, espero que se sintam confortáveis aqui, apesar das infelizes circunstâncias deste encontro. Sinceramente nunca pensei que Minerva, minha irmã, pudesse ter entre seus fieis cavaleiros, um que não sabe exercer o perdão. Um que se deixe dominar pelas emoções mundanas, mesmo após ter pisado no Elíseos de Hades. - Deméter falou com a voz calma, mas com seriedade típica de uma Deusa. Apesar de um rosto tão infantil. Sua reencarnação fora descoberta na França pelos cavaleiros, quase três anos após Saori ter encarcerado Hades novamente no sono eterno. A Deusa deveria ter no máximo quinze anos.
- Mas a Deusa, não a nossa Deusa, não quer ser injusta. Nunca seria. - Shaka tomou a palavra. - Por isso, nobres irmãos, cavaleiros e amazonas, Athena decidiu expulsar Cisne da Ordem. Ele nunca mais poderá usar a armadura da constelação de Cisne em detrimento do que ele fez... Vocês devem entender... Cisne abraçou a causa de Asgard, mas não pediu desligamento do seu dever como Santo de Athena. Ele como cavaleiro da Deusa da justiça, deve ser complacente. – O cavaleiro de Virgem completou.
- Mas como ser complacente com alguém que provocou a desgraça de sua vida? – Milo perguntou se erguendo. O cavaleiro de escorpião parecia estar em convulsões. – Pelo que eu entendi dos atos, Hyouga usou o poder de príncipe. Usou o poder imbuindo a ele por Asgard. Decretou a sentença como príncipe.
- Por Zeus pai, Milo – Shura falou com as mãos em apelo e gesticulando bastante como um legítimo espanhol – Hagen era o príncipe. Isso é conceito de justiça? Atirar pedras em quem já está no chão?
- Eu faria pior se fosse traído como ele foi. Acredito. – Milo sussurrou, sem mesmo saber se o faria, ou não. Sua mente pendulava, mas se foi ouvido ninguém sabe, a discussão ganhava poder através de uma voz calma porem decidida.
- Ele não podia decretar a morte de Hagen. Isso ele não podia. – Shun falou repentinamente fazendo com que os outros se calassem e olhassem para ele. - Pelo que entendo. Ele também estava tendo um caso com Mime. Ele traía a esposa, e a esposa o traía. Nada demais segundo a concepção ridícula de relacionamento que Cisne tem na cabeça. – Shun escarneceu. – Porém, fazendo um pequeno adendo... Hagen era tão vítima da fatalidade quanto Fleyr, só que esta última... Ah, esta última, ela arquitetou um plano diabólico, que só uma mulher apaixonada poderia arquitetar. Uma mulher apaixonada era o que ela era. Uma mulher louca, que se deitou com o primeiro que se dispôs só para não ameaçar a vida de seu amor. Fingiu amar Hyouga...
- E destruiu a sua vida. – Sheena completou.
- Não, Ophiocus Sheena, não destruiu, só me libertou da companhia eterna e iludida de um homem que além de me trair, levanta armas para uma mãe indefesa. Que é um hipócrita, pois acho que ele não pensou que os filhos dele, ou não sei como me referir as crianças... Filhos de Hagen, ou... Realmente não consigoelaborar... Bem aquelas crianças, vão se lembrar da mãe acorrentada, atrás de uma carruagem, sendo arrastada pela neve, como uma escrava, como uma coisa que a humanidade abominou há mais de dois séculos, manter uma criatura sem livre arbítrio como Athena nunca nos ensinou manter sem motivos pertinentes. E vocês sabem muito bem o que é fazer o que não se quer, pois todos nós cumprimos o destino sem termos livre escolha até agora. Nem nós cavaleiros, nem Athena e muito menos a excelentíssima Deusa Deméter! Somos peças que seguem o destino traçado pelos Deuses, e Hyouga achou que poderia agir como um Deus tirando a vida de uma pessoa que nem sequer foi em uma batalha santa. Escravizou outra. Esse homem se acha digno de ostentar o nome de Santo de Athena? Esse homem foi o mesmo homem que entrou no paraíso para resgatar Athena? E tendo visto o inferno em Hades, esse mesmo homem condena um ser que já foi humilhado e usurpado de ser reino por uma irmã e súditos malditos, e o manda para o inferno? Ora Minos poderia estar morrendo de inveja por ser destituído do cargo de Juiz do Inferno. - Shun falou num fôlego só. - Dêem o chicote da justiça para Hyouga e logo todos nós estaremos ardendo em Hades, pode apostar.
- Você defende a atitude de Fleyr? – Milo perguntou estupefato. Todos os olhares fixos em Shun. - Mesmo depois de...
- Posso não perdoa-la como homem, mas sou justo como cavaleiro. E não me olhem como se eu fosse um monstro ou estivesse cheio de rancor. Eu deveria estar comemorando a desgraça dela. Deveria estar louco para correr para Hyouga, vocês devem estar pensando. Mas não estamos julgando os atos de Hyouga, e sim do cavaleiro de Cisne e suas injustiças. Sim, eu estou louco de ódio e de ira por aquele homem que um dia amei tanto, mas não me deixo cegar. Não tenho pena de Fleyr, mas não acho que deve pagar como está pagando. Tenho esse direito, tenho o direito de tentar entender o ser humano. Minha natureza é essa. Não preciso me justificar a vocês nem a ninguém. Somente a minha Deusa. Mas e quanto a Hyoga? Bem, até onde sei, ele se deitou com Fleyr porque quis, ela não o arrastou para a alcova, e mesmo que embriagado ele copulou com ela. Disso tenha certeza. Escarafunchou-se na lama porque quis também. E agora, quando tinha a chance de sair dignamente de Asgard e ganhar a liberdade, resolveu punir um ser humano pela fraqueza dele. Ela nem Hagen tinham culpa da mãe de Hilda ser uma desequilibrada e Hilda uma tirana... Ah, eles não tinham culpa. Hyouga, mesmo com os fatos na mão, após ver o que Hilda tinha feito e tomado de Hagen, preferiu vingar o que já não tinha mais conserto. Eu o abomino ainda mais por isso. – Shun falou tremendo dos pés a cabeça. Sendo observado por um Seiya estupefato um dragão Shiryu desatinado e Ikki de fênix completamente sem fala.
- Shun, você acabou de colocar a forca no pescoço do cisne. – Afrodite falou boquiaberto. – E agora Milo, você acha que ele perdoou Hyouga?
Milo bufou. Ele tinha tentado Kamus. Tinha tentado ajuda-lo a defender o destino de seu pupilo, mas Shun... Shun se libertara das correntes e as usava para amarrar Hyouga.
Todos se entreolharam calados. Não havia mais o que dizer. Shun sintetizou todos os pensamentos em um só.
Estaria se perguntando se Seiya e os outros o odiariam por mandar um companheiro de batalha e infância para o meio de um conclave. Mas pensando bem, era o momento de Shun ser egoísta. Que se danasse Seiya e os outros. Que se danasse Hyouga.
- Correto e perfeito Andrômeda. – Saori falou erguendo sua delicada voz acima das demais que saiam aos montes e ao mesmo tempo. – Hyouga assim que entrou em contato com a verdade deveria ponderar os fatos. Felizmente já se extinguiram os tempos onde derramamentos de sangue foram necessários para salvar a Terra. E nenhum ser deveria morrer nas mãos de um cavaleiro se não fosse em combate justo. Os homens hoje já se matam porque não sabem exercer o perdão, e Hyouga não o soube fazer quando pode. Teve uma chance única, talvez ímpar de demonstrar sua bondade como cavaleiro, mas preferiu agir como um tirano. Por isso, espero que seja de comum acordo que ele seja exonerado de sua posição dentro dessa guarda de cavaleiros. – A Deusa falou.
Todos no salão se entreolharam. Kamus permanecia cabisbaixo. Envergonhado.
- Temos que decidir agora, Athena?
- Sinto dizer que sim, Shiryu. Hyouga planeja vir à França para o Baile de Deméter, segundo nossos contatos em Asgard comunicaram. Ele vem acompanhado do guerreiro da estrela de Benetnasch, Mime. E óbvio de Fleyr e as crianças. Pelo que sabemos, ele não tem conhecimento de que saibamos de tudo em pormenores.
- Ele acha que perdoaríamos ou acharíamos justificável esse sacrifício. – Shaka explicou.
- Ferir mulheres e matar um homem que já estava indefeso, sem um duelo? Onde Hyouga estava com a cabeça? – Afrodite falou se levantando. – Athena, tens o meu voto. Preciso sair daqui, preciso das minhas rosas, preciso de ar! – falou se segurando a Carlo.
A foto de Fleyr seguindo a carruagem, os pés sangrando e os cabelos em desalinho enquanto tentava proteger as crias do frio foi demais pra o cavaleiro de peixes.
- Por favor, os demais cavaleiros coloquem seus votos de sim ou não na urna que está na sala contígua a essa. E podem se retirar para descansar. O jantar será servido dentro de cinco horas. – Deméter comunicou.
Os cavaleiros e as duas amazonas dispersaram para o salão contíguo. E nessa votação todos sabiam que se fossem a favor de Cisne, estariam sendo injustos para com a humanidade que sempre lutou contra o escravagismo e a pena de morte. Injustos perante a justiça.
E enquanto a profusão de capas e armaduras se dirigia ao salão contíguo para votar na exoneração de Hyouga, um Kamus abraçado a Milo e amparado por Athena, chorou.
Tinham acabado de fazer sexo. Não amor.
Sexo cru e cruel. O pênis grosso do loiro saia de dentro do ruivo coberto de sangue, fezes e o próprio sêmen.
Hyouga chegou ao clímax. Mime nem perto disso. Só sentiu a dor das estocadas que Hyouga martelou dentro dele, de pé, encostado na parede fria de um dos corredores de um hotel de estrada, próximo ao aeroporto de Asgard.
Hyouga segurou Mime pelos cabelos ruivos e arreou suas calças, enfiando-se de qualquer jeito e sem lubrificação no ânus do ruivo que segurou um grito de dor. O prazer inexistia para o ruivo. O pênis estava flácido ainda. Mas nenhuma reclamação, a não ser o cheiro de suas próprias fezes por estar despreparado para o ato sexual.
- Vou precisar tomar um banho. – Mime falou se afastando da parede, com as calças ainda arriadas.
- Também vou. Fiquei imundo... me esqueci deste detalhe.
- Você é um porco, Hyouga. – Mime falou entrando no quarto e acendendo a luz. Fleyr estava deitada em uma esteira de palha e enrolada em um pesado manto junto com as crianças. Permanecia amarrada pelos calcanhares com as cordas de harpa. Mas não fazia menção de se mexer.
Dormia exausta após mais de sete horas de caminhada na neve. Mime agradeceu a Odin pela mulher não o ver da forma deplorável que estava.
Hyouga entrou bem atrás dele. O pênis ainda esfolado e sujo de sangue e excremento. Sorriu debochado como de costume e tirando a camisa limpou o pênis.
Jogou-se na cama e olhou para Fleyr.
Olhou para ela e seus cabelos loiros. Sua pele de alabastro agora maculada pela corda mágica da harpa de Mime. Os filetes de sangue que escorriam finos de onde a mulher ficara amarrada. E Hyouga olhou admirado para aquilo tudo, porque ele não sentia pena. Não sentia nada por aquela mulher.
Somente o desejo carnal de possuí-la com brutalidade, com desprezo, como uma prostituta barata. Como possuíra Mime. Mas Mime era diferente. Por mais que soubesse que não o amava, Mime era um ótimo amante. Mime era um ótimo estrategista. Mime era seu advogado de defesa, e mesmo se ele violasse a mulher como queria fazer agora, no seu desejo nefasto, para puni-la, para saciar sua volúpia, Mime o entenderia.
Hyouga se ajoelhou no chão e abriu as pernas de Fleyr subindo sua saia de veludo pesado até a altura das coxas.
- Não! – A mulher falou acordando assustada. Os punhos de cisne seguravam seus punhos. - Está louco? Pelo amor de Odin, Pelo amor de Zeus, De Athena... De quem quer que você acredite! Senhor Mime!
Mime não ouviria. A Água do chuveiro descia forte tapando seus ouvidos. E ele estava por deveras magoado por ter sido tratado por Hyouga como uma mera meretriz para se importar com Fleyr agora.
- Cale a boca e colabore. Você sempre gostou de mim em cima de você, sua vagabunda! - Hyouga falou ao ouvido de Fleyr. – Agora cale-se e faça seu papel de mulher.
- Hyouga eu não sou sua mulher. Sou sua escrava!
- Azar o seu. – Ele falou arrancando a calcinha dela com a mão livre e estocando para dentro dela com fúria. Fleyr gritou. - Cala a boca, vagabunda. – Hyouga falou estocando cada vez mais rápido. Ela se contorcia abaixo dele, as lágrimas descendo copiosas. Desesperadas. Fleyr amaldiçoava o seu destino. Fleyr odiava o seu futuro. Fleyr queria estar morta. A dor das estocadas e a violação de seu corpo não eram nada comparado ao que acontecia dentro de sua alma.
Mas de repente Hyouga parou.
Não, ele não tinha chegado ao clímax. Não tinha chegado ao ápice do prazer.
Mas o cavaleiro de cisne ficou petrificado. Como se estivesse congelado. Em choque.
Fleyr abriu os olhos lacrimosos e encarou o que tinha petrificado cisne. E também ficou em choque. Acima deles seis olhos os encaravam. Dois olhos vermelhos como o sangue se uniam a outros dois tão azuis quanto os seus. E junto com eles, Mime de Benetnasch completamente nu, com Stan e Stu no colo falando com uma voz fria e modulada:
- Vejam crianças. Seu pai esqueceu que um dia já teve mãe. Que foi parido por uma mulher. Esqueceu o respeito pelo ser humano...
- Mime... – Hyouga falou em choque. Seus filhos. Seus filhos vendo o pai fazendo a mãe implorar, fazendo sua mãe sofrer. Era vergonhoso. Era odioso. Odiaria Mime se não estivesse morto de vergonha. Mas o cavaleiro de Benetnasch não parou por aí:
- Vejam crianças... seu pai, é um monstro.
Palácio de Deméter. Sala de Votação.
Shura tinha acabado de colocar o seu voto de apoio no cálice de mármore no centro do salão. No marcador de fogo na parede já contava-se vitória contra o direito de Hyouga continuar a vestir a armadura sagrada da Constelação de Cisne. Só faltava um voto para votação se findar.
E era o voto de Andrômeda.
Shun esperou que Shura saísse do salão. Queria votar com o salão vazio. Ou melhor, somente com os dois cavaleiros de Deméter que guardavam o salão.
E assim foi feito.
Afinal de contas, Shun tampouco queria ficar sozinho na presença de Santiago. O homem de Capricórnio, não dava para encarar Shura com as lembranças de Veneza cravadas no seu cérebro. E também ninguém sabia e nem imaginava o quanto doía nele os disparates que Hyouga cometia, o quanto o atingia profundamente tudo que se originava dessa história nefasta.
Traição, assassinato, crueldade, escravagismo. Como poderia passar incólume a isso tudo se seu nome estava ligado a isso desde o princípio.
Entrou no salão. Lá fora, entre as colunas jônicas do grande aposento, apresentava-se o firmamento alaranjado e salpicado de púrpura do inicio de noite. O ar estava gelado, mesmo sendo primavera. Ou o primeiro verão, pequeno verão, como se dizia antigamente. Shun se encontrava sozinho com o cálice, exceto pela presença de dois jovens. Uma amazona de Deméter, e um cavaleiro também da Deusa. Ambos guardando a votação.
Desnecessário.
Tudo ocorreu sem balburdia, sem vandalismos, resolveram tudo como os verdadeiros Guerreiros de Athena, mas em contraponto também seria indelicado por parte dos habitantes do palácio e de Deméter deixa-los sozinhos no aposento.
Afinal de contas, os guerreiros de Athena eram cavaleiros magoados. Homens feridos e contraditos, punindo um dos seus com tanta dor no peito. Mas quem melhor para julgar do que as pessoas que amam o réu? Saori tinha garantido que a punição de Hyouga seria até ele se redimir, até limpar sua alma do que quer que tivesse se impregnado nela e afastado o censo de justiça e compaixão para com o próximo que ele sempre tivera.
Mas Saori esquecera-se de que o homem muda. De que o mundo coopera positivamente ou negativamente para isso. E disso Shun sabia. Disso Andrômeda entendia.
Nunca imaginara estar ali; dando o voto que negaria o direito de usar a Armadura de Cisne, ao homem que um dia ele pensou ama-lo, mais do que sua própria vida.
Afastou esses pensamentos da cabeça ou cairia em lágrimas. Ajeitou-se e continuou a se dirigir ao centro do salão.
Shun fez uma leve mesura a esses guardiões de Deméter, antes de andar até o cálice. A amazona retribuiu com um olhar terno. Enquanto o rapaz. O rapaz abriu os braços e sorriu para ele. De início Shun não entendeu... Mas forçou a vista. Não teria como confundir aquele homem. Aquele sorriso franco mesmo por baixo do elmo dourado. Não tinha como confundir aqueles lábios.
Largou o papel de voto de qualquer jeito dentro do cálice e assim que o mesmo tocou o fundo do objeto, chamas douradas o engoliram e marcaram mais um voto a favor da exoneração de Hyouga. Dane-se! Dane-se... Dane-se cisne! – Shun pensou. O chão sumia dos seus pés e quando percebeu estava correndo.
A vitória dos justos, marcada no relógio de fogo na parede, foi abafada pelos sons de passos apressados de Shun rompendo o salão e abraçando o cavaleiro de Deméter.
- Prazer, Joseph, Deméter No Saint. (Cavaleiro de Deméter)- o homem disse feliz fechando os braços em torno de Shun.
- Não me interessa isso. Nada mais me interessa agora – Shun falou tentando manter um sorriso, enquanto parecia hipnotizado pelos lábios do moreno – Contanto que você possa tocar pra mim, anjo do violino. Meu anjo do Violino. – completou colando o rosto no metal frio da armadura de Joseph.
Uma porta bateu perto dali. A amazona tinha se retirado. E junto com a saída dela um perfume de rosas subiu no ar.
E Joseph sorriu e fechou os olhos, sentindo na respiração a fragrância deliciosa que a Amazona Lilith de Rose deixou no ar, e junto com ela a trêmula respiração de Shun, indicando que o momento mais esperado por eles, estaria chegando.
E a voz de Joey, na verdade o cosmo de Joey guiava esse momento dentro da mente de Shun.
O momento deles.
O momento aguardado por 48 horas de eterno desespero.
Não
apresse.
Espere.
Não
siga o instinto.
Coopere.
Ouça
o vazio,
sinta
o meu espírito.
Ele
quer comungar com o seu...
Narizes se encostando lentamente agora. Uma carícia vulpina, repleta de desejos.
Permita que Eros nos inveje.
Caricias terna repleta de volúpia. As mãos sem o controle da mente, o corpo sem as limitações da gravidade. Shun se sentia espiralar em um mundo de flores, paraíso, onde o céu azul imperava, longe das angustias. Isso tudo era o cosmo de Joey subindo e ascendendo somente para fazer daquele momento mais especial do que nunca.
O mundo é só nosso.
Só existimos nós
agora.
Observe as estrelas, elas se abrem para nós.
A
natureza canta nossa glória.
Deméter nos abençoa.
Cílios se roçando. Os dentes puxando os lábios. A ponta das línguas se tocando.
O
balé
O
bale dos amantes começou.
Agora
dance comigo...
Meu doce, Andrômeda.
E Joey segurou Shun pelos cabelos.
E o beijou.
E naquele beijo, Andrômeda se perdeu em entrega.
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Olá para todos.
Aqui quem vos fala é a Litha-chan (Litha Youko).
Estou por aqui para – além de postar esse capítulo a pedido do Angell – convida-los a participar do grupo de leituras criado pelo Angell. Que será um local onde poderemos estar interagindo muito mais, e vocês opinando e acompanhando os trabalhos dele, sejam eles os E-BOOKS, Single Novels, ou Fanfics mesmo... Um local livres para se opinar, dar dicas e receber respostas. Tudo com o maior respeito e carinho mútuo. Esperamos que vocês gostem deste grupo.
E em breve o site-portal dele estará em funcionamento, então se vocês se cadastrarem vão estar recebendo diretamente qualquer tipo de informação. Não custa nada. Passem por lá e junte-se ao grupo.
O link é: http : 2(barras)br. groups. yahoo. com (barra) group (barra) angellkinneyonline (underline) grupodeleitura
Beijos a todos por Angell Kinney e por mim.
