Nota da Kater: Aqui acaba meu hiato não-oficial. Perdão! Mas, acho que foi fate (e eu uso bastante esse termo) que eu tenha esperado tanto para postar. Eu adicionei uma coisinha que foi inspirado pelo episódio da última semana. E tenho certeza de que as jaters não vão se importar por eu ter parafraseado seus posts na última parte deste capítulo. Eu não teria conseguido sem elas. Muito obrigada, pessoal. Também não teria conseguido sem Lar :-

Capítulo 11: Armas e Jogos/A Melhor Mãe do Mundo

"Você fez o quê?!"

Jack evitou olhar diretamente para Ana Lucia, embora ele pudesse sentir seu olhar fuzilando-o pelo canto dos olhos. Ao invés, ele se concentrou no trabalho que estava fazendo: enfiar cuidadosamente cada um de seus filhos dentro da mochila. Ele acariciou a cabecinha careca de Eko Jr. No chão perto dele, Hugo Jr. soltou um enorme arroto enquanto Josefina tentava desentalar seu pé de dentro da rotunda barriga do irmão.

Ana estava lá parada, braços cruzados, fervendo de fúria. Suas narinas inchando como as de um grande javali, do jeito que ela sempre ficava quando estava enfurecida e Jack sabia que a qualquer momento ela estaria pronta para alvejá-lo a tiros. Ele lembrou-se que Ana casualmente recontou como ela havia atirando em uma dúzia mais ou menos de homens e mulheres desarmados nos velhos tempos. Ele parou um momento e escolheu as palavras cuidadosamente.

"Nós ainda vamos poder vê-los, Pelancudinha."

Talvez ele pudesse ter pensado mais um pouco.

"NÃO ME CHAME ASSIM, JACK!"

"NÃO ME CHAME DE JACK!"

"Vamos todos tentar nos acalmar, sim?" Disse Libby no que ela achou que fôsse uma voz calmante e controlada, embora ela parecesse tão assustada quanto Jack diante da perspectiva de levar um tiro.

E, sendo ousada o suficiente para dizer o que todos estavam pensando, ela murmurou, "Ninguém precisa levar um tiro."

Ela tinha ficado na cabana desde que Jack tinha entrado desde que ele tinha atrapalhado a ela e Ana Lucia. O irônico é que embora Kate tivesse inventado as lições de sexo tântrico para Sawyer, Libby estava de fato dando uma lição, só que Ana Lucia era sua única aluna. De fato, elas ainda estavam, ambas, nuas. Estar entre sua amante e uma outra mulher nua em sua cabana não pareceu perturbar Jack em nada. Na verdade era uma visão confortante que o lembrava de uma tarde de domingo quando ele tinha apenas 10 anos de idade, quando surpreendeu sua mãe e sua amiga musculosa, de cabelos curtos, Helga, inocentemente brincando de Twister nuas. Mão direita vermelho, ele lembrava. Mão direita, vermelho.

Muito embora esta fôsse uma briga na qual Libby não tivesse direito de interferir, ela ficou ansiosa em usar sua habilidade psiquiátrica sempre que possível. "José, você disse que jogou as crianças?"

"Eu tinha um par de Jacks!" Na verdade, era um par de noves.

"Você sabe que não pode jogar, Jack," disse Ana vagarosamente. "Lembra quando me contou que quase foi expulso da faculdade por jogo?" Ela enunciou as próximas palavras clara e ameaçadoramente. "Você quer que eu atire em você? Por que eu posso. Eu posso atirar em você, Jack."

Jack, durante o processo de cortejá-la tinha confessado todas as coisas fora-da-lei que tinha feito em sua vida. Quando suas estórias de não ajudar velhinhas a atravessar e jogar lixo na rua falharam, ele começou a inventar uma série de crimes que havia cometido, começando por roubar um Snickers numa loja de conveniência, aumentando que havia esfaqueado um padre por ter olhado esquisito para ele e culminando na organização de uma roda de jogo no campus da faculdade.

Na realidade a coisa mais fora-da-lei que ele jamais fizera fôra fumar o que ele pensou ser um cigarro de cravo num concerto ao ar livre do Wham que ele havia ido depois de falhar em seu Exame para Ordem Médica pela quinta vez consecutiva. A primeira piração de sua vida lhe causou uma estranha mistura de larica e um aumentado desejo sexual que o levou a transar com um cachorro quente. O desafortunado evento foi flagrado pela câmera de segurança e transmitido no jornal das oito. O processo daí resultante por angústia mental permitiu a Jack comprar sua nota no exame.

Ele não podia, no entanto, desmanchar sua fachada de gângster ou ele teria que reconstruí-lo do rascunho. Então, ele foi em frente com isso.

"É José. E eu pensei que tinha minha sorte de volta! Eu venci Sawyer naquela vez que ganhei todos os remédios!"

"Ele te deixou ganhar," disse Ana Lucia, fingindo calma.

"Como você sabe disso?"

"Por que ninguém leva tudo com um par de 5s, Culo!"

"Oh," disse ele.

"Você vai direto até Sawyer e Kate agora, dizer-lhes que eles não podem ficar com meus bebês, entendeu?" disse ela.

Jack estava ficando cansado dessa discussão. Toda sua vida e especialmente esses dois últimos anos na ilha, ele tinha sido um líder entre os homens. Ele era um médico, pelo amor de Deus! E como líder e como médico não era possível que ele ficasse ali parado agüentando toda essa artilharia pesada que Ana Lucia estava lhe dando.

"Olha aqui, Ana," começou Jack, "Eu sou José. Sou o médico por aqui - sou o líder dessas pessoas. O que eu disser vale. E eu não vou parecer uma droga de perdedor na frente de Kate, você entendeu?" E sem nenhuma razão aparente, ele repetiu, "Eu sou um médico!"

Ana encarou Jack com os braços cruzados. Ela parecia quase enfadada. Seus olhos dardejavam pela sala, procurando uma arma.

"Ana, eu sei que você está muito zangada, mas Jack é apenas humano-"

Jack abriu a boca para objetar, mas lutou contra isso. Libby estava tentando salvar sua vida e salvar vidas era uma das poucas coisas que Jack respeitava.
"E ele cometeu um erro," continuou ela. "Estou certa que foi um grande erro jogar seus filhos, mas será assim tão imperdoável? Estou certa de que se pudermos falar sobre isso, poderemos chegar a um acordo que deixará todos felizes, sem forçar ninguém a fazer alguma coisa de que irá se arrepender mais tarde."
"Libby," disse Ana. "Vai me pegar uma arma."

------------------------------------

"Sinto muito, mas você não pode ficar com os bebês, Sawyer," disse Jack, de má vontade. Ele ficou olhando para os pés ao dizer isso, como uma criança mal-criada.
Eles estavam do lado de fora da cabana de Sawyer e Kate - Jack, Ana Lucia e seus 4 filhos do lado dele, enquanto ele explicava por que ele estava dando o calote na sua aposta, sendo a droga de perdedor que ele, tão veementemente disse a Ana que não seria.
O ar noturno estava quase palpável com tensão (irradiada de Ana Lucia), vergonha (vinda de Jack), indiferença (Sawyer e Kate) e um inconfundível cheiro de queimado, enquanto em algum lugar ao longe, John Locke pisava pesadamente sobre a agonizante última chama no amontoado de cinzas formalmente conhecida como sua cabana.

"Aqui está, fica com esses côcos no lugar," disse Jack, oferecendo um saco cheio de côcos.

"Eu não quero seus côcos," disse Sawyer.

"Escute," começou Ana Lucia, "Culo aqui não vai lhe as crianças, por que não são dele para ele dar."

Houve uma pequena pausa desconfortável na qual Ana, Sawyer e Kate se entreolharam.

"Está certo," Jack continuou. "Eles são de nós dois. Eu devia ter consultado Ana Lucia antes apostá-los."

"Ele nunca deveria ter apostados eles." Disse Ana.

"Eu nunca deveria ter apostado eles." Repetiu Jack.

"E não vamos dar os côcos, também."

"Não, nada de côcos pra você!" berrou ele, numa voz aguda, quase de desenho animado, recolhendo o saco.

"E quer saber, Sawyer," continuou Ana, "Estou surpresa que você tenha tirado vantagem de Jack desse jeito. Ele é apenas um médico."

"Um, artista do trambique," disse Kate, discretamente, apontando pra direção de Sawyer.

"O que Ana Lucia quis dizer foi, como ousa tirar vantagem de um médico?" disse Jack. "Eu salvo vidas e assim que você me paga?"

"Olhem, vocês não precisavam vir até aqui," disse Kate. "Quer dizer, é, Sawyer ganhou as crianças, mas nós nunca pensamos em aceitá-las, afinal."

Esta declaração fez Jack e Ana congelarem. Eles se olharam, e depois a seus filhos, e depois de volta para Sawyer e Kate com o que parecia uma renovada altivez.

"Qual o problema com os meus filhos?" perguntou Ana.

"Nenhum," mentiu Kate.

"Então, por que vocês não os querem?"

"Porque não são meus," respondeu ela como se fôsse uma coisa óbvia.
"Meus filhos não são bons o bastante pra vocês ou o quê?"

"Eu não disse isso."

"O quê? Só por que um está acima do peso, um é careca, o outro é negro-"
"Condição dermatológica," murmurou Jack.

"E um é de Jack?" continuou Ana. "Eles não se comparam ao seu menino dourado sem roupa?"

"Ana tem razão," disse Jack, que aparentemente escolheu escutar apenas algumas partes de seu argumento (um é negro) e ignorar (um é de Jack). "Meus filhos são tão bons quanto o seu filho. O que estou dizendo? Eles são melhores em tudo!"
"Vocês se acham bons demais pra nós, não é isso?" exclamou Ana.

"Escutem - Ana Lucia, Jack," disse Sawyer, finalmente se metendo para acabar com essa coisa de uma vez por todas. Se ele tivesse adivinhado que teria tanto drama por um estúpido jogo de pôquer ele nunca teria jogado. Teria apenas roubado tudo de todo mundo, menos as crianças.

"Nós não queremos escutar o tabitatati dos filhotes do seu doutor perto do nosso filho, e é isso aí, nós somos bons demais pra vocês. E não queremos mesmo os seus filhos!"

Uma enorme discussão estourou entre os dois casais. De um lado, as narinas de Ana Lucia inflava enquanto Jack chorava e implorava. Do outro, Kate tentava amenizar os comentários de Sawyer fazendo o que ela fazia melhor: mentindo, e declarando que Josefina era uma "menina... linda"

Transeuntes não saberiam dizer quem estava gritando o que, embora eles pudessem discernir declarações como, "Eu não tenho culpa dela se parecer com Jack!" e "Eles tem os genes médicos!" e "Sim, eu dormi com Jack, não podem me condenar por isso!"

Quando tudo acabou, Jack e Ana haviam ambos se acalmado, deixando Sawyer e Kate parados na frente da porta, segurando todas as crianças Cortez-Shephard, dois bebês cada um, um por braço. Sawyer ficou se perguntando como diabos isso tinha acontecido.

"Como diabos isso aconteceu?" perguntou Sawyer, tentando em vão tirar a orelha de perto da boca berradora de Josefina.

"Voltamos mais tarde pra pegá-los!" gritou Ana Lucia enquanto empurrava Jack pelo caminho.

"Bem, isso vai ser ótimo," disse Sawyer, irritado.

O aborrecimento de Kate subitamente se desvaneceu quando olhou para Juan Locke e Jack Eko que se mexiam tentanto descer do colo. Eles eram apenas crianças. E ela era uma mãe. Ela possuía a habilidade e o conhecimento inato para cuidar de qualquer criança. Em outras palavras, todo esse arranjo não seria um problema. "Não se preocupe, a gente dá conta deles," disse Kate sorrindo, "eu sou a melhor mãe do mundo."

--------------------------------------

Sawyer se inclinou sobre a pilha de bebês e começou a pegá-los um por um e a colocá-los em algum outro lugar até que pudesse ver a forma de Kate debaixo de todos eles. Ela estava deitada de costas, perfeitamente silenciosa, exceto pela respiração difícil. Ela estava com um olhar surpreso, horrorizado, mas o que melhor o descreveria é o olhar de alguém que tinha acabado de ser enterrado vivo debaixo de uma pilha de bebês.

"Você tá bem?" perguntou Sawyer, pairando sobre ela depois de puxar o último dos bebês.

Ele não precisava perguntar isso para saber que a resposta era não, ela não estava bem. Suas roupas mostravam as marcas individuais de cada criança. Jack Eko tinha desenhado algum tipo de escrita em toda a sua camisa com o que parecia ser giz e cinza, Jack Juan Locke tinha de alguma forma rasgado e arrancado suas mangas, Jack Hugo Jr. tinha conseguido esfregar todo tipo possível de comida nela, incluindo bananas, mangas e musse de chocolate, o que era estranho já que Sawyer e Kate não tinha musse de chocolate em casa. E parecia que Josefina tinha feito um pouco de tudo.

"Onde você estava?" ela perguntou sem fôlego enquanto Sawyer a ajudava a se levantar.

"Estava trocando Dakota."

"Mas, como? Eles estavam todos em cima de mim."

"Na verdade-"

"Tem tantos deles!" disse Kate, se agarrando na camiseta e se curvando, com os olhos arregalados, sussurrando, "E eles não param de vir."

"Está tudo ok, Torrão de Acúcar, só temos que-"

"Podemos deixá-los na floresta, tenho certeza de que vão ficar bem, não é? Quer dizer, Jack Juan Locke pode caçar e tudo."

"Ele é só um."

"Mas, Eko Jr. tem um bastão!" ela balançou a cabeça e repetiu, como se fôsse a resposta para todos os seus problemas, "um bastão."

Sawyer estava começando a se preocupar com o bem-estar dela. Se havia algo que ele podia dizer só de olhar para ela, era que a idéia de ser a "melhor mãe do mundo" significava exatamente o oposto.

Ele prontamente a sentou em sua poltrona de avião e a instruiu a apenas respirar enquanto as crianças começaram a destruir tudo em volta.

"Você põe um no chão e daí o próximo pula em você e antes que você saiba, está sendo comido vivo!" contou ela.

"Comido vivo?"

"Jack Hugo me mordeu!" disse ela, levantando o braço para que Sawyer pudesse ver. Jack Hugo não apenas a mordeu como roeu todo o seu braço, deixando marcas de dentes vermelhas e babadas. "E Josefina não parava de gritar na minha orelha! Ela a agarrou e grudou a boca nela e não parava. E o outro fica me encarando! Tudo o que faz é olhar pra mim!"

Sawyer deu uma olhada na direção de Jack Eko Jr e viu que, enquanto seus irmãos e irmã engatinhavam por toda parte, jogando coisas no chão e rasgando coisas em pedaços, ele ficava perfeitamente quieto, realmente encarando Kate, concentrado, como se sua vida dependesse disso. O bastão jazendo estranhamente perto dele.
Sawyer se virou de novo para Kate e viu que Jack Juan Locke estava tentando escalar sua perna e Jack Hugo já se encontrava em seu colo e no processo de esfregar papinha de maçã em seu cabelo.

Ela o tirou de seu colo - quase arrancando seu cabelo junto - o colocou no chão com o risco do resto deles escalarem até o alto dela e agarrou uma faca de uma mesa ali perto.

"Aqui, rugrat!" berrou ela, oferecendo a faca para Jack Juan Locke.

"Kate!' disse Sawyer, pegando a faca de volta. "Você não pode dar uma faca a ele! A melhor mãe do mundo, lembra?"

"Mas, ele gosta de facas. Talvez isso o distraia."

"Ou talvez ele acabe matando o irmão."

"Vai ser um a menos!"

Ok, pensou Sawyer. Isso já foi longe demais. Ele olhou para fora da porta e viu que Jack e Ana não estavam em lugar algum por perto e ele não tinha idéia de quando eles voltariam para pegar seus guris.

Mas, ele tinha um plano.

Ele pegou cada criança, inclusive seu filho, Dakota, e de alguma maneira, conseguiu alinhá-los, sentando-os juntos em frente à Kate. Toda vez que ele queria colocar Dakota pra dormir ele sabia que contar uma estória era tiro e queda. Ele não sabia como sabia disso ou porque funcionava, mas funcionava.

"Freckles," disse ele, "encante-os com uma historinha sua."

"Historinha?" perguntou ela.

"É."

"Eu não conheço nenhuma historinha."

"É só mentir em forma de estória."

Kate pareceu entender isso. "Oh," disse ela. "Ok." Ela se esforçou muito para trazer um sorriso relutante para o rosto e não teve nehum problema em elaborar mentiras para contar às crianças.

"Era uma vez uma Princesa que estava esperando seu príncipe encantado vir e resgatá-la de-"

"Aww, inferno," interrompeu Sawyer.

"Não tá gostando da estória?"

"Não é isso. Perdemos Jack Juan Locke. Vô ver se encontro ele. Já volto."

Sawyer saiu da cabana e voltou apenas 3 minutos depois com o bebê nos braços bem em tempo de pegar o fim da estorinha para dormir de Kate.

"...E é por isso que é tão importante perguntar ao seu parceiro sobre sua vida sexual antes de você fazer qualquer coisa com ele. E sim, isso inclui primeira base porque eles podem ter herpes e isso se transmite através de contato direto de pele e não necessariamente área genital," ela respirou fundo e sorriu- de verdade dessa vez. "E então a princesa botou fogo no castelo. Fim."

Sawyer suspirou, tanto esforço para isso. As crianças não estavam dormindo como ele esperara. Na verdade, deviam, na certa, estar traumatizados.

Ele podia imaginar o que a princesa da estória de Kate fez com seu príncipe. Ele colocou Jack Juan Locke perto de seus irmãos e depois se sentou ele mesmo ao lado de Kate.

"Minha vez," disse ele. "Vou contar a vocês a estória de seus nascimentos."

E ele começou, tendo a audiência cativa de 5 crianças e a própria Kate.

"Nunca vou esquecer aquele dia," disse ele. "Eu acordei bem cedo naquela manhã para admirar Kate dormindo."

"Espere, não foi por isso que você acordou cedo," Kate exclamou.

Kate também se lembrava dos eventos daquele dia por que ela havia acordado na maneira mais memorável possível. Para sua surpresa e profundo espanto, ela acordou coberta, da cabeça aos pés, embrulhada em plástico bolha. O tipo que se usa em pacotes para que o conteúdo não quebre. Era essa, de fato, a verdadeira razão de Sawyer ter acordado cedo. Em seu nono mês de gravidez ele não queria que o conteúdo quebrasse.

"Ela estava com 9 meses de gravidez!" protestou Sawyer. "Só estava tentando protegê-la. Se seu papai embrulhasse sua mamãe em plástico bolha, talvez vocês tivessem saído melhor."

Os bebês simplesmente ficaram olhando para ele. Josefina grunhiu.

"Você faz parecer que ter 9 meses de gravidez me deixou incapacitada."

Na verdade, não incapacitou mesmo. Em seu nono mês de gravidez Kate experimentou um súbito "surto de incontrolável loucura sexual" como chamou Sawyer. Sim, ele estava tentando mantê-la longe do perigo embrulhando-a em plástico bolha, mas, mais importante, Sawyer estava tentando mantê-la imóvel para que não tivesse que fazer sexo com ela.

"Ok, Eu nunca passei por um surto de incontrolável loucura sexual," disse Kate com um olhar de desagrado no rosto. "E, não posso acreditar que você não queria fazer sexo comigo!"

"Querida, você sabe que eu não queria cutucar o bebê," explicou ele. Era mentira. Na verdade, uma Kate enorme e tarada o assustara.

"Oh, mas quando eu estava com 4 meses, você estava perfeitamente de acordo em querer dar covinhas ao bebê," respondeu ela, acusadoramente.

Sawyer considerou isso. Ele realmente tinha argumentos conflitantes para fazer e para evitar fazer sexo com Kate. Ele decidiu não continuar atolando nessa história.

"De qualquer maneira, assim que acabei de desembrulhar Kate, nós escutamos um grito horrível e gutural vindo de algum lugar lá de fora."

"Nunca vou esquecer aquele grito" disse Kate. "Parecia alguém sendo incendiado."
Sawyer se inclinou e olhou para as 4 crianças de Jack. "Acabou sendo a mãe de vocês."

Antes que Sawyer e Kate pudessem ir checar a fonte do grito gutural, Jack havia enfiado a cabeça dentro da cabana deles. Não era incomum para Jack. Ele enfiava a cabeça na cabana de Sawyer e Kate em muitas ocasiões, particularmente quando ele achava que eles estavam para fazer amor.

"Nós não vamos fazer sexo agora!" berrou Sawyer para ele, cansado de seus avisos contra 'os perigos do sexo' e como 'Kate realmente ama a mim e blá-blá-blá.'

Mas, ele não estava lá para impedir Kate e Sawyer de fazerem sexo dessa vez. Ele estava lá para deixá-los ser os primeiros a saber que Ana Lucia estava em trabalho de parto. Ana gritou aquele grito gutural novamente.

"Não devia estar lá com sua namorada agora?" perguntou Sawyer, enquanto Jack lhe passava um charuto.

"Certo!" disse Jack.

E Jack foi atender Ana Lucia, mas, não sem antes convidar Sawyer e Kate para assistir ao belo milagre da vida que estava para tomar lugar. Kate, sentindo que era importante testemunhar um parto de novo (ela já havia visto o de Aaron) tão próximo ao seu próprio parto, concordou. Então, Sawyer a ajudou a se levantar e colocou a mão nas costas dela, enquanto ela bamboleava atrás de Jack para ir testemunhar o belo milagre da vida.

Foi a pior decisão que ela já fizera na vida.

"O primeiro a vir foi você, Josefina," disse Sawyer. "Jack ficou um pouco desapontado por você não ser um menino, mas ele superou assim que percebeu que você não era a única a chegar."

Ela certamente não era. Para surpresa de todos, Ana Lucia não estava para ter apenas uma criança naquele dia. Jack não podia estar mais feliz. Kate não podia estar mais horrorizada. Parecia ter sangue e tripas para todo lado e Ana Lucia parecia ter sido virada do avesso começando pela periquita. Foi neste momento que Kate perdeu toda sua "incontrolável loucura sexual" e decidiu nunca mais fazer sexo com Sawyer. Essa resolução, obviamente, não durou muito.

"Pelo dia 4," continuou Sawyer. "Todos vocês tinham nascido."

Sim, Ana Lucia ficou em trabalhos por quase 100 horas. Jack até mesmo a manteve assim mais um pouco esperando para ver se um quinto bebê podia aparecer.

"Desnecessário dizer que sua mãe ficou apavorada em dar à luz." disse Sawyer, se dirigindo a seu próprio filho. "Mas, uma semana depois ela deu e tudo saiu muito bem."

Sawyer sorriu para si mesmo, vendo que todos os bebês estavam agora emborcados um sobre o outro, dormindo. Ele pegou Dakota e o colocou sem seu berço bem quando Jack enfiou a cabeça dentro da cabana.

"Tenho ótimas notícias!" ele anunciou. "Ana Lucia e eu vamos nos casar!"

Sawyer e Kate olharam para Ana, que apareceu detrás de Jack. Ela simplesmente deu de ombros e virou os olhos. "Mers acontecem," disse ela.

"Parabéns," disseram Sawyer e Kate, simultaneamente. Eles não entendiam como essa virada súbita de eventos acontecera e nem se importavam. Simplesmente queriam ir dormir, então começaram a devolver as crianças aos seus legítimos donos.

Jack aproveitou essa oportunidade para ir até Kate e sussurrar, "Eu ainda arrasto um bonde por você," disse ele.

Kate não sabia como responder, então ela apenas sorriu e lhe entregou Josefina.

Para seu espanto, Jack viu que seus filhos não estavam nem sem roupas, nem sem nomes, como ele tinha antecipado.

Enquanto ele colocava todos em sua mochila, ele viu, pelo canto do olho, Sawyer sentar perto de Kate e colocar seus braços em volta dela enquanto ela repousava a cabeça em seu ombro. Kate estava exausta e Sawyer estava provendo toda força e calor de que ela precisava. Jack não achou que aquilo fôsse mais do que um momento. Um momento que, para seu detrimento, não era um momento jate.
Naturalmente ele foi até lá fazer que fôsse.

Ele caminhou até ela com um ar superior, encobertado pela modéstia e compaixão e sentou-se ao seu outro lado. Sawyer abriu um olho e o observou pronto para fechá-lo assim que Jack fosse embora e os deixasse sozinhos.

"Pronto, pronto, Kate," sussurrou Jack, dando palmadinhas em seu ombro. Então ele afastou a mão de Sawyer com gesto de pulso que falava volumes. Dizia mais ou menos, 'eu posso continuar daqui.'

Foi quando Jack estava no meio de reposicioná-la para que ela se encostasse em seu peito, que Kate acordou de seu estado quase-adormecido e olhou para ele.
"O que está fazendo?" disse ela, grogue, gradualmente se apercebendo que não era mais no peito de Sawyer que estava apoiada.

"Está tudo bem, docinho, apenas descanse," disse Jack.

E bem antes que ele pudesse terminar sua declaração profunda, plantando um não-bem-vindo beijo no alto de sua cabeça, Sawyer, que nesse meio tempo havia se levantado, o agarrou pela frente de sua camisa, através de uma sucessão de hábeis movimentos o empurrou porta afora de sua cabana. Ele o teria jogado pela porta, mas havia os bebês a considerar.

"Você e eu," rosnou Sawyer numa voz baixa, "nós nunca mais vamos jogar pôquer de novo." E fechou a porta na cara dele.

"Vamos, Culo."

Jack se virou e viu Ana esperando por ele há alguns metros de distãncia. Pelo menos ele ainda a tinha. E ela não se importava quando ele falava sobre Kate. (Na verdade, ela se importava muito.)

"Foi só um abraço do tipo irmão e irmã," disse Jack, se referindo ao abraço de Sawyer e Kate.

"Uh huh," disse Ana. Ele a havia alcançado e agora eles estavam caminhando de volta a sua própria cabana.

E enquanto ela pensava sobre essa conversa - ou, em outras palavras, a tentativa ilusória de Jack de racionalizar e falar sozinho o que tinha acabado de ver - ela começou a se arrepender em ter aceitado se casar com ele.

"Eles se preocupam um com o outro e mostraram isso no abraço," ele continuou.

"Eles passaram por muita coisa juntos, então, naturalmente, estão lá um pro outro, nos bons e nos maus momentos. "

"E você viu como ela se levantou antes, como se dissesse 'Agh, dá o fora?' " ele continuou.

"Não."

"Bem, ela se levantou. E naturalmente, você se apoia nas pessoas, quando está cansado- não significa nada!"

"Certo."

"E dá pra ver que ela agarrou o braço dele porque não queria tocar a perna nojenta dele."

"É nojenta?" perguntou Ana, fingindo interesse.

"Claro! Dá pra ver que não era um abraço de verdade. Era mais como 'estou triste, deixa eu pegar seu braço.'" Ele parou, pensando. "Ok, talvez o abraço tenha sido um pouco doce, mas nem chega perto do nível de doçura de um dos nossos abraços."

Ana parou de repente. "Você nunca me abraçou."

"Estou falando de meus abraços com Kate," disse Jack, virando os olhos. "Quer dizer, foi um abraço realmente patético da parte de Sawyer."

"E por que?"

"Porque você tem que se sentar em frente da pessoa. Era um ângulo esquisito."

Eles continuaram assim. Jack falando indefinidamente sobre o abraço e Ana Lucia condenada a escutar.