Título:Rebirth
Autor: Angell Kinney
Casal principal: Shun & Hyouga (Saint Seiya); Joseph ( Joey) Fatone – é meu personagem original; Carlo di Angelis pertence a Pipe
Classificação: +18
Gênero: Drama/Romance/Angst/Yaoi/Lemon/ Comedy
Spoilers: A fiction se passa após a SAGA DE HADES. Como não se sabe que fim se deu com os Santos de Athena após o Prólogo do Céu (Tenkai -Hen Movie) esse é o ponto inicial de nossa fanfic.

Nota1:Começo a contar a idade dos cavaleiros a partir de sua data de exibição no Brasil, ou seja, 1994. Na fic Shun tem 19 anos, o que seria então o ano de 2000, pois em 94 Shun tem apenas 13 anos okay?

Grato. Angell.


Parte: 08 de 10


Rebirth
Capítulo 8 – Cosmic Tears.

Ato - 1


-

Ignorando a mão que o convidava a dançar pela enésima vez, Shun permaneceu sentado. O rosto entre as mãos enquanto observava as bolhas do Bourbon subirem e estourarem na superfície vermelha do vinho tinto. Isso era monótono, tão monótono quanto a sua presença para aquele animado grupo. E também era injusto, era muito mais do que injusto estar ali, atrapalhando a noite de Joey com suas preocupações mesquinhas.

- Vem dançar Shun... – Afrodite que lhe estendia a mão chamou o rapaz de maneira carinhosa. Andrômeda não levantou os olhos para Afrodite e continuou com o olhar fixo á frente. Os olhos verdes marejados, não querendo se permitir transbordar para que aquela agonia logo passasse.

Afrodite simplesmente gesticulou afobado, levantando o dedo indicador como se fosse dar uma lição de moral em Shun, ou ter um terrível ataque de nervos. Mas foi interrompido por um gesto de mãos de Joseph, acalmando-o.

- Não adianta Dido. Ele não pretende levantar desta mesa. – Joseph falou com os olhos tristes. Procurou com as mãos o rosto de Shun, passando a partir daquele momento a ignorar Afrodite e os outros que dançavam uma musica chamada Milkshake, bem ao lado deles.

Afrodite simplesmente suspirou profundamente e voltou para pista de dança.

Não havia nada que ele pudesse fazer por Shun, que o próprio Shun não fizesse por si mesmo a não ser que lhe fosse permitido invadir a mente do outro e lhe arrancar Hyouga do cérebro.

Joseph continuava a encarar o rapaz que tanto amava. O que lhe era permitido fazer, ou dizer? Como ampara-lo se ele também estava sofrendo?

Como dizer a Shun que aquela era uma situação constrangedora? Ele estava assim, naquele estado letárgico por culpa de outro homem. Era um epítome de desconsideração para com ele.

Era um absurdo completo.

Mas ignorando sua dor, e com carinho extremo, Joey colou a testa á de Shun. As mãos ainda dos lados do rosto do menino de cabelos castanhos.

Shun olhou para frente agora. Olhos nos olhos com os de Joey. Os olhos castanhos demonstrando, como sempre demonstrara tudo, uma dor imensa. Uma dor por vê-lo assim, daquele jeito, daquela forma, por causa de outro homem.

A boca de Shun ficou seca. Os olhos, agora sim, lacrimejaram, manchando todo o lápis escuro com que Afrodite os delineara pouco antes. O que ele poderia dizer a Joey? O que o faria ser perdoado?

- Droga! Simplesmente não consigo abstrair da minha mente! Não consigo! – Shun falou se sentando bem reto na cadeira. Desconfortável.

- Não precisa ficar assim. – Joey falou.

- Preciso. Preciso sim, porque magôo você, e isso é a ultima coisa que desejo. É a ultima coisa que quero! – Shun falou chorando. Não era nada falso aquele choro, e Joey sabia que logo o namorado estaria tendo espasmos.

- Escute. Acalme-se. Se Athena não lhe deu permissão para abandonar a casta, você pode ao menos vir morar comigo! Não vai ficar cruzando com Hyouga pelos corredores... Você não terá que vê-lo, nem ficar do lado dele. Nada disso é necessário Shun.

- Athena não acha correto eu fugir do meu destino. – Shun falou limpando as lágrimas com as costas da pequenina mão. Ajeitou a franja com os dedos.

- Pelo amor dos Deuses! O que ela espera? Que você aceite Hyouga de volta? Que você o abrace?

- Joey. – Shun ponderou – Isso está fora de cogitação. Completamente. Eu te amo!

- Não duvido disso. – Joey falou baixinho. – Não posso me dar ao luxo de duvidar, ou você já estaria sozinho nesta mesa há séculos.

O queixo de Shun pendeu.Os olhos transbordando em desespero.

Não que ele esperasse outra resposta do moreno a sua frente. Todas as possíveis respostas seriam equiparáveis a aquela, e era isso que colocava a alma de Andrômeda em um pêndulo.

-ooo-

Hyouga olhava para Mime sem realmente entender o que se passava na cabecinha do ruivo enquanto este dava o nó em sua gravata.

O normando parecia estar sorrindo aquela manhã. Tinha acordado cedo e trazido croissants quentes, queijos e vinho para o apart Hotel. Tinha o acordado com um gentil e polido beijo no rosto. Perguntara se Hyouga queria o New York Tribune para ler. De fato Mime estava um anjo. E agora arrumava sua gravata para que fosse impecável se encontrar com Athena na casa de Fleyr.

- Acho que você deveria ter escolhido um terno de corte mais reto. – O ruivo comentou sorrindo – Mas tudo fica bem em você, mesmo. Acho que é por causa dessa beleza incontestável que você tem. – sorriu se afastando e sentando-se na cama. O olhar avaliando Hyouga.

- Obrigado Mime. - O loiro retribuiu o sorriso. Tinham passado a noite juntos. Somente carícias, nada mais. Como um amigo agradando o outro. Hyouga não podia dizer que desgostasse de Mime. Ele o compreendia, e na atual conjuntura, isso o tornava mais do que especial.

Hyouga olhou mais uma vez para o relógio. Sorriu nervosamente passando a mão pelos cabelos cheios e loiros, ignorando o olhar reprovador de Mime ao vê-lo se despentear daquele modo grosseiro. O ruivo se fez de pé novamente. Abraçou Hyouga com cuidado para não amassar o terno.

- Acalme-se, tudo correrá bem.

- Sim, querido, correrá. Mas mesmo assim, torça por mim. – Hyouga pediu acariciando a face do ruivo.

- Não deixarei de fazê-lo sequer por um segundo. – Mime respondeu, se virando de costas e indo se sentar na poltrona ao lado da cama. – Agora vá. Não quero que se atrase. Beije Stan e Stu por mim. – o ruivo disse, enquanto pegava um exemplar de L'Uomo Vogue, para ler.

- Beijarei. – Hyouga falou colocando os óculos escuros. E voltando-se para porta de saída da ampla suíte falou quase que em um sussurro – Te vejo a noite. Vou passar no banco depois. E comprarei suas passagens como combinamos.

- Sim. As passagens... – Mime falou a meia voz, tentando não transparecer sua angústia. Não. Nem por um momento cogitara estar se afastando de Hyouga, mas precisava.

Precisava ir, antes que mais cedo ou mais tarde o outro o dispensasse, ou não tivessem mais o que conversar. Não seria bom voltar a somente fazer sexo. Isso não bastaria. Já doía agora. Doeria ainda mais depois.

- Tem certeza que vai mesmo partir? – Hyouga perguntou se detendo no espaldar da porta. As costas viradas para Mime, e somente o rosto virado para trás. Tirou os óculos escuros para encarar Mime.

E Mime o olhou parado ali. Os olhos esperando uma resposta. Ansioso. E o ruivo levou mais uma punhalada de seu próprio coração. A constatação de que amava aquele homem com todos os átomos que compunham seu corpo era por demais dolorosa. Mas não poderia vacilar agora. Respirando fundo e deixando que as lágrimas banhassem seu rosto ele respondeu:

- Sim querido. É o necessário. – e novamente baixou o rosto para sua revista. Sabia que quando Hyouga saísse, ele se permitiria chorar como devia.

-ooo-

Fleyr parecia estar mais desesperada que Mime naquele momento. Stan e Stu pulavam sobre o pai, puxando a gravata, puxando o cabelo, amassando cada parte do homem á frente deles.

A urgência em pularem no pai foi tanta que ele nem tinha entrado em casa. As crianças se precipitaram escadas a baixo, deixando Becca com taquicardia ao ver as perninhas correrem e pularem os degraus. Se um deles caísse à queda seria fatal. Mas graças ao bom Deus que ouviu os gritos desesperados da governanta e os do próprio Hyouga, os gêmeos não caíram.

Agora lá estava ele, jogado entre os dois, no meio de um jardim lindo, completamente bem decorado, parecendo o paraíso, para contrastar com sua roupa de Hyouga que lhe dava a aparência de um anjo recém expulso do inferno. Tinha grama e folhas até dentro das cuecas devido à confusão que os meninos fizeram pulando em cima dele e o jogando, rolando e pulando com ele no chão.

- Crianças! Crianças! – gritava Fleyr, e era solenemente ignorada pelos três loiros no chão.

- Desista Fleyr, eles são piores que os cães do Tártaro! – Hyouga gargalhou.

A mulher não pode evitar sorrir. Esse era um fato estranho. Qualquer pessoa no lugar dela odiaria Hyouga, mas como só as mães entendem, o que é feito delas pouco importa se pode garantir a felicidade de seus filhos. Então, ao ver aquela cena, e o sorriso lindo no rosto de seus filhos, que mãe não esqueceria ou fingiria ignorar o passado? Fleyr sorriu abertamente. E foi neste momento que sentiu uma cosmo energia tão potente que a desconcertou. Era um cosmo repleto de bondade e justiça.

Era o cosmo de Athena.

Fleyr ao abrir o portão para Cisne, esquecera-se completamente da Deusa que ficou a aguardando no salão principal.

- Permita-me interromper esse agradável encontro. – Saori falou olhando para Hyouga.

Os cabelos castanhos e compridos estavam presos em uma trança espartana no alto da cabeça. Usava ao contrário do costumeiro vestido cor de pérola, um terno da mesma cor. E Niebe estava em sua mão direita como sempre. Os olhos verdes olhando fixamente para Hyouga. O cavaleiro se fez de pé. Depois se agachou e fez uma reverencia. Não poderia estar em estado pior de apresentação. Mime deveria se roer inteiro se o visse assim.

Athena por outro lado estava feliz. Se Fleyr sorria de Hyouga, quem era ela para condená-lo?

- Minha Deusa. – Hyouga falou carinhosamente a encarando envergonhado.

Ao contemplar os olhos azuis, brilhando puros e felizes como há muito ela não via, Saori não pode evitar se lembrar do passado.

Aqueles mesmos olhos azuis, aquele menino russo que sangrava por ela, que tinha ficado quase cego por ela, que foi ao inferno salva-la. Kamus usara completamente os artifícios corretos para que ela desse ao cavaleiro de Cisne uma segunda chance. Não era uma questão de escolha, era uma obrigação. Hyouga além de seu cavaleiro era seu amigo e por várias vezes seu salvador. Quantas vezes ele pensou antes de se atirar contra a morte para salva-la?

Mas fora justamente esse fato que o condenara agora.

Ele não pensara. Não pensara em nada. E ela como Deusa, deveria guiá-lo.

Que lhe perdoasse Fleyr e Hagen. Que lhe perdoasse Shun e Joey. Mas ela não poderia como pensou poder em sua prepotência e arrogância, abandonar aquele cavaleiro.

- Levante-se amigo. – Ela falou nobremente, deixando que a parte Deusa lhe abandonasse. – Levante-se Hyouga, e venha me dar um abraço. – Athena falou.

E como se a palavra de Saori fosse sua única palavra, Hyouga abraçou-se a Deusa. E naquele momento lavou sua alma em pranto.

-ooo-

Estavam sentados no amplo terraço agora. A tarde começava a cair. Tinham conversado sobre tudo que se passara. Todos os mal entendidos, todas as desgraças, e inclusive o pecado da morte de Hagen. Hyouga estava literalmente de alma limpa, era como se estivesse se libertando de uma cruz poder falar sobre aquilo tudo com um dos seus, principalmente com sua Deusa.

Kamus também estava lá. E este fato o deixava mais tranqüilo, como se o cavaleiro de aquário fosse um pai, um protetor. Algo em quê se apoiar. Mas junto com Kamus viera outro cavaleiro, e este o olhava de uma maneira pouco amistosa, como se alimentasse um rancor pessoal. E este homem era Afrodite de peixes.

- Pois bem Hyouga. Você já sabe que os cavaleiros votaram a favor de sua exoneração. E também concordou que se de fato ela acontecesse você concordaria.

- Sim, concordaria Saori. Mas nem por isso sofreria menos sabendo que mereci, e mereço castigos piores que este. – O russo falou encarando a Deusa. O olhar vacilante por Afrodite estar ali. O sueco lhe tirava toda a convicção com aquele olhar frio. Os braços cruzados sobre o peito forte. Nem de longe parecia o Afrodite afetado que ele sabia que o outro o era.

Aquele era o homem de Peixes. O homem que provavelmente o odiava mais do que tudo por ter magoado Shun, a quem muitos sabiam que tinha adotado como seu filho.

- O seu castigo será saber que não tem nossa condolência, mas somente nossa piedade. – Afrodite falou secamente – Eu vim aqui somente para olhar para sua cara. Para ver o que você diria, ou como se defenderia, mas já sabia que você não tinha chance de defesa. – O pisciano cuspiu as palavras rapidamente em grego, o sotaque sueco escorregando aos borbotões. – Fique grato pela compreensão de Athena.

- Sou grato. Sou grato a todos vocês. – Hyouga falou.

- Não ouse agradecer algo que eu não perdoei. – Afrodite cortou rapidamente – O que você fez a essa mulher é imperdoável, como a mentira que ela inventou é vergonhosa, e essa bola de neve é tão infame que só os juízes do inferno saberão pesar em suas balanças. E acredite, eu já estive lá uma vez. Não é nada se comparado com a Benevolência de Athena. – Afrodite falou rispidamente – Aproveite Hyouga.

- Afrodite. – Saori pediu – Acalme-se. Por favor. Este assunto já se esgotou. Já estamos terminando essa questão. E Eu perdoei Hyouga. Aceite isso. Como aceitou quando Eu lhe perdoei. – Athena falou com parcimônia.

O pisciano saiu de perto deles como resposta muda. Os cabelos estupidamente loiros balançando no vento. Os passos pesados eram ouvidos a se distanciar pelo baque surdo do metal no chão. E aos poucos o cavaleiro de armadura, se distanciava indo sentar em uma mureta do outro lado do pátio.

- Muitos pensam como ele? – Hyouga perguntou aturdido. Podia sentir a mágoa de Afrodite em relação a ele. Imaginou se seus amigos mais próximos sentiam o mesmo.

- Estamos todos magoados com isso Hyouga, mas nem todos estão como Afrodite. - Kamus falou passando a mão pelos cabelos do pupilo. – É uma questão de tempo, como tudo na vida. Não é Fleyr? – Kamus se voltou para mulher que se manteve calada.

- Sim, acredito que sim. Eu vou reconstruir minha vida. Acho que Hyouga deve fazer o mesmo.

- Obrigado Fleyr. Você não deveria... Sei que deveria estar me odiando...

- Meus filhos te amam Hyouga. Sei que a minha compreensão está bem paga em troca do amor que você dá a eles. E agora se me permitem, irei ordenar o dinner. – E Ela saiu. A pose muito reta. Soberana. Imponente. E tão, tão justa, que essa justiça fazia Hyouga se sentir um micróbio no universo.

Hyouga procurou consolo no olhar de Kamus e no de Saori. Encontrou esperança quando fitou o rosto sereno da Deusa. E nesta esperança ele também viu vida. Uma vida que não era a dela, mas dentro dela. Já tinha visto isso em Fleyr uma vez. E percebeu tudo.

- Está grávida, minha senhora?

- Sim, cavaleiro. Estou. – ela sorriu – O único que é pai entre os meus cavaleiros iria descobrir mais cedo ou mais tarde. – ela falou rindo. Revelando aquele sorriso perfeito e alvo.

- E Seiya ele deve estar...

- Radiante – Kamus cortou. – Agora se me permite apressa-la Athena, temos de voltar para o Templo de Deméter.

- Sim, sim Kamus, tem razão. Minha irmã está louca com os preparativos da festa. Tenho de ajudá-la. – Saori completou – E Hyouga, esteja pronto para se mudar temporariamente para o palácio de Deméter dentro de 3 dias. A festa ocorrerá no sábado, e eu quero que todos os meus fieis cavaleiros estejam lá. Esteja no palácio às sete da manhã de sábado. – Saori explicou.

- Sim, eu estarei lá minha Deusa.

- Assim espero. – Saori falou se levantando – Vou me despedir de Fleyr, e agradece-la por ter emprestado a casa. Esta conversa foi ótima. Não tenho dúvidas quanto a minha decisão, mas espero que você se mantenha digno dela. – A Deusa completou. A imparcialidade de Saori tinha desaparecido agora. Ela falava como uma Deusa que já tinha encarnado pelo menos cem vezes em épocas diferentes, e vira como os homens tinham falhado e acertado ao longo destes. Hyouga se sentiu orgulhoso. Era um homem de Athena. Era Cisne novamente. Só tinha que desatolar seu pescoço branco e comprido da lama, para voltar a voar.

De longe ao ver Hyouga abraçar Kamus, e por ter ouvido que ele estaria no palácio de Deméter no sábado de manhã, Afrodite deixou explodir no ar, a rosa vermelha que tinha conjurado.

-ooo-

Os últimos dias passaram rápido. Hyouga estava tão exultante com a possibilidade de rever seus antigos companheiros de batalha, quanto temeroso. E Mime só temia que ele pudesse se frustrar ainda mais com aquele reencontro. Quem saberia o que se passava agora mesmo na cabeça de Andrômeda. Quem garantiria a integridade física de Hyouga no meio de cavaleiros que estavam o considerando o próprio Hades encarnado? O que seria do homem que ele amava? Mime não sabia. Só tinha certeza de que não poderia permanecer do lado de Cisne por muito tempo.

Não, sabendo que mais cedo ou mais tarde, a pouca atenção que o loiro lhe delegava seria substituída por nenhuma.

E agora estavam ali, em frente ao Aeroporto Internacional de Paris, mais precisamente no portão de embarque, após a ultima chamada do vôo para Normandia.

- Então é assim... Sem amor, sem glória. Somente um pássaro no céu. – Mime falou abraçando o loiro com força. – É o fim.

- Cuide-se, meu amigo... – Hyouga falou se abandonando no abraço forte do ruivo, sentindo todos os músculos do torso do normando junto ao seu. O perfume que o inebriara tantas vezes. Mime nem imaginava como se sentia desesperado por não conseguir ama-lo, por ter que aceitar que ele partisse. Tantas coisas, que o russo acabou por apertá-lo ainda mais junto ao peito.

- Cuide-se, meu amor... – Mime respondeu com carinho. Afagou o rosto de Hyouga com as costas da mão. – Cuide dos garotos por mim. – O ruivo pediu se afastando dois passos de Hyouga, virando-se para o portão de embarque.

Hyouga sentiu o coração apertar tão forte que parecia estar sendo esmagado. Sentia um mal estar súbito que tentou disfarçar. Mas foi em vão. Poderia jurar que vomitaria assim que Mime passasse de vez pelo terminal de embarque e dali por diante para fora de sua vida. Não suportou tais pensamentos por muito tempo. Precipitou-se e agarrou o ruivo pela manga do suéter.

- Espere. – O loiro pediu. – Não vá embora assim Mime...

O normando ruivo girou sobre os calcanhares ao ouvir o chamado urgente do homem que amava. Não pode evitar sorrir genuinamente. Um sorriso triste. Doído. De quem parte sem querer partir, de quem deixa uma lacuna vazia no coração quando já tem quem a preencher aquele lugar.

Hyouga esperou que o olhar do ruivo o perscrutasse de cima a baixo. O olhar tão vermelho, querendo romper em lágrimas que a íris e o globo ocular estavam de tonalidade quase similar.

Não esperou que o ruivo compreendesse, muito menos compreendeu o que fazia.

Só de realizar que ninguém mais o estaria esperando quando voltasse para casa, que não haveria mais discussões acaloradas seguidas de uma noite de sexo selvagem, tampouco haveria croissants quentes pelas manhãs frias de outono.

Ele e Mime, que ele uma vez disse não existir como um casal, existiam, estavam vivos, nos erros e nos acertos dentro do coração dele, por mais que insistisse em negar a verdade.

Hyouga sabia que começou a sentir falta daquilo tudo antes mesmo de ver o outro arrumar a mala naquela mesma manhã. Sentiu falta daquilo tudo quando pensou que o único e completo carinho verdadeiro que tivera em dois anos, fora lhe dirigido por aquela pessoa.

E agora, estaria sozinho.

Teria somente o vazio.

Recordou-se das risadas, das conversas e confissões.

Quem mais saberia que Mime tinha medo de escuro? Que aos sete anos rolou a escada brincando com o gato e disse que tinha apanhado na rua? Que sua mãe se chamava Almerinda e era Portuguesa?

Quem saberia que ele geme deliciosamente quando chega ao orgasmo. Quem mais o suportaria chorando por Shun, calado?

Seu peito iria explodir. Tinha que explodir. Onde estava com a cabeça quando se ateve a Shun, somente a Shun. Porque no inferno ele amava tanto aquele Andrômeda que não suportava a idéia de dizer eu te amo para outra pessoa?

Para Hyouga a pior coisa que poderia ter visto antes de Mime partir foi a dor nos olhos do ruivo quando se declarou "Eu te amo, he said".

E ele ficou mudo. Não pode dizer nada. E o silêncio se fez tão cruel quanto uma chibatada sobre pele nua.

Cisne sabia que Mime estava indo embora para permitir que ele vivesse. Que ele se reconstruísse. Que o Hyouga de Cisne voltasse somente a ser Hyouga de Cisne.

Para Mime era cruel estar deixando para trás o loiro mais bonito que ele já tinha visto. O homem mais perfeito que ele já tinha amado. O homem que o motivava a andar em linha reta. E que se Odin lhe desse a chance de escolher, ele teria pedido para nunca ter se apaixonado da maneira cruel e visceral que se apaixonou, e que decretou sua perdição.

O normando forçou-se a não se apegar a lembrança do primeiro dia que vira Hyouga. Ainda um adolescente como ele próprio, lutando por sua Deusa. Depois o reencontro fatídico, quando o loiro, já um homem, chorava baixinho em um canto escuro do palácio de Vallhalla, se sentindo a pior das criaturas.

A lembrança do primeiro beijo doce e desajeitado. Depois urgente e cruel. Esmagando-lhe os lábios como alguém que pisa sobre um botão de rosa. Os dentes que laceravam a carne, mas a língua macia de encontro a sua indicava a doçura daquele rapaz, se contrapondo aos modos rudes.

Se Hyouga soubesse o quão perfeito ele lhe parecia em toda a sua imperfeição, ele ficaria grato. Ele ficaria grato somente se o outro soubesse.

Fugiu das lágrimas soltando um soluço seco, quase inaudível, mas que o fez estremecer e recuar ainda mais, quando percebeu que Hyouga agora olhava. Olhos lacrimosos encarando os seus, vermelhos. O orbe azul cristalino, mirando a vermelho sangue. E o silêncio encheu o ar, esvaziando até o som das respirações ofegantes de ambos. A respiração de quem não tem nada a dizer, e tudo a perder, em um só segundo.

O vazio tomando conta do peito de ambos. E ele o preencheu com um beijo. Quando Mime percebeu suas bocas estavam coladas, de maneira terna, de maneira cúmplice, amorosa. Como se naquele beijo de despedida Hyouga o liberasse de seus rancores e dores e somente lhe dissesse de maneira tão certa, quanto sentia o enroscar furioso de suas línguas, o mais sincero "Sentirei sua falta".

-ooo-

Shun estava no paraíso. A nota alta e perfeita de Canta Per Me saia de sua garganta com um fulgor luminoso. Era absurda a facilidade que sentia ao cantar aquela ária. Estava treinando exaustivamente. A espineta a sua frente com a partitura desenrolada, enquanto Joey tocava furiosamente o violino e Dádio explodia em sons líricos que Shun nunca ouvira.

A vida no reformatório naqueles últimos três dias tinha lhe feito sentir-se único.

Shun tinha que praticar a ária que ia cantar na festa de Deméter desde a hora que acordasse, até a hora do almoço. Sem descanso tinha exercícios vocais junto com as crianças pela tarde. Depois Joey se incumbia ele próprio de forçar sua habilidade vocálica até a exaustão.

E quando enfim estiva exausto, cansado e quase afônico, Joey o tomava nos braços e fazia amor com ele. Algumas vezes o homem chegara a ser brutal. Estava tão exausto fisicamente e tão esgotado mentalmente que quando montava sobre Shun sua única preocupação era chegar ao clímax para liberar toda aquela tensão por saber que dentro de alguns dias Hyouga entraria pelo portão principal ao mesmo tempo em que sua segurança e felicidade pulariam pela janela mais próxima rumo às sarjetas de Montmatre. Mas, no entanto, mesmo quando possuía Shun com violência ele procurava dar prazer para Andrômeda, o masturbando no mesmo ritmo que estocava, ou então lhe apertando os mamilos. E ele só se permitia chegar ao gozo depois que Shun já tivesse o feito. E isso encantava Andrômeda.

Para Joseph, magoava o fato de que ele e Shun não estavam conversando muito ultimamente. Os exercícios tomavam todo o tempo deles durante o dia. O forçava a perdê-lo durante as horas da tarde e grande parte da noite.

Por outro lado, Daniel estava radiante e por isso exigia exercícios vocais mais cruéis. Às vezes Shun chegava a desafinar tentando acompanha-lo, mas quando isso ocorria Daniel sempre fazia uma adaptação para que Shun alcançasse a nota.

Afrodite parecia uma mãe orgulhosa, toda vez que ia aos ensaios. Shun realmente tinha talento para o canto. A voz quase de timbre feminino, era tão sublime e encantadora que podia se misturar com o timbre puro e infantil de Daniel, que fazia a musica atingir o apogeu como se fosse cantada por anjos. O maestro só lamentava de fato, Shun não ter chegado a ele mais cedo. Poderia com certeza ofuscar a todos com seu brilho se o fizesse.

Para Ikki, Seiya, Shiryu e os outros, ver que aquele corpo frágil e magro fosse capaz de tamanha voz era assustador. Perceber que todo aquele talento foi desperdiçado anos a fio em batalhas, fazia com que o coração deles se esmagasse de encontro ao peito. Ikki estava feliz pelo irmão. E Shun estava orgulhoso disso, mas quando pensava em Hyouga, esse orgulho tornava-se sofrimento.

-ooo-

Enfim chegou o grande dia. E Shun estava apavorado.

O peito estava tão desritimado, e seu corpo tão tenso que seus músculos doíam.

- Droga! – Gritou olhando para o espelho. Era o ultimo ensaio, e ele pelo nervoso e ansiedade tinha inchado tanto, que o sapato não queria entrar de jeito algum em seus pés. – Mil vezes Droga!- Shun falou olhando-se no espelho com raiva.

- Acalme-se querido. – Joseph falou o abraçando por trás. As mãos enlaçando Shun pela cintura. – Se não couber até a hora da apresentação, acredito que Afrodite dará um jeito.

Shun deixou-se abraçar. E meneou a cabeça positivamente. Sim, Afrodite daria um jeito. Rodou o corpo de modo que ficasse de frente para Joey. O encarou nos olhos.

- Tenho feito dos seus últimos dias um inferno, não é, meu anjo?- Shun falou tocando o rosto do moreno e acariciando-lhe a face.

- Você bem sabe que sim. Que não consigo conter essa angustia que me diz que algo vai me machucar mais ainda. Mas eu não tenho raiva de você, se é o que está pensando. – Joey falou o segurando bem firme entre os braços. O coração batendo acelerado. Shun tentava se soltar como se os braços que o envolviam ternamente o queimassem.

- Você fala as coisas e me fere ainda mais. Não poderia simplesmente dizer que está magoado? – Shun falou baixinho, conseguindo se soltar do abraço, se afastando de Joey. Agora estavam separados por quase um metro de distância um do outro. - Mas não, prefere me dizer o quanto eu te machuco!

- E você preferia que eu lhe poupasse? Poupasse-lhe por amor ao quê Shun? Minha deusa e a sua deusa aceitaram este homem debaixo do meu próprio teto. E desde que você soube que esse reencontro seria inevitável você está assim! Você sabe o quanto é doloroso não saber em quem você está pensando quando fecha os olhos? Você acha que tal situação é confortável para mim?

- Você pensa que eu quero isso? Você realmente acha que eu faço isso para te atacar Joey? – Shun falou impaciente – Quando você irá compreender que fugiu do meu domínio tudo isso! - Andrômeda argüiu.

- Não venha me dizer que seus sentimentos fogem do seu domínio. É demais para mim. Esse homem, esse Cisne. Ele entrará em menos de uma hora pelo portão principal, e quando o fizer, vai achar que EU estou no lugar que era dele! – Joseph falou um pouco mais alto que o normal. – E o que vai me garantir que você não vai voltar aos braços dele? Esta tremedeira que te dá e essa maldita dor de cabeça que você sempre tem, toda vez que falam Hyouga... Hyouga. É isso? Onde está a sua convicção? Para onde ela foi Andrômeda?

Shun olhou para Joey com o queixo tremendo.

Tudo que ele não precisava agora era uma discussão daquelas, e com Joey. Tudo que o namorado falava fazia sentido. E saber disso doía.

Shun estava com medo. Medo de vacilar e de tremer na frente de Hyouga. Medo de fazer uma besteira. Olhou para o chão como se o mesmo fosse algo hipnotizante, mas não o era, não havia nada demais no piso de madeira polida do reformatório. Ele que simplesmente não conseguia sustentar o olhar para Joey.

- Pois então. Já que não consegue me olhar. Ao menos cante. Cante e eu vou esquecer pelo menos por um minuto que desde que esse Cisne resolveu voltar para o lar, eu não tenha ouvido você falar comigo! Vamos Shun. Cante. Temos uma apresentação em menos de seis horas! – Joseph gritava. – Cante meu amado! Cante! – O homem falava já em descontrole. Estava gritando, enquanto arrancava do violino notas tristes e desesperadas que mais se assemelhavam a gritos de dor.

- La sinfonia del Infierno! – Gritou Joey – A sinfonia do meu inferno!

- Pare! Você está descontrolado meu amor. – Shun falou correndo de encontro ao homem e o segurando pelos braços com força.

Joey parecia resoluto. Possuído. Não queria parar. Os dedos segurando com força a corda e o violino.

- Pare meu amor, eu estou aqui. Eu estou aqui. Eu sempre vou estar aqui. Era isso que você queria ouvir? Era isso, meu amor... – Shun falava se abraçando a Joseph.

Os braços do homem começaram a baixar, a guarda desarmada permitiu a Shun um abraço urgente. Desesperado. O moreno pareceu amolecer com o contato. O corpanzil grande relaxou e o rapaz aproveitou para enlaçar Joey pelo torso. E Shun percebeu que o moreno chorava.

- Não Joey. Por favor, não... Não chore, não por isso... Não por mim... –Andrômeda pediu. Os soluços de Joey aumentando de volume. Secos. Doídos. Ecoando na mente de Shun.

- Me deixe ao menos chorar Shun! Eu sou um homem de carne e osso, sinto dor, sinto raiva, sinto ódio de tudo isso, como qualquer pessoa normal sentiria. Não consigo mais fingir que não estou nervoso, que não estou frustrado. Não estamos juntos nem há uma semana e esse homem aparece para nos conduzir ao inferno pela mão. – O moreno falou limpando o rosto.

- Joey... O que eu posso lhe dizer. O que eu posso fazer por você. Eu não quero que você sofra. Eu nunca tencionei lhe fazer sofrer. Eu só não consigo. Não consigo...

- Por favor. – O homem pediu. – estou morrendo de ciúmes de você. Estou enlouquecendo. Não sei o que você pode fazer para me ajudar quando esse sentimento é só meu. Só meu... – ele falou colocando a cabeça entre as mãos. Um desespero tão palpável que conseguia ferir quem o visse em tal estado.

Shun tentou suportar a visão, mas na verdade estava em choque. O homem que ele amava e que o amava, estava prostrado aos seus pés e ele não podia fazer nada.

- Então vamos ensaiar. – Shun falou ao fim, contendo as lágrimas que queria chorar, e o abraçando com força. - Agora se acalme. Estou tão nervoso com a possibilidade de te perder, quanto você. Aconteça o que acontecer, Eu te amo.

E se afastando o garoto de Andrômeda começou sua ária triste, e dolorosa, fazendo com que sua angustia e sua dor ribombasse nas paredes e no coração de Joseph.

O homem levantou e colocou o violino apoiado no ombro, e firmou-o com o queixo. Deixando que as lágrimas descessem mornas até se deterem em seus lábios, ou no contorno da barba rala. Joey permitiu que o som de seu violino superasse sua tristeza, enquanto a voz de Shun ecoava na sala.

Canta per me ne addio
Cante para mim em Adeus

quel dolce suono
Aquela doce melodia

de' passati giorni
Dos dias passados

mi sempre rammenta
Que sempre me trarão recordações

A voz de Shun ecoava agora no grande teatro.

Nunca os cavaleiros demonstraram tanto assombro antes, do que perante a aquele pequeno milagre que saia da garganta de Shun.

Era como se pisassem no inferno novamente e depois alcançassem o céu em uma velocidade acima da luz embalados pelo violino triste, e a voz melodiosa.

A voz de Shun era tão limpa, tão perfeita, e a dor que ele demonstrava era tão sublime e visceral que na platéia Afrodite já chorava abraçado a Carlo. Não poderia descrever o que acontecia com seus sentidos com aquela combinação tão perfeita de sons e luzes á sua frente.

Quando Daniel se juntou a Shun no dueto então, com a voz pura e cristalina, o salão inteiro pareceu prender e perder a respiração ao mesmo tempo. O jovem Deus só poderia ser comparado a algo sublime, estupendo.

Um novo Cafarelli surgia a frente de muitos.

Athena segurava a mão de Seiya em desalento. Lágrimas lhe escorriam dos olhos verdes. Ikki não conseguia esconder a excitação de ver o irmão tão belamente vestido, com o palco todo iluminado a sua volta, com Dionísio ao seu lado.

E todos. Absolutamente TODOS os cavaleiros e Deuses aos seus pés.

A musica vencera. A voz de Shun vencia todas as barreiras. O salão estava cheio de Marinas, Cavaleiros, e Deuses, e nenhum deles estava imune à dor que a voz de seu irmão provocava.

Carlo e Sheena por serem italianos, sentiam ainda com mais pesar as palavras cantadas. Sheena parecia que ia desfalecer a qualquer instante, mas voltava a si e sorria, olhando para os dois jovens no palco.

la vita dell'amore
A vida de amor

dilette del cor mio
Os meus amados de coração

o felice, tu anima mia
Oh felizmente, Você é minha alma

canta addagio...
Cante suavemente.

E lá estava ele.

Joseph, o primeiro cavaleiro, professor, pai, e amante dos seres que estavam ali naquele palco fazendo com que todos, sem exceção, estivessem a beira das lágrimas. Ele sabia de coração que a musica rompia barreiras sobre-humanas, e naquela noite Shun e Dádio, os seus garotos estavam rompendo todas. Homens e mulheres acostumados a ver sangue, a serem animais frios em batalha, Desesperavam-se com aquela ária bela e triste. Colocavam-se aos pés de um belo jovem e uma criança.

E ele, Joey de Pã, e seu violino, quase uma extensão de seu corpo, estavam ajudando a compor aquela atmosfera mágica e diáfana.

Curvou mais a cabeça e manipulou o arco com mais precisão do que a esperada, o som subiu e ecoou. E Dádio e Shun o acompanharam.

Joseph estava tirando os mais belos e perfeitos sons do instrumento que tocava, e que falava muito mais claramente do que seu próprio coração.

A cabeça tombada ao lado. Regido por Tétis, iluminado por Shun e seu filho.

Seu coração explodindo no peito, sem ritmo certo, mas furioso. Vivo. Violento.

As gotas de suor escorrendo pela sua testa, pousando em seus lábios. O Seu corpo não conseguia parar de se mover ao embalo do acorde do violino. Desespero. Paixão. Medo e dor, naquelas palavras. Naquele pedido urgente, em um canto de morte.

Os olhos do moreno se fecharam e ele só via a Shun e a Dádio, parados, os cabelos curtos e cacheados, vestidos de Ninfos. Só via os homens que amava de todo o coração, iluminados pela aura da música.

Eram os seus anjos da musica.

tempra la cetra e canta
Seu hino de morte

il inno di morte
O céu está se abrindo para nós

a noi si schiude il ciel
E nós flutuamos até os raios de sol

volano al raggio
fine sua lira e cante

Shun via as lágrimas nos olhos de todos. Afrodite segurou um soluço alto enquanto parecia querer desfalecer. Não havia local naquele amplo salão côncavo, que imitava a um amplo teatro de Ópera, em que sua voz e a do pequeno Dádio não estivesse alcançando. Ele se espantou como a sua própria voz crescera, se avolumara, se expandira e apurara em um local como aquele. Sentia seu coração estourando no peito, e sentia orgulho disso.

Lançando a mão ao vácuo, encontrou a mão do menino ao seu lado. Estavam cantando como anjos. Suas vozes estavam se elevando a Zeus.

La vita dell'amore
A vida de amor

dilette del cor mio
Os meus amados de coração

o felice, tu anima mia
Oh felizmente, Você e minha alma

canta addio...
Cante o Adeus.

Quando a ária acabou Shun e Dádio estavam exaustos.

Foram perfeitos dentro da perfeição.

Foram inumanos e estupidamente humanos ao mesmo tempo.

Abraçaram-se com felicidade e satisfação.

- Shun. Shun! Quero cantar com você para sempre! Fique conosco para Sempre! – Dádio gritou feliz pulando no pescoço de Shun. Shun o segurou pela cintura e girou no ar. Por fim abraçou-o bem apertado, e o menino o beijou no rosto.

- Sim, sim meu querido. Vou ficar! – Shun concordou animado. - Com você, estive no paraíso. Produzi o paraíso!

Andrômeda estava muito feliz, estava sereno como nunca esteve naqueles últimos dias.

Vislumbrou a felicidade transformar o rosto do menino, viu os olhos pequeninos da cópia fiel de Joey se encher de lágrimas e os bracinhos tenros o abraçar mais uma vez, não parecendo esgotar sua felicidade nunca. O ato acabou fazendo a túnica que o menino vestia escorregar e revelar um pouco de suas nádegas brancas.

Shun ajeitou-a paternalmente para o garoto antes que a turba excitada de cavaleiros se levantasse das cadeiras, se recuperando da letargia da musica que os dominou.

Então, finalmente o salão inteiro ecoou em aplausos.

Shun e Dádio fizeram mesuras. E mais aplausos os atingiram em ovação. As palmas chocando-se pareciam acariciar os jovens cantores.

Rosas multicolores foram conjuradas por Afrodite e Lilith e lançadas ao ar. Kamus provocou cristais de Gelo finos e belos. Tudo ficou branco e colorido sobre o palco. Deméter, a Deusa, conjurou pássaros e um campo florido que cobriu o palco com uma rapidez incrível, fazendo com que parecesse o chão do próprio Éden. Não obstante, Athena fez com que o fundo do palco parecesse o firmamento sendo cruzado por estrelas cadentes.

A platéia de cavaleiros e amazonas gritavam Vivas aos dois rapazes. Sheena rodopiava pelo salão como se ainda tivesse musica, e cantava junto com Carlo, algo em romanji, o antigo dialeto italiano em que era galgada a música.

Dádio gritou um Opa, e rodopiou sobre os pés. Sorrindo e acenando. Shun começou a bater palmas.

Garçons invadiram o local exibindo suas bandejas repletas de licores e vinhos, chocolates e queijos. Salgados, doces, comidas especialmente preparadas para a ocasião.

Shun viu Aldebaran rodopiar com Aiolia nos braços. O leonino sorria francamente. E seu coração explodiu de felicidade. Abstraiu naquele momento a lembrança de Hyouga, mesmo sabendo que ele provavelmente estaria por ali.

E sem que pensasse muito, Shun abriu a boca, e deixou que sua voz subisse mais uma vez na ária que o consagrou.

E quando terminou o bis, Shun percebeu que estava sendo enlaçado firmemente pela cintura. Não temeu. Não se exaltou. Precisava daquilo para lhe dar forças, para lhe dizer que tudo acabaria bem.

Sem se virar para trás, jogou as mãos para cima, deixando que as mãos em sua cintura deslizassem para cima e para baixo em uma carícia possessiva.

Andrômeda girou sobre os calcanhares de forma decidida. E permitiu que Joey o beijasse.

Abandonando-se no beijo, Andrômeda sentiu o cosmo do cavaleiro que mais temia se alterar no meio da multidão. Não, se ele estivera ali enquanto estava cantando, ele não demonstrou. Para falar a verdade não tinha sequer tido um vislumbre de Hyouga o dia inteiro, mesmo sabendo que ele estava dentro do castelo. E tampouco o desejou.

Passou a tarde, depois de ter discutido com Joseph, se aprontando para a grande apresentação. Treinando ora com Daniel, ora com Joseph.

Nas horas finais, estava tão colado com Afrodite que o outro se tornara extensão de sua sombra. O pisciano simplesmente não o deixou sozinho com medo que Hyouga se aproximasse. E assim foi feito até que cantasse a ária, e beijasse Joey. Mas Hyouga conseguiu estragar o momento. Conseguiu se impor, mesmo sem abrir os lábios, e sem que Shun batesse os olhos nele.

Andrômeda Ignorou a presença.

Se Hyouga continuava o mesmo garoto arrogante que pensava que poderia desviar sua atenção, se enganou, e feio. Ele estava nos braços de Joey, estava seguro. Se não, tinha que acreditar que de fato estava. Era desesperador. Era medonho que Hyouga se impusesse de tal forma, e justo para ele.

Shun entrou em torpor mental obrigando-se a se ater aos lábios carnudos que tomavam os seus. Afundou seus dedos na nuca de Joseph, estava se desesperando. Sua cabeça zumbia.

O cosmo do cavaleiro de cisne se alterara, e era claramente dirigido a uma comunicação com ele. A cosmo energia se fez ainda mais presente, e forte. O cosmo de Hyouga, virulento, se diferenciava tanto da atmosfera pacífica do salão e o atingia em cheio. Fazendo Shun espiralar e perder os sustentos.

Era ao mesmo tempo abominável e encantador.

Não era malévola a sensação, mas era tão cruel que Shun podia sentir o ciúmes que Cisne sentia dele e junto com isso o ódio súbito que o cavaleiro sentia de Joey.

Não, ele não olharia para Hyouga.

Não abriria os olhos para encara-lo. Pelos Deuses, será que só ele sentia aquilo. Será que Afrodite ou algum outro não viria a seu auxilio rompendo aquele elo infame e indesejado a que Hyouga o prendeu?

Mas ninguém pareceu perceber. E se perceberam, ninguém veio ao seu auxilio.

Andrômeda tremeu ao sentir a cosmo energia de Cisne tentar comungar com a dele, em uma intimidade forçada que ele não sabia se queria se subjugar. Era como um estupro mental. Como uma carícia na nuca, ou um beijo no rosto dado por uma pessoa que não temos intimidade. Terno, mas incomodo em tal situação.

Afinal ele estava nos braços de Joey! Não fazia sentido nada daquilo.

Sem que percebesse, Shun cessou o beijo, fazendo com que Joey perdesse a cadência do mesmo e acabasse parando para olhar para o meio do salão.

Também sentira um cosmo estranho, mas não se ateve a isso até que Shun pareceu perturbado demais.

- O que houve, pequeno?

- Preciso sair daqui. – Shun falou entre dentes, de si para si. – Preciso sumir daqui. - Vamos Daniel, vamos... – Shun falou desesperado, largando Joseph sem nada dizer e catando Daniel pela mão. O menino nada entendeu, mas desapareceu com Shun no meio das pessoas, atrás das cortinas pesadas de brocado e veludo, enquanto Joseph, mais perdido do que nunca, desviou seu olhar para o salão.

Em meio a vários cavaleiros e amazonas que se divertiam e ainda batiam palmas para ária que havia acabado há muito, sem ao menos perceber que os cantores tinham desaparecido, havia um cavaleiro.

Ele destoava dos demais porque os outros estavam se movendo, e o cavaleiro era o único que estava parado e por isso era mais assustador.

E Joey não se deu ao privilégio da dúvida. Soube de imediato que esse cavaleiro era Hyouga de Cisne.

Os cabelos loiros e compridos balançando no vento. A armadura Divina de Cisne brilhando branca e reluzente como um diamante, adornada por uma capa escarlate. O rosto branco e perfeito encarando-o com uma expressão estranha. Os olhos cintilando em excitação e ódio. E Joey soube que aquele olhar esteve fixo em Andrômeda por todo tempo que estiveram no palco.

Não tinha mais dúvidas. Shun fugiu, ou foi obrigado a fugir do campo visual daquele homem por causa disso.

E aquele homem queria, e iria ao inferno para ter o seu Andrômeda.

E a certeza disso pôde eclipsar qualquer resquício de sanidade que Joey ainda possuía.

Joey quis gritar.

Mas ao invés disso virou-se de frente, e mentalizou sua armadura. E como se a mesma brotasse do solo, Pã lhe vestiu. A indumentária de Ouro branco tinha esmeraldas verdes por toda sua extensão. O elmo imponente lhe cobria até o nariz e como o grande Deus, tinha chifres maiores que o da armadura de Capricórnio, terminando em uma enorme plumagem verde musgo.

Bizarramente linda. Ofuscante.

O primeiro Cavaleiro de Deméter queria fulminar Hyouga. E Hyouga parecia disposto a ficar ali para presenciar a própria morte.

Os olhos negros de Joseph de Pã, estreitaram-se em uma expressão de ódio visceral quando já se encontrava por fim todo vestido. Os sapatos da armadura eram fendidos como os de um bode, arrancaram um pouco da grama espectral que Deméter criara quando o homem começou a andar em direção a Hyouga.

Quando os cavaleiros que se divertiam no salão, perceberam que Joey tinha convocado a armadura, ficaram confusos. Na verdade levantaram os olhos para Joey com um olhar de estupidez, só conseguiam ver o brilho da armadura. Olharam para o pacífico homem que descia as escadas, chegando ao chão em completo desatino.

Athena, que estava acomodada em um elegante camarote a esquerda do palco com Deméter e Seiya correu os olhos para a turba abaixo de si, e viu Hyouga na entrada do salão, os olhos fixos no cavaleiro. Apoiado em um só pé, começando seu balé dos cisnes. Depois a Deusa correu os olhos para Joey que abria caminho entre os cavaleiros, garçons e crianças.

Sentia o cosmo de Deméter tentando falar com Joseph, mas o cavaleiro simplesmente não estava com a mente aberta a isso. Estava sentindo a cólera do homem se avolumar conforme ia se aproximando do homem de Cisne.

Faltavam poucos metros para que se encontrassem quando Andrômeda, sabe-se lá surgido de onde, utilizando-se de sua velocidade desumana de Cavaleiro, se pôs entre eles.

-ooo-

Os olhos de Hyouga vacilaram. Correram do rosto de Shun para o do homem que se aproximava disposto a tudo para que ele não tocasse no antigo amante. Hyouga nunca tinha visto em nenhum inimigo um olhar como aquele. Era magoado. Era aterrorizante como o de um Deus contrariado. O cavaleiro de Cisne só percebeu naquele momento, que Shun se pusera entre eles para evitar que fosse estraçalhado pelo homem a sua frente.

O loiro pensou durante aqueles cruéis dois anos que o reencontro com Shun seria algo mágico, algo diferente. Obvio que doloroso também, devido as circunstancia da separação, mas não achou que iria encontrar Shun nos braços de outro homem. E não que esse homem estivesse disposto a lhe arrancar a alma do corpo com um sorriso na face.

- Joey. – Vamos sair daqui. Não faça besteiras. - Shun falou olhando para o namorado. – Por favor, desta vez, me ouça.

- Você não tem que pedir nada a esse homem Shun! – Hyouga falou. – Eu vim em paz, e permanecerei em paz. Só quero falar com você. Se ele vai me atacar, é problema dele. Eu não levantei a mão, tampouco me dirigi a ele. O ciúmes dele é problema dele. Não posso me culpar por ele se sentir ameaçado pela minha presença. – O cisne falou cruzando os braços sobre o peito.

- Hyouga... cale-se. – Shun falou olhando pela primeira vez para Hyouga. Pensou que cairia, que os joelhos fossem lhe faltar. E sentiu a primeira fisgada no peito. Magoa. Que a mágoa e o ódio sobrepujassem todas as suas emoções por Hyouga agora. Ele tinha de proteger Joseph, tinha que evitar uma briga desnecessária, e com certeza fatal. Ao olhar para Joey ele sabia que Hyouga não teria chance.

– Eu resolvo isso. – Shun falou se virando para Joey e tocando seu peito. Sentiu o coração do namorado bater tão acelerado que parecia estar em taquicardia.

Joseph o encarou com os dentes á mostra, como um bicho. Os olhos completamente vermelhos de ódio. A sobrancelha bem formada era um arco em V tão perfeito que assustaria o mais desalmado dos oponentes. E o cosmo espiralava em turbilhão.

Joseph olhava por cima do ombro de Shun, diretamente para Hyouga. Estava disposto a faze-lo engolir cada palavra proferida da pior e mais dolorosa maneira que conhecia. Mas diante a intromissão de Shun, o moreno percebeu que nada poderia fazer. Não naquele momento, em que percebia que Shun se agarrava a ele como podia. Percebeu que todos no salão temiam a ele.

- Espero que você saiba o que está fazendo. – Joey falou seriamente sem desviar o olhar para Shun. – Espero que você saiba que se sumir por aí com esse homem, talvez nunca mais exista algo para nós. – O moreno falou com a voz completamente alterada. - tampouco vida para ele. - Joey ameaçou. Praticamente latia as palavras. Shiryu e Ikki apareceram ao lado de Shun, ambos de armadura, prontos para segurar o homem que demonstrava todos os sinais corporais de querer avançar em Hyouga e reduzir seus ossos a pó.

- Acalme-se amigo. – Hyouga falou demonstrado sinais claros de medo. A testa branca suava como se estivesse exposto ao fogo dos infernos. Shun sabia que Joey tinha invadido a mente de Hyouga da mesma forma que Hyouga fizera com a dele. E estava jogando as imagens mais terríveis na mente de Cisne. Hyouga levou as mãos a cabeça. Gritou de dor. Mas ninguém entendia, Joey não o tocava. Joey simplesmente manipulava a mente de Cisne.

- Primeiro. Não sou e nunca fui seu amigo. Sou perigoso, Cisne. Você já sabe disso. – Joey falou rompendo a invasão mental que produzia. – E da próxima vez, ao invés de lhe mostrar o estado do corpo de sua mãe em putrefação e fazê-lo recordar a dor e ódio de Hagen, eu mesmo lhe reduzirei a um cadáver pútrido.

- Maldito! – Hyouga falou com lágrimas nos olhos. A dor foi se atenuando, mas as cruéis imagens que Joseph plantou em sua mente estavam tão frescas quanto o ar que o cercava. – Você não quer é assumir que tem medo de que Shun o abandone. Está tremendo por amor, cavaleiro. Muito nobre de sua parte! – Hyouga escarneceu.

- Talvez porque eu nunca tenha feito nada que o magoasse, nunca o tenha traído. Talvez porque eu o ame de verdade como você nunca foi capaz de fazer!

- Parem! – Shun gritou. - Já basta. – Vamos embora Joey!

- Parem já com isso. – Athena falou chegando perto da confusão, mas foi solenemente ignorada. O cavaleiro de Deméter e o cavaleiro de Athena se encaravam com fúria.

- Parem já com isso. E se calem! Não quero, nem vou discutir minha vida no meio de uma festa! Será que vocês não tem um pingo de respeito por Deméter e essas crianças que se prepararam um ano inteiro para essa celebração! – Shun berrou. – E eu não vou a lugar algum Joey. Não agora. Abaixem esses cosmos os dois. Eu não sou um troféu para que os dois fiquem dessa forma. – Shun disse se virando de costas para Hyouga e olhando o namorado.

- E agora Hyouga de Cisne. Deixe-nos em paz. Foi ridícula a forma que desviou a atenção de todos, e o modo que irritou a Joseph. Como bem vê não lhe permito intimidades. – Shun falou segurando o braço de Joey firmemente, fazendo pressão para que o homem seguisse pelo lado contrário. – Agora, Joseph, nós vamos voltar para festa. Não percebe que ela parou por causa de vocês? Athena está a ponto de perder o bebê...

- Shun, esse assunto não é uma brincadeira para mim. Ele me tira do sério, completamente. Eu já tinha lhe dito hoje. Para mim, a volta deste homem não é uma brincadeira de crianças...

- Tampouco para mim o é. E agora me ouça homem! – Shun cortou - Voltaremos para festa. Ficaremos até o fim, e depois nós resolveremos esse assunto! Não me olhe com essa cara. Somente espere. O que dói agora, o que te angustia agora, com certeza doerá ainda mais pela manhã. E aí sim, quando não suportar mais a dor, você poderá explodir. Até lá ignore-o. E fique com a certeza de que eu te amo. – Shun falou levando o homem dali. Entrando no meio das pessoas e cavaleiros que estavam atentos a discussão. Joey tremia tanto de ódio que seguiu Shun á contragosto rilhando os dentes.

- Tétis... Continue com a música. Por favor. – Hyouga falou olhando para a Marina que tinha parado em uma pose besta, com as mãos suspensas no ar quando deu conta da discussão. Viu Seiya e Shiryu o encarando com rostos duros e maneando a cabeça. Ikki simplesmente avançou sobre Hyouga o segurando pelo pescoço, e sumindo tão rápido com o homem dali, que Seiya só foi perceber que tinham saído do salão quando piscou novamente.

- Para onde Ikki o levou? – Saori perguntou apavorada – Será que...

- Ikki não vai fazer nenhuma besteira. Confie nele Saori. Por agora é melhor que fossemos entreter o Joseph. Ele não parece nada bem. – Shura, que esteve ao lado de Shiryu o tempo todo, aconselhou. – Ele quase derrubou todas as pilastras do salão.

Os cavaleiros dispersaram-se para todos os lados.

Deméter tentava acalmar um pequeno Dionísio que ao tomar conhecimento do acontecido com seu pai soltou os mais cabeludos palavrões em francês em direção a Hyouga. O garoto estava tão furioso que foi necessário que Shun se aproximasse para entretê-lo enquanto Joey era rodeado por Shura, Afrodite, Carlo e Sheena.

Kamus e Milo foram os únicos que foram atrás de Hyouga e Ikki.

Aos poucos a musica e a alegria voltaram a se espalhar na festa. Mas o clima estava tão tenso, que o baile de primavera de Deméter tinha a atmosfera do frio de inverno.

-ooo-

Colado contra uma parede de pedra, que estava arranhando sua armadura, Cisne sentia as mãos de Ikki contra o seu pescoço, e o outro parecia disposto a separa-lo do resto de seus membros.

Ikki sempre tivera um temperamento explosivo e superprotetor com Shun, mas nunca esperou ser arrastado com tanta violência e rapidez para fora do salão por causa de uma simples discussão. Mas se o cavaleiro de Fênix esperava facilidade em derrotar Hyouga, se surpreendeu com a força de vontade do cavaleiro de Cisne. Hyouga girou como um bailarino e desferiu-lhe um golpe na barriga.

Ikki simplesmente recuou dois passos como se o violento golpe fosse somente um empurrão.

- Sabe que se começar a me atacar sem pensar vai ser derrotado Hyouga. Como sempre foi derrotado por mim. – Ikki falou liberando uma risada de escárnio.

- Não somos mais crianças Ikki. – Hyouga falou se pondo de pé e ajeitando a roupa. Seus cabelos loiros em completo desalinho. A pele branca do pescoço marcada pela pressão dos dedos de Ikki – Não podemos resolver tudo com violência e eu tampouco desejo que seja assim.

Ikki se afastou mais dois passos dele e o encarou diretamente nos olhos. Os olhos cinza de Fênix encararam os orbes azuis de Hyouga.

- Não vou lhe moer de pancada como de fato merecia por sua audácia de fazer o que fez agora a pouco. Muito pior, me divertiria com isso. Eu e você Hyouga, temos um assunto pendente sobre Shun há muitos anos. E agora ele vai ser resolvido.

Hyouga encarou Ikki estupefato. Que se lembrasse, não tinha assunto nenhum com Ikki, a única pessoa com quem ele queria e iria conversar seria Shun, assim que acalmasse o cão de guarda que ele chamava de namorado.

- Não tenho assuntos com você Ikki! – Hyouga falou se afastando e se voltando direto para o salão repleto de pessoas. Se ele tivesse sorte ainda falaria com Shun antes que todos se recolhessem. Mas não conseguiu dar nem mais um passo. Ikki o segurou com força pelo braço e empurrou novamente para a parede.

Hyouga impacientou-se, mas não teve tempo para ficar irado de fato. Ikki materializou-se bem a sua frente como que saído do próprio chão, e bateu em seu queixo. Jogando a cabeça de Hyouga para trás que o fez vislumbrar o teto escuro do firmamento salpicado de estrelas. E antes que Hyouga pudesse recupera-se, Ikki lhe aplicou um tremendo soco no meio das costas que o fez sair voando até a parede onde antes estava sendo sufocado.

- Sinto lhe dizer Patinho... Que você tem muito a ouvir de mim! E este assunto começa agora! – Ikki gritou furioso - Aceite minha proposta enquanto eu ainda tenho paciência e não te conduzo direto para o inferno. Pois foi lá que você jogou toda a auto-estima do meu irmão!- Ikki latia - E Hyouga de Cisne, lhe aviso, não ouse magoa-lo novamente, não ouse atrapalhar o romance dele com Joseph, ou você vai encontrar sua santa mãe bem antes do tempo! – Ikki falou o ameaçando.

E enquanto ele começou a falar. Hyouga viu sua conversa com Shun se distanciar daquela hora.

-

Fim do Ato – 1


Agradecimentos aos comentários recebidos tanto aqui neste site, quanto por e-mail.

Angell Kinney