Querido Diário,
Num frenesi, entrei no banheiro correndo assim que Jules saiu enrolada em uma toalha. Liguei o chuveiro no quente e comecei a fazer uma limpeza intensiva. Com direito a esfoliação, depilação, hidratação no cabelo, e quaisquer outros "-ção" que possam existir. Depois de uns 40 minutos, ouvi socos bem fortes na porta.
"Lílian Marie Evans!", Mandy falou, brava. Eu ri. "Está rindo por que?"
"Você soou como minha mãe", respondi, ainda rindo.
"Nossa, sua mãe surte tanto efeito em você", ela falou, irônica. "Anda, coisa. Tem duas pessoas pra tomar banho ainda depois de você", ela bateu novamente. Sorri. Definitivamente sentiria falta daquelas briguinhas pelo banheiro.
Credo, eu estou muito nostálgica! Mas afinal... Formatura são nostálgicas. Me enxuguei e saí do banheiro, juntamente com uma nuvem de vapor.
"Banheiro livre, madames", fiz uma mesura. Kate e Mandy correram as duas ao mesmo tempo pro banheiro, ficando presas ao tentarem passar pelo portal ao mesmo tempo.
"Eu vou!", Katie gritou.
"Não, eu vou!", Mandy disse, no mesmo tom.
Após alguns minutos se estapeando, Kate, que é mais forte, venceu e entrou no banheiro correndo, trancando a porta. Eu e Jules nos entreolhamos rindo, enquanto Mandy voltava bufando de raiva para sua cama.
"Relaxa, Mandy. Você ainda vai ter tempo pra se arrumar", Julie tentou tranqüilizá-la.
"Não vou conseguir ficar maravilhosa a tempo", Mandy brincou, fazendo uma voz meio fresca.
"Amiga, você é maravilhosa, não se faça", fiz uma imitação dela mesma antes de se tornar nossa amiga. Caso não se lembre, Mandy era quase a rainha das patricinhas de Hogwarts. Viu como andar comigo não é assim tão ruim?
Mandy riu, deitando-se na cama.
"Liiily, me ajuda com o meu cabelo?", Jules parecia ligeiramente desesperada, tentando fazer um feitiço desajeitado com sua varinha em frente ao espelho.
"Deixa comigo", me aproximei dela, com a minha varinha em mãos.

Algum (ok, muito) tempo depois, nós quatro estávamos prontas e lindíssimas.
"Uau, nós nos superamos", Kate riu.
Nos encaramos. Realmente, estávamos muito bonitas. Não que – modéstia à parte – não fôssemos bonitas, mas naquele dias estávamos muito além. Talvez fosse a sensação de que aquela era a nossa festa de formatura, o nosso momento.
Mandy estava linda com um vestido longo num tom de rosa claro e saia meio rodada. O modelo era tomara-que-caia e bordado da cintura para cima, e seu cabelo estava preso num coque que deixava apenas a franja caindo no rosto, o que a fazia parecer muito com uma princesa. Jules vestia um vestido longo azul turquesa de liso meio colante, de ceda, que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. Ele tinha um decote em V na frente e um decote até o meio das costas, atrás. Eu havia feito um coque bem frouxo no cabelo dela, que valorizava isso. Kate sorria muito, em seu vestido alaranjado com decote e bordado no busto. A graça do vestido estava toda ali, e depois do busto descia solto até os pés. Seus cabelos estavam soltos e bem cacheados, com pequenos brilhantes entre os cachos.
E por último, mas não menos importante, eu. Meu vestido era verde claro, de alcinhas cruzadas nas costas nuas, e de um tecido bem leve. Na altura da cintura, tinha um detalhe que o deixava meio franzido, e um pouco mais abaixo começava uma fenda, que abria o vestido até os pés. Meu cabelo estava cacheado, meio preso e meio solto, e usava também alguns brilhantes nele.

Nós sorrimos, felizes, e abrimos a porta do dormitório. Quando descíamos as escadas, ouvimos vários assobios e palmas de alguns garotos mais novos que estavam ali. Tudo bem, eles eram mais novos e nem iriam ao baile, já que nem todos os alunos poderiam ir, mas aquilo elevou mais ainda minha auto-estima já alta. Eu ri, ao ver que Tiago fazia cara feia para eles. Os marotos estavam a um canto da sala, já prontos, mas todos com cara de quem não havia esperado muito.
"Não gostei disso", ele se aproximou, com os meninos. "Mas: UAU!", ele exclamou, ao me olhar. Ele segurou minha mão, me fazendo dar uma voltinha, e por algum motivo eu corei. Ah é, eis o motivo: eu sou ruiva. As ruivas ficam vermelhas por nada.
"Vocês são as nossas acompanhantes para o baile? Nos saíram melhor que a encomenda!", Sirius falou, nos examinando.
"Cala a boca, Sirius", Mandy riu, batendo nele com a bolsa.
"Os únicos que têm acompanhantes aqui são Tiago e Remo", Kate esclareceu.
"São modernas demais pra isso, é?", Pedro zombou.
"Oh, céus", Jules riu.
"Por favor, por favor... Meninas, vão com eles ao baile!", Remo implorou. "E-eu pago a vocês!"
Imediatamente, ele levou dois tapas na cabeça, um de Kate e um de Mandy.
"Tá nos achando com cara de quê, filho de uma...", Mandy começou.
"Epa, epa epa! Não mete minha sogrinha no meio, ela é muito boa comigo", Julie riu.
"Vai, meninas, não custa nada vocês acompanharem eles!", falei, com a lembrança de que a festa já havia começado há algum tempo e nós ainda estávamos lá. "Kate pode ir com o Pedro e Mandy com o Sirius", empurrei-as para seus respectivos acompanhantes.
As duas me fuzilaram com o olhar, mas Remo e Jules já estavam quase no buraco do retrato, e eu e Tiago já os seguíamos. Com suspiros de resignação, os outros quatro nos seguiram.
"Noossa", ouvi Pedro exclamando, às minhas costas, quando entramos no Salão Principal. As quatro longas mesas e a mesa dos professores haviam desaparecido, logicamente, dando lugar a várias outras mesas menores e redondas espalhadas por lá, como é de costume quando há festas assim na escola. Todas as mesas estavam cobertas por toalhas brancas, os enfeites de mesa eram feitos de flores tropicais nas mais exóticas cores, provavelmente uma homenagem ao verão que chegava.
Nas paredes de pedra, havia panos branco-cintilante pendurados, dando um ar surreal ao lugar. Bem no fundo, um pequeno palco, e aos lados, mesas com bebidas e comidinhas.
Os marotos se entreolharam, com sorrisos... bem, marotos.
"Esperem aqui, garotas... Já voltamos", Sirius disse, e os outros o seguiram. Eles se aproximaram das mesas onde havia ponche e outras coisas para beber e retiraram algo de dentro do paletó. Nós nos aproximamos deles a tempo de vermos de relance garrafas de vodka serem devolvidas aos bolsos do paletó, com os devidos feitiços para diminuírem de tamanho.
"Yey! Vocês batizaram o ponche?", Mandy animou-se.
"Shh", Remo falou. "Credo, já quer começar a beber?", ele riu.
"Remo tem razão, Mandy", falei. "Bebidas, só depois da meia noite. Por enquanto temos que aproveitar o baile com sobriedade", e ri.
"Concordo", Jules sorriu. "Portanto, andem logo!", e ela puxou Remo e Mandy para a pista de dança. O resto de nós a seguiu.
Nós ficamos um bom tempo dançando as músicas típicas de começo de festa. Você deve estar pensando que essas músicas nem são boas para se dançar, e não são mesmo, mas estávamos eufóricos.
À meia noite, Dumbledore subiu ao palco, com suas excêntricas vestes de festa.
"Boa noite, jovens. Bom, já que a maioria já está aqui, eu gostaria de dizer algumas palavras. Quero que saibam que foi uma honra ensinar vocês por todos esses anos. Falo por mim e por todos os outros professores. Sim, nós ficamos felizes que suas cabecinhas, antes vazias ou preenchidas com coisas totalmente inúteis, estejam agora cheias pelo menos com algumas poucas coisas do que ensinamos. A festa hoje é apenas de vocês, e ela ainda está para começar!", o professor Dumbledore parou para fazer uma dancinha engraçada, e todos riram. "Divirtam-se ao máximo, mas – por favor – evitem ter coma alcoólico, sim? Seus pais não gostariam nadinha", ele terminou, deixando os alunos rindo e os professores com cara de choque. Por último, ele anunciou uma banda bruxa que estava na moda.
Alguns bruxos estranhos subiram ao palco, vestidos de modo esquisito. Mas eles eram realmente bons. Começaram tocando uma música deles, que quase todos conheciam.

"The Beatles!", gritei ao mesmo tempo que pulava em Tiago, algumas músicas depois. Não, eu não sou louca. Eles estavam tocando 'Twist and Shout', dos Beatles, clássico em festas.
"Woow, quantos ponches já bebeu?", ele perguntou, rindo.
"Iih, nem vem. Tomei uns três só até agora. E comi bastante também, aqueles salgadinhos de camarão estão uma delícia!", comentei. Ele me olhou estranhamente.
"Que é? Eu não to bêbada, apenas feliz", bati nele de leve.
"Qual é o problema? Eu já estou bêbado", Pedro se aproximou, com a camisa aberta até a metade da barriga e a gravata frouxa. "Kaaate, meu amor! Cadê você? Vamos dançar!"
Ri, segurando a mão de Tiago e começando a dançar.

Well, shake it up baby now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on baby now
Come on and work it on out

Olhei para os lados. Aparentemente, havia ocorrido uma pequena "troca de casais", já que agora Sirius dançava com Kate, Remo com Mandy e Pedro com Jules. Todos eles pareciam bem felizes, gargalhando com os passinhos engraçados que por vezes faziam.

Well work it on out, honey
You know you look so good
You know you got me goin' now
Just like I knew you would

De repente, depois de um giro que Tiago me fez fazer, ele me soltou, e eu quase caí no chão. Que é? Eu estava tonta! Por sorte, Sirius me pegou a tempo. Agora eu passei a dançar com ele, Tiago se balançava com Mandy, Kate estava com Remo e Julie continuava com Pedro.

Well, shake it up baby now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on baby now
Come on and work it on out

Mais um giro, e agora eu estava com Pedro. Sirius e Mandy se sacudiam animadamente, ao lado de Tiago e Kate e de Remo e Julie.

You know you twist, little girl
You know you twist so fine
Come on and twist a little closer now
And let me know that you're mine, woo

Mais uma vez eu fui girada. Se eu estava tonta? Sim, com certeza, mas nós ríamos tanto e eu me divertia imensamente com isso. Passei a dançar com Remo, enquanto Julie estava com Tiago, Mandy com Pedro e Kate com Pedro. Antes que pergunte, não, essa troca de pares não tinha lógica nenhuma!

Ah, ah, ah, ah
Yeah, shake it up baby now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on baby now
Come on and work it on out
You know you twist, little girl

No final da música, passei para Tiago de novo e todos voltaram aos seus pares originais. Parando somente para tirar minhas sandálias de salto, que eu não sei como ainda agüentava usar, me mexia animadamente.

You know you twist so fine
Come on and twist a little closer now
And let me know that you're mine
Well shake it, shake it, shake it, baby now
Well shake it, shake it, shake it, baby now
Well shake it, shake it, shake it, baby now
Ah, ah, ah, ah

E então a música acabou, e eu parei um pouco. Olhei para os outros, que estavam tão suados e vermelhos quanto eu devia estar, e sorri. E então uma música um pouco mais desanimada passou a tocar. Eu, Kate, Mandy e Jules nos dirigimos à mesa de comes e bebes, apanhando alguns salgadinhos e copos de ponche, enquanto os Marotos saíam do salão.
"Eu hein... Onde eles foram?", perguntei, enquanto sentávamos à mesa atravancada de bolsas, paletós e sandálias.
"Devem ter ido aprontar alguma coisa", Kate deu de ombros.
"Nossa, tá calor aqui ou sou só eu?", Mandy se abanou.
"Nem tô com calor...", Julie respondeu inocentemente... Antes de se virar para ver Matthew Sumpton, da Lufa-lufa, com a camisa aberta, claramente bêbado.
Ri alto.
"Boa sorte, Mandy", sorri, cruzando os braços e me recostando na cadeira.
"Até parece que eu vou até lá, ele parece bêbado"
"Então. Você não quer namorar com ele ou algo assim, quer?", Kate se aproximou dela.
"Não", ela respondeu simplesmente. "Mas eu não vou me rebaixar a ponto de eu ir lá!"
"Ative seu charme, então", Jules brincou.
"Vamos dançar, então?", ela sorriu, marota.
"Meus pés estão doendo mesmo sem sandália", Julie comentou.
"Vou comer mais um salgadinho e beber mais um gole de ponche, vão indo vocês", eu falei.
Mandy agarrou a mão de uma Kate aparentemente sem escolha e puxou-a para o meio da pista de dança, próximo a onde Matthew estava.
"Às vezes a Mandy deixa aflorar a antiga 'ela'", Jules riu, ao ver nossa amiga dançando de um modo provocante perto de seu 'alvo'. A música que tocava ainda era mais lenta – mas não a ponto de se dançar em casais - , o que facilitava tudo para ela. Algum tempo depois, os Marotos entraram no Salão parecendo suspeitos, olharam em volta e se juntaram a nós na mesa quando nos acharam.
"Onde estavam, mocinhos?", Julie indagou, com uma cara engraçada.
"Desculpe, mamãe, o dever nos chamava", Remo a beijou de leve, rindo.
"Dever de marotos, imagino", olhei para Tiago.
"Claro", ele riu.
"Quero saber logo o que é", Jules sorriu.
"Relaxa, daqui a pouco...", Sirius olhava em volta.
"Ei, por que vocês estão aqui e a Kate e Mandy estão dançando?", Pedro parecia não ter ouvido a conversa.
"Porque elas estão usando o poder feminino delas", eu ri.
"Com Sumpton e seus amigos?", Sirius arqueou uma sobrancelha.
"O que tem? Eles são muito bonitinhos", falei.
"Caham", Tiago pigarreu ao meu lado. Eu ri, olhando pra ele.
"Que é? Você é meu namorado, não meu amigo. E estou falando dos 'alvos' das minhas amigas".
"Desse jeito parece que os homens são objetos", Sirius fez uma careta.
"Vai dizer que você não fala das garotas assim, ou até pior?", Jules olhou pra ele.
"É diferente..."
"Não vejo onde", ela piscou. "Vamos dançar, Remo?", ela puxou Remo até a pista de dança, quando uma música agora lenta de verdade começou.
"Também quer?", Tiago levantou-se e estendeu o braço para mim. Eu o aceitei, e fui com ele para a pista. Vi que Mandy dançava com Matthew e Kate parecia transtornada, dançando com um de seus amigos.
Olhei para Sirius, sentado à mesa, observando-a. Fiz alguns sinais e ele se levantou. Pedro logo se entreteu com uma garota do sexto ano.
Assisti a Sirius se aproximar de Kate e o outro cara inconveniente, cutucando-o no ombro e falando alguma coisa. Então uma Kate muito aliviada agradeceu a ele e começaram a dançar.
"Lily?", ouvi Tiago chamar.
"Hm?", respondi distraída.
"Está aí?"
"Sim... Estava só resolvendo um problema para uma amiga", indiquei Kate com a cabeça e ele olhou, entendendo.
"Vamos dar uma voltinha lá fora?", ele chamou. Normalmente eu acharia que o cara estava me cantando, mas... Bem, ele é meu namorado.
Saí com ele do Salão, passando pelo saguão e pelas portas duplas de carvalho. Chegamos aos jardins, onde havia uma brisa agradável.
"O que foi? Algum problema?", logo perguntei, quando nos encostamos lado a lado no enorme carvalho à beira do lago.
"Não. Queria um momento a sós com a minha namorada, que está mais linda ainda hoje", ele sorriu.
"Tiago. Meu penteado já se desfez, eu estou suada e descalça", ri.
"Está linda do mesmo jeito", ele deu de ombros.
Ficamos encarando o Lago pensativamente por alguns minutos.
"Como acha que vamos ficar?", ele perguntou do nada.
"Ahn?"
"Digo... Eu e você. Como acha que vamos ficar daqui pra frente?"
"Ué, vamos continuar namorando, não? Provavelmente vamos trabalhar no mesmo lugar, já que nós dois somos aurores agora. E quando estivermos um pouco mais velhos podemos morar juntos"
"E nos casar, e ter um casal de gêmeos!", ele se empolgou.
"Não tão rápido", eu ri.
"Não quer se casar comigo?"
"Claro que sim, mas quando estivermos prontos. Daqui a uns anos, talvez", me diverti vendo a cara que ele fazia.
"Ah, você não me ama, eu já sei"
"Claro que amo, seu besta", olhei pra ele. "Mais que tudo no mundo"
"Que bom, porque eu também", ele sorriu, desencostando da árvore e ficando de frente pra mim. Ele encostou uma mão em cada lado do meu corpo, me prendendo à árvore.
"Que vai fazer, Potter?", provoquei-o.
"Isso", e então ele se aproximou e me beijou.
Ok, a cada vez que eu beijo meu namorado, parece que fica melhor. Ele me beijava lentamente, sem tirar as mãos da árvore, e me pressionava contra esta. Tiago suspirou alto quando passei as mãos pelos seus cabelos, puxando-o para mais perto ainda. Ele passou a beijar meu pescoço, enquanto eu passava minhas mãos por suas costas, por baixo da camisa. Ele voltou a me beijar na boca, agora de um modo mais voraz.
Quando ele me apertou mais ainda no carvalho e a casca da árvore começou a arranhar minhas costas, eu percebi que aquilo estava indo longe demais.
"Tiago...", comecei, sem refrear um suspiro.
"Hm?", ele continuou me beijando no pescoço.
"É melhor voltarmos..."
"Que foi?", ele se afastou. "Eu não ia fazer nada com você", ele riu, com a respiração falha e o rosto e a boca vermelhos.
"Eu sei. Essa árvore estava me machucando", apontei. "E nós estamos perdendo nosso baile de formatura.
"Você tem razão", ele tentava alinhar os cabelos, sem sucesso algum. Eu me arrumei, e depois ajeitei a camisa dele.
"Vamos voltar", e então ele segurou minha mão e nós voltamos para o Salão Principal.

Só que, quando chegamos lá, a cena estava completamente diferente de quando saímos. Agora Kate e Sirius se beijavam calorosamente a um canto; Mandy dançava animadamente alguma música com Mattew Sumpton, rebolando; Pedro nem estava lá mais; e Jules e Remo eram os mais comportados: discutiam alguma coisa animadamente.
"A coisa aqui ta animadinha, não?", comentei, juntando-me a eles na mesa.
Os dois olharam em volta, rindo.
"Que é? Vai dizer que não gosta disso?", Tiago riu e me agarrou de repente, brincando.
"Claro que gosto. Mas eu faço isso com você, que é meu namorado. Não com o cafajeste do seu amigo, ou um garoto que mal conheço", indiquei Kate e Mandy, respectivamente.
"Demorou", Jules apontou Mandy, que agora beijava Matthew.
"Esse povo cheio de hormônios...", falei, e nós rimos.
"Totalmente compreensível", Remo comentou, e Tiago concordou com ele.
"Homens...", revirei os olhos.
"Ei, já devem ser umas quatro da manhã! O que houve com nossa surpresa?", Remo perguntou a Tiago.
"Em alguns minutos", ele sorriu.
Uma Kate muito vermelha sentou-se rapidamente na mesa.
"Alguns minutos pra quê?", perguntou. Não pude evitar rir disso, ela estava vermelha, com o penteado totalmente desfeito, e parecia perdida.
"Nossa surpresa", Sirius sentou-se ao lado oposto ao dela na mesa.
"Finalmente!", Pedro surgiu do nada, sentando-se também.
"Err... Oi", Amanda também chegou, num estado muito parecido com o de Kate.
"Tsc, tsc, tsc", revirei os olhos, olhando Kate e Mandy de modo reprovador.
"Ok", Remo consultou o relógio e fez um sinal para os marotos.
"Em 3...2...", eles começaram a contar juntos. "1!".
Quando eles terminaram, todos no salão ouviram explosões bem altas do lado de fora do castelo. Algumas pessoas já faziam menção de sair para os jardins para ver o que acontecera, mas então entraram várias formas dançantes e coloridas. Observei, rindo, um dragão vermelho serpenteante, uma enorme bola azul tremeluzente, uma forma não identificada laranja brilhante, e muitas outras coisas estranhas entrarem no salão. As pessoas olhavam espantadas para elas, e algumas riam. Todas as formas coloridas se dirigiram para o meio do salão, e, depois de uma estranha e rápida dança, explodiram, jogando papéis picados brilhantes em todos.
Até mesmo a banda havia parado de tocar, assim que ouviu-se a explosão, e olhavam para a apresentação, divertidos.
Olhei pros Marotos, rindo.
"É só uma coisinha básica, não deu tempo de preparar uma coisa genuinamente marota", Sirius piscou.
"E agora nós temos que aproveitar os últimos minutos do baile", Pedro falou, levantando-se. Todos nós nos entreolhamos, e fomos dançar. Músicas típicas de fim de festa tocavam, e os Marotos pareciam particularmente animados ao dançar músicas como 'I will survive' ou 'Y.M.C.A.', o que era hilário de se ver. Tiago e Sirius tinha a camisa aberta e a gravata frouxa, e Pedro e Remo já estavam com suas gravatas na cabeça, todos dançando com bebidas na mão.
É, acho que lembraremos da noite da nossa formatura pelo resto de nossas vidas.

Aproximadamente às seis horas da manhã (é o que eu calculei, olhando para o teto mágico, que já clareava), os professores pediram para a banda parar de tocar, e foram expulsando aos poucos os alunos. Assisti a uma multidão de pessoas saindo pelas portas do Salão Principal, com roupas de gala mas já totalmente despenteados, suados e desarrumados. A maioria também parecia de ressaca, fosse de sono ou da bebida mesmo.
"Eu não quero ir dormir ainda, estou elétrica", Mandy comentou.
"Quem disse que a gente vai dormir?", Tiago sorriu maroto.
"Não vamos. Pelo menos, não agora", Remo riu, e nós fomos conduzidas até o sétimo andar.
"Ah, a salvação de todos os alunos: a Sala Precisa", eu falei, entendendo o que eles pretendiam quando começaram a dar voltas pelo corredor com caras concentradas.
Abrimos a porta que surgiu magicamente e entramos em um local cheio de pufes macios, tapetes, mesinhas e bebidas.
"Vocês querem beber mais?", Julie perguntou, espantada. "Meu fígado já está encharcado de álcool"
"A gente não precisa usar tudo o que há aqui", Sirius explicou. "A não ser que a Kate queira usar aquele pufe ali no canto", ele sorriu maroto. Eu olhei para onde ele apontava: havia um pufe enorme ali, que mais lembrava uma cama.
"Ah claro, Black", ela riu, revirando os olhos. "Já não basta pra você a gente ter se beijado hoje?"
"Vocês estavam fazendo mais do que se beijando...", Pedro riu.
"Não, temos que chegar aos 'finalmentes'", Sirius ignorou Pedro.
"Eu quero fazer alguma coisa!", interrompi todo mundo, falando alto.
"Eu acho que podemos resolver isso...", Tiago sorriu, se aproximando de mim.
"Ok, alguma coisa inocente, sem malícias, em grupo!", especifiquei.
"Ah, droga", ele brincou, se sentando em um dos pufes.
"Já sei, eu vou tocar alguma coisa", Sirius disse, transfigurando uma almofada em um violão.
"Ué, você sabe tocar violão?", Kate ergueu uma sobrancelha, se juntando a nós na rodinha de almofadas em volta de Sirius.
"Claro que sei!", ele começou a tocar a melodia de alguma música que não reconheci.
Estavam todos tão felizes (e, devo dizer, alcoolizados), que em alguns segundos estavam todos batendo palmas, e os outros marotos acompanhavam o ritmo do violão batucando em algumas coisas.
De repente, Sirius se levantou, deixando o violão sobre o pufe em que estava sentado. Mas o violão continuou tocando, e ele e os garotos começaram a rir descontroladamente.
"Seu cachorro! Você não toca violão coisa nenhuma!", Mandy bateu nele, brincando.
"Mas eu estava indo muito bem, não?"
"O violão enfeitiçado estava", Julie riu.
"Aaaah, eu não quero ficar entediada", falei, fazendo todos rirem.
"Tá, juntem-se aí de novo", Remo falou. "Jules, qual foi a melhor coisa que te aconteceu esse ano?", ele se virou para a namorada, com uma garrafa na mão como um microfone.
"Hm... Ter ficado amiga de Lily e Kate", ela respondeu, contendo o riso.
"Oooown", eu e Kate a abraçamos.
"E...?", Remo a olhou, incentivando-a.
"É isso", ela deu de ombros, e percebi que ela estava se contorcendo para não rir da cara que ele fazia.
"Então tá...", ele pareceu meio chateado, mas virou-se para Sirius.
"E com você, Almofa...", ele começou a perguntar, mas Julie pulou no pescoço dele, rindo muito.
"Você é muito bobo", ela falou, gargalhando. Ela havia feito com que o pufe dele virasse para trás, e agora os dois estavam no chão. "É claro que, ainda melhor do que ter ficado amiga dessas pragas, foi ter começado a te namorar, Einstein", e ela o beijou, voltando a se sentar. Remo também se ajeitou, mas ele estava com o rosto bem vermelho.
"Bem, já que Aluado não vai perguntar de novo...", Sirius deu de ombros. "O que melhor me aconteceu esse ano foi ter cumprido uma meta minha", ele lançou um olhar meio estranho a Kate. Ela franziu as sobrancelhas.
"Mandy?"
"Ah, acho que foi... ter deixado de ser tão fútil. Hoje em dia nem eu me agüentaria como eu era antes, não sei como a Jules agüentou", ela sorriu.
"Não vou mentir. Você era um saco", Julie falou, e todos riram. "Mas sempre foi uma boa amiga"
"Rabicho"
"Sei lá, acho que foi bater o recorde de marotagens com vocês", Pedro deu de ombros.
"Tocante", Tiago comentou, e nós rimos.
"Lily!"
"Acho que foi descobrir que eu estava apaixonada por essa coisa aqui", apontei Tiago. "Ah, e ter namorado com dois caras do nosso Top 3", pisquei para as meninas.
"Ahn?", Tiago virou-se para mim, confuso.
"Bem... Em nossa lista dos caras mais quentes da escola, você é o segundo e o Adam é o terceiro", Kate explicou.
"Ah.", ele falou, me olhando com ciúmes.
"Ah, céus. Mas definitivamente a melhor coisa de todas foi ter começado a namorar com o homem da minha vida", eu sorri, e o puxei para um beijo.
"Quem era o primeiro da lista?", Sirius perguntou, curioso, quando nos separamos.
"Você", ele inflou o peito quando respondi, e nós rimos.
"E quanto a você, Remo?"
"Foi descobrir que eu tenho amigos verdadeiros, que gostam de mim com todos os defeitos", ele olhou para nós. "E, claro, finalmente ter tido coragem para chamar Jules para sair".
"Eu quero um assim", Mandy me cutucou e apontou Remo.
"Kate"
"A melhor coisa foi ter encarado um medo meu", ela lançou um olhar de relance para Sirius.
"Tiago..."
"A melhor coisa que aconteceu esse ano foi ter conseguido uma coisa que eu queria há quase três anos, com todas as minhas forças", ele me abraçou.
"Acho que todos nós nos saímos muito bem esse ano", eu falei.
"Todos felizes, Lílian Evans e Tiago Potter finalmente namorando...", Sirius comentou.
"É, foi legal. Um ótimo 'último ano'", Tiago sorriu.

Depois de mais algum tempo só falando besteiras e rindo, chegamos à conclusão de que era melhor irmos arrumar nossas malas. Fomos para a Torre da Grifinória nos despedindo de tudo que havia pelo caminho, desde quadros que eram quase nossos amigos, até o degrau defeituoso de uma escada. É, com certeza eu nunca vou esquecer dos sete anos que passei no castelo da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts...

"Lils, anda logo!", Kate gritou, já de dentro do Expresso de Hogwarts. Tiago estava colocando meu malão na nossa cabine, e eu estava encarando o imponente castelo, ao longe, pela última vez. E então, quando o apito do trem soou, eu entrei rapidamente e fechei a porta de correr atrás de mim.
"Prometem que vamos todos manter contato?", perguntei a Kate, Mandy, Julie, Tiago, Sirius, Remo e Pedro, todos sentados nos bancos do expresso que sacolejava.
"Claro que sim, amizades nascidas em Hogwarts são para sempre!", Sirius falou.
"Sério? Quem diz isso?"
"Acabei de inventar", ele deu de ombros, rindo.
"Certo, vamos fazer um pacto para garantir isso", eu brinquei.
"Pacto de sangue?", Pedro se virou para mim.
"Na verdade eu estava brincando... Mas nós sempre podemos juntar as mãos", falei, rindo, e estendi minha mão. Todos os outros olharam meio risonhos para ela e depois fizeram o mesmo.
"Juram que vamos sempre ser amigos e manter contato?"
"Nós juramos!", todos repetiram.
"Eu te amo, Lily", Tiago murmurou no meu ouvido, minutos depois.
"Eu também te amo", sorri, e o beijei de leve.
E pelo resto da viagem nós ficamos jogando snap explosivo e rindo, aproveitando ao máximo os últimos momentos juntos antes que tudo mudasse.


N/A- Último capítuloooooo \o/ CAC acabou, pessoal! Bem, pra falar a verdade pra vocês, eu tinha esquecido que já tinha escrito, e aí só ia postar no ano que vem! É, porque eu vou viajar amanhã, e eu não queria deixá-los esperando por tanto tempo. Eu mesma não teria paciência xD
Mas enfim, eu só queria agradecer a todas as pessoas que acompanharam essa fic, fosse desde o começo (Ayame Yukane - te adoro, muito obrigada por ter tido paciência pra acompanhar CAC por tanto tempo! Aliás, tu que deu esse apelido pra fic ), ou quem só leu um capítulo. Obrigada à minha beta (Flavinha Greeneye - eu sei que você não chegou a betar TODOS os capítulos de CAC, mas me ajudou muito. Te amo muito, sis!), obrigada a todas as pessoas que deixam review! Eu adoro muuuuito vocês.

E infelizmente eu não vou poder responder as reviews, quem sabe quando eu voltar?

Beijinhos,
Litxa