"…." – Fala do personagem
'…' – Pensamento
Bláblá – Texto escrito
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Nas Paginas de Um Livro
By kalilah
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Capitulo 7 – Beijinho; Coelhinha;
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Ainda não me disseste porque me trouxeste até aqui…
-"Lembras-te quando te falei do meu pai?" – ela iniciou o assunto, discretamente.
Ele não escreveu nada mas abanou a cabeça positivamente.
-"Eu disse que qualquer dia eu iria conhece-lo… mas ele antecipou-se…" – ao ver a cara espantada de Shaoran ela continuou –"Parece que ele disfarçou-se e veio cá a tenda para me ver…" – ela fez uma pausa ao ouvir o som do lápis a raspar no papel.
Falaste com ele?
-"Falei… mas não sabia que era ele… se ele ao menos me tivesse dito…" – e ficou pensativa.
Se ele tivesse dito quem era tu entrarias em choque… não te esqueças que o teu pai não tem conhecimento que tu sabes quem ele é…
-"Mas houve uma altura em que ele fugiu…" – Ao ver a cara de interrogação de Shaoran ela continuou –"Acho que foi quando falei da minha mãe… Ainda não te contei, mas a minha mãe apareceu…" – ela esboçou um sorriso ao ver a cara ainda mais confusa de Shaoran –"Eu explico-te… a minha mãe, não é como a tua ou como qualquer outra mãe… ela teve-me muito cedo, acho que fui uma grande responsabilidade para ela, porque ela ainda era uma miúda… em parte sinto-me culpada…" – e parou de falar quando Shaoran lhe mostrou o sinal de Stop com a sua mão e escreveu rapidamente.
Culpada? Sakura, não tens de te sentir culpada de nada… a tua mãe cometeu um erro, envolveu-se com um homem cedo demais… pensa assim: se ela teve a maturidade de estar com um homem intimamente também tinha de ter a maturidade para acartar com as consequências… não tens culpa de nada…
-"Eu sou um erro Shaoran… fui um erro na vida da minha mãe…" – e ela deu-lhe tempo para escrever.
Não penses assim… as vezes os erros podem trazer consequências muito belas… – Mas o que se estava a passar consigo? Não gostava de ver Sakura triste, e muito menos ouvi-la a dizer tais coisas… Sentiu vontade de lhe fazer feliz…
-"Estás a dizer isso para me fazer sentir melhor…" – e Baixando a cabeça, fitando as suas mãos fazia um esforço imenso para não chorar…
Sentiu uma mão quente elevar-lhe o pequeno queixo e quando se apercebeu, uns orbes enormes olhavam-na fixamente… tinha vontade de tocar nos seus lábios, de explorar aquela boca… mas que pensamentos eram aqueles? Quando ele se aproximou ainda mais da sua boca, Sakura afastou-se, amedrontada…
-"Shaoran…" – ela suspirou baixinho… e olhou para o lado. Insistente mas compreensivo, Shaoran pegou novamente no queixo da pequena e sentiu-a estremecer…
-"M…m…Medo" – ele esforçou-se. Ao dizer aquilo ele balançou a cabeça negativamente, como que se estivesse lhe dizendo para não ter medo.
Era tão frágil… mais frágil que todas as outras mulheres… e no entanto mais forte que todos os seres humanos… ela tinha medo… provavelmente nunca tinha beijado ninguém… mas aquele momento já se tinha repetido antes e ela não mostrara toda aquela apreensão… com a sua mão a erguer o queixo dela, aproximou-se e deu-lhe um beijo na face… um beijo demorado, para que ela percebesse que era especial no seu coração, por razões que nem ele próprio tinha compreendido.
Depois da pequena beijoca, ele aproximou-se do ouvido dela e sussurrou-lhe ao ouvido, com toda a força que tinha…
-"L…Linda" – ela sorriu envergonhadamente. Sentia-se cansada… tinha sido um dia comprido… Shaoran ao ver a cara ensonada da rapariga, deitou-a no seu colo e tapou-a com a manta. Com pequenas carícias, foi embalando a mulher, ao mesmo tempo que transmitia também a sua adoração por ela, ao mesmo tempo que transmitia toda a sua gratidão e todo o seu…. Amor???
Com aquela dúvida, Shaoran permaneceu toda a noite acordado, olhando para o lago que estava mesmo à sua frente, matutando no assunto sem conseguir obter resposta… já Sakura, que tinha adormecido no colo do homem, permanecia com um sorriso enorme no rosto, qual criança ingénua que sonhava com chupa-chupas.
E ali ficaram toda a noite, duas pessoas diferentes, com ambições diferentes mas talvez com sentimentos iguais… Um homem e uma mulher que iniciavam uma grande amizade, talvez pela vida toda…
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Sakura tinha acordado. Estava no relvado junto à tenda hospital, deitada em cima de uma manta e com Shaoran ao seu lado. Tinha passado a noite com ele…
-"Shaoran… precisamos de ir, antes que dêem pela nossa falta" – e o homem que aos poucos abria os olhos despertou com um enorme sorriso, por ter sido acordado por aquela mulher tão especial. Quando este despertou finalmente, Sakura ajudou-o a levantar-se e a sentar-se na cadeira de rodas. Rápida e silenciosamente, Sakura levou o homem para a tenda e com cuidado deitou-o na cama…
-"Shaoran, não podes dizer onde estiveste esta noite… tu passaste a noite aqui ok?" – e quando se ia embora, o homem agarrou-lhe pelo braço e mandou-a esperar…
Tu ainda voltas? – Ele escreveu no papel.
-"Sim, daqui a pouco" – e quando ia afastar-se novamente o homem agarrou-a pelo braço novamente e puxou-a para si e num movimento brusco tentou beija-la na face, mas como foi tudo tão rápido, Shaoran beijou-a no canto da boca. Ficando envergonhado, Shaoran virou-se para o lado e fingiu que estava a dormir. Sakura que estava perplexa com tudo o que se tinha passado ali, resolveu fazer o mesmo. Tinha sido um beijo inocente, de boas noites. Pelo menos foi nisso que quis acreditar. E Corada que nem um tomate, Sakura abandonou a tenda e seguiu em direcção da sua casa, onde despiu as suas roupas sujas e vestiu o pijama, deitando-se na cama mas não conseguindo dormir, com tantos pensamentos na sua cabeça.
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'Lin tinha acabado de ver o seu pai a chegar a casa. Tinha vindo lá dos lados da fronteira. Cada vez estranhava mais as saídas do seu pai, mas não tinha coragem de perguntar a ele ou à sua mãe. Talvez a resposta estivesse na caixa que o pai escondia numa gaveta, trancada a sete chaves. Tantas foram as vezes que tinha pedido ao seu pai para lhe deixar ver o conteúdo da caixa mas a resposta fora sempre a mesma:
-"Não coelhinha, isto são coisas do passado do teu pai, coisas muito privadas, não podes ver."
Mas aí ela refutava e fazia birras mas a resposta do seu pai continuava a mesma. Sempre foi assim desde pequena. Agora que já tinha uma inteligência considerável, ia fazer de tudo para ver o que estava lá dentro… palpitava-lhe que tinha as respostas para as suas perguntas.
-"Coelhinha, o jantar está na mesa"
-"Sim pai, eu desço já"
-"Mas não demores que o comer fica frio."
Já sabia o que fazer… esta noite ia roubar-lhe as chaves e ia ao escritório, abrir a maldita caixa…
-"Coelhinha!" – o homem gritou
-"JÁ VOU PAI!" – e num rodopio desceu as escadas.
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Já tinha escurecido. Os seus pais já estavam a dormir a algum tempo. Era agora.
Sorrateiramente, desceu as escadas e entrou no quarto dos seus pais. Procurou no quarto todo mas nada de encontrar as chaves… foi então que lhe veio à cabeça… o seu pai tinha a mania de esconder tudo de valor numa peúga, que escondia depois numa tábua solta no hall de entrada. Tinha-o visto uma vez a esconder umas moedas de ouro.
Correu silenciosamente em direcção do hall de entrada e levantou a tábua. Lá estava a tal meia. Suspirou e pediu aos santos todos que a bendita chave estivesse lá dentro. Tirou o nó e abriu a meia: Pôs a sua mão lá dentro e procurou, procurou até que lhe veio uma coisa à mão. Agarrou-a com força e puxou-a para fora.
-"Uma chave!!!" – ela exclamou baixinho, a rebentar de felicidade. Escondeu a chave no seu corpete, junto ao seio direito e deixou tudo como tinha encontrado.
Veloz, foi ao escritório do seu pai, tirou a chave do corpete e disse baixinho:
-"Se abrir eu prometo que vou acender uma velinha para agradecer" – e suspirou. Pôs a chave na fechadura da gaveta e rodou. Felicidade maior foi a dela quando surpreendentemente a fechadura tinha sido aberta e o conteúdo da gaveta revelado. Lá estava, a tal caixinha. Pegou nela e deixou tudo como estava, à excepção da chave que em vez de voltar para a meia, tinha sido levada para o quarto da rapariga.
Entrou no seu quarto ofegante mas triunfante. Trancou a porta e acendeu uma vela. Pousou a caixa e com cuidado, abriu-a. Esvaziou o conteúdo para cima da cama e começou a vasculhar tudo. Desde cartas, fotografias, anéis e uma chucha. Resolveu ir com calma. As cartas e fotografias estavam juntas por um cordel, que ela separou. Abriu o primeiro envelope e começou a ler as cartas, a ver as fotos.
Quando o sol nasceu, ela desejou nunca ter aberto aquela caixa, desejou não saber do passado do seu pai, almejou ter continuado na ignorância. Sentia ódio do seu pai, por ter tido um passado com outra mulher, por lhe ter escondido uma irmã. Estava sedenta de vingança, estava a transbordar de ódio… o que fazer a partir dali?
Um sorriso maquiavélico apareceu-lhe na face, assim como uma lágrima que escorria… a sua irmã… uma Junshiana… Sakura Kinomoto… logo ela!
Iria vingar-se, disso tinha certeza.
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Oi… o que acharam deste capítulo? Primeiro que tudo, tenho de me desculpar pelo atraso, mas a escola, os testes, as notas no final do período… enfim, muito trabalho e pouco tempo xD bom, queria agradecer pelas reviews, eu vou agradecer de seguidinha, já a seguir, inclusive as mais antigas, e queria também perguntar, lançar a pergunta para o ar, quero ver tudo a responder-me… quem será a coelhinha? A maninha de Sakura… enfim, muitas surpresas ainda vão rolar até ao fim desta história, fiquem atentos! Beijinhos e até ao natal eu ainda posto outro capitulo, aqui e em Acidentes D feliz naaataaaaaaaaaaaaaaal :D
kalilah
