Capítulo 3: Libby é uma ordinária... e talvez Unidade Lua também seja/ JATE IS FATE
As sessões de terapia de Libby haviam se tornado o ponto alto da ilha desde quando ela começara a conduzir suas bem sucedidas sessões para casais. Foi apenas depois de todos começarem a ter bebês que ela teve a brilhante idéia de mudar as sessões de orientação para casais para orientação para pais. E então Libby, sendo a única autoridade em terapia por essas bandas, tomou a si a incumbência de resolver todos os problemas relacionados com paternidade dos ilhéus. Mesmo sendo ela a única mulher da ilha que não tivera um filho. E não sabendo absolutamente nada sobre paternidade. E menos ainda sobre filhos.
"Ok! Vamos começar a
resolver os problemas parentais!" Falou Libby na vozinha
cantarolada com a qual se endereçava ao pequeno grupo reunido
diante dela.
Ela consultava 3 pares de pais ao mesmo tempo e o
grupo de pais sentados à frente dela consistia de Sawyer e
Kate, Jin e Sun, e Jack e Ana Lucia. Eles sentaram em troncos
arrumados em semi-círculo em volta de uma pequena
fogueira.
"Bem, como sabem, Soon-Yi começou a aprender álgebra," disse Sun de sua filha de 1 ano de idade. "E ela está indo muito bem, mas é com os cálculos que ela nos preocupa." Ela colocou sua mão em cima da de Jin que repousava em seu joelho.
"Ela parece não entender cálculo. Nós achamos que é por que Billy Bob a distrai demais."
"Unidade Lua?" zombou Sawyer, reconhecendo o nome que ele tinha dado ao filho no dia anterior. "Você não pode culpar ele por que Fook Yoo é ruim em matemática."
Mas, culpar Unidade Lua por distrair Soon-Yi não era uma idéia de todo absurda. Kate e Sawyer arrumavam uma série de encontros para brincadeiras entre seu filho e a filha de Jin e Sun na esperança dele se apegar a ela e dessa forma se distanciar da prole de Jack, mais especificamente, de Josefina. Entretanto, a definição de Sawyer e Kate de arrumar brincadeiras diferia ligeiramente da de Jin e Sun. Enquanto eles apenas queriam que seu filho se entendesse com o bebê mais saudável da ilha, Jin e Sun viam isso tudo mais como: o bebê-branco-pobre-sem-importância-sem-nome-que-interrompe-as-aulas-de-matemática-de-Soon-Yi.
"Minha filha não ruim em matemática!" gritou Jin em seu inglês quase perfeito. "Seu filho andando pelado, com roupa caindo. Distraindo Soon-Yi!"
Sawyer podia sentir Kate ficando tensa a seu lado com a menção das roupas de seu filho ficarem caindo. A inabilidade de Kate de costurar propriamente ou atar coisas em geral, nunca cessava de envergonhá-la."
"Você está chamando meu garoto de ordinário, Samsung?" disse Sawyer vagarosamente, ameaçadoramente.
"Agora, vamos nos acalmar," disse Libby, antes que uma briga de murros começasse. "Sawyer, eu já fui chamada de ordinária mais vezes do que você pode imaginar. Não é um insulto tão grande assim. E Jin, não precisa ficar tão alterado só por que sua filha é uma idiota em matemática."
E já que Libby não tinha nenhuma experiência própria como mãe, ela costumava fazer o melhor possível, recontando anedotas de sua infância que ela julgava aplicáveis.
"Quando eu era mais jovem eu era uma droga em matemática. E eu era uma ordinária. Mas, eu procurei meus pais e disse, Mãe, Richard - Richard era meu padrasto - eu disse, eu posso ser ruim em matemática e eu posso ser meio ordinária as vezes, mas eu ainda sou sua filha. Não tecnicamente sua, Richard, mas, você gostaria que fosse, não é, seu filho da mãe!"
Libby gritou a última frase a ninguém em particular. Percebendo que o campo ficou subitamente muito quieto, ela tomou um momento para se recompor. Ela respirou fundo pelo nariz enquanto o grupo a observava. Inconfortavelmente. "Em suma," disse ela num suspiro baixo, "Kate, Sawyer, eu sugiro que seu filho encontre um novo companheiro de brincadeira."
"Seria bom para Josefina um novo companheiro de brincadeira," se meteu Jack. "Qualquer companheiro, na verdade. As crianças costumam... não brincar com ela por algum motivo."
Sawyer
e Kate só puderam se entreolhar reprovadoramente, tentando
sair dessa situação. Eles fingiram não escutar a
pergunta.
"Agora, nosso próxima dupla de pais,"
continuou Libby. "José, Ana, problemas com seus
filhos?"
Jack pareceu espremer o cérebro por um momento mas, rapidamente balançou a cabeça para refutar a mera sugestão de que havia algo errado com seus filhos.
"Meus filhos são perfeitos," disse ele. "Sem problemas de espécie alguma com eles."
"Mesmo?" disse Libby. "E quanto a Jack Hugo. Ele parece um pouco pesado para a idade dele."
Toda vez que Jack se sentisse desconfortável ou na defensiva ele, subconscientemente, revertia ao modo-José, atando uma nova bandana em sua testa do mesmo jeito que um médico jogaria um estetoscópio no pescoço. Este foi um desses momentos.
"Ele está bem gordo," repetiu Libby.
"Só gordura de bebê, tá ligada?"
"E Jack Juan-Locke? Continua constantemente brincando com objetos cortantes, ameaçando a sua segurança?"
"É só um joguinho entre nós dois, Hermana."
"E o Pequeno José. Continua negro?"
"Genética," disse Ana Lucia, como se fosse óbvio. Jack não pareceu escutá-la.
"Ele tem um problema de pele, Comadre. É muito sensível ao sol."
"E Josefina ainda é... Josefina."
"E desde quando Josefina ser Josefina é um problema!?" estalou Jack.
"Libby é uma profissional, Culo," disse Ana Lucia, usando o apelido que usava com Jack. Um apelido que o doutor, que não falava espanhol, mal-interpretou como afetuoso. "Deixe ela fazer o trabalho dela."
"Deve
haver algo sobre seus filhos que não seja perfeito."
continuou Libby.
Depois de alguns momentos, Jack desabafou o que
parecia um defeito. "Eles não choram muito. Ana Lucia diz
que eu choro mais do que eles."
Ele subitamente pareceu
reparar que aquelas sessões de terapia não eram
privadas e que havia um grupo de pessoas ouvindo suas
confissões.
"Não que eu chore alguma vez,"
ele adicionou rapidamente. "Não choro." E foi aí
que começou a chorar. "É só que, quando
eles não choram me fazem sentir como se não fossem meus
garotos, algumas vezes."
Jack arqueava sua cabeça a cada soluço torturado. Ana Lucia virou os olhos. O grupo compartilhou um olhar embaraçado em silêncio. E Libby fez uma expressão de compreensão.
"Sabe, isso me leva de volta ao tempo que era garota," disse ela. "Quando minha mãe me eu brigávamos, geralmente a briga acabava com ela me renegando e aí eu dizia que não era mais filha dela e daí Richard entrava na conversa dizendo, 'Você sempre vai ter um lar aqui' e dava uns tapinhas no colo e piscava pra mim, aquele filhodap...!"
Libby estava respirando forte de novo e houve um outro momento de silêncio embaraçoso.
"Eu realmente espero que você atente para esse conselho, José," disse Libby.
"Porque ele é bom."
Ela inspirou profundamente e fixou um novo sorriso no rosto.
"E por último, Sawyer, Kate, que tipo de problema parental recaiu sobre vocês nessa semana?"
Embora houvesse uma miríade de problemas pendentes concernente ao filho deles - como ele ainda não ter oficialmente um nome ou como resultado de suas fraldas mal-amarradas ele ficar nu mais vezes do que apropriado - Kate e Sawyer escolheram expressar sua mais recente preocupação.
"Eu acho que já é hora de pararmos de amamentá-lo," disse Sawyer. "Não quero ele virando um filhinho da mamãe."
"Pararmos?" disse Kate. "É no meu peito que ele esta sendo amamentado."
"Unidade Lua está viciado nos peitos dela!" exclamou Sawyer. "Isso pode não ser saudável."
Enquanto todo os outros na sessão estavam apenas escutando passivamente o mais novo episódio das inadequações de Kate como mãe, Jack se inclinou à frente para escutar cada palavra concernente aos peitos de Kate.
"Ah," disse Libby, tentando soar sábia e entendida. "Quando eu era mais jovem meu padrasto era obcecado por meus peitos. O único jeito que minha mãe encontrou de resolver o problema foi me botar pra fora de casa. Talvez vocês devessem botar Unidade Lua pra fora."
"Eu não vou colocar meu filho pra fora," disse Kate. "E o nome dele é Lesley."
Enquanto Kate ponderava isso, Jack mexeu em algumas coisas que estavam a seu lado e apanhou uma mochila vazia. Ele estendeu seu braço e a segurou na frente dela.
"Você pode carregar seu filho por aí aqui dentro. Desse jeito você nunca vai ter que deixá-lo."
Kate olhou para ele e para a mochila com curiosidade. Muito embora ela jamais cogitara em carregar Lesley numa mochila, Jack parecera bastante sincero, logo, depois de um momento de hesitação, ela pegou a mochila dele, não querendo magoar seus sentimentos.
"Obrigada, José." disse ela.
Jack sorriu afetuosamente e abaixou a cabeça modestamente. "Um prazer."
Ele fitou Kate por uns bons 30 segundos, saboreando o maravilhoso momento que ele estava compartilhando com ela. Um momento que, a seus olhos e a seus olhos apenas, transbordava de derramado amor, cheio até a borda com uma química inegável (de novo, apenas a seus olhos), e que mantinha suas esperanças de ficar junto com Kate algum dia, vivo.
Foi um sentimento tão espetacular que ele simplesmente teve que dividir com todos os presentes.
"Vocês todos viram isso?" ele começou, confiantemente. "Kate e eu acabamos de ter um momento."
E enquanto todo mundo, especialmente Kate, tentava entender exatamente o que ele queria dizer, Jack tentou explicar.
"Kate e eu sempre tivemos essa dinâmica. Preocupação fumegando por baixo de uma fofa crosta de química, que nenhum de nós pode negar."
"O Que. Diabos. Cê tá falando, Jackass?"
"Olha,
tudo que estou dizendo é que Kate e eu estamos destinados um
ao outro. Ela pode estar com você agora, mas é só
um ínterim. Kate e eu somos destino."
Foi neste
momento que Sawyer percebeu que estava lidando um lunático
demente e decidiu fazer um approach do assunto por outro ângulo.
Ele se virou para Ana Lucia, que estava sentada ao lado de Jack
entediada como sempre. Como se já tivesse ouvido esse discurso
já por umas duzentas vezes. Na verdade, tinha.
"E você está ok com o que ele tá falando?" disse Sawyer. "Você vai deixar ele ficar obcecado por outro mulher desse jeito?"
"Culo pode fazer o que quiser com o tempo dele desde que não envolva eu deitada de costas e ele em cima de mim chorando."
"Ele é o pai dos seus filhos!" gritou Sawyer.
"Você já viu meus filhos?"
"Pare de lutar contra,
Sawyer," discursou Jack. "O que Kate e eu temos é
fate."
Ana Lucia futucou em sua própria mochila e
retirou uma surpreendentemente impressionante pilha de buttons
caseiros, os quais ela começou a distribuir a todos sentados
em volta da fogueira.
Sawyer e Kate leram o que estava rudemente escrito em cima de seus buttons e aparentemente nos buttons de todos os outros também:
JATE IS FATE
"O que diabos é um Jate?" perguntou Sawyer.
"É o nome de Kate e o meu colocados juntos." disse Jack orgulhosamente. "Seus nomes são muito mais difíceis de combinarem. Outro sinal que Kate e eu somos verdadeiramente feitos um para o outro."
Sawyer não estava certo de ter ouvido o primeiro sinal, mas já tivera o suficiente disso. Ele levantou, pronto para ir até Jack, mostrar a idéia dele de destino, quando a voz de Locke soou, interrompendo tudo.
"Parem de brigar!" ele gritou, aparecendo do nada, no meio das sombras. Estava a 5 metros deles, a distância que habitualmente tomava quando estava para iluminar os ilhéus com suas palavras de sabedoria.
"Sawyer e Kate. Estão juntos agora, Jack. E todos nós sabemos disso!"
"Mas, é fate!" gritaram Jack e Ana Lucia simultaneamente.
"E é José," continuou Jack, docilmente.
"Vocês deveriam estar se preparando. Para amanhã. O primeiro. Desafio da Olimpíada dos Bebês!"
Todos escutavam atentamente agora.
"Uma corrida!" continuou Locke. "Para ver qual bebê. Pode rolar um côco. Até a linha de chegada mais rápido!"
E tão rápido quanto apareceu, Locke se foi, deixando todos os pais assombrados e pensando no primeiro desafio de amanhã.
