Loucura, por Elyon Somniare

Capítulo IV – O Conselho de Dorú Areaba

Uma cama. Macia, quente. Agradável. Reconfortante. Soavam vozes ao seu redor. Não conseguia perceber o que diziam, não conseguia... Um esforço, um pouco mais de esforço e...

- Mortos, todos eles – murmurava uma voz de cana rachada. – Teremos de esperar que ele acorde para saber o que aconteceu.

- Nós sabemos o que aconteceu – resmungou outra voz, esta um pouco estridente. – Deixaram-se matar por Urgals. Eram tão promissores...

A dor atingiu-o. Recordou. Gareth... e os outros... jazendo, para sempre adormecidos, naquele túmulo de neve... Rodeados por Urgals... Vingados... Para quê?

- Com certeza que isso tem uma qualquer explicação – retorquiu a voz de cana rachada. – Um Cavaleiro nunca se deixa apanhar despreveni...

- Um Cavaleiro não passa de um humano ou elfo – interrompeu uma terceira voz. Firme, sábia, segura... – Tem também os seus momentos de fraqueza. Não é perfeito. E nos últimos tempos tem vindo a cometer o erro de julgar sê-lo.

Como? Como ousava ele dizer aquilo? Um Cavaleiro é o topo, é tudo aquilo que qualquer um desejava ser, é o supremo dos supremos... e ele... Ele não seria mais um... a não ser... um novo Dragão... o merecido novo dragão... Negro.

- Francamente, Oromis – repreendeu a voz estridente. – Não me parece boa altura para...

Abriu os olhos. Precisava de saber onde estava. Não era, com certeza, a aldeola de que lembrara. Não era. E aqueles que agora o observavam não eram, também, a gente rude de uma aldeia.

- Galbatorix – suspirou a voz de cana rachada. O ex-aprendiz reconheceu as três pessoas que ali se encontravam. Cassandra, da voz rachada, segunda na hierarquia dos Cavaleiros. Julian, da voz estridente, Cavaleiro curandeiro. Oromis, da voz firme e segura, Ancião do Conselho.

- On... onde estou?

- No que chamaria a Casa de Tratamento de Dorú Areaba, Vroengard – respondeu prontamente Julian. – Quando nem tu nem os teus companheiros regressaram do reconhecimento, mandamos uma equipa de busca. Os aldeões de uma aldeia próxima da Floresta onde se deu a tragédia avisaram-nos que te encontravas ali, inconsciente há já vários dias. Depois disso, encontramos os corpos. Lamento.

- Terás de ser levado a Conselho – continuou Oromis. – Perguntas-te com certeza qual o propósito de Cassandra e eu nos encontrarmos aqui? Este é um caso lamentável de falha dos Cavaleiros. É mais importante do que parece, uma vez que isto pode ser o começo de uma queda por...

- Oromis – interrompeu Cassandra. – Não sejas demasiado negro e pessimista.

- Perdoa-me, Cassandra, mas não há outra maneira de dizer isto. Mesmo Vrael teme que os Cavaleiros tenham começado a confiar demais nas suas capacidades. O que aconteceu, meu rapaz – continuou, dirigindo-se novamente a Galbatorix -, é que julgamos que tu e os teus companheiros foram negligentes e demasiado confiantes. Precisamos de ouvir a tua versão. Tememos que seja o começo de um desastre e é preciso corrigir eventuais erros.

Galbatorix não respondeu, os olhos desfocados, fixos em um qualquer ponto no tecto. Que estava o Ancião a dizer? Negligência? Demasiada confiança? Uma queda? Se estivesse em condições rir-se-ia daquela corrente de tretas e baboseiras. Como poderia alguma vez um Cavaleiro ser negligente ou demasiado confiante? Como poderiam sequer temer uma eventual queda? Ter-se-iam esquecido da perfeição dos Cavaleiros? Dos cuidadosos treinos para que fossem os melhores entre os melhores? Dos seus feitos extraordinários e heróicos? Queda dos Cavaleiros... ideia mais bizarra. Oromis voltara a falar. Não escutara o princípio do retorno do seu discurso.

-... e assim que Julian nos disser que estás em condições serás chamado ao Conselho.

Ao Conselho? Sim. Era óbvio que sim. Precisava de apresentar o pedido sobre o seu novo dragão.

----------------------------------------------------------------------------------------------------

- Cavaleiro Galbatorix. – A voz de Vrael soou pelas enormes paredes ovais do Conselho. Ao vê-lo, ali, de pé e imponente, a mão aparentemente descansado sobre o tampo de madeira da mesa de Chefe do conselho e com Eridor, o seu imponente dragão prateado, por trás de si, era obvia a razão porque chegara a líder dos Cavaleiros. Galbatorix, que se entretivera a observar o tecto aberto do Conselho, não conseguiu impedir que os olhos se dirigissem ao encontro dos do líder. – Foste chamado a Conselho – continuou Vrael – para relatares a tua viajem de reconhecimento e seres, em seguida, julgado pelos teus erros.

Um murmúrio de aprovação percorreu o Conselho. Um Cavaleiro que perdera o seu Dragão tão jovem era digno de piedade. Mas... que piedade, ou pena, aquele Cavaleiro poderia pedir para si? Firme e erecto, a figura magra de Galbatorix parecia repelir qualquer um desses sentimentos, como se ter tal coisa dirigida à sua pessoa lhe causasse náuseas.

- Sofremos um ataque de um bando de Urgals quando Cáspian se encontrava de guarda – explicou Galbatorix. A voz, desprovida de emoções soava fria e cortante. Alguns Anciãos não puderam deixar de suster a respiração. Poderia o rapaz ter...? Não, não era possível.

- Não gosto disto – murmurou Eridor. – Ele não está bem.

- Concordo contigo, mas por agora não podemos fazer senão seguir a conduta – retorquiu Vrael. – Também julgas que ele está...?

- Tenho a certeza.

- O Cavaleiro Cáspian fazia a vigia sozinho? – Continuou Vrael. – E o seu Dragão? É contra as regras de segurança...

- Siena começou a vigia com ele – interrompeu Galbatorix. A sua falta de educação ao interromper o líder e um Ancião não deixou de chocar o Conselho. Dragões e Cavaleiros cada vez mais julgavam estar certos na sua desconfiança. – Suponho que deve ter adormecido entretanto. Senhor, Anciãos, Conselho. Não há necessidade disto. Todos sabemos o que passou. Gareth, Siena, Cáspian, Balin e Gwydion morreram todos. Trespassados pelos Urgals. Não é necessário que eu esteja a relatar o que aconteceu ao Concelho algo que ele já saiba. Anciãos, passo à fase seguinte. Não vim aqui para vos dizer o que já sabeis mas sim para pedir um novo Dragão.

O silêncio frio e chocante que se seguiu ao discurso de Galbatorix foi preenchido por uma série de murmúrios de pensamentos trocados, dando a ideia de que uma colmeia de abelhas em fúria se tinha ido juntar ao Conselho.

- Era o que eu temia – suspirou Eridor. Vrael não respondeu. Partilhavam ambos da mesma opinião.

- Sou um Cavaleiro – continuou Galbatorix, como se na sua loucura não se apercebesse do precipício em cuja berma se encontrava. – O melhor dos da minha geração. Uma promessa de grande estirpe. O meu Dragão... Gareth... – hesitou, antes de continuar no mesmo tom firme, frio e de quem não aceita recusas de qualquer parte – morreu. Como Cavaleiro que sou, necessito de outro Dragão. Exijo que me seja concebido um novo Dragão.

A fúria e o choque deu lugar ao horror. O que era já uma desconfiança para a maioria do Conselho tornou-se numa evidência. Uma verdade terrível e intragável. Impossível de escapar.

- Louco! – exclamou um Ancião.

- Demente! – berrou um outro.

- Anciãos, Anciãos – gritou Oromis. – Acalmem-se, por favor.

- Um pedido difícil – comentou Glaedr.

- Um pedido razoável – respondeu o Elfo.

- Um novo Dragão... um novo Dragão... é loucura... loucura... – murmurava Cassandra. – Como pode... como...?

- Sempre foi o teu preferido – comentou Miremel, a Dragão que era sua companheira. – Uma desilusão.

- Não esperava isto dele.

- Ninguém esperava.

- O grau da sua demência foi finalmente revelado e agora vemo-lo tal como ele é – murmurou Vrael.

- Assim é – respondeu Eridor. – Temo o que seguirá.

- Seguir-se-á o óbvio – resmungou Vrael. – Cavaleiro Galbatorix – continuou assim que o silêncio voltou a instalar-se. – O teu... "pedido" é recusado pelo Conselho. Tal atrocidade não deveria ser sequer mencionada.

Desta vez, foram murmúrios de aprovação que percorreram o Conselho de Anciãos. Apesar de tudo, alguns Dragões mantinham o ar apreensivo. Não lhes parecia que tal impetuosidade se acalmasse com meia dúzia de palavras.

- Julian acompanhar-te-á à Casa de Tratamento e por ti será responsável – concluiu Vrael. – O Conselho está encerrado.

- Mas não este assunto – completou sombriamente Eridor. Na sua fúria e desespero, Galbatorix pensava o mesmo. As suas esperanças não seriam tão levianamente negadas...

----------------------------------------------------------------------------------------------------

N/A: Enfim, o quarto capítulo e pelo que se percebe, o começo da vingança de Galbatorix. Acho que a esta altura, o pouco de bom que restava nele já se foi (buáááá, coitadinho do Gareth, nunca imaginei vir a gostar tanto dele, porque que tive de o matar?). Suponho que no próximo ele já irá colocar o seu plano maquiavélico em acção gargalhada malvada e maquiavélica. Bjs

Nuno: eh! Sempre vieste lê-a. Eheh, eu ainda vou ser melhor que o Paolini na sua própria historiaP (Brincadeira, cm se tal fosse poxivel... melhor k ele ou k a Rowling só em sonhos mt mt raros). Bjs

Ireth: Óptimo, cm já devo ter dito, tenho sp medo de não exprexar bem os sentimentos das personagens, deve ser pk eu não consigo exprexar mt bem os meus próprios sentimentos 8-). Bjs (PS: eu não tenho ido ver as tuas actualizações, sorry, uma falta de tempo a corrigir)

Lua Azul: Bem, a tua review não tá aki, mas cm ta no meu mail vai dar ao mm. Demorei, eu sei, mas já ca esta e é o k interexa, certo? Óptimo k so te falta 1 exame (e tens este tempo td pa estudar pa eleP). Boa sorte. Bjs