N/A: Oi gente! Sem demoras, este capítulo está bem grandinho...desculpem...a imaginação simplesmente fluiu!

Aviso: Contém Hentai.

CAPÍTULO VI

- Mc. Donalds! - Kamus expressou sua indignação enquanto observava o Big Mac com fritas e refrigerante à sua frente.

- O que você esperava? Um restaurante francês? - Elle divertia-se com a reação do cavaleiro.

- Não, mas poderia ser algo mais saudável! Estes garotos são atletas! Precisam de uma alimentação balanceada. - Aquario apontava para os cinco garotos sentados próximos ao casal. Todos deliciando-se com dois lanches cada um.

A reação de Kamus fazia com que Elle se divertisse mais ainda com a situação. Resolveu então, colocar o dedo na ferida, para ver o que ele faria:

- Eles são jovens, vão perder logo as gorduras ingeridas, e além disso, é só hoje, deixe-os aproveitar o momento de glória.- e com um olhar cínico alfinetou. - Falando em momento de glória, como se sente sendo derrotado de forma humilhante por um adolescente de 14 anos?

Aquario encarou a mulher a sua frente com um olhar sério, fazendo Elle entender que talvez, tivesse ido longe demais na brincadeira. Contudo, sem mais nem menos, Kamus soltou uma gargalhada, deixando a moça atônita. Até então, mal vira o rapaz sorrir, imagine gargalhar! Elle ficara um pouco assustada com a reação de seu companheiro, mas logo o cavaleiro acalmou-se e explicou a situação:

- Não estou chateado por ter perdido pro Bob. Ele nasceu pro esporte que pratica, pode fazer isso de olhos fechados. Não me sinto humilhado, muito pelo contrário, é uma honra perder pra alguém tão talentoso. Há alguns anos atrás, eu me sentiria terrivelmente envergonhado e humilhado, mas uma derrota semelhante à que enfrentei hoje, me fez repensar o meu jeito de ser. Eu entrei numa... - Kamus pensou um pouco em como falaria sobre a sua batalha contra Hyoga. - numa disputa, faz uns 6 anos mais ou menos, enfrentei alguém mais jovem do que eu. Eu realmente acreditei que jamais perderia, aliás, eu pensava que eu não podia perder, era mais experiente, mais preparado. De certa forma, havia ensinado àquele garoto tudo o que ele sabia, pelo menos era o que eu pensava. O resultado é que fui derrubado pela minha própria arrogância e frieza, aprendi muito naquele momento. Percebi ali, que tudo ao que tinha me dedicado até então, de nada valia sem o que aquele rapaz tinha para me ensinar.

Parando um momento, Kamus percebeu que Elle o encarava com um brilho no olhar, a moça ficara impressionada com as palavras dele. A filha do senador chegara a pensar que o cavaleiro era um poço de arrogância quando se tratava de suas habilidades, mas percebera o quanto estava errada. Ele admitira sem problema algum ter sido derrotado por Bob no basketball, reconhecera o talento do garoto prontamente, parabenizando-o. Recuperando um pouco da consciência, Elle resolveu falar:

- Você realmente me surpreendeu. Jamais esperaria algo tão nobre de você. - Percebendo, pela expressão do rapaz, que não colocara as palavras de forma correta ao dizer que ele não era nobre, tentou reparar. - Não...quer dizer, não que você não seja nobre. Não é isso...é que...bem... - Elle gaguejava, buscando palavras para se corrigir, em meio à sua pequena crise de pânico. - desde aquela conversa no avião...você me pareceu um pouco...é...como posso dizer...arrogante... - Agora a crise tomara proporções homéricas, tinha que ter dito arrogante? De onde veio essa palavra? - Não que você seja! Não é isso, é que...

- Tudo bem Elle, eu já entendi. - Kamus interrompeu a garota, que devido ao nervosismo, disparara a falar. - Sei que não quiz dizer isso, e sei também o que a levou a pensar dessa forma, tenho minha culpa nisso. - Nesse momento, o aquariano envolveu as mãos agitadas da garota entre as suas, tentando deixá-la mais confortável com aquela conversa, e encarando-a com um olhar amável, continuou. - Não tive a oportunidade de dizer isso antes nem saberia como fazê-lo, mas acho que este é um bom momento para lhe pedir desculpas.

A assistente social viu-se surpreendida com as palavras do cavaleiro, cada vez mais aquele homem derrubava os mitos que ela criara sobre ele. Kamus não era arrogante e egoísta como pensara, até arriscaria a dizer que ele poderia não ser tão frio como aparentava na maior parte do tempo. Sem palavras para seguir com o diálogo, Elle deixou que Kamus continuasse:

- Eu construí uma série de preconceitos sobre você, me deixei levar pelo estereótipo. Não abri minha mente pra você, por isso fui pego desprevenido quando me falou do seu trabalho, no avião. Peço desculpas por ter pensado dessa forma sobre você. Você conseguiu me surpreender e mostrar que eu estava errado.

Tudo o que Elle conseguiu dar em resposta às palavras do cavaleiro foi o seu límpido sorriso. Estava encantada com o que ouvira, não sabia explicar exatamente o porquê, mas saber que Kamus não a via como uma menininha mimada era muito importante. Ele apareceu numa fase conturbada, sua vida virara de cabeça para baixo, da noite para o dia, e a entrada de Kamus nela, parecia que só iria piorar as coisas. Mas ouvir ele dizendo que achava importante o seu trabalho, quando estavam no centro, e agora alí, na sua frente, admitindo seu erro abertamente e ainda lhe pedindo desculpas... isso mudava tudo. Kamus não era mais um dos problemas que Elle tinha, ele era um refúgio para os mesmos.

Num gesto instintivo, Elle enlaçou a mão direita na de Kamus, e com a outra iniciou uma leve carícia no braço do cavaleiro. Não conseguia pensar em mais nada naquele instante, exceto na paz que a presença do aquariano lhe transmitia. Como algo assim podia estar acontecendo? Como conseguia se sentir tão bem ao lado daquele estranho? Conviveu cinco anos com Joshua e nunca se sentira tão bem ao lado de seu ex-noivo, quanto estava se sentindo ao lado de Kamus. Mas não o conhecia! Mal sabia quem ele era! E se o que ele disse era mentira, e se ele não fosse quem diz ser?

- Aham! Aham! - Um pigarrear de Bob tirou Elle de seus pensamentos, bem como fez Kamus voltar da viagem que fizera no mel dos olhos da garota. - Será que estamos atrapalhando algo? - O garoto perguntou com um sorriso travesso nos lábios.

O casal desfez o contato das mãos, ambos afastando-se com sorrisos constrangidos enquanto os outros garotos caiam na gargalhada com a expressão dos mesmos.

oooOOOooo

Após o lanche recheado de piadinhas e muitas risadas sobre o casal, Elle levou Kamus para conhecer o "Central Park". Enquanto caminhavam pelo maravilhoso refúgio verde em meio ao mar de concreto da cidade, apreciavam a agradável paisagem e conversavam sobre banalidades:

- ... e ele disse que tinha superaquecido o...o...aquele negócio...Ah, nem lembro o nome, o cara falou que eu tinha que ter colocado água lá.. De qualquer forma, o carro não andava! Eu estava desesperada, começou a anoitecer, aquele lugar ficava cada vez mais deserto! Eu não pensei duas vezes, entrei no primeiro taxi que passou na minha frente. Só voltei lá no outro dia com um segurança e o reboque. - Elle contava uma de suas incríveis aventuras.

- Espere um pouco! Você deixou uma BMW abandonada por aí? - Kamus não acreditava no que estava ouvindo.

- Mas é claro! O que é um carro perto da minha segurança? - A garota respondeu fazendo-se de ofendida com a pergunta do cavaleiro. - Eu estava sozinha, usando um vestido de baile, num lugar que eu não conhecia!

- E como deixou de colocar água no radiador? - O aquariano era mais indignado ainda com a falta de cuidado que Elle tinha com uma BMW! Por Atena! Era uma BMW!

- Eu nem sabia que carros precisavam de água. Sempre achei que era só encher de gasolina e andar até que o combustível acabe. - com um sorriso amarelo, Elle demonstrou numa única frase, todo o seu conhecimento sobre carros. - Sempre quem cuidou disso pra mim foi o motorista do meu pai. Vez ou outra o Joshua também... - A moça interrompeu o assunto no mesmo instante, mostrando-se um pouco abalada.

Kamus notou a mudança repentina de Elle:

- Você está bem?

A jovem não respondeu, não conseguia. Esfregava sua mão na nuca, enquanto mirava todos os lados, num gesto claro de desconforto. Elle limpou o suor frio que começava a surgir na testa, voltando a se dirigir ao cavaleiro:

- Está tudo bem. Vamos esquecer os carros. Que tal falarmos de outra coisa? Sabe o que eu queria te perguntar antes e acabei esquecendo? - alterando por completo o rumo da conversa, Elle foi recuperando seu estado normal, não sem antes respirar profundamente para disfarçar a voz que começava a arranhar com o choro detido na garganta. - Você disse que tinha um compromisso essa semana na Grécia, inadiável, mas não falou do que se tratava. Talvez nem seja da minha conta, mas eu não resisti, tinha que perguntar. Então? O que era?

Aquario a encarou mais sério do que nunca, estava pronto para insistir e obrigá-la a falar se fosse preciso, era óbvio que Elle tentava simplesmente bloquear o que havia acontecido no dia do seu casamento, mas isso estava sufocando-a. Ela precisava falar sobre o ocorrido, não ignorar como se nada tivesse acontecido. Mas lembrou-se do diálogo que tiveram na Estátua da Liberdade e como a garota foi furtiva quando ele tentou descobrir o que conversara com sua mão durante o café-da-manhã. Preferiu então esperar, talvez, com o tempo, Elle passaria a se sentir mais à vontede, e se abrisse um pouco.

Notando a expressão fria do rapaz, Elle ponderou que talvez não fosse da sua conta o compromisso que ele tinha na Grécia, tentou então, remediar sua pergunta:

- Tudo bem, não é da minha conta, não é mesmo? Já entendi o recado. Se não quiser falar...não tem problema.

- Não é isso, eu apenas me desliguei por um momento. Desculpe-me. - Kamus buscou dentro de si um ar amável, o que não foi nada facil, considerando o quanto conseguia ser emotivo, para tirar a impressão de rabugento que passara à Elle. - Era um casamento, de um casal de amigos meus. São pessoas muito queridas pra mim. Seria na próxima sexta.

Com um olhar consternado, Elle sentiu que precisava desculpar-se:

- Eu lamento por você perder o casamento deles. Gostaria de poder fazer alguma coisa.

- Não se preocupe, eles adiaram. - O mestre de aquario respondeu com naturalidade, agindo como se fosse comum o fato de um casal como Marin e Aiolia adiarem um casamento tão desejado e planejado desde o fim da batalha ocntra Hades.

- Adiaram? Por que? Aconteceu alguma coisa? Por acaso o seu amigo não...quer dizer...bem...ele não fez o mesmo que o meu noivo. Fez? - Elle estava chocada. Será que era uma epidemia, ou uma maldição que estava atingindo a todos os casamento naquele momento? Pobre da noiva amiga de Kamus, estava passando pelo mesmo que ela. Assim que voltassem para casa, pegaria o telefone dela com o arquiteto e ligaria para a mulher. Seria bom que ela soubesse que à outras no mundo passando pela mesma crise. Malditos homens, como podem fazer isso com nós mulheres, me dias tão importantes para nós? Elle estava inconformada, então o amigo de Kamus era tão cachorro quanto Joshua.

- Não! Que isso. Aiolia jamais trairia Marin, ele a ama. Acredite em mim. Milo colocou na frente dele todas as stripers de Las Vegas para que se divertisse em sua despedida de solteiro, e mesmo assim ele não cedeu. - Kamus imaginou o que Elle pensara e tentou rapidamente construir a honra do Leão para a jovem. - Acontece que tanto Aiolia quanto Marin fazem questão da presença de todos lá, então preferiram adiar alguns dias o casamento, aé que eu e os outros possamos retornar.

Elle tinh uma expressão de carinho na face, colocou a mão no peito, num gesto de ogulho pelo que acabara de ouvir:

- Que fofo! Eles são tão gentis! E essa Marin, como ela tem sorte. Sério mesmo que o seu amigo resistiu às stripers de Las Vegas? - e assumindo um olhar inquisidor, Elle fulminou Kamus com uma pergunta. - E você? também resistiu às stripers de Las Vegas?

Subitamente, a gola da camisa pareceu ficar tão apertada quanto um laço para enforcamentos. Kamus tossiu um pouco, numa tentativa de limpar a garganta, enquanto suas mãos se ocupavam de tentar afrouxar o colarinho e os olhos buscavam uma saída no céu que começava a escurecer, com a proximidade de um possível temporal. Aproveitou essa imagem para desconversar:

- Parece que vem uma tempestade. Talvez fosse melhor nos encontrarmos com os outros e voltarmos. Não é seguro pegar a estrada com chuva.

- Sei. - A filha do senador encarou o "marido" com ares de desconfiança. - Antes eu preciso passar no apartamento da minha família aqui na cidade, tenho que pegar umas coisas que mamãe pediu pra levar.

ooooooOOOOOOoooooo

A tempestade conseguiu ser mais rápida que os pedestres na rua, desabando impiedosamente, de uma hora para a outra. Kamus e Elle adentraram a luxuosa cobertura na Park Avenue(1), completamente encharcados, foram atingidos em cheio pelo temporal que caía, agora do lado de fora das enormes janelas com vista para a maravilhosa cidade. O duplex localizado na cobertura de um luxuoso prédio em frente ao Central Park era rodeado de elegância e sofisticação por todos os lados, tornando o ambiênte aconchegante e um verdadeiro colírio para os olhos:

- Bela decoração. - Kamus apreciava admirado o espaço à sua volta, já frequentara vários lugares luxuosos, até mesmo o prórpio Santuário, com a chegada de Saori, adaptara-se aos costumes um pouco esbanjadores da Deusa, mas não se comparava ao apartamento da família Richards. O ar daquele lugar transmitia uma sensação agradável.

Elle sorriu com o comentário do rapaz e falou, enquanto tirava os sapatos encharcados:

- Obrigada. Esta é a obra prima da minha mãe. Uma coisa tenho que admitir, quando se trata de decoração, minha mãe tem um gosto impecável. Ah! Falando nisso, tire os sapatos antes de pisar no tapete. Se ela descobrir que calçados molhados entraram aqui, estamos mortos.

O aquariano praticamente arrancou o par de calçados de seus pés, não queria dar mais um motivo à Jane para odiá-lo. Depois disso, Elle o conduziu até um dos quartos indicando que entrasse:

- O banheiro fica à direita e há um roupão sobre a banheira. Coloque a roupa molhada no tubo da área de serviço, ela cairá num cesto. Ligarei para a lavanderia vir pegar hoje mesmo. Amanhã nossas roupas estarão limpinhas e secas. - Elle explicava enquanto mostrava o enorme aposento a Kamus. - Acho que tem umas roupas sobrando em algum lugar, que talvez lhe sirvam, vou procurá-las enquanto você toma um banho.

Falando isso, Elle foi saindo do quarto, quando de repente, soltou um gritinho de exclamação, quase fazendo o cavaleiro bater contra a porta do banheiro:

- Ah! Lembrei! Milo e Afrodite! Não há como voltarmos hoje nessa chuva, a estrada fica muito perigosa. Pedirei para que venham pra cá.

A garota virou-se rapidamente e saiu porta à fora, com a mesma energia de segundos atrás.

oooOOOooo

Após o banho, Kamus foi a até a cama, onde estavam uma calça jeans da marca Diesel e uma camisa Hugo Boss que Elle deixara. Se estas eram as roupas que sobravam por ai nos armários da casa, não queria nem imaginar o que era essencial neles. Já vestido, começou a andar pelo corredor, um pouco perdido, até que ouviu alguns barulhos vindos do andar de baixo e desceu as escadas. Encontrou Elle na cozinha, tirando tudo o que tinha na geladeira enquanto resmungava com cada produto que caía em suas mãos.

Por um instante, o aquariano se perdeu na visão à sua frente. A moça estava inclina sobre as pratelerias, com a cabeça quase dentro da geladeira, vestia um short branco, não muito curto, mas também não muito cumprido, envolto com uma faixa de seda estampada com motivos florais. A blusa regata num tom verde claro dava o ar sensual e ao mesmo tempo inocente da jovem. Por fim, os cabelos louros, na altura dos ombros completavam a visão angelical que ele tinha diante de si.

Num impulso, quase sem controle sobre si mesmo, Kamus foi aproximando-se, com passos tão furtivos quanto os de um felino prestes a atacar sua presa. Chegou o mais perto que conseguiu sem ser notado e acabou perdendo mais ainda de sua razão ao sentir o perfume levemente adocicado que exalava da pele dela. Num gesto provocativo, inclinou sua cabeça cuidadosamente, aproximou os lábios do ouvido de Elle e sussurrou:

- Precisa de ajuda?

- AH! - Um grito de susto ecoou pela cozinha e um vidro de geléia de damasco voou da mão de Elle, sendo magnificamente abaralhado por Kamus.

Com a mão sobre o peito, tentando acalmar o coração que disparara não só pelo susto, como também por sentir a presença tão próxima do rapaz, Elle falou:

- Quer que eu tenha um infarte?

- Desculpe, você parecia tão compenetrada, não imaginei que fosse se abalar tanto. - O cavaleiro respondeu com um leve sorriso nos lábios. Sabia que todo aquele tremor não era apenas pelo susto.

Afastando-se rapidamente dele, Elle começou a recompor-se:

- Liguei pros rapazes. O Milo disse que não precisavamos nos preocupar, ele está em ótimas mãos. Quanto ao Afrodite, ele já chegou na casa de campo. Ele me falou que acabou comprando mais do que esperava e achou melhor voltar logo, não queria andar por aí com tanta sacola.

- Eu imagino. - Kamus respondeu sem se importar muito com os amigos, sabia que aqueles dois se arranjavam de algum jeito, se não o fizessem, como poderiam se considerar cavaleiros! Voltando a se ocupar de Elle, perguntou. - Por que você estava brigando com a inocente geléia?

Elle sorriu com a brincadeira involuntária de seu companheiro, já notara que senso de humor não era o forte dele, mas vez ou outra, sem querer, ele acabava fazendo um pouco de comédia da vida:

- A geléia não é tão inocente assim. Eu estava procurando algo para comermos. Então? O que você quer para o jantar? Pode pedir que eu providenciarei!

- Você vai cuidar do jantar? - O cavaleiro parecia um tanto quanto cético quanto à capacidade de Elle para a cozinha, mas preferiu não duvidar tanto, já errara antes.

- Mas é claro! Sou a anfitriã da casa, devo receber meus convidados com estilo. - Elle começou a pensar no possível cardápio. - Vejamos, você é francês não é mesmo? Bem, talvez lhe agrade um prato da culinária francesa. Ah, já sei! Que tal um dos meus favoritos? Pato assado, regado ao molho de mel?

- Hum! Boa escolha. - Kamus não queria nem imaginar no que poderia acontecer com Elle na cozinha.

Tendo a aprovação de seu convidado para o cardápio, a filha do senador puxou de dentro do balcão, um guia gastronômico da cidade de New York e região, começando a folhea-lo, até chegar na cessão de restaurantes franceses.

- Espere um pouco! Você vai encomendar? - Aquario não acreditava no que via. - Você disse que iria preparar algo!

Balançando o dedo em negativa, na frente do rosto de Kamus, Elle o corrigiu num tom zombeteiro:

- Não! Não! Eu disse que iria providenciar, não preparar. Você não achou que eu iria cozinhar, achou? Eu não sei nem fritar um ovo, imagine preparar um pato assado ao molho de mel.

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Sentados sobre o tapete da sala, em frente à televisão, Elle e Kamus saboreavam a iguaria francesa, juntamente com um excelente vinho tinto. Ambos conversavam, agora um pouco mais desinibidos, graças ao Cabernet(2) que degustavam. Com a face um pouco vermelha, devido ao álcool, Elle tentou acalmar sua pequena crise de riso e falou:

- Eu adoro isso sabia? Comer assim, de forma descontraída, na sala. Não gosto muito de toda aquela formalidade. - Voltando a sorrir, completou. - Se minha mãe visse isso, ela iria surtar! Primeiro porque estamos tomando vinho tinto sobre o tapete persa dela, depois porque isso não é a postura de uma moça da alta sociedade, educada pelos melhores mestres em etiqueta que a Europa pode oferecer.

Tornado-se serio com o comentário e também um pouco alterado pela bebida, Kamus não conseguiu se segurar e resolveu tocar no assunto que parecia ser bastante delicado:

- Você se preocupa muito com o que sua mãe pensa ou deixa de pensar. Não acha?

Elle silenciou, voltando o seu olhar para o chão, em algum ponto qualquer. O cavaleiro insistiu:

- Elle. Não pode...

- Minha mãe não é tão má quanto você imagina. - A garota o cortou, parecendo agora pronta para falar um pouco sobre a sua relação com a mãe. - Eu sei que ela parece um pouco autoritária, às vezes, mas não é por mal. Ela faz isso pelo nosso bem, é o jeito dela de cuidar das coisas.

- Mas você nem sempre concorda com ela, não é mesmo? - Aproximando-se da garota e baixando um pouco o tom de voz, Kamus arriscou perguntar. - É por isso que você não quiz voltar hoje pra casa? Fez de tudo para nos atrasar hoje, para que não conseguíssimos voltar à tempo. O que houve Elle? Sobre o que conversaram pela manhã? Do que está fugindo?

Novamente o silêncio recaiu entre ambos, mas, como antes, não durou muito. Elle levantou o olhar, passando a encarar Kamus com a face levemente úmida por algumas lágrimas que começavam a rolar:

- Não se preocupe, não era nada relacionado a você. Joshua ligou ontém, ou melhor, minha mãe diz que ele ligou. Acho mais provável que ela o tenha procurado. - Parou um instante para evitar que a voz embargasse com o choro preso na garganta, respirando fundo, retomou. - Que seja, de qualquer forma, ele quer falar comigo, esclarecer, conversar... resolver tudo isso. Irá jantar hoje à noite lá em casa.

Elle estava, finalmente, se abrindo. Para que se sentisse mais confiante, Kamus preferiu não interrompê-la. Limitou-se a pegar em sua mão, num sinal de carinho e apoio:

- Não me entenda mal. Não estou fugindo da situação. Eu quero esclarecer tudo, mas não agora. Eu passei dois anos da minha vida em função desse casamento, eu só respirava o casamento, mal tinha tempo pra mim ou pro meu trabalho. E tudo pra que? Pra desabar numa única noite! - As lágrimas, agora, fluiam livremente pelo rosto da moça e esta tinha a mão de Kamus entre as suas, apertando-a como se tentasse extrair dali a força de que precisava.

- O Joshua me pediu em casamento logo depois de ingressar na política. A partir daí começaram os inúmeros compromissos, encontros, eventos e tudo mais. Aos poucos eu ia deixando de lado a minha vida e vivendo mais a dele, o meu espaço foi diminuindo e eu passei a me perguntar se isso era realmente o que eu queria. Cada vez que eu vacilava, Joshua vinha me dizer o quanto me amava, o quanto era importante para ele que eu estivesse ao seu lado, ter meu apoio e isso me convencia. Novamente eu largava tudo para ficar com ele. - Elle respirou fundo, a parte mais difícil se aproximava. - Na noite do nosso casamento, quando eu coloquei o vestido de noiva e me vi no espelho, aquele mar de dúvidas emergiu na minha mente e eu senti que precisava muito ouvir aquelas palavras de encorajamento novamente. Não me importei com a tradição, fui procurar o meu noivo, mesmo ja estando vestida para a cerimônia. Como eu tinha o cartão de acesso do apartamento dele, não bati, entrei com cuidado e ouvi uns...uns sons...- A garota gaguejava e tremia.

- Elle, não precisa continuar se não quiser. - Kamus achou melhor interrompê-la, aquilo não estava lhe fazendo bem.

Porém, balançando a cabeça em negativa e respirando fundo, a moça continuou:

- Eu ouvi uns sons vindos do quarto e você pode imaginar o que era. Ele estava lá, na cama, com a minha madrinha de casamento, minha melhor amiga, às vesperas do nosso casamento! Eu entrei em choque, voltei pro meu quarto e encontrei com minha mãe e algumas outras pessoas responsáveis pela minha produção. Eles me perguntavam onde eu tinha ido, o que aconteceu comigo, por que eu estava tremendo. Não conseguia responder a ninguém. De repente o Joshua entra correndo no quarto, dizendo que precisava conversar comigo, que tinha sido um mal entendido, ele podia se explicar. Naquela hora eu não pensei em mais nada, peguei minha bolsa e saí correndo do hotel, sem dar satisfações a ninguém. Entrei num taxi e fiquei rodando um tempo pela cidade, sem pensar, só olhando as ruas passarem pela janela. Por fim, acabei parando naquele bar e...bem... o resto você já sabe. - Elle concluiu seu relato com um sorriso triste nos lábios.

Kamus levou sua mão até o rosto da garota, tocando com a ponta dos dedos o caminho percorrido pelas lágrimas. Mantendo o sorriso, Elle colocou sua mão sobre a dele, acariciando-a e voltou a falar:

- Eu acradeço por você ter aparecido na minha vida, mesmo que dessa forma torta. Desde que eu te conheci, consegui fugir, nem que seja um pouco, de toda essa loucura, e voltar pra minha vida. Obrigada Kamus.

- Não precisa me agradecer, eu não fiz nada. Você é quem está descobrindo a si mesma, sou apenas um coadjuvante nessa história. - Kamus não conseguia desviar seu olhar do de Elle, estava preso naquele âmbar raro e repleto de emoções. Como ela parecia frágil, queria lhe dar toda a segurança e proteção do mundo, impedir que um canalha como o Joshua chegasse perto dela novamente, não desejava ver as lágrimas mancharem a pele sedosa de seu rosto.

Sentindo sua razão perder-se pouco a pouco naquele momento, deixou-se levar pelo fio de emoção que começava a invadir sua mente. O sentimento que ali brotava, foi guiando o cavaleiro, incapaz de se opor, em direção ao rosto da garota. Kamus aproximou seus lábios dos dela, brincando com os mesmos numa carícia leve, tímida. Novamente os olhares se fixaram e Elle cerrou delicadamente as pálpebras, num convite tentador. O aquariano o aceitou, iniciando um beijo delicado, repleto de calor e proteção.

Correspondendo à carícia, Elle enlaçou seus braços na nuca do rapaz, aproximando mais os seus corpos, isso permitiu que seu parceiro aprofundasse mais o beijo, passeando agora, com as mãos, entre os fios dourados do cabelo da garota. Interromperam por um curto espaço de tempo, separando-se para tomar ar e retomaram, desta vez com mais volúpia.

Aos poucos, entre um beijo e outro, Kamus foi posicionando-se sobre Elle, forçando-a delicadamente, a deitar-se sobre o tapete, no chão da sala. Com isso, as mãos da loira abandonaram o pescoço do rapaz, indo em direção às suas costas e passeando por esta parte do corpo. Elle procurava sentir com a ponta dos dedos, toda a extenção das costas largas de Kamus, ora brincava com o toque sobre o tecido da camisa, ora afundava sua mão em meio ao cabelo dele, estimulando-o a beijos mais ardentes.

A proximidade dos corpos e o estímulo que Elle lhe dera, enlaçando delicadamente sua perna sobre a de Kamus, fez o cavaleiro ousar mais em sua carícia, levando a mão por dentro da blusa a um passeio pela cintura e subindo mais um pouco, até o seio da moça. Ao sentir a mão ousada do cavaleiro acariciando de forma excitante seu seio, Elle o afastou.

Um pouco surpreso e confuso, Kamus retirou a mão rapidamente, desculpando-se:

- Desculpe. Eu estou indo rápido demais?

O que veio em resposta foi um sorriso doce e um carinho no rosto do cavaleiro:

- Não. Está muito bom, só não quero fazer isso aqui. Podemos ir a um lugar mais confortável, não acha?

Kamus nada disse, apenas sorriu e levantou-se, estendendo a mão para Elle e ajudando-a a levantar-se também. De mãos dadas, subiram as escadas e o aquariano foi conduzido até o quarto de sua esposa. Já nos aposentos, seus lábios voltaram a se encontrar, desta vez, revelando todo o desejo contido, as mãos, agora mais ousadoas do que nunca despiam os corpos um do outro.

Após tirar a camisa de Kamus e arremessá-la ao chão, Elle sentou-se na cama, com o rapaz em pé, à sua frente. Mantendo seu olhar fixo no dele, acariciou o abdomem bem definido pelos anos de treinamento, passando então a depositar leves beijos entre os músculos rígidos. Entre um beijo e outro, sua língua sentia o gosto um pouco salgado, mas ainda assim, excitante, da pele dele. Elle foi descendo os lábios, deixando um rastro de pura excitação em seu companheiro. Deteve-se no botão da calça, interrompendo o contato dos lábios com a pele dele e admirando-o por um instante.

Não agradou muito a Kamus, a interrupção da carícia. Sua excitação já era visível, sentia um incômodo na região da virilha, um aperto. Queria livrar-se logo do que restara de suas roupas e tomar Elle para si imediatamente, mas vendo a expressão no rosto da garota, entendeu o que ela queria e sorriu, como se tivesse lido sua mente. As palavras não foram necessárias entre os dois, bastou que o olhar resumisse o que desejavam, Elle queria experimentar todo o corpo de Kamus, dominar, controlar todo o prazer dele.

Kamus adorou a idéia de ser dominado pela jovem. Queria descobrir tudo o que ela poderia lhe oferecer, desejava tirar de Elle todo o prazer que ela poderia lhe dar, e depois, retribuiria, com uma intensidade única, fazendo-a delirar em suas mãos.

Elle tratou de abrir o botão e o zíper da calça que o cavaleiro vestia, liberando sua masculinidade pulsante. Ficou feliz com a reação que suas carícias causavam em seu companheiro. Só de vê-lo sentindo prazer em suas mãos, já se sentia excitada. Levantou-se da cama, soltando o sutiã e levando uma das mãos ao membro do rapaz, com a outra, aproximou seus corpos e o beijou de forma arrebatadora, sufocando os gemido de prazer, provocados pela mão hábil.

Não conseguindo se conter mais, Kamus tratou de tirar o short da garota, deitando-se sobre ela com a urgência que seu corpo pedia. Elle mantinha o estímulo ao órgão do marido e este, abriu caminho pro dentro de sua calcinha, levando os dedos experientes à sua feminilidade. Um gemido baixo, quase sussurrado, escapou dos lábios de Elle, fazendo Kamus sorrir internamente. Estava conseguindo retribuir o prazer que ela lhe dava. Mas isso não bastava, ambos queriam, precisavam, clamavam por mais!

Os dedos do cavaleiro aprofundaram-se em Elle, fazendo-a gemer mais alto. Por outro lado, ela intensificou os movimentos, tornando-os mais frenéticos e quase levando o cavaleiro ao delírio. Antes que as preliminares esgotassem todo o prazer que os dois desejavam, Elle abriu a gaveta do criado mudo, pegando um preservativo. Num movimento rápido, trocou de posição com Kamus, ficando por cima dele, terminou de despí-lo e com a boca, passou a estimular-lhe o membro, enquanto vestia-lhe a camisinha.

O cavaleiro estava impressionado com a experiencia dela. Elle sabia como estimulá-lo, mantê-lo excitado, estava indo à loucura, precisava penetrá-la logo, não aguentaria nem um segundo à mais. Com sua hagilidade, conseguiu trocar novamente de posição, ficando por cima da jovem. tomou-lhe os lábios, enquanto sua mão tratava de livrar-se da calcinha. Uma vez superado este incômodo obstáculo, Kamus interrompeu o beijo e encarou Elle mais uma vez, falando numa voz rouca de prazer:

- Eu quero você... Agora!

- Então não vamos mais perder tempo. - Essa resposta bastou para que o desejo tomasse conta de si.

Kamus a penetrou devagar, apreciando o som dos gemidos de Elle enquanto afundava-se nela pouco a pouco. Quando sentiu-se inteiro dentro dela, iniciou movimentos de vai e vem, um pouco lentos, mas que foram ganhando mais intensidade.

As pernas de Elle, enlaçadas no quadril do rapaz controlavam a velocidade dos corpos, o que fazia ambos apreciarem cada onda de prazer que os movimentos lhes causavam.

Com um rítmo compassado, Kamus prolongava ao máximo o prazer que o contato entre os corpos lhes proporcionava, as estocadas profundas faziam Elle arranhar suas costas e gemer baixo, com os lábios colados em seu ouvido.A língua dela, passeando por sua orelha e os sussuros sem sentido, motivados pelo prazer, faziam o cavaleiro explodir em desejo.

Era maravilhoso banhar-se no calor do corpo um do outro, sentir o suor que brotava daquele esforço recompensador. Quase sem nenhuma razão, buscando fôlego, Elle implorou a Kamus:

- Por...favor... eu não... aguento mais...Eu vou... Ah! Minha Nossa!

- Eu também... Só...mais um pouco! - Não foi preciso terminar frase alguma, um sabia perfeitamente o que o outro desejava.

Movendo-se com maior velocidade, Kamus intensificou as estocadas. Os gemidos agora cada vez mais altos, com a respiração descompassada e já sem controle sobre seu corpo, o rapaz praticamente gritou o nome da companheira, atingindo o orgasmo junto com ela, que cravou com violência as unhas nas costas alvas dele.

Sem forças, Kamus repousou a cabeça sobre o peito de Elle, ambos tentando recuperar o fôlego. Não conseguiram pronunciar uma única palavra, faltava-lhes o ar. Num último esforço, o cavaleiro jogou-se para o lado, deitando de costas, aninhou a companheira em seus braços. Aos poucos o sono invadiu as suas mentes e ambos dormiram assim, abraçados, compartilhando o calor, um do outro.

N/A(1): Park Avenue é uma avenida ao lado do Central Park e um dos endereços mais nobres da cidade de Nova York.

N/A(2): Cabernet é um tipo de vinho, não recomentdado para quem gosta de vinhos doces.

N/A: Nossa...to vermelha...com muita vergonha...Gente...toda essa cena saiu da minha cabeça? Que mente pervertida... Ah...que seja, a cena saiu bem como eu queria! Me empolguei simplesmente. E isso que eu achei que não conseguiria escrever a parte hentai da fic...Bem, preciso muito ouvir a opinião de vocês sobre essa parte... pra saber se tenho cacife para "ocupar" o Kamus e a Elle mais vezes durante a história. Sei que este capítulo ficou bem grande e agradeço previamente quem teve a enorme paciência de ler. Mas ficarei um tempinho fora do ar com tantos feriados, então não queria abandonar minhas fiéis leitoras assim. Por isso tá enorme! Lembrando mais uma vez, se virem erros muito graves, podem me comunicar já que estou sem corretor ortográfico. Um b-jão e até o próximo capítulo!