"…." – Fala do personagem
'…' – Pensamento
Bláblá – Texto escrito
Nas Paginas de Um Livro
By kalilah
Capitulo 2 – A minha família; O primeiro bilhete;
-"O que queres Sakura?" – perguntou a avó que anteriormente estava a escrever.
-"Não quero esperar pelo depois do jantar. Quero saber porque é que a avó protege tanto o pai, quero saber mais sobre a minha família."
-"Sakura…"
-"Já há muito tempo que quero que me conte, mas nunca tive coragem de pedir-lho."
-"Pois bem, irei contar-te tudo mas calma, irei começar pelo princípio… Tudo começou naquela tarde. Naquele dia estava a moer umas ervas quando a tua mãe chegou, enjoada. Fiquei com a pulga atrás da orelha, mas logo soube o que se passava com ela… Estava grávida! Confrontei-a e ela apenas me respondeu que o bebé era filho de um Génesis!"
-"Mas como é que a mãe se deixou enganar por um Génesis?" – Sakura perguntou, desdenhando.
-"Calma… Tal como tu, fiquei estupefacta com a noticia… Um Génesis? Como é que eu poderia ter uma neta, olhar para ela e cuidar dela, sabendo que nasceu duma criatura tão reles como um Génesis? Ouve tudo até ao fim!" – Ela acrescentou quando viu a cara de indignação de Sakura – "Mas antes de tomar alguma decisão, ponderei muito, e decidi que iria conhece-lo."
-"E então?"
-"Sakura, a opinião pré-concebida que eu tinha acerca do teu pai não passava de uma heresia! Era um homem de bom coração! Quero que tu percebas que não podes misturar tudo no mesmo saco. Entretanto a tua mãe casou-se com ele… Tu nem sabes o que ele sofreu Sakura, quando soube que a Nadeshico lhe tinha sido infiel várias vezes… A tua mãe nunca foi mulher de um homem só, queria divertir-se, esbanjar dinheiro sem nunca se preocupar com os sentimentos das pessoas ou com o mal que poderia causar. Percebo que gostes muito da tua mãe e só Deus sabe como eu a amo, mas a verdade é que, Sakura, a tua mãe raramente esteve presente na tua educação, e…"
-"Nem o meu pai" – Ela ripostou. No fundo sabia que muitas das sábias palavras da sua avó faziam sentido, eram verdadeiras.
-"O teu pai esteve presente Sakura, tu é que não tinhas conhecimento de que ele estava perto. Muitas vezes dei com ele a ver-te brincar no baloiço improvisado que fizemos na árvore… proferia sempre as mesmas palavras… que te amava e que sentia muito não poder dizer-te realmente quem era… ele sabia como era a tua mãe, por isso pedia-me sempre que tomasse conta de ti, tal e qual como se fosses minha filha, e para não deixar que te tornasses no mesmo género de pessoa que a Nadeshico."
-"E onde está ele agora?"
-"No outro lado da muralha, na povoação de Tomoeda"
-"No meio de Génesis, portanto"
-"Não Sakura, junto da sua família"
-"Família?"
-"O teu pai voltou a casar. Tens uma irmã linda Sakura!"
'Irmã? ' – Ela pensou, incrédula. Ela tinha uma irmã? C-Como seria ela? Que idade teria ela agora? Queria conhece-la… a ela e ao seu pai… Sendo Génesis ou não… o seu pai tinha mostrado amor por ela, mas apenas uma pergunta pairava na sua mente…
-"O meu pai… continua a vir ver-me?"
-"Sakura… vejo que já mudaste de opinião em relação ao teu pai… continua minha linda, continua…mas não tão frequentemente como antes! Quando se casou, o teu pai teve de se dedicar mais a família e por isso deixou de vir todos os dias…"
-"E… Como se chama ele?"
-"Fujitaka Kinomoto"
-"Acha que ele me recebia bem se eu fosse à sua procura?"
-"Não sei Sakura, há muito que Fujitaka não aparece por cá… Talvez há dois anos que não lhe ponho a vista em cima."
-"Quero encontra-lo Avó…" – já não sentia ódio pelo seu pai, agora compreendia tudo. Sentia a esperança dentro do seu peito.
-"Dificilmente conseguirás minha querida… para passar a muralha é o cabo dos trabalhos… a não ser que vás como comerciante, aí conseguirias passar."
-"Como comerciante?"
-"Sim querida, mas terás de ter cuidado. Terás de fazer uma pronúncia diferente e o mais importante, terás de disfarçar o ódio que sentes pelos Génesis! Lembra-te… não metas todos dentro do mesmo saco."
-"E como posso reconhece-lo?"
-"Bom, sabes o seu nome, por isso só falta veres o seu aspecto físico…" – a anciã procurou na gaveta uma fotografia e deu-a à neta –" Olhos castanhos, cabelo castanho e óculos de aros finos. Veste-se elegantemente apesar de não ser uma pessoa abastada. É muito simpático, meigo atencioso e carinhoso… acho que nisso tu saíste a ele P"
Sakura olhou para a foto, amedrontada … era muita coisa ao mesmo tempo… não tinha coragem de conhecer o seu pai… não agora… parecia-lhe tudo demasiado repentino… iria dar tempo ao tempo mas de uma coisa tinha certeza… iria conhece-lo.
-"E quando vais a Tomoeda?" – perguntou a Avó.
-"Quando me sentir preparada" – Ela respondeu, suspirando… Levantou-se do banco em que se tinha sentado.
-"Óptimo querida! Agora quero que me prometas uma coisa… a tua mãe não pode saber que tu tens conhecimento da situação, não pode sequer saber que tu queres conhecer o teu pai e que já sabes como ele é percebes?"
-"Ok Avó… eu sei como é a mãe… Agora se me dá licença, tenho um doente para tratar P" – E saiu do gabinete, caminhando lentamente em direcção da tenda, pensativa.
-"Voltei Sr. Li" – Ela viu o homem esboçar um sorriso… o primeiro sorriso que via naquele homem… sorriso esse lindo, que lhe dera mais força e coragem para trabalhar, para viver a vida, conquistar prémios e tornar realidade os seus sonhos. Viu o Sr. Li pegar no bloco e escrever qualquer coisa. Pegou na folha e leu-a para si:
Queria agradecer-lhe por ter sido simpática e cuidadosa comigo. Queria pedir um pequeno favor, se não se importar… já agora, tem quantos doentes?
-"De nada Sr. Li, é a minha obrigação ser simpática. Para ser sincera, você é o meu primeiro doente… se você conseguir recuperar-se incluindo voltar a falar, irei ser nomeada de enfermeira. Neste momento tenho 24 horas por dia, pode pedir o que quiser, quando quiser... Para você se recuperar completamente, precisa não só de cuidados médicos, como de companhia e apoio… é por isso que estou inteiramente disponível…" – Ela respondeu, finalizando com um sorriso.
Óptimo, mas não quero ser um empecilho. Acabei de escrever uma carta para a minha família e precisava de ajuda, no que toca a correcção ortográfica. Queria que a lesse em voz alta, à medida em que corrige… É pedir muito? Por favor não me chame de Sr. Se vamos ser "companheiros", trate-me por Li…
-"Não Sr. Li, não é pedir muito, Ups, Li ) não é pedir muito, estou cá para isso mesmo, além de dar os cuidados médicos. Onde está a carta?" – O homem procurou debaixo da almofada e estendeu-lhe um papel amarelado, oferecendo também um pequeno sorriso.
-"Pois bem, irei começar" – não havia muito que ler, a caligrafia era legível e aparentemente as frases estavam bem construídas. Iria ler em voz alta –" Querido Pai e Mãe, tenho boas e más noticias… como sei que a mãe gosta de saber primeiro as más, irei começar por elas mesmo… No meio da guerra, numa das inúmeras batalhas, levei um tiro na perna esquerda, acabando por ficar "internado" no hospital de Junshin (na verdade é uma tenda mas são todos cinco estrelas). Falei com o comandante e ele disse-me que provavelmente a guerra acabará dentro de quatro meses, tempo que vou passar aqui na tenda, em recuperação. Muitos dos que conhecia pereceram… tanto sangue que correu mãe… confesso que a cada morte que eu presenciava, mais me vinha à cabeça o pressentimento de ser o próximo… Felizmente não morri mas com as dores que tenho, bem que preferia a morte. Mas apesar das dores, continuo vivo… Espero uma visita sua em breve mãe, e diga ao pai para me trazer os meus livros de Camões… sinto falta dos meus poemas. Queria também que a mãe mandasse um beijo por mim à minha querida Meilin e que lhe diga que gosto muito dela e que apesar de não concordar com o que ela disse ao despedir-se de mim, irei sempre estar ao lado dela…Ela e vocês dois, estarão sempre no meu coração e no me pensamento. Com muito amor e saudade, Shaoran Li." – Sakura acabou de ler, emendando um ou dois erros, coisa pouca. Desconhecia o gosto de poemas do seu paciente, muito menos o facto de ser casado…
-"Desculpe a indiscrição mas o senhor é casado não é?"
Nem por sombras… mas porque pergunta?
-"Por nada em especial, apenas o facto de ter referenciado o nome de uma mulher… calculei que fosse sua esposa…" – ela disse atrapalhada depois de ler o bilhete.
Meilin não é minha esposa, aliás, eu não sou casado.
-"Então é sua namorada…"
Errou… Meilin é minha amiga de infância! Mas confesso que foi uma das minhas namoradas quando era jovem!
-"E conseguem separar o amor da amizade? Uau!" – ela disse verdadeiramente espantada.
Eu consegui mas a Meilin não… deixe-me confessar-lhe que antes de eu ir para a guerra, Meilin fez-me uma declaração de amor, dizendo que ia ficar à minha espera, que quando eu voltasse, iria casar comigo. Está claro que não concordei… apesar de sentir um grande amor por ela, não é Amor de paixão, o que eu sinto.
-"Deve ser muito difícil estar na sua posição…" – ela esperou que ele escrevesse.
O facto de não ter voltado a ter outra namorada oficial depois de Meilin, fez com que a sua esperança de ficar comigo nunca cessasse… É difícil, estar na minha pele mas… ossos do oficio… Desculpe a abelhudice mas reparei que quando voltou, estava um pouco abatida… está tudo bem?
-"Sim, mas descobri que afinal tenho uma irmã e que o meu pai não é tão mau como eu pensava… descobri que afinal está vivo e que está perto de mim…" – Ela olhou para um ponto qualquer do lençol, só para não encarar os olhos do paciente. Ouviu de fundo, o som do lápis a raspar no papel.
E Porque não vai conhece-lo?
-"Não tenho coragem… ainda é muito cedo… alem disso, para vê-lo tenho de recorrer a vários esquemas… e neste momento não quero faze-lo"
Compreendo… Mas vai conhece-lo não vai?
-"Sim, isso não se põe em questão… mas chega de falar de dramas… Com que então apreciador de poesia…" – ela mudou o seu tom para coloquial.
Adoro poesia… adoro os livros… quando os meus pais trouxerem os livros de Camões, irá ler os poemas para mim, dessa não se safa )
-"Combinado!" – Ela sorriu, sendo retribuída da mesma maneira. Olhou para o relógio que repousava na mesa-de-cabeceira de Li (No Brasil diz-se Criado mudo não é?). Como o tempo tinha passado, realmente o seu paciente era um doce, adorou falar com ele, com certeza iria passar muito tempo ao seu lado. –"Li, está muito tarde… tenho de ir… mas amanhã eu volto, Prometo. A Naoko está cá, faz o turno da noite, por isso qualquer coisa é só chama-la." – Antes de ir, rasgou os bilhetes escritos por Li do bloco. Dobrou em quatro partes e pôs dentro do bolso sem que este reparasse. Queria recordar este momento….
Antes de se dirigir para a sua casa, Sakura passou pelos correios e deixou lá a carta de Li… Shaoran Li… Ao jantar, a sua avó estranhou a sua boa disposição. Antes de se ir deitar, fez algo que há muito não fazia… Sentou-se ao piano e deixou as suas mãos percorrerem o teclado, criando belas e harmoniosas melodias que faziam qualquer um, inclusive ela, viajar pela sua imaginação onde se encontrava com um certo paciente para terem conversas durante horas a fio….
Parece que a Sakura simpatizou com o Shaoran… Espero que também tenham gostado deste capítulo, eu gostei P O primeiro capitulo até teve uma boa reacção, pessoalmente não contava com isso P Como me pediram muito, eu irei empenhar-me a sério nesta fic, vou dar-lhe o devido valor e por isso já imaginei o resto da história, já tenho inclusive o 3º capítulo escrito e tenciono acaba-la antes de Setembro… mas não fiquem muito contentes porque a publicação será aos poucos, apenas não me atrasarei ou vos deixarei muito tempo à espera… Estão todos de acordo? SIMMM? Ok… de seguida vou mandar um e-mail a cada um que me deixou review, se falhei alguém digam, odeio ser despistada!
Bom, até ao próximo capitulo
Sayonara… Kalilah
