Notas Iniciais da Autora:
Prontinho!
Outro capítulo!
Certo, já são, praticamente, duas horas da manhã e eu ainda tenho que estudar para uma prova compliada. Mas queria atualizar essa fanfic logo, então fiz um esforço para terminar o capítulo hoje! E consegui!
A parte em que Legolas compara Lorde Elrond com uma árvore também foi retirada da Bíblia. E também está localizada na parte dos Salmos. Mas, dessa vez, eu não modifiquei nada! A frase foi retirada da bíblia e não sofreu modificações. É uma das primeiras partes dos Salmos, está localizada na primeira folha!
Observações: Linhas pontilhadas indicam mudança de tempo e local.
as linhas em "x" indicam os sonhos.
os ooo indicam flashback.
e os "x" entre parênteses indicam mudança de local. Somente de local. Mostrando, assim, que a cena que vem depois acontece ao mesmo tempo que a anterior.
Nada mais...
Fiquem com o 5º capítulo!
Boa leitura!
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Revelações e Esclarecimentos.
"Estou tentando te proteger!"
Thranduil caminhava impaciente, pelo quarto do filho. Os passos, aleatórios e desesperados, muitas vezes, obrigavam-no a estacar a poucos centímetros das paredes brancas. Quando isso acontecia, o rei aproveitava para apoiar-se nelas ou, simplesmente, esmurrá-las com uma força que até ele desconhecia.
Legolas, agora, estava sentado na cama. Sem coragem de encarar o pai, o arqueiro não desgrudava os olhos do lençol branco que o protegia, contra o frio, da cintura para baixo.
"Negando-me seu amor?"
A voz do filho fez Thranduil estagnar-se, mais uma vez. Lentamente, ele girou nos calcanhares para encarar Legolas, que se encolheu contra a cabeceira da cama, mas não tremeu. O estranho feitiço, que o impedia de tremer diante do rei, ainda fazendo efeito. Mas o olhar penetrante o assustava. Thranduil continuou encarando o arqueiro, que não ergueu os olhos, por um bom tempo. Depois, soltou um suspiro cansado e caminhou até a cama do filho, sentando-se nela.
"Nunca neguei-lhe meu amor, Legolas..." Admitiu o rei, apoiando as mãos sobre os joelhos e observando-as, sem querer olhar para o filho que, surpreendido e assustado, ergueu os olhos rapidamente, encarando o perfil derrotado de Thranduil.
"Mas nunca o demonstrou abertamente!"
"Não..." Concordou o rei. "Já lhe disse. Faço para te proteger!"
"Proteger-me?!" Indagou Legolas, arregalando os olhos e elevando o tom da voz, indignado. Fazendo o rei olhá-lo surpreso e espantado. "Você me joga em clareiras, acompanhado por meia dúzia de elfos, com um arco, uma aljava com menos de vinte flechas e duas adagas élficas para derrotas orcs e aranhas! Faz-me guiar patrulhas pelas partes mais escuras e assustadoras dessa maldita Floresta! Do palácio, você traça os caminhos que irei percorrer! Caminhos que me fazem enfrentar meu maior medo: a solidão! Do que quer me proteger?"
Thranduil voltou a observar suas mãos, ainda apoiada sobre os joelhos. As lembranças de um passado triste retornando à sua mente, sem dar-lhe chance de resistir. As imagens da morte de alguém especial, repassando diante de seus olhos, causando-lhe dor e desespero. Respirou fundo antes que as palavras saíssem num sussurro:
"Do destino, Legolas..."
Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
"Não o abandone, mell... Não tire a vida e a alegria de seus olhos azuis...".
A suplicante voz calma e musical da elfa que oscilava entre a vida e a morte, cortou o coração do elfo que, desesperado, apertava sua mão.
"Não o abandonarei... Nenhum de nós o abandonará!"
"Já sabes que não posso escolher meu destino, herven-nîn".
"Não pode me abandonar...".
"Não te abandono. Minha lembrança permanecerá viva, aqui..." Explicou-lhe a elfa, guiando sua mão pálida até o peito do marido, pousando-a na altura do coração. "Enquanto nosso amor existir, eu estarei presente em cada momento de sua vida."
"Não é a mesma coisa!" Insistiu o elfo, deixando escapar uma lágrima solitária.
Tal acontecimento não passou despercebido pela elfa que, assumindo uma expressão séria, usou as poucas forças que tinha para guiar a mão até o rosto do elfo, enxugando a lágrima com uma delicadeza única.
"Não quero levar comigo a lembrança do meu rei chorando... Quero vê-lo sorrir."
"Não é mais possível, rien-nîn" Admitiu o elfo, sentindo o coração apertar com a declaração da rainha. "Nunca mais será...".
"Meleth-nîn, dei-lhe um filho! Dei-lhe um herdeiro! Dei para a nossa Floresta, um príncipe, um futuro rei. Como podes me dizer que nunca mais irá sorrir? Nosso filho é de tão pouca importância?" Indagou a elfa, assumindo um ar sério.
"Nunca disse isso! Não coloque palavras em minha boca!" Rosnou o elfo, profundamente ferido pelas palavras da esposa. "Deu-me a maior alegria de minha vida... Deu-me a jóia mais rara... Deu-me a folha mais preciosa..."
"Então, o que te impedirá de sorrir?"
"O fato de que não estará mais aqui, para presenciar meus sorrisos, para acalmar-me com sua voz... Para fazer-me rir..."
"Tudo isso, querido, Legolas saberá fazer em dobro!"
"Ele não é você... Ele é seu filho! Meu filho! Nosso filho! Mas não é você!"
O elfo lutou para segurar as lágrimas que imploravam por liberdade. Segurou-as, sentindo sua visão nublar pelo excesso de lágrimas aprisionadas, mas mantendo-se firme para não derramar mais nenhuma.
"Eu não estarei aqui, meu rei. Mas ele estará! Ele presenciará seus sorrisos, ele o acalmará com sua voz... Ele o fará rir! Ele será sua salvação quando nada mais puder ser!" Falou a elfa, com a voz calma e serena.
"Queria poder ir com você..."
E então, os olhos azuis claros arregalaram-se. A respiração alterou-se, tomando um ritmo rápido e nervoso. A boca abriu-se, soltando uma exclamação angustiada, enquanto uma das mãos parava sobre a boca do rei, impedindo-o de continuar a frase.
"Nunca repita isso! Tens um filho para cuidar! Como podes pensar em partir?!"
"Não saberei viver sem você..."
"Aprenderá! Aprenderá querido. Porque, agora, tu és a única família que resta ao nosso pequeno Folha Verde. Proteja-o das injustiças do mundo. Salve-o das dores... Guie-o pelos caminhos que sabes que o salvarão! Não quero que venha comigo... Não quero que nosso filho sofra pela sua morte...".
"Sofrerá pela sua!"
"E isso já é o suficiente!"
Ambos ficaram em silêncio, enquanto o ar do quarto tornava-se mais pesado.
A respiração da rainha, outrora acelerada, ia se tornando cada vez mais fraca. Até que se tornaram suspiros, sinais de que a vida abandonava-a.
"Perdoe-me, minha rainha..." Sussurrou o loiro, percebendo que a vida daquela que amava estava deixando seu corpo.
"Ú-moe edhored, Thranduil." (Não há o que perdoar, Thranduil) Sussurrou, em resposta, a elfa.
"Eu te amo, rien-nîn" Disse Thranduil, antes de escutar as últimas palavras da elfa que sempre amou:
"Thranduil... Querido... Nai cala hendelyato laituva i hendenyat! (tomara que a luz de seus olhos abençoe os olhos meus). Cuide do nosso pequeno Folha Verde, meleth-nîn".
Com as últimas forças que tinha, a elfa fechou os olhos. Um sorriso apareceu em seus lábios e a respiração extinguiu-se.
"Não deixarei que nosso filho sofra com minha morte, rien... Prometo!"
Thranduil depositou um beijo delicado na mão fria e pálida que segurava. Ficou a noite inteira ao lado da rainha, velando pelo seu eterno sono. Prometeu para a esposa que não deixaria seu filho sofrer pela sua morte... E, essa promessa, ele ia cumprir.
Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
"Não tenho medo do destino" Revelou Legolas.
"Eu também não tinha...".
"Agora o senhor tem?"
A pergunta do filho pegou Thranduil de surpresa. O rei ergueu os olhos para Legolas, vendo-o retribuir o olhar. Encarou-o durante algum tempo, voltando a encarar as mãos logo em seguida.
"Não posso dizer que eu tenha. Mas estaria mentindo se dissesse que não. Não mando nele, seria inútil temê-lo. Mas... É exatamente pelo fato de não ter poder sobre ele, que ele me assusta tanto." Admitiu.
"Gostaria de mandar no seu destino?" Tornou a perguntar Legolas, tranqüilamente.
"Não"
"Posso saber por quê?"
"Um destino escolhido não é destino, é escolha. Mandar no meu destino seria escolher meu futuro." Explicou o rei, indiferente.
"Mas, se mandasse no seu destino, ele não o assustaria mais..."
"Talvez"
"'Talvez'?"
"Se eu mandasse no meu destino, ele não existiria... Seriam escolhas baseadas nas minhas vontades. Uma vida escolhida!" Repetiu Thranduil.
"Qual é o problema nisso?"
"Todos, Legolas. Você tem muito que aprender." Começou o rei, respirando fundo antes de continuar: "Acha que se eu pudesse mandar no meu destino, hoje eu seria rei? Eu sempre quis ser capitão... Guiar patrulhas, viajar pela Terra Média. Mas, se eu não fosse rei, jamais teria conhecido sua mãe e, conseqüentemente, não teria um filho..." Diante do silêncio de Legolas, Thranduil completou: "Às vezes deixar o destino traçar os caminhos pode ser a melhor opção".
"Porque quis ter um filho?"
Novamente, a pergunta inapropriada de Legolas surpreendeu Thranduil. O rei ficou calado, penando nas possíveis respostas.
"Precisava de um herdeiro, Legolas..." Respondeu, finalmente, o rei.
A resposta feriu, profundamente, o coração atormentado do príncipe. Então, era isso que ele significava para o pai? Um herdeiro, um elfo para assumir Mirkwood quando Thranduil partisse. Nada mais que isso. Não era um filho... Era um herdeiro!
"Então é isso que eu represento para você? Um herdeiro. Nada mais que isso..." Murmurou o arqueiro, voltando a encarar, triste e magoado, o lençol branco.
"Elbereth, Legolas! Não dificulte as coisas!" Exclamou Thranduil, levantando-se da cama num movimento rápido e inesperado. Assustando o filho. "Você é meu filho, meu herdeiro... Príncipe de Mirkwood!" Disparou.
Silêncio.
"Sabe que não costumo mostrar sentimentos abertamente, Legolas!"
Silêncio.
"Não foi bom para mim, entenda..."
Silêncio.
"Legolas! Não tem o direito de fazer isso! Não pode me julgar! Não sabe como eu sofri!"
"Sei... Eu também sofri..."
"Não tanto quanto eu!"
"Sofri mais!" Explodiu Legolas, guiando os olhos azuis marejados até os verdes profundos de Thranduil. "Sofri mais por crescer sem amor! Sofri por ter sido jogado na floresta contra a minha vontade..."
"Legolas..."
"Sofri por não ter crescido sem o amor que eu necessitava!"
"Legolas..."
"Sofri por ter escondido, de curadores e do senhor, os ferimentos que eu trazia de lembrança!"
"Legolas..."
"Sofri por ter sido vítima de aranhas e orcs e por nunca ter contado isso para ninguém!"
"LEGOLAS!"
O grito de Thranduil ecoou por todo o quarto do príncipe, fazendo o arqueiro se encolher, novamente, contra a cama. O feitiço se quebrando, o medo voltando com tudo. Desviou, novamente, o olhar do pai, recomeçando a tremer.
"Pelos Valar, me entenda! Você é meu filho! Sempre teve meu amor! O fato de eu não demonstrá-lo abertamente não me impede de senti-lo! Te amo como todos os pais amam seus filhos! Isso é comprovado! Não sei como demonstrar isso! Não quero te abraçar na frente de todos, nem te dizer palavras bonitas, mas o que sinto é uma certeza que tenho!" Respirou fundo e terminou, abaixando o tom de voz. "Não quero que sofra quando eu morrer, Legolas...".
"E o senhor acha que me ignorar vai me impedir de sofrer com sua morte?" Indagou Legolas.
"Achava..."
"Pois não vai!"
Thranduil ficou em silêncio. Encarou os olhos azuis marejados do filho e sentiu-se profundamente arrependido. Arrependido por ser o causador da angustia que o príncipe enfrentava. Porque tinha começado com isso? Pela promessa que fez à sua amada esposa. Prometeu que seu filho não sofreria com sua morte e o único jeito que arranjou de cumprir essa promessa, era ignorando o filho, maltratando-o, pensando que, assim, Legolas o odiaria, desejaria acima de todas as outras coisas, sua morte. Enganado! Enganado e cego por uma promessa... Enganado e cego... Por amor!
"Chegamos a pensar que fosse veneno." Murmurou Thranduil, deixando um sorriso discreto estampar-se em seus lábios.
"Veneno...?" Perguntou Legolas, confuso.
"Pensamos que estava assim por causa de algum veneno. Therenil disse que existem venenos na Terra Média que provocam os efeitos que víamos em você" Explicou o rei.
"Porque alguém me envenenaria?" Tornou a perguntar Legolas.
"Era uma das inúmeras perguntas que dançavam na minha cabeça".
"Foi por isso que chamaram Lorde Elrond?"
O sorriso nos lábios do rei morreu no mesmo instante e ele apertou os lábios, não gostando nenhum pouco do novo rumo da conversa.
"Ele é mais experiente que Therenil... Poderia curá-lo..."
"Gosto de Lorde Elrond..." Admitiu o príncipe, o sorriso que acabara de escapar dos lábios do rei, indo instalar-se nos do príncipe. "Fiquei feliz em vê-lo aqui"
"O que Peredhel tem de tão especial?" Indagou Thranduil, aborrecido.
Legolas não percebeu o desconforto do rei, deixando o sorriso aumentar em seu rosto, os olhos azuis profundos brilhando com um sentimento que Thranduil não conseguiu identificar. O arqueiro olhou para a janela, as cortinas abertas deixando entrar a luz do final de tarde, o céu tingido num rosa pálido misturado com um laranja opaco e um amarelo brilhante. Nuvens avermelhadas enfeitando e completando o quadro perfeito. Mas os olhos azulados pareciam enxergar algo além da paisagem... Algo além do pedaço de céu que denunciava o começo da noite.
"Ele é como árvore plantada junto d'água corrente: dá fruto no tempo devido, e suas folhas nunca murcham. Tudo o que ele faz é bem sucedido." Falou, por fim, o príncipe.
Thranduil franziu as sobrancelhas, aborrecido. Odiava quando falavam por enigmas, mas as palavras do filho tinham-no perturbado. Entre as criaturas enigmáticas que já tinha conhecido, ele podia afirmar que os enigmas que Legolas e Elrond soltavam eram os que mais o incomodavam.
"O que pensa de mim, Legolas?"
O sorriso de Legolas diminuiu, mas não desapareceu. Os olhos azuis do príncipe fixaram-se no rei, dirigindo o sorriso ao aborrecido Thranduil.
"O que todo o filho pensa de..." O arqueiro hesitou um pouco, antes de terminar a frase em um sussurro, desviando os olhos do rei. "... um pai"
"E o que eles pensam?" Tornou a perguntar Thranduil.
Legolas não respondeu. Mas seu sorriso aumentou e, ainda que estivesse com a cabeça baixa e seu cabelo cobrisse grande parte de seu rosto, o rei conseguiu ver isso.
"Eles pensam... Eles enxergam os pais como... Verdadeiros heróis, pessoas importantes, alguém que necessitamos por perto, alguém a quem damos nosso amor sem pensar, sem refletir, sem estudar as conseqüências. Um filho costuma retribuir o amor de um pai... Mesmo quando esse amor aparenta ser inexistente."
O sorriso continuava estampado no rosto de Legolas, mas tinha assumido uma aparência triste.
"Sabe que não é inexistente... Já lhe disse isso!" Murmurou Thranduil.
"Eu sei..." Concordou o príncipe.
Thranduil não teceu comentários. Estava indo muito bem, ele não ia arruinar tudo com um maldito comentário fora de hora.
O silêncio se estendeu durante longos minutos, até que a voz de Legolas perguntou o que Thranduil não queria que ele perguntasse:
"E o que pensa de mim?"
"O que todo o pai pensa de um filho" Respondeu o rei, sorrindo novamente.
"E o que eles pensam?"
Thranduil não respondeu. Não iria responder. Não sabia o que responder.
"Tudo bem, eu não esperava uma resposta" Admitiu Legolas, conformando-se com o silêncio do pai.
"Não acha que passou muito tempo nessa cama?" Indagou o rei, mudando de assunto.
Legolas deu de ombros, indiferente. Guiou, novamente, os olhos para a janela aberta. A noite já havia chegado, o céu, agora negro, estava cheio de pequenos pontos prateados. Estrelas. Brilhantes. Estrelas brilhantes.
"Não tinha condições de sair daqui. Estava mal, triste, iludido. Não existe alegria no ódio, não existe esperança na raiva, não existe luz nas trevas... Nem brilho na dor."
Thranduil irritou-se. Quando iriam perceber que ele odiava enigmas? Odiava essas frases cheias de suspense!
"Tem condições, agora?"
O príncipe sorriu.
"Tenho..."
"Então..." Começou Thranduil, estendendo a mão para o filho. "Levante-se!"
Legolas riu e segurou a mão do pai, aceitando a ajuda para levantar. Enquanto o filho caminhava pelo quarto, procurando as roupas certas para sair do quarto, Thranduil observava-o atônito. Não estava acreditando!
Parava junto à porta fechada do quarto do príncipe e encostava o ouvido nela, só para escutar as risadas que, como ele bem sabia, nunca lhe seriam diretamente dirigidas.
Finalmente, Legolas tinha dirigido-lhe uma risada! O riso musical que, dali em diante, abençoaria seus dias. A risada que jamais esqueceria. Um sorriso, uma risada... Confiança e amor.
(XxXxX)
Lorde Elrond caminhava pelos corredores do palácio, procurando Estel, que desaparecera magicamente. Therenil estava ajudando-o, mas procurava pelos jardins e outros cantos externos do castelo.
O Lorde de Imladris chegou ao corredor onde ficava o quarto do príncipe e reconheceu, imediatamente, a figura que se encontrava ali.
"Estel!" Repreendeu o elfo.
O humano sobressaltou-se violentamente e descolou o ouvido da porta do quarto de Legolas.
"Ada?!" Surpreendeu-se Aragorn.
"Estel!" Exclamou o elfo, perplexo. "Você estava escutando atrás da porta?"
"Nããão!" Negou Aragorn. "Eu jamais seria capaz de fazer isso!"
Mas seu olhar dizia a verdade.
"Você não me engana, Aragorn. Conheço-te muito bem!" Elrond respirou fundo. "Francamente! Quem te ensinou a fazer isso? Com certeza, não fui eu...".
"Elrohir..."
"Perdão?"
"Elrohir me ensinou!"
"E quem ensinou isso para ele?!" Indagou Elrond, surpreendido.
"Como você quer que eu saiba? Quando cheguei em Rivendell, Elrohir já sabia que não é possível contar as estrelas do céu!" Exclamou o humano.
Elrond franziu as sobrancelhas.
"Quando você chegou lá já devia saber disso também...".
"Pois é. Lembro que fiquei uma semana inteira tentando contar as estrelas. Nunca consegui, claro!" Lembrou Aragorn, sorrindo inocentemente.
"Por que tentou contar as estrelas?"
"Porque apostei com Elrohir"
"Por que todas as coisas absurdas envolvem o nome de um dos meus filhos?" Desesperou-se Elrond.
"Não sei responder"
"Bom... Vamos! Therenil está te procurando, também!" Disse Elrond, virando-se e começando a caminhar.
"Não posso!"
"Não?"
"Não! Estou ouvindo a conversa dos dois! Está super interessante! Acabei de ouvir alguma coisa sobre o que o Legolas acha do Thranduil, o que os filhos acham dos pais... Alguma coisa assim! Eles estão se entendendo, ada!! Quero saber onde essa conversa..." Ele parou e encarou o elfo moreno, que o olhava seriamente, os braços cruzados na frente do corpo. "Certo... Vamos..."
Quando os dois já estavam descendo as escadas, o barulho de uma porta abrindo fez elfo e humano subirem os degraus, que já haviam descido, rapidamente.
"Legolas?" Surpreendeu-se Aragorn.
"Thranduil?" Indagou Elrond.
"Aragorn! Lorde Elrond!" Exclamou Legolas, saindo do lado do pai e indo abraçar o humano e o elfo.
Aragorn recebeu o abraço com felicidade e retribuiu com um enorme sorriso estampado no rosto. Quando se separaram, Legolas caminhou até Elrond e abraçou-o com força. Elrond retribuiu o abraço com alegria. Mas por cima do ombro de Legolas, pode ver a expressão fria e incomodada de Thranduil. Rapidamente afastou Legolas e dirigiu-lhe um sorriso.
"Fico feliz que esteja bem, príncipe."
O arqueiro olhou confuso para Elrond, sem entender o motivo de tanta formalidade. Mas o fato do Lorde de Imladris lhe dirigir um sorriso sincero já era o suficiente para perceber que estava tudo bem.
"Eu também, Lorde Elrond".
Tão rápido como havia se afastado, Legolas voltou para o lado do pai. Thranduil ainda encarava Elrond, que não deixava de sorrir.
"Legolas... Porque você e Aragorn não vão lá fora um pouco?" Sugeriu o rei.
"Posso?" Indagou Legolas, abrindo um grande sorriso.
"Deve. Preciso falar com Lorde Elrond."
O sorriso de Legolas aumentou e, fazendo uma reverência para o pai e uma para Lorde Elrond, afastou-se com Estel.
"Conseguiu?" Perguntou o Lorde de Imladris, assim que a porta de entrada do palácio foi fechada, indicando que Legolas e Estel já estavam no jardim.
"Espero que sim..." Respondeu Thranduil, caminhando até a janela mais próxima.
"É só uma questão de tempo, Thranduil. Se tudo correr conforme o planejado, Legolas estará bom dentro de muito pouco tempo. Já conseguiu tirá-lo do quarto. Precisa conseguir tirá-lo de Mirkwood, agora." Explicou Elrond, parando ao lado de Thranduil.
"Não quero tirá-lo de Mirkwood!" Exclamou o rei.
"Vai ser bom para ele. Sabe que Mirkwood não é o lugar mais aconselhável para manter Legolas. A beleza dessa floresta não existe, Thranduil."
"Mesmo assim... É o reino dele!"
"É o seu reino! Você é o rei!"
"E Legolas é meu herdeiro! Tem que aprender a viver aqui!"
"Deixe-o passar alguns dias em Rivendell, Thranduil. Não vai matá-lo e não vai tirar dele o título de príncipe de Mirkwood."
O rei não respondeu. Olhando pela janela o jardim do castelo, Thranduil podia ver Legolas e Aragorn correndo, brincando, como duas crianças. Sorrindo, rindo... Como o pequeno elfinho e seu amigo humano. Será que teria que fazer isso para, finalmente, conseguir curar Legolas? Curá-lo completamente. Teria que deixá-lo sair de Mirkwood para que o filho voltasse a ser o que era? Teria que deixá-lo viver com Peredhel por alguns dias? Será que assim, ao invés de perdê-lo, Thranduil o ganharia? Será que, ao invés de afastá-lo para sempre, o rei o aproximaria? Assim, conseguiria o que tanto esperava? Um sorriso, uma risada... Confiança e amor.
Confiança... E amor!
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Notas Finais da Autora:
Agradecimentos:
-Nii Souma-
-Telpë-
-SadieSil-
-Elfinha-
-Angela-
-Celeblas-
-Anna-
-Samantha-
-Hinata-
E todos aqueles que acompanham a fic mas não têm tempo de deixar review!
Obrigada! ; )
