Disclaimer: Não, não, os cavaleiros não pertencem a mim, crianças... Não se enganem! u.u' O responsável pela criação deles é o Tio Masami. Já a responsável pelo que eles fazem nessa fic, aí sim, sou eu.

As duas primas chatas são criações minhas. No próximo capítulo elas quase não aparecem, e nesse elas basicamente cumprem seu papel, então tentem suportá-las mais um pouco. XD Obrigada pela paciência n.n'



A Festa

Miro encostou-se no batente da porta da cozinha, satisfeito. Com a ajuda dos poderes da Afroditezinha, não fora difícil mudar os móveis de posição para que formassem um círculo em volta da mesa de centro da sala de escorpião. Os convidados já começavam a chegar, e se deliciavam com a presença das duas beldades que ele e Dite chamavam de primas e com a quantidade de cerveja disposta pela sala. Agora só faltava Kamus.

Havia passado o dia armando aquilo com Dite e as garotas. Na verdade, era um plano bastante simples. Divertiria suas visitantes, e elas seriam a desculpa perfeita para um joguinho bastante conveniente, que seria sugerido apenas quando os convidados tivessem bebido o suficiente para não recusá-lo. E o objetivo final? Oh, um certo francês, é lógico.

Ah, lá estava ele. Lindo, como sempre, mas as garotas haviam feito um bom trabalho com as roupas. Abriu o freezer, pegou duas cervejas que tinha posto para gelar e foi cumprimentar seu convidado.

Abraçou-o com estardalhaço, mas não havia problema, uma vez que o havia feito com todos. Empurrou uma cerveja em sua mão, enquanto o conduzia pela sala com um braço amigável em seus ombros. Ninguém diria que ele estava mal intencionado, com exceção talvez de Perse, que lhe lançava um sorriso malicioso do outro lado da sala. Hm, talvez fosse melhor colocar o francês de lado um pouco. Deixou-o conversando com Shaka, que estava de cara amarrada, e foi receber Aiolia, que acabara de chegar.

- Oh. Então você também não queria vir?

- Havia sido informado de que este seria apenas um jantar inocente em homenagem às visitas. Isso parece um jantar inocente pra você? – Shaka apontou em volta, indignado. Não havia sinal de comida. E havia muito álcool. E garotas irritantes no colo de cavaleiros. É, não parecia um jantar inocente, e Kamus sentiu pena de Shaka por se deixar enganar.

- Quem disse...?

- Mu.

- Ah.

Pensando bem, ele não sentia a menor pena. Na verdade, secretamente invejava Shaka e Mu. Queria que ele e Miro estivessem bem resolvidos como os dois. O que talvez fosse impossível, acrescentou mentalmente, uma vez que o escorpiano encaixava-se muito bem em sua concepção de 'devasso'.

Nove horas, dez... Miro analisava a situação. O estoque de cerveja estava na metade, o som estava no máximo, e seus amigos pareciam, no mínimo, 'animados'.

Saga e Kanon dançavam despudoradamente em cima da mesa de centro para quem quisesse ver, Aiolia prensava Kanna contra parede tentando beijá-la sem sucesso, enquanto ela só piscava os olhos cor-de-rosa docemente e mexia no cabelo do leonino, virando o rosto a toda hora. Até Miro estava se irritando. E Máscara e Shaka, que não se davam exatamente bem, conversavam animadamente sobre a cerveja no mundo budista.

Do outro lado da sala, Afrodite fez sinal de positivo. Show time.

Diminuiu o som, recebendo uma latinha na cabeça de um Saga bêbado. Aparentemente, aquela era a melhor hora da coreografia. Tudo bem, Miro podia se virar com pequenos imprevistos. Tacou a latinha de volta em Saga. Ignorando os xingamentos que recebeu, sentou-se no espaldar de uma poltrona e pigarreou para chamar atenção.

- Muito bem, agora que estamos todos nos divertindo, Perse tem uma proposta indecen... divertida para nós, não é mesmo, prima?

Perse foi até a poltrona e se acomodou, sorrindo com malícia. Tinha uma garrafa em mãos, que entregou a Miro. Agora todos os presentes prestavam atenção.

- Vocês todos se dizem tão corajosos... Pois eu proponho um joguinho para testá-los. Verdade ou desafio, que tal?

Primeiro, o silêncio. E depois, instalou-se o caos.

Eles haviam previsto aquilo. Afrodite olhou no relógio: Haviam apostado quanto tempo demoraria para que todos estivessem dispostos a jogar. Miro dissera cinco minutos, e Dite apostara um só.

Saga e Kanon apoiaram imediatamente, assim como Aiolia, disposto a acabar com sua frustração. Os comentários eram vários, desde 'Que coisa mais infantil' de Kamus até 'Hahah, você está com medo de me beijar!' de Aldebaran. Em um minuto, todos os cavaleiros que não gostavam da idéia já haviam sido convencidos pela zombaria dos que a haviam adorado.

Afrodite olhou para Miro, triunfante. Havia ganhado a aposta. Miro sorriu, derrotado. O preço a ser pago, eles haviam combinado, seria acertado no jogo. Por Miro, tudo bem. Na verdade, ele adorava imprevistos.

Agora todos estavam sentados no círculo. Kamus condenava-se mentalmente. Então aquele era o 'algo mais'? Se tivesse saído cinco minutos antes, alegando estar com sono, não estaria naquela situação. Miro, Afrodite, Perse e Kanna estavam bem espalhados no círculo, em posições opostas uns aos outros, quase de forma estratégica. Aquilo estava cheirando a conspiração. Agora poderia esperar realmente qualquer coisa daquela noite.

Miro girou a garrafa.

Máscara pergunta, Perse responde. A garota fez uma careta. Aquilo não estava nos planos!

- Preste atenção, Kanna! – Resmungou. A garota de cabelo trançado flertava com Aiolia, ao seu lado, e se esquecera de usar sua telecinese para manipular a garrafa. Arregalou os olhos e mexeu os lábios em um pedido de desculpa, tentando ser mais discreta que a de cabelos roxos.

- Verdade ou desafio? – O sorriso de Máscara era ameaçador, mas Perse sabia que se pedisse verdade seu primo ia ficar furioso. Afinal, se o jogo começasse com 'verdade', eles nunca iriam atingir seu objetivo. Em compensação, se pedisse desafio e Máscara quisesse agarrá-la, Afrodite teria um piti. Oh, desgraça. Mas a família vem em primeiro lugar, certo?

- Desafio.

- Uhhh... Que coragem. Muito bem, então encha nossos olhos e de uns amassos em seu primo.

Perse piscou. Então caiu na risada. A imaginação de Máscara só ia até aí? Ridículo. Foi até Miro e jogou-se em seus braços, dramaticamente. Foi também rindo que Miro a beijou. Para os padrões dos dois, aquilo definitivamente não era nada. Mas enquanto alguns batiam palmas e outros gritavam, Kamus estava se segurando para não dar um escândalo digno de Afrodite.

Como eles OUSAVAM fazer aquilo? Ainda como se fosse algo normal! Arghhhhhhh, como detestava aquela maldita prima do escorpião! E aquele canalha ainda por cima sorria como se estivesse gostando! Kamus descontava toda a raiva em sua própria mão, cravando nela as unhas compridas. Se continuasse assim, não demoraria a manchar a camisa branca de sangue.

Aparentemente convencidos de que já era o bastante, se soltaram. Miro beijou a garota na testa, sorrindo:

- Perse, Perse... Se eu pudesse escolher uma deusa para servir, certamente seria você.

- Isso. É. Uma. Blasfêmia. Sabia? – Diante de tal comentário, fora impossível se conter. Estavam no santuário! E Miro ousava dizer aquilo? Era uma ofensa a Athena... Ou melhor, era uma ofensa a ele!

- Uhh... Calma Kamyu. Não precisa ficar com ciúmes. Já estou saindo. – Com uma última piscadela para Miro, a garota se levantou.

Kamus afundou ao lado de Mu no sofá, revirando os olhos. Geralmente teria respondido aquele comentário, mas vindo da garota extra-sensível, considerou insensato fazê-lo. Ignorá-la era a tática correta. E quem sabe ela não desapareceria?

O pior era perceber que o jogo seria completamente manipulado sem que a maioria percebesse. Afinal, Kanna não havia entrado na casa dos outros para mostrar como era uma boa decoradora, e aparentemente não saía por aí exibindo seus dons. Agora ele entendia o porquê.

A garrafa girava perigosamente...

Mas ele começava a desconfiar que, pela forma como dois cavaleiros sorriam confiantes, não eram bem as duas garotas que manipulavam o jogo. Na verdade, elas estavam mais para manipuladas. Miro e Afrodite estavam claramente no comando.

Agora, qual era o objetivo deles? Instalar o caos nos relacionamentos do santuário para assistir como cavaleiros perturbados reagiam a cada ordem? Por pura diversão?

A garrafa parou. Miro pergunta, Máscara responde. Escolhe desafio. Kamus sorri. Previsível, não? E agora o escorpiano se vingaria do atrevimento de Máscara e...

- Que tal, hmm... Beijar Dite? De verdade, quero dizer. – Máscara ergue uma sobrancelha. Os participantes calam diante da ousadia do escorpiano, que abre um sorriso ao mesmo tempo em que o de Kamus desaparece. Como assim? Miro e Afrodite não estavam juntos naquela? Aparentemente sim, pois o pisciano não estava exatamente surpreso. Então eles tinham interesses particulares naquilo? O aquariano começava a se sentir um pouco ingênuo... Espere aí. DITE E MÁSCARA?

Kamus estava mesmo presenciando aquilo? O italiano parecia dividido entre esganar o grego e cair na risada para tentar provar superioridade. Miro simplesmente sorria... Satisfação? Vingança? Diversão? Máscara foi até Afrodite, que fazia sua melhor cara de inocente, e o beijou sob os olhares incrédulos dos outros dourados. Tudo acontecia rápido demais, e Kamus já não tinha certeza se estava registrando direito, mas... Poderia jurar que vira um sorriso malicioso nos lábios do italiano quando estava a milímetros de Dite. E este se apressou em correr os braços em volta do pescoço de Máscara. Kamus desviou os olhos. Aquilo não estava lhe transmitindo exatamente uma sensação de segurança.

Fixou os olhos em Miro, que apreciava a cena. Quando os dois se soltaram, o grego fez algum comentário malicioso qualquer que fez os presentes rirem, mas Kamus não ouviu. A garrafa girava, girava, mas Kamus não prestava atenção. Olhando de Miro para Afrodite, tentava entender o que as trocas de sorrisos significavam. Desafio, verdade, desafio... Tinha uma vaga noção de um Saga fazendo strip-tease em cima da mesa quando finalmente se deu conta de que poderia conseguir o que queria naquela noite. A idéia o arrepiou. Até então ela vinha se desenvolvendo em seu subconsciente, mas só naquele momento ficou claro que, talvez, com um pouco de sorte, poderia ter o escorpiano.

Era isso que o assustava, então. Era muito fácil fantasiar, mas fazer? Alguns metros a sua frente estava Miro, a camisa negra aberta até a metade, apreciando o teatro que havia montado e exibindo um sorriso orgulhoso. Sentia uma imensa vontade de passar os dedos por aquele cabelo, abrir o resto da camisa, tocar seus lábios... Precisava encostar nele, seu corpo ansiava desesperadamente por aquele toque, mas... Ousaria fazê-lo?

Depois de cada confissão e desafio cumprido, a garrafa voltava a girar. Miro parecia estar ficando nervoso, apesar de sorrir. Todos pareciam estar se divertindo, e o nível dos desafios baixava de forma inversamente proporcional ao álcool no sangue dos presentes. Shura fez uma proposta indecente a Shaka e Mu, e o cavaleiro de virgem nada fez para impedir o ariano de subir em cima dele. Já fazia algum tempo que alguém havia ficado com pena de Aiolia, acabando com sua frustração, e ele e Kanna se agarravam na poltrona. Ah, sim, aquilo explicava a crescente inquietação do escorpiano! Ele dependia somente da sorte agora... Perse pergunta, Kamus responde. AHA! A sorte não costumava deixá-lo na mão.

- Kamy-ahoo! O que vai ser? Verdade, ou...?

- Desafio. – Aquilo não fora dito em um tom prepotente como o dos outros, fora simplesmente um suspiro. Ele não estava tentando provar que era corajoso. Só não estava a fim de que a garotinha-psíquica olhasse em seus olhos e o fizesse falar sobre aquele desejo que o perturbava. Definitivamente preferia realizá-lo... Não que tivesse muitas esperanças de que fosse acontecer.

- Uh! Esse é meu Kamyu! Vou recompensar sua coragem e fazer um favor para vocês dois... – Ela apontou para Miro. Hm? – Podem se beijar. – Miro sentiu uma pontada no estômago. Esperara a noite toda por aquilo. Do outro lado da sala, Kamus estremeceu. Era sério, ou estava sonhando de novo? – Mas nada cinematográfico, certo? Dez segundos, contados. – Miro ergueu uma sobrancelha. Perse OUSAVA fazê-lo passar vontade? Aquilo definitivamente o irritou. Kamus percebeu a careta, mas não sabia dizer se era porque Miro estava interessado em outra pessoa naquela sala, ou se havia ficado tão incomodado quanto ele com as restrições.

Perguntou-se outra vez se aquela não era apenas mais uma de suas fantasias. Mas, com exceção de alguns casais se beijando, todos pareciam estar esperando alguma reação de sua parte. Inclusive Miro. Ah.

Ouvia uma voz ecoando em sua cabeça... 'Você ousaria?' Levantou-se, e seu orgulho o obrigou a parar por um instante, levar a mão aos cabelos, num gesto irritado, e olhar para Perse de uma maneira que esperava exprimir 'Como isso tudo é infantil'. Afinal, não queria parecer maravilhado com a idéia de beijar Miro, ainda que estivesse. Cruzou a sala em passos rápidos, que também demonstravam alguma irritação, mas hesitou ao parar na frente do grego.

Este o encarava abertamente, e parecia estar tentando interpretar suas ações. Com um suspiro, Kamus se abaixou, apoiando um joelho no sofá. Estava realmente registrando tudo errado ou Miro acabara de engolir em seco? Aproximou-se. O que estava acontecendo, de fato? Kamus não sabia se as pessoas em volta observavam atentamente ou se tinham voltado a conversar.

Na verdade, ele só tinha consciência da proximidade do escorpiano. Perto, perto, mais perto... Pousou a mão em sua face e encostou os lábios nos dele. Poderia ter ficado uma eternidade apreciando aquele toque, mas eles só tinham dez segundos e Miro tinha consciência disso.

O grego puxou Kamus pela cintura, fazendo-o sentar em seu colo. Pressionou os lábios com força por um instante, antes de esgueirar sua língua para dentro da boca do aquariano. Sorriu. Era macia... Talvez macia demais para a violência com que o escorpiano a tomava. Ou justamente perfeita para aquilo.

Kamus estremeceu. Estava no colo de Miro, podia sentir seu corpo, a respiração fora de compasso, a sede com que o beijava... Era quase demais. Quase. E afogado naquela sensação, não fazia nenhum sentindo aquela voz incômoda em seu ouvido...

- A-ca-bo-ou. Pronto, Kamyu! Sacrifício feito. Ruim, né? Agora pode voltar para o seu lugar.

Apesar de não conseguir processá-la, Miro conseguia, de modo que os lábios se separaram. Kamus piscou algumas vezes, em absoluta frustração, até se localizar.

Arrastou-se até o outro lado da sala, caiu no sofá e, vendo a garota de cabelos roxos sorrir extremamente maliciosa, percebeu que nunca a havia odiado tanto quanto naquele momento. É claro que havia sido ela que o fizera beijar Miro, mas... Dez segundos? Aquilo era uma tortura, e ele não conseguiria perdoá-la.

Fechou os olhos. Doce tortura.

Antes que pudesse evitar, seu olhar pousou no de Miro, corando ao mesmo tempo que este ao perceber que encarava descaradamente o francês. Desviaram os olhos, cada um se amaldiçoando mentalmente por agir como uma garotinha apaixonada. A alguns metros, o cavaleiro de peixes sorria, observando a cena: Miro estava tão envolvido naquela situação que aparentemente se esquecera da aposta deles... Bem, ele o faria se lembrar.

E não demoraria muito, aliás. A garrafa voltou a girar, incansável... Dali a três rodadas, aconteceu o inevitável: Afrodite para Miro. Verdade ou desafio? A segunda opção, claro. Não havia a primeira na cabeça do escorpiano.

Afrodite olhou de Miro para Kamus. O francês parecia completamente perdido nos próprios pensamentos. Voltou os olhos para o grego, sorrindo maliciosamente. Miro ergueu uma sobrancelha. O que Dite planejava a essa altura? Do outro lado da sala, o cavaleiro de aquário também estava preocupado. Afinal, era seu escorpiano! As chances de o desafio o desagradar eram imensas! Mas... Não.

- Como estou de muuuito bom humor, creio que posso compensar a maldade de Perse... – Dite sorriu, olhando de esguelha para Máscara. – Na verdade, posso fazer bem mais que isso. Leve Kamus para seu quarto, Miro, e me entregue a chave.

Miro engasgou. Que diabos...? Afrodite havia enlouquecido! Ele não se importava se alguns cavaleiros estavam extrapolando todos os limites de um amasso no chão de sua sala, mas não era isso que eles haviam combinado para si! Na verdade, não pretendia arrancar do francês mais do que um beijo naquela brincadeira... Qualquer outra possibilidade maliciosa ficaria para depois, e seria resultado de seu fatal poder de sedução. Mas agora vinha Dite com aquele desafio! Ia estragar tudo! Por quê...?

Ah. Sim. A aposta.

- E só para constar, é uma ordem, darling...

Droga.


Continua...