O Jack apareceu mesmo em casa depois de 2 dias. E meus pais ficaram muito assustados quando ele disse que queria oficializar o nosso namoro.
- Mas...ele era o namorado da Lucy! – foi tudo o que minha mãe conseguiu dizer.
- E você é a namorada do David, Sam! – foi a vez do meu pai falar alguma coisa.
- Pois é. – abracei o Jack. – Eu e David terminamos. Só porque contei que o Jack tinha se declarado para mim.
- O David fez isso? Eu pensei que ele te amasse! – até a Rebecca entrou na dança.
- Jesu Cristo! – a Theresa parecia inconformada.
- Ah não, Sam. Por favor! O Jack não! – meu pai estava ficando estressado.
- Nós nem teremos muito tempo para ficar junto, já que ele já está na faculdade e tudo mais.
- Isso mesmo, Richard. – o Jack continuava com a mania de chamá-los pelo primeiro nome na cara dura. Meus pais odiavam ainda mais o Jack por causa disso.
- Mãe, pai, eu preciso conversar com vocês. Sozinhos. – e todo mundo saiu da cozinha. – É o seguinte: eu só estou com o Jack para fazer ciúme no David. Para ele perceber que eu o amo. Eu não vou ficar beijando o Jack nem nada disso. Apenas vamos andar abraçados para fingir que estamos namorando. Entendem?
- Sam, essa não é uma coisa certa de se fazer. Você sabe disso. Vai magoar o Jack, desse jeito.
- Não, eu não vou. Porque vou ficar insinuando que ainda amo o David e tudo mais. Aliás, amanhã ele vai me levar para a aula de arte. Então, o David vai me ver com ele, eu vou ficar olhando bastante para o David e o Jack vai sacar tudo. Se não sacar amanhã, vai ser num outro dia próximo.
- Ok, eu vou te apoiar, minha filha. Mas só porque você é grandinha demais para saber errar.
- Como assim? – eu não tinha entendido um nada daquilo.
- Você vai errar feio, Sam. Mas depois vai aprender com tudo isso.
- Hmm... ok. – eu não conseguia processar toda aquela informação.
Depois que o namoro foi todo oficializado, sem a Lucy saber (ela tinha ido jantar com as amigas na pizzaria Luiggi's) , o Jack foi embora e eu fui para cama. O dia de amanhã ia ser muito emocionante. Pelo menos era assim que eu esperava.
E foi. O Jack foi me levar para a aula de arte. E chegamos abraçados, bem no momento em que o David saía do carro do Serviço Secreto com o John. Ele ficou tipo:
- Hmm...oi Samantha. Oi Jack Ryder.
- Oi, David. Hmmm...eu e Jack estamos saindo.
- Que bom que você já se arranjou depois de terminarmos o namoro,hein.
- Sim. Eu também acho. Mas...Jack, você espera um pouquinho aqui? Preciso falar algo para o David. – e cheguei mais perto dele. – Mas eu sinto sua falta. – sussurrei.
- Ah, sente minha falta abraçada com outro? Bela forma de sentir a falta dos outros,não? – ele também sussurrou.
- O Jack é uma boa pessoa. Mas eu ainda te amo.
- Claro, estou vendo todo o seu amor por mim.
- Ah, David. Vamos parar com tanta frescura. Eu te amo. E você também. Isso é tudo o que precisamos para ficar junto! – eu estava olhando bem para o olho dele,com aquele olhar de súplica.
- Eu vou subir. A Susan está esperando. – e subiu.
- Jack, eu vou subir – e me aproximei para beijar a bochecha dele.
- Até mais, Sam.
Foi uma aula bem comum. Susan nos mandou desenhar um CD. Ela queria ver todas as cores do CD (da parte da leitura, lógico) no nosso papel. Estava fácil demais, mas meus pensamentos se concentravam no David, que estava logo ali, do meu lado. E eu não sabia mais o que fazer.
Mas, no final da aula, eu sabia muito bem. Porque eu não iria agüentar ficar mais um segundo com o Jack. Ele era legal e tudo mais, mas eu amo mesmo é o David. Então, quando o Jack apareceu para me buscar, eu já estava pronta para falar com ele. Eu só não esperava que ele fosse me dar um beijo, de supetão. Eu fiquei assustada, é lógico. Era o primeiro beijo que o Jack me dava em toda a sua vida! Eu apenas relaxei... e tentei me sentir confortável com a situação, mesmo com o David ali do meu lado. Eu fechei os olhos e retribui o beijo. E sei lá quanto tempo ficamos ali, nos beijando. Mas quando eu abri os olhos, o David já não estava mais lá. Enfim, voltamos para casa e tudo voltou a ser como antes: fui me trancar no quarto para desenhar alguns retratos de celebridades, já que o Jack tinha que voltar para casa dele.
Quando eu já tinha desenhado um retrato bem bonito de mim com o Johnny Depp, eu me lembrei do Manet. Já que, claro, ele estava lambendo o meu pé, como fazia toda vez que queria dar uma volta. Portanto, fomos para o Jardim do Bispo, como sempre. E, adivinha quem estava lá? Sim, O David. Ele estava com uma feição bastante triste, mas eu nem ousei chegar perto. Porque senão, era capaz dele dar um outro chilique como na calçada do ateliê. Por isso, desviei total do David e aproveitei para dar uma passadinha da videolocadora Potomac. Não que tivesse algum lançamento interessante, mas eu precisava me distrair. Então, eu entrei com o Manet mesmo e fui escolher um filme. Peguei o primeiro que vi pela frente e sai.
O filme era ok, a pipoca que eu fiz estava ok, o Manet do meu lado (que, aparentemente estava gostando muito do filme) era ok. Mas o sentimento que eu carregava dentro de mim não era nada ok. Era como se eu estivesse caindo de um abismo, totalmente sem proteção e totalmente sem a certeza se alguém lá embaixo ia me salvar. E na parte mais emocionante do filme o telefone tocou.
- Oi Sam. É a Cath.
- Ah, olá Cath. Tudo bem?
- Aham...Eu tenho coisas a te contar.
- Diga logo – e dei um pause no filme, já que quando a Catherine fala essas coisas, é porque tem uma história muito longa para contar.
- David me ligou. Ele queria saber se você gosta mesmo do Jack, sabe como é, para vocês serem namorados. Porque ele achava que você o amava.
- Caramba, eu amo o David! Mas só estou com o Jack para fazer ciúme para ele, Cath.
- Que seja, Sam. Se você quiser mesmo o David, é melhor se apressar. Ele não está nem um pouquinho a fim de ficar te esperando feito uma donzela.
- Eu sei. Mas ele tem que parar de ser tão ciumento, sabe. Nem me deixava conversar direito com o Jack no MSN. Pode?
- Faça alguma coisa, minha amiga. Eu que não sou a pessoa correta para te dar conselhos.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa com você?
- Eu e o Paul também terminamos. Tipo, eu conheci um outro garoto, bem mais legal que ele. E percebi que já não gostava taaanto dele quanto eu imaginava que gostava.
- Ah... entendi. Bom, boa-sorte com o seu novo amor, Cath.
- Precisarei. Bom, agora eu vou desligar porque ainda tenho muita lição de Geometria para fazer. Só liguei para te contar do David. Até amanhã, Sam! – e desligou.
Bom, eu precisava agir. Total e rápido. Antes que eu perdesse o David. E voltei a assistir o filme.
O meu plano era esse: distrair o sr White e sair procurando o David pela Casa Branca. Não que isso fosse ser fácil,mas, sabe como é, totalmente justo e necessário. Mas eu estou começando a achar que o sr White é um sem-coração e sem-sentimento.
- Ah não,mocinha. Não vai ao banheiro não. Ainda temos que escolher os 2 quadros que vão para Nova York para a exposição.
- Sr White! Eu estou a-per-ta-da!!
- Pois vai continuar assim – e simplesmente me deu de ombros. Eu agüento um cara desses? Não. Pois bem, já que ele não deixava, eu fui por minha conta. Ele não é meu pai, e nem é minha mãe, mas é um chato total. Então, eu fingi que fui ao banheiro. Mas, como eu planejava, sai andando pela Casa Branca, como quem não quer nada. Bem, até uma agente do Serviço Secreto me barrar.
- Aonde a nossa heroína nacional vai?
- Moça, é o seguinte: o David e eu brigamos, eu fui namorar um outro cara, mas eu ainda amo o David – eu estava falando rápido, como se eu não falasse àquela hora,não ia falar nunca mais. – Eu já falei isso pra ele, mas ele não acredita em mim! Por isso, eu estou aqui, procurando-o!
- Que história... – ela realmente parecia interessada, e não sei por quê. – Mas o David não está em casa. Ele disse que queria relaxar, então foi para o ateliê da Susan Boone.
