Querido Diário,
Está tudo bem comigo, a coruja daquele outro dia viera apenas entregar uma carta do Tiago. Não era nenhuma coruja maligna tentando me levar para o corujal, para eu ser a Rainha das Corujas.
E não, eu também não bati a cabeça enquanto tomava banho ou algo assim, eu apenas ando alterada ultimamente.
O motivo de eu estar assim? Provavelmente os N.I.E.M's, que nós alunos do sétimo ano estivemos prestando esta semana. E devo dizer: eles são bem mais difíceis que os N.O.M's! Eu cheguei a quase desmaiar no exame prático de Transfiguração, enquanto meu examinador me olhava inquisitivamente. Creio ter ido bem na maioria dos exames escritos, mas sei que não fui muito bem nos de Transfiguração e Trato das Criaturas Mágicas.
Mas definitivamente um dos melhores exames que fiz foi o de Feitiços. Eu estava totalmente neurótica com todas as provas, sabe como é, mas quando eu entrei na sala e vi que meu examinador seria um senhor com uma cara muito boazinha, relaxei um pouquinho mais.
"Bom dia, senhorita Evans", ele consultou suas anotações.
"Bom dia", sorri nervosamente.
Olhei em volta rapidamente. Malfoy e Matthew Sumpter estavam cada um de um lado meu. Malfoy executava perfeitamente o Feitiço da Multiplicação, fazendo aparecer à sua frente vários ratos pequenos, a partir de um só. Já Sumpter estava tendo sérios problemas com seu Feitiço do Desaparecimento; parecia que sua iguana era apenas uma cabeça flutuante sobre uma plataforma de madeira.
"Está pronta? Relaxe...", meu examinador falou, com uma voz calma.
Assenti com a cabeça, me obrigando a ficar mais calma.
"Bem, gostaria que a senhorita executasse o Feitiço da Confusão neste porquinho-da-índia que tem à sua frente"
Abaixei a cabeça, só agora percebendo que havia um porquinho-da-índia amarronzado sobre a plataforma de madeira à minha frente. Balancei a cabeça, não podia acreditar que era só aquilo que tinha de fazer! Mentalmente, pronunciei o encantamento e apontei minha varinha para o pobre animalzinho. Dois segundos depois, ele estava correndo pela sala sem direção, completamente tonto e confuso.
"Muito bem! Poucos demonstraram tal domínio com este feitiço!", o velhinho abriu um sorriso e anotou algo em seus papéis.
Em seguida, ele me pediu para multiplicar uma almofada por dez, E fazer desaparecer uma caixa de madeira de tamanho médio, de onde saíam barulhos muito estranhos.
"Ótimo, senhorita Evans! A senhorita demonstrou perfeito domínio dos feitiços exigidos, pode ir", ele sorriu novamente, e então eu saí da sala com o coração mais leve.
Na mesma tarde, tivemos exame escrito de Feitiços, e então mais nada. O nosso ano letivo havia oficialmente acabado para nós, aquela era a última prova.
"Vamos comemorar!", Tiago gritou, ao passar com os outros marotos por Kate, Mandy, Jules e eu.
"Cerveja amanteigada e Firewhisky?", Mandy olhou para o que eles seguravam. "Estou dentro!"
E então nós fomos para o salão comunal da Grifinória.
"Apenas alunos do sétimo ano podem entrar no momento, voltem mais tarde", a Mulher Gorda dizia a dois quartanistas, enquanto nos aproximávamos.
"Isso tem dedo de vocês?", perguntei a Remo, enquanto passávamos pelo buraco do retrato.
"Claro", ele piscou, e então eu parei. O salão comunal estava totalmente diferente!
Havia pôsteres espalhados pelas paredes, com caricaturas dos professores. Todas as mesinhas e sofás confortáveis haviam desaparecido, dando lugar a pufes encostados à parede. Bem à minha frente, havia uma bandeira enorme da Grifinória, e acima desta uma faixa fluorescente: "Nós conseguimos! Tchau, Hoggy!"
Os marotos arrumaram todas as bebidas sobre uma mesa, ao lado de uma vasilha de ponche e de várias guloseimas. Provavelmente eles haviam conseguido todos aqueles muffins, pãezinhos e tortas com os elfos da cozinha. Já havia alguns outros setimanistas espalhados por ali, as gravatas frouxas, rostos despreocupados.
"Uma festa de formatura só nossa", Sirius explicou.
"E uma despedida", Tiago acrescentou.
"Afinal, amanhã é nossa colação e baile", Pedro falou, servindo-se de ponche.
"E os resultados dos N.I.E.M's só chegam em julho, então temos bastante tempo para aproveitarmos nossa liberdade", Sirius serviu várias doses de firewhisky e distribuiu entre nós.
"Vamos brindar!", falei, animada.
"À nossa amizade e liberdade!", Kate levantou seu copo.
"A nós!", todos nós repetimos, levantando os nossos próprios copos e batendo-os. Em seguida, bebemos todo o seu conteúdo de uma só vez.
Uma música começou a tocar. Agora quase todos os veteranos da grifinória estavam ali, e até mesmo alguns corvinais de penetra.
"Vamos dançar!", Mandy nos chamou.
"Vão, eu já me junto a vocês", falei, e ela puxou Kate e Jules para o meio do salão comunal, onde algumas pessoas já estavam.
"Estamos livreees", Tiago me abraçou, feliz.
"Finalmente"
"Nós vamos poder morar juntos"
Eu ri alto.
"Tiago, você bebeu no caminho de Hogsmeade pra cá, não é?", sorri.
"Bem... Sim", ele admitiu. "Mas o que tem a ver? Não podemos morar juntos não?"
"Claro que sim. Um dia, quando tivermos dinheiro para comprar uma casa"
"Ah é..."
Nós rimos.
"Vou sentir falta desses últimos anos, apesar de tudo", comentei.
"Claro, foi muito divertido me rejeitar por todo esse tempo, não é?", ele brincou.
"Também", sorri de lado. "Mas as melhores coisas da minha vida aconteceram aqui"
Ele estava se fingindo de bravo, os braços cruzados, e olhando para o outro lado do aposento.
"Incluindo você, seu bobo", falei, e o puxei pela gravata frouxa para um beijo.
Vou te dizer, eu sempre quis fazer isso! Puxar um cara pela gravata e o beijar, eu quero dizer. Me senti como num filme.
"Agora vamos dançar, a festa é nossa também", interrompi o beijo na melhor parte, e o puxei para a pista.
É, eu sei ser bem má às vezes...
Querido Diário,
Finalmente chegara o dia! O dia em que selaríamos os sete anos que passamos em Hogwarts aprendendo, estudando, brigando, fazendo novas amizades, e até mesmo matando aula ou azarando outros alunos. Muitos de nós não viam a hora deste dia chegar, sonhando em finalmente apanhar o diploma. Outros, ao mesmo tempo em que ansiavam por ele, não queriam ter de ir embora. Mas o dia chegou, e ninguém poderia escapar.
Então, todos os setimanistas acordaram bem cedo naquela manhã de sábado. Tomei um bom banho, vesti um vestido verde claro sem mangas e até o joelho, coloquei uma sandália baixinha bege e cacheei meu cabelo com a varinha. Olhando-me no espelho para ver se o resultado estava bom, vesti a beca preta que todos os formandos deveriam usar e apanhei o meu capelo. Sim, aquele chapéu quadrado que todos usam em colações de grau.
"Anda, Mandy!", Kate, Jules e eu já estávamos prontas, sentadas na cama.
"Credo, que neurose", ela reclamou, saindo do banheiro enquanto prendia o cabelo num coque frouxo.
"Anda, vamos nos formar logo", Kate falou, como se fosse algo que estamos acostumadas a fazer todos os dias.
E então nós nos juntamos a todos os outros alunos do sétimo ano, que estavam sentados nas cadeiras branquinhas dispostas nos jardins da escola, próximas ao lago da Lula Gigante. Os alunos estavam sentados nas fileiras da frente, enquanto as famílias e amigos, mais atrás.
"Bom dia a todos", o professor Dumbledore, o escolhido pelos formandos para ser o orador da formatura, subiu ao palco. "Hoje estamos aqui para celebrar mais uma conquista brilhante e muito importante na vida de nossos alunos do sétimo ano. Lembro-me muito bem do dia da minha formatura – acreditem ou não, isso não foi há tanto tempo assim – estava tão eufórico que acidentalmente derramei um estranho líquido de cheiro muito peculiar que estava em um vaso na beca de um dos meus colegas", ele continuou, e todos riram.
"Até hoje não sei como aquilo foi parar lá, e tampouco sei o que era aquele estranho líquido...", ele falou, mais para si mesmo. "Se formar é uma das mais importantes etapas da vida de alguém. Significa que está deixando para trás anos de estudos teóricos para, enfim, viver algumas coisas do que aprendeu na prática. Sei que vocês vão seguir carreiras muito diferentes, mas tenho certeza de que vão fazer algo de que realmente gostam. Hoje, vocês deixam de ser garotos, estudantes, para se tornarem jovens adultos. Hoje, concluem o que há sete anos começaram e que têm construído desde então. Desejo a vocês, queridos alunos, tudo de bom. Que seu futuro seja brilhante, e que nunca se esqueçam da casa que foi sua por tanto tempo", ele fez um gesto largo, apontando o castelo. Então o professor desceu do palco e o professor Dippet tomou seu lugar, começando a chamar os alunos pelo nome, para ir pegar o diploma.
"Lílian Evans", meu nome ecoou pelos jardins. Respirando fundo, me levantei e caminhei lentamente até o palco. Aquela era a hora. A partir daquele momento, eu seria uma mulher, pronta para encarar o mundo. Subi no palco com as pernas bambas, apertei a mão do diretor e recebi meu diploma. Pude ouvir meus pais e avô gritando nas cadeiras, assim como Tiago e meus amigos. Sorri para todos eles, erguendo meu diploma e passando aquela "cordinha" do capelo para o outro lado, como é tradição. Antes de descer do palco, olhei uma última vez para todos os outros formandos, tirando uma foto mental de cada um deles. E quando voltei ao meu lugar, foi a vez de tirar uma foto do imponente e antigo castelo. "Tchau, Hogwarts...", pensei.
"Lily!", me virei. Era minha mãe, seguida por meu pai e meu avô. Corri até eles e os abracei.
"Querida, a cerimônia foi linda", papai sorriu.
"Parabéns, minha filha", vovô plantou um beijo na minha testa.
"Obrigada...", falei. "Me acompanham? Teremos um coquetel no Salão Principal", os chamei.
Seguimos todas as outras pessoas até o Salão Principal, onde havia várias mesas redondas com seis lugares, formadas de azul claro e branco, e decoradas com rosas claras. Nas paredes, havia faixas brancas de tecidos, e toda a decoração combinava com o teto, que estava exatamente como o céu lá fora: azul turquesa, com algumas poucas nuvens fofas e branquinhas.
Após termos comido e conversado bastante, o professor Dumbledore novamente falou, desta vez de cima de um palquinho improvisado, bem pequeno. Ele avisou que os alunos do sétimo ano haviam preparado homenagens para a escola e para os professores.
A Lufa-lufa foi a primeira casa a se apresentar. Uma garota cujo nome não consegui me lembrar subiu ao palco.
"Há sete anos atrás, todos nós formandos, presentes aqui recebemos uma carta especial. Carta esta já esperada por alguns, mas que foi uma enorme surpresa para outros. A carta dizia que tínhamos uma vaga reservada para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. E então nós viemos para cá, aprimorar e polir o talento que tínhamos e que agora está melhorado: a magia. Durante todos estes anos, estudamos Transfiguração com a severa professora McGonagall; aprendemos Feitiços com o peculiar professor Flitwick; preparamos Poções sob os comandos do simpático professor Slughorn. Cuidamos de plantas e flores com a professora Sprout; pudemos ver de perto vários animais mágicos com o professor Kettleburn; vimos hábitos dos trouxas com a professora Reichert; adivinhamos coisas com a professora Altmayer; traduzimos Runas com o professor Escher. Estudamos estrelas e astros com o professor Gettens; aprendemos sobre nossos antepassados com o professor Binns; e por último, mas não menos importante, aprendemos a nos defender contra as Artes das Trevas, com vários professores diferentes", neste ponto ela parou, e todos riram. "Também não podemos esquecer do professor Dumbledore. Tenho certeza de que todos estes mestres deixaram algo em nós, por mais que não percebamos. Muito aprendemos com eles, e não temos como retribuir. O máximo que podemos fazer é fazer o Bem lá fora, com o auxílio de tudo o que nos foi ensinado. Obrigado Hogwarts, obrigado diretor Dippet, obrigado a todos os nossos professores. Sentiremos muita falta do que constituiu nosso lar por tanto tempo", então ela concluiu, e todos aplaudiram alto.
Com os olhos azuis brilhando, o professor Dumbledore anunciou que os próximos seriam os corvinais. Vários alunos se levantaram e se posicionaram na frente de todos. Era o coral da Corvinal. Eles começaram a cantar o hino de Hogwarts como se este fosse algo como a Nona sinfonia de Beethoven.
"Hogwarts, Hogwarts, Hoggy Warty Hogwarts,
Nos ensine algo por favor,
Quer sejamos velhos e calvos
Quer moços de pernas raladas
Temos as cabeças precisadas
De idéias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar,
Moscas mortas e fios de cotão.
Nos ensine o que vale a pena
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto,
Estudaremos até o cérebro se desmanchar"
Eles terminaram a canção com vozes agudas, e foram aplaudidos com entusiasmo.
Em seguida seria a apresentação da Sonserina, e todos os grifinórios sentaram-se mais retos na cadeira, prestando o máximo de atenção. Alunos enormes vestidos de verde se adiantaram, segurando coisas que se pareciam incrivelmente com cotonetes gigantes. Eles começaram a dançar de um jeito estranho, e de repente os "cotonetes" acenderam-se com fogo nas pontas. Os sonserinos fizeram malabarismos incríveis e que deixariam qualquer um de boca aberta, mas eu realmente não via o que aquilo tinha a ver com Hogwarts. Porém, ao final do pequeno show, a enorme bandeira com o brasão de Hogwarts surgiu atrás deles, e de algum modo eles fizeram as labaredas do fogo ficarem paradas no ar, fazendo uma réplica perfeita e flamejante desta.
Os grifinórios se entreolharam. Era a nossa vez. Não seria fácil concorrer com as outras apresentações, mas – modéstia à parte - a nossa realmente era melhor. Tiago, Jules, Brown e Abbott apanharam suas "fantasias" e subiram no palquinho.
Tiago usava um chapéu pontudo e preto, e vestes douradas e vermelhas. Carregava uma espada cravejada de pedras preciosas. Jules também tinha um chapéu pontudo na cabeça, mas suas vestes eram prateadas e azuis, e ela carregava um enorme livro. Brown, além do chapéu pontudo, trajava vestes prata e verde, e tinha um medalhão prateado em forma de cobra, com uma pequena esmeralda indicando o olho desta. Por último, Abbott usava o chapéu pontudo e vestes pretas e amarelas, e segurava uma pequena balança de cobre.
Finnigan também se levantou, com um papel na mão.
"Há muito tempo atrás", ela começou a ler. "Quatro amigos estavam unidos por um objetivo comum: Criar a melhor Escola de Magia do mundo e transmitir seus conhecimentos"
"Juntos construiremos e ensinaremos!", os quatro falaram, juntos.
"Os quatro decidiram que educariam jovens bruxos juntos. Mas foi Slytherin quem primeiro estabeleceu uma exigência"
"Ensinarei só os da mais pura ancestralidade!", Brown adiantou-se.
"Ensinarei os de inegável inteligência!", Julie pôs ao lado dele.
"Ensinarei os de nomes ilustres por grandes feitos", Tiago se manifestou.
"Ensinarei a todos, e os tratarei com igualdade", Abbott falou, por último.
"Decidiram então que Slytherin aceitaria os bruxos de puro-sangue e astúcia. Os alunos de Ravenclaw seriam os de mente mais aguda. A Gryffindor caberia os mais corajosos e ousados. A boa Hufflepuff recebeu os restantes. Por muitos anos, mantiveram a amizade que tinham, e a escola que fundaram, Hogwarts, prosperou em paz e harmonia.", enquanto Finnigan narrava, os quatro encenavam o que ela dizia.
"Mas as discórdias começaram. As diferenças começaram a se sobressair, ao invés da amizade dos quatro. Até que, em uma manhã, Slytherin retirou-se."
"Recuso-me a ensinar com amantes de trouxas e tolos", Brown anunciou, e saiu do palco.
"Muito abalados, os outros três decidiram que precisavam se unir novamente. Por mais alguns anos, apesar de não contarem mais com Salazar, continuaram na escola. Até que, um dia, Godric tirou seu próprio chapéu da cabeça, e este até hoje nos seleciona em quatro casas: Grifinória, Corvinal, Sonserina e Lufa-lufa."
Tiago retirou seu chapéu e colocou sobre um pequeno banquinho de três pernas.
"O Chapéu Seletor seleciona novos alunos a todos os anos, julgando a que Casa pertencem. E até hoje isso permanece". Tiago, Jules, Brown e Abbott saíram de cena, e então todos os outros grifinórios, ainda com a beca negra, levantaram-se e colocaram seus chapéus pontudos, indo até o palco.
"Há sete anos, nós chegamos no castelo da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Éramos pequenos, e todas as coisas pareciam maiores ainda do que já são", eu falei, atravessando o palco e me posicionando ao lado de Tiago, Julie, Brown e Abbott, que estavam a um canto.
"Nos mandaram sentar em um banquinho e colocar um chapéu falante em nossas cabeças", Remo sentou-se no banquinho, colocando o chapéu em sua cabeça.
"Fomos mandados para a Grifinória, a Casa de Godric Gryffindor", Kate fez mais ou menos o mesmo que eu, quando Remo já havia levantado e estava ao meu lado.
"Para a casa da coragem e ousadia. O Chapéu Seletor julgou que todos nós temos ao menos essas duas qualidades", Parvati se juntou a nós.
"Mas será mesmo que éramos tão corajosos e ousados assim?", foi a vez de Basten.
"Bem, na época talvez não. A maioria de nós tinha um pouco de medo do novo", Brant falou, com sua voz aguda.
"Mas tenho plena certeza de que todos nós aqui somos, hoje, grifinórios completos", Sirius fez um gesto apontando os colegas.
"Pois a coragem não se trata apenas de ser destemido. Trata-se de ter fibra moral em qualquer tipo de situação mais difícil, seja ela perigosa ou não", Mandy andou até nós.
"E para sermos ousados precisamos ser atrevidos e corajosos, como aprendemos a ser", Pedro conseguiu disfarçar seu tropeção ao subir no palco.
"Aprendemos muito com nossos mestres por todos estes anos. Hogwarts nos ensinou boa parte do que hoje sabemos... E é por isso que nós seremos eternamente gratos a esta maravilhosa e acolhedora escola", Finnigan concluiu. Então, todos os formandos da grifinória se juntaram no meio do palco, de mãos dadas, e agradeceram as palmas animadas. Piegas? Um pouco, talvez. Mas formaturas são sempre cheias de clichês, e todos nós realmente gostamos de fazer aquele pequeno teatro.
Além do mais, a nossa apresentação foi a que mais agradou. Vários professores e pais tinham os olhos marejados, assim como alguns alunos. Todos no lugar fizeram um brinde a Hogwarts e à nossa formatura, e então os pais começaram a ir embora.
"Você não tinha que fazer nada não?", Tiago se aproximou, olhando sugestivamente para a minha família.
"Agora, tem certeza?", fiquei nervosa.
"Claro. Ainda tenho que te apresentar à minha", ele apontou para trás. Engoli em seco, observando sua mãe e um outro homem, que se parecia extraordinariamente com ele. Era a primeira vez que apresentava um namorado à minha família, assim como era a primeira vez que era apresentada à família de um namorado.
"Vem", puxei-o pela mão. Afinal, essas coisas não precisam ser feitas como se arranca um band-aid? Bem rápido, para doer menos.
"Mamãe, papai, vovô... Tenho alguém para lhes apresentar", comecei.
"E quem é, minha filha?", mamãe me olhou com curiosidade.
"Este é Tiago, meu namorado", apontei Tiago a eles. As reações de minha família foram variadas: minha ficou desconcertada, meu pai engasgou com o coquetel, e meu avô abriu um sorriso de orelha a orelha.
"Ora, finalmente alguém conseguiu ficar com a pequena Lily", meu avô bateu nas costas de Tiago, depois que ele apertou a mão de todos. Eu corei.
"Essa menina é muito exigente... Sinta-se honrado, você é o primeiro namorado a ser apresentado à família!", vovô completou.
"Estou honrado", Tiago sorriu.
"Espero que seja bom para a minha pequena", meu pai, já recuperado, falou quase em tom de ameaça.
"Pai, eu tenho 17 anos", lembrei a ele.
"E nunca deixará de ser minha pequena", ele me abraçou.
"Pode deixar, senhor Evans, nunca faria nada de mal a Lily", Tiago sorriu.
"Espero que sejam felizes juntos", era a vez da minha mãe.
"Nós seremos, mamãe. Obrigada", abracei-os. "Mande um abraço a Petúnia", falei, só para agradá-la.
"Agora temos que ir... Temos que pegar aquelas carruagens esquisitas e voltar à estação", vovô me deu um beijo na testa, e eles saíram pelas portas duplas de carvalho.
"Tenho mesmo que conhecer seus pais? Já está ficando tarde, eles podem perder as carruagens, e...", comecei.
"Vamos, Lily. Não vai doer nada, você vai ver"
"Fácil para você dizer. Mas sua família não tem nada contra nascidos trouxas, tem?"
"Claro que não. São ótimas pessoas, e foram da grifinória, como nós. Aliás, os Potter vêm caindo na Grifinória há muito tempo... Tirando um tio meu que é a ovelha negra da família, que foi da Sonserina", ele terminou, pensativo.
Estávamos nos aproximando da senhora Potter e do outro homem, que realmente pareciam boas pessoas. Eles estavam conversando com outros pais de alunos, que se dispersaram quando nos aproximamos.
"Querido, aí está você! Queria me despedir antes de ir...", a senhora Potter abraçou Tiago com força.
"Mamãe... Tio Andy... Tenho alguém muito importante para apresentar", ele falou. Ah, então aquele era o famoso tio Andy, que era irmão do pai de Tiago e que tanto ajudou-os depois de sua morte.
"Esta é Lílian Evans, minha namorada", ele enfatizou a última palavra.
"Ora, mas que jovem encantadora!", a senhora Potter, muito simpática, me abraçou. Pelo visto, ela é do tipo "mãezona".
"Então finalmente Tiago resolver sossegar? Ótima escolha", tio Andy sorriu.
"Obrigada", sorri, aliviada por saber que eles não eram monstros metidos que me condenariam por estar com o querido Tiago deles.
"Cuide bem dele, querida. Meu Tiaguinho é muito especial", a senhora Potter abraçou o filho, e eu ri ao ver que ele ficara vermelho.
"Claro, cuidarei bem dele".
"Agora, se nos dão licença, nós temos de ir. Eu e sua mãe temos um chá marcado com os Dewald", tio Andy disse a Tiago.
"Prazer em conhecê-los", falei, antes que saíssem.
"Viu? Não doeu nada", ele me beijou.
"Que bom, a sua família é ótima"
"A sua também, seu avô é muito engraçado", começamos a caminhar pelos corredores.
"Prontos para hoje à noite?", Sirius chegou, metendo-se entre nós dois e se apoiando nos nossos ombros.
"Esse baile vai ser o melhor a que já fomos ou algum dia vamos chegar a ir!", Mandy se juntou a nós com Julie e Kate.
"Temos que começar a nos arrumar...", Julie comentou.
"Faltam umas sete horas para o baile!", Remo exclamou, olhando para ela.
"Você é uma mulher?", falei, e ele balançou a cabeça.
"Sorte a sua, porque as mulheres realmente precisam de muito tempo para se arrumarem para um baile", Kate explicou.
"Eu não demoro 10 minutos para ficar maravilhoso", Pedro falou, e nós rimos. Enquanto andávamos, eu reparava em cada pequena coisa que havia no caminho, gravando cada pedacinho de Hogwarts na memória. Entramos no salão comunal, e enquanto os meninos foram trocar de roupa para ir jogar quadribol em Hogwarts pela última vez, como disseram, nós meninas começamos o tratamento de beleza padrão que sempre se passa antes de festas grandes ou bailes.
N/A - Será que mais alguém sofre da mesma síndrome que eu? É impressionante, quanto mais eu preciso estudar, mais eu tenho inspiração e idéias para escrever. Mas enfim, eu só estou postando rapidamente o penúltimo capítulo de CAC. Sim, o próximo é o baile de formatura e também o último da fic! Finalmente, né... Pra ser sincera com vocês, eu não tava mais aguentando escrever essa fic, estava achando tão chatinha xD
Adoooro vocês!
Beijinhos,
Litxa
PS: como sempre, respostas a quem não tem login aqui logo abaixo. O restante, nas respectivas caixas de email! o/
Bekinha: que bom que tu gosta! Bem, o capítulo não demorou, veio em menos de uma semana... E quanto às ceninhas quentes, me desculpe, mas eu realmente não consigo escrevê-las, não tenho jeito pra isso! Continue comentando! xD
ninah: Obrigadaaa, continua lendo, hein? xD
