Nota da Kater: Pois é, eu tive essa idéia do pôquer bem antes de Lost. Só pra mostrar como eu sou procrastinadora.

Capítulo 10: Fazendo amigos/ Kate é uma vagabunda

"Uma noite de folga dos rapazes?" Jack teve que pensar sobre isso por um minuto.
Kate tinha vindo até ele para um papo em particular e a primeira coisa que disse foi, "Preciso que você me faça um favor."

Cego por sua paixonite iludida, Jack apenas escutou, "Eu preciso de você."

Ele tinha parado, encarando-a num estado como de transe, tempo bastante para entender que ela estava realmente pedindo um favor e cedo ou tarde ele teria que começar a escutar as palavras que saíam de sua boca.

"Você quer que eu organize a coisa toda?"

"É," disse ela. "O que você acha?"

Ele não sabia por que ela estava pedindo a ele para fazer a Noite de Folga dos Rapazes. Ou por que ele havia concordado no momento que ela tinha sugerido. Tudo que sabia era que Kate tinha vindo até ele e eles estavam sentados juntos. Sozinhos. E ele estava começando a ter a idéia de que estavam flertando. E em sua cabeça, e em sua cabeça apenas, eles estavam tendo um momento jate. E já que momentos jates eram poucos e espaçados nos últimos tempos, ele fez o possível para prolongá-lo.

"E você quer que eu faça esta noite?"

"Isso. Você pode convidar Jin. Sawyer vai."

Ele não iria e Kate sabia disso. Mas com sua capacidade manipulativa e sex appeal ela sempre o convencia de que era o melhor para ele fazer tudo que ela dissesse para ele fazer. E se de todo não desse certo ela podia simplesmente cortar o sexo. Isso sempre funcionava.

"Eu posso arrumar alguma coisa esse noite." disse Jack. "Mas, qual é o plano?"

"O plano?"

"Por que está me pedindo isso?"

Kate havia engendrado esta idéia para o próprio bem de Sawyer. Para simplificar, Sawyer precisava de mais amigos. Partia seu coração ele ter ficado estigmatizado com o papel de "vilão" ou de "cara malvado" só porque ele costumava chamar as pessoas de apelidos cruéis ou rir delas quando estavam por baixo ou enganá-las e ficar com suas posses assim que ficavam a um metro de distância dele. E além disso, ela precisava passar algum tempo com suas próprias amigas. Bem, na verdade, apenas Sun.

"Estou te pedindo por que sei que você vai cuidar disso."

Jack interpretou isso como "Estou te pedindo por que sei que só você pode cuidar disso, amor."

Muito embora a resposta dela não tenha extinguido sua curiosidade, ele estava perfeitamente feliz com ela.

"Posso convidar você?" perguntou ele.

"É uma noite de folga dos rapazes." explicou Kate.

"Certo," respondeu Jack, rindo um pouco. "Desculpe. Então, que horas posso te pegar?"

Kate suspirou. Como ela poderia explicar isso da maneira mais simples possível? "Noite de folga dos rapazes significa que os rapazes podem tirar a noite só pra eles, de folga." Ela achou um pouco redundante mas esse era geralmente o caso com Jack. "Vocês podem ir pescar ou coisas assim. Ou construir alguma coisa. Atirar em algum porco. Sawyer vai levar as armas."

Ele não ia. Não voluntariamente, pelo menos. Sem o conhecimento de Sawyer ela já havia arrumado as armas em sua mochila junto com um sanduíche de manga e uma muda de cueca.

"Vou organizar uma noite de pôquer," disse Jack.

"Ótimo, Sawyer adora jogar pôquer com vocês."

Na verdade, ele odiava. Mas, enfim.

"Você gosta de pôquer também, não é, Kate?"

"Claro, eu acho."

"Vou guardar um lugar na mesa para você."

Kate virou os olhos, mas Jack não notou. Ele estava muito ocupado se deleitando com sua pequena fantasia erótica jate que gostava de chamar de 'um momento.'

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"Não tem como eu fazer parte de uma das fantasias homoeróticas de Jacko que ele chama de dia de folga dos rapazes," exclamou Sawyer. "Pode esquecer."
Kate estava em sua cabana balançando o filho no colo enquanto Sawyer caminhava zangado para cima e para baixo. Ela havia casualmente mencionado a Noite de Folga dos Rapazes e bem como tinha previsto ele não estava a fim de ir.
"São só poucas horas. Pode ser divertido."

"Como se José e seu bando alegre soubessem qual é a definição de divertido."

Kate fez uma careta como se tivesse um gosto ruim na boca. "José e seu bando alegre...?"

Sawyer franziu a testa. "José e os sete anões?" ele perguntou, inseguro.

"Vai ter apenas cinco de vocês, incluindo Jack."

"José e seu exército de ..." -disse Sawyer quebrando a cabeça-"sobreviventes de um acidente, vindos de todas as camadas da vida... que acontecem ter todo tipo de passado sombrio e obscuro..."

"Doçura, você tá perdendo o seu toque."

"Tá, já sei!" estalou Sawyer.

"Você devia passar mais tempo com eles. Tenho certeza que eles vão te dar mais material pra trabalhar."

"Por que você quer tanto que eu vá para essa coisa, afinal?"

Kate hesitou antes de responder. Ela sabia que, dissesse o que dissesse, ele provavelmente ia se ofender. E mais do que tudo ia se ofender com a verdade.
"Eu só quero que faça amigos."

Ele voltou a andar em seu passo irritado de novo.

"Fazer amigos?! Eu tenho amigos!"

"Livros e armas não contam."

Ele ficou magoado com essa. Não apenas por Kate achar patético ele ter apenas livros e armas como amigos, mas também por que, tecnicamente, ela estava certa. Mas, era tão errado da parte dele amar esses livros e armas mais que a vida?

"Você não quer ser uma boa influência para Fletcher?" Disse ela, tentando um novo approach. "Ele está a um passo de ser completamente ignorado por Soon-Yi, e todos os filhos de Ana e Jack são... esquisitos. Ele está ficando sem amigos em potencial."

"Ele pode fazer amizade com o bastardo de Claire."

"Não chame Aaron de bastardo."

"Bem, ele é."

Realmente, ela não podia negar isso. Seu filho podia ser considerado um branco sem importância até mesmo na ilha, mas ainda assim ela não o queria se entendendo com o filho de Claire. "Eu não quero Fletcher perto de Aaron. Ele come cola."

Imagina-se que seria difícil para uma criança encontrar cola numa ilha deserta, mas não era, de fato esta criança em particular tinha uma figura paterna careca que sabia fazer cola de vísceras de animais mortos. E é assim que o pequeno adorável Aaron se tornou o menino que come cola.

Sawyer caminhou até onde Kate estava sentanda e gentilmente levantou Dakota das mãos de sua mãe.

Sawyer pode ter tido problemas para fazer amigos quando era pequeno, mas ele já podia dizer que isso nunca seria um problema para seu filho. Sawyer tinha sido um garotinho muito triste e em contraste Dakota sorria bastante para sua vantagem. Ele parecia feliz. E era bonito. Provavelmente gastaria grande parte de sua vida fazendo garotas como Soon-Yi se apaixonar por ele e destroçando garotas como Josefina.

Sawyer o encostou contra o peito e olhou profundamente em seus olhos verdes. Eram exatamente como os de Kate.

"Dakota vai ficar ok. Ele pode ser meu amigo."

Muito embora tocada por esta súbita sinceridade, ela não havia desistido de convencê-lo a ir.

Ela apelou para as armas pesadas.

"Eu preciso que você vá para a noite dos rapazes para eu poder ir para a minha noite das garotas. Libby vai nos ensinar Sexo Tântrico."

Era mentira. Não haveria seminário sobre Sexo Tântrico em sua Noite de Folga das Garotas. Na verdade Libby nem tinha sido convidada. Por que ela era uma vadia. Mas, Kate pôde perceber que sua pequena mentira tinha funcionado.

"Certo, eu vou," disse Sawyer. "Mas, pode acreditar, eu não vou me divertir. Nem vou fazer amigos, também."

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"Quem está pronto para se divertir e fazer amigos?"

Jack deu umas palmadinhas nas costas de Sawyer e lhe indicou um assento na mesa improvisada. A Noite de Folga dos Rapazes tinha oficialmente começado e os rapazes em questão (Jack, Sawyer, Jin, Charlie e Hurley) tinham decidido usar o quiosque de Hurley como a sede oficial da Noite de Folga dos Solteiros. Mesmo sendo Hurley o único solteiro entre eles.

"Eu não tenho batatinha e molho , mas eu tenho biscoito em formato de peixe e maionese," disse Hurley, passando as duas tijelas.

Sawyer pegou as tijelas e deu aos conteúdos um olhadela horrorizada. Enquanto ele se sentia mais entediado do que Charlie numa noite de autógrafos, os outros caras pareciam estar se divertindo.

Sawyer imaginou brevemente se por acaso qualquer um deles já tinha estado em uma festa antes em suas vidas.

"Por acaso vocês já estiveram numa festa em suas vidas?"

"Sawyer, eu sou um médico," disse Jack. E disse num jeito que dava a entender que esta era uma resposta suficiente. "E eu já estive em Regina." Disse do mesmo jeito.

"De qualquer forma, isto não é uma festa. É uma Noite de Folga dos Rapazes."

"Então, você tem um roteiro, Doc? Vamos jogar charadas? Contar nossos segredos mais profundos um pro outro?"

"Melhor ainda," respondeu Jack. "Vamos jogar pôquer."

"Pôquer," murmurou Sawyer para si mesmo. Ele mergulhou o pequeno biscoito laranja em formato de peixe num bocado de maionese e chegou a conclusão que as garotas provavelmente estavam se divertindo muito mais ouvindo sobre posições sexuais eróticas, pintando unhas, lutando na lama - ou que quer que fôsse que as garotas faziam em festas - do que os rapazes estavam agora.
"A gente ainda pode contar segredos aos outros?" Charlie perguntou ansiosamente enquanto Jack começava a embaralhar as cartas.

Sim, pensou Sawyer. Definitivamente as garotas estavam se divertindo mais.

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Kate e Sun estavam sentadas silenciosamente debaixo de uma árvore observando a maré chegar. Este era exatamente o mesmo lugar que elas sentaram juntas tantas vezes, antes. Essa era a essência da amizade delas. Ficarem ali, sentadas juntas, olhando pensativamente e ocasionalmente, conspirarem para envenenar alguém. Kate sentia falta de se sentar com Sun, então ela estava contente por elas terem conseguido tempo para fazer exatamente o que costumavam fazer. A única diferença era que agora elas tinham bebês em seus colos.

"Isso é legal, não é?" perguntou Kate, com os olhos no oceano.

"Sim," respondeu Sun, simplesmente.

Ambas tinham crianças relativamente quietas, então os únicos sons em volta delas eram o vento e o oceano.

"Por que não fazemos mais isso?"

"Ainda somos amigas, Kate," assegurou-lhe Sun.

"Mas, não como antes. Eu estava do seu lado quando você descobriu que estava grávida."

"Eu estava do seu lado quando você reanimou Sawyer depois dele ter descoberto que você estava grávida."

"E eu te ajudei a lavar o sangue das roupas de Jin naquela vez que ele veio da floresta inexplicavelmente coberto de sangue."

"E eu te ajudei a queimar aqueles objetos de Sawyer, naquela vez que você disse que queria fazer uma... do que mesmo você chamou?"

"Uma fantasia."

"É, uma 'fantasia.' "

As mulheres sorriram enquanto relembravam essas agradáveis recordações.
"As coisas mudaram," disse Sun se defendendo. "Temos filhos agora. E não temos mais tanto em comum."

"Temos sim."

Kate tentou pensar em algo que elas tivessem em comum, mas estava mais difícil do que imaginava. E por amizade a Kate, Sun estava tentando pensar em alguma coisa também.

"Já sei," disse Sun. "Somos ambas casadas com homens temperamentais que quase morreram numa jangada."

"Isso!" gritou Kate. Mas, sua alegria durou pouco. "Bem, eu não sou tecnicamente casada com Sawyer. E ele só é mesmo temperamental pra se mostrar. Mas, ainda assim, ele quase morreu na jangada."

Kate pôde ver a expressão dúbia no rosto de Sun e decidiu arrumar outra coisa em comum rápido.

"Oh!" disse ela. "Lembra quando você me contou uma vez que nunca tinha dormido com um chinês?"

Sun fez que sim com a cabeça.

"Bem, nem eu."

Isso era, claro, uma mentira. Kate tinha dormido com um chinês. Ela tinha dormido com vários. Mas, essa mentira branca parecia ter levantado o ânimo de Sun e então Kate achou que tinha valido a pena.

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"Eu nunca contei isso a Sun," começou Jin, olhando para suas cartas pesarosamente. "Mas, na verdade, eu sou chinês. Nasci na China enquanto meus pais estavam lá de férias."

Embora eles ainda estivessem jogando pôquer, os rapazes tinham decidido (ignorando os protestos de Sawyer) jogar "contar segredos" que ele tinha inadvertidamente sugerido anteriormente. Ele suspeitou que brincar de charadas ia ser o próximo passo.

"Por favor, Sun nunca pode saber. Isso ia entristecê-la muito."

Enquanto Jin parecia mais magoado do que Charlie em programa de fofocas da tv, ninguém na mesa tinha entendido o por que ser chinês era um problema.
"Qual é a diferença?" perguntou Sawyer. "Vocês todos parecem iguais."
"Ahvaitiamerda, Sawyer!" berrou Jin num fôlego só, seu inglês ainda não completamente á altura. "Somos povos diferentes. Nos deixe ouvir um de seus segredos para podermos julgá-lo."

Havia um bom número de segredos que Sawyer poderia ter escolhido para expor nessa noite. Como a história do assassinato-suicídio de seus pais ou sobre o homem que ele matou na Austrália ou ainda seu verdadeiro nome para começar. Mas, ele tinha escolhido ir por uma rota diferente expondo não um de seus segredos, mas um de Kate. Num jeito presunçoso ele plantou aquele sorriso desdenhoso dele e se inclinou sobre a mesa para que os outros caras fizessem o mesmo.

"Kate só dormiu com caras brancos em toda a sua vida."

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"Filipino?" perguntou Sun

"Sim," respondeu Kate

"Do Oriente Próximo?"

"Sim."

"Latino?

"Meu Deus, sim."

"Africano?"

"Africano comum ou Sul Africano?"

"Ambos."

"Sim."

"Canadense?"

Kate hesitou, envergonhada. "Sim."

"Mas, nunca Chinês?"

"Nunca."

"Uau. Tenho que dizer, Kate, você gosta mesmo de... sexo com homens diferentes."

Kate sorriu timidamente.

"É importante ter contato com muitas culturas."

Capítulo 10 - 2ª parte

"Nos conte mais sobre sexo e tudo que tenha que ver com Kate!" gritou Jack. Sim, ele gritou. Ele estava um pouco ansioso demais sobre esse tema e Sawyer ficara assustado o bastante para calar a boca.

"Por que não nos conta sobre Ana Lucia," pediu Charlie. "Ela é uma Latina, deve ter as coisas bem apimentadas."

Jack deu uma risadinha e fez que sim com a cabeça. "É, nós chicanos somos bem quentes, não somos, Hurley?"

Todos os homens se olharam constrangidos enquanto Jack dava uma cotovelada em Hurley.

"Como vocês todos bem sabem, Ana Lucia e eu estivemos praticando abstinência." Houve um outro olhar constrangido. "Mas, quando fazíamos sexo era lindo," Jack tentou achar a palavra certa. "Bem, deixe-me colocar desse jeito. Vocês sabem alguma coisa sobre hienas no cio?"

"Não," disse Charlie.

"Bem, ela é bem assim," respondeu Jack. "Não havia uma só noite que eu não fôsse pra cama com uma contusão do tamanho de uma bola de basquete na minha virilha."

"Eu acho que isso é bem mais do que queremos saber," disse Sawyer tentando interrompê-lo, mas a voz de Jack o sobrepujou.

"Você sabe quando eles dizem que parece uma torta de maçã quentinha?" ele continuou malicioso. Todos concordaram com a cabeça.

Sawyer grunhiu em terror. "Bem, eu acho que a descrição mais acurada para Ana Lucia seria que parece como o interior da boca de um tubarão."

Sawyer aturdido, sem acreditar no que estava ouvindo, murmurou, "Que m é essa?"

"Dude, eu nem imagino como é dentro da boca de um tubarão," disse Hurley. Muito embora Jack Hugo fôsse uma boa indicação de que ele sabia muito bem.

Sawyer não podia acreditar que Hurley quisesse continuar essa conversa.

"Ok, então, imaginem uma bolsa cheia de pedras," disse Jack tentando explicar.

"Ou uma camisinha feita de lixa ou um pântano pegajoso, cheio de crocodilos furiosos."

"Ohhhh, entendi."

'WOW," exclamou Jin. "Isso é tão diferente de como o sexo é com a Sun."

Todos se viraram para Jin. Por alguma razão todos estavam ansiosos para ouvir como a pequenina e quieta rapariga asiática era na cama. Sawyer sabia que as garotas quietas eram as mais barulhentas entre os lençóis.

"Na cama Sun parece um escorregadio e duro... como se diz? Manequim."

"Manequim?" repetiu Sawyer. "Você tem certeza de não se confundiu na tradução, Chino?"

"Tenho certeza. Ela é rígida e não diz uma palavra. E é sempre muito fria."

"Fria?"

"Muito, muito fria."

Sawyer ficou um pouco desiludido ao ouvir isso. Então tanto Jack quanto Jin tinham vidas sexuais bem bagunçadas. Hurley tivera uma coisa com Libby há uns dois anos atrás, mas tinha acabado quase imediatamente depois de dormirem juntos. Sem surpresas. Charlie estava dormindo com ela agora e a julgar por suas sessões loucas de terapia e as lições de sexo Tântrico que ela supostamente estava dando para as mulheres, ela parecia ser um furacão na cama.

"Libby é um furacão na cama," confirmou Charlie. "A única coisa que eu queria era que ela não me chamasse de Charlotte todo o tempo."

Sawyer teve que abafar uma risada.

"E também queria que ela parasse de se referir às minhas intimidades como vibrador de pilha."

Dessa vez ele não pôde engolir o riso. Ele caiu na gargalhada, se dobrando até poder pegar o fôlego.

"Ei!" reclamou Charlie. "Você é um tremendo babaca!"

"Então, todos nós temos nossos problemas nas coisas," disse Jack apoiando Charlie. "Tenho certeza de que tem alguma coisa que Kate faz que você não suporta." Ele tinha mencionado isso para que pudesse escutar mais sobre Kate e sexo. Juntos. Numa única frase.

A risada de Sawyer morreu enquanto ele tentava pensar em algo de errado em sua vida sexual com Kate. Ele não conseguia pensar em nada. Mas, todos os olhos estavam cravados nele. Ele nunca havia antes sucumbido à pressão alheia até este momento.

"Ok," começou ele. "escutem isso. Quando Kate estava grávida ela queria fazer sexo o tempo todo."

Os rapazes o encararam silenciosamente.

"Este era o problema?" disse Jack vagarosamente. "Ela queria muito sexo?"

"Então, ela tem as coisas no lugar, né?" perguntou Charlie.

"Sou o único lá em casa que tem as coisas no lugar, Charlotte."

"E ela não fica dura como uma porta?" perguntou Jin.

"Exatamente o oposto."

"E ela não tem um terceiro mamilo e pelos em lugares que não deveria ter cabelo?"

"De que diabos cê tá falando, Jackass?" Sawyer estava começando a achar que Jack tinha feito, por engano, sexo com um porco em vez de com Ana Lucia... isso explicaria Josefina.

"Então, não tem absolutamente nada de errado com ela?" disse Hurley.

"Nada. Kate é perfeita." E foi somente depois de dizer essas palavras que ele finalmente começou a entender isso. Não somente a perceber, mas a apreciar essa verdade. Ele realmente tinha tido sorte com Kate e esses caras estavam, inadvertidamente, o ajudando a entender isso.

"Deve ter coisas que ela não faz."

"Você ficaria surpreso," disse Sawyer.

"Confessa pelo menos que ela gosta de ficar abraçadinha."

"Detesta." Kate era mais do tipo "Vem cá, minha nega". Ficar abraçadinho acontecia ocasionalmente, aqui e ali, mas era sempre quando Sawyer não se importava. Ou, na verdade, quando ele preferia. Mas, ele era macho demais para admitir que gostava de ficar abraçadinho. Então, ele ficou no "ela detesta."

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Kate detestava. Ela não sabia como tinha acabado como única pupila das aulas de botânica de Sun, mas aqui estava ela, observando a criatura enumerar uma enorme quantidade diferente de plantas. Ela originalmente havia pensado em provar sua amizade por Sun se interessando em algo que ela gostasse. Só que Kate não sabia que o único interesse de Sun consistia em categorizar plantas.
"Eu sei que são fáceis de serem confundidas, " começou Sun, "mas este aqui é para sífilis e esse daqui para clamídia."

Kate fechou os olhos em completo tédio. "Sun, eu não tenho DST."

A idéia de Kate de ter 'cultura' era a idéia de Sun de ficar indubitavelmente infestada de doenças sexualmente transmissíveis.

"Tem certeza?" perguntou Sun. "Esta é para gonorréia."

"Claro que tenho certeza! E isso não funciona," disse ela apontando para a planta.
"Pessoas fazem sexo, Sun. Algumas mais do que outras." Kate tentou explicar. "Deve existir alguns caras no seu passado com quem você teve intimidade."

"Jin."

"Além de Jin."

Sun abaixou a cabeça, parecendo mais envergonhada do que Charlie num concerto do Drive Shaft. "Houve outro." disse ela, simplesmente.

Para Sun essa era uma grande informação que ela estava compartilhando. Ela deu como certo que Kate sabia que ela havia esperado fazer sexo depois do casamento. Mas, Kate nem estava pensando nessas implicações.
"Você só dormiu com dois caras em toda a sua vida?" perguntou Kate incrédula. "Wow, Jin deve ser um dínamo na cama."

"Quando você diz 'dínamo' você quer dizer rápido? Por que Jin é rápido."

"Rápido?"

"Muito, muito rápido."

Kate franziu a testa. Estava triste em saber que a vida sexual de sua amiga não era tudo que devia ser. "Sun, você tem que fazer alguma coisa sobre isso. Você tem que se divertir tanto quanto ele."

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"E isso vai garantir que ela vai se divertir tanto quanto você," disse Sawyer.
"Ohhhh," disseram os homens em coro.

Sawyer olhou em volta, meio surpreso. Pela reação dos rapazes parecia que havia uma grande quantidade de mulheres não tendo nenhum prazer. Eles deviam estar agradecendo a ele por revelar os seus truques profissionais.

Se ele não fôsse desconfiado diria que tinha se tornado o cara mais popular da mesa. E esta nova percepção - de que ele estava realmente fazendo amigos - lhe deu confiança para roubar todo do dinheiro deles (côcos).

"Garotos, estão prontos pra jogar um pouco de pôquer, agora?' perguntou ele. "Vamos ter um pouco de diversão."

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"Você precisa de um pouco de divertimento na sua vida," Kate falou a Sun. "Você é uma bela mulher. Deixe eu te acertar com alguém."

"Me acertar? Mas, eu já estou com Jin."

"Não estou dizendo pra você enganar Jin," disse Kate, dando risadas como se Sun estivesse fora de si por pensar nisso. "Mas, você precisa de alguém pra te lembrar como você é espetacular. E parece que em dois minutos, Jin não consegue fazer isso."

"Nem sempre são dois minutos," Sun a corrigiu rapidamente. "Algumas vezes chega a cinco."

Kate suspirou. Ela olhou em volta pela praia e viu que Locke estava perto. Mas, ele sempre estava, certo?

"Locke!" ela chamou.

"O que está fazendo?" sussurrou Sun. Ela estava apreensiva sobre Kate 'acertá-la' com Locke e estava certa.

"Sun, você sabia que muitos homens brancos têm fetiches com garotas Asiáticas?"
"Perdão?"

"É verdade. Locke provavelmente tem um. Ele esteve no Vietnam, certo?"
"Eu não sou vietnamita, eu sou Coreana."

"Certo, eu sei." Kate não queria ofender Sun. "É que pra uma pessoa como Locke provavelmente vocês todos parecem iguais."

Locke chegou perto delas. "Você me. Chamou, Kate?"

"Chamei," ela respondeu. "Sun precisa de uma levantada de confiança. Você acha que pode ajudá-la?"

"Claro." disse Locke. " Sun, seu corpo é perfeitamente construído. Para caçar porcos."

"Uh, não era exatamente isso que estávamos procurando," disse Kate. "Quis dizer que ela precisa de cumprimentos sobre como-"

"Eu sei. Eu escutei. Toda a conversa. Eu estava. Somente há 5 metros. De distância."

"Oh."

"E eu acho Sun. Uma bela mulher com uma boa. Cabeça em seus ombros. E eu não digo isso apenas. Por causa de meu fetiche. Com garotas asiáticas."

"Tá vendo?" disse Kate, se virando para Sun. "Eu te disse que você-"

"Você, por. Outro lado," disse Locke interrompendo-a "Você precisa de um bom conselho."

"O quê?"

Ele se ajoelhou em frente dela até ficar no nível de seus olhos e fixá-la com um olhar severo.

"Agora. Eu não sei se você teve. Uma figura paterna em sua vida, Katherine. Mas, eu ficaria contente em. Fazer esse papel. Essa noite."

"Do que está falando?" ela perguntou.

"Estou falando que. Você tem que esperar até o casamento. Você não iria querer um filho fora. Dos laços do matrimônio. Iria?"

Ele sorriu, contente com sua declaração e foi se levantando, acariciando a cabeça do filho de Kate.

Sun e Kate ficaram observando ele andando, apenas esperando aquelas palavras finais de sabedoria que ele sempre acrescentava antes de desaparecer completamente.

"Está tudo bem, Kate," disse ele. "Você não é a única. Vagabunda nesta ilha. E todos nós sabemos disso."

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"Vocês, rapazes, são mais fáceis de ganhar do que uma piranha de dois dólares," disse Sawyer, coletando seu ganho de côcos e mangas. Ele olhou para cima quando sentiu todos olhando para ele. "O quê? Foi só um ditado."

Jack não estava feliz com o jeito que as coisas saíram nesse jogo. Ele já tinha perdido mais da metade de seus côcos para Sawyer.

"Na última vez que jogamos eu chutei seu traseiro."

"Na última vez que jogamos eu deixei você ganhar," disse Sawyer.

"Você me deixou ganhar?" disse Jack, parecendo mais triste do que Charlie quando alguém roubou seu chocalho.

"Claro que deixei. Eu estava me sentindo caridoso."

"Vamos jogar mais outra mão," disse Jack. "E dessa vez vamos apostar mais do que apenas côcos."

E assim eles fizeram. Hurley mostrou seu bolo de três camadas que estava embaixo da mesa, Jin esparramou três peixes, Sawyer apostou suas armas e Charlie apostou a masculinidade de Jack.

"Minha masculinidade?" disse Jack, agarrando o pedaço de papel que Charlie tinha colocado no meio da mesa. "Como você se apoderou disso?"

"Sawyer vendeu pra mim."

"Bem, não é autêntico!"

"Mesmo? Por que eu tenho um certificado de autenticidade bem aqui."

Jack pegou este também e o leu cuidadosamente. Definitivamente, soava autêntico. Agora ele tinha mesmo que ganhar essa mão. Então, resolveu ir fundo e apostou seus filhos.

"Você tá apostando seus filhos?" perguntou Sawyer, meio rindo.

"É," disse Jack, com sorriso confiante no rosto. "Não te dá nenhuma outra escolha, a não ser aceitar, não é?"

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Kate e Sun estavam de pé, segurando seus filhos a cerca de 5 metros da cabana de Locke, observando ela se queimar até o chão.

"Ainda não entendo por que você queimou a cabana de Locke," disse Sun, sua pela avermelhada pelo brilho do fogo.

"Quem ele pensa que é, me dando conselho paternal?" disse ela. E não disse nada mais além disso.

Sun aproveitou esse momento de silêncio para repassar os eventos dessa noite. Ela tinha entendido que ela e Kate não tinham absolutamente nada em comum. E que ela era uma vagabunda.

"Desculpe, Kate," disse ela naquela maneira puladinha dela de falar. "Mas, eu acho que não podemos mais ser amigas."

Kate ficou confusa e se virou para Sun, mas esta apenas encolheu os ombros à guisa de desculpas e foi embora.

"Hey!" chamou Kate, agora zangada e magoada. "Eu dormi com um chinês! E mais de um!"

Sun lhe lançou um último olhar de horror antes de se retirar para sua tenda.
Kate suspirou. Tanto esforço para fazer amizade.

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Jack se esgueirou para dentro de sua cabana, esperando não acordar Ana Lucia. Ele reparou que ela estava com Libby.

E pareceu que estava interrompendo as duas.

"Ana, está acordada," disse ele.

"E?"

"Não se importe comigo."

Ana virou os olhos e compartilhou um olhar de "olha-só-esse-imbecil' com Libby. "Como foi o jogo de pôquer?"

"Oh, ótimo!" exclamou ele, nervosamente. Ele apanhou sua mochila e se dirigiu ao berçário das crianças. "Hey, escuta, as crianças vão passar algum tempo com Sawyer e Kate, ok?"