28/02

Querido Diário,

Tudo bem, aparentemente minhas convicções de que eu vou conseguir esquecer o Potter foram pras cucuias. Ele vem se tornando tão irresistível para mim que eu já não agüento ter que me segurar! Então agora eu decidi que, ao invés de tentar lutar contra esse maldito sentimento, vou aceitá-lo e talvez, quem sabe, até aceitar também o próximo convite de Potter!

Sim, um grande passo, não? Mas eu simplesmente não consigo mais olhar para aqueles olhos lindos sem me derreter, ou vê-lo falando sem olhar obsessivamente para aquela boca que eu gostaria tanto de beijar, e muito menos ver aquele tórax de deus grego sem ter vontade de agarrá-lo!

Então, é isso! Já me decidi! A próxima vez que Potter me convidar para sair, eu aceitarei!

03/03

Querido Diário,

Er... não será tão fácil assim. O Potter não me convida pra sair e nem fala comigo! Alguma coisa o deixou completamente desolado, pois só anda cabisbaixo, com expressão triste e olhar vago. Preciso descobrir o que é ou vou enlouquecer!

Hoje eu acordei cedo, na esperança de que talvez ele me chamasse pra sair no café da manhã, mas ele não estava lá. Depois, na aula de Transfiguração, enrolei bastante para deixar a sala, como ele mesmo faz, e nada! Durante a aula ele nem fez nada, só deitou a cabeça na carteira e ficou lá. E olha que ele adora Transfiguração!

Ah, não! Desse jeito eu vou ter que tomar uma providência, o que é ainda pior! Porque Lílian Evans aceitar um convite de Tiago Potter é inesperado e irreal, mas Lílian Evans convidar Tiago Potter pra sair é simplesmente impossível(para as pessoas que ainda acham que eu o odeio, claro)!

Já sei! Eu vou falar com o Sirius, e depois procurar o Tiago. Sim, é isso mesmo o que farei!

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Tanta coisa aconteceu depois de eu ter ido falar com o Sirius... É melhor contar por partes:

Bem, como disse, eu fui procurar Sirius. E o achei(preparem-se para a surpresa) na biblioteca. A cabeça apoiada no braço, que por sua vez estava em cima da mesa. Seu olhar estava vago e ele exibia uma feição desolada. Remo estava ao seu lado, absorto em um livro qualquer, e Pedro comia algo, aparentemente escondido, para que nem Remo ou Madame Pince o vissem. Aproximei-me cautelosa e silenciosamente, de forma que apenas Sirius me visse. O chamei para trás de uma prateleira. Ele murmurou uma desculpa qualquer a Remo e saiu, aliviado.

"O que foi, Lily? Por que está se escondendo?", perguntou. Olhei para ele e reparei na situação em que estávamos. Aquele corredor era mais estreito que os outros, e ainda por cima o chão estava abarrotado de livros que aparentemente caíram da prateleira. Isso nos obrigava a ficar colados, de modo que eu podia sentir sua respiração quente bem de perto. Quantas garotas não sonharam ficar desse modo com Sirius Black, e eu tive essa chance, mas minha cabeça estava com outro...

"Sirius, é o seguinte: onde está o T...Potter?"(bem, ele não podia saber ainda), perguntei, sentindo o sangue fluir à minha cabeça.

"E porque gostaria de saber?", me olhou de soslaio, com uma cara desconfiada.

"Sirius, por favor!"

"Ok, um momento". Sirius voltou à mesa e procurou algo em sua mochila, que consultou dentro desta, para que ninguém visse.

"Torre de Astronomia", falou, ao voltar.

"Obrigada", falei, e já ia saindo, mas voltei e dei um beijo em seu rosto como agradecimento.

Saí da biblioteca normalmente, mas assim que meu pé tocou o chão do lado de fora do lugar, me pus a correr.

'Droga, como queria conhecer passagens secretas agora', pensei, ao virar uma curva e quase cair.

Fiquei pensando em como diria àquele traste que o amo. Contradição, não? Essa é a minha vida.

Subi correndo as escadas da Torre de Astronomia e lá o encontrei, sentado no parapeito, olhando para algum lugar que eu não via, os cabelos ao vento. Estava tão lindo e sereno que quase pensei em apenas parar e ficar observando-o. Mas, ao invés disso, dei alguns passos silenciosos em sua direção para que não se assustasse, já que uma queda da torre mais alta do castelo até o chão é bem grande.

"P-potter?", gaguejei, a voz falhando.

Ele lentamente virou a cabeça em minha direção, e eu gelei. E agora, como me declararia a alguém naquele estado emocional? No lugar de me declarar de uma vez, sentei-me ao seu lado no parapeito.

"O que houve?", perguntei, preocupada.

"Nada, Evans", ele me desarmou ao me chamar pelo sobrenome, e ainda por cima de um modo tão sem emoção.

"Potter, por favor, você pode me contar!"

"Eu... não sei se quero falar sobre isso"

"Ás vezes, quando estamos sofrendo por algo, é melhor compartilharmos com um amigo, assim diminuímos o peso do que sentimos"

Ele me olhou e exibiu um fraco sorriso de agradecimento.

"Tudo bem... me convenceu", sua voz estava rouca. Passou um bom tempo em silêncio, talvez se preparando para verbalizar aquilo que o incomodava.

"É o meu pai... ele... está morto", falou finalmente, deixando um suspiro escapar.

'Ah, não. Eu sou péssima para consolar pessoas!', pensei. 'Ok, vamos tentar', e com isso me aproximei dele e o abracei.

"Há quanto tempo?"

"Uma semana"

"Em trabalho?"

"Sim, ele é... quero dizer, era...", sua voz falhou. "Auror"

"Oh, Tiago! Eu sinto muito!"

"E foi por minha culpa" Ah, então era culpa que ele sentia!

"Tenho certeza que não, Tiago! Como poderia ter sido?"
"Eu o convenci a trabalhar diretamente no caso Voldemort! Fui eu, Lily! Disse que assim ajudaria muito mais! Eu o matei!"

"Claro que não, Tiago! Não foi sua culpa, e sim de quem o matou!"

"Mas fui eu que o convenci de trabalhar no caso!", agora ele se levantara.

"Ainda assim, pelo menos ele morreu dignamente, lutando, ajudando pessoas!"

"É, mas seria melhor eu no lugar dele!"

"Tiago, você ainda é jovem e tem uma vida toda pela frente!"

"Eu não me importo! Imagine como está minha mãe! No dia em que aconteceu, estava chorando mais que tudo! Meu pai era a vida dela! Nunca irá me perdoar. Quer saber? Eu mesmo nunca irei me perdoar, e..." e ele destampou a falar desesperadamente, se culpando e dizendo que era melhor ele morrer logo também, etc.

Eu fiquei ouvindo ele desabafar, falar baboseiras. Mas a uma certa altura ele falou algo tão idiota que eu tive de pará-lo. E qual foi o meu método pra isso?

Bem, eu meti a mão na cara dele. Tão gentil eu sou!

Mas pelo menos ele parou de falar abruptamente, levando a mão ao rosto no local onde a marca vermelha da minha mão havia ficado.

"Me desculpe, mas eu tinha que fazer isso. Você está fora de controle! O que o leva a pensar que se matar solucionará as coisas? Pior ainda para a sua mãe, perder o filho e o marido em tão pouco tempo!", falei. Ele apenas ficou olhando para mim, ainda com a mão no rosto e arfando. Após um tempo, o silêncio já estava constrangedor. Estávamos apenas nos encarando.

"E-eu sei que você está triste, mas... eu tenho algo a contar que não pode esperar".

Bem, eu tinha de falar algo!

Tiago apenas continuou me olhando.

"Já há algum tempo, venho sentindo algumas coisas estranhas. Algo que nunca havia sentido antes. Mas eu descobri o que era".

Ele apenas continuou me encarando, imóvel e em silêncio.

"Eu... eu... eu gosto de você, Tiago!". Então ele resolveu se mexer. Soltou um suspiro transtornado, comprimiu os lábios e passou a mão pelos cabelos.

"Droga, Lily! Para com isso agora", falou sério, de modo que me assustei. "Eu não quero que você diga isso apenas por pena. Quero que goste de mim pelo que sou!"

"Mas eu gosto...!", interrompi, mas ele continuou.

"Claro que não! Por que mais você diria isso senão por pena? Lily, você me odeia!", agora havia amargura em sua voz. Algumas lágrimas teimosas rolaram de meus olhos.

"Nunca pensei que poderia pensar isso de mim, Tiago! Que falaria que gosto de você apenas para fazê-lo se sentir melhor!", falei com voz embargada pelo choro.

"Mas eu sei que é isso", ele virou o rosto, e de repente eu agi de uma forma completamente inesperada: o beijei. Mas foi um beijo horrível, pois ele apenas se manteve parado, sem abrir a boca, e pouco depois me pegou pelos ombros e me afastou.

"Evans, não. É errado. Eu não quero me aproveitar da sua vulnerabilidade"

"Mas quem está vulnerável aqui é você!"

"Mas você é uma boa pessoa, então se sensibilizou comigo!"

"Tiago, em primeiro lugar, eu nem mesmo vim aqui para conversar! Vim para me declarar!...", falei magoadíssima.

"Mas eu posso fazer isso agora", me interrompeu, e foi embora.

Deixei um soluço escapar e meus joelhos cederam. Fiquei sentada no chão, abraçada às minhas pernas, o rosto enterrado entre elas, chorando como nunca chorei.

Porque aquelas lágrimas doíam, machucavam. Estava ferida por dentro, e o pior de tudo é que estava sentindo o que ele provavelmente sentia com todos aqueles foras que dava nele. O que me lembrou de que eu realmente sou uma pessoa horrível. Então fiquei chorando por um tempo incalculável lá, até Kate me resgatar.

"Lily!", ela correu em minha direção e me ajudou a levantar. "O Sirius disse que você vinha pra cá e... o que houve?", perguntou, quando ergui meu rosto e ela me viu toda inchada e vermelha, o rosto lavado pelas lágrimas.

"Kate...", comecei, mas não consegui nem terminar. As lágrimas saíram com força novamente e ela me abraçou, fornecendo um ombro amigo. Chorei mais um pouco até ela conseguir me levar para o dormitório. Tomei um banho quente e estou na minha cama escrevendo agora. Ainda estou arrasada, mas apenas precisava desabafar sem ter que falar e começar a chorar novamente...

05/03

Querido Diário,

Bem, depois de muito chorar e lamentar o fato do Potter ser tão cabeça-dura, eu me lembrei que não choro por homem(quantas vezes esse ano eu tive que me lembrar disso...). Ai, como eu odeio essa teimosia dele! Aliás, eu posso amá-lo, mas ainda odeio muita coisa naquele ser.

Everytime we lie awake

After every hit we take

Every feeling that I get

But I haven't missed you yet

Então, depois de ter matado aula ontem para ficar o dia inteiro deprimida na cama, hoje de manhã eu acordei com energias renovadas, me recompus e fui para as aulas com as minhas amigas. Não pensei em Potter ou em como eu reagiria quando o visse, apenas sentei-me à mesa da Grifinória e tomei meu café da manhã tranqüilamente. Claro que com direito a espiadelas. Eu olhei várias vezes para onde os Marotos estavam sentados, mas nada do idiota aparecer. Ás vezes eu me contradigo tanto... Uma hora penso que ele é lindo, maravilhoso perfeito. Dali a dois minutos estou xingando-o de cabeça dura e idiota... Sou meio estranha mesmo.

Every room-mate kept awake

By every sigh and scream we make

All the feelings that I get

But I still don't miss you yet

Depois de me contentar com o fato de que ele não iria, fiquei absorta em pensamentos sobre Tiago Potter. Cheguei a conclusão de que odeio:

Quando ele arrepia o cabelo;

Quando ele fica se exibindo por aí com aquele pomo;

O detalhe de que ele é tão ou mais teimoso que eu;

Quando ele sai azarando o Ranhoso pelos corredores se achando o máximo;

Quando ele rouba beijos de mim;

E muito mais...

Only when I stop to think about it...

I hate everything about you!

Why do I love you?

I hate everything about you!

Why do I love you?

Mas em compensação ao mesmo tempo eu gosto um pouco quando ele faz essas coisas, pois mexe comigo. Aquele garoto mexe comigo de um jeito que eu não resisto, eu não consigo parar de pensar nele! E foi então que, com esses pensamentos, eu decidi que iria atrás. Mostraria a ele que eu realmente o amo, e não é por pena que estava fazendo aquilo. Sim, tinha que planejar algo.

Everytime we lie awake

After every hit we take

Every feeling that I get

But I haven't missed you yet

O sinal tocou. Me levantei com Kate, Amanda e Julie e nós fomos caminhando para a aula de Transfiguração. Sentei-me com Kate na última carteira, enquanto Julie e Amanda sentaram-se à nossa frente. Mandei um bilhete para elas:

"Lily: Meninas, preciso da ajuda de vocês.

Kate:Pra que, Lily?

Lily: Para convencer o Potter de que eu realmente gosto dele, e não é por pena.

Jules:Alguma idéia?

Lily:Nenhuma, por isso pedi ajuda...

Mandy:Que tal algo romântico?

Lily:Não sei... Como o que?

Jules:Você quis dizer algo como... uma serenata, Mandy?

Mandy:Exatamente. Sei que é estranho uma garota fazer isso, mas aí é que está a melhor parte! É algo diferente.

Kate:Eu gostei...

Lily:Ok, mas é melhor acharmos algo que não envolva Lílian Evans cantando.

Jules:A professora tá olhando. Vamos pensar, mas agora esconde isso!"

Only when I stop to think about it...

I hate everything about you!

Why do I love you?

I hate everything about you!

Why do I love you?

A profª McGonagall nos olhava com uma expressão severa. Rapidamente escondi o bilhete e ela, apertando os lábios, voltou a falar. Paramos de mandar bilhetes e nos calamos. Pouco depois, o sinal tocou, e nos encaminhamos para a sala de poções. Desta vez passei um bilhete só para Kate, já que Amanda não podia saber da história do Admirador Secreto ainda.

"Lily:E se eu mandasse uma carta com um poema pra ele?

Kate:Seria bem romântico, como se estivesse retribuindo-o por aquelas cartas...

Lily:Exatamente o que eu pensei. Romantismo se trata de pequenos detalhes, mas que significam algo...

Kate:Lily, adorei a idéia. Mas que poema você vai pegar?

Lily:Você acha que eu devo usar um do livro que ele me deu?

Kate:Talvez... Será que ele lembraria que o tal poema está no livro?

Lily:O melhor seria se ele lembrasse.

Kate:Ah, seria o melhor, mas se ele não lembrar vai ser legal do mesmo jeito.

Lily:Então está decidido. Eu vou matar as aulas de depois do almoço e procurar um poema.

Kate:Boa sorte... Mas é melhor fazermos o trabalho, o professor tá olhando..."

Novamente eu escondi o bilhete, e me pus a cortar as raízes necessárias para o preparo da poção que estávamos fazendo.

Only when I stop to think about you...

I know

Only when you stop to think about me...

Do you know?

Logo após o almoço, subi para o dormitório e comecei a procurar por poemas no livro que Tiago me dera. Parecia que nenhum era bom o bastante. 'Será que ele vai gostar?', pensava, 'Espero que com isso ele acredite em mim...'. Lembrei-me que ele uma vez dissera que odiava esse meu jeito de achar que podia resolver tudo. 'Ótimo isso, não? Euodeio tudo nele, mas o amo, enquanto ele me ama(pelo que diz), mas também odeia tudo em mim... Nos merecemos, não?', pensei. Cara, isso foi muito idiota, não acha?

I hate everything about you!

Why do i love you?

You hate everything about me!

Why do you love me?

Já havia folheado quase o livro inteiro e estava para desistir quando meu olho bateu em um:

"Sorria, eu te amo!

Seu sorriso me seduz

Faz de mim só emoção

Quero ter a sua luz

Iluminando meu coração

Seu amor em mim produz

Momentos de pura paixão

Você é estrela que reluz

Me ilumina, então!

Sorria! Eu te amo!

Quero estar sempre contigo

Alegria! Eu te chamo!

A compartilhar comigo

Deste amor"

Quando eu li esse poema, eu vi que se encaixava direitinho: seu sorriso é a única coisa de que sempre gostei, mesmo quando dizia que o odiava; e ele estava passando por uma fase triste, e precisava de algo para sorrir! 'Perfeito', pensei. Escrevi o poema num pergaminho, dobrei e escrevi: 'A Tiago Potter, de uma Admiradora-não-tão-Secreta-assim'.

I hate!

You hate!

I hate!

You love me!

Mandei a carta assim que pude, pela coruja de Kate, e fiquei esperando. A expectativa era tão grande que não consegui ler, dormir, tomar banho, estudar, fazer as tarefas ou qualquer outra coisa. E olha que eu tentei. Está vendo o que aquela coisa linda me faz passar!

I hate everything about you!

Why do I love you?

Finalmente as aulas acabaram, e nada de Tiago Potter. Resolvi até ir jantar, pois não agüentava mais, mas ele tampouco estava lá. Voltei com Kate para o dormitório, contando que eu já havia mandado o poema, mas ele ainda não respondera. E já estamos no salão comunal há um tempão e nem sinal dele! Acho que vou enlouquecer!

N/A: Em primeiro lugar, mil desculpas pelo atraso descomunal! Mas como eu disse, estava sem tempo e sem inspiração(e ainda estou, pelo menos pra essa fic. Exatamente por isso essa merda de capítulo). Em segundo, desculpem por este capitulo não ter sido betado, e por ele estar uma merda, mas eu o escrevi meio forçado, já que não achei justo com vocês(como se vocês sentissem falta da minha fic... ¬¬). E em terceiro, minha Internet tá HORRÍVEL, sem exagero. Praticamente não está funcionando, então não sei se vou nem mesmo conseguir postar o capítulo, imagina responder as reviews! Então no próximo eu respondo, e a fic continua! Aos trancos e barrancos, mas não a abandonarei!

E eu quero muitas reviews para me motivar, hein?

Bjinhos!

Lembrete: Os marotos estavam pesquisando coisas para a Ordem da Fênix na biblioteca.