Título: Rebirth
Autor: Angell Kinney
Casal principal: Shun & Hyouga ( Saint Seiya); Joseph ( Joey) Fatone – é meu personagem original; Carlo di Angelis pertence a Pipe
Classificação: +18
Gênero: Drama/Romance/Angst/Yaoi/Lemon/ Comedy
Spoilers: A fiction se passa após a SAGA DE HADES. Como não se sabe que fim se deu com os Santos de Athena após o Prólogo do Céu (Tenkai -Hen Movie) esse é o ponto inicial de nossa fanfic.

Nota1:Começo a contar a idade dos cavaleiros a partir de sua data de exibição no Brasil, ou seja, 1994. Na fic Shun tem 19 anos, o que seria então o ano de 2000, pois em 94 Shun tem apenas 13 anos okay?

Nota2: Em determinada parte deste capítulo utilizo a música El Tango de Roxanne do Sting, mas a versão do Filme Moulin Rouge Amor em Vermelho. Aconselho que leia primeiro e depois ouça a música, ou com a música. As descrições da dança atrapalham o timming da leitura.

Grato. Angell.


Parte: 06 de 10


Dedicado com amor a:
Ice Magus,
Kika Honeycutt,
Litha Youko,
Evil Kitsune,
e Marcela Gomes.

Obrigado pelo apoio
Angell.


Rebirth

Capítulo Seis – Desencontros.


-

Não.

Ele estava desmaiando. Seu corpo girava e espiralava de prazer.

Aquilo tudo era um beijo?

Sentiu os lábios de Joey tocando os seus de maneira doce e ao mesmo tempo violenta. Furiosa e pacífica. As mãos do cavaleiro de Deméter lhe tocando a nuca com a ponta dos dedos.

Shun tremeu. Sentiu que não iria se controlar se continuasse daquela forma. O beijo o dominou. Mais que o de Shura, muito mais do que o de Hyouga.

Aquele beijo tocava sua alma fazendo saltar dele o gemido mais lânguido de satisfação.

Como o desejava!

Mas repentinamente o paraíso sumiu de seus pés. O beijo cessou e Shun se viu forçado a abrir os olhos para não ficar parecendo um idiota parado com os olhos fechados e a boca semi-aberta na frente de Joey.

- Então você é um cavaleiro de Athena. – Joey falou com um meio sorriso nos lábios.

Shun assentiu com a cabeça. Ainda permaneciam abraçados e ele sentia a respiração de Joey na sua testa. O moreno afastou os cabelos de Shun dos olhos do rapaz.

- Sim, sou Shun de Andrômeda. Cavaleiro de Bronze.

- Ah, sei quem você é. Sei tudo sobre os cavaleiros de Athena. Só não esperava cair de amores por um deles.

Ambos sorriram.

- Cheguei a pensar que nunca mais fosse te ver, anjo do violino... – Shun falou o abraçando ainda mais. O queixo de Joey tocava a cabeça de Shun. Os braços envolviam o rapaz pelas costas. Erguendo o rosto Shun permitiu que seus olhos passeassem de um lado ao outro do rosto dono dos olhos que o encaravam. E era ele mesmo. Os mesmos cabelos cor de café, desalinhados. Os olhos levemente puxados. E aquela boca. Aquela boca que era um convite aos beijos.

- Estava escrito nas estrelas que eu te veria novamente. Eu sabia disso. – Joey falou rindo.

- Você é bem pretensioso pelo que vejo - Shun sorriu se afastando. - Não é coerente ficar agarrado com um cavaleiro no templo da Deusa Deméter.

- Você não viu nada ainda... – Joey falou separando-se de Shun e tomando suas mãos entre as suas. – Agora venha Andrômeda, vou apresentar a Deméter a pessoa da qual fiquei falando desde que te encontrei em Veneza. – Joey falou puxando Shun pela mão até chegar ao salão principal onde alguns cavaleiros estavam sentados. Uns lendo, outros conversando. Na hora que Joey chegou com Shun, todos sem exceção pousaram os olhos neles. Shun ficou instantaneamente vermelho.

- Lilith, onde está Diana?

A amazona de Rose olhou para o amigo e fez um sinal com os olhos indicando uma escada em caracol que Shun não tinha percebido estar ali até o momento. E logo foi conduzido por Joey pelas escadas.

- Não quero incomodar a Deusa Deméter. – Shun falou tentando fazer com que Joseph o soltasse.

- Acho que não é um incomodo para Diana receber essa notícia. Ela quer saber quem foi a pessoa que virou minha cabeça completamente do avesso, Andrômeda. – Joey falou estacando no segundo lance de escadas. – A não ser que você não queira ficar comigo e só me beijou porque...

- Olha. – Shun falou tapando a boca de Joey com um dedo. – não fale besteiras, nem se precipite, por favor. Eu também fiquei sonhando com você nestas 48 horas que se passaram, mas eu não sei se estou preparado para encarar um aviso oficial de que estou com você.

- E o que te faz não ter essa certeza? Seria um certo Cisne?

Shun ficou mudo. Seu coração descompassou como uma bateria.

- Como você sabe sobre Hyouga? - Shun esboçou um sorriso benevolente, mas na verdade estava em choque.

- Eu sei o que me contaram. Agora eu quero saber de você... Pois se você acha arriscado encarar o que eu sinto por você e a certeza que eu tenho deste sentimento, eu também acho arriscado me envolver com um cavaleiro que tem um histórico completamente conturbado como você Shun.

Shun ficou sério. Soltou a mão de Joseph.

- Você fala como se eu plantasse em volta de mim um roseiral espinhento. Como se eu quisesse sofrer tudo que passei e quisesse estar marcado por isso. Será que é porque você não me conhece e achou que podia levar o japonesinho frustrado para cama com facilidade! Achou que colocando imagens bonitas na minha mente enquanto me beijava e me apresentasse a sua Deusa como seu legítimo amor meu passado se evaporaria! – Shun falou com os olhos verdes virulentos virados a Joey. – Se enganou feio!

- Bem, você acabou de me dar a resposta Shun. – Joey falou cruzando os braços sobre o peitoral forte. Os olhos passeando calmamente por todo o rosto de Andrômeda. O perscrutando – A falta dessa certeza se chama Cisne. Mas não vai ser me afastando que você vai voltar a confiar nos homens. Não vai ser gritando comigo e tentando pensar por mim que você vai ter segurança. – Joey falou calmamente. Sem sorrir.

A cabeça de Shun não concebia ainda que estivesse brigando com ele em menos de vinte minutos juntos. Não acreditava que Joey estava julgando-o.

- Não preciso que você me analise. – Shun falou dando meia volta virando-se de costas para Joey.

- Mas, Shun eu não estou analisando, quero conversar com você, e acho que para isso você tem que abaixar a guarda...

- E para isso você deveria ser um pouco mais delicado! Acha que é só sorrir, me olhar com essa cara de anjinho que vou abrir meu coração pra você? Eu não te conheço Joseph, essa é a verdade.

- Mas eu quero te conhecer, quero passar a vida te conhecendo Shun!

- E você descobriu isso depois do beijo? - Shun debochou. Joey fez uma expressão tão incompreensível e magoada que Shun preferiu não encará-lo. Parecia que Shun tinha rasgado o desenho mais bonito que o Joey criança fizera.

- Shun, eu nunca pensei que eu ouviria isso de você.

- Isso, meu amigo, se chama realidade – Shun falou duramente.

O coração doendo. As lágrimas querendo descer rosto abaixo. Por que Joey, por que você foi tocar no nome de Hyouga?

Porque você, logo você. O anjo do violino?

O anjo dele sabia da historia suja, da humilhação que passara.

Da mágoa e frustração.

Por que tinha que ser assim?

Por que você não poderia ser um humano normal e não um maldito Cavaleiro?

- Shun, vamos conversar... Por favor... Vamos até Deméter e...

– Vá até Deméter e diga o que quiser, mas saiba que eu, até segunda ordem Joseph. Não estou com você. Não como um casal. – Shun cortou o assunto. Dizendo isso se afastou, e a medida que descia as escadas, com as lágrimas escapando sem controle, ele sabia que o olhar magoado de Joseph o acompanharia até que ele desaparecesse de vista no último degrau.


-

- Você FALOU O QUÊ? – Afrodite berrou saindo do banheiro com a toalha ainda nos cabelos quando Shun lhe contou a conversa com Joseph. O cavaleiro de peixes estava a beira de um ataque de nervos.

- O que você ouviu. - Shun falou com os olhos inchados de tanto chorar – Eu não sei o que deu em mim quando ele falou do Hyouga. Eu não queria que ele soubesse de nada antes de termos nos visto em Veneza. E agora ele sabe da minha vida, sabe que sou um fracasso nos relacionamentos, e pior, sabe que eu coloquei a cabeça do Hyouga na forca hoje na votação por ódio. Quero que o Hyouga sinta um terço da dor que eu senti quando o destituírem do cargo de cavaleiro de Cisne. - Shun falou revoltado enfiando o rosto no travesseiro.

- Ah, não minta para mim Andrômeda. Você está tão feliz com a exoneração de Hyouga quanto a Virgem Maria vendo seu filho crucificado. E está tão embebido em seu próprio calvário que não vê que esse tal Joey só quer lhe ajudar. – Afrodite falou se sentando ao lado de Shun e tirando o travesseiro do rosto dele.

- Ah Dido, se fosse tão fácil como você pensa. Só de pensar em contar tudo pra ele eu me sinto vulnerável. E se eu me sentir assim eu perco o controle. E eu me prometi que nunca mais perderia o controle.

- Promessa impossível, você bem sabe. Mas se você não tentar não vai saber nunca. Se eu fosse você, depois da ceia iria falar com o Joey. Falar que estava fora de si por causa deste assunto.

- Nay! Eu não quero me explicar para ele. – Shun falou maneando a cabeça.

- E vai bancar o adolescente agora? Oriente-se Andrômeda! Você acha que um homem como este vai cair de pára-quedas no santuário quando você voltar para Grécia? Ou acha que todos os outros vão simplesmente obliterar que você teve um passado por causa do seu rostinho lindo, olhar meigo e corpinho atraente? – impacientou-se Afrodite.

- Isso mesmo. Vai falar com o homem como eu deveria ter falado com o Aiolia. – Aldebaran falou entrando no quarto. Estava com o rosto desolado.

- O que aconteceu meu Deus? – Afrodite falou passando a mão na testa de Aldebaran que simplesmente se jogou na cama de casal ao lado de Shun e colou a cabeça no peito do rapaz. Sem falar uma palavra caiu em um choro descompassado.

- Ai meu Deus... O que está acontecendo hoje por aqui! – Afrodite falou levantando as mãos para o céu. Alguém esmurrava a porta que Aldebaran acabara de bater quando entrara. Quando Afrodite abriu a porta já sabia quem era.

- Alde... – Aiolia parou na porta do quarto com os olhos também marejados.

- Nay! Saia daqui Aiolia! – Shun falou abraçado ao homenzarrão de dois metros e dez.

- Eu preciso...

- Precisa nada! Imagino o que você falou pro Deba. Que era errado, que não podia isso, que não podia aquilo, que ele era viado e que você não... Que foi uma fase... Essas coisas idiotas que o Carlo costumava me dizer... Coisas de hetero frustrado, ou bicha enrustida. Tu gosta é de pau na bunda tanto quanto eu! Agora sai daqui Leão! – Afrodite explodiu batendo a porta na cara do Leonino.

- Ufa... Graças a Deus! Que droga! – Afrodite falou entrando no banheiro. – Se alguém interromper a minha escova eu mato um! – O pisciano falou pegando o secador e uma escova macia. Começou a alisar os cabelos sedosos, sentado no vaso, de frente para o espelho.

Shun olhou para o pisciano boquiaberto. Afrodite simplesmente falou cada coisa para Aiolia que ele nunca concebera o outro escutar, nem o pisciano dizer. Contentou-se em acariciam a cabeça de Aldebaran e a pensar no que iria fazer para se desculpar com Joseph.


-

- Espero que o que eu ouvi daquele afetado não seja verdade Aiolia! – Marin gritava no meio do corredor para um Aiolia cabisbaixo e choroso. A amazona tinha seguido ele depois que ele passou correndo atrás de Aldebaran pelo salão comunal, onde ela estava conversando com Sheena e as outras amazonas antes do jantar. E óbvio ouvido tudo que Afrodite berrou para ele a plenos pulmões. E o pisciano acertara em cheio. Ele falou aquilo tudo para Aldebaran, mudando uma ou outra palavra. - Você também é gay Aiolia? – A amazona falava tremendo dos pés a cabeça. Aiolia permanecia cabisbaixo. – Você é viado?

- Você não tem o direito de falar assim comigo! – Aiolia falou olhando para a mulher com raiva.

- Tenho sim, e se tenho. Se o afetado do Afrodite tem e não dorme com você, imagine eu que durmo... Ou você andou provando do Afrodite e do Carlo também? – ela escarneceu furiosa.

Aiolia avançou no braço da amazona com fúria e gritou:

- Você não sabe do que está falando sua idiota! Cale a boca. – apertou o braço dela.

- Você está me machucando. Me solta Aiolia. – Ela falou. E ele soltou. Os dois se encararam mudos. Marin furiosa. Aiolia magoado.

- Você me machuca mais com suas palavras do que eu com meu braço.

- Seu irmão está se revirando no túmulo por saber que você é o que é.

- Não fale do meu irmão Marin. Eu errei com você admito. Errei com o Aldebaran. Mas errei feio comigo. Eu só tive o Aldebaran. Só ele. E você. E estou dividido.

- Sabe de uma coisa Aiolia. Dane-se. Dane-se você e aquele feio troglodita do Touro. Bem típico de ele sair batendo o pé no meio do salão depois de brigar com o namoradinho, depois de ficar furiosinho porque estava sem o homem dele. Se bem que eu nem sabia que ele tinha alguém que GOSTASSE DELE. Depois que o Mu trocou ele pelo Shaka! – Marin estava berrando.

As portas dos quartos do corredor começaram a se abrir e as pessoas colocavam os rostos curiosos para fora para ouvir os gritos dela. Sheena apareceu no final do corredor andando apressada. Kamus veio do outro lado correndo apenas de cuecas, com Milo vestindo as calças no seu encalço.

- Pelo amor dos Deuses... Vocês estão no palácio de Deméter! Não envergonhem Athena com esse escândalo! – Kamus falou.

- Escândalo é você vir me desafiar e me dizer o que tenho de fazer, vestido nestes trajes sumários e com o amante ao seu calcanhar. – Marin falou furiosa. – Pederastas. - falou virulentamente para Kamus que ficou com a expressão tão séria como a de um esquife.

Desmoralizado.

Aiolia estava desmoralizado. Suas pernas fraquejavam. Seu rosto perdia a cor. Marin o odiava. Marin a mulher que ele achava que amava até ficar com Aldebaran o odiava mais que o próprio inferno. E não podia culpá-la, nem explicar-se. Não encontrava palavras para isso.

Sentiu as lágrimas quentes e vergonhosas correrem por seu rosto. Desejou estar sozinho e não que alguns cavaleiros de Deméter e seus próprios amigos que correram para o corredor com o escândalo, o vissem dessa forma. Se ao menos pudesse ter o abraço de Aldebaran naquele momento. Talvez se sentisse mais forte. Talvez se sentisse capaz de levantar do chão.

Pouco a pouco o corredor foi ficando vazio. Ninguém foi falar com ele.

Kamus e Milo também saíram. Mas ela ainda estava lá, os cabelos verdes dançando no vento que passava pelo corredor. E se agachando colocou as mãos nos ombros dele. O erguendo. Ophiocus Sheena deixou um pouco seu veneno de lado, para ajudar um amigo.


-

O grande sino começou a tocar anunciando que a hora esperada pelos cavaleiros tinha chegado. Logo ouviu-se as portas dos aposentos usados pelos cavaleiros sendo abertas às pressas e um farfalhar de tecidos e passos nos corredores.

O sino indicava que a Ceia de Deméter tinha começado. Que viessem os jogos, a confraternização e o tão esperado jantar.

O palácio de Deméter tinha cinco andares e um formato de L. Em cada ponta, uma torre com mais três andares. Que era interligada por um corredor que a unia de um lado a outro do castelo. Possuía três pátios internos, mais um externo, e várias plantas em todos os ambientes. Era um conjunto muito agradável.

Pelo que Shun percebeu, os cavaleiros de Deméter residiam, em sua maioria, na própria propriedade e eles serviam Deméter como uma rainha. Eles tinham um turno de guardas como os guardas do Palácio de Buckingham. E que Deméter era mais guardada pelas Amazonas do que pelos Cavaleiros, e que ao contrário de Athena os Cavaleiros e as Amazonas podiam viver juntos e treinar na mesma arena. Não existia nada parecido com as doze casas por ali. O cenário era bucólico e muito bem adornado. Os jardins entravam por dentro da propriedade.

Trepadeiras e Azevinhos subiam despudoradamente pelas paredes do andar térreo e do segundo andar da propriedade. Havia várias salas comunais, onde cavaleiros passavam horas lendo, ou conversando. As arenas de Treino eram sempre lugares limpos e eles nunca arrancavam sangue um do outro nas batalhas de treino.

Não mais que o necessário claro.

Óbvio que tinha um ou outro ralado, ferimentos nada graves, mas olhando de longe, parecia que todos eram como Afrodite em batalha.

Não que fossem afeminados como o cavaleiro da constelação de peixes em seus modos. Mas as lutas pareciam um balé, fazendo apologia a graça e ao movimento ao invés de movimentos brutos. Eles acabavam criando chicotes de flores e espinhos como um demônio da floresta, ou golpes mortais mais violentos do que as ondas de Poseidon. As amazonas pareciam as mais belas ninfas. Ao invés de máscaras, usavam pinturas que deixavam seu rosto como uma máscara de pedra. Os olhos adornados com pedras preciosas, nos cabelos trançados a moda grega, usavam flores e fitas graciosas de seda.

Tinham golpes graciosos, que elas usavam para lutar, mas nem por menos letais do que aparentavam ser em graça. Eles eram ágeis, velozes e com certeza se tivessem guerreiros como elas e os cavaleiros de Deméter na época que enfrentaram Hades, a vitória seria muito menos dolorosa para todos.

O sino badalou mais uma vez antes de Shun chegar no salão onde seria servida a ceia. Estava sozinho.

Tinha se arrumado ao máximo que podia para causar boa impressão, e procurou a roupa menos amassada que tinha na mala. Afinal de contas Afrodite ocupara tanto tempo o banheiro tentando alisar e esticando o cabelo que ele nem conseguiu tomar seu banho de 30 minutos. Acabou vestindo uma camisa de gola alta verde musgo, calças de jeans masculinas com strech que modelavam suas pernas, mas não marcavam suas nádegas nem panturrilha, e um sapato fechado com um pequeno salto.

Masculino.

Europeu.

Os cachos verdes domados para trás com um pouco de gel o deixavam parecido com um jovem aristocrata. Estava belo, mas não tanto quanto desejava.

Quando Shun pisou no grande salão, percebeu que já tinha uma boa quantidade de cavaleiros e amazonas, todos ricamente vestidos, conversando alto e gargalhando. Entre eles estava Joey.

Seu coração espancou tanto seu peito que Shun achou impossível que não ouvissem.

Seus pés estavam quase o impossibilitando de andar em linha reta.

Precisava se apoiar em algo. Nem que fosse um argumento. Ou sairia dali correndo.

Foi quando sentiu uma mão envolver sua cintura e um perfume conhecido demais invadir suas narinas.

- Santiago.

- Niño querido... – Shura falou virando Andrômeda para ele. O encarou com os olhos maduros e sagazes.

- Santiago, meu querido. – Shun falou depositando um beijo de leve na boca de Shura. O outro correspondeu a carícia sem segundas intenções e abraçou o menino. Estava tão bem vestido em um terno de tweed da Armani, o perfume tão perfeito, os cabelos tão ricamente penteados que Shun teve ganas de pular no pescoço de Shura.

Mas conteve-se. Afinal de contas não era como Hyouga que deixava a glande dominar sua maça cinzenta.

Concentrou-se em Joey. O que ele estaria pensando se visse ele e Shura agarrados daquele jeito no salão? Com certeza acharia que ele era um libertino, e para esquecer Hyouga ia para cama com o zodíaco inteiro, começando por Shura.

Não. Ele não podia pensar daquela forma. Não podia pensar por Joey.

- Tudo bem Shun? Você pareceu ficar pálido quando entrou no salão. – Shura falou preocupado colocando a mão na testa do rapaz. Shun estava estranhando o jeito paternal de Shura com ele, geralmente o espanhol seria mais ousado. Seria por causa de Sheena?

Não, não era por causa de Sheena.

Ele se esquecera que com a confusão de Hyouga, outros companheiros seus vieram à França, e ele sabia muito bem que havia um dragão chinês de olhos cerrados bem próximo deles.

Um dragão que já tinha abalado o coração de Shura uma vez, cujo homem de capricórnio dera o braço, a confiança, seu coração e sua potencial Excalibur.

- Eu estou bem Shura. Não se incomode. Estou tonto de fome. Só isso. - Shun mentiu com benevolência. – Agora vá ter com Shiryu, vocês precisam se acertar, e eu sei disso. Acho até uma boa idéia- Shun sorriu – E eu vou me sentar com os outros.

Andrômeda falou e saiu rumo à mesa que estava Seyia e seu irmão. Sem olhar para trás o rapaz sabia que Capricórnio sorria.

Shun não dera nem dois passos em direção a mesa quando um menino de aproximadamente 10 anos veio falar com ele. Se não estivesse com os dois pés fixos no chão seu mundo viraria a 180 graus, aquele menino, ele era a cara de Joey.

- Olá cavaleiro de Athena. Não dê mais um passo! – A voz infantil falou energicamente e Shun não conseguiu segurar um sorriso.

Aquele menininho tinha uma aura mágica. E ele tinha uma cosmo energia medonha também, se desenvolvesse seria mais forte do que a dele e chegaria até a alcançar a da própria Athena.

- Por que não posso dar nem mais um passo? – Shun falou imitando voz de criança e o menininho sorriu antes de responder.

- Porque vai se desviar de seu caminho, nobre cavaleiro. – a criança respondeu séria.

Era realmente uma graça aquele menino. Tinha os mesmos olhos apertados de Joey. Os cabelos cor de café e anelados, a pele clara e tenra. Os membros das pernas e braços eram firmes como os das crianças costumam ser quando bem cuidados. E pelas roupas do garoto dava para ver que ele era mais do que bem cuidado.

Era tratado como um príncipe. O cabelo penteado com esmero, e as roupas impecáveis. Seu sapato era tão lustroso e bem modelado que parecia ter sido escolhido sobre medida e lustrado até a exaustão. Apesar de tanta pompa, Shun o viu pela manhã quando foi na cozinha buscar água para Aldebaran tomar um calmante, na arena, treinando em malha de cavaleiro.

- E qual seria o meu caminho? – Shun perguntou se forçando a não ficar fitando a criança como um abestalhado. – E por que eu seguiria um menininho que eu não sei o nome?

O garoto nem pestanejou ao responder:

- Prazer, meu nome é Daniel, reencarnação do Deus Dionísio, irmão da Deusa Deméter e sua Deusa, Athena. – ele falou sorrindo. - E o seu lugar, nobre Cavaleiro Shun de Andrômeda, é ao lado de meu Pai. Joey Fatone, Cavaleiro de Cornífero, da casta de Deméter.

O queixo de Shun caiu. E junto com ele seu joelho, que tocou ao chão para reverenciar o pequeno Deus, filho de Joey.

Joey, seu anjo do violino, era pai de um Deus.


-

Shun quase enfartou em um caminho com menos de meio metro até sentar-se ao lado de Joey na mesa. E após isso, o pequeno Deus que o acompanhara até a mesa simplesmente fez uma mesura e desapareceu no ar como um anjo, indo aparecer em uma velocidade acima da velocidade da luz na mesa que era reservada as Deusas e seus Chanceleres.

Esta mesa ficava situada do outro lado do amplo salão, em um tablado um pouco suspenso do solo, atrás de um grande espaço aberto a sua frente e a frente das mesas onde os cavaleiros sentariam para comer. Como se fosse uma arena do Coliseu Romano.

E neste lugar Shun percebeu que haveria apresentações após o jantar.

Shun ainda não tinha coragem de encarar Joseph, não conseguia subir os olhos para o homem ao seu lado, mesmo sabendo que os olhos do outro não saiam de cima dele desde o momento que sentara. Ficaram uns dez minutos ou mais em silêncio. Poderia ter sido menos, mas parecia uma eternidade ao perceber que todos nas mesas ao lado riam e conversavam animadamente.

Joey deu um soco na mesa. Assim que o serviçal se aproximou e encheu pela terceira vez a taça de ambos de vinho tinto e recolocou água na taça apropriada.

Era a terceira dose que bebiam sem dirigir uma sílaba um para o outro.

- Serei eu a falar então. – Joey falou baixo chegando mais perto de Shun. As bochechas coradas por causa do vinho e do fogo da fogueira que crepitava perto deles.

Quando ele se aproximou Shun sentiu o cheiro do homem. Algo cítrico, como limão, mas afrodisíaco como morango. Uma essência nova, algo inventado e atordoante ao seu olfato. Queimava e fazia-o desejar cheirar mais. Como um entorpecente. Shun tonteou e afastou-se dois centímetros ou mais do homem, tentando ser delicado, mas Joey percebeu e falou:

- Quer que eu me cale, ou me afaste?

- Não, nem um nem outro... É algo no seu perfume... Me inebria. – Shun falou sem pensar.

- Bergamota e Alecrim. – Joseph falou. – Se te enjoa eu posso ir ao toillet tirar um pouco. – propôs.

- Não. Eu acostumo. Só quero um pouco de água. - Falou se servindo do copo de Joseph a sua frente. Sorveu uma boa quantidade. E retomou a falar:

- Tens um belo filho. É a sua cara. – Comentou - Não sabia que era casado. – retrucou.

- E não sou. – Joey sorriu – Mas fico feliz em saber que tem ciúmes. – Joey falou rindo para logo ficar sério e completar – Mesmo que não queira nada comigo Shun.

- Eu não disse isso, eu estava irritado por você ter entrado naquele assunto.

- Do pato? – Joey sorriu antes de sorver a água do mesmo copo que o de Shun. A mão esquerda, vazia, tomou a de Shun entre seus dedos. Acariciou-a vulpinamente.

- É, do Pato. – Shun concordou olhando nos olhos de Joey. Os lábios próximos demais dos dele, a respiração pesada, os cabelos molhados e negros caindo em um charmoso desalinho pela face máscula, os lábios dele, carnudos e suculentos, ainda mais molhados pela água que bebera. Shun se afastou. Desta vez bruscamente.

- Não se afaste. Por favor. Não depois do beijo de hoje, não depois de nossa pequena discussão Andrômeda. Será que não compreende o quanto é doloroso para mim, que você me rejeite depois de sonhar com você desde que te vi na estação. Depois de te reencontrar aqui? Não me faça sentir essa sensação de perda sem ao menos ter a chance de te conquistar. – Ele falou com os olhos molhados de emoção. Parecia orquestrado, combinado. Mas Shun sabia que o que ele falava era verdadeiro. Aqueles olhos não mentiriam nunca. Ainda mais se ele foi escolhido para dar vida a um Deus, era porque era um homem honesto.

Um homem bom.

Andrômeda se sentiu vulnerável, e tampouco quis se afastar mais.

Encarou-o. Os olhos de Shun vacilavam em olhar Joseph nos olhos. Parecia que o salão inteiro tinha desaparecido a volta deles. Só ele e Joey existiam naquele momento.

- Não me afastarei mais, Você é um doce Joseph... Mas não quero que você se aproxime a ponto de me seduzir novamente, sem que eu tenha a chance de te conhecer melhor e vice e versa. Ainda temos que conversar muito, antes de um novo beijo.

Joey assentiu com a cabeça. Sorriu genuinamente. Aquela fileira de dentes maravilhosos, cor de marfim se apresentaram para Shun brilhando, perfeitos, em meio a aquele sorriso. O garoto quase perdeu a razão. Como ele sorria assim, puramente. Inocente e ao mesmo tempo sedutor?

- Posso ao menos segurar sua mão? – o moreno perguntou.

- Pode. – Shun concordou maneando a cabeça positivamente. Os cachos verdes de seus cabelos tombando levemente para frente, cobrindo seus olhos, em um movimento sedutor impensado por Andrômeda.

- Você é lindo Shun. – Joey falou acariciando com as costas da mão a face de Shun. Andrômeda virou a mão do homem para que a palma tocasse sua face e roçou-a carinhosamente apreciando a carícia mudamente. Seus olhos verdes brilhavam empolgados e serenos. Joey sorriu timidamente. E desviou o olhar para baixo, rumo à taça de cristal translúcido. Shun sabia que aquela simples carícia tinha gerado um contato íntimo muito grande. Demonstrava confiança.

Resolveu retomar a conversa antes que as palavras não se fizessem mais necessárias.

- Agora me conte Joseph, como gerou Dionísio? Óbvio, me poupe dos detalhes da fecundação. – Shun sorriu.

- Claro.

E a mão de Joey cobriu a de Shun. Shun sorriu sem pretensões.

Se tudo corresse bem, ele poderia ficar com Joey. Ele poderia estar a sós com o seu anjo do violino aquela noite.

Joey contou que Dionísio foi gerado em uma festa da Deusa Deméter, no qual é feito um ritual de fecundação que representa quando o Deus galhudo, ou Cornífero, sobe a terra no Outono e fecunda-a para o Verão.

No ano em questão ele foi escolhido pelos Sacerdotes de Deméter, ainda um rapazote de quinze anos, para representar o Deus em sua plenitude, e foi para a Alcova da Deusa, junto com uma sacerdotisa. Ele disse que nunca soube qual amazona ele engravidou, pois ela usava uma máscara e ele também.

E quando a mulher ficou grávida foi levada para o retiro das amazonas.

Nove meses depois foi entregue no palácio o pequeno Daniel. E quando os cavaleiros viram o pequeno Deus, logo souberam que era o filho dele. E Daniel também sabia. Ele sabia quem eram seus pais.

- E através dele, descobri que a moça com quem me deitei era Lilith de Rose, uma grande amiga minha... – ele contou.

- Sei quem ela é. - Shun falou sorrindo – Você nunca mais ficou com ela?

- Não. Não aprecio mulheres. Gosto de rapazes assim como você Shun.

- Já apreciou muitos rapazes?

- Prefiro não dizer. – Joey respondeu rindo. – Não me olhe assim...

- A resposta é sim, não é? – Andrômeda frisou curioso. Joey sorriu envergonhado. Shun reparou que ele tinha covinhas no rosto. E talvez não fosse tão jovem quanto aparentava ser, pelo brilho do olhar.

- O suficiente para saber que todos são diferentes e poucos valem a pena se investir... – Joey falou. – Mas e você?

- Eu... Hummm – Shun pensou – Só tive um homem. Sou sempre de um homem só. - Andrômeda falou e desviou o olhar – Só que esse homem não soube me valorizar. Esse homem é um tolo.

- Hei, Shun... Não precisa se envergonhar disso. Às vezes não é para acontecer, e a gente se machuca mesmo. Mas acho que não era intenção dele te ferir. Ele foi inconseqüente. Egoísta...

- Bem, acho que você conhece bastante da história Joey. Não me peça para repeti-la, nem para perdoá-lo. Eu simplesmente não consigo perdoar o Hyouga.

- Eu nunca peço perdão pelos outros Shun. Mas gostaria de poder pedir em nome deste cara que te fez sofrer. Só para não te ver assim.

Shun teve vontade de agarrar Joey ali mesmo. O homem o encarava com um carinho, com uma angústia. E de repente o coração de Shun começou a doer. Foi uma constatação dolorosa demais. Algo lhe dizia que agora ele não conseguiria se separar daquele homem.

O jeito enigmático, a fala dedicada e atenciosa. A morosidade que ele possuía o fazia ser único. E ele tinha uma ternura com Shun, que não tinha nada de luxurioso como Shura, nem a urgência em possuí-lo como Hyouga, embora soubesse que Joseph o desejava. Talvez mais que os outros dois.

Shun poderia dizer que ele era preocupado. Um cavalheiro. Se já não conseguiria parar de pensar nele, agora estava perdido.

Andrômeda se sentiu um idiota por ter falado o que falou na escada. Dite estava certo mais uma vez. Joseph só queria ajudar.

O sino tocou mais uma vez. Indicava que Deméter iria entrar junto com Athena, e seu convidado Julian Solo. Ou Poseidon encarnado.

Não demorou muito os Deuses adentraram o Salão e todos se ergueram para reverenciá-los. E logo o banquete começou.

Foram servidos de todo tipo de carne possível. Bebidas e sucos dos mais variados. Shun não conseguia parar de comer, e tampouco evitar sorrir de boca cheia mesmo das piadas de Joey.

Logo o jantar se findou. Todos pareciam ter esquecido da tensão do julgamento de Hyouga pela manhã.

Marin permanecia distante de todos, conversando apenas com as Amazonas de Deméter.

Sheena estava preocupada em animar Aiolia, e para isso contava com a ajuda de Mu e Milo.

Dite e Aldebaran simplesmente não tinham aparecido. Ou era o que Shun achava até que na Arena a frente da mesa dos Deuses uma rosa vermelha brotou do chão, como por encanto.

Todos se fizeram de pé para rodear a Arena. Deméter não conseguia esconder a excitação. Ela parecia um pouco alta pelo vinho tinto e dava gritinhos de alegria como se estivesse na platéia do Moulin Rouge em Montmatre.

E do meio de um espaço na multidão surgiram eles. Uma dama, com um vestido de tango maravilhoso e sexy que revelava bem suas pernas lisas e torneadas. Um salto alto de matar.

O olhar sexy demais. A boca perfeitamente delineada de vermelho. A rosa de tom igual na boca.

A pinta. A pinta no rosto, abaixo do olho. E um cabelo liso, escorrido, solto e comprido que batia abaixo das nádegas em um tom azulado, perfeito. Mais liso que o de Shiryu.

Afrodite.

Ao lado dela, ou dele. Um homenzarrão loiro. Com a pele morena jambo e olhos verdes. Vestido como um toureiro. A calça apertada revelando os músculos fortes da perna. A blusa de brocado, com os broches de toureiro. O sapato com salto alto e masculino. Era uma roupa clássica, ricamente bordada e repleta de significado. Estava tão perfeita a indumentária que o próprio Shura ergueu-se para aplaudir.

Aldebaran.

O inusitado casal fez uma reverência a Deméter e logo uma orquestra regida por Tétis apareceu em uma galeria atrás da Mesa. Como escondida pelas cortinas.

Coisas de Julian.

E a música dos violinos subiu tanto que Joseph virou a cabeça como se tocasse, encostando o ouvido no ombro e começou a gesticular como se tocasse a melodia que começou a encher o salão.

Shun estava excitado e estupefato.

E logo o terceiro item da história apareceu. Carlo, adotando uma postura que nunca ninguém imaginou. De toureiro também. Maravilhosamente vestido de brocado escarlate. E olhando para o público começou a falar:

"Nunca se apaixone por uma mulher que se vende.

Existe uma dança, nos bordeis de Buenos Aires... ".

Toque

Violinos

"Que... Conta a historia de uma prostituta...".

Afrodite entra vulgar rindo subindo as saias, revelando a cinta liga. Depois joga os cabelos para frente e os ombros para trás como a mais vulgar das meretrizes.

"E de um homem – aponta para ele mesmo - Que se apaixona por ela".

A música sobe mais uma vez. Imponente, assustadora, triste e alarmante.

Afrodite passa a mão onde estariam os seios. E gira sobre os calcanhares. Ficando de costas para platéia, para Carlo e para Aldebaran. Nada de vulgaridade. Completamente sexy agora. Estão na posição do início do tango. Com as pernas afastadas. O peso do corpo nas espaldas.

O violino sobe em uma nota mais alta agora. Afrodite e Carlo se separam. Um de cada lado da Arena.

Afrodite solta o coque, tirando a rosa dos cabelos, e as melenas cascateiam até tomar as espaldas retas em um comprimento fabuloso e hipnotizador.

O tango começa. O som do violino corta o ar. Ambos, Carlo e Afrodite colocam o pé a frente, batendo com os saltos do sapato com força no chão, ecoando surda e sonoramente.

Carlo grita:

"Primeiro existe o desejo".

Agarra Afrodite com luxúria.

Rodam, se beijam.

"Depois a paixão".

Ele grita, e o violino embala.

Afrodite finge estapeá-lo.

Completamente teatral, mas convincente demais.

Aldebaran que estava sentado em uma cadeira próxima se ergue como que preocupado. Olhos fixos em Afrodite.

Carlo abraça Afrodite possessivamente.

Dido coloca as pernas entre as de Carlo. E enquanto o italiano beija seu pescoço sensualmente. Dido desfere um olhar promíscuo e despudorado aos homens presentes no salão. Como se os chamasse para copular com eles.

Era obvia a excitação dos presentes.

Então Carlo olha para o lado e vê que Afrodite está se oferecendo pelas suas costas.

E grita:

"E então a suspeita!".

O som do violino se agrava. Suspense.

Carlo encara Afrodite que o olha pretendendo inocência. Se afasta. Embalados nos passos de tango ainda. Aldebaran se levanta enquanto Carlo segura com força a mão aberta de Afrodite no ar.

Roda com ele como se brigasse. Os dois rodando em um círculo perfeito no centro do salão.

Enquanto Afrodite, encarnando a prostituta maneia a cabeça sofrivelmente demonstrando que quer se libertar. E Carlo mais uma vez grita para platéia:

"Ciúmes! Raiva! Traição!". – Aldebaran se aproxima.

Dido e Carlo rodopiam. Afrodite tentando se afastar. O salto alto fazendo o movimento ficar mais leve, gracioso e desesperado. Carlo o afasta. Ele puxa Carlo desesperadamente.

Carlo grita:

"No amor, pela melhor oferta, não há confiança".

Afrodite se segura a Carlo agora. Desesperado. Os cabelos tomando sua face em belo desalinho. O rosto magoado, mas não há arrependimento.

"Sem confiança não existe amor!".

Afrodite se ajoelha aos pés de Carlo segurando sua mão. Pedindo uma chance, uma nova chance.

"O ciúme. Sim, o ciúme".

Carlo finge torcer o braço de Afrodite que faz uma expressão teatral de dor e o joga para longe. Afrodite cai no chão com os cabelos em desalinho a sua frente. As costas curvadas como se prostrasse aos pés de um Deus.

A platéia está tensa. Deméter quase derruba o copo de vinho no chão. Athena mal pisca.

A música sobe uma nota mais alta.

"Sim, o ciúme!". – Carlo grita.

"Will drive you mad!".

E Afrodite olhou para ele. Sem pena. Simula caminhar sexy se vendendo pela a

Arena, ignorando o acontecido.

Os passos de Tango dele com Aldebaran começam, e Carlo soltou a voz enquanto Afrodite anda sozinho e sexy até o meio da arena, fazendo caras e bocas de uma prostituta de luxo se oferecendo para Aldebaran.

O taurino segura Afrodite com volúpia pela cintura por trás. Lascivo. Safado. Conduz Afrodite no Tango.

Carlo que se mantinha em uma posição de homem sofrido. Com as mãos no rosto e o rosto retorcido grita aturdido:

Roxanne

"You don't have to put on that red light... ".

Afrodite rodopia, as mãos passeando no corpo de Aldebaran sem pudor enquanto é conduzido no tango. Roda de um lado para o outro nos braços do taurino.

"Walk the streets for money
You don't care if it's wrong or if it is right... ".

Outros cavaleiros de Deméter entram na arena e se agarram a Afrodite. O pisciano lascivo e no compasso da música se agarra a cada um deles. Roda, rodopia, cola as pernas na cintura dos desconhecidos enquanto Carlo canta sofrido:

"Roxanne
You don't have to wear that dress tonight... ".

Afrodite fica comprimido entre o peitoral de Aldebaran e as coxas de outro homem desconhecido que o segura pela cintura, segura onde supostamente seriam os seios da mulher, até rodá-lo para frente e colar sua boca no pescoço alvo do pisciano que ri vulgarmente.

"Roxanne
You don't have to sell your body to the night... ".

Afrodite é agarrado por trás por Aldebaran. Este passa a mão nas nádegas do afeminado e o levanta pelas espaldas e pelas nádegas rumo ao teto. A cabeça de Afrodite lançada para trás, perdida, entregue ao ritmo da melodia.

Aldebaran deixa Dido de frente para Carlo no chão e eles simplesmente se beijam. Carlo continua:

"His eyes upon your face... ".

Afrodite se abraça a Carlo

"His hand upon your hand

His lips caress your skin... ".

Carlo se afasta:

It's more than I can stand... ".

Afrodite se afasta. O espartilho marcando a cintura. Ele transpirava sensualidade e luxúria. Até que ele encontrou com Aldebaran e o taurino se grudou no pisciano como um amante luxurioso. Amazonas de Deméter vestidas de prostitutas entram na Arena lideradas por Sheena e começam a dançar com os cavaleiros bailarinos. Carlo se lamuriava cantando:

"Why does my heart cry?
Roxanne
Feelings I can't fight... ".

Afrodite pulou e enganchou suas pernas na cintura do taurino, como se estivesse sendo penetrado de pé encostado em uma parede. E Carlo continuou sua lamúria:

"Roxanne
Your'e free to leave me
But just don't deceive me
And please believe me
When I say, I love you... ".

Afrodite se afasta de Aldebaran que o beija.

Carlo continua chorando, enquanto Sheena maravilhosa em uma roupa de cigana e abraça-o por trás.

"En el alma se me fue
Se me fue el corazón
Ya no puedo mas vivir
Porque no te puedo convencer
Que no te vendas Roxanne... ".

Agora Afrodite dança com Carlo e Sheena com Aldebaran. Eles rodopiam. Giram, ao som do violino. Logo toda a orquestra e o bailarinos cantam juntos:

"Roxanne
Why does my heart cry?
Roxanne
Feelings I can't fight... ".

Carlo se aproxima de Afrodite e finge o dar uma punhalada. O rapaz cai no chão. Os bailarinos se afastam e Carlo encerra:

"I die!
Roxanne!".

A música finda.

Shun estava incrédulo. Deméter pulava de animação e Athena de emoção. Os cavaleiros e amazonas ficaram boquiabertos. Sorridente Afrodite beijou Carlo. E foi ovacionado.

E foi nesse momento que o inesperado aconteceu. Aiolia se despiu de medos e correu de braços abertos para Aldebaran.

E Alde, o seu Alde, o beijou.

Todos aplaudiram.

Mas foi quando Shun parou de aplaudir que percebeu que Joey segurou sua mão. E sem que o moreno precisasse abrir a boca para convidar, Shun aceitou sair dali com ele para um local mais reservado.


-

Saíram dali carregando duas garrafas de vinho tinto e se jogaram no jardim. Ficaram olhando as estrelas e Shun contou sua vida para Joey.

Contou de sua relação com Hyouga. De como confiava no loiro. De como se subjugava aos desejos do Cisne, e de como sua primeira vez foi tão brutal que se assemelhou a um estupro. Que desde então percebeu que sente prazer com a dor.

Joey acariciou seus cabelos. Falou que embora não aparentasse, ele tinha vinte e oito anos. Aos quais dezoito dedicou ao seu ofício de cavaleiro.

Conversaram por horas, até que retornaram a caminhar desta vez por dentro da propriedade. Vários casais estavam empoleirados pelos corredores, inclusive Shiryu e Shura. Sheena estava sentada conversando com Issak de Kraken.

Todos felizes. A noite estava quente. Mas deliciosa para ficar acordado.

Shun demorou em perceber que Joey o levava para seus próprios aposentos. Estes ficavam no quinto andar, perto da torre de Deméter.

Praticamente foram se agarrando até lá. As mãos de Joey exploravam todo o corpo de Shun. E Shun tocava hora os cabelos, hora o rosto másculo, ou somente passava o dedo pela pele morena do braço musculoso, e deixava que as mãos pequeninas e brancas mexessem no mamilo proeminente de Joey por cima da blusa. E nessa hora o moreno revirava os olhos.

Pararam bem em frente ao quarto de Joey.

O local era muito lindo. A luz da lua cheia iluminava o assoalho branco, e as paredes de pedra iluminadas por archotes deixava tudo ainda mais belo. A esquerda de Shun ele podia contemplar se olhasse por cima da balaustrada a Torre Eiffel ao longe. E do outro lado da cidade o Arco do Triunfo iluminado pelo céu de Paris.

O Louvre de Louis XIV e sua pirâmide invertida jogavam fachos de luz coloridos em direção ao céu. Tão lindo. Tudo tão soberbo. Shun sentiu-se tremer quando percebeu que Joey o beijaria ali, naquele local lindo com aquela vista hediondamente bela.

E o moreno beijou.

Beijou com intensidade de um homem e com carinho do primeiro beijo de um adolescente. Acabou pegando Shun pela cintura, com jeito, com força ao final. Nada afoito, mas deliciosamente comedido para arrepiar e excitar a ambos. Shun sentia o cheiro da Bergamota e do Alecrim.

O rapaz de cabelos esverdeados limitou-se a segurar-se em Joey como pôde para não ser devastado pela falta de sustentos de suas pernas. E quando o moreno o abraçou ele sentiu contra seu ventre toda a masculinidade do homem pulsando. Desejando-o. E então segurou a nuca de Joey com mais afinco.

- Leve-me logo para seu quarto. - Shun pediu levando as mãos ao sexo de Joey. O homem soltou um suspiro audível.

- Não seja afoito. Hoje acho que não poderei ir até o final, não hoje... Estou levemente bêbado. Mas quero que você durma comigo.

- Não vou conseguir dormir Joey. Preciso de você. - E te manterei acordado.

- Você me terá. Todo pra você. Por todas as noites da minha vida, se você quiser. - Joey falou abrindo a porta do quarto.

- Você não pode falar isso bêbado... – Shun comentou abraçando o homem e depois se afastando para que Joseph fechasse a porta.

- Os bêbados falam a verdade Shun. E eu estou falando a verdade. – Joey falou tirando a blusa que vestia, liberando aquele peitoral definido e com poucos pelos castanhos e finos. Shun sem perceber mordeu os lábios.

Joey o beijou novamente, enquanto sentia as mãos de Shun pararem em seus mamilos carnudos e róseos. Shun não se conteve e baixou a cabeça até os mamilos intumescidos de desejo e colocou-os na boca. Joey gemeu. Ergueu Shun e arrancou praticamente a blusa do rapaz, para em seguida jogá-lo sobre a cama de casal tamanho King Size.

- Oh Deusa... – Shun suspirou alto quando sentiu a boca de Joey em seu pescoço e o peso do homem sobre si. Aquele ali era um homem completo. Pai de um filho, o corpo enorme, as mãos grossas, o cheiro almiscarado e salgado. O hálito doce de vinho tinto. E ainda aquele sotaque francês o enlouquecendo.

Era um homem.

Era a primeira vez que ia para a cama com um homem daquele porte, com um corpo daqueles, e com um jeito de o tocar que o deixava com a cueca e a glande melada como nos mais tenros tempos da adolescência.

Shun não se conteve.

Tinha que vê-lo. Prová-lo. Colocar na boca e sentir os pêlos da púbis roçando em seu nariz.

Joey tinha que deixar vê-lo. Permitir fazê-lo. E como se o homem soubesse o que o rapaz queria, Joey tirou a calça e a cueca, liberando aquele sexo grosso, roliço como uma maçaneta, e com a glande arroxeada, cor quase de cereja.

Shun encheu a mão com o sexo maduro e pulsante. Quente.Muito quente.

Andrômeda arrancou as próprias calças em urgência queria sentir sua pele sobre a do homem, sentir os desejos um contra o outro pra depois decidir ao certo, sem saber, onde enfiaria aquela grande delícia intumescida a primeira instância.

Se provaria com a boca ou com seu orifício que já pulsava e se contraía de desejo.

Joey ficou de pé na cama.

Shun de joelhos com o pênis do outro batendo em seu rosto. Roçando suas bochechas rosadas e seus lábios, deixando uma secreção de excitação no caminho onde a glande passava.

Shun colocou a língua para fora. Era tortura isso.

Quando o pênis roçou outra vez na sua boca ele engoliu a cabeça. Joey gemeu.

Ohhh... Ohhh pequeno! E excitado, Shun levou a mão ao meio das próprias pernas e começou a se masturbar freneticamente tocando o sexo com uma mão enquanto introduzia o dedo anelar no próprio ânus de maneira desesperada. Joey guiava a cabeça de Shun no vai e vem necessário para que ele engolisse ao menos metade de seu pau e voltasse a engolir a cabeça.

Shun sentia aquele membro abrir espaço dentro dele e gemia entre as bocadas que dava no membro. Como se Joey já o estivesse possuindo. Não conseguia conter os gemidos. Chupava com gosto como se fosse uma fruta, como se fosse uma daquelas balas com recheio delicioso. Passava a língua de leve na glande e mordiscava. Aos poucos, o gosto agridoce da secreção foi se intensificando e Joey afastou o pênis do rosto de Shun, o frustrando quando achava que sentiria sua boca preenchida do líquido que tanto queria.

- Dessa forma eu vou gozar! – o homem avisou. – Vire-se de bruços – falou com a delicadeza permitida para um momento desses. Estava no ápice de sua excitação.

Shun se virou. Joey parecia tatear com a mão direita algo em cima do móvel. Acendeu um pequeno abajur que projetou uma luz alaranjada no ambiente.

Profano. Sedutor. Quente.

Joseph, pegando sua carteira na cômoda, achou um preservativo e um sache de lubrificante intimo. Shun ao perceber isso sorriu lascivo, jogou os cabelos para trás. Seu ventre se contorcia de desejo. Aquele homem era perfeito. Os cabelos, o rosto másculo, aquele peito sólido com pelos finos e perfeitos. Quase urrou de desejo ao saber que seria penetrado, montado e perfurado por um exemplar de masculinidade daqueles.

- Você não está tão bêbado assim... – Andrômeda falou - Que sorte a minha... – falou se ajoelhando e segurando mais uma vez o pau duro entre as mãos macias. Estava fervendo.

- Instinto é instinto... E você me desperta o mais primitivo e imoral deles. – Joey falou sorrindo com luxúria, e dando a camisinha na mão de Shun. - Coloca em mim que eu te preparo. Se acha que pode...

- Sim eu posso. – Shun falou olhando para os dedos que enfiara em si mesmo enquanto se masturbava e viu–os limpos.

Joey não perdeu tempo.

O álcool que agira rápido no seu cérebro evaporou ou estava a seu favor.

Colocou a tora intumescida na frente do rosto de Shun, e Shun colocou a camisinha naquele espetáculo de ereção que apontava para o teto enquanto ele tentava prendê-la entre os lábios.

Firmou- a assim. E Enquanto desenrolava a camisinha Joey metia na sua boca.

Querendo chupar e ao mesmo tempo ajeitar o preservativo, Shun demorou. Tirou umas duas ou três vezes a boca e apertou com força o escroto do homem, que tinha bolas grandes, perfeitamente redondas e separadas. Pesavam belamente entre os pêlos pubianos fartos e cheirosos.

Ao final, com os lábios, Andrômeda pôs a camisinha no pênis.

Joey estava pronto. Que viesse a perdição. Aquela doce subjugação onde Shun gritaria o mais blasfemos dos consentimentos para ser empalado por aquela deliciosa tora.

No entanto, Shun resolveu enlouquecê-lo mais. Levantou-se da cama com o creme lubrificante nas mãos.

- Aonde você vai?- Joey choramingou. Estava louco. Insano. Segurou Shun pelos quadris, roçando a ereção em suas nádegas. Shun segurou o ímpeto de sentar e engolir aquele mastro em seu buraco.

- Fique onde está e observe. - Shun esforçou-se para se afastar. Joey respirou fundo e se deitou na cama de barriga para cima. As pernas abertas e a ereção apontando para o teto. Enorme. Pulsante, medonha.

Shun se encostou á parede e começou a se exibir lentamente abrindo as nádegas, rebolando, exibindo seu ânus para o moreno enquanto o alargava enfiando os dedos lubrificados em um movimento delicioso de vai-e-vem.

Se tivesse como descrever Joey naquele momento. Ele tinha urrado. Gemeu como umlouco só de imaginar seu pênis dentro daquele buraco rosado.

Não resistiu muito. Ou se perdia em gozo ali mesmo, só com a camisinha.

Como um touro raivoso e no cio, Joey foi na direção de Shun que ainda estava de costas e o segurou pela cintura, enfiando com tudo seu pau no orifício lubrificado do garoto.

Shun gemeu de dor a principio, mas adorou aquele homem peludo e forte o erguendo pela cintura atochando com tudo dentro dele. Estocando com força. O colando a parede como uma fêmea.

- Está gostando, meu garoto? – Joey perguntou de forma safada. Enquanto sentia Shun jogar as nádegas fartas para trás, deixando somente as suas bolas pesadas e peludas para fora. Atolando tudo dentro de si. Aquilo sim era a resposta. Shun não saberia nem seu nome de tanto prazer naquele momento.

Oh, e como Shun estava gostando.

Quase dois anos sem sexo de verdade.

Se bem que só agora conhecia sexo de verdade, e olha que Joey estava alto.

Shun quase morreu de prazer quando foi colocado de pernas pro ar, com as pernas nos ombros de Joey e o mesmo o penetrou sem dó.

Gemeu. Chorou de prazer. Gemia tanto que não tinha mais controle. Rebolou sob o peso do homem. Lambeu seus mamilos. Até que tudo mudou Shun começou a sentir algo mais forte no seu baixo ventre. Uma quentura.

Uma loucura súbita o dominou. A glande de Joey estava comprimindo algo em sua próstata de tal forma e a massagem era tão nauseante e deliciosa que Shun gritou de prazer:

- Isso, vai... aí... Aí isso, Ai... Ai, isso Joey... Aí... Meu Deus, o que é isso! Continua, enfia tudo. Com força. Vai!

- Isso... Toma, toma meu garoto, toma! – o homem gritava e gritava.

E o escroto de Joey batia nas nádegas de Shun com força fazendo um barulho erótico e delicioso.

Shun sentia seu canal arder, se alargar. Sentia a carne dura, roliça como uma maçaneta, cavar dentro dele em uma montaria deliciosa e interminável. Ao fim de tudo estavam falando coisas tão sujas e excitantes que era impossível pará-los.

Era cio, desejo. Tesão.

- Está sentindo ele? Está? Está gostando? – Joey perguntava.

E Shun gemia balançando a cabeça de um lado para o outro, perdido em uma dor tão deliciosa que o fazia gritar. Que se dane quem ouvisse. Era melhor que o éden.

– Quer mais neném? Vem sentar vem! - Joey que o penetrava de lado falou ao seu ouvido. E ainda aproveitou para brincar com a língua no lóbulo de sua orelha. Shun estava quase desfalecendo.

Aquilo não era ser penetrado correndo como era com Hyouga.

Não era brincar de sexo. Aquilo sim era SEXO. Como ele nunca imaginara que seria.

- Senta meu garoto... Senta aqui. – Joey falou segurando a ereção estupenda, com veias grossas como o membro inteiro, apontando para o teto. A luz alaranjada do abajur iluminava a expressão completamente lasciva e máscula de seu homem, e Shun, Shun não pestanejou, nem respondeu.

Deitou Joseph na cama, E exibindo bem as nádegas fartas, sentou-se de costas engolindo o membro grosso até o escroto, eu um único galope.

Joey enlouqueceu, e estocou com força e ritmo segurando pelo quadril como um macho segura uma fêmea.

Shun se sentia nas nuvens como há muito tempo não sentia. Até que Joey o virou. Parecia não querer gozar logo. Mas estava com pressa. Colocou-o de barriga para cima novamente e enfiou tudo.

O sexo entrava com brutalidade.

Joey segurava Shun pelo pescoço, pelos braços. A cabeça de Andrômeda batia na guarda da cama com o ritmo das estocadas. A cama inteira sacudia violentamente, mas Joey e ele sabiam que se a cama desmantelasse eles continuariam entre os escombros até o fim.

- Oh... Isso é maravilhoso... Continue... Continue... - Shun dava o mais inconsciente dos consentimentos. – Ohhh Joseph. – Andrômeda falou agarrando Joey pelos cabelos, afundando seus lábios nos dele, agarrado com força como se ele fosse a única coisa concreta dentro do quarto quanto o sexo cru e belo que eles faziam. Aquilo era fazer amor apaixonadamente. O resto, era o resto.

Shun estava com as pernas no seu ombro, de seu homem, e praticamente dobrado ao meio.O sexo entrava tão fundo que Shun gemia só de prazer. Shun achou que ia partir em dois, mas o seu próprio pau estava duro, roçando na barriga peluda de Joey sobre ele. E num determinado momento foi tão cavalgado que seu pau começou a gozar e a gozar sozinho, liberando jatos que alcançaram a boca de Joseph, e acabaram escorrendo melando a barriga do amante.

- Ohh Deusa... Oh que delícia! Ohhhh – Shun berrava enquanto Joey ainda o montava deliciosamente sentindo as contrações do ânus em seu pênis grosso e lambia o esperma de Andrômeda que escorreu por seu rosto. Sexy, faminto. O olhar de um falcão devorando sua presa, deliciado.

Shun gritou tanto, e gemeu tanto, que foi preciso que Joey o calasse com beijos enquanto gozava. Shun sentiu o gosto de seu próprio sêmen.

Mas o próprio Joseph não esperava sua reação quando chegou ao clímax:

- Ah Ah Ah ! Eu vou... Eu vou... Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh, Shu... SHUN! – Joey gritou animalescamente enquanto chegava ao orgasmo. Um grito animal, másculo. Mais um urro do que um grito. Cheio de testosterona.

Shun sentiu a camisinha estufar dentro dele. Joey caiu exausto por cima do garoto. E Shun desejou que da próxima vez ele ejaculasse em sua boca.

Ficaram calados. Exaustos por um momento. Olhando as estrelas e o céu. Shun com a cabeça no peito de Joseph, sentindo o cheiro de suor e sexo impregnado nos pêlos fartos do peito do cavaleiro de Deméter.

Joey acariciava languidamente a nuca suada de Shun enquanto sentia o garoto tirar a camisinha de seu pênis com delicadeza, dar um nó e jogá-la no carpete ao lado da cama.

Quando colocou a cabeça novamente no peito de Joey o rapaz sorria satisfeito.

- Foi tão bom assim, ou uma piada?

- Você ainda pergunta? Eu me melei todo e pela camisinha que joguei no chão eu estaria alagado a essa hora.

Ambos sorriram satisfeitos. Não se sabe quanto tempo ficaram acordados, conversando e se acariciando até que Morfeu os embalasse os sonhos.


-

Avenida L' Etóile (Avenida das Estrelas) – Paris.

Sentado no banco traseiro da enorme limousine que o levaria a seu hotel particuliers (mansão) na Avenue Foch, Hyouga contemplava as mansões que um dia pertenceram a reis, xeques, astros e capitães da indústria francesa, imaginando qual daqueles casarões poderia se comparar a imponência da mansão que tinha comprado assim que chegara a França.

Ele merecia aquele agrado a si mesmo depois de tudo que passara em Asgard. Todo o dinheiro que ele tinha economizado junto de sua parte do dinheiro da coroa que Hilda tinha lhe entregue para cuidar dos herdeiros de Asgard poderia lhe proporcionar grandes lucros se os aplicasse em imóveis na Europa. E foi isso que o fez, depois de ter procurado o advogado para assinar os papeis e pagar a quantia. Foi receber a escritura. E agora, cinco horas após ter chegado em Paris ele iria para sua casa, já que Mime e os outros já estavam lá desde que chegaram no aeroporto.

Agora ele veria se realmente Sorento de Cirene fez uma boa escolha ao escolher seu pequeno palácio, se tinha decorado perfeitamente a seu gosto, e óbvio se tinha aplicado bem suas finanças. Afinal, dois anos ao lado de Hilda foram suficientes para saber administrar os bens de sua cunhada e de sua esposa.

Se é que ainda poderia chamar Fleyr de esposa.

- Senhor Schevchenko, essa é a propriedade – Sorento de Cirene, marina do Deus Poseidon encarnado – Julian Solo - seu chanceler, e que estava acomodado ao lado de Hyouga na limousine, apontou a frente quando o automóvel entrou a esquerda na Av Foch.

Hyouga ajeitou o pequeno Stu no colo e olhou para o lado que o marina apontou, até que o carro acabou parando em frente a um grande portão de ferro ricamente trabalhado com folhas de azevinho e pequenas flores roxas.

Hyouga suspirou fundo e abriu a janela do carro. Seriamente contemplou por baixo de seus óculos escuros a fachada da mansão. A enorme propriedade ficava no topo de uma ladeira depois do portão e acima dos muros altos, como se fosse o Olimpo de onde os Deuses contemplavam os mortais. Dali, ele Hyouga de Shevchenko, contemplaria para sempre Paris.

Assim que o carro foi adentrando a suntuosa propriedade, Hyouga se viu cercado de um jardim paisagisticamente bem decorado, com flores de todos os tipos, grama recém-cortada e aparada, com cheiro de molhada. Erguendo os olhos para o cume da ladeira, contemplou a mansão novamente. O orgulho ribombando no peito. Era sua casa. Sua mansão. E para um garoto arrancado de sua mãe, órfão, que foi criado para a morte certa em prol de uma garota - Deusa.

Para Hyouga de Schevchenko, o órfão – cavaleiro; aquela casa - maior do que a mansão da família Kido - era uma conquista inestimável.

Era estupenda, tanto nos detalhes da fachada, com colunas jônicas de mármore. A cor era algo em tom de marfim com detalhes em dourado. Tinha pequenas fontes ao lado da enorme escadaria de mármore, na varanda principal, com anjos de mármore em tamanho natural, e no centro da mesma, uma estátua da própria Athena, jorrando finos filetes de água atrás de si, que desembocavam em uma enorme cascata que descia a suas costas para cair em uma piscina acessível somente a quem entrasse na casa. Luxuosa, suntuosa, medonhamente bela. O local perfeito para se viver com luxo e o dinheiro que ele tinha recebido em prol da desgraça de Fleyr.

Fez sinal para que o motorista parasse em frente a escadaria de mármore imperial. O homem - um senhor parisiense – abriu a porta do carro e Hyouga desceu acompanhado de Sorento e Stu. Hyouga sorriu para o homem que fez uma mesura e falou:

- Seja bem vindo a Paris Senhor Shevchenko.

Hyouga não respondeu. Apenas sorriu amigavelmente, e depositou 200 euros na mão do senhor. Fazendo isso começou a subir os degraus, acompanhado de Sorento.

- Parece que fez um bom trabalho, Sorento - Hyouga elogiou - Julian deve se sentir muito grato por ter um Chanceler como você.

- Obrigado, Hyouga. Mas foi o próprio Julian que cedeu a propriedade. Era da família dele há anos para férias de verão. Como você observa, a propriedade é digna de um Deus. - Sorento explicou, enquanto tentava se desvencilhar das mãos de Stu que mexiam no seu cabelo cor de lavanda.

- Ah, então a soma gigantesca que eu paguei foi para as mãos do próprio Poseidon?

- Sim. – Sorento assentiu. Estavam em frente a grande porta da propriedade. – Agora permita-me fazer as honras da casa. – Sorento disse, batendo duas vezes com a argola de ferro acobreado na porta de carvalho.

Hyouga esperou, mesmo sabendo que não teria de fazê-lo, pois a casa era sua. Mas até preferiu aguardar. Deixou que seus olhos corressem pelas costas de Sorento . As espaldas largas, o quadril estreito dentro do costume apertado. As nádegas fartas e bem delineadas dentro da calça de twist.

Sorriu luxurioso. Se tudo corresse como ele queria, e Mime não se mostrasse disposto a atrapalhá-lo, após o jantar, teria a companhia do amante de Poseidon entre seus lençóis.

Não demorou muito e uma jovem moça de olhos cor de ametista veio abrir a porta. Estava vestida com um terno feminino cor de escarlate que marcava muito bem seu corpo, principalmente a cintura fina e os seios fartos. O rosto era algo clássico. O nariz afilado e bem feito, a boca formava um coração perfeito. Olhos grandes e com cílios compridos como os de Shun, embutiam um tom de falsa inocência no rosto da moça. Os cabelos loiros, mais dourados que os dele, mas não tão claros como os de Stan ou Stu, indicavam que a moça usava tintura, e que aquela cor não era natural, no entanto lhe caía perfeita á combinação de melenas cascateavam até o meio das costas retas Era linda. Hyouga deixou o queixo pender de leve.

- Essa é sua secretária Hyouga. Srta Becca. Ela que cuidará da relação com os criados, finanças para manter a casa aprazível e limpa. – Sorento explicava - Creio eu, que você não esteja acostumado a lidar com isso, e tampouco Mime.

- Sim, sim, o trabalho de senhorita Rebecca será muito apreciado – Hyouga falou exasperado – E muito prazer Senhorita - falou sem disfarçar sua excitação e segundas intenções na voz. Seria fácil seduzí-la, já que a mesma não tirava os olhos dos de cisne, o encarando constrangedoramente excitada ao ver tão belo homem.

Enquanto na cabeça de seu patrão rodava o desejo por ela e por Sorento . Afinal de contas se não podia ter o homem que amava, pelo menos poderia ter quantos amantes quisesse para saciá-lo.

- O prazer é meu, senhor. – Becca respondeu. – O Senhor Mime, sua esposa e seus filhos lhe aguardam na sala principal. Venha, vou conduzí-los até lá. – ela se fez simpática. Porém Hyouga estacou como um poste e depois subitamente enfureceu-se.

- Minha o quê? – Hyouga gritou repentinamente. - Esposa?

Desde quando ele deu ordem para Fleyr voltar a se apresentar como sua esposa? Ele se perguntava.

Ficou lívido de raiva contida. Deixando a pobre Becca e um atordoado Sorento na porta da propriedade, Hyouga a invadiu a passos largos, desconsiderando a decoração minuciosa de Sorento , as obras de arte ou o que quer que fosse que Deus ou o Diabo colocou no seu caminho.

"Esposa?".

Que disparate.

Hyouga andou pelos corredores amplos da casa, até que ouviu musica atrás de uma grande porta dupla de madeira trabalhada com imagens da Queda da Bastilha.

O russo não se ateve à pintura. Colocou as duas mãos nas portas pesadas, e como um cavaleiro do Zodíaco, não teve trabalho para abrí-las com rapidez.

Quando contemplou o aposento viu que Fleyr estava sentada em uma grande poltrona de pele de urso, com Stan em seu colo, contando-o provavelmente uma história dos irmãos Grim. Parecia ser Alice no país das maravilhas. Estava tão absorta que assim continuou.

Mime se encontrava do outro lado do grande salão. Os cabelos presos no alto da cabeça, de uma maneira feminina. Estava ao piano, dedilhando algo de Bethoven. Não percebeu a presença de Hyouga, tampouco como os dois criados que estavam trocando os arranjos de flores da sala, até que Stu entrou com passos velozes se jogando ao lado da mãe.

Fleyr ergueu os olhos para Hyouga. Engoliu em seco. Sabia que ele se enfureceria por ela estar devidamente penteada. Maquiada e bela. Vestida com suas roupas de princesa de Asgard, estava tão imponente ou mais do que quando ele a conheceu.

As narinas de Hyouga fremiam. O olhar vidrado passeava de Mime para Fleyr. Ao ver um relance da expressão do pai, as crianças largaram Fleyr e saíram correndo porta a fora desembaladas pelos corredores da casa nova.

- SAIAM TODOS! – Hyouga gritou para os criados, que pularam no mesmo lugar de susto e ganharam a porta quase sem pensar no que poderia ter feito aquele homem ficar de tal forma ao ter colocado por nem cinco minutos os pés dentro daquela casa.

- Mas Hyouga... - Sorento que veio correndo atrás dele, sem dar maiores explicações para Becca – Acalme-se pode ter sido um equívoco...

Em vão.

Hyouga esperou que os criados saíssem e fechou a porta de madeira do salão, trancando Mime, Fleyr e ele, dentro do aposento.

Bateu a porta na cara de Sorento.

-

Continua...


Agradecimentos aos comentários recebidos e ao incentivo de cada um de vocês.
Atualização? Somente mediante comentários. Estou sendo malvado? Sim, minha índole de youko me permite, vó Evil sabe disto.
Beijos

Angell Kinney