Parte final

Nota da Kater: Eu realmente, realmente, não gosto de pieguice. E ainda assim costumo escrever um monte disso. Desculpas adiantadas.
Aviso: Partes do diálogo do José foram tiradas de uma entrevista de Matthew Fox. Desculpe, Foxy. (não me processe).

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Epílogo: O Nome

2 ANOS DEPOIS

Eram 3 crianças de 3 anos de idade sentados numa parte cercada da areia, conhecida como caixa de areia. Eles eram uma menininha Asiática com cabelo escuro cortado na altura do queixo, um garotinho com cabelos dourados, beijados pelo sol e uma outra garotinha, usando um cabelo cortado reco por que ela ter ficado com três sapos presos em seu cabelo oito dias atrás. A garota com cabelo reco, que parecia mais e mais com seu pai Jack, a cada dia, estava pegando punhados de areia e jogando em seus dois companheiros.

O garotinho pegou a mão de Soon-Yi na sua e se virou para Josefina gritando, "Pára!"

Josefina gritou também, mas não foi nada fora no normal. As cordas vocais durante esses 3 anos foram formadas através de gritos e berros. Ela abriu a boca para falar, na maneira gritada com a qual ela falava cada palavra, e disse, "MINHA MÃE DIZ QUE SUA MÃE É UMA VAGABUNDA!"

O garotinho, embora não soubesse o que a palavra "vagabunda" significava, sabiamente deduziu pelo tom de Josefina que era alguma coisa ruim. E não inteiramente entendendo o que estava para dizer, disse assim mesmo, sabendo que era uma coisa que seu pai dizia cada vez que algo ruim acontecia.

"Filhadaputa!"

Ele se levantou e correu da caixa de areia, deixando Soon-Yi de boca aberta e Josefina - por vontade própria - mastigando um bocado de areia.

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Sawyer estava agachado no lado de fora de sua cabana, em frente a uma grande pilha de madeira. A grande pilha de madeira era para ser um móbile para o antigo bercinho de seu filho, mas, ai de Sawyer, aquilo não passava de uma grande pilha de madeira.

Usando uma pedra grande como martelo, ele bateu e bateu na madeira até a pedra, inevitavelmente, colidir com seu polegar.

"Filho da puta!" ele gritou, caindo de bunda na areia e sacudindo a mão para tentar parar a dor.

Atrás dele Sun engasgou e Jin cobriu os ouvidos de sua pequena filha Soon-Yi com as palmas de suas mãos. Ele pigarreou para se fazer percebido. Sawyer, agora, chupando o lado do polegar, se virou para olhar a família.

Eles estavam olhando para ele, parecendo horrorizados, e tudo que ele pôde fazer foi olhar de volta com um olhar que berrava "Que foi?!"

Jin decidiu falar por todos eles.

"Ainda agora Soon-Yi me chamou de filho da puta," explicou ele, ainda cobrindo os ouvidos da filha.

Sawyer não pôde deixar de rir. "Você sabe criar essa menina, Papai."

Sun franziu a testa. "Soon-Yi aprende as coisas muito rapidamente," disse ela. "E acreditamos que ela aprendeu essa frase em particular de seu filho."

Sawyer zombou. "E por que você tá achando isso?"

"Porque," continuou Jin. "Ela também me falou que eu 'tenho balas de festim'. Eu não sei o que isso significa, mas parece com alguma coisa que você e seu filho diriam."

É, isso era, definitavamente coisa de seu filho, Sawyer reconheceu. Ele nunca deveria ter tido aquela conversa sobre as balas de festim de Jin com o menino.
Foi nisso que Kate saiu da cabana. Ela viu Sun e Jin parecendo furiosos. "O que está acontecendo?"

Sawyer se levantou. "Não se preocupe, Freckles. Eu ajeito as coisas."
Ele limpou as mãos em seu jeans e chamou seu filho, que estava certamente correndo por perto.

"GUNNER!"

Vinda da direção da praia, Gunner correu direto para sua mãe e seu pai.
O nome ocorreu à Sawyer após uma tormentosa noite tentando clarear sua cabeça, passando algum tempo com suas armas. Ele decidiu dar um nome ao filho baseado em algo que ele amava. E ele realmente amava armas. Felizmente, ele não clareou a cabeça lendo um monte de livros ou então a criança provavelmente se chamaria Booker, agora.

Embora Kate nunca teria permitido Booker. Incrivelmente ela adorou o nome Gunner. Achou que combinava. Gunner Mordechai Austen Ford (Kate achou que ele precisava de um nome judeu no meio).

"Jin e Sun estão dizendo que Gunner está corrompendo Soon-Yi," explicou Sawyer para Kate.

Kate mordeu os lábios. "Gunner, você não está tirando as roupas de novo, está?" Ela esperava sinceramente que ele já tivesse superado essa fase. Ou pelo menos, que ela tivesse melhorado na costura.

Mas, não tinha.

O menino balançou a cabeça inocentemente.

"Eles dizem," continuou Sawyer. "Que ele está falando frases como 'filho da puta'."
Jin cobriu os ouvidos de Soon-Yi de novo.

Kate não teve que perguntar a Gunner para verificar isso, sabendo que era de sua natureza pegar a boca suja de seu pai e compartilhá-la com as outras crianças.

Uma tendência para boca suja era um dos atributos que Gunner herdou de seus pais. Todas as outras crianças da ilha tiveram personalidades fortes desde o início, mas, Gunner estava começando a desenvolver a sua própria. Como seu pai, ele era um enrolador, tinha acabado de enrolar Hurley a lhe dar um biscoito. Como sua mãe era um corredor. Corria de toda parte para os braços de seus pais e dali, de novo para outro lugar. Mas, diferente dos dois, ele não era um proscrito. Entre as outras crianças da ilha, não podia ser mais diferente disso.

Kate se colocou atrás de seu garoto e o chegou um pouco perto de Sun e Jin. "Gunner, peça desculpas a Soon-Yi," disse ela.

O menino olhou para sua amiga e disse, "Deculpe, Soony."

Sun, Jin e Soon-Yi foram embora, deixando Kate acocorada para falar com Gunner olho-no-olho, enquanto Sawyer ficou de fora deixando-a resolver do jeito dela.

"Gunner, você não pode sair por aí falando coisa feia. Me prometa que você não fará mais isso."

"Mas, Papai fala coisa feia."

"Yeah, bem..." começou Sawyer. "Eu posso, por que sei o que um filho da puta é de verdade. E até você saber, é melhor não falar isso."

"Isso mesmo," disse Kate. "Agora, prometa."

"Eu prometo."

Como sua mãe, Gunner também era um mentiroso. Mas, Kate sabia quando acontecia.

"Não minta pra Mamãe, querido."

"Ok," disse ele. "Mas, que é uma vagabunda?"

Kate ficou de boca aberta e imediatamente se virou com um olhar acusador a...
"Sawyer!"

"Não olhe pra mim!" exclamou ele. "Eu não ensinei isso pra ele."

"Gunner," disse Kate. "Onde você ouviu que Mamãe é uma vagabunda?"

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Kate caminhou até a cabana de Jack. Ela viu uma garotinha, menor que seus irmãos quádruplos, sentada na frente da cabana. Era apenas um bebê, mas, estava lá sentada como que guardando o lugar. Quando Kate chegou mais perto ela viu que a menina estava brincando com uma aranha de pernas longas. E quando chegou ainda mais perto, viu que ela não estava exatamente brincando, e sim puxando as pernas do inseto, uma por uma.

Desnecessário dizer, Kate ficou imensamente perturbada com ela.

Jacka Sayida, a filha mais nova de Ana Lucia, filha única de Sayid e suposta filha de Jack, era uma torturadora nata. Correu o rumor de que ela nascera dando uma cambalhota e usando roupa militar. Mas, Kate sabia que isto era ridículo. Bebês não podem nascer dando cambalhotas.

"Oi, Jacka Sayida," disse ela, se aproximando da criança vagarosamente.

Jacka Sayida levantou os olhos. Seus apáticos e pestanudos olhos sonolentos e simplesmente ficou olhando para Kate.

"Sua mãe ou seu pai estão em casa?"

Jacka Sayida não disse nada.

"Certo," disse Kate. "Bem, vou entrar, então."

Jacka Sayida a encarou e disse, "Jacka Sayida!" Era a única coisa que ela sabia falar.

A menina deixava Kate arrepiada. Ela simplesmente a deixou lá e entrou na cabana de Jack. Parecia que ele estava tendo uma conversa muito séria com seus quatro filhos, sentados à sua frente. Ele não percebeu Kate.

"Honestamente - e não sei exatamente como isso vai soar," ele estava contando a seus filhos, " -a verdade simples é que eu não vejo isso como José, Kate e Sawyer. Eu vejo como José e Kate. O elemento Sawyer eu nem considero uma realidade."
Josefina concordou com a cabeça veementemente.

"Estou muito satisfeito com a situação de José e Kate. Acho que em todos esses anos nesta ilha - estamos em nosso momento mais íntimo. Acho que José está sendo um pouco mais perdoador dos defeitos dela, ou das decepções e enganos do passado. Acho que existe um desejo profundo para um relacionamento, e não apenas físico, mas, emocional. Existe uma conexão, que é profunda, e tem havido tanto nessa direção, que eu acho que esse ano irá terminar..."

"Um, José?" disse Kate.

Jack se virou bem quando estava falando "interim."

"Kate! Eu não sabia que estava parada aí. Eu estava falando para as crianças sobre a separação. Pode ser duro para elas. Tive que deixar Jacka Sayida esperando lá fora."

Como Sawyer havia previsto na noite do casamento deles, Jack e Ana não duraram. Acabou para eles bem no dia que Ana percebeu que estava casada com Jack de verdade. Alguém podia imaginar que ela devia ter percebido o fato imediatamente, mas levou mais tempo para ela, já que ficava embriagada 75 do tempo desde que tinham se casado. Ok, 97.

"José, podemos falar em particular por um momento?"

Isso era música para os ouvidos de Jack. Ele parou tudo que estava fazendo.
"Volto logo, pessoal!" disse Jack, se levantando para que pudesse ir para o canto do aposento com Kate.

"Sobre o que você quer falar?" perguntou ele.

"Hoje Josefina disse a Gunner que sou uma vagabunda."
O queixo de Jack caiu em choque. Ele se virou para olhar sua filha. "Josefina, como pôde ter dito isso sobre sua futura ma-... Kate. Como pôde ter dito isso sobre a tia Kate?"

Josefina encolheu os ombros. "MAMÃE DISSE PRIMEIRO!" Berrou ela a plenos pulmões.

Jack se virou de novo para Kate. "Vou falar com Ana Lucia. Quer dizer, se ela me deixar chegar perto dela, vou falar com Ana. mas, vou falar com Josefina, também."

"Obrigada."

Kate se dirigiu em direção da porta quando Jack se colocou na frente dela para empedi-la.

"Antes que vá..."

Kate suspirou. Ela realmente tinha esperado que ele não fôsse perguntar a ela o que ela estava certa que ele ia perguntar. Talvez dessa vez fôsse diferente, entretanto. Talvez, depois de todo esse tempo na ilha, ele finalmente estivesse pronto para jogar a toalha com ela.

"Agora que Ana Lucia e eu estamos separados, você quer sair uma hora dessas?"

Aparentemente, não.

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Levou algum tempo para Kate se livrar de Jack.

"Estou apaixonada por Sawyer!" disse ela.

"Na verdade, se pronuncia José. J-O-S-É," Respondeu Jack. Depois de um tempo ela conseguiu ir embora.

Chegando à sua cabana, ela encontrou os dois caras mais importantes de sua vida ainda trabalhando na grande pilha de madeira. Como seu pai, Gunner estava agora sem camisa também, fingindo ter martelado seus dedos para que pudesse imitar Sawyer, que havia martelado o dedo de novo e estava sacudindo a mão.

"Talvez você devesse desistir do projeto," disse Kate, caminhando até eles. "Gosto de você com dedos."

Sawyer fingiu debochar. "Ah, é? Bem, sorte nossa que Gun sabe o que faz, não sabe, filho?" Gunner fez que sim com a cabeça. "Mostra a mamãe o que você fez," Disse Sawyer.

Gunner correu até Kate, dando-lhe o móbile que ele e Sawyer aparentemente terminaram.

"Pro Barrigão!" Ele anunciou. "Papai mi 'judou."

'Barrigão' literalmente se referia à barriga de Kate. Ainda estava pequena e tinha apenas poucos meses, mas, já tinham contado a Gunner que depois de alguns meses esse barrigão lhe daria um irmão ou uma irmã. E dessa vez tanto Sawyer quanto Kate já tinham concordado em um nome para prevenir outro ano inteiro de síndrome-do-bebê-sem-nome.

Embora fôsse fácil chamá-lo de James se nascesse menino, Sawyer não queria isso. Era um nome que ele odiava e descartava, lembrava-lhe de sua juventude, do qual ele não queria jamais ser relembrado. Mesmo antes de Gunner nascer, Sawyer já sabia que nome jamais daria a seu filho e era James.
Mas, o nome do bebê seria uma homenagem. Menino ou menina, Kate queria dar-lhe o nome de seu pai, Sam, que não era seu pai de verdade.

Kate segurou o móbile e olhou para ele como se fôsse a coisa mais incrível que tinha visto na vida. E até que era. Ela abraçou Gunner e agradeceu a ele, deixando-o correr para brincar.

"Você acha que ele acredita que vai ganhar um barrigão de verdade como irmão?" perguntou Kate a Sawyer.

"Provavelmente," ele respondeu. "Não estamos criando nenhuma brilhante Soon-Yi."

Kate riu e o pegou pela mão, levantando-o e arrastando-o para dentro da cabana.
"Pra onde tá me levando?" ele perguntou.

"A criança precisa de covinhas," disse ela, simplesmente.

Sawyer sorriu sugestivamente e a deixou guiá-lo para dentro da cabana.

FIM.

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(Nota: Arma em inglês é Gun - daí a derivação Gunner. E Livro em inglês é Book, daí a derivação Booker - o nome do qual Gunner escapou!)