Notas Iniciais da Autora:

Outro capítulo!
Vou admitir... Escrever "Tentativa Falhada" foi bem mais complicado do que qualquer outro capítulo dessa fanfic! Eu alterei a história muitas... Mas muitas vezes mesmo! Eu escrevia umas cinco páginas do word e, depois, deletava tudo para reescrever! Esse capítulo me deu trabalho!
Escrever a conversa de Elrond com o Thranduil e a participação ativa do Therenil no jardim, quase custaram minha sanidade mental!
Mas saí com vida e ilesa... Eu acho!

Observações: Linhas pontilhadas indicam mudança de tempo e local.
as linhas em "x" indicam os sonhos.
os ooo indicam flashback.
e os "x" entre parênteses indicam mudança de local. Somente de local. Mostrando, assim, que a cena que vem depois acontece ao mesmo tempo que a anterior.

Importante:
Quero esclarecer algumas coisinhas sobre a fic eo capítulo, certo?

1 - Se vocês prestare atenção, na parte do jardim, quando Therenil e Elrond chegam, vocês poderão perceber que tem uma pequena brincadeirinha com o título da fanfic. Nada importante. Essa brincadeirinha não vai mudar nada, não explica o motivo do título e, como eu já disse, não é importante. Eu só achei engraçado. Porque eu percebi que ela existia depois que eu terminei o capítulo e estava lendo para arrumar os erros.

2 - Numa das falas, Lorde Elrond compara alguma coisinha (não vou contar para não estragar a surpresa) com a distância entre o Mar de Rhûn e O Condado.
No "Mapas da Terra-Média" (livro), você pode observar que o Mar de Rhûn fica numa das extremidades da Terra Média, enquanto O Condado fica, praticamente, na outra. Sabendo disso, vocês vão entender a comparação de Elrond.
(O "Mapas da Terra-Média" vem com um mapa do Leste de Gondor, um d'O Condado, um do Oeste de Gondor, um de Eriador, um d'O Reino de Rohan, um de Mordor e um da própria Terra Média)

3 - Esclarecendo. Sim! Eu uso nomes em Português, em Inlgês e no próprio Sindarin! É um costume que eu tenho, desculpem.
Eu não gosto de falar "Floresta das Trevas", por isso uso Mirkwood. Mas também não gosto de usar "Valfenda", então uso "Rivendell".

4 - Fazendo um pequeno comentário, que eu decidi fazer baseando-me na última review da SadieSil: Realmente, eu gosto de dar um ar meio infantil ao Aragorn. Tanto que, quando Legolas está com ele, o nosso elfo também vira uma criança! Eu acho que é uma forma de dar uma descontraída na história. Eu precisava de alguém para ser o lançador das piadinhas infames... Porque não o Aragorn?
Mas eu só fui perceber que ele, realmente, parece uma criança, com a review que a Sadie mandou. Obrigada! (risos)

5 - Inicialmente o nome do capítulo ia ser "Acreditando no Impossível". Mas eu aleterei o título quando terminei de escrever o capítulo definitivo. Acho que "Tentativa Falhada" teve mais a ver com a história.

Vou deixar vocês lerem em paz, agora!
Chega de notas iniciais, não é?
Mas não se preocupem... No final tem mais! ; )

Boa leitura!

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Tentativa Falhada

Legolas e Aragorn sentaram-se em umas das inúmeras pedras que ocupavam o jardim do palácio. Algumas aberturas na grande rocha permitiam que o elfo e o humano observassem o céu. A noite claramente estampada nos pequenos pedaços que podiam ver. Pequenas estrelas enfeitando o véu negro e um vento frio que, passando pelas aberturas da rocha, fazia um som um tanto assustador, se você realmente se importasse com ele.

"No que pensa Legolas?" Indagou o humano, observando como o amigo estava calado.

"Em nada..."

"Não me engana, elfo bobo! Sei que está pensando em alguma coisa!"

Silêncio.

"Ora, vamos! Conheço-te muito bem, Legolas! Sei quando está pensando em alguma coisa! Vamos, vamos! Conte para seu amigo o que está acontecendo, principezinho aborrecido!" Provocou Estel, cutucando o amigo insistentemente.

Legolas deixou escapar um riso musical. Enquanto divertia-se e irritava-se com as provocações de Aragorn.

"Seu humano irritante! Já lhe disse que não estou pensando em nada!" Respondeu o elfo, revidando as cutucadas.

Aragorn olhou para Legolas, com uma falsa expressão de indignação no rosto.

"Você me cutucou?"

"Eu? Nunca! Como ousa me acusar sem provas?" Indagou Legolas.

O humano parou de provocar Legolas, colocou um dedo no queixo e olhou para o nada, parecendo muito concentrado na sua tarefa de avaliar as possíveis respostas.

"Realmente... Não posso te acusar sem provas! Então devo imaginar que sua cabecinha oca não estava pensando em absolutamente nada? Acho que não cabem pensamentos aí dentro, não é?" Provocou, novamente, Aragorn. Batendo delicadamente na cabeça de Legolas, como se batesse em uma porta, esperando permissão para entrar.

"Blasfêmia!" Exclamou Legolas, apontando um dedo acusador para o guardião. "Quem você pensa que é para desrespeitar publicamente o futuro rei de Mirkwood?"

"Sou um rei sem coroa, muito prazer" Respondeu Aragorn, estufando o peito, orgulhosamente. Depois parou, pensou, olhou ao redor e voltou a encarar Legolas com a dúvida no olhar. "E quem está presenciando isso para você usar a palavra 'publicamente'?"

Legolas pareceu notar a mesma coisa e repetiu os atos do guardião. Pensou, olhou em volta e encarou Aragorn com um sorriso inocente no rosto.

"As rochas" Falou, simplesmente.

"Oh! Rochas são seres inanimados! Não podem presenciar alguma coisa!"

"Que seja!" Disse Legolas, virou a cabeça para a direita e deparou-se com uma coisa que o fez abrir um sorriso ainda maior que o anterior. "As plantas, então!"

Aragorn olhou para a mesma direção que Legolas olhava e avistou uma pequena flor branca, com manchas avermelhadas, que crescia apoiando-se no tronco de uma árvore morta.

"Não sabia que existiam flores aqui..." Comentou o humano, admirando a beleza da flor.

"Existem... Poucas, mas existem." Explicou Legolas, sorrindo.

De fato, poucas flores eram visíveis no escuro jardim do palácio. A maioria das plantas presentes ali eram as árvores, incapazes de alcançar mais de dois metros de altura, ou a grama baixa.

Ficaram um tempo admirando a beleza da flor, sem trocar uma só palavra, mergulhados cada qual em seus próprios pensamentos. Ocupados e distraídos demais para perceber a aproximação de dois elfos.

"Legolas? Aragorn?"

Ambos sobressaltaram-se violentamente, girando rapidamente para ver quem os chamara. Aragorn abriu um sorriso ao ver Therenil e Elrond parados diante deles. Legolas, por sua vez, sorriu tristemente. Seu pai não estava ali, obviamente.

"É melhor entrarem..." Começou Therenil, retribuindo o sorriso do guardião. "Não é bom ficarem aqui fora de noite. O vento..." Apontou para a abertura na rocha, que deixava entrar a brisa fria da noite. "Pode deixá-los doentes. Principalmente você, Legolas! Ainda não está completamente curado dos ferimentos do ataque! E, se me permite dizer, isso te deixa um pouco mais... hum... frágil."

"Claro! Sinto muito" Desculpou-se Legolas, levantando-se e caminhando com passos rápidos até o palácio, sumindo atrás da porta de entrada antes que qualquer um pudesse pronunciar alguma palavra.

Aragorn, Elrond e Therenil observaram-no desaparecer dentro do palácio e entreolharam-se. Elrond respirou fundo, enquanto Therenil e Aragorn encaravam-no.

"Então?" Perguntou Therenil.

"Conversei com ele. Pedi que me deixasse levar Legolas até Rivendell." Começou Elrond, sentando-se na pedra ao lado de Aragorn.

"E o que ele respondeu?" Indagou o humano, dando espaço para o elfo sentar-se.

"Nada"

"Nada?" Exclamaram Therenil e Aragorn, em uníssono.

"Vocês sabem como funciona a cabeça indecisa de Thranduil! Ele acredita no que vê, no que sente e no que quer. Não vai ser fácil, sei disso!" Suspirou o elfo, cansado.

"Eu posso cortar algumas cabeças..." Sugeriu Estel.

O elfo moreno olhou surpreso para o humano.

"Elrohir!" Adiantou-se Aragorn.

"Como?"

"Foi Elrohir que me ensinou a fazer essa ameaça..."

"Elbereth! Onde eu errei na educação desse elfo?" Indagou Elrond, angustiado.

"Caham... Voltando ao assunto..."

"Perdão" Desculpou-se Elrond, dirigindo um sorriso cansado ao curador.

"Certo! O que pretende fazer, agora?"

"Descansar"

"Sobre Thranduil..." Esclareceu o curador.

"Esperar que o bom senso dele vença a boa vontade?" Voltou a sugerir Estel. "Isso eu aprendi com o Elladan" Respondeu orgulhoso, antes mesmo de receber algum olhar assustado.

"Pena que ele não te ensinou a hora certa de usar essa sugestão!" Rosnou Elrond.

Aragorn arregalou os olhos, enquanto Therenil explodia em gargalhadas.

"Se me permitem, vou descansar. Conversar com Thranduil é mais cansativo do que ir do Mar de Rhûn até O Condado dependendo unicamente de suas pernas!" Comentou o Lorde de Imladris, levantando-se da pedra e dirigindo-se ao palácio.

Therenil continuou rindo, enquanto Aragorn observava o elfo afastar-se e desaparecer atrás das portas, exatamente como Legolas havia feito alguns minutos atrás.

"Acha que Thranduil vai deixar?" Perguntou o humano.

"Eu adoro Lorde Elrond!" Comentou Therenil, continuando com seus ataques de risos. "Adorei! Adorei mesmo! Quero aprender a cortar as pessoas assim!"

"Pare de rir, elfo! Estou falando sério! Conheço meu pai muito bem... Ele não estava normal."

O curador parou de rir e observou as portas do palácio. Suspirou cansado e sentou-se na pedra, ocupando o mesmo lugar que Elrond acabara de abandonar.

"Escute Aragorn. Quando vim para cá, Thranduil nem tinha nascido ainda. Acompanhei o crescimento desse elfo e cuidei dele antes que pensasse em nascer. Assisti a educação que recebeu, estive presente em todos os momentos importantes da vida dele e, por isso, conheço-o melhor do que ninguém" O curador olhou para a abertura na rocha, observando as pequenas estrelas que enfeitavam o céu. "A vida de Thranduil foi difícil. Ele foi enganado e traído. Confiou cegamente nos outros e isso foi sua ruína. Encantou-se por alguém que não podia, amou o proibido, tentou fazer coisas impossíveis, que muitos tentaram e falharam. Mas Thranduil é orgulhoso, não aceitou a derrota, e isso... Prejudicou-o mais. É difícil vê-lo confiar em alguém. Permitir que o filho vá até Rivendell, é uma decisão complicada e difícil... Não acredito que Thranduil permita isso e, se ele não permitir, Lorde Elrond terá que aceitar."

"Lorde Elrond não desistirá tão facilmente..." Afirmou Estel.

"Eu sei. E isso é o que mais me preocupa. Não sei qual dos dois é pior. Thranduil é orgulhoso. Lorde Elrond é decidido. Se formar uma guerra entre eles, por mais simples e discreta que seja, pode ser perigosa. Não para nós, nem para a Terra Média, mas para a vida dos dois... Além, é claro, da vida do príncipe."

"Legolas?" Exclamou Estel, surpreso.

"Sim... Legolas" Concordou o curador.

"O que Legolas tem a ver com isso?" Indagou o humano.

"Tudo. Aragorn, ele é o motivo que trouxe você e Lorde Elrond aqui. E vocês dois são os motivos que despertaram a desconfiança de Thranduil" Explicou o curador, dirigindo um sorriso triste ao humano.

Estel concordou com a cabeça. No momento, não podia dizer nada. Ele sabia que as palavras de Therenil eram verdadeiras.

"Vamos entrar, a noite está ficando mais fria. Se continuarmos aqui, você não sairá da cama amanhã." Comentou Therenil, sorrindo para Estel.

"Porque vocês não tentam?" Perguntou Estel, perturbado com a história de Thranduil.

"Tentar o que?" Indagou Therenil, levantando-se despreocupadamente da pedra.

"Encontrar o lado compreensivo de Thranduil"

Therenil parou de sorrir, respirou fundo mais uma vez, os olhos cinza do curador emitiram um brilho triste.

"Não tentamos encontrá-lo, Aragorn, porque sabemos que jamais vamos achá-lo." Explicou Therenil. "Esse lado da personalidade de Thranduil é parte do passado. Passado em que árvores e elfos viviam em harmonia, num lugar chamado Greenwood."

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Os primeiros raios de sol penetraram pelas pequenas aberturas na grande rocha. A ação do tempo e dos ventos quebrara parte da fortaleza de pedra que protegia o reino, permitindo que sol, vento e luz das estrelas ou da lua fossem apreciados pelo elfos.

Embora a floresta fosse um local de Trevas, de guerras, de perigos e onde a paz é apenas um sonho distante, alguns animais arriscavam suas próprias vidas para alegrar seus amigos elfos com suas magias. Passarinhos ousados soltavam algumas notas musicais, que maravilhavam aqueles que já não tinham esperança. Borboletas de diversas cores e tamanhos aventuravam-se pelas aberturas e coloriam a grande rocha, pousando nas poucas flores e enfeitando Mirkwood com cores que, para alguns, eram totalmente desconhecidas.

E, apesar de não ter a mesma beleza que os outros reinos de Arda, na primavera Mirkwood conseguia encantar os olhos azuis do príncipe. E ele agradecia por isso. Durante uma estação do ano, pelo menos, ele realmente admirava a floresta onde nasceu.

Mas, ao mesmo tempo em que a primavera agradava profundamente o príncipe, ela desanimava totalmente o rei. Desanimava e irritava, dissolvendo sua energia e sua vontade como uma praga que cai sobre sua cabeça sem aviso.

Enquanto Legolas, provavelmente, corria feliz com Aragorn pelos jardins do palácio, Thranduil trancava-se em seu gabinete, rodeado por mapas, pergaminhos, penas e tinteiros. Proibia a entrada de qualquer um e afundava-se em pensamentos e estudos sobre coisas que ele, acima de tudo, gostaria de esquecer.

Queria ter tido a liberdade que o filho tinha. Podia ser rigoroso, exigente e maldoso com Legolas. Mas, pelo menos, naquele momento, o filho poderia correr livremente, se quisesse. Naquela idade, a obrigação de Thranduil era estudar, ler livros, desenhar mapas e decidir o futuro do reino junto com seu pai.

"Majestade?"

A voz de um dos guardas do palácio arrancou Thranduil de seus pensamentos. O rei ergueu os olhos e encarou o elfo que estava parado no lado oposto da mesa, ajoelhado, demonstrando respeito.

"Sim?"

"O Lorde de Imladris deseja vê-lo. Devo deixá-lo entrar?" Indagou o elfo, encarando o chão.

Thranduil revirou os olhos. Que parte do 'não deixe ninguém entrar' aquele elfo não tinha entendido?

"O que ele quer?" Perguntou, voltando a atenção para os mapas em cima da mesa.

"Lorde Elrond disse que é um assunto particular com o rei." Respondeu, imediatamente, o guarda.

"Hum... Deixe-o entrar!" Rendeu-se Thranduil.

"Sim, senhor!"

Com uma reverência o guarda se afastou e saiu da sala, deixando a porta aberta para que o Lorde de Imladris entrasse.

"O que quer comigo?" Perguntou Thranduil, assim que ouviu Elrond fechar a porta.

"Sabe o que eu quero..." Garantiu o outro.

"A resposta?"

"Sim"

Thranduil ergueu os olhos dos documentos pela segunda vez e encarou o elfo moreno. Que retribuiu o olhar sem se sentir intimidado.

"Tem pressa?"

"Pretendo voltar a Rivendell o quanto antes."

"Hum..."

Elrond respirou fundo e, puxando uma cadeira, sentou-se no outro lado da mesa, olhando fixamente para os olhos verdes de Thranduil.

"Na verdade, não foi para isso que eu vim."

"O que quer, então?" Perguntou Thranduil, erguendo uma sobrancelha.

"Saber por que você o trata como um erro!" Esclareceu.

"Isso vai mudar alguma coisa?"

"Na minha vida não. Mas pode mudar na dele." Respondeu Elrond, dando de ombros, indiferente.

"No início do princípio, Peredhel, ele foi um erro." Admitiu o rei, cansado. "Planejávamos ter um filho, claro! Mas não imaginávamos que seria tão rápido. Mal nos casamos e já tínhamos Legolas."

"Por isso o trata como se não fosse seu filho?"

"Nunca o tratei assim!" Exclamou Thranduil, indignado.

"Você está cego, Thranduil!" Concluiu o outro, com aquela calma que o rei de Mirkwood tanto invejava.

Mas ele não respondeu. Acordara desanimado demais para deixar-se irritar pelas palavras venenosas, ou simplesmente sinceras, do elfo moreno.

"Devia entender que um filho é mais do que um herdeiro, Thranduil! Se não fosse rei, não precisaria tratá-lo como um príncipe..." Começou Elrond.

"Eu sei" Interrompeu Thranduil.

"Se não fosse rei, poderia ser mais feliz..." Continuou o outro elfo.

"Eu sei" Voltou a confirmar Thranduil.

"E vocês dois teriam liberdade." Concluiu o Lorde de Imladris.

"Sei de tudo isso. Posso ser estúpido e um péssimo pai – se era isso que você queria insinuar, conseguiu – mas não tente me ensinar ou tentar fazer com que eu aprenda como seria minha vida fora desse palácio! Não irá conseguir isso!" Falou Thranduil, num tom sério e determinado. Muito determinado. Determinado demais.

"E eu posso saber por quê?" Indagou Elrond, surpreendendo o rei.

"Porque essa vida não existe!" Respondeu.

"E você tem certeza disso?" Voltou a indagar Elrond, assumindo um ar mais sério do que o anterior.

A nova pergunta pegou Thranduil de surpresa. No mesmo instante em que seus olhos verdes encaravam profundamente o olhar calmo e sério de Elrond, sentiu que a pena, que segurava para anotar ou rabiscar documentos, escorregou de sua mão e caiu levemente sobre a mesa de madeira. Com certeza, ele não tinha entendido a mensagem que o elfo moreno quis lhe passar através da pergunta simples e, ao mesmo tempo, ridícula, com uma resposta tão óbvia que ele não tinha o menor interesse em responder. Mas devia admitir, Elrond era esperto e sabia muito mais da Terra Média do que muitos outros, tinha certeza absoluta que ele saberia a resposta para a própria pergunta. A não ser, é claro, que a pergunta significasse bem mais do que deixava parecer.

Não houve resposta.

"Você não tem."

Não era uma pergunta.

Com um sorriso vitorioso, Elrond levantou-se da cadeira e dirigiu-se para a porta do gabinete. Abriu-a e, antes de sair, virou-se para encarar Thranduil que, ainda surpreso, acompanhava cada movimento do Lorde de Imladris.

"Quando tiver as respostas, Thranduil. Procure-me!" Atravessou a porta e fechou-a. Afastou-se do gabinete e, quando estava bem longe da audição avançada do rei, suspirou e olhou tristemente para o chão. "Só espero que não seja tarde demais...".

(XxXxX)

"Sabe..." Começou o guardião, observando a pequena flor que nascia no tronco da árvore morta. "Mirkwood não é tão horrível assim!"

"Você diz isso porque não mora aqui!" Resmungou Legolas.

"O que houve com você?" Aborreceu-se o guardião. "Você já conseguiu se entender com seu pai, você adora a primavera, você está acompanhado pela minha ilustre pessoa... O que mais pode querer?"

"Eu só queria... Que meu pai demonstrasse que me ama. Ele já me disse, certo. Mas... Ele disse só para mim" Murmurou o príncipe.

"Bom... Lorde Elrond também nunca organizou uma festa em Rivendell para dizer a Arwen, Elladan ou Elrohir que os ama..." Observou Aragorn.

"Não estou dizendo que quero festas! Só queria... Que ele demonstrasse um pouco de afeto quando estamos entre outras pessoas... Não fosse sempre o rei frio e sem sentimentos, que só se importa com a própria vida e com o reino que governa."

"Legolas..."

O humano sentia pena do amigo. Um pouco culpado, talvez. Queria ajudá-lo, queria mostrar para ele que as coisas nem sempre são como a gente quer, mas o príncipe já devia saber disso. Melhor do que ninguém.

Mas antes que pudesse falar outra coisa, o príncipe soltou uma risada, abriu um sorriso e olhou para o humano.

"Não estou falando nada com sentido não é? Perdão..." Comentou, divertido.

"Hum..."

"Que foi?"

O guardião abriu um sorriso maligno e, sem esperar qualquer reação do príncipe, empurrou-o e saiu correndo.

"Está com você!"

Legolas demorou um bom tempo para processar a informação. E quando a ficha caiu, soltou outra risada e saiu correndo atrás do humano, que se escondia atrás das árvores.

"Humano besta! Você sabe que não tem chance contra o príncipe de Mirkwood!"

"Tenho, sim!" Respondeu o humano. "É você que não tem chance contra o rei sem coroa de Gondor!"

"Nhé, nhé, nhé! Você é um humano!! Eu, um elfo! Você não tem chances de vencer!"

"Eu estou vencendo!"

"Por que estaria?"

"Porque eu estou escondido na árvore bem ao seu lado e você está conversando com a árvore a sua frente. Como se eu estivesse ali!"

Assustado, Legolas girou o corpo para observar a árvore ao seu lado. No exato instante em que Aragorn saltava da árvore que tinha acabado de se livrar da vista do príncipe.

"Aragorn? Mas... Você não estava...?"

O elfo não conseguiu achar as palavras certas para formar a pergunta, confuso. Até que a verdade caiu sobre ele como um jato de água fria. O humano tinha conseguido enganá-lo! É claro que ele estava olhando para a árvore certa! Ele era um elfo!

"Legolas... Você não está bem!" Afirmou o guardião, preocupado.

"Claro que estou!"

"Então como eu consegui te enganar? Pelos céus! Você é um elfo! Não se deixa enganar facilmente!"

O elfo sorriu tristemente. O humano tinha razão.

"O que está acontecendo, Legolas?" Indagou o humano, aproximando-se do elfo, mais preocupado ainda.

Mas, no momento em que Legolas ia responder, Elrond apareceu no jardim. Ele sorria, mas qualquer pessoa que o conhecesse bem saberia que estava realmente irritado.

E essa pessoa era Aragorn.

"O que aconteceu, ada?" Indagou Estel, assim que o elfo parou na frente deles.

"Problemas, problemas e mais problemas! Essa floresta vai me enlouquecer!" Explodiu Elrond.

"Bem-vindo ao meu pesadelo" Ironizou Legolas.

"Essa floresta vai me enlouquecer, Thranduil vai me enlouquecer, essa rocha gigante vai me enlouquecer, não ver o céu vai me enlouquecer e, se eu não voltar para Rivendell dentro de três dias, definitivamente vou enlouquecer!" Disparou Elrond, ignorando o comentário do outro elfo.

"Então vamos voltar!" Sugeriu Aragorn.

"Não antes de receber as respostas de Thranduil!"

"Respostas?" Interessou-se o príncipe.

"Sim, respostas!" Concordou o Lorde de Imladris.

"Que respostas?"

Elrond ia começar a explicar tudo aos dois, quando uma outra voz se fez ouvir nos jardins.

"Sim, Peredhel, eu tenho certeza que minha vida fora desse palácio não existe!" Começou a voz firme e decidida de Thranduil, fazendo os dois elfos e o humano olharem para ele.

Elrond prendeu a respiração. Ele sabia qual era a próxima resposta.

"E não... Legolas não vai a Rivendell!"

Aragorn arregalou os olhos no mesmo instante em que Elrond fechou os seus. E logo depois o baque surdo de alguém caindo de joelhos na grama foi ouvido, enquanto Thranduil voltava para o palácio sem se arrepender das suas decisões, ao mesmo tempo em que não entendia o porquê de tê-las feito.

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Notas Finais da Autora:

Antes dos agradecimentos, quero avisar uma coisinha:
Eu, realmente, não sei quando vou atualizar de novo. Mas tenho certeza de que o próximo capítulo vai demorar (talvez só saia ano que vem)...
Estou abrindo uma nova conta aqui no FF, onde terei que postar fanfics que são respostas aos desafios de fóruns de animes. E eu garanto... Os desafios não são poucos e não demoram muito para acontecer. O intervalo entre um e outro é consideravelmente pequeno.
Mas é um dos meus sonhos que vou estar realizando!! Participar desses desafios sempre foi um desejo meu! Hihihih... Agora... Espero que torçam para que eu escreva histórias decentes, viu? ; )

Vou ficar triste por ter que deixar essa fanfic parada por um tempo... E, foi pensando em vocês, que eu terminei o capítulo já mostrando as respostas do Thranduil. Eu pensava em terminá-lo com o rei chegando ao jardim. Mas como a próxima atualização é incerta, decidi deixá-los com as respostas

Agradecimentos:

-Celeblas-
-Elfinha-
-Samantha-
-SadieSil-
-Nii Souma-

E a todos aqueles que acompanham a fic mas não têm tempo de deixar review!

Como, provavelmente, não voltarei até o ano que vem, desejo a vocês um

FELIZ NATAL
E UM ÓTIMO ANO NOVO!