Capítulo 7: Charlie não sabe nada de Brooklyn/As razões de Jack
"Charlie, onde está Abraham?" perguntou Kate, numa voz firme, tentando ficar calma, mas pensando no pior. Seus temores se concretizaram quando Charlie respondeu com um espantado
"Abraham?"
Foi, neste momento em particular, o pior que ele poderia ter dito a Kate. Na verdade, ele simplesmente não sabia que este era o novo nome do bebê.
"SAWYER!" Gritou Kate, agora histérica.
Sawyer chegou a seu lado em um segundo, perguntando o que estava errado. "Abraham desapareceu!" disse ela.
"Abraham Lincoln?" Charlie perguntou. "Ele está morto!"
"O que você disse, moleque?" perguntou Sawyer, agarrando com os dois punhos a camiseta tamanho infantil do magrela.
"Abraham Lincoln está bem morto!" gritou o inglês de cabelo viscoso e nariz arrebitado, mas só por que Sawyer estava gritando e ele achou que talvez Sawyer não o matasse se ele também gritasse. Não era muito lógico, mas a única lógica do músico fracassado.
"Não
Lincoln. Brooklyn!" Berrou Sawyer. "Onde diabos está
Brooklyn?!"
"Está na Califórnia, certo!"
gaguejou o anãozinho péssimo em geografia, com lágrimas
se formando nos cantos dos olhos. "O que isso tem haver
comigo?"
Sawyer o empurrou e se virou para Kate, agarrando seus ombros e a olhando direto nos olhos. "Nós vamos encontrá-lo, Sardenta," disse ele, tentando soar confiante, mas, tentando mais do que tudo, convencer a si mesmo. E num tom ainda mais solene, carregado pela gravidade do que estava para dizer, ele acrescentou, "Eu vou pra floresta."
"Pra quê?" perguntou o pobre, obsessivo e ás vezes drogado, abrindo caminho através da multidão de onde Sawyer o havia arremessado.
"Porque, Pequeno Tim," disse Sawyer, "toda vez que alguma coisa acontece, nós vamos pra floresta. Os Outros estão vindo? Nós vamos pra floresta. Nós precisamos de uma transmissão de rádio? Nós vamos pra floresta. O bebê de Claire apareceu com assaduras? Nós vamos pra floresta!"
"Mas, o que vocês estão procurando? Quem desapareceu?" perguntou o autor do detestável mega-único sucesso, que não conseguia sair da cabeça de ninguém, You All Everybody, total e completamente confuso.
Kate o ignorou. Alguma coisa mudara nela quando, sacudindo sua preocupação, ela entrou no jogo. Ela ficou na frente de Sawyer. "Eu vou com você." disse ela, como se nunca tivesse tido tanta certeza de alguma coisa na vida antes. Mas, antes que Sawyer pudesse comentar o que ela acabara de falar, eles escutaram outra voz através da multidão.
"Não, você não vai."
Eles se viraram e viram Jack se aproximando. Ele parecia que nunca estivera tão certo de algo em sua vida, também. "Vou deixar que Sawyer venha comigo. Mas, você, não."
Neste exato momento em que o complexo de superioridade de Jack reaparecia, o som alto de algo caindo pôde ser ouvido à distãncia. Há cinco metros dali, Locke estava cercado pelo que parecia ser uma dúzia de potes e panelas arremessadas pela praia num acesso de raiva;
"Ir com você?" Sawyer começou a protestar, mas foi cortado por Kate tinha um protesto próprio.
"Ele é meu filho, Jack. Eu vou."
"É José. E você não vem."
"Eu sou-"
"VOCÊ NÃO VEM, KATE."
Kate recuou quando Jack gritou na cara dela em seu mais alto volume. Ele começou a caminhar em direção à floresta, deixando Kate totalmente embaraçada, derrotada e absolutamente incrédula. Claro, ela não faria nada sobre isso por que Jack tinha acabado de berrar com ela e toda vez que Jack berrava com ela, ela instantaneamente se transformava em uma mulher submissa e humilde que todos sabiam que ela não era.
"Não se preocupe, Kate, vou trazer nosso filho de volta," disse Sawyer "E vou levar as armas."
Ela pôde apenas ficar para trás e observar Sawyer e Jack irem atrás de seu bebê desaparecido. As Olimpíadas não pareciam ser tão importantes agora. Nada era mais importante do que a volta de seu pobre filho sem nome, a quem ela amava mais do que tudo no mundo.
"Mas, por que eles foram pra floresta pra procurar por ele?" perguntou Charlie, finalmente captando a mensagem. "Ele está bem aqui."
Charlie apontou para o chão e Kate seguiu sua mão até seus olhos encontrarem seu filho sentado na areia. Ele olhou para ela e sorriu.
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Iria escurecer logo, mas Sawyer e Jack estavam longe de desistir. Eles tinham chegado até ali e não havia nada no mundo que pudesse fazê-los voltar sem aquele adorável bebê.
O peso de sua mochila estava atrasando Sawyer, mas ele não se incomodava. Ele levara as armas por que poderia precisar delas para resgatar seu filho. Ele poderia precisar de todas as armas. Todas as 42. Todos os rifles que tinham alças estavam penduradas em seus ombros, o resto das armas estava em sua mochila, seus bolsos, pendurado em seu cinto, pulando pra fora de seus jeans, suas botas e tinha cerca de sete que ele segurava nas mãos. E elas não eram suficientes.
"O que diabos você tá carregando na sua mochila?" perguntou Sawyer a Jack repentinamente. O outro homem se virou, piscando através das árvores como se procurando por direções e disse, "fraldas."
"Fraldas?"
"Ele vai precisar delas," foi tudo que Jack disse.
Eles caminharam em silêncio um pouco mais, olhando em toda direção por algum sinal de que estavam no lugar certo até que Jack parou e se sentou numa árvore caída.
"O que você tá fazendo?" perguntou Sawyer. "Está escurecendo, nós precisamos continuar andando."
"Eu preciso descansar," disse Jack, dramaticamente tirando a mochila cheia de fraldas fofas de cima de seus ombros.
Sawyer não ia aguentar isso. "Eu tô indo."
"Ótimo, vá embora. Eu sabia que você desistiria."
"Eu estou indo sem você, Jackass," disse Sawyer. "Não tem como eu parar por um minuto enquanto ele ainda está por aí."
Jack chupou os lábios contra os dentes naquele jeito que fazia com todos a sua volta soubesse que ele era o mais arrogante idiota do acampamento. Ele balançou a cabeça e sorriu amargamente. "O que você está fazendo aqui, Sawyer?"
"Como é?"
"Você me escutou. Estou tentando entender, mas eu simplesmente não tenho pista sobre que possível motivo você poderia ter."
Sawyer somente pode parar e olhar parar ele.
"Você quer ser o grande herói, é isso?" Continuou Jack.
"Você tá me gozando, doc?"
Jack apenas deu de ombros, esperando.
Sawyer não estava certo sobre como esclarecer isso. "Meu filho está desaparecido!" gritou ele, na esperança de que gritar ajudaria a enfiar isso na cabeça de Jack. "Por que diabos você está aqui?"
Antes que Jack pudesse explicar que ele estava tentando ser um "herói" e que estava "apaixonado por Kate" e que este pequeno grupo de resgate iria provavelmente colocá-lo "na boa" com ela e que ele poderia até receber um "obrigada a você, vamos transar" disso tudo e que Sawyer estava realmente "restringindo seu estilo", eles ouviram algo nos arbustos há alguns metros de distância.
Sawyer reuniu todas as armas em direção do ruído, mas apenas Rousseau apareceu na clareira, com a sempre presente expressão vazia, ainda fixada em seu rosto.
"É a francesa," murmurou Sawyer. "Escute, você viu um garotinho? Cerca de um ano de idade?"
"Um bebê?" disse Rousseau num estado quase onírico.
"Sim, um bebê," continuou Sawyer. "Ele tem olhos verdes, sardas, covinhas, 4 dentes e um cabelo louro que cacheia em alguns lugares e fica liso em outras. Você o viu?"
"Qual é o nome da criança?" ela perguntou.
Sawyer franziu a testa. Pela primeira vez ficou triste por nunca ter conseguido dizer, definitivamente, qual era o nome de seu filho.
"Isso não importa," disse ele, caminhando até ela. Ele estava cansado e desesperado e tudo que queria era ver seu filho de novo. Em seu jeito mais sério ele pediu, "Por favor, me diga se você o viu."
"Quando eu caí nessa ilha há quase 18 anos atrás, eu já estava grávida de 7 meses," disse Rousseau em seu horrível sotaque francês; "Eu tive que fazer o parto sozinha. Uma menina. Alex," sussurrou ela dramaticamente.
"Eu a tive por muito pouco tempo antes que eles a levassem. Os outros," disse ela dramaticamente, de novo.
"Nós sabemos," disse Jack, se adiantando. "Apenas me diga onde o garoto está e nós não teremos que matar você."
"Era um dia de sol quando tudo aconteceu," ela continuou. "O sol estava queimando minha pele e eu tive medo que queimasse a pele do bebê também. Então, eu tirei minha camiseta e a embrulhei em volta dela. E daí, eles a levaram. Os Outros. Levaram minha filha." ela deu uma pausa. "E levaram minha camiseta."
"Onde está meu filho?"
"Foi cinco anos antes de eu encontrar outra camiseta para vestir. Na selva. Eu fiquei nua. Da cintura para cima," disse ela, e aqui ela deu outro sussurro dramático: "por 5 anos."
"Apenas me diga onde o bebê está!" gritou Jack.
"Eu ainda não encontrei o bebê," disse ela. "Alex."
"Alex, não!" disse Sawyer. "Meu bebê!"
A francesa olhou para Jack e Sawyer. Eles mal podiam ver seus olhos atrás daquele cabelo todo.
"Eu estive na praia mais cedo. Eles me mandaram para a floresta para avisar vocês que eles encontraram o bebê. Alex."
"Alex?"
"Quero dizer, seu bebê. Seja lá qual for o nome."
O rosto de Sawyer se iluminou enquanto Jack pareceu triste por não ter sido aquele que encontrou o menino.
Sawyer imediatamente começou a voltar para a praia e Jack logo o seguiu num passo mais lento.
"Alex!" gritou Rousseau. "É um lindo nome!"
