Capítulo 4 : A seqüência de más notícias de Kate / A coisa mais estúpida que Kate já escutou na vida.

O acampamento foi encerrado por essa noite após um longo dia de fazer absolutamente nada, mas para Kate ainda havia montes de coisas a serem feitas. Mais importante, ela tinha calculado usar essa oportunidade para treinar seu filho para os jogos Olímpicos do dia seguinte. Portanto, com a praia iluminada pelas fogueiras e tochas espalhadas, Kate colocou Lesley no chão e começou a treiná-lo.
"Vem, Lesley! Vem rolar o côco com a mamãe!"

Ela estava de quatro, engatinhando pela praia tão rápida quanto podia enquanto rolava um côco ao mesmo tempo. Ela engatinhava em círculos em volta de seu filho, esperando que ele se juntasse a ela e seguisse seu exemplo, mas tudo que ele fez foi ficar sentado, olhando para ela. O único movimento vindo dele foi ele virar a cabecinha de um lado para o outro enquanto observava mamãe se exercitar.

"É divertido!" disse Kate quando passou por ele, tentando persuadi-lo a rolar o côco com ela. Mas tudo que ele fez foi olhar e babar.

Ela passou por ele mais algumas vezes, sorrindo encorajadoramente toda vez que se aproximava, mas, o menino parecia estar ficando mais confuso.

"Vem cá, Les! Vem cá, meu amor!" disse Kate arquejando. Ela estava bem cansada agora e rolou fracamente o côco para perto de seu filho enquanto se jogava na areia no mesmo movimento. Finalmente Lesley tocou no côco e empurrou um centímetro para frente.

"Foi um bom treino," disse Kate, sem fôlego. "Nós, definitivamente, vamos," ela inspirou, "vencer essa coisa." E nisso deixou a cabeça cair pra trás e perdeu o fôlego de vez.

Neste momento Sawyer os encontrou e caminhou até eles.

"Você me disse que iam sair para caminhar há uma hora atrás," disse ele parado perto de Kate. "Tava começando a ficar preocupado."

Kate abriu os olhos e o fitou. "Desculpe."

"Por que você tá sem fôlego?"

"Lesley está pesado. Eu disse que ele não precisa de comida sólida ainda."

"Você me disse ainda hoje de manhã que ele estava magrinho."

Kate tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas desistiu. "Você sabe que eu sou uma mentirosa, Sawyer," disse ela desanimada.

Ele se sentou com as pernas cruzadas ao lado dela e de seu filho, que estava agora tentando engatinhar por cima do corpo de Kate.

"É, eu sei," disse Sawyer, sorrindo. Era isso, afinal, que ele mais amava nela.
"Sabe, você não precisa treinar Rumor," disse ele, levantando seu filho e o sentando no colo. "Ele pode vencer a competição de olhos fechados."
Kate sentou num pulo. "Como foi que você o chamou?"

"Scout?"

"Não,"

"Tallulah?"

"Não."

"Rumor."

"Nós não somos Bruce e Demi, Sawyer."

"Eu sei disso!" disse ele, olhando como se ela estivesse louca. "Eu sou muito mais bonito do que Bruce e tenho muito mais cabelo. De qualquer forma cai bem, eu acho. Por que sua gravidez foi um rumor pelo campo."

Kate franziu a testa. "Não foi, não."

"Foi sim."

"Todos descobriram que eu estava grávida cerca de um minuto depois de você."
"Não descobriram, não." debochou Sawyer.

"Descobriram, sim. Foi você quem contou a eles."

Sawyer olhou cético para ela. "Contei?"

"Mesmo depois que eu especificamente te disse pra manter isso entre nós, a princípio."

"Bem, tenho certeza que não você não falou desse jeito."

"Minhas palavras exatas foram, 'a gente devia manter isso entre nós, a princípio'."

Embora Sawyer estivesse tendo muito problema para lembrar de tudo isso, Kate tinha armazenado na memória exatamente como tinha acontecido. Afinal, fôra um dia que se tornara um ponto decisivo na vida de ambos. E havia começado como qualquer dia típico da ilha; o sol brilhando forte no claro céu azul. Kate tomou isso como um bom sinal para contar-lhe as novidades.

E ela estava muito nervosa ao fazer isso. Ela não tinha pista de como Sawyer iria reagir. Ela apenas imaginou que ele consideraria uma novidade imensamente ruim. Provavelmente ficaria louco de raiva. Talvez bêbado. E embora nunca o tivesse visto chorar, naquele ponto ela até esperava algo do gênero.

O irônico foi que quando ela entrou na tenda naquele dia ele estava ocupado - num, sem dúvida, grande gesto romântico - fazendo tampões para ela.
Embora, pela aparência do grande número de bastões que ele segurava, ela não houvesse cogitado na hora que eles estavam para se tornar (ou talvez já tivessem se tornado) tampões.

"Tá trabalhando no quê?" perguntou ela tepidamente, testando as águas para ver o tipo de humor no qual ele estava. "Construindo outra jangada?" Ela estava somente meio brincando.

"Não, muito melhor." Ele bem que preferia esperar até mais tarde para surpreendê-la com o presente, mas estava muito ansioso para lhe mostrar o que ele sabia ser a coisa que toda garota isolada numa ilha mais desejava. "Isto, Sardenta," disse ele segurando um monte de pedaços de madeira, "são tampões."

Kate ficou boquiaberta enquanto olhava de Sawyer para os 'tampões'. Os bastões eram afiados, pontudos, alguns ainda tinham folhas grudadas. E eram muito grandes para sequer serem considerados tampões. Fora que estavam brotando.
"Sawyer, você já viu algum tampão antes?" Ela perguntou olhando mais atentamente a pilha de bugiganga na frente dele. Além dos bastões, havia pedaços menores de galhos, barbantes, lona, uma casca de banana (?!) e aquilo era um tronco soterrado embaixo de toda essa porcaria?

Sawyer deu uma risada e voltou ao trabalho. "Não se preocupe, Sardenta. Você vai amar eles quando eu tiver acabado o trabalho."

Ela só pode se sentar e deixar que a simples visão desses galhos a deixassem apavorada diante da simples idéia de ter seu período de novo. Não que ela precisasse ficar apavorada - Sawyer já a havia ajudado em não ter que se preocupar em usar tampões por um longo tempo. Vendo o claro céu azul do lado de fora, ela tomou esse momento como um sinal de que devia lhe contar as novidades.

"Então, adivinha, Sawyer. Doçura. Pookie."
Sawyer parou o que estava fazendo e se virou para ela, provavelmente pela surpresa dela ter usado todos os nomes carinhosos. Pois ela nunca retribuíra todos os apelidos que ele punha nela, somente chamando ele de 'Doçura' quando queria debochar dele. E "Pookie" quando estava animadinha.

Para fazer as novidades soarem melhor do que realmente eram, ela decidiu precedê-las com algumas péssimas notícias, esperando que na hora que ela falasse da gravidez ele não pensaria que fôsse tão ruim.

"Se lembra da carta qeu você sempre guardava no seu bolso? E como ela sumiu um dia?" começou ela.

Sawyer fez qeu sim com a cabeça.
"Eu que queimei. Acidentalmente."

O rosto de Sawyer se contorceu em ira e ele abriu a boca para falar, sabendo que Kate queimava muitas coisas mas nunca "acidentalmente", mas Kate levantou a mão para interrompê-lo.

"Deixa eu acabar." disse ela.

"Também, eu realmente me sinto atraída por médicos."
Agora Sawyer parecia ainda mais zangado do que antes e muito embora ele tentasse dizer alguma coisa, lamentar e gritar como estava prestes a fazer, Kate continuava interrompendo ele, determinada a terminar a sequência de más notícias.

"Sawyer, eu estou grávida!"

Ele ficou petrificado nesse momento e embora Sawyer não pudesse se lembrar de muita coisa sobre esse dia, ele lembrava disso: Tudo a sua volta ficou completamente silencioso, suas próprias batidas do coração mais altas e claras como nunca estiveram antes e o rosto de Kate quando ele cravou os olhos nela. Foi lindo.

Sawyer saiu do estoicismo e começou a perguntar apressadamente um milhão de diferentes perguntas que não conseguia se lembrar agora. Kate decidiu responder todas dizendo: "a gente devia manter isso entre nós, a princípio."
Ele fez que sim com a cabeça, sem pensar direito e daí pulando para fora da tenda, correu para o meio da praia, socando o ar com os punhos e gritou a plenos pulmões, "EU ENGRAVIDEI KATE!"

Cerca de 30 segundos depois Jack correu para o meio da praia, parou a um metro de Sawyer, socando o ar com os punhos e gritou "PODE ENFIAR O BANCO DE ESPERMA, ENFERMEIRA, BAIXA CONTAGEM DE ESPERMA, UMA OVA, HERMANA!"

Sawyer e todos os outros que havia se reunido a eles na praia, pararam para olhar Jack silenciosamente.

"Quero dizer," continuou Jack, "EU ENGRAVIDEI ANA LUCIA!"

As novidades dos dois homens pareceram surpreender a todos os habitantes da ilha e embora Jack não pudesse ver, Locke, Eko e Hurley subseqüentemente socaram o ar com seus punhos, também.

Logo em seguida Sawyer e Jack desmaiaram.

Levou um tempo até Sawyer experimentar as preocupações e dúvidas que vêm a todos os pais de primeira viagem (e havia montes delas), e decerto não foi a última vez que ele desmaiaria (aconteceu de novo no parto) mas Kate sempre se lembraria que no momento logo após dela ter contado a novidade, ele ficou feliz. E ela nunca o deixaria esquecer que havia desmaiado.

"Eu não desmaiei," protestou Sawyer. Ele levantou seu filho e como que para provar que ainda era um homem, sussurrou para ele, "Eu não desmaiei."
"Foi adorável como você e Jack desmaiaram ao mesmo tempo," disse ela com uma risada.

"Jack tinha que me passar a frente, não tinha? Roubar toda a minha glória."
"Quando você vai superar isso?" perguntou ela, rindo.

"Ele pensa que é muuuuuuito melhor do que todo mundo só porque consegue combinar os nomes!"

Kate virou os olhos. "Isso não exatamente um talento."

"Eu devia combinar nossos nomes!" exclamou ele. "Kawyer! Como Kawyer soa para você?"

"Sawyer..." Ela se levantou e pegou Lesley dos braços de Sawyer para que ele pudesse fazer o mesmo. Mas, Sawyer continuava sentado na areia até que seu rosto se iluminou com o que parecia a idéia perfeita. Ele se levantou com uma renovada exuberância.

"Skate!" disse ele. "É, skate é o nome perfeito."

Kate olhou reprovadora e começou a andar. "Esta é a coisa mais estúpida que eu já ouvi."