Notas Iniciais da Autora:
Mais um capítulo no ar!
Provas, trabalhos, concursos, apresentações, aulas, cursos... Nada está à nosso favor nos dias de hoje... Como muitos devem saber.
Esse capítulo volta a falar do Legolas, em Mirkwood. E não voltará tão cedo para Rivendell... Porque as coisas emocionantes continuarão acontecendo na Floresta Escura... Se é que me entendem! ; )
Observações: as linhas pontilhadas indicam mudança de tempo e local.
alguém descobriu o que as linhas de "x" indicam? Sonhos...
os ooo indicam Flashback (embora não tenha nenhum nesse capítulo).
os "x" entre parênteses indicam mudança de local. Somente de local. Mostrando assim, que a cena que vem depois acontece ao mesmo tempo que a anterior.
Entenderam, né?
Esse capítulo terá uma briga um pouco... Hum... Difícil de imaginar?
Porque terá ações pouco características de um certo personagem... Mas, espero que gostem!
Ah sim!
Mais duas coisinhas...
1 - Recebi perguntas pelo MSN sobre o tôr que uso como "irmão".
Respondendo-as: Sim! Tôr significa "irmão" em Sindarin. Mas é usado na poesia. É um modo poético. E é o que continuarei usando nessa fanfic.
Existem mais duas palavras que têm o mesmo significado: gwador e muindor.
Gwador- Irmão do coração.
Muindor - Irmão.
2 - Uma das falas do Legolas, onde ele implora para que Elrond cure-o, é retirada da Bíblia e foi modificada (por mim) para caber na fanfic. A frase está localizada na parte dos Salmos.
Vocês acharão muitas frases da Bíblia espalhadas pela minha fic. Gosto de usá-las... São profundas.
Agora... Fiquem com o terceiro capítulo...
Boa leitura!
Ps: Agradecimentos sempre no final do capítulo, certo?
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A Força da Amizade
O cavalo branco que levava o Lorde de Imladris corria pela floresta, desviando, com certa dificuldade, das grandes árvores que separavam Mirkwood do resto do mundo.
"Vamos mellon nîn! Agüente mais um pouco!" Implorou Elrond, ao ouvido do animal.
O corpo levemente levantado e inclinado na direção da cabeça do cavalo impulsionava o animal para frente, fazendo-o correr mais do que o possível. O Meio-Elfo sentia o cansaço do seu querido amigo e entendia. Desejava chegar ao palácio o mais rápido possível, para dar ao cavalo o descanso merecido e a Legolas os cuidados necessários.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, os portões se fizeram visíveis entre as grandes árvores. Elrond acelerou o passo do animal, que usou as últimas energias para chegar aos portões e parou a poucos passos da entrada, sem que o curador precisasse puxar as rédeas.
"Hannon le mellon nîn" Murmurou o elfo ao animal.
O cavalo levantou a cabeça e relinchou, orgulhoso por ter ajudado seu mestre.
"E agora... Vamos ajudar um certo elfo loiro!"
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Thranduil encarava o Lorde de Imladris com uma expressão extremamente séria, enquanto Therenil pulava alegremente em volta do elfo moreno.
"Graças a Iluvatar, Lorde Elrond! Graças a Iluvatar!"
Elrond sorria, divertido.
"Therenil! Você ainda não me deixou cumprimentar o rei!"
"Oh! Minhas sinceras desculpas, Lorde Elrond!" Apressou-se a dizer o curador, parando de pular imediatamente.
E um silêncio assustador caiu sobre o gabinete do rei das Florestas Escuras enquanto Elrond dava uns passos na direção de Thranduil.
"Pensei que não nos veríamos tão cedo, Thranduil!" Começou o Lorde de Imladris, colocando a mão na altura do coração e curvando-se numa respeitosa reverência.
A qual Thranduil não retribuiu.
"Quem me dera se fosse assim!" Respondeu o rei de Mirkwood, usando o tom mais frio que conseguiu.
Elrond respirou fundo e segurou uma risada. Conhecia muito bem Thranduil para se preocupar com o tom de voz que o rei usava para se dirigir a ele.
"Não mudou nada, não é Oropherion? Nem com a vida do seu filho em minhas mãos você aprende a agir como um rei, tratando-me com o respeito que eu sei que mereço!" Falou Elrond com uma calma invejável.
Thranduil ficou muito calado quando o impacto dessas palavras o atingiu. Ele abriu a boca duas ou três vezes, mas fechou-a rapidamente, sem achar as palavras certas para formar uma frase venenosa e mortífera que desmontasse o elfo á sua frente.
Ao perceber o constrangimento do rei de Mirkwood, Elrond limitou-se a dirigir-lhe um sorriso simpático, girando nos calcanhares para encarar Therenil, que observava a cena com os olhos arregalados e o queixo caído. E, nesse momento, o Lorde de Imladris deixou que a risada escapasse pelos seus lábios. Era óbvio que o curador nunca tinha viso eu rei ficar sem argumentos venenosos para responder a uma provocação, por mais que essa já fosse venenosa o bastante.
"Poderia me levar até o príncipe?" Perguntou Elrond, gentilmente.
Therenil continuou calado e olhou para Thranduil, como se esperasse permissão para fazer tal coisa. Mas o rei já tinha virado as costas para os dois curadores e observava alguns mapas que se encontravam sobre a mesa.
"Poderia...?" Repetiu Elrond.
"Ahn... Claro! Vamos..." Respondeu o curador, olhando do rei de Mirkwood ao Lorde de Imladris.
Assim que os dois elfos saíram do gabinete, Thranduil virou-se na direção em que eles estiveram instantes atrás. Encarou a porta com o coração disparado de raiva e o sangue circulando três vezes mais rápido que o normal. Como se já não bastasse ter que agüentar a presença, insuportável, de Elrond sob seu teto, ainda tinha que assistir seu orgulho sendo ferido pelas palavras, carregadas de veneno, do elfo moreno. Sem contar o fato de que agora, com Elrond no seu palácio, o ânimo de Legolas, seu filho, ia aumentar consideravelmente. O rapaz ia sorrir bem mais ao saber que aquele que considerava como um pai ia lhe fazer companhia todos os dias. Sorrir o sorriso que escondia quando ele, seu pai e rei de Mirkwood, o visitava. Ele escutava as risadas de Legolas, ouvia-o rir e brincar com Therenil. Parava junto à porta fechada do quarto do príncipe e encostava o ouvido nela, só para escutar as risadas que, como ele bem sabia, nunca lhe seriam diretamente dirigidas.
Sentiu os olhos arderem por causa das lágrimas de raiva, Uma raiva dirigida a Elrond, por humilhá-lo em seu próprio reino, a Legolas, por não abençoar seus dias com a música de suas risadas, e a si mesmo, por assustar o filho, fazendo-o tremer de medo e desespero diante da sua presença. Caminhou decidido até a porta, abriu-a e saiu do gabinete, fazendo questão de bater a porta com força. Correu pelo palácio sem olhar para os guardas que se espantavam ao ver o rei empurrá-los sem ao menos cumprimentar. Finalmente encontrou os dois curadores. Andavam rapidamente pelo corredor do quarto do príncipe, por sorte, na mesma direção que Thranduil andava. Sendo assim, o loiro elfo só podia ver suas costas. Mas os ouvidos élficos captavam as palavras:
"O que faz para acalmá-lo?"
"Uso drogas... Sedativos..."
"Mas isso pode piorar a situação dele!"
"Acha que eu não sei? Mas é a única coisa que funciona!" Irritou-se o curador de Mirkwood.
Pararam em frente à porta do quarto de Legolas.
"Vou entrar primeiro! Quero fazer uma surpresa para ele!" Sussurrou Therenil, empolgado e ansioso.
Elrond concordou com a cabeça, divertindo-se com o entusiasmo do curador.
"Vamos lá!"
E Thranduil assistiu, com o coração aos saltos, Therenil abrir a porta e entrar, enquanto Elrond aguardava, pacientemente, no corredor.
"Therenil!" Exclamou Legolas, abrindo um pequeno sorriso.
"Legolas, Legolas! Tudo bem, menino?"
"Oh, sim! Consigo sentir meu joelho novamente..." Brincou o rapaz, rindo.
"Legolas!" Repreendeu o curador, rindo também.
"Perdoe-me..." Desculpou-se o rapaz. Colocando um olhar suplicante muito convincente no rosto.
"Certo, certo! Trago boas notícias! Ótimas notícias, para dizer a verdade!"
Legolas estranhou, franzindo as sobrancelhas.
"Quais são?"
"Hum... Você tem uma visita! Muito importante..." Respondeu Therenil, fazendo suspense.
E Legolas sentiu o corpo inteiro gelar ao imaginar quem poderia ser tal visita. Seu pai? Seria ele? Afinal, o rei não entrava naquele quarto desde que tinha perguntado sobre a patrulha ao príncipe.
"Quer vê-lo?" Perguntou o curador.
Legolas respirou fundo e acenou positivamente com a cabeça.
Assistiu, aterrorizado, Therenil dar dois passos para o lado, dando passagem à visita.
"Olá Legolas!" Cumprimentou a voz tão conhecida e adorada.
"Lorde Elrond!" Exclamou o príncipe, abrindo um sorriso radiante. O coração se encheu de diversos sentimentos: felicidade, decepção, tristeza, esperança...
"Senti sua falta, garoto! Pensei que não nos veríamos tão cedo!" Riu o elfo moreno, aproximando-se de vagar e sentando-se na cama, ao lado do arqueiro.
Therenil sorriu, fechando a porta e sentando-se do outro lado da cama do rapaz.
"Puxa Therenil! Você não poderia aparecer com uma surpresa melhor que essa!"
E os dois curadores assistiram, emocionados, lágrimas de alegria inundarem os olhos azuis do arqueiro. Ele, rapidamente, levantou-se, ignorando as dores, as recomendações e jogou os braços em volta do elfo moreno, que ficou momentaneamente sem ação, para enfim retribuir o abraço.
"Obrigado por vir, Lorde Elrond! O senhor é a única pessoa que pode me ajudar a enfrentar os desafios que a vida me oferece. O senhor é o único que pode trazer a calma de volta ao meu espírito!" Soluçou o menino, apoiando a cabeça no ombro de Elrond.
E, do outro lado da porta, as palavras do arqueiro de Lasgalen atravessaram os ouvidos de Thranduil como flechas de fogo. Feriram seu espírito, seu orgulho, sua esperança e confundiram seu mundo. Causaram um impacto tão grande, que o rei se viu obrigado a recuar alguns passos, as lágrimas de raiva, ira, ódio e tristeza queimando-lhe os olhos. Foi quando as novas palavras do príncipe chegaram aos seus ouvidos, ainda entrecortadas pelos soluços:
"Cura-me, Lorde Elrond! Cura-me, pois meus ossos tremem. Todo o meu ser estremece... Sinto-me esgotado de tanto gemer e soluçar, de noite eu choro nessa cama, banhando meu leito com lágrimas de angustia. Meus olhos se derretem de dor, meu senhor, meus olhos se recusam a enxergar diante de tanta agonia..."
O tom suplicante de Legolas feriu, não só o coração de Thranduil, mas os corações de Elrond e Therenil também. Os dois curadores se olharam, extremamente preocupados e angustiados. Enquanto Thranduil, parado no corredor apertava, com a mão esquerda, o peito na altura do coração, como se quisesse evitar uma grande dor.
"Criança... Pare..." Pediu Elrond, recuperando a voz que havia sumido.
"Só queria saber o que fiz para merecer isso..."
"Você não fez nada, criança..."
"Então porque eu?" Explodiu Legolas, chorando desesperadamente, agarrando-se às vestes de Elrond como se tivesse medo do que poderia acontecer se o soltasse.
'Tudo é motivo para fazê-lo chorar... Tudo o desespera... '
"Se a vida quer me deixar, que me deixe agora! Eu quero morrer Lorde Elrond... Quero sumir desse mundo..." Soluçava o garoto.
'A situação fugiu do meu controle... '
"Não diga isso, Legolas! Há tantos nesse mundo que te querem tão bem...!" A voz de Therenil saiu aguda e desesperada.
'... Totalmente!'
"Morrer... Eu quero morrer! Matem-me!" Gritava Legolas.
O rapaz soltou Elrond e se encolheu a cabeceira da cama, abraçando os joelhos dobrados e começando a tremer.
"Elrond..." Suplicou Therenil.
O Lorde de Imladris respirou fundo, sentido o coração doer diante de tanta angustia. Porque os bons são os mais afetados pelas maldades do mundo?
"Use-as, Therenil... No momento é a melhor coisa para fazer...".
Therenil concordou com a caneca e saltou da cama, correndo até as ervas que havia trazido e separando algumas, misturando-as com água.
"Legolas... Eu ficarei com você, menino! Não estará sozinho..." Murmurou Elrond, tentando acalmar o arqueiro.
Mas o loiro elfo continuou a tremer descontroladamente, enquanto as lágrimas escorriam sem piedade pelo seu rosto.
"Pronto!" Exclamou Therenil, enquanto voltava correndo a cama. Aproximou-se de Legolas e segurou sua cabeça delicadamente, forçando-o a beber a mistura de ervas.
"Beba Legolas! Vai ser melhor..." Encorajou o elfo moreno.
Legolas lançou um olhar rápido para Elrond após ouvir suas palavras e acenou positivamente com a cabeça, ainda tremendo descontroladamente. Entreabriu os lábios e deixou que o líquido deslizasse pela garganta.
"Agora deite e relaxe!" Ordenou Therenil.
Elrond ajudou o elfo loiro a acomodar-se na cama, enquanto acariciava os longos cabelos dourados, tentando passar segurança.
"Está tudo bem, Cunn (príncipe). Estou aqui, com você!" Murmurou, novamente, Elrond.
Quando a frase de Elrond chegou aos seus ouvidos, a palavra escapou dos lábios de Legolas como um desejo, uma necessidade:
"Ada..."
E, finalmente, Elrond entendeu o motivo de toda a dor, toda a angustia e todo o sofrimento do arqueiro de Lasgalen.
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"Deixe-me vê-lo!"
O gritou ecoou por todo o palácio. O dono da voz se debatia nos braços de dois guardas, que o seguravam com força pela cintura.
"Quantos indesejáveis ainda vão aparecer por aqui?" Praguejou Thranduil, observando a figura, que se debatia nos braços dos elfos, com um sorriso satisfeito nos lábios.
"Deixe-me vê-lo!" Repetiu o humano.
Os olhos do rei se estreitaram, ele chegou perto do humano e aproximou seus rostos até ficarem a poucos centímetros de distância.
"Não – me – dê – ordens..." Falou, pausadamente.
Aragorn enfrentou o olhar esmeralda do rei sem se intimidar.
"Porque não me deixa vê-lo?" Perguntou, enfim.
"Porque não quero o príncipe se metendo com gente como... você!"
"Oh, sim!" Ironizou Aragorn. " 'Eu não vou deixar meu filho querido se aproximar de pessoas como você, Aragorn, filho de Arathorn!' " Falou o humano, fazendo uma imitação avacalhada do rei de Mirkwood. "Agora eu vejo porque Legolas te odeia!"
Aragorn desejou que Thranduil caísse na armadilha. Já estava cansado de ouvir Elrond dizer que Thranduil amava o filho à sua maneira e também já estava cansado de ouvir Legolas dizer o quanto amava o pai, e como não era correspondido. Mas Thranduil não sabia de nada disso, sabia?
E o desejo de Estel se tornou real. O sorriso satisfeito e debochado de Thranduil desapareceu imediatamente, sendo substituído por uma expressão que Aragorn reconheceu como culpa ou tristeza. Tinha atingido o rei com suas palavras.
"Porque quer vê-lo? Não pode ajudá-lo!"
"Posso..."
"Como?"
"Você não tem amigos?" Indagou Estel, finalmente parando de se debater.
"Não responda uma pergunta com outra, humano!" Rosnou Thranduil.
Aragorn revirou os olhos, irritado e impaciente.
"A amizade é uma das maiores forças do mundo! Nada pode derrubar uma barreira criada por esse sentimento! Thranduil... Eu conheço Legolas a muito mais tempo do que imagina! E... Mesmo que eu não possa ajudar, quero estar com ele! Não posso abandoná-lo agora, quando precisa de mim! Não posso, simplesmente, virar as costas e agir como se nada estivesse acontecendo! Sinto muito, mas não vou obedecer se me mandar embora de Mirkwood, não vou abandonar Legolas! Não vou!"
E terminando de dizer isso, investiu novamente na direção do palácio. Dessa vez, porém, os guardas não o seguraram. Cambaleou por ter investido com força e por não ter sido segurado, caindo de joelhos a poucos passos do rei. Confuso, olhou para cima, com a intenção de encontrar os olhos verdes de Thranduil, mas o elfo encarava o chão à sua esquerda, lado oposto de onde Aragorn encontrava-se.
"Deixarei que veja o príncipe... Mas terá tempo limitado para fazer isso".
Aragorn levantou-se, sorrindo. Procurou o olhar do rei para agradecer, mas Thranduil ainda evitava olhar para ele. Talvez estivesse envergonhado por deixar que Aragorn visitasse Legolas, talvez estivesse desconcertado pelas palavras do humano ou, talvez, só evitasse encará-lo para não se arrepender da decisão.
"Obrigado..." Agradeceu Estel, curvando-se numa respeitosa reverência.
"Suba as escadas, vire a esquerda... O quarto do príncipe é a terceira porta à direita..." A voz saiu num sussurro, mas o humano ouviu.
Com outro sorriso, Aragorn viu Thranduil dar alguns passos para o lado. Acenou levemente com a cabeça, antes de sair correndo em direção ao palácio, deixando, para trás, um perturbado rei.
"Vá Aragorn, filho de Arathorn, e salve meu filho com essa força que vocês chamam de amizade..." Murmurou Thranduil, observando o humano desaparecer dentro do palácio.
(XxXxX)
Legolas abriu os olhos lentamente e olhou em volta. Estava no seu quarto, mas não sozinho. Perto da janela, de costas para ele pode reconhecer os cabelos longos e castanhos de Elrond. Sorriu e respirou fundo, deixando que a voz saísse fraca e cansada.
"Lorde Elrond..."
O elfo moreno virou o corpo imediatamente, abrindo um lardo sorriso ao ver Legolas sentar-se na cama.
"Legolas! Que bom que acordou!"
"Quanto tempo eu dormi?"
"Muito pouco... Pensei que as ervas fariam você dormir por muito mais tempo!"
Legolas soltou um riso fraco, que fez o sorriso do Lorde de Imladris aumentar. O arqueiro abriu a boca para responder, mas batidas fortes e insistentes na porta, fizeram os dois elfos olharem, intrigados, para o lado.
"Quem será?" Perguntou Legolas, estranhando.
"Legolas?" A voz gritou como resposta.
O elfo loiro não reconheceu o tom grave da voz. Mas Elrond, sim. O curador fechou os olhos, recusando-se a acreditar, enquanto caminhava até a porta. Abriu os olhos no mesmo instante em que abriu a porta. E viu a única pessoa que não poderia estar ali: Estel. O primeiro impulso que teve foi o de fechar a porta na cara do humano e agir como se nada tivesse acontecido. Mas não teve coragem. Aquele humano era como um filho para ele. Sem contar que o modo como arfava e os vários arranhões que tinha no rosto e nas mãos, mostrava que tinha sofrido para chegar onde estava. Pensando nisso, Elrond só conseguiu murmurar:
"Elbereth"
"Perdão, ada."
E Legolas arregalou os olhos quando o tom suplicante da voz chegou aos seus ouvidos. Como não tinha reconhecido antes a voz do seu melhor amigo?
"Estel?"
A voz do elfo saiu fraca e insegura. Abafada pelas emoções que sentia, mas alta o suficiente para que os outros dois escutassem. Elrond deu alguns passos para trás, dando espaço para que um agitado Estel entrasse.
"Legolas!" Gritou o humano, localizando o amigo.
"Estel! Mellon nîn!" Exclamou o arqueiro, abrindo os braços.
Aragorn entendeu imediatamente o que Legolas queria. E não hesitou um instante. Correu até a cama e jogou-se nos braços abertos do elfo, soluçando. Sentiu que o arqueiro o abraçava delicadamente e retribuiu, rodeando a cintura de Legolas com força, como se tivesse medo que ele fugisse ou, simplesmente, desaparecesse.
"Legolas! Meu amigo! Mellon nîn! Querido... Que susto que você me deu!" Soluçou o humano, apoiando a cabeça no ombro do elfo.
"Desculpe..." Falou Legolas, rindo.
"Vou deixar vocês conversarem... Depois quero falar com você, Estel" Avisou Lorde Elrond, parando junto à porta e lançando ao humano um olhar sério.
Aragorn acenou, positivamente, com a cabeça, sem ter coragem para encarar o Lorde de Imladris, mantendo-a apoiada no ombro de Legolas.
Elrond suspirou, cansado, e saiu do quarto fechando a porta atrás de si.
O elfo e o humano esperaram alguns momentos, para garantir que Elrond não os escutaria. Quando acharam que o Meio-Elfo já estava longa, soltaram-se. E então Aragorn pode ver como Legolas estava abatido. A pele, já pálida, do elfo, estava sem cor e sem brilho. Os cabelos loiros compridos estavam soltos e sem brilho também, fazendo um contraste assustador e fantasmagórico com a pele. Sim! Fantasmagórico! Legolas parecia um fantasma! E as roupas brancas e leves que ele usava não ajudavam sua aparência a melhorar.
"Como entrou no palácio? Os guardas não te viram?" Perguntou Legolas, ansioso.
"Thranduil me deixou entrar" Esclareceu o humano, despreocupado.
"O QUÊ?" Gritou Legolas, agarrando Aragorn pela gola das vestes com força e aproximando seus rostos perigosamente. Os olhos azuis arregalados e o coração pulando no peito.
"Thranduil... Seu pai... O rei... Permitiu que eu viesse vê-lo..." Gaguejou o humano, arregalando os olhos, assustado com a ação do elfo.
"Como?" Perguntou Legolas, sem soltar Aragorn.
"Como o que?"
"Como ele deixou você entrar?" Repetiu, elevando a voz, segurando Aragorn com mais força e aproximando ainda mais seus rostos, ao que Aragorn recuou, impedindo que colidissem.
"Acalme-se Legolas!" Pediu Aragorn, assustado.
"Responda Aragorn!" Ordenou Legolas, impaciente.
"Eu... Eu não sei! Eu falei alguma coisa sobre não te abandonar agora, quando precisa de mim! Falei sobre a força da amizade, que por acaso eu acho que seu pai não conhece, falei que iria desobedecer se ele me mandasse sumir de Mirkwood, falei que nada venceria a barreira que nossa amizade pode criar, falei que não conseguiria, e não iria simplesmente virar as costas como se nada estivesse acontecendo... Falei que queria estar com você durante essa batalha, durante mais uma batalha... E ele deixou eu te ver! E eu estou feliz por isso! Mas tenho tempo limitado para ficar entre essas paredes! Daria tudo e mais um pouco para poder ficar aqui o tempo que eu quisesse! Daria tudo e mais um pouco para estar deitado nessa cama, no seu lugar... Só para poder vê-lo rir, sorrir, cantar..." E novas lágrimas rolaram dos olhos do humano. "Só para poder rever o Legolas que eu conheci a anos... O Legolas que iluminava os caminhos escuros pelos quais eu era, e ainda sou, obrigado a passar... O Legolas que, com sua Luz, espantava, e ainda espanta, as Trevas da minha vida..."
E Legolas sentiu seus olhos de transformarem em rios de alegria e, quem sabe, um pouco de tristeza, profundamente tocado pelas palavras de Aragorn.
"Estel..." Começou o elfo, enxugando as lágrimas do amigo com delicadeza, enquanto sentia as próprias lágrimas escorregando, sem piedade, pelo rosto.
"Não, mellon nîn... Não chore... Já bastam as minhas lágrimas..." Falou o humano, tirando as lágrimas do belo rosto élfico. Legolas soltou uma risada fraca, mas divertida, com o comentário.
"Fiquei emocionado, mellon nîn. E estou me sentindo culpado... Culpado por ser o motivo de tanto sofrimento..." Esclareceu o loiro, limpando novas lágrimas que brotavam dos olhos verdes e profundos do humano.
O sangue de Aragorn gelou. O sofrimento que sentia estava tão óbvio assim? Não! Não podia fazer Legolas sentir-se culpado por algo que ele não tinha como provar se era verdade, mesmo que fosse.
"Que sofrimento, Legolas?" Perguntou enfim, tentando disfarçar.
"O que vejo em seus olhos..."
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Elrond estava encostado na parede do gabinete de Thranduil. Encarava, com uma expressão assustadoramente séria, o humano que se encolhia numa das cadeiras do outro lado da grande sala. Um silêncio estranho se instalara no lugar, deixando o clima ainda mais pesado.
Thranduil estava sentado em outra cadeira, encostada na parede no fundo do gabinete, lado oposto da porta. A grande mesa à sua frente continha apenas alguns documentos velhos, uma pena e um tinteiro. À sua direita, Elrond não parava de encarar o humano, que estava à esquerda do rei e que fitava o chão, sem coragem para encarar o olhar penetrante do elfo moreno. Thranduil olhava de um para o outro, esperando que alguém começasse a falar, explicando primeiramente, o porquê de ele estar presenciando um momento tão 'legal' entre pai e filho. Mas como ninguém realizou a ação esperada, o próprio rei abriu a boca para começar o interrogatório. Mas foi ligeiramente interrompido.
"Então?" Começou a voz profunda de Elrond. "Satisfeito com o que viu?"
Estel não respondeu. Fechou os olhos com força. A voz de Elrond não tinha o tom calmo e delicado que parecia nunca abandoná-lo. Pelo contrário, era fria, irritada, insatisfeita. Mais um silêncio caiu sobre a sala enquanto o humano tentava juntar as palavras que conhecia para formar a frase que desejava falar. Mas essa junção de palavras demorou um bom tempo. Tempo o bastante para fazer Thranduil reabrir a boca. Mas Elrond, mais uma vez, foi mais rápido.
"Responda!" Rosnou.
Os dois elfos puderam ver Aragorn tremer na cadeira. Nunca tinha ouvido Elrond dirigir-se a ele com esse tom de voz. Era uma novidade um tanto quanto... Desagradável.
"Eu... Eu não teria vindo se você não tivesse pedido para Elladan esconder a carta!" Gaguejou o humano, finalmente.
E, mais uma vez, o silêncio caiu sobre aquela sala, irritando profundamente o já irritado Thranduil. Ele olhou para Elrond, esperando que o elfo respondesse. Mas o Lorde de Imladris estava surpreso com as palavras do humano. As sobrancelhas franzidas e a interrogação estampada na face mostravam que não iria falar tão cedo. O rei de Mirkwood respirou fundo e abriu a boca pela terceira vez.
"Elladan escondeu a carta?" Perguntou Elrond.
Os olhos do rei encheram-se de raiva e ele lançou um olhar mortal ao elfo moreno. Que não só ignorou o olhar, como pareceu nem notá-lo. Estava ocupado demais fulminando a imagem de Elladan que se formava em sua cabeça. Então, o filho tinha desobedecido a sua ordem? Escondera a carta de Estel! Teria que ter uma conversa muito séria com ele quando voltasse.
"Sim! Ele escondeu! Disse-me que o senhor tinha recebido uma carta do Lorde Celeborn. E que não era nada grave..." Concordou o humano, atrevendo-se a encarar o olhar de Elrond.
O olhar profundo de Elrond fixou-se no olhar tímido e envergonhado de Estel.
"E porque você veio? Não bastava saber que eu estaria aqui?" Indagou o Meio-Elfo.
"Ada...! Legolas é meu amigo!" Exclamou Aragorn.
"Então vamos arriscar nossas vidas! Vamos atravessar a Terra Média inteira num maldito cavalo! Vamos chegar a Mirkwood de qualquer maneira! Vamos desobedecer à ordem de sumir daqui e nos arriscar a ter a cabeça cortada por um rei que não aceita desobediência! Vamos visitar Legolas e vê-lo sofrer só para sofrer também! Vamos nos encolher em malditas cadeiras de madeira por causa de um olhar penetrante de um elfo! Vamos! Vamos!"
O tom de voz de Elrond foi alto e potente. Não chegou a ser um grito, mas não foi uma fala normal. O elfo estava irritado e tentava se controlar. Estel sabia disso.
"Eu fiz tudo isso que você disse, sim! E faria de novo! Porque é por um amigo! Não faz sentido você querer que eu fique enfurnado num quarto, muito bem de saúde, enquanto meu melhor amigo está enfurnado em outro, quase morrendo!" Explodiu Estel, levantando-se da cadeira.
"E quem aqui disse que você ficaria enfurnado num maldito quarto daquele maldito palácio?" Indagou Elrond, dando alguns passos para frente.
"Eu estou dizendo! Pois é exatamente o que eu faria! Acha que poderia correr pelos jardins de Rivendell e sorrir para Arwen, Elrohir, Elladan ou qualquer outro inútil que passasse pelo meu caminho, sabendo que meu melhor amigo está desfalecendo?" Gritou Aragorn, fazendo a única coisa que nunca imaginou fazer: gritar com Elrond.
"Não grite comigo, Aragorn!" Falou Elrond, em tom de aviso.
Ouvir seu nome verdadeiro sendo pronunciado por aquele que considerava como um pai feriu o coração de Aragorn profundamente. O tom de voz que Elrond usou também não ajudou muito. Perigosamente baixa, a voz do elfo moreno deixou claro que ele estava profundamente insatisfeito com a situação.
"Desde que não pense que pode controlar o que faço ou deixo de fazer!" Devolveu Aragorn, sem parar de gritar.
"Se quero controlar essas duas coisas, é porque me importo com você, humano ingrato!"
E finalmente a paciência de Elrond o abandonou. E Estel percebeu isso por dois motivos: o elfo gritava e o tinha chamado de 'humano'. Duas coisas que ele, realmente, nunca tinha visto o Lorde de Imladris fazer. Sentiu-se profundamente triste e ferido pelas palavras venenosas do elfo moreno. Aquele elfo que tinha dado a ele o carinho de um pai, o amor de um pai, a proteção que só um pai pode dar, agora estava encarando-o de maneira intimidadora, gritando com ele. Lágrimas escorreram pelos olhos tristes de Estel, enquanto ele soltava outra frase venenosa em cima do elfo.
"Pois poderia demonstrar isso de outras maneiras!" Soluçou, elevando ainda mais o tom de voz.
"E que outras maneiras sugere?" Perguntou Elrond, elevando a voz também.
"Parando de querer ter poder sobre minhas ações!"
"Posso abandoná-lo se quiser! Garanto que voltará para Rivendell, se arrastando, dentro de pouco tempo!"
"Tenho um reino para governar, sabia? Não dependo mais da sua boa vontade!"
"Ótimo! Então parta para seu reino e não apareça mais em Rivendell!"
"Eu acho que..." Começou Thranduil, finalmente se irritando com a gritaria dentro do seu gabinete.
"Não se meta!" Gritaram os outros dois ao mesmo tempo, guiando os olhares assassinos ao rei de Mirkwood.
O queixo de Thranduil caiu e os olhos arregalaram-se. Escutara bem? Um Meio-Elfo e um humano, ambos de Rivendell, o tinham mandado, praticamente, ficar quieto? Dentro do seu próprio reino? Dentro do seu próprio gabinete?
"Quem os dois seres diminutos pensam que são para mandar eu não me meter num assunto que está sendo resolvido aos gritos dentro do meu gabinete?" Indagou Thranduil, levantando-se de sua cadeira também.
"Eu sou rei de Gondor... Rei entendeu? Ou seja, tenho tanto poder quanto você!" Respondeu o humano, virando-se para encarar o elfo loiro.
"Tem poder dentro do seu reino, humano desprezível! Que por acaso não é aqui!" Disse Thranduil, dando a volta na mesa e parando a poucos passos do elfo moreno e do humano.
"Cuidado com a língua Thranduil... Pode ser rei de Eryn Lasgalen, mas não tem o direito de diminuir uma pessoa que tem o mesmo título que você!" Avisou Elrond.
"Oh! Mas é claro que eu tenho! Principalmente se essa pessoa se encontra dentro do meu território!" Exclamou Thranduil, abrindo um sorriso vitorioso.
"Dizendo isso você concorda com o fato de que, quando você for a Gondor, Estel poderá tratá-lo da mesma maneira que você o trata aqui!" Comentou Elrond.
"E quem disse que, algum dia, eu visitarei aquela espelunca que vocês chamam de reino?" Indagou Thranduil, indignado.
"Ah! Você visitará Thranduil... E o motivo que te levará até lá, é o mais óbvio e, ao mesmo tempo, o mais inimaginável de todos... Guarde minhas palavras..." Profetizou Elrond, calando todos os protestos que Aragorn queria soltar, arrancando o sorriso do rosto de Thranduil e fazendo os dois olharem-no, assustados. O excesso de suspense presente em cada letra da previsão.
"Como pode saber disso?" Perguntou o elfo loiro, encarando, estupefato o Lorde de Imladris.
"Sei de muitas coisas que não fazem parte do seu conhecimento, Thranduil... Inclusive o que mata seu filho." Esclareceu Elrond, assumindo uma postura séria.
Thranduil arregalou os olhos e abriu a boca para perguntar o que era, mas, pela quarta vez, foi interrompido.
"O que é?" Perguntou Estel, curioso.
"A pior inimiga de um elfo..."
"Uma aranha?" Arriscou Thranduil.
"Não Thranduil." Negou o curador, girando nos calcanhares para encarar o rei de Mirkwood. "A tristeza..."
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Notas Finais da Autora
Agradecimentos:
Telpe
Aine Greenleaf
Anna Asakura Kyoyama
Angela
Obrigada pelas reviews! ; )
