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Eu sei que ia parecer meio retardada, mas foi para ela mesmo que eu fui pedir conselho. No ano passado ela me ajudou. Vamos ver se ela vai fazer isso agora.

- Ah, Sam... Eu tenho um encontro hoje à noite, preciso ir me arrumar! – é,parece que a Lucy esqueceu fácil do Jack. Eu sempre disse, ela não era uma boa namorada para ele.

- Lucy, eu preciso que alguém me ajude! – sei lá por quê, eu agarrei os braços dela, de modo que eles ficaram com a marca dos meus dedos. Eu estava desesperada mesmo.

- Sam, qual foi a tolice que você fez dessa vez? – e me levou para se sentar na poltrona do seu quarto.

- Eu amo o David. Mas ele não acredita por eu estar com o Jack. Só isso.

- E você não ama o Jack? – Lucy parecia incrédula.

- Não – eu estava me sentindo a pior pessoa do mundo. E eu não acreditava que tinha conseguido fazer uma pessoa sangrar. Mesmo que essa pessoa fosse a minha irmã, isso me doía. Mas, eu pelo menos estava tentando consertar as coisas, de um certo modo.

- Ok, Sam. Deixa-me respirar fundo – e ficou bons 3 minutos lá, respirando fundo. – Você tem que falar com o Jack. E principalmente com o David.

- Seria ótimo se o David me escutasse! Ele não acredita em mim, Lucy.

- Está na cara porque não acredita...mas, Sam. Esse é o meu conselho. Ou então, você coloca uma saia curtinha, lê o meu manual de "Certo & Errado num encontro" e vai falar com ele. Você que escolhe.

- Lucy! – é por isso que eu às vezes detesto minha irmã. Parece que não há nada naquela cabecinha. E, quando eu for mudar o mundo, eu vou fazer uma lavagem cerebral nela.

A Lucy não foi bem a ajuda que eu queria, mas eu ia falar com o Jack e com o David. Não sei quando a coragem vai bater, mas quando isso acontecer, eu falo com os dois.

Realmente não bateu quando o Jack foi me visitar, no dia seguinte. Ele tentou me beijar, mas totalmente sem sucesso. Tipo, eu não conseguia beijá-lo. Não mesmo. Até que ele percebeu isso e desistiu. E, quando ele foi me levar para o ateliê da Susan, resolveu conservar comigo. E eu estava certa de que dali não ia sair boa coisa.

- Sam, seja sincera comigo – o Jack estava olhando bem fundo nos meus olhos, como nunca olhou. E eu sentia aqueles olhos perfurando o meu corpo. E fiquei vermelha, muito mesmo. – O que você realmente sente por mim?

- Jack... eu...vou ser bem sincera. – foi a minha vez de encará-lo. E eu mesma fiquei surpresa com isso, quando percebi que estava olhando pros olhos dele. – Eu e o David terminamos. Eu só estava um pouco fora de mim quando fiz aquilo tudo...

- Aquilo tudo o quê?

- Hmmm...falar com você, sabe como é, sobre namoro. – e agora eu já não conseguia encará-lo como antes. Um sentimento de estar caindo no vazio tomou conta de mim. E eu estava com vontade de chorar. Mas me controlei para isso não acontecer.

- Então, você não gosta de mim? É isso, Samantha? – ele estava começando a gritar. E, não, isso não era nada bom.

- Jack, olha, se acalma, cara! Gritando, você não vai resolver nada.

- Eu estou calmo! Eu estou...calmo.

- Jack, eu sei que você ainda ama a Lucy e se precipitou comigo. Vamos, caia na real!

- Eu...eu gosto de você. – Jack parecia bastante confuso. Bom,e quem não estaria com tudo isso acontecendo?

- Mas ama a Lucy, não é isso? Jack, vamos dar um tempo nisso tudo. Que tal você pensar melhor nos seus sentimentos? Depois nós conversamos. Que tal?

- Hmmm...ok. Tchau, Sam. – Ele foi embora e eu, entrei no ateliê.

O David estava lá. E eu senti o meu coração disparar quando o vi. Esse frisson um dia ainda me deixa maluca. E ele estava tão bonito... com a mesma camiseta que eu o conheci, da Save Ferris, uma calça preta e um coturno.

Mas, eu nem consegui me concentrar muito no meu desenho (dessa vez, estávamos desenhando algumas frutas. E, tinha um abacaxi. Só de me lembrar do Negócio do Abacaxi, como o David chama, eu já fico vermelha) porque eu estava pensando em como a minha vida é uma bagunça e tals. E, por causa desses pensamentos, eu nem percebi que Joe, o corvo da Susan, estava se aproximando. E, quando eu menos esperava...

- AIIII!!! – doeu. Realmente doeu. Ele arrancou um chumaço do meu cabelo.

- Joseph! – a Susan eu belo gritinho – Desculpe, Sam. Depois de um ano ele continua a fazer essas coisas com você.

- A culpa foi minha... eu me esqueci de colocar o capacete que... – olhei bem para o David, que pareceu que nem se abalar com a situação. – o David me deu. – e nem eu falando o nome dele David me olhava. Por isso, sentei e voltei para o meu desenho.

No final da aula, eu sai correndo para alcançar o David.

- David! Me escuta...

- Escutar você falar o que, Samantha? – ele parecia bastante frio. Aliás, ele estava bastante frio comigo. – Você está com o Jack, eu sei.

- Mas eu não amo o Jack!! – eu comecei a chorar. E, quando eu percebi, não tinha mais jeito, porque já estava chorando feito um bebê. – Eu amo você, David! É com você que eu quero ficar! Quantas vezes preciso dizer isso?

- Samantha, eu não quero ouvir nada de você. E, com licença, eu estou indo embora. Até mais.

É, ele me deixou ali na calçada, plantada, chorando. Acho que só os idiotas como eu são capazes de fazer uma burrada dessas. Por isso, depois de me recuperar, eu fui para casa. E fui direto para o MSN. Conversar com alguém, sabe.

Jack diz:

Sam... eu estava pensando bem. Mas, sei lá, parece que eu não cheguei a nenhuma conclusão.

Sam diz:

Eu cheguei. Eu e você seremos apenas bons amigos, como antes. Eu sei que você ainda ama a Lucy.

Jack diz:

Meu Deus! Nem eu sei disso!

Sam diz:

Pára de brincadeira, Jack. É lógico que ama. E não tente me convencer do contrário.

Jack diz:

E você com o primeiro-filho?

Sam diz:

Nada.Nós acabamos. E nunca mais nos falamos, oras. Aliás, eu tentei falar com ele, mas ele não quer me ouvir. Não posso fazer mais nada. Nada mesmo.

Jack diz:

Eu só te desejo boa-sorte com ele. Já que você está tentando me convencer de que eu não gosto mesmo de você...

Sam diz:

Só como amiga você gosta de mim. E, boa-sorte com a Lucy.

Jack diz:

Irei precisar. E você também, como primeiro-filho.

Sam diz:

Eu não vou mais falar com ele, Jack. Que coisa!

Jack diz:

Ok,ok.

E eu não ia falar mais com o David mesmo. Eu estava decidida a não fazer isso. Mesmo que eu fique de coração partido, como fiquei no ano passado. Mas, no ano passado, eu que tinha magoado o David. E, desta vez, foi o David quem quis terminar o namoro. Eu já disse 3 vezes que eu o amo, ele que não acredita. Então, não posso fazer mais nada. A não ser me conformar com a nova condição de solteira.

E, enquanto eu estava lá no meu quarto, pensando nisso e tentando desenhar um retrato realmente bom do David, a Lucy deu um berro lá do quarto dela.

- Lucy! O que aconteceu? – eu cheguei correndo. Tipo, poderia ser um ladrão,um estuprador ou algo do gênero.

- O...Jack...ele...hmm...

- Fala logo, criatura! – eu fico muito irritada quando falam devagar desse jeito.

- Ele quer voltar a namorar comigo!! – ela estava vibrando. E até que eu fiquei feliz por ela.

- Que bom, Lucy. Você aceitou?

- Lógico! Eu ainda amo o Jack! – e fazia coraçõezinhos no ar, com os dedos.

E eu me senti bem aliviada. Tipo, o Jack realmente caiu na real. E eu queria que o David fizesse o mesmo.