N/A: Comentários no final!

CAPÍTULO X

-Brown? Mas que surpresa! - Elle recebeu o grande amigo de seu pai que cruzava, à toda velocidade, a porta da enorme mansão, quase sem respirar.

-Elle! Que bom que eu te encontrei! Não sabe como estou feliz em vê-la bem! Me deixa mais aliviado saber que nada de ruim lhe aconteceu! - Dizendo isso, o homem já de certa idade empurrava a jovem em direção ao escritório, sem dar-lhe grandes explicações. - Precisamos conversar minha cara e trata-se de um assunto seríssimo!

-Alguma coisa com relação à anulação do meu casamento? - Elle tentava conseguir alguma informação enquanto era arrastada pelo amigo de seu pai direto para o cômodo onde ficava o escritório.

-Também! Mas há uma outra coisa sobre a qual precisamos conversar! Um assunto muito sério e que exige a máxima cautela de nossa parte. - A frase foi encerrada com o barulho da porta do recinto fechando -se com extrema força, como se isso pudesse impedir que qualquer som saísse dalí.

Do alto da escada, um curioso Afrodite acompanhou de longe, discretamente, o rápido sequestro de Elle pelo advogado. Desceu cautelosamente e aproximou-se da porta. Sua intuição lhe avisava que aquilo tinha a ver com Kamus e não parecia ser nada bom. Era melhor prestar muita atenção no que seria dito naquela sala.

oooOOOooo

-Elle... - Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Brown foi cortado por um gesto da jovem.

O silêncio era terrível, desde que entraram naquela sala e o advogado entregara a pasta à moça, pedindo-lhe que lesse o conteúdo, esta não disse mais nada. Apenas mantia os olhos fixos em um documento, que Brown sabia muito bem qual era.

A certidão de óbito de Kamus Barbieux, francês, arquiteto, MORTO EM 20 DE JUNHO DE 2000(1). Elle repassava o documento inteiro, procurando por algum sinal de falsidade, mas não encontrou nada. Aquelas palavras eram verdadeiras demais, não havia como contestar.

Estava trêmula, já não sentia mais o chão sob seus pés e sua cabeça parecia tão pesada que poderia explodir a qualquer momento.

Mais uma vez, Brown tentou dizer alguma coisa para tirar Elle daquele torpor:

-Eu sei como deve ser difícil para você. Ele também enganou a mim, e ao seu pai que é um homem que jamais deixa-se levar por aparências. Mas Elle, agora não podemos ficar imóveis... É preciso tomar providências! Tirar esse homem ...

-Sai... - Elle cortou mais uma vez a fala do advogado, dessa vez com uma voz baixa, mas nem por isso menos severa.

-Mas Elle...

-Eu disse, Sai! - Dessa vez Elle gritou, começando a mostrar o desespero que lhe tomava conta.

Percebendo que não conseguiria conversar com a moça enquanto esta não se acalmasse, Brown preferiu sair do escritório, deixando-a com seus pensamentos. Ao passar pela porta, deparou-se com a figura de Kamus, quedescia apressadamente as escadas, acompanhado de Afrodite, que lhe dizia alguma coisa.

Sentindo o sangue ferver em suas veias, o velho advogado dirigiu-se até o cavaleiro com toda a coragem e amizade que tinha pela família Richards e, nos autos de seus 1,65m, desafiou aquele sacripantas:

-Escute aqui seu maldito! Jamais deixarei um aproveitador como você destruir essa família! Jamais! - E após seu eloquente discurso, saiu pisando firme para disfarçar a tremedeira em suas pernas, por ter peitado aquele gigante de 1,84m!

Kamus nada disse ao homem, ouviu tudo dirigindo-lhe um frio olhar. Podia sentir que aquelas palavras expressavam um grande carinho e admiração, uma verdadeira vontade de proteger aqueles de quem Brown gostava. As ameaças não lhe preocupavam, mas sim o que o levou a formulá-las.

-Eu disse! Tem algo estranho acontecendo! Não consegui ouvir direito, tudo o que sei é que ele entregou alguma coisa para Elle ler! - Afrodite confirmava sua teoria. Logo que Brown e Elle entraram no escritório, correu para a porta a fim de ouvir alguma coisa, mas eles não diziam nada. Mesmo assim pressentiu o perigo e achou melhor chamar Kamus, sua intuição lhe dizia que o aquariano deveria interferir naquela conversa o quanto antes.

Contudo Afrodite não fora rápido o bastante, antes que ambos chegassem ao escritório, Elle saiu do cômodo, com os olhos vermelhos, o rosto pálido, um pouco trêmula. Caminhou lentamente até seu marido e com um fio de voz falou:

-Vamos até o quarto... Precisamos conversar.

Em silêncio, subiu as escadas, seguida por Kamus que também não pronunciou uma palavra, no caminho, cruzaram com Milo que preferiu calar-se perante o olhar que ambos carregavam.

-Quem morreu? - foi a primeira manifestação do cavaleiro de Escorpião, assim que a porta do quarto se fechou.

-Ninguém... ainda. Mas eu acho que devemos começar a arrumar nossas malas, a lua de mel acabou. - Afrodite falou num tom sério.

oooOOOooo

Assim que entraram no quarto, Elle fechou a porta, sem trancá-la. Kamus parou diante da cama, ainda desfeita da romântica noite anteiror. Respirou fundo, sentindo a tensão que carregava o ar do recinto, quando virou-se para encarar a jovem, deparou-se com uma folha de papel em sua frente.

-Leia. - a voz de Elle saiu tremida. Procurava não falar para não chorar.

O cavaleiro de Aquario tomou o documento das mãos de sua esposa e uma rápida leitura foi o suficiente para que percebesse o que realmente estava acontecendo. Antes que pudesse pensar em algo para dizer, ouviu as palavras de Elle:

-Eu sempre acreditei muito nas pessoas e já me feri inúmeras vezes graças a isso. Mas quando eu te conheci, alguma coisa dentro de mim me disse que dessa vez eu não estava enganada, que você era uma boa pessoa, que eu poderia confiar em você... E se quer saber, eu estou disposta a continuar ouvindo meu coração, mas com uma condição...

Kamus fitou os olhos da jovem, que agora tinha lágrimas correndo em sua face. Aquilo era doloroso demais, sabia perfeitamente o que ela diria bem como sabia que não poderia cumprir o que Elle pediria:

-Me diga a verdade. Só isso. Eu só quero ouvir a verdade. Estou preparada para o que você tem a dizer. Não importa o que seja, estou disposta a perdoar qualquer coisa, desde que eu saiba a verdade... Quem você realmente é Kamus?

Aquilo era triste, deprimente. Kamus sentia-se um miserável, sabia que as coisas terminariam assim, não deveria ter deixado levar-se pelas besteiras que Milo falava... pelas besteiras que seu coração dizia. Tinha um plano para tudo desde o começo, ficaria num hotel até o dia da audiência, assinaria os papéis e pronto, estava livre para retornar ao Santuário. Mas acabou caindo na deliciosa armadilha que o destino lhe preparara, e depois que se iludira, puxaram-lhe o tapete. Aparentemente o Santuário não resolvera muito bem a questão de sua morte e alguém acabou descobrindo isso. Sabia quem era, mas não era hora para pensar nisso, o que importava é que Elle tinha conhecimento do fato agora e queria respostas.

-Diga alguma coisa... Por favor... Diga alguma coisa... - Elle não conseguia mais se controlar, as lagrimas rolavam livremente por sua pele e o silêncio de Kamus só piorava a situação.

-Me desculpe... - Kamus não conseguiu encarar Elle, virou o rosto pois não tinha coragem de vê-la sofrer com o que diria.

-Justo ele, um cavaleiro de ouro, que lutou inúmerar batalhas, sempre disposto a sacrificar a própria vida em nome de Atena, perdia completamente as forças perante uma simples mortal.

-Eu não posso...

-Como assim? Como assim não pode? - Elle não entendia, ou não queria entender.

-Não posso dizer... Não há o que dizer. Não tenho explicação para isso. Não posso dizer-lhe a verdade. Eu lamento Elle.

As lágrimas subitamente secaram e a raiva tomou conta de Elle:

-NÃO PODE? NÃO PODE ME CONTAR A VERDADE? - Elle gritou e descontroladamente, continuou. - SEU CRETINO! QUEM VOCÊ PENSA QUE É! SEU MALDITO!

Em seu ataque de fúria, Elle atirava os lençóis e travesseiros sobre Kamus, enquanto gritava descontroladamente. O cavaleiro a segurou em um abraço delicado, tentando contê-la, o que foi inútil. Elle soltou-se de Kamus e num tom de voz mais baixo, falou:

-Você pediu que eu confiasse em você... MAS VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM! - Novamente a raiva voltou à tona. - NÃO CONFIA EM MIM PARA ME DIZER A VERDADE! POR QUE? EU NÃO SOU IMPORTANTE O SUFICIENTE EM SUA VIDA PARA ISSO?

Subitamente Elle cobriu a boca com as mãos, como se tivesse finalmente percebido algo:

-Eu signifiquei nada para você... Fui apenas sua diversão de férias... - Agora Elle estava atônita, em estado de choque, andando de um lado para o outro, completamente perdida em seus pensamntos.

-Elle... Não é isso... - Kamus tentou fazê-la voltar a si, mas o esforço foi novamente inútil.

-Como eu fui burra! Meu Deus como eu posso ser tão burra! Estava na cara o tempo todo!

-Elle... Por favor...

-NÃO TOQUE EM MIM! - A jovem loira empurrou Kamus antes que ele pudesse se aproximar. - VOCÊ É UM APROVEITADOR! UM MALDITO APROVEITADOR! ENTÃO? SE DIVERTIU? Casando-se com a filha do Senador, usufruindo de todo o luxo e riqueza a que tinha direito... FOI BOM PRA VOCÊ? FOI O SUFICIENTE? OU SERÁ QUE VOCÊ AINDA QUER MAIS SEU MALDITO!

Não havia o que dizer, por mais que Kamus tentasse, nada faria Elle ouvi-lo, o estrago já esta feito, perdera essa batalha... Perdera Elle.

Sentada na cama, balançando-se de um lado ao outro, Elle fitava a parede, recuperando o fôlego após sua crise. Em meio ao transe, encontrou forças para expulsar de uma vez por todas Kamus de sua vida:

-Vai embora.

Sem nada dizer, o aquariano saiu do quarto. Não havia o que dizer, apenas seguir em frente.

oooOOOooo

Descendo as escadas em direção ao hall da grande casa, Kamus encontrou Milo e Afrodite acompanhados de todas as malas, já prontas. Não era preciso explicar aos dois o que estava acontecendo, os gritos de Elle foram esclarecedores para quem quisesse ouví-los.

-O taxi já está a nossa espera. - Afrodite disse alcançando a mala para Kamus.

Os três dirigiam-se para a saída, quando depararam-se com Joshua e seu sorriso de vitória:

-Mas que pena! Parece que você escolheu a pessoa errada para dar o golpe meu caro. E então, como se sente sendo um fracassado? Tem sorte de não termos denunciado você à polícia ainda.

Sem responder, tentando não rebaixar-se ao nível daquele cretino, Kamus permaneceu em silêncio, continuando seu caminho, mas foi detido pelo homem, mais uma vez, que falou baixo:

-Não se preocupe amigo, vou tratar Elle do jeitinho que ela merece.

E antes que um sorriso pudesse formar-se nos lábios de Joshua, um punho cruzou o ar acertando em cheio seu naris e arremeçando-o ao chão.

Enquanto Joshua contorcia-se no piso, gritando desesperadamente que aquele maldito quebrara seu nariz, Kamus recompunha-se, olhando firamente para a figura miserável aos seus pés:

-Agora me sinto melhor. Vamos embora.

No caminho, Joshua ainda foi vítima de uma pisada de Afrodite e um chute de Milo que caminharam em direção à porta como se nada tivesse acontecido.

ooooooOOOOOOoooooo

O forum estava completamente vazio naquela manhã. A influência do Senador Oliver Richards era tanta que conseguiu manter afastada a imprensa e eventuais funcionários públicos curiosos. Numa das salas de audiência, Brown conversava com o juiz, expondo suas considerações finais sobre o caso e aguardando a sentença de anulação do casamento de Elle e Kamus(2).

-Conforme exposto na exordial meretíssimo, os conjuges uniram-se em uma situação de erro, não estavam consciêntes de seus atos e por essa razão, não há porque manter essa relação matrimonial.

-Ambos concordam com os termos expostos? - O juiz questionou o casal à sua frente, ambos sentados separados, sem trocarem ao menos uma palavra entre si.

Com a concordancia mútua, o magistrado começou a ditar a sentença à escrevente, enquanto Elle e Kamus permaneciam em silêncio. Tinha sido uma audiência curta. Ambos limitaram-se a concordar com os termos determinados pelo juiz.

Kamus não via a hora de sair daquele lugar. Não suportava enfrentar o rosto triste e abatido de Elle. Era visivel que os últimos dois dias que antecederam a audiência foram tão tortuosos para ela quanto o foram para ele. Sofrera, e sofrera muito, mas em silêncio. Seus sentimentos, por incrivel que pareça, refletiam-se em seu cosmos e Milo e Afrodife viram-se obrigados a viverem num verdadeiro freezer enquanto compartilahvam o mesmo quarto de hotel que o cavaleiro de Aquario.

Após assinarem o termo de audiência, Elle levantou-se rapidamente de seu lugar e saiu correndo da sala. Sentia-se sufocada com a presença de Kamus. Passou os quinze minutos inteiros da seção tentando conter as lágrimas, que surgiam cada vez que seu olhar cruzava com o dele.

Não conseguia imaginar como ainda tinha lágrimas depois de passar os últimos dois dias chorando. Fora traída, mais uma vez, contudo, o que Joshua fizera, não doera tanto quanto a traição de Kamus. Agora tinha certeza, amava aquele homem, mas não poderia suportar estar ao lado de alguém que não confiava nela.

Do lado de fora, encontrou Joshua e Jane, que aguardavam o término da audiência. Ansiosa, a mãe foi até a filha, mal se contendo:

-E então? Deu tudo certo? Acabou?

Quase sem forças para encarar a mãe, Elle limitou-se a menear a cabeça. Ao ver isso, Joshua a abraçou, sem aproximar-s muito, no entanto, já que estava com o nariz, pescoço e torax enfaixado. Até agora não entendia como alguém pudese ter um soco, um chute e um pé tão pesados.

Ainda na sala, Brown conversava com Kamus:

-Então vai embarcar ainda hoje?

-Partiremos dentro de três horas. Não precisa se preocupar, tem a minha palavra de que entrarei naquele avião. - Kamus respondeu friamente, intimidando o advogado.

-Eu...Eu... sei dis...disso... Só perguntei por perguntar. - Brown não sabia o que era, mas alguma coisa naquele homem o assustava.

Ao sair do local, o cavaleiro viu uma cena que o atingiu como a um golpe mortal. Elle chorava nos braços de Joshua. Apertando fortemente o punho para conter-se, Kamus só conseguia pensar em correr até lá e cogelar o maldito até o último osso de seu corpo, mas a mão de Milo em seu ombro o segurou:

-Você fez a sua escolha meu amigo. Agora não pode voltar atrás. Isso é só uma consequência. Lembre-se que foi você quem decidiu jogá-la nos braços dele. Agora não há o que fazer.

As palavras do cavaleiro de Escorpião foram duras, mas verdadeiras. Milo demonstrara seu descontentamento com a decisão de Kamus desde o princípio. Desde que deixaram a casa dos Richards, fizera questão de culpar Kamus pale situação. Sabia que o amigo desejava mais do que nunca vê-lo feliz e se pudesse, o faria voltar no tempo e fazer o oposto de sua escolha. Dizer à Elle que era um Cavaleiro de Atena, que lutava pela paz e justiça e que a amava mais do que tudo.

Contudo esse não seria Kamus. De fato, tais palavras estavam lá, em sua garganta, no momento em que Elle perguntou pela verdade, mas não conseguiu pronunciá-las. Quiz manter um orgulho estúpido, uma frieza absurda. Sentiu-se perdido, achou que se admitisse seus sentimentos à Elle, perderia a prórpia identidade.

De qualquer forma, sentia-se perdido agora, Elle invadira sua vida e já não era o mesmo sem ela. Kamus tinha consciência de que deixara ali, naquele lugar, um pedaço de si, que jamais recuperaria.

oooOOOooo

No carro, quando seguia para seu apartamento na cidade, Elle encarava a janela, sem conseguir ver a paisagem, sua mente parecia flutuar, sem destino, mantendo-se concentrada em apenas uma coisa, tentar esquecer Kamus.

Ao seu lado, Joshua tentava aproveitar a oportunidade e ter o que julgava ser seu por direito:

-Elle... eu sei o que está passando, e quero que saiba que estou aqui para o que for preciso. Meus sentimentos por você nunca se alteraram. - tocando na mão da moça, continuou. - Eu acho que é hora de esquecermos o que houve, seguirmos em frente. Estou disposto a esquecer este seu deslise. Vamos virar a página deste livro e começar uma nova vida.

As palavras de Joshua tiraram Elle de seu torpor. Como ele poderia culpá-la pelo que aconteceu? Virando-se com um olhar tão frio quanto um que Kamu daria, a jovem colocou um ponto final naquela conversa:

-Tem razão Joshua, é hora de seguir em frente. Estou virando esta página do livro e encerrando o seu capítulo na minha vida. A partir daqui, sigo sem você.

-O que? Elle... Como assim? - o aspirante a Senador não compreendia o que estava acontecendo.

Sem nenhuma pena de seu ex, Elle despedaçou todos os seus planos:

-Acabou Joshua, diga Adeus ao nosso relacionamento e à sua campanha. Um homem com o seu caráter não merece chegar a lugar algum – e dirigindo-se ao motorista, solicitou – Pode parar o carro, o Senhor Josshua descerá aqui mesmo.

Desesperado com a atitude repentina de Elle, Joshua tentava salvar-se daquela onda de fúria da jovem:

-Elle, por favor, sejamos racionais. Não podemos terminar a nossa história assim. - e descontrolado, Joshua gritou – VOCÊ PRECISA DE MIM!

Sem demonstrar emoção alguma, Elle respondeu, já vendo o motorista abrir a porta do carro e pegar Joshua pelo colarinho:

-Não Joshua, eu não preciso de mais uma pessoa me fazendo sofrer. Passar bem.

Enquanto esperneava, Joshua foi praticamente jogado na calçada pelo mexicano de quase dois metros de altura e 100kg de puro múlculo.

ooooooOOOOOOoooooo

-Posso entrar? - O senador bateu levemente na porta do quarto de sua filha, olhando ao redor à procura da mesma.

Havia retornado recentemente de uma viagem à Washington e não ouvira boas notícias com relação à Elle. Os empregados o informaram que a garota passara os últimos dias trancada no quarto, não comia nada e nem falava com ninguém.

Oliver sabia que havia retornado um pouco tarde, de fato fez questão de manter-se longe enquanto a história entre aquele rapaz francês e sua filha se desenrolava. Sabia que Kamus tinha algo especial, e viu nele a oportunidade de livrar-se do traste do Joshua, mas não imaginava que Jane fosse tão perspicaz a ponto de destruir o coração da própria filha daquela forma.

Quando Brown lhe falou sobre a descoberta da "morte" de Kamus, fez o possível para retornar, queria estar por perto para esclarecer as coisas, ajudar o pobre rapaz, mas questões além de sua vontade o seguraram na capital. Agora só restava tentar remediar a situação.

Entrando no quarto, encontrou a filha sentada na cama, observando uma fotografia:

-Bons tempos estes não? - Comentou ao ver que se tratava da foto em que Elle e Kamus apareciam abraçados e sorrindo, no dia de seu casamento.

-Como podem ter sido bons se eram uma mentira? - A jovem respondeu num tom baixo, guardando a fotografia em uma gaveta do criado mudo. - Então, finalmente retornou.

-Pois é, tive alguns problemas em Washington, mas finalmente consegui voltar para casa.

-Estou feliz que esteja aqui.

-Eu tanbém querida. Aliás, soube de algo que me deixou muito contente, logo que cheguei. - Com um sorriso, Oliver continuou. - Parece que você fez Joshua beijar uma calçada recentemente.

Sem conseguir expressar o mesmo sorriso do pai, Elle respondeu:

-Terminamos. Não quero mais pessoas ao meu redor que me fazem sofrer.

Dizendo isso, algumas lágrimas começaram a rolar e Elle deixou-se ser abraçada por seu pai:

-Eu sei querida. E eu só posso lhe pedir desculpas, deixei você aqui sozinha, quando deveria estar ao seu lado, para protegê-la.

-Ele foi embora pai! Ele foi embora! Ele não confiou em mim! Por que pai? Ele parecia estar apaixonado por mim, eu podia sentir isso...E de repente ele me virou as costas.

Elle chorava no ombro de seu pai, enquanto este afagava seus cabelos, tentando acalmá-la:

-Elle, sei que é difícil, mas posso garantir à você que Kamus teve uma boa razão para fazer o que fez. Ele sentiu-se inseguro, mas sei que ele realmente te ama.

-Que razão seria essa pai? O que poderia ser assim tão cruel para afastá-lo de mim. - Elle levantou o olhar curiosa, seu pai falava de uma forma misteriosa, como se soubesse de algo muito importante.

Sorrindo, o Senador respondeu:

-Algumas coisas, minha querida, podem estar além de nossa compreensão e é preciso um tempo para que possamos estar preparados para descobrí-las. Creio que tudo o que vocês passaram nos últimos dias foi apenas uma preparação, para que Kamus entenda o que ele sente por você e para que você entenda quem Kamus realmente é.

Sem entender muito, Elle encarava o pai com olhar inquiridor. Até que ele lhe estendeu um envelope:

-O que é isso?

-Uma passagem de ida para a Grécia, com o endereço do lugar onde Kamus esta. Tem também algumas informações das quais você vai precisar. Eu não marquei a data da viagem, então, pode fazê-la quando sentir-se preparada, ou pode optar não fazê-la, isso quem decide é você.

Analisando os documentos que seu pai lhe entregara, Elle perguntou curiosa:

-Como conseguiu tudo isso?

Com um sorriso misterioso, o futuro presidente respondeu:

-Digamos que eu conheço alguém, que conhece alguém.

Elle esboçou um sorriso, mas logo voltou à sua tristeza já habitual:

-Eu não posso. Há muita coisa em jogo, não posso ir atrás de uma fantasia e abandoná-lo. E seus sonhos? Sua carreira?

Segurando o rosto da filha em suas mão, Oliver respondeu:

-Elle, eu jamais seria completo se a pessoa a que mais amo neste mundo não encontrou sua felicidade. Não quero construir meu futuro destruindo a sua vida. Nada vale isso.

Com um sorriso, Elle brincou:

-Nem ser presidente do país?

-Nem ser presidente do país. - Olvier respondeu com o mesmo sorriso iluminado.

oooOOOooo

Saindo do quarto de Elle, Oliver encontrou sua esposa, que agurdava ansiosa por notícias:

-E então? Você a convenceu a sair desse quarto? Ela não pode continuar assim. Há uma vida aqui fora esperando por ela. E espero que tenha finalmente colocado juizo na cabeça dela e a obrigado a retornar com Joshua.

Curzando os braços e assumindo um ar cínico, o senador respondeu à esposa:

-Não se preocupe, Elle está bem. E quanto à Joshua, ele não precisa da nossa filha, tem alguém que fará companhia para ele em sua fossa.

-O que quer dizer com isso?

A resposta veio em forma de outro documento. Jane pegou o papel das mãos do Senador e começou a lê-lo:

-O que significa isso? É uma piada por acaso? - Jane perguntou assustada.

-Não. - Oliver manteve o tom cínico. - É um pedido de divórcio mesmo.

-Oliver!

-Pra mim, já chega Jane. Suportei o que era possível. Mas o que fez para Elle, isso não posso aguentar. Quero você fora da minha vida e da vida de Elle.

Com raiva em seus olhos, Jane esbravejava contra o marido:

-Não pode fazer isso comigo! Vai terminar um casamento de vinte e quatro anos assim? E sua carreira? Como pensa que vai ficar? Acha mesmo que o povo votaria num divorciado?

-As pessoas confiam em mim pelos meus ideais, e para isso não preciso de você ao meu lado. Além disso, depois de tudo o que esse país viu nesses últimos oito anos, um presidente divorciado será o menor dos problemas.

ooooooOOOOOOoooooo

Vestido com sua armadura, Kamus retornava do grande templo em direção à sua casa. Estava exausto e só precisava de uma coisa neste momento, sua cama. Milo o segurara na festa de casamento de Aiolia até o último minuto, nem mesmo os garçons serviam mais quando conseguiu despistar o cavaleiro de Escorpião e sair do lugar.

O casamento aconteceu sem maiores problemas, alguns bêbados aqui, discursos sem sentido ali, mas no geral, tudo correu bem. Aiolia e Marin estavam felizes e faziam questão de compartilhar esse sentimento com todos. Kamus fez o que pode para entrar no espírito da coisa, mas toda aquela situação só conseguia fazê-lo sentir-se pior.

Por mais que tentasse, ainda sentia-se perdido, solitário, vazio. Suas esperanças eram de que o tempo curaria as feridas que se formaram em seu espírito. Repetia a si mesmo, todos os dias, que tomara a melhor decisão, era o correto à fazer. Não podia envolver Elle no turbilhão que era a sua vida.

Antes que colocasse os pés em casa, Kiki apareceu do nada, como sempre, mas sem assustar o cavaleiro, ao contrário, ele parecia assustado:

Arfando como se tivesse se esforçado muito para se teleportar, o aprendiz do Cavaleiro de Áries deu seu recado:

-Kamus, Mu está lhe chamando urgentemente na casa de Áries. Trata-se de um assunto muito sério! - e começando a tagarelar, continuou. - Ele não me falou do que se tratava, mas eu dei uma investigada, parece que ele sentiu um cosmo estranho e ameaçador em torno do Sant...Ué...cadê ele?

Antes que Kiki terminasse suas explicações, Kamus avançou o mais rápido que pode em direção à primeira casa. Mu só o chamava quando algo muito sério acontecia.

Chegando no local, Kamus tentou sentir o cosmos do cavaleiro de Aries, sem resultado. Discretamente, resolveu chamá-lo:

-Mu?

-Ele precisou sair upor alguns minutos, mas disse que voltaria logo.

A voz! Kamus a reconheceria mesmo que não a ouvisse em um milhão de anos

-Elle! - O cavaleiro viu a jovem sair de trás de um dos pilares da casa de Aries.

Absolutamente sem fala, Kamus encarou-a, sem demonstrar reação alguma.

Calmamente, Elle caminhou até o Aquariano, com um sorriso no rosto:

-Nossa! Eu não acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos. - O comentário foi direcionado à armadura que o cavaleiro trajava. - Isso deve pesar muito. É ouro mesmo?

-É. - recuperando os sentidos, Kamus assumiu um ar sério, respondendo friamente à pergunta da jovem.

-Posso tocá-la? - Elle tentou aproximar-se, mas o rapaz afastou-se um pouco, mantendo certa distância entre os dois e logo tratou de mudar de assunto:

-Como chegou aqui?

Ainda sorrindo, Elle respondeu em tom divertido:

-Meu pai... Parece que ele conhece alguém, que conhece alguém.

Quase num tom cortante, Kamus tentou encerrar aquela conversa:

-Então posso deduzir que você já sabe quem eu sou. Já viu o que queria, não tem mais nada para fazer aqui. Passar bem. - Virando-se o cavaleiro ameaçou seguir pela escadaria, mas Elle o impediu, chamando-o:

-Kamus, por favor, me escute por um minuto.

O cavaleiro não se virou, fechou os olhos e respirou fundo. Por que ela estava tornando as coisas mais difíceis. Ela tinha que ir embora. Mesmo que soubesse a verdade e a aceitasse, o Santuário não era um lugar para Elle. A vida de um cavaleiro não oferecia segurança alguma e Kamus sabia o quanto Elle deixaria para trás ficando ali.

-Elle, volte para casa, não temos nada para conversar.

-Só sairei daqui quando você me olhar nos meus olhos e dizer que não sente nada por mim. - Caminhando com passos firmes até o cavaleiro, Elle o puxou, obrigando-o a virar-se:

-Olha, eu sei que é difícil pra você. Todo esse negócio de ser cavaleiro e salvar o mundo... enfim... eu confesso que se você tivesse me contado isso aquele dia eu o teria expulssado da minha casa mesmo assim, porque ia parecer absurdo... eu... eu... não estava preparada para ouvir isso. E seria pior porque eu jamais viria atrás de você... mas... eu precisei chorar, te perder, para entender o segredo que você protege. - Elle deu um curto intervalo em seu discuros, esperando alguma reação de Kamus e como esta não veio, deu continuidade. - Eu sei que eu não sou perfeita... tá... eu sou um pouco materialista, sou fracasso na cozinha, sou chorona, uma filhinha de papai... eu nem posso me defender sozinha, mas eu juro, se for obrigatório aprender isso aqui, eu farei com prazer... eu sei até dar uns chutes quando preciso!

Kamus não se segurou diante do último comentário e soltou um riso.

-Eu largaria tudo Kamus, e eu não me importo em fazer isso, só me importo em estar com você. - Assumindo um tom extremamente sério, Elle finalmente concluiu. - Eu finalmente estou preparada. Seja qual for sua resposta, estou preparada. Só quero que seja sincero e saiba que, independente do que sente por mim, eu ainda te amo.

Neste momento Kamus finalmente a encarou, olhando profundamente nos olhos da jovem, respondeu:

-Eu lamento Elle.

Elle fechou os olhos, então era isso, Kamus não a deixou para protegê-la, mas sim porque não sentia nada por ela. Tentando não chorar, ainda mantendo o ar sério para aparentar que realmente estava preparada, Elle falou, já se virando em direção à saída:

-Eu entendo. Já esperava por isso. Então acho que terminamos por aqui. Mesmo assim, agradeço por ter me escutado.

-Eu lamento Elle, mas não poderá mais usar o cartão de crédito do seu pai, já que vai ficar aqui.

Elle parou. Voltando-se lentamente, tentava processar as palavras que acabara de ouvir. Isso foi um sim? Um eu te amo a lá Kamus? Sem se conter mais, a jovem correu em direção ao cavaleiro, saltando em seu pescoço e beijando-o intensamente.

Entre um beijo e outro, Elle sorriu comentando:

-Não tem problema, eu não vou mais precisar dele.

FIM!!!!!!!!!!!!!!

N/A: Vocês viram o tamanho desse capítulo? Não foi a toa que demorou tanto para escrevê-lo! Pessoal, esse fic chegou ao fim. Eu peço desculpas pela demora em atualizar, estava realemte sem tempo, mas agora chegaram as férias! Não vou fazer promessas pq sei que sou péssima em cumprí-las (se fosse o contrário todas as resoluções de fim de ano dariam certo), mas pretendo terminar Névoas logo e começar um novo antes disso. Também pretendo traduzir alguns fics de autores que adoro. Bem, é isso. Quero agradecer à todos que deixam Review, especialmente Margarida (Super Amiga). Não costumo colocar o nome do pessoal pq sempre respondo aos reviews no ato, mas sintam-se citados. Adoro vcs. E obrigada pela imensa paciência em ler esse fic meio açucarado. B-jos.!

(1)Eu não sei se já disse isso antes..acho que não, só mencionei no fic Névoas, mas td bem, falo agora. Minha cronologia é a seguinte, contei 6 anos após a batalha das 12 casas, após o fim "oficial" de Kamus...rs..então, para curiosidade, Kamus teria uns 26 anos mais ou menos na minha fic. Elle é um pouco mais nova, não parei muito para pensar na idade dela. Quanto à data específica da morte... foi chute... sei lá puxei uma lógica esquisita... imaginei que tivesse sido no verão já que tinha muita cena de sol no anime... e verão europeu é em Junho e julho...não tentem entender.

(2)Embora eu estude direito, não conheço muito como funciona o sistema judiciário deles para casos pequenos como divórcios, anulações, etc, então acabei por usar um pouco da forma brasileira. É claro, sei que nos EUA, para anulação, precisa de testemunhas, o que não se faz necessário no Brasil, como também não é requisito que o casamento não tenha sido consumado, como vocês já devem ter visto em filmes... sabe, aquela história de que não pode consumar o casamento para poder anular? Então, isso no Brasil não existe, um casamento pode ser anulados por outras razões como erro, que é o caso, ou seja, Elle casou-se induzida a erro, casou com um achando que era outro. Se alguém não entendeu eu explico mande review e eu explico melhor.